{"id":3363,"date":"2009-06-17T17:00:31","date_gmt":"2009-06-17T20:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/funverde.wordpress.com\/?p=3363"},"modified":"2009-06-17T17:00:31","modified_gmt":"2009-06-17T20:00:31","slug":"acabou-a-fartura-a-crise-global-dos-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/acabou-a-fartura-a-crise-global-dos-alimentos\/","title":{"rendered":"Acabou a fartura &#8211; A crise global dos alimentos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color:#008000;\">National Geographic<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Por Joel K. Bourne Jr.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3364\" title=\"national geographic\" src=\"http:\/\/funverde.files.wordpress.com\/2009\/06\/national-geographic.jpg\" alt=\"national geographic\" width=\"530\" height=\"249\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><span style=\"color:#008000;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><span style=\"color:#008000;\">Foto de John Stanmeyer\u00a0&#8211; i<\/span>nconformados com os pre\u00e7os dos alimentos, eg\u00edpcios furiosos buscam p\u00e3o subsidiado perto das pir\u00e2mides, em Giz\u00e9. A demanda crescente e a oferta estagnada trouxeram de volta o debate sobre a produ\u00e7\u00e3o acompanhar o aumento da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00c9 um dos atos mais naturais e simples, tanto quanto respirar ou caminhar ereto. N\u00f3s nos sentamos \u00e0 mesa, pegamos um garfo e nos deliciamos com uma por\u00e7\u00e3o de comida saborosa, sem darmos aten\u00e7\u00e3o a todas as ramifica\u00e7\u00f5es globais que se cruzam em nosso prato. Num jantar hoje, poder\u00edamos comer carne da Argentina, acompanhada por vinho da \u00c1frica do Sul; o azeite vem da Sic\u00edlia; a \u00e1gua mineral, da Fran\u00e7a; e o arroz, da Tail\u00e2ndia. <strong>A sociedade moderna nos poupou do fardo de cultivar, colher e preparar o p\u00e3o de cada dia, em troca de apenas pagar por ele. S\u00f3 quando os pre\u00e7os sobem \u00e9 que nos damos conta disso. E as consequ\u00eancias de nossa falta de aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o profundas.<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">No ano passado, o aumento no custo dos g\u00eaneros aliment\u00edcios foi um sinal de alerta ao planeta. Entre 2005 e meados de 2008, o pre\u00e7o do milho e do trigo triplicou, e o do arroz quintuplicou, desencadeando tumultos sociais e lan\u00e7ando na pobreza mais de 75 milh\u00f5es de pessoas. Mas, ao contr\u00e1rio de outras ocasi\u00f5es em que o aumento foi provocado por escassez tempor\u00e1ria dos alimentos, dessa vez a carestia se deu em um ano de safra recorde de gr\u00e3os. Agora, os pre\u00e7os elevados s\u00e3o o sintoma de um problema maior que afeta nossa rede mundial de produ\u00e7\u00e3o de comida. Em resumo, durante grande parte da \u00faltima d\u00e9cada, o mundo consumiu mais do que foi capaz de produzir. Ap\u00f3s anos de utiliza\u00e7\u00e3o de suas reservas, em 2007 os estoques reguladores ficaram reduzidos a apenas 61 dias de consumo global, o segundo n\u00edvel mais baixo de que se tem not\u00edcia. &#8220;O aumento da produtividade agr\u00edcola \u00e9 de apenas 1% a 2% ao ano&#8221;, alertou, no auge da crise, Joachim von Braun, diretor-geral do Instituto Internacional de Pesquisas de Pol\u00edticas Alimentares, em Washington, DC. &#8220;Isso \u00e9 muito pouco para atender ao crescimento demogr\u00e1fico e ao aumento da demanda.&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><strong>A subida nos pre\u00e7os \u00e9 sinal de que a demanda est\u00e1 superando a oferta, ou seja, de que logo n\u00e3o vai haver comida para todo mundo.<\/strong> Essa infla\u00e7\u00e3o na agricultura prejudica com mais intensidade o grupo de 1 bilh\u00e3o de pessoas mais pobres do planeta, pois elas gastam de 50% a 70% de sua renda s\u00f3 para comer. Mesmo ap\u00f3s ca\u00edrem com a implos\u00e3o da economia mundial, os pre\u00e7os continuam perto de seus n\u00edveis m\u00e1ximos, assim como os problemas de estoques baixos, aumento demogr\u00e1fico e redu\u00e7\u00e3o na taxa de crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. <strong>E estima-se que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas &#8211; com as \u00e9pocas de cultivo mais quentes e a escassez de \u00e1gua cada vez maior &#8211; contribuam para reduzir as safras, fazendo surgir o espectro daquilo que cientistas est\u00e3o chamando de &#8220;crise alimentar perene&#8221;. <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Ent\u00e3o, qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para um mundo cada vez mais quente, populoso e faminto? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Essa \u00e9 a quest\u00e3o que Von Braun e seus colegas do Grupo Consultivo sobre Pesquisa Agr\u00edcola Internacional est\u00e3o em busca de responder. O grupo re\u00fane centros de renome mundial cujos esfor\u00e7os ajudaram a mais do que dobrar o rendimento das safras de milho, arroz e trigo entre a d\u00e9cada de 1950 e os anos 90. Todavia, com a popula\u00e7\u00e3o mundial avan\u00e7ando para os 9 bilh\u00f5es de habitantes ainda neste s\u00e9culo, ser\u00e1 preciso repetir tal fa\u00e7anha, duplicando a atual produ\u00e7\u00e3o de alimentos at\u00e9 2030. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Em outras palavras, precisamos de nova revolu\u00e7\u00e3o verde. E teremos de realiz\u00e1-la em metade do tempo exigido pela anterior. