{"id":31032,"date":"2020-08-06T11:30:30","date_gmt":"2020-08-06T14:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=31032"},"modified":"2020-08-05T17:33:56","modified_gmt":"2020-08-05T20:33:56","slug":"arvore-tropical-mais-alta-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/arvore-tropical-mais-alta-do-mundo\/","title":{"rendered":"\u00c1rvore tropical mais alta do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"css-1ri4atq\">\n<p><a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2019\/04\/-arvore-tropical-mais-alta-borneu-escalada-meranti-amarelo-saba-malasia-menara?fbclid=IwAR1ipkxiG-F7GptYU32e8bGbmW0Uq3VVK-XV3heJKdowioOGUSCohPr3k6M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Por MARY GAGEN &#8211; National Geographic<\/a><\/p>\n<h2 class=\"css-1sg8adi\">Uma \u00e1rvore gigante com mais de 100 metros de altura foi identificada em Born\u00e9u por vis\u00e3o a\u00e9rea e posteriormente escalada para ter a medida confirmada.<\/h2>\n<div class=\"css-t7ya8v\">\n<div class=\"css-1d871pw\">Um grupo de cientistas escala uma poss\u00edvel candidata \u00e0 \u00e1rvore mais alta do mundo em Born\u00e9u, Mal\u00e1sia.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">PHOTOGRAPHS BY UNDING JAMI<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-cntr\">\n<div class=\"ngart__cont\" data-above-the-fold-paragraph-id=\"ArticleImageLarge\">\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Nos \u00faltimos anos, foram encontradas \u00e1rvores excepcionalmente altas da esp\u00e9cie meranti-amarelo (<em>Shorea faguetiana<\/em>) em desenvolvimento,\u00a0em 2014\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2092974-tallest-known-tropical-tree-discovered-in-malaysias-lost-world\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">novamente em 2016<\/a>\u00a0em Sab\u00e1, estado malaio na ilha de Born\u00e9u. A altura recorde de uma \u00e1rvore passou de 88 metros para 94,1 metros de altura no ano de 2016, quando um\u00a0<a href=\"https:\/\/news.nationalgeographic.com\/2016\/11\/tallest-tropical-trees-malaysia-borneo-laser-study\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bosque inteiro de \u00e1rvores da esp\u00e9cie meranti-amarelo com mais de 90 metros foi encontrado<\/a>.<\/p>\n<p>Esse recorde foi superado nas \u00faltimas semanas pela equipe liderada pelas Universidades de Nottingham e Oxford em um trabalho em parceria com a South East Asia Rainforest Research Partnership, que anunciou a descoberta de uma \u00e1rvore gigante de 100,8 metros em desenvolvimento nas florestas de Sab\u00e1 (o estudo cient\u00edfico sobre esse achado ser\u00e1 publicado no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bioRxiv<\/a>\u00a0e est\u00e1 em processo de revis\u00e3o por uma revista cient\u00edfica).<\/p>\n<p>Essa foi a primeira vez que uma \u00e1rvore tropical de 100 metros de altura foi documentada em todo o mundo (e a mais alta angiosperma conhecida do planeta). Se posicionada horizontalmente no solo, a \u00e1rvore ultrapassaria o tamanho de um campo de futebol. A equipe chamou a \u00e1rvore de \u201cMenara\u201d, que significa torre, em malaio. Seu peso foi estimado em 81,5 toneladas, que est\u00e1 acima do peso m\u00e1ximo de decolagem de um Boeing 737-800, excluindo-se as ra\u00edzes.<\/p>\n<p>De acordo com a equipe, uma \u00e1rvore ainda mais alta pode ser encontrada na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-31034\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa.png\" alt=\"\" width=\"801\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa.png 1171w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa-300x200.png 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa-768x512.png 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Arvores_imensa-600x400.png 600w\" sizes=\"(max-width: 801px) 100vw, 801px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essas gigantes da floresta tropical foram encontradas em desenvolvimento na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.yayasansabahgroup.org.my\/conservation_management.cfm#tabr2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o do Vale de Danum<\/a>, no centro de um dos trechos mais bem protegidos e minimamente alterados da floresta de plan\u00edcie ainda remanescente no Sudeste Asi\u00e1tico. Danum \u00e9 uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o de orangotangos, leopardos-nebulosos e elefantes-da-floresta, ic\u00f4nicos animais que est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Danum tamb\u00e9m se tornou um ref\u00fagio para as \u00e1rvores tropicais mais altas do mundo.