{"id":34229,"date":"2022-02-01T07:30:40","date_gmt":"2022-02-01T10:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=34229"},"modified":"2022-01-31T19:55:46","modified_gmt":"2022-01-31T22:55:46","slug":"plantar_arvores_contribui_para_o_reflorestamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/plantar_arvores_contribui_para_o_reflorestamento\/","title":{"rendered":"Plantar \u00e1rvores contribui para o reflorestamento? N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/gianluca-cerullo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener tag\" data-wpel-link=\"internal\">Gianluca Cerullo<\/a> &#8211; Traduzido por <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/thaissa-lamha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-wpel-link=\"internal\">Thaissa Lamha<\/a> &#8211; MongaBay &#8211; 28 Outubro 2021<\/p>\n<p>Era como se um enorme aspirador tivesse sido usado na floresta.<\/p>\n<p>Os assobios de p\u00e1ssaros e o coaxar de sapos haviam desaparecido, e junto com eles a vegeta\u00e7\u00e3o que se emaranhava junto ao ch\u00e3o, onde plantas disputavam por um espa\u00e7o ao sol na sombra projetada pelas copas.<\/p>\n<p>Agora, \u00e1rvores de mesma altura crescem sob o sol ardente, distribu\u00eddas e enfileiradas sobre um solo despido de verde.<\/p>\n<p>Era para ser um<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0264837717312401\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">projeto de reflorestamento<\/a>. Mas algo deu muito errado.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias do governo do Camboja apregoaram o programa de reflorestamento de Prey Lang, no centro do pa\u00eds, como o primeiro grande passo em dire\u00e7\u00e3o a uma restaura\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica focada no clima.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o florestal do Camboja deu ao empreiteiro sul-coreano Think Biotech uma concess\u00e3o de reflorestamento de 34 mil hectares sob a promessa de\u00a0 atenuar o efeito das emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa plantando \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Mas o que aconteceu n\u00e3o se parece muito com uma vit\u00f3ria contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Membros da comunidade e cientistas argumentam que a Think Biotech devastou uma floresta tropical diversa e a substituiu por uma monocultura de ac\u00e1cia.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cies habituais foram expulsas de terras que elas n\u00e3o reconhecem mais.<\/p>\n<p>Como um membro da comunidade disse em um encontro comunit\u00e1rio em 2015, \u201cera sombreado e fresco.<\/p>\n<p>Agora o sol brilha atrav\u00e9s da vegeta\u00e7\u00e3o e sentimos o calor em nossas cabe\u00e7as\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246963\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246963\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09144054\/9-canopy-of-an-acacia-plantation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>As copas de uma planta\u00e7\u00e3o de ac\u00e1cia. Membros da comunidade e cientistas dizem que a Think Biotech desmatou florestas tropicais diversas em Prey Lang, Camboja, e as substituiu por uma monocultura, ou esp\u00e9cie \u00fanica, de ac\u00e1cia. Foto: Axel Fassio\/CIFOR (<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">CC BY-NC-ND 2.0<\/a>).<\/em><\/span><\/p>\n<p>O risco de que o projeto de refloresta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica de Prey Lang possa ser um pren\u00fancio do que est\u00e1 por vir s\u00f3 se intensificou \u00e0 medida em que\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/05\/is-planting-trees-as-good-for-the-earth-as-everyone-says\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">compromissos de plantio de \u00e1rvores<\/a>\u00a0aumentaram exponencialmente ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Parece que plantar \u00e1rvores nunca esteve t\u00e3o em voga.<\/p>\n<p>Em 2019, a Eti\u00f3pia alcan\u00e7ou o recorde mundial de plantio de \u00e1rvores, supostamente plantando 350 milh\u00f5es de mudas em um per\u00edodo de 12 horas.<\/p>\n<p>Pelo menos tr\u00eas iniciativas de \u201ctrilh\u00f5es de \u00e1rvores\u201d est\u00e3o em curso atualmente.<\/p>\n<p>A China trabalha para plantar uma parede verde do tamanho da Alemanha em sua \u00e1rida regi\u00e3o norte at\u00e9 2050, em uma tentativa de segurar o avan\u00e7o do Deserto de Gobi.<\/p>\n<p>At\u00e9 empresas est\u00e3o lan\u00e7ando iniciativas.