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Desde que nossos antepessados abandonaram a ca\u00e7a e a coleta em favor do arado e do cultivo do solo h\u00e1 12 mil anos, o aumento demogr\u00e1fico acompanha nossa capacidade de produzir alimentos. A cada avan\u00e7o &#8211; domestica\u00e7\u00e3o de animais, m\u00e9todos de irriga\u00e7\u00e3o, aumento no n\u00famero de safras anuais &#8211; houve um salto correspondente na popula\u00e7\u00e3o humana. E, sempre que a oferta se estabilizou, o mesmo ocorreu com a quantidade de gente no planeta. No passado, autores \u00e1rabes e chineses notaram tal v\u00ednculo entre a popula\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas foi s\u00f3 no fim do s\u00e9culo 18 que um estudioso brit\u00e2nico explicou o mecanismo dessa rela\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O matem\u00e1tico Thomas Robert Malthus, que daria origem a express\u00f5es como &#8220;colapso malthusiano&#8221; ou &#8220;maldi\u00e7\u00e3o malthusiana&#8221;, era um cl\u00e9rigo de maneiras af\u00e1veis que, segundo seus cr\u00edticos, n\u00e3o podia ter sido mais pessimista. A popula\u00e7\u00e3o humana, notou ele, cresce de maneira geom\u00e9trica, dobrando a cada 25 anos se nada for feito, enquanto a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola aumenta de maneira aritm\u00e9tica &#8211; ou seja, bem mais devagar. Essa era, portanto, uma armadilha biol\u00f3gica da qual a humanidade n\u00e3o podia escapar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">&#8220;A capacidade [de reprodu\u00e7\u00e3o] da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 maior que a capacidade da terra de gerar subsist\u00eancia para o homem&#8221;, escreveu no Ensaio sobre o Princ\u00edpio da Popula\u00e7\u00e3o, em 1798. &#8220;Isso implica forte e constante restri\u00e7\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da dificuldade de subsist\u00eancia.&#8221; Para Malthus, a restri\u00e7\u00e3o podia ser volunt\u00e1ria, sob a forma de controle de natalidade, abstin\u00eancia sexual ou adiamento da \u00e9poca de casamento &#8211; ou, ent\u00e3o, involunt\u00e1ria, como os flagelos da guerra, da fome e das enfermidades. Ele opunha-se \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de alimentos a todos aqueles que n\u00e3o fossem miser\u00e1veis, pois acreditava que tal ajuda humanit\u00e1ria seria um est\u00edmulo para o nascimento de mais crian\u00e7as em fam\u00edlias pobres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e o aproveitamento dos terrenos p\u00fablicos ampliaram a quantidade de alimentos produzida na Inglaterra e, por isso, Malthus acabou relegado \u00e0 lixeira da era vitoriana. Mas foi a revolu\u00e7\u00e3o verde, no s\u00e9culo 20, que fez do reverendo objeto de zombaria dos economistas modernos. De 1950 at\u00e9 hoje, o mundo testemunhou a maior explos\u00e3o demogr\u00e1fica na hist\u00f3ria humana. Desde a \u00e9poca de Malthus, 6 bilh\u00f5es de pessoas foram acrescentadas \u00e0s mesas de jantar do planeta. Gra\u00e7as ao aperfei\u00e7oamento dos m\u00e9todos de cultivo, a maioria dessas pessoas foi alimentada. Parecia que hav\u00edamos deixado para tr\u00e1s as restri\u00e7\u00f5es malthusianas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Ou, pelo menos, era o que ach\u00e1vamos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Na 15\u00aa noite do nono m\u00eas do calend\u00e1rio lunar chin\u00eas, 3 680 pessoas, quase todas com o sobrenome &#8220;He&#8221;, reuniram-se sob um toldo com goteiras na pra\u00e7a do vilarejo de Yaotian, e esbaldaram-se em um banquete com 13 pratos. O evento era uma festa tradicional em honra aos antepassados. Terrinas de sopa fumegante foram distribu\u00eddas, seguidas de travessas de macarr\u00e3o, arroz, peixe, camar\u00e3o, verduras no vapor, bolinhos, pato, galinha, raiz de l\u00f3tus, pombo, cogumelos e cortes variados de carne de porco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Mesmo com a recess\u00e3o global, a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 boa na prov\u00edncia de Guangdong, no sudeste da China, onde Yaotian se ergue entre hortas min\u00fasculas e intermin\u00e1veis \u00e1reas industriais com as novas f\u00e1bricas que contribu\u00edram para fazer da prov\u00edncia uma das mais pr\u00f3speras do pa\u00eds. Quando a vida vai bem, os chineses comem carne de porco. Muita carne de porco. O consumo de carne su\u00edna per capita no pa\u00eds mais populoso do mundo aumentou 45% entre 1993 e 2005, passando de 24 para 34 quilos por ano. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O consultor de suinocultura Shen Guangrong recorda-se de seu pai criando um porco por todo o ano para que fosse abatido e consumido no Ano-Novo chin\u00eas. Era a \u00fanica ocasi\u00e3o em que comiam carne. Os porcos criados pelo pai de Shen n\u00e3o requeriam muitos cuidados, pois provinham de resistentes variedades malhadas que se contentavam com quase qualquer coisa: restos de comida, ra\u00edzes, lixo. Mas os porcos atuais da China s\u00e3o bem diferentes. Ap\u00f3s os protestos na pra\u00e7a da Paz Celestial em 1989 que marcaram o \u00e1pice de um ano de turbul\u00eancia pol\u00edtica exacerbada pela carestia dos alimentos, o governo passou a oferecer incentivos fiscais para que grandes empresas industriais atendessem \u00e0 demanda interna. Shen acabou trabalhando em uma das primeiras Unidades de Cria\u00e7\u00e3o Animal Concentrada (Cafo, na sigla em ingl\u00eas) da China, na cidade vizinha de Shenzhen. Tais unidades, que se multiplicaram nos \u00faltimos anos, dependem de linhagens su\u00ednas alimentadas com misturas sofisticadas de milho, soja e suplementos para que os animais cres\u00e7am com mais rapidez. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Essa \u00e9 uma boa not\u00edcia para o chin\u00eas m\u00e9dio apreciador de carne de porco. Por outro lado, \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o quando se leva em conta os estoques de cereais no mundo. Por mais saborosa que seja a carne de porco agridoce, o consumo de carne \u00e9 uma forma ineficiente de uma pessoa se alimentar. <strong>Para se obter com carne de porco a mesma quantidade de calorias presente nos cereais, o animal precisa ingerir cinco vezes mais cereais do que se a pessoa os consumisse diretamente.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><strong>Com uma quantidade cada vez maior de gr\u00e3os destinada aos rebanhos e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis para ve\u00edculos, a demanda mundial de cereais subiu de 815 milh\u00f5es de toneladas, em 1960, para 2,2 bilh\u00f5es, em 2008.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color:#008000;\">Desde 2005, apenas a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis elevou a demanda de\u00a0<\/span><span style=\"color:#008000;\">cereais de 20 milh\u00f5es de toneladas anuais para 50 milh\u00f5es de toneladas, embora essa tend\u00eancia possa mudar devido \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o no setor de etanol. <\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">At\u00e9 mesmo a China, a segunda maior produtora de milho do mundo, n\u00e3o consegue cultiv\u00e1-lo em volume suficiente para alimentar seu rebanho su\u00edno. Grande parte dessa lacuna \u00e9 completada com soja importada dos Estados Unidos e do Brasil, este \u00faltimo um dos poucos pa\u00edses que ainda podem ampliar sua \u00e1rea de cultivo &#8211; muitas vezes \u00e0 custa de regi\u00f5es de floresta. <strong>A crescente demanda de alimento, forragem e biocombust\u00edvel foi um dos principais est\u00edmulos para o desmatamento em \u00e1reas tropicais.<\/strong> Entre 1980 e 2000, mais de metade das novas \u00e1reas de cultivo nos tr\u00f3picos tomou o lugar de florestas \u00famidas intactas &#8211; s\u00f3 <strong>o Brasil aumentou suas planta\u00e7\u00f5es de soja na Amaz\u00f4nia num ritmo de 10% ao ano, entre 1990 e 2005.<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Parte da soja brasileira pode acabar nos cochos da Fazenda Guangzhou Lizhi, a maior Cafo na prov\u00edncia de Guangdong. Constru\u00eddos em um vale verdejante, 60 galp\u00f5es brancos para cria\u00e7\u00e3o de porcos se distribuem em torno de grandes lagoas que fazem parte do sistema de tratamento dos dejetos produzidos por 100 mil animais. A cidade de Guangzhou tamb\u00e9m est\u00e1 instalando nova unidade de processamento de carne com capacidade para abater 5 mil porcos por dia. Quando a popula\u00e7\u00e3o chinesa chegar a 1,5 bilh\u00e3o de pessoas, o que vai ocorrer nos pr\u00f3ximos 20 anos, ser\u00e3o necess\u00e1rios outros 200 milh\u00f5es de porcos para atender \u00e0 demanda dom\u00e9stica, segundo especialistas. E estamos falando da China. <strong>Estima-se que o consumo de carne no mundo possa dobrar at\u00e9 2050.<\/strong> Isso significa que vamos precisar de muito mais cereais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez em que o mundo se v\u00ea \u00e0 beira de uma crise de alimentos &#8211; \u00e9 apenas sua vers\u00e3o mais recente. Com 83 anos, Gurcharan Singh Kalkat \u00e9 velho o suficiente para se lembrar de um dos piores surtos de fome no s\u00e9culo 20. Em 1943, at\u00e9 4 milh\u00f5es de pessoas morreram em uma &#8220;corre\u00e7\u00e3o malthusiana&#8221; que ficou conhecida como a &#8220;fome de Bengala&#8221;. Nas duas d\u00e9cadas seguintes, a \u00cdndia viu-se obrigada a importar milh\u00f5es de toneladas de cereais para alimentar sua popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Ent\u00e3o ocorreu a revolu\u00e7\u00e3o verde. Em meados da d\u00e9cada de 1960, enquanto a \u00cdndia lutava para garantir a sobreviv\u00eancia de seus habitantes em meio a outra seca, um especialista em agricultura, o americano Norman Borlaug, colaborava com pesquisadores indianos para a introdu\u00e7\u00e3o de variedades de trigo de alta produtividade na regi\u00e3o do Punjab. As novas sementes foram um dom divino, afirma Kalkat, ent\u00e3o vice-secret\u00e1rio de Agricultura do Punjab. At\u00e9 1970, os agricultores triplicaram a produ\u00e7\u00e3o sem aumentar a carga de trabalho. &#8220;A\u00ed o problema era o que fazer com os excedentes agr\u00edcolas&#8221;, lembra-se Kalkat. &#8220;Tivemos de fechar as escolas um m\u00eas mais cedo para guardar a colheita de trigo nos pr\u00e9dios.&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Nascido no estado de Iowa, Borlaug atribuiu-se a miss\u00e3o de difundir em regi\u00f5es pobres as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas de alta produtividade que transformaram o meio-oeste americano no celeiro do mundo. As novas variedades an\u00e3s de trigo, com caule pequeno e espesso que sustentava espigas intumescidas e copiosas, permitiram um salto assombroso. Elas eram mais produtivas que qualquer outro tipo de trigo &#8211; pelo menos com \u00e1gua abundante, fertilizantes sint\u00e9ticos e pouca competi\u00e7\u00e3o de ervas e insetos. Para assegurar tais condi\u00e7\u00f5es, o governo indiano subsidiou canais, fertilizantes e a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os para irriga\u00e7\u00e3o, e forneceu eletricidade gratuita para que a \u00e1gua pudesse ser bombeada at\u00e9 as planta\u00e7\u00f5es. Os novos cultivares de trigo espalharam-se pela \u00c1sia, alterando as pr\u00e1ticas tradicionais de milh\u00f5es de lavradores, e logo foram seguidos por novas e &#8220;milagrosas&#8221; linhagens de arroz. As recentes variedades amadureciam com mais rapidez e permitiam o cultivo de duas safras por ano. Hoje, as safras duplas de trigo, arroz ou algod\u00e3o s\u00e3o corriqueiras no Punjab, regi\u00e3o que, com a vizinha Haryana, forneceu mais de 90% do trigo consumido pelos estados indianos deficientes em cereais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A revolu\u00e7\u00e3o verde iniciada por Borlaug nada tinha a ver com as preocupa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas hoje na moda. Com o emprego de fertilizantes sint\u00e9ticos e de pesticidas para manejo de imensos campos cultivados com um \u00fanico cereal, pr\u00e1tica conhecida como monocultura, esse novo m\u00e9todo de explora\u00e7\u00e3o industrial da agricultura era a ant\u00edtese da atual tend\u00eancia de cultivo org\u00e2nico. Em vez disso, William S. Gaud, ent\u00e3o respons\u00e1vel pela Ag\u00eancia Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em ingl\u00eas), cunhou a express\u00e3o &#8220;revolu\u00e7\u00e3o verde&#8221;, em 1968, contrapondo-a \u00e0 &#8220;revolu\u00e7\u00e3o vermelha&#8221; sovi\u00e9tica, na qual trabalhadores, soldados e camponeses famintos se revoltaram com viol\u00eancia contra o governo czarista. A pac\u00edfica revolu\u00e7\u00e3o verde obteve \u00eaxito t\u00e3o extraordin\u00e1rio que Borlaug recebeu, em 1970, o Pr\u00eamio Nobel da Paz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Hoje j\u00e1 se esgotou o milagre no Punjab: o aumento da produtividade est\u00e1 estagnado desde meados da d\u00e9cada de 90. A irriga\u00e7\u00e3o excessiva provocou a redu\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, agora explorados por 1,3 milh\u00e3o de po\u00e7os, ao passo que milhares de hectares de terras produtivas tiveram de ser abandonados devido \u00e0 saliniza\u00e7\u00e3o e ao encharcamento dos solos. Quatro d\u00e9cadas de intenso uso de irriga\u00e7\u00e3o, fertilizantes e pesticidas n\u00e3o foram nada ben\u00e9ficas para os campos do Punjab. Tampouco para seus habitantes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">No poeirento vilarejo de Bhuttiwala, no distrito de Muktsar em que vivem 6 mil pessoas, Jagsir Singh, com sua barba comprida e seu turbante azul-cobalto, um dos mais velhos e respeitados da comunidade, revela a extens\u00e3o dos danos. &#8220;Tivemos 49 mortes por c\u00e2ncer nos \u00faltimos quatro anos&#8221;, conta. &#8220;A maioria era gente jovem. A \u00e1gua n\u00e3o presta. Est\u00e1 envenenada e contaminada. Mas as pessoas continuam a beber.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Seguindo por caminhos de terra estreitos, Singh me conduz at\u00e9 Amarjeet Kaur, uma esguia mulher de 40 anos que por muito tempo extraiu \u00e1gua para uso di\u00e1rio da fam\u00edlia, com ajuda de bomba manual, de um po\u00e7o aberto no solo duro pr\u00f3ximo ao grupo de casebres. No ano passado, ela foi diagnosticada com c\u00e2ncer da mama. Tej Kaur, de 50 anos, tamb\u00e9m est\u00e1 com o mesmo tipo de doen\u00e7a. A cirurgia, conta ela, foi dolorosa, mas n\u00e3o tanto quanto perder o neto de 17 anos por causa de &#8220;c\u00e2ncer no sangue&#8221; &#8211; leucemia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">N\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de que a doen\u00e7a seja provocada por pesticidas. Mas pesquisadores constataram a presen\u00e7a dessas subst\u00e2ncias no sangue dos agricultores locais, nos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos da regi\u00e3o, nas verduras ali consumidas e at\u00e9 no leite das mulheres que amamentam. Tanta gente enferma usa o trem que passa na regi\u00e3o de Malwa e que leva ao hospital especializado em c\u00e2ncer de Bikaner, que ele passou a ser conhecido como o &#8220;expresso do c\u00e2ncer&#8221;. E as autoridades est\u00e3o de tal modo preocupadas, que destinaram milh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua com equipamentos de osmose reversa nas \u00e1reas mais afetadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, o custo elevado de fertilizantes e pesticidas resultou no endividamento de agricultores do Punjab. De acordo com um estudo, houve mais de 1,4 mil casos de suic\u00eddio entre lavradores de 93 vilarejos de 1988 a 2006. Alguns grupos estimam que o total de suic\u00eddios de agricultores no estado, no mesmo per\u00edodo, seja bem maior, algo entre 40 mil e 60 mil casos. Muitos ingeriram pesticidas ou se enforcaram em suas planta\u00e7\u00f5es. &#8220;O governo sacrificou o povo do Punjab para ter cereais&#8221;, comenta Jarnail Singh, professor aposentado no vilarejo de Jajjal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Nem todo mundo partilha dessa opini\u00e3o. Rattan Lal, da Universidade de Ohio, formado pela Universidade Agr\u00edcola do Punjab em 1963, considera que o abuso &#8211; e n\u00e3o o uso &#8211; das tecnologias foi a causa dos problemas. Isso inclui o emprego excessivo de fertilizantes, pesticidas e irriga\u00e7\u00e3o, assim como a remo\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos da safra anterior dos campos, eliminando-se dessa forma uma fonte de nutrientes para o solo. &#8220;Reconhe\u00e7o que h\u00e1 problemas com a qualidade da \u00e1gua e o esgotamento dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos&#8221;, afirma Lal. &#8220;Por outro lado, centenas de milh\u00f5es de pessoas foram salvas. Pagamos um pre\u00e7o alto em termos da \u00e1gua, mas a alternativa era deixar que milh\u00f5es de pessoas morressem de fome.