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores que bateram os recordes s\u00e3o, at\u00e9 o momento, todas da mesma esp\u00e9cie, meranti-amarelo, que est\u00e1 em grande risco de extin\u00e7\u00e3o e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/33275\/2835825\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">consta na lista vermelha da IUCN<\/a>, sendo incansavelmente explorada h\u00e1 d\u00e9cadas. A mata prim\u00e1ria de Sab\u00e1 est\u00e1 protegida, mas o corte da meranti-amarelo ainda acontece em outras partes de Born\u00e9u. A \u00e1rvore \u00e9 normalmente utilizada na confec\u00e7\u00e3o de moldes para despejo de concreto e como madeira compensada barata. Essas incr\u00edveis \u00e1rvores, cada qual com seu minicentro de biodiversidade que abriga mais de mil insetos, fungos e outras esp\u00e9cies de plantas, podem ser reduzidas a t\u00e1buas em uma serraria em apenas alguns minutos.<\/p>\n<p>Essas \u00e1rvores excepcionalmente altas foram\u00a0<a href=\"https:\/\/news.nationalgeographic.com\/2016\/11\/tallest-tropical-trees-malaysia-borneo-laser-study\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">visualizadas por meio de uma varredura a laser na floresta<\/a>, realizada a partir de um avi\u00e3o em 2018. Imagens tridimensionais da cobertura florestal s\u00e3o montadas e as gigantes \u00e1rvores lentamente aparecem na imagem. Contudo, quando a varredura a laser revela uma \u00e1rvore excepcionalmente alta, a confirma\u00e7\u00e3o de sua altura real \u00e9 obtida por meios nada tecnol\u00f3gicos; para medi-la \u00e9 preciso que uma pessoa escale a \u00e1rvore levando uma fita m\u00e9trica.<\/p>\n<p>O trabalho de escalar as \u00e1rvores mais altas dos tr\u00f3picos com uma fita m\u00e9trica ficou por conta de Unding Jami, arborista e assistente de pesquisa da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.searrp.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">South East Asia Rainforest Research Partnership<\/a>. Escalar \u00e1rvores \u00e9 uma atividade arriscada e dif\u00edcil, al\u00e9m de exigir um estado mental tranquilo e alto n\u00edvel de condicionamento f\u00edsico. A equipe do Vale de Danum aperfei\u00e7oa suas habilidades trabalhando na mata prim\u00e1ria diariamente e jogando badminton e futebol no tempo livre \u2014 em condi\u00e7\u00f5es de altas temperaturas e humidade elevada.<\/p>\n<p>Em 6 de janeiro de 2019, Unding Jami escalou aquela que eventualmente seria anunciada como a \u00e1rvore mais alta dos tr\u00f3picos e provavelmente a \u00e1rvore mais alta viva do mundo. (As \u00e1rvores mais altas conhecidas s\u00e3o as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2009\/10\/redwoods-earths-tallest-trees\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sequoias-vermelhas<\/a>, que medem at\u00e9 115,7 metros de altura.) Entrevistei Unding duas vezes. Na primeira vez, ele e sua equipe tinham acabado de receber a not\u00edcia da nova \u00e1rvore candidata e estavam planejando a expedi\u00e7\u00e3o para medir sua altura, e a segunda entrevista foi feita ap\u00f3s a escalada bem-sucedida em janeiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-31035\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante.png 921w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante-300x189.png 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante-768x483.png 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Secoia_gigante-600x377.png 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Conte-me sobre a nova \u00e1rvore gigante, avistada pr\u00f3ximo ao Centro de Pesquisas do Vale de Danum.