{"id":33511,"date":"2021-09-13T07:30:23","date_gmt":"2021-09-13T10:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=33511"},"modified":"2025-11-15T10:21:40","modified_gmt":"2025-11-15T13:21:40","slug":"arvores-gigantes-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/arvores-gigantes-da-amazonia\/","title":{"rendered":"\u00c1rvores gigantes da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">Por Carlos Fioravanti\/Pesquisa FAPESP. <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/4.0\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CC BY-ND 4.0<\/a> &#8211; <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revista Fapesp<\/a> &#8211; <em><span style=\"font-size: 14px;\">\u00c1rvores gigantes da Amaz\u00f4nia: <span style=\"color: #616161;\">As florestas do leste e nordeste da Amaz\u00f4nia abrigam exemplares com mais de 80 metros de altura<\/span><\/span><\/em><\/header>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisadores de norte a sul do Brasil est\u00e3o progredindo na identifica\u00e7\u00e3o das raras \u00e1rvores monumentais do pa\u00eds, que se destacam sobre a floresta e mant\u00eam redes de intera\u00e7\u00f5es com animais e outras plantas, e tentando entender as particularidades que lhes permitem atingir di\u00e2metros quase do comprimento de um fusca e a altura de um pr\u00e9dio de 30 andares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/biologo.com.br\/bio\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Floresta-amazonica-e-mudan%C3%A7.jpg\" alt=\"Floresta amaz\u00f4nica e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" width=\"800\" height=\"445\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_6246\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-6246\"><figcaption id=\"caption-attachment-6246\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com base em sobrevoos e sensores de luminosidade, pesquisadores de Minas Gerais, do Amap\u00e1 e de S\u00e3o Paulo verificaram que a floresta Amaz\u00f4nica no oeste do Amap\u00e1 e nordeste do Par\u00e1 abriga pelo menos 20 exemplares de \u00e1rvores com mais de 70 metros (m) de altura, dos quais seis com mais de 80m, mais que o dobro da altura do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>S\u00e3o as chamadas \u00e1rvores gigantes ou mega-\u00e1rvores, definidas como as que t\u00eam pelo menos 70 cent\u00edmetros (cm) de di\u00e2metro, mais f\u00e1cil de medir do que a altura, que pode variar de 25 m no cerrad\u00e3o, a fei\u00e7\u00e3o florestal do Cerrado, a 80m na Amaz\u00f4nia. Essas medidas s\u00e3o cerca de cinco vezes as medidas m\u00e9dias da maioria das \u00e1rvores encontradas nas cidades ou nos parques urbanos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7688\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-7688\"><figcaption id=\"caption-attachment-7688\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<p><strong>\u201cCertamente existem muito mais \u00e1rvores gigantes na Amaz\u00f4nia\u201d<\/strong>, diz o engenheiro florestal Eric Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Murici (UFVJM) e coordenador do estudo, publicado em maio como preprint no reposit\u00f3rio bioRxiv.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Terras de \u00e1rvores gigantes<\/h3>\n<p>Nesse trabalho, pesquisadores da UFVJM, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisaram 754 \u00e1reas de 375 hectares cada (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados) por meio da t\u00e9cnica LiDAR (<em>Light Detection and Ranging<\/em>), que registra a velocidade de luz refletida pelas \u00e1rvores.<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1rea total analisada equivale a 100 vezes a examinada em estudos de campo, mas ainda \u00e9 apenas 0,18% da \u00e1rea da Amaz\u00f4nia\u201d, ele argumenta.<\/p>\n<p>Gorgens viu pela primeira vez as \u00e1rvores gigantes do leste da Amaz\u00f4nia no in\u00edcio da tarde de 16 de agosto de 2019.<\/p>\n<p>Era o segundo dia de uma expedi\u00e7\u00e3o com 30 pessoas que subia o encachoeirado rio Jari, na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1, na divisa com o Amap\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c0s margens havia suma\u00famas (<em>Ceiba pentandra<\/em>), parquias (<em>Parquia pendula<\/em>) e castanheiras (<em>Bertholletia excelsa<\/em>) com troncos de 2 a 3 m de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>No alto dos morros vizinhos reinavam os angelins (<em>Dinizia excelsa<\/em>), cujos ramos formam esferas de folhas semelhantes a pompons de l\u00e3. Medindo-as por meio de cordas lan\u00e7adas do alto por um escalador, os pesquisadores encontraram algumas com 82 m de altura. (<a href=\"https:\/\/www.academircharterschools.com\/nitrazepam-online\/\">academircharterschools.com<\/a>) <\/p>\n<h3>Mega-\u00e1rvores<\/h3>\n<p>Antes da viagem, com base em imagens de LiDAR, os pesquisadores haviam identificado um prov\u00e1vel angelim de 88,5 m, a \u00e1rvore mais alta j\u00e1 encontrada no Brasil, noticiada em um artigo publicado em agosto de 2019 na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.esa.org\/frontiers-in-ecology-and-the-environment\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Frontiers in Ecology and the Environment<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o o viram, por\u00e9m, embora tenham chegado a 3 quil\u00f4metros (km) de onde deveria estar.<\/p>\n<p>\u201cTivemos de desistir por causa da dificuldade para avan\u00e7ar em meio \u00e0 mata fechada e da limita\u00e7\u00e3o de tempo\u201d, conta Gorgens. \u201cOptamos por coletar informa\u00e7\u00f5es de uma regi\u00e3o em que localizamos uma grande quantidade de \u00e1rvores gigantes juntas.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/biologo.com.br\/bio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Araucaria-angustifolia.jpg\" alt=\"Araucaria angustifolia\" width=\"800\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p>Em um artigo publicado em maio de 2019 na <a href=\"https:\/\/www.esalq.usp.br\/scientia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Scientia Agricola<\/a>, ele apresentou uma arauc\u00e1ria com um tronco de 3,2 m de di\u00e2metro, 42 m de altura e estimados mais de mil anos de idade, no interior de Santa Catarina.<\/p>\n<p>\u00c0 frente de outro levantamento regional, o engenheiro florestal Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina, viajou 7 mil km por terra desde 2012 e encontrou cerca de 50 grandes \u00e1rvores, das quais 35 s\u00e3o arauc\u00e1rias (<em>Araucaria angustifolia<\/em>) com tronco de pelo menos 1,5 m de di\u00e2metro, nos tr\u00eas estados da regi\u00e3o Sul, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, registradas em seu site (<a href=\"https:\/\/www.arvoresgigantes.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.arvoresgigantes.org<\/a>).<\/p>\n<h5><strong>Artigos cient\u00edficos<\/strong><\/h5>\n<p>GORGENS, E. B.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/fee.2085\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The giant trees of the Amazon basin<\/a>.\u00a0<strong>Frontiers in Ecology and the Environment<\/strong>. v. 17, n. 7, p. 373-4. 29 ago. 2019.<br \/>\nGORGENS, E.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2020.05.15.097683v2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resource availability and disturbance shape maximum tree height across the Amazon<\/a>.\u00a0<strong>BioRxiv<\/strong>. 19 mai. 2020.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti\/Pesquisa FAPESP. 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