<\/p>\n<p>O conglomerado de celulose e papel APP e o gigante de combust\u00edveis f\u00f3sseis Shell receberam olhares tortos e ira por trombetear as virtudes de seus projetos de reflorestamento pr\u00f3prios enquanto continuam a\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/01\/asia-pulp-paper-app-sustainability-environmental-paper-network-report\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">desmatar florestas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.carbonbrief.org\/analysis-shell-says-new-brazil-sized-forest-would-be-needed-to-meet-1-5c-climate-goal\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">perfurar em busca de hidrocarbonetos<\/a>.<\/p>\n<p>Estimulada pelos compromissos do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bonnchallenge.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Desafio de Bonn<\/a>\u00a0para restaurar uma \u00e1rea de terras degradadas maior que a \u00cdndia at\u00e9 2030, as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores parecem prestes a se tornar grande parte do que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas est\u00e1 chamando de \u201c<a href=\"http:\/\/decadeonrestoration.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">D\u00e9cada de Restaura\u00e7\u00e3o do Ecossistema<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Mas no centro desse aparente frenesi de plantio de \u00e1rvores est\u00e3o quest\u00f5es sobre o que a restaura\u00e7\u00e3o significa \u2013 e, talvez de forma mais controversa, se as planta\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies \u00fanicas devem contar para metas de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246964\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 798px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246964\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09145631\/10-tree-planting-bonn-challenge.jpg\" alt=\"\" width=\"798\" height=\"532\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Participantes plantam esp\u00e9cies nativas no entorno da represa de Itaipu. Foto: Raquel Maia Arvelos\/CIFOR (<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">CC BY-NC-ND 2.0<\/a>).<\/em><\/span><\/figure>\n<h3><strong>Florestas cultivadas<\/strong><\/h3>\n<p>Voc\u00ea seria perdoado por pensar que cultivo e restaura\u00e7\u00e3o est\u00e3o em lados opostos do espectro.<\/p>\n<p>As monoculturas normalmente s\u00e3o um flagelo nos ecossistemas nativos, pois est\u00e3o focadas na produ\u00e7\u00e3o eficiente de algum produto: \u00f3leo de palma em Born\u00e9u, por exemplo, ou eucalipto no Cerrado brasileiro.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia sua expans\u00e3o devasta ambientes naturais, prejudicando a biodiversidade e as formas de subsist\u00eancia locais.<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o, por outro lado, deveria ser um processo de reparo do ecossistema, com a meta de reintroduzir o cora\u00e7\u00e3o pulsante da natureza em paisagens degradadas por humanos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a hist\u00f3ria \u00e9 muito mais confusa.<\/p>\n<p><span class=\"wpex-responsive-media\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Does planting trees help with climate change? | Mongabay explains\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qrHxi_ny5nk?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-019-01026-8\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">avalia\u00e7\u00e3o amplamente divulgada<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0em 2019 revelou que, em muitos pa\u00edses, a linha que divide cultivo e restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 menos clara do que parece inicialmente.<\/p>\n<p>Pesquisadores florestais passando o pente fino em compromissos de restaura\u00e7\u00e3o governamentais revelaram que quase metade das novas florestas prometidas ser\u00e3o monoculturas de esp\u00e9cies que crescem rapidamente, como ac\u00e1cia e eucalipto, ao inv\u00e9s do in\u00edcio de ecossistemas em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os dois autores principais do estudo, Charlotte Wheeler, da Universidade de Edimburgo, e Simon Lewis, da Universidade de Leeds, ambas no Reino Unido, consideraram essa revela\u00e7\u00e3o um esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>\u201cRefrear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atrav\u00e9s da restaura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas da terra pode ser um profundo legado positivo do s\u00e9culo 21, mas n\u00e3o se governos e seus assessores fingirem que vastas monoculturas de \u00e1rvores comerciais s\u00e3o restaura\u00e7\u00e3o florestal\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/the-scandal-of-calling-plantations-forest-restoration-is-putting-climate-targets-at-risk-114858\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">escreveram eles em um blog<\/a>.