<\/strong><\/p>\n<p>Quando recebemos a informa\u00e7\u00e3o sobre a nova \u00e1rvore, fiquei nervoso com a escalada. O local \u00e9 bastante \u00edngreme, chamado de Rhino Ridge (Cume do Rinoceronte). H\u00e1 um vale pr\u00f3ximo do local e uma cachoeira. Em linha reta, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o longe do centro de pesquisa, mas tivemos que usar novas rotas, que s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar \u2014 \u00e9 uma caminhada \u00edngreme em um local \u00edngreme. O avi\u00e3o mediu a nova \u00e1rvore em 99 metros e eu medi 115 metros desde a base com uma vis\u00e3o a laser quando fui a p\u00e9. Ent\u00e3o, antes de escalar a \u00e1rvore, [achei] que o n\u00famero seria algo entre as duas medidas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/worlds-tallest-tree-02.jpg?w=768&amp;h=576\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/worlds-tallest-tree-02.jpg?w=1024&amp;h=768\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Escalar as \u00e1rvores mais altas do mundo n\u00e3o \u00e9 para os fracos.\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/worlds-tallest-tree-02.jpg?w=710&amp;h=533\" alt=\"Escalar as \u00e1rvores mais altas do mundo n\u00e3o \u00e9 para os fracos.\" width=\"801\" height=\"601\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\"><em><span style=\"font-size: 14px;\">Escalar as \u00e1rvores mais altas do mundo n\u00e3o \u00e9 para os fracos.\u00a0<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 14px;\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">PHOTOGRAPHS BY UNDING JAMI<\/span><\/span><\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A nova \u00e1rvore \u00e9 por si s\u00f3 mais elevada do que as copas das \u00e1rvores mais altas, em um pequeno e \u00edngreme vale. A equipe cient\u00edfica acredita que a sua altura recorde tenha rela\u00e7\u00e3o com o vale, que propicia o solo \u00famido, e a uma colina pr\u00f3xima que oferece prote\u00e7\u00e3o contra o vento. Teorias atuais sobre o n\u00edvel de estresse causado pelo vento que as \u00e1rvores conseguem suportar e a dist\u00e2ncia que conseguem bombear \u00e1gua e nutrientes at\u00e9 o topo, sugerem \u00e0 equipe que a Menara esteja pr\u00f3xima da altura m\u00e1xima poss\u00edvel de uma angiosperma em qualquer lugar da Terra, at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p><strong>Como foi a escalada?<\/strong><\/p>\n<p>Eu sabia que a sensa\u00e7\u00e3o seria de grande exposi\u00e7\u00e3o [na escalada], como se estivesse suspenso no ar. Os ventos eram bastante fortes e passei por um ninho de colugos (l\u00eamures voadores)! Eles ficaram nos sobrevoando enquanto tent\u00e1vamos jogar a corda na \u00e1rvore.<\/p>\n<p>Foram 15 tentativas at\u00e9 eu conseguir lan\u00e7ar a corda 86 metros acima, at\u00e9 os galhos mais baixos e mais pr\u00f3ximos. Para ser sincero, eu quase desisti. Tivemos muita sorte em finalmente conseguir lan\u00e7ar a corda sobre o galho mais baixo.<\/p>\n<p>Assim que a corda estava posicionada, demorei cerca de uma hora para escalar 86 metros. E depois mais duas horas desse ponto em diante para chegar ao topo e fazer a medi\u00e7\u00e3o final. Nas duas \u00faltimas horas, o vento estava bastante forte, e havia chovido, o que acabou me deixando mais lento.<\/p>\n<p><strong>Como foi a sensa\u00e7\u00e3o de chegar ao topo?<\/strong><\/p>\n<p>Fiquei com medo, mas, sinceramente, a vis\u00e3o do topo \u00e9 incr\u00edvel. Nem h\u00e1 como dizer isso de outra forma, foi muito, muito, muito maravilhoso! Naquela noite ap\u00f3s a medi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegui dormir.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea escala uma \u00e1rvore de 100 metros?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s utilizamos um sistema chamado caminhada em corda. Uma corda \u00e9 lan\u00e7ada sobre um galho baixo e amarrada a uma \u00e1rvore pr\u00f3xima, que serve de \u00e2ncora. Em seguida, utilizamos um cintur\u00e3o e um ascensor direcional para subir pela corda, passo a passo, como se estiv\u00e9ssemos subindo uma escada. A fita m\u00e9trica \u00e9 enganchada no cintur\u00e3o. Em seguida, escalamos e verificamos a medida ao chegar no topo, tentando n\u00e3o derrubar a fita! N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A 80 metros voc\u00ea est\u00e1 sozinho na copa da \u00e1rvore. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ouvir [ningu\u00e9m] que est\u00e1 no ch\u00e3o. Ent\u00e3o, nos comunic\u00e1vamos por mensagens de texto.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o grau de dificuldade?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um trabalho f\u00e1cil. Eu escalo devagar, verificando o tronco a cada metro para ver se h\u00e1 centopeias, cobras e outros bichos. Pode ser um problema encontrar ninhos de p\u00e1ssaros, abelhas ou vespas. Se eu visualizar algum deles a partir do solo, escalamos durante a noite quando est\u00e3o menos ativos e menos propensos a atacar. \u00c9 um pouco menos assustador escalar \u00e0 noite, pois n\u00e3o d\u00e1 para ver nada!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--small\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Os alpinistas param para tirar uma selfie e registrar o progresso. Os novatos demoram tanto tempo ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/worlds-tallest-tree-03.jpg?w=315&amp;h=420\" alt=\"Os alpinistas param para tirar uma selfie e registrar o progresso. Os novatos demoram tanto tempo ...\" width=\"453\" height=\"604\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\"><em><span style=\"font-size: 14px;\">Os alpinistas param para tirar uma selfie e registrar o progresso. Os novatos demoram tanto tempo para subir que Unding Jami leva uma rede e dorme no topo enquanto espera.<\/span><\/em><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><em><span style=\"font-size: 14px;\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">PHOTOGRAPHS BY UNDING JAMI<\/span><\/span><\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Se durante a escalada voc\u00ea ficar inconsciente, o cintur\u00e3o na regi\u00e3o do peito impede que voc\u00ea assuma uma posi\u00e7\u00e3o segura \u2014 que \u00e9 ficar com a cabe\u00e7a abaixo do peito. Um alpinista inconsciente nessa posi\u00e7\u00e3o tem apenas tr\u00eas minutos em m\u00e9dia para sobreviver e isso significa que a equipe em solo deve descer rapidamente essa pessoa utilizando uma corda extra de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Ouvi dizer que voc\u00ea j\u00e1 teve problemas com abelhas durante uma escalada?<\/strong><\/p>\n<p>(Risos) Sim, pode-se dizer que sim. Eu estava escalando uma\u00a0<em>Dipterocarpaceae<\/em>, esse tipo de \u00e1rvore atrai de tudo, abelhas, vespas e todos os tipos de insetos. Quando estava na metade, avistei uma col\u00f4nia de abelhas voando por ali.<\/p>\n<p>Eu sabia que precisava descer imediatamente. As abelhas da floresta tropical podem ser agressivas e se tornar perigosas, se uma delas te picar, toda a col\u00f4nia sente, se aglomera e ataca.<\/p>\n<p>O problema era que eu precisava mudar o meu equipamento de subida, em meu cintur\u00e3o, para o equipamento de descida e poder fazer o rapel rapidamente para descer da \u00e1rvore. Eu estava tentando fazer essa mudan\u00e7a quando avistei tr\u00eas abelhas voando muito perto do meu rosto. Duas passaram por mim e pensei, est\u00e1 tudo bem, mas depois uma terceira pousou no meu capacete e, claro, me picou porque ficou presa.<\/p>\n<p>Assim come\u00e7ou a aglomera\u00e7\u00e3o. Eu me lembro de pensar que precisava cobrir o meu rosto, puxei a minha camiseta sobre a minha cabe\u00e7a, fechei os olhos e comecei a mudar o meu equipamento de descida por meio do tato. Mas elas n\u00e3o paravam de me picar. A minha equipe no solo viu o que estava acontecendo porque eu estava com uma camiseta vermelha, que ficou preta de tantas abelhas que me cobriam. Eu estava realmente preocupado porque precisava descer r\u00e1pido para me livrar delas, mas eu n\u00e3o conseguia visualizar o meu equipamento. Fiquei de olhos fechados, senti com as m\u00e3os e pensei, est\u00e1 tudo certo. Soltei e fui.<\/p>\n<p>Depois, parei de repente ap\u00f3s ter descido alguns metros. Eu esqueci que estava com um cord\u00e3o de seguran\u00e7a encaixado em mim, que impediria a minha queda caso algo desse errado. Isso foi terr\u00edvel porque com o cord\u00e3o de seguran\u00e7a amarrado em mim, se eu ficasse inconsciente com as picadas, a minha equipe de solo n\u00e3o conseguiria me descer. E nesse momento eu j\u00e1 estava com v\u00e1rias picadas.