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">No que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, os benef\u00edcios da revolu\u00e7\u00e3o verde s\u00e3o ineg\u00e1veis. A \u00cdndia n\u00e3o sofreu outro surto de fome desde que Borlaug introduziu suas sementes especiais, ao mesmo tempo que a produ\u00e7\u00e3o mundial de cereais mais que dobrou. Segundo alguns pesquisadores, apenas o aumento na capacidade produtiva dos arrozais seria respons\u00e1vel pela exist\u00eancia de mais 700 milh\u00f5es de pessoas no planeta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Muitos cientistas e agricultores acreditam que a solu\u00e7\u00e3o para a atual crise de alimentos est\u00e1 em outra revolu\u00e7\u00e3o, dessa vez baseada em recentes descobertas gen\u00e9ticas. Os pesquisadores j\u00e1 conhecem a sequ\u00eancia de quase todos os 50 mil e tantos genes do milho e da soja, e &#8220;aplicam esse conhecimento de maneiras inimagin\u00e1veis h\u00e1 apenas quatro ou cinco anos&#8221;, diz Robert Fraley, diretor de tecnologia da empresa Monsanto. Fraley est\u00e1 certo de que a modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que permite a melhoria de plantas pela introdu\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas ben\u00e9ficas de outras esp\u00e9cies permitir\u00e1 criar novas variedades de maior rendimento, menor uso de fertilizantes e aumento na toler\u00e2ncia das plantas a per\u00edodos de seca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A \u00c1frica \u00e9 o continente onde surgiu o Homo sapiens e, com seus solos esgotados, chuvas irregulares e popula\u00e7\u00e3o crescente, talvez ofere\u00e7a um vislumbre do futuro de nossa esp\u00e9cie. Por v\u00e1rias raz\u00f5es &#8211; falta de infraestrutura, corrup\u00e7\u00e3o, mercados inacess\u00edveis -, a revolu\u00e7\u00e3o verde passou ao largo do continente. Na realidade, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola per capita diminuiu na \u00c1frica subsaariana entre 1970 e 2000 enquanto aumentou a popula\u00e7\u00e3o, o que resultou em um d\u00e9ficit alimentar de 10 milh\u00f5es de toneladas anuais de gr\u00e3os, em m\u00e9dia. Hoje a \u00c1frica abriga um quarto das pessoas que passam fome no mundo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Um pa\u00eds min\u00fasculo e sem sa\u00edda para o mar, o Malau\u00ed, batizado de &#8220;o cora\u00e7\u00e3o caloroso da \u00c1frica&#8221; por um esperan\u00e7oso setor de turismo, tamb\u00e9m est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o esfomeado do continente. Onde vive uma das mais pobres e densas na\u00e7\u00f5es africanas, a maioria dos malauianos \u00e9 constitu\u00edda de lavradores de milho que mal subsistem com menos de 2 d\u00f3lares por dia. Em 2005, as chuvas deixaram de cair, e um ter\u00e7o de seus 13 milh\u00f5es de habitantes sobreviveu gra\u00e7as \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria. O presidente Bingu wa Mutharika declarou que n\u00e3o havia sido eleito para governar uma na\u00e7\u00e3o de mendigos. Quando fracassou em convencer o Banco Mundial a ajud\u00e1-lo a subsidiar projetos similares \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o verde, Bingu, como \u00e9 conhecido, decidiu gastar 58 milh\u00f5es de d\u00f3lares do Tesouro Nacional para colocar sementes h\u00edbridas e fertilizantes nas m\u00e3os dos agricultores pobres. O Banco Mundial associou-se ao esfor\u00e7o e convenceu Bingu a concentrar o subs\u00eddio nos agricultores mais pobres. Cerca de 1,3 milh\u00e3o de fam\u00edlias receberam cupons que lhes permitiam adquirir 3 quilos de sementes h\u00edbridas de milho e dois sacos de 50 quilos de fertilizante por um ter\u00e7o do pre\u00e7o de mercado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O que ocorreu em seguida foi chamado de &#8220;milagre malauiano&#8221;. As sementes boas e um pouco de fertilizante &#8211; assim como a volta da chuva &#8211; ajudaram os agricultores a colher safras extraordin\u00e1rias nos dois anos seguintes. A safra de 2007 foi estimada em 3,44 milh\u00f5es de toneladas, um recorde nacional. &#8220;Passaram de um d\u00e9ficit de 44% para um super\u00e1vit de 18%, dobrando a produ\u00e7\u00e3o&#8221;, comenta Pedro Sanchez, da Universidade Col\u00fambia. &#8220;No ano seguinte, houve um excedente de 52% e exportaram milho para o Zimb\u00e1bue. Foi uma mudan\u00e7a dram\u00e1tica.&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">T\u00e3o dram\u00e1tica, na verdade, que despertou interesse crescente para a import\u00e2ncia do investimento agr\u00edcola no combate \u00e0 pobreza e \u00e0 fome em lugares como o Malau\u00ed. Em outubro de 2007, o Banco Mundial divulgou um relat\u00f3rio repleto de cr\u00edticas no qual conclu\u00eda que o pr\u00f3prio banco, os doadores internacionais e os governos africanos haviam feito bem menos do que podiam para ajudar os agricultores pobres do continente, tendo negligenciado os investimentos no setor agr\u00edcola ao longo dos 15 anos anteriores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O programa de subs\u00eddios no Malau\u00ed \u00e9 parte de um movimento mais amplo para introduzir na \u00c1frica a revolu\u00e7\u00e3o verde, ainda que tardiamente. Desde 2006, as funda\u00e7\u00f5es Rockefeller e Bill e Melinda Gates contribu\u00edram com quase meio bilh\u00e3o de d\u00f3lares para financiar a Alian\u00e7a para uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde na \u00c1frica, com o objetivo principal de desenvolver programas de melhoramento gen\u00e9tico nas universidades africanas e fazer chegar fertilizante \u00e0s lavouras. Pedro Sanchez e o economista Jeffrey Sachs criaram exemplos concretos dos benef\u00edcios