<\/p>\n<p>Sua pesquisa se concentra nas desastrosas consequ\u00eancias clim\u00e1ticas de um futuro demasiadamente focado no plantio de esp\u00e9cies \u00fanicas, mostrando que florestas naturais de longa matura\u00e7\u00e3o eventualmente capturam cerca de 40 vezes mais di\u00f3xido de carbono do que cultivos de \u00e1rvores comerciais, frequentemente cortadas.<\/p>\n<p>Trata-se de um choque de realidade importante no momento em que pa\u00edses e empresas lutam para divulgar metas de plantio de \u00e1rvores cada vez maiores.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas t\u00eam se mostrado muito interessadas na diferen\u00e7a entre a captura de carbono em florestas que se regeneram naturalmente em compara\u00e7\u00e3o a florestas cultivadas\u201d, disse Wheeler \u00e0 Mongabay.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245431\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-245431\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/08\/02160207\/indonesia_20151051a.jpg\" alt=\"Natural forest and an acacia plantation on the island of Sumatra. Photo credit: Rhett A. Butler\" width=\"800\" height=\"534\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Floresta natural e uma planta\u00e7\u00e3o de ac\u00e1cias na ilha de Sumatra, Indon\u00e9sia. Foto: Rhett A. Butler\/Mongabay.<\/em><\/span><\/p>\n<p>No entanto, em diversos lugares, florestas de \u00e1rvores cultivadas j\u00e1 s\u00e3o mais do que somente um esc\u00e2ndalo clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>Na China,\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/gcb.14875\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">pesquisadores mostraram<\/a>\u00a0que planta\u00e7\u00f5es de ac\u00e1cias n\u00e3o nativas (<em>Robinia pseudoacacia<\/em>) no Plat\u00f4 de Loess capturam 92% das chuvas nos anos \u00famidos, apropriando-se da \u00e1gua fresca que mant\u00e9m os rios fluindo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o governo da \u00c1frica do Sul continua a gastar milh\u00f5es de d\u00f3lares a cada ano em sua campanha principal\u00a0<em>Working for Water<\/em>\u00a0para limpar planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores daninhas e consumidoras de \u00e1gua em \u00e1reas de bacias hidrogr\u00e1ficas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, alguns cientistas alertam que,\u00a0<a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/cobi.13755?af=R\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">no Chade<\/a>, grandes esfor\u00e7os de plantio podem colocar em perigo o programa de reintrodu\u00e7\u00e3o do \u00f3rix-de-cimitarra (<em>Oryx dammah<\/em>).<\/p>\n<p>E no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchsquare.com\/article\/rs-73265\/v1\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">norte de Mo\u00e7ambique<\/a>, pesquisas de sat\u00e9lite mostram que mais de dois ter\u00e7os das planta\u00e7\u00f5es de madeira entre 2001 e 2017 foram feitas em terras de cultivo agr\u00edcola, potencialmente exacerbando a pobreza, a desnutri\u00e7\u00e3o e o desemprego rural ao deslocar a produ\u00e7\u00e3o de comida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por que, depois de mil\u00eanios homogeneizando os ecossistemas da Terra, v\u00e1rios pa\u00edses planejam homogeneizar as formas de repar\u00e1-los?<\/p>\n<p>Por que focar em solu\u00e7\u00f5es de monocultura nos compromissos de restaura\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Wheeler diz que tudo se resume a dois motivos: rapidez e facilidade:<\/p>\n<p>\u201cAs monoculturas de curta rota\u00e7\u00e3o t\u00eam ritmos mais r\u00e1pidos de captura de carbono do que a floresta que se regenera naturalmente, ent\u00e3o em curto prazo elas s\u00e3o muito atraentes\u201d.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o mais f\u00e1ceis e mais rent\u00e1veis de se implantar em nosso sistema econ\u00f4mico atual do que as florestas naturais, j\u00e1 que estas \u00faltimas requerem que se re\u00fana sementes e mudas nativas de florestas existentes para serem criadas em viveiros.<\/p>\n<p>Essa rapidez e facilidade ajudou a tornar as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores um esteio das paisagens tropicais.<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m do ineg\u00e1vel dano que elas causaram em alguns ecossistemas, as monoculturas t\u00eam tamb\u00e9m outro lado raramente discutido em c\u00edrculos de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E esse pode ser um lado bom.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246975\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246975\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09155543\/7-Borell_drone-shot-of-eucalyptus-tpr.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Uma foto tirada por drone de um bosque de eucalipto em \u00e1rea rural do sudoeste da Eti\u00f3pia. Foto: James Borrell.