<\/p>\n<p>Alguns alpinistas n\u00e3o gostam de levar uma faca consigo, mas o meu instrutor sempre me aconselhou a levar uma. Eu lembrei que tinha uma comigo e simplesmente cortei o cord\u00e3o e fiz o rapel, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, de volta para o ch\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>Eu havia sido picado 200 vezes quando cheguei ao solo. Eu me lembro de pensar que precisava ficar consciente tempo suficiente para que eu e minha equipe pud\u00e9ssemos fugir da col\u00f4nia, porque todas as abelhas desceram comigo. Eu ainda fiquei consciente por alguns minutos ao chegar no solo, mas logo as picadas come\u00e7aram a fazer efeito. Fiquei inconsciente por mais ou menos 40 minutos. Acordei e vi que a minha equipe estava muito triste, pois eles n\u00e3o sabiam se eu estava vivo. Eles me colocaram de lado e tiveram de correr e tentar espantar as abelhas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com isso?<\/strong><\/p>\n<p>A minha fam\u00edlia \u00e9 muito pobre e \u00e9 dessa regi\u00e3o. Eu nasci em um campo de madeireiros em Sab\u00e1 e o meu falecido pai trabalhava como madeireiro. Eu cresci vendo muitas pessoas ca\u00e7ando na floresta, cortando \u00e1rvores e imaginava que talvez um dia pudesse trabalhar para impedir [as pessoas] de destruir a floresta. Os meus pais n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es financeiras para pagar os estudos para mim e meus tr\u00eas irm\u00e3os, ent\u00e3o, fiquei na escola apenas por dois anos; parei de estudar aos 9 anos. Aos 13 anos arrumei um emprego em um dos programas de replantio florestal, plantando mudas para reabilita\u00e7\u00e3o da floresta explorada. Eu trabalho com a conserva\u00e7\u00e3o de florestas desde ent\u00e3o, no Experimento de Biodiversidade de Sab\u00e1 e posteriormente na SEARRP, como assistente de pesquisa florestal. Pouco a pouco, \u00e0 medida que fui trabalhando com esses grupos, comecei a entender a import\u00e2ncia da floresta para o mundo e porque precisamos proteg\u00ea-la.<\/p>\n<p>Os animais na floresta me inspiram, os gib\u00f5es serviram de inspira\u00e7\u00e3o para eu aprender a escalar \u00e1rvores. Eles s\u00e3o alpinistas incrivelmente perfeitos, passando de \u00e1rvore em \u00e1rvore, pulando em tudo. Eu gostaria de poder escalar como eles somente com as m\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Como essas \u00e1rvores incr\u00edveis e vencedoras de recordes nos ajudam a compreender a floresta e garantir sua prote\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Esse tipo de expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a nossa comunidade e para a conserva\u00e7\u00e3o da floresta tropical. E tamb\u00e9m envolve amizade, uma escalada bem-sucedida como essa n\u00e3o se resume a apenas uma pessoa, \u00e9 preciso ter uma equipe boa e qualificada.<\/p>\n<p>\u00c9 importante saber que conservar a mata prim\u00e1ria \u00e9 um trabalho a ser feito \u2014 algumas dessas \u00e1rvores gigantes e \u00fanicas ainda est\u00e3o l\u00e1, ainda n\u00e3o foram perdidas. Espero que as minhas tr\u00eas filhas e todas as futuras gera\u00e7\u00f5es ainda possam ver essas \u00e1rvores em p\u00e9 no futuro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<blockquote><p><em>Participaram da expedi\u00e7\u00e3o de escalada da nova \u00e1rvore tropical mais alta: Jamiluddin Jami (Unding Jami); Fredino John; Azwan Tamring; Azlin sailim; Ahmad Jelling; Sabidee Rizan; Fyenlyvicy Thomas; Mohd Fadil Karim; Elizabath Rusili; Johnny Larenus; Dedy Mustapa; representantes da Danum Valley Management e do Yayasan Sabah Group.<\/em><\/p>\n<blockquote><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MARY GAGEN &#8211; National Geographic Uma \u00e1rvore gigante com mais de 100 metros de altura foi identificada em Born\u00e9u por vis\u00e3o a\u00e9rea e posteriormente escalada para ter a medida confirmada. 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