de tais investimentos em 80 pequenos vilarejos, agrupados em uma d\u00fazia de &#8220;Vilas do Mil\u00eanio&#8221; distribu\u00eddas nas \u00e1reas mais afetadas pela fome na \u00c1frica. Com ajuda de m\u00fasicos e atores famosos, Sanchez e Sachs gastam 300 000 d\u00f3lares por ano em cada vilarejo. Isso equivale a um ter\u00e7o do PIB do Malau\u00ed em termos proporcionais &#8211; o que levou muita gente a se perguntar sobre a viabilidade de tal programa no longo prazo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Baixinha, magra e rija, Phelire Nkhoma \u00e9 a respons\u00e1vel por implantar o projeto agr\u00edcola em uma das duas Vilas do Mil\u00eanio no Malau\u00ed &#8211; abrangendo sete vilarejos com um total de 35 mil habitantes. Ela descreve o programa enquanto seguimos em uma caminhonete nova da ONU desde que sa\u00edmos de seu escrit\u00f3rio, no distrito de Zomba, atrav\u00e9s de campos escurecidos por queimadas e pontilhados com as copas viol\u00e1ceas dos jacarand\u00e1s. Os moradores dos povoados recebem de gra\u00e7a as sementes h\u00edbridas e o fertilizante &#8211; em troca, devem doar tr\u00eas sacos de milho, na \u00e9poca da colheita, para um programa de alimenta\u00e7\u00e3o escolar. Tamb\u00e9m recebem mosquiteiros e medicamentos antimal\u00e1ricos. Cada Vila do Mil\u00eanio \u00e9 dotada de posto de sa\u00fade, celeiro para armazenar a colheita e po\u00e7os de \u00e1gua boa para beber no raio de 1 quil\u00f4metro de cada casa. Boas escolas prim\u00e1rias, estradas melhoradas e acesso \u00e0 rede de eletricidade e \u00e0 internet ser\u00e3o instalados nesses locais, e tamb\u00e9m no vilarejo Madonna, que fica mais ao norte. &#8220;Madonna?&#8221;, pergunto. &#8220;\u00c9 isso mesmo. Soube que ela se divorciou de seu \u00faltimo marido. \u00c9 verdade?&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O clima de prosperidade \u00e9 evidente na Vila do Mil\u00eanio, onde Nkhoma mostra casas de alvenaria rec\u00e9m-constru\u00eddas com tetos brilhantes de metal corrugado, um celeiro repleto de sementes e fertilizantes e, sob a sombra de uma \u00e1rvore, uma centena de moradores locais a ouvir um funcion\u00e1rio de banco explicar como solicitar empr\u00e9stimo agr\u00edcola. Fazem fila em um guich\u00ea na janela do caminh\u00e3o blindado do Banco Internacional do Malau\u00ed. Cosmas Chimwara, vendedor de verduras de 30 anos, \u00e9 um deles. &#8220;O neg\u00f3cio com as leguminosas vai bem&#8221;, conta. &#8220;Tenho tr\u00eas bicicletas, uma TV e um celular, e uma casinha melhor.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Hist\u00f3rias assim s\u00e3o motivo de orgulho a Faison Tipoti, o l\u00edder comunit\u00e1rio que ajudou a implantar o projeto. Ficou para tr\u00e1s o tempo em que a gente passava os dias a vagar e mendigar comida para seus filhos com barrigas inchadas e doentes. Ele volve os olhos para as crian\u00e7as que se divertem enquanto lavam roupa e buscam \u00e1gua no po\u00e7o do vilarejo. &#8220;Com a chegada do projeto, tudo \u00e9 \u00e1gua limpa e fresca&#8221;, diz Tipoti. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Mas seria uma retomada da revolu\u00e7\u00e3o verde &#8211; com o pacote de fertilizantes sint\u00e9ticos, pesticidas e irriga\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ado agora por sementes geneticamente modificadas &#8211; a resposta para a crise mundial de alimentos? No ano passado, um estudo intitulado &#8220;Avalia\u00e7\u00e3o Internacional do Conhecimento, Ci\u00eancia e Tecnologia Agr\u00edcola para o Desenvolvimento&#8221; concluiu que o aumento na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola pelos avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos nos \u00faltimos 30 anos fracassou em melhorar o acesso aos alimentos pelos pobres do planeta. Realizado ao longo de seis anos, por iniciativa do Banco Mundial e da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) e com 400 especialistas, o estudo sugeriu uma mudan\u00e7a de paradigma na agricultura, em favor de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e prop\u00edcias ao ambiente capazes de beneficiar os 900 milh\u00f5es de pequenos agricultores do mundo, e n\u00e3o apenas o agroneg\u00f3cio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O legado da revolu\u00e7\u00e3o verde, solos contaminados e aqu\u00edferos esgotados, \u00e9 um dos motivos para buscar novas estrat\u00e9gias. E o mesmo se aplica ao que Michael Pollan, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, denomina o &#8220;calcanhar de aquiles&#8221; dos atuais m\u00e9todos da revolu\u00e7\u00e3o verde: a depend\u00eancia aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. O g\u00e1s natural \u00e9 uma das mat\u00e9rias-primas para a fabrica\u00e7\u00e3o de fertilizantes de nitrog\u00eanio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">At\u00e9 agora n\u00e3o se concretizaram os avan\u00e7os da gen\u00e9tica que iriam libertar as safras da revolu\u00e7\u00e3o verde da necessidade vital de irriga\u00e7\u00e3o e fertilizantes. A cria\u00e7\u00e3o de plantas que podem fixar o pr\u00f3prio nitrog\u00eanio ou que sejam resistentes a secas &#8220;revelou-se algo bem mais dif\u00edcil do que se imaginava&#8221;, diz Pollan. Segundo Robert Fraley, da Monsanto, at\u00e9 2012 sua empresa vai comercializar sementes de milho resistentes a secas no mercado americano. Mas o rendimento ser\u00e1 apenas de 6% a 10% maior que o das planta\u00e7\u00f5es normais nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que j\u00e1 se nota mudan\u00e7a em favor de outros projetos, mais modestos e hoje carentes de financiamento, dispersos pela \u00c1frica e pela \u00c1sia. Algumas pessoas chamam isso de agroecologia; outras, de agricultura sustent\u00e1vel. Mas a ideia subjacente \u00e9 revolucion\u00e1ria: <strong>precisamos deixar de nos concentrar apenas na melhoria do rendimento das planta\u00e7\u00f5es, e passar a levar em conta o impacto ambiental e social na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Vandana Shiva \u00e9 uma f\u00edsica nuclear que virou agroecologista e tornou-se a cr\u00edtica mais incisiva da revolu\u00e7\u00e3o verde na \u00cdndia. &#8220;Para mim, isso n\u00e3o passa de monocultura mental&#8221;, diz ela. &#8220;Eles olham apenas para o rendimento do trigo e do arroz, mas <strong>a diversidade de alimentos est\u00e1 acabando. Havia 250 variedades de safras no Punjab antes da revolu\u00e7\u00e3o verde.&#8221;<\/strong> <strong>O argumento de Vandana \u00e9 que os cultivos em pequena escala e biologicamente diversificados s\u00e3o capazes de produzir mais alimentos com menos insumos de petr\u00f3leo. Suas pesquisas mostraram que o uso de compostagem, no lugar de fertilizantes derivados de g\u00e1s natural, aumenta a mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo, capturando o carbono e preservando a umidade &#8211; duas vantagens cruciais para agricultores que se defrontam com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Na regi\u00e3o norte do Malau\u00ed, h\u00e1 um projeto que tem obtido resultados como os das Vilas do Mil\u00eanio, mas a um custo bem menor. N\u00e3o h\u00e1 sementes h\u00edbridas de milho nem fertilizantes gratuitos e tampouco novas estradas em Ekwendeni. Ali, o projeto Solos, Alimentos e Comunidades Saud\u00e1veis (SFHC, na sigla em ingl\u00eas) distribui sementes de leguminosas, receitas e conselhos t\u00e9cnicos para cultivo de plantas nutritivas, como amendoim, guando e soja, que melhoram o solo ao fixar o nitrog\u00eanio, al\u00e9m de enriquecer a dieta das crian\u00e7as. O programa teve in\u00edcio em 2000, no Hospital Ekwendeni, cujos funcion\u00e1rios recebiam n\u00famero elevado de pacientes com desnutri\u00e7\u00e3o. Pesquisas indicaram que isso se devia \u00e0 monocultura de milho, pois o esgotamento do solo e o alto pre\u00e7o do fertilizante haviam reduzido a produtividade dos pequenos lavradores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O motor da velha caminhonete s\u00f3 pega no tranco, mas logo Boyd Zimba, o vice-coordenador do projeto, e Zacharia Nkhonya, seu supervisor de seguran\u00e7a alimentar, come\u00e7am a falar sem parar sobre o que consideram as desvantagens do &#8220;milagre malauiano&#8221;. &#8220;Para come\u00e7ar, o subs\u00eddio ao fertilizante n\u00e3o pode durar muito&#8221;, diz Nkhonya, um homem atarracado e sempre sorridente. &#8220;Depois, n\u00e3o beneficia a todos. E, terceiro, \u00e9 concedido s\u00f3 uma vez por ano, ao passo que as leguminosas requerem prazos longos&#8221; &#8211; os solos v\u00e3o melhorando a cada ano, ao contr\u00e1rio do que ocorre com o uso de fertilizantes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">No min\u00fasculo povoado de Encongolweni, lavradores do SFHC nos recebem com uma can\u00e7\u00e3o que fala de pratos de soja e guando. Nos acomodamos no local de reuni\u00f5es, em uma atmosfera que lembra uma cerim\u00f4nia religiosa, e eles nos contam como o cultivo de leguminosas mudou sua vida. A hist\u00f3ria de Ackim Mhone \u00e9 t\u00edpica. Ao incorpor\u00e1-las no cultivo em rota\u00e7\u00e3o, ele dobrou o rendimento de sua pequena planta\u00e7\u00e3o de milho e, ao mesmo tempo, reduziu pela metade o uso de fertilizantes. &#8220;S\u00f3 isso j\u00e1 deu para mudar a vida da minha fam\u00edlia&#8221;, comenta Mhone, que reformou sua casa e comprou animais. Mais tarde, Alice Sumphi, uma lavradora de 67 anos e sorriso travesso, dan\u00e7a orgulhosa em seu lote onde jovens tomateiros chegam \u00e0 altura dos joelhos. De acordo com pesquisadores canadenses, depois de oito anos, as crian\u00e7as de mais de 7 mil fam\u00edlias do projeto apresentaram significativo aumento de peso &#8211; uma convincente demonstra\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo, no Malau\u00ed, entre a boa sa\u00fade do solo e a boa sa\u00fade da comunidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><strong>E esse \u00e9 o motivo pelo qual Rachel Bezner Kerr, a coordenadora de pesquisa do projeto, est\u00e1 alarmada com o fato de funda\u00e7\u00f5es ricas estimularem nova revolu\u00e7\u00e3o verde na \u00c1frica. &#8220;Acho isso muito perturbador&#8221;, diz. &#8220;Pois faz com que os agricultores dependam de insumos dispendiosos produzidos em outras regi\u00f5es e que proporcionam lucros a grandes empresas, em vez de incentivar m\u00e9todos agroecol\u00f3gicos que empregam recursos e conhecimento locais. N\u00e3o creio que essa seja a solu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Seja qual for o modelo que vai predominar no futuro &#8211; a agricultura como uma arte ecol\u00f3gica e diversificada, ou como um setor de alta tecnologia ou ainda como uma mescla das duas -, o desafio de proporcionar comida suficiente a 9 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050 \u00e9 assustador. Hoje, 2 bilh\u00f5es vivem nas partes mais secas do globo, e estima-se que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas reduzir\u00e3o ainda mais a produtividade agr\u00edcola justamente nessas regi\u00f5es. Por maior que seja o potencial dessas terras, as planta\u00e7\u00f5es continuar\u00e3o a precisar de \u00e1gua. E, em um futuro n\u00e3o muito distante, todo ano poder\u00e1 ser de seca em grande parte do planeta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Estudos recentes sobre o clima mostram que ondas de calor fortes, como aquela que ressecou a Amaz\u00f4nia em 2005, devem se tornar corriqueiras nos tr\u00f3picos e nos subtr\u00f3picos at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo. As geleiras do Himalaia, que hoje proporcionam \u00e1gua doce para milh\u00f5es de pessoas, animais e planta\u00e7\u00f5es na China e na \u00cdndia, derretem com maior rapidez e podem desaparecer por completo at\u00e9 2035. Na pior das hip\u00f3teses, a produ\u00e7\u00e3o de alguns cereais poderia cair de 10% a 15% no sul da \u00c1sia at\u00e9 2030. As proje\u00e7\u00f5es para o sul da \u00c1frica s\u00e3o ainda mais alarmantes. Em uma regi\u00e3o j\u00e1 devastada pela escassez de \u00e1gua e pela inseguran\u00e7a alimentar, a crucial safra de milho poderia ter uma queda de 30% &#8211; ou mesmo de 47%, no cen\u00e1rio mais grave. Ao mesmo tempo <strong>a popula\u00e7\u00e3o continua a aumentar, com 2,5 novas bocas para alimentar nascendo a cada segundo. Isso significa mais 4,5 mil crian\u00e7as no tempo que se gasta para ler este artigo. <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O que nos leva de volta a Malthus. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Em um frio dia de outono que reanimou a cor no rosto dos londrinos, dou um pulo at\u00e9 a British Library a fim de espiar a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro que ainda gera debate t\u00e3o acalorado. O Ensaio sobre o Princ\u00edpio da Popula\u00e7\u00e3o, de Malthus, mais parece um manual de ci\u00eancia do ciclo secund\u00e1rio. Por meio da prosa incisiva e l\u00edmpida soa a voz de um humilde sacerdote paroquial que, acima de tudo, tinha a esperan\u00e7a de que suas conclus\u00f5es se comprovassem equivocadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">&#8220;Aqueles que afirmam que Malthus est\u00e1 errado em geral n\u00e3o o leram&#8221;, comenta o professor de demografia Tim Dyson. &#8220;Ele n\u00e3o assumiu perspectiva diferente da adotada por Adam Smith em A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es. Nenhuma pessoa sensata coloca em quest\u00e3o a ideia de que as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam de sobreviver com os recursos dispon\u00edveis. E que a capacidade da sociedade para aumentar os recursos \u00e9 limitada.&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Embora os ensaios de Malthus ressaltassem os &#8220;controles positivos&#8221; sobre o crescimento populacional constitu\u00eddos por fome, doen\u00e7as e guerra, seus &#8220;controles preventivos&#8221; talvez tenham sido mais relevantes. O aumento da for\u00e7a de trabalho, explicou Malthus, reduz os sal\u00e1rios, e isso tende a fazer com que as pessoas adiem o casamento at\u00e9 que tenham condi\u00e7\u00f5es de manter uma fam\u00edlia. O adiamento dos casamentos reduz a taxa de natalidade e cria um controle eficaz do crescimento demogr\u00e1fico. Hoje est\u00e1 comprovado que esse \u00e9 o mecanismo b\u00e1sico que regulou o crescimento da popula\u00e7\u00e3o na Europa Ocidental por cerca de 300 anos antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial &#8211; o que configura resultado muito bom para qualquer cientista social, comenta Dyson. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">No entanto, quando a Gr\u00e3-Bretanha lan\u00e7ou nova nota de 20 libras esterlinas, Adam Smith foi colocado no verso, e n\u00e3o T.R. Malthus. Ele n\u00e3o combina com o esp\u00edrito atual. Na verdade, n\u00e3o queremos pensar muito sobre limites. Por\u00e9m, agora que nos aproximamos dos 9 bilh\u00f5es de pessoas, todas reivindicando as mesmas oportunidades e as mesmas condi\u00e7\u00f5es de vida, h\u00e1 enorme risco em ignorarmos os limites. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Nenhum dos grandes economistas cl\u00e1ssicos previu o advento da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ou a transforma\u00e7\u00e3o da economia e da agricultura mundiais. A energia barata e acess\u00edvel do carv\u00e3o &#8211; e, depois, outros combust\u00edveis f\u00f3sseis &#8211; desencadeou maior aumento de alimentos, riqueza individual e pessoas que o mundo j\u00e1 testemunhou, permitindo que a popula\u00e7\u00e3o da Terra crescesse sete vezes desde a \u00e9poca de Malthus. Mesmo assim, a fome e a desnutri\u00e7\u00e3o continuam a nos afligir, tal como Malthus havia previsto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">&#8220;Anos atr\u00e1s, trabalhei com um dem\u00f3grafo chin\u00eas&#8221;, conta Dyson. &#8220;Um dia ele me chamou a aten\u00e7\u00e3o para os caracteres chineses sobre a porta de sua sala, e que formavam a palavra &#8216;popula\u00e7\u00e3o&#8217;. Era constitu\u00edda de dois ideogramas, um para &#8216;pessoa&#8217; e outro para &#8216;boca aberta&#8217;. Fiquei impressionado. No fim das contas, \u00e9 preciso haver equil\u00edbrio entre popula\u00e7\u00e3o e recursos. E quanto a essa no\u00e7\u00e3o de que podemos continuar a crescer para sempre, bem, ela \u00e9 rid\u00edcula.\u201dTalvez l\u00e1 no fundo de sua cripta, na abadia de Bath, Malthus esteja balan\u00e7ando um dedo ossudo e dizendo: &#8220;N\u00e3o digam que n\u00e3o avisei&#8221;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>National Geographic Por Joel K. Bourne Jr. \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Foto de John Stanmeyer\u00a0&#8211; inconformados com os pre\u00e7os dos alimentos, eg\u00edpcios furiosos buscam p\u00e3o subsidiado perto das pir\u00e2mides, em Giz\u00e9. 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