<\/em><\/span><\/p>\n<h3><strong>O uso da madeira cultivada na \u00c1frica<\/strong><\/h3>\n<p>Quando o imperador Menelik II come\u00e7ou a construir a capital da Eti\u00f3pia, Adis Abeba, por volta de 1884, ele se viu frente a um desafio imediato.<\/p>\n<p>As florestas nativas ao redor haviam praticamente sumido.<\/p>\n<p>Como ele poderia construir sua nova metr\u00f3pole e providenciar lenha para sua popula\u00e7\u00e3o com a falta de madeira?<\/p>\n<p>A resposta de Menelik veio na forma de uma das exporta\u00e7\u00f5es da Austr\u00e1lia que mais mudaram o mundo: eucaliptos.<\/p>\n<p>Durante seu reino, e sob conselho do engenheiro de ferrovias franc\u00eas Casimir Mondon-Vidailhet, Menelik supervisionou a introdu\u00e7\u00e3o de 15 esp\u00e9cies de eucalipto na Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>Hoje, nas cidades e nas hortas caseiras do sudoeste da Eti\u00f3pia, a heran\u00e7a de Menelik est\u00e1 viva.<\/p>\n<p>A maior parte das escolas, casas e hospitais em constru\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada por andaimes de eucalipto.<\/p>\n<p>No campo, planta\u00e7\u00f5es resistentes de eucaliptos dividem a paisagem com as casas de telhado de sap\u00ea e campos de bananeira-da-abiss\u00ednia, sorgo e fava.<\/p>\n<p>Esses pequenos bosques et\u00edopes s\u00e3o bem diferentes das vastas e mecanizadas planta\u00e7\u00f5es industriais comuns em pa\u00edses como Brasil e Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>No entanto, em diversas partes do mundo, os cultivos de madeira costumam ser\u00a0pequenos, de propriedade dos moradores e facilmente dispon\u00edveis como fonte de lenha e material de constru\u00e7\u00e3o para algumas das pessoas mais pobres do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1389934119300474\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Na Tanz\u00e2nia<\/a>, mais da metade das planta\u00e7\u00f5es de madeira s\u00e3o menores do que 1 hectare.<\/p>\n<p>Mas juntas elas ocupam uma \u00e1rea maior do que todos os cultivos de \u00e1rvore do governo e de empresas juntas.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, as administra\u00e7\u00f5es florestais de muitos estados ativamente promovem a silvicultura social como forma de melhorar os meios de subsist\u00eancia e aliviar as press\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o madeireira nas florestas naturais pr\u00f3ximas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246976\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246976\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09155626\/8-Borell_drone-shot-of-eucalyptus-tpr.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Uma horta em Butajira, Eti\u00f3pia, cercada por eucaliptos plantados. Os moradores usam essas \u00e1rvores como lenha e para construir ferramentas e m\u00f3veis. Foto: James Borrell.<\/em><\/span><\/p>\n<p>O principal objetivo desses cultivos \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de lenha e madeira de constru\u00e7\u00e3o, e eles o cumprem muito bem.<\/p>\n<p>Planta\u00e7\u00f5es de madeira n\u00e3o gerenciadas no sul de Gana, abandonadas por mais de 40 anos, criam at\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0378112720310057\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">cinco vezes mais receita de venda de madeira<\/a>\u00a0do que florestas nativas em recupera\u00e7\u00e3o de idade parecida na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas alguns cultivos, especialmente aqueles mais pr\u00f3ximas a ecossistemas naturais, podem ter benef\u00edcios adicionais surpreendentes.<\/p>\n<p>Alguns servem de incentivo \u00e0 biodiversidade.<\/p>\n<p>A quantidade de esp\u00e9cies selvagens que elas podem abrigar depende de diversos fatores, diz Matt Betts, professor de Ecologia Florestal na Universidade do Estado do Oregon.<\/p>\n<p>Planta\u00e7\u00f5es com esp\u00e9cies mistas e aquelas que mant\u00eam \u201cheran\u00e7as\u201d de habitats anteriores, como \u00e1rvores remanescentes ou madeira derrubada, tendem a ser um habitat de qualidade muito maior do que jovens planta\u00e7\u00f5es de monocultura.<\/p>\n<p>O n\u00famero de anos entre os cortes com motosserra, chamado de rota\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n<p>\u201cMuitas planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o abatidas para maximizar o retorno econ\u00f4mico ou a produ\u00e7\u00e3o \u2014 muitas vezes substancialmente mais cedo do que o intervalo de retorno de uma perturba\u00e7\u00e3o natural\u201d, diz Betts.<\/p>\n<p>Planta\u00e7\u00f5es mais antigas podem abrigar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0378112710006626\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">grande n\u00famero de p\u00e1ssaros<\/a>\u00a0e atuam tamb\u00e9m como corredores atrav\u00e9s dos quais alguns animais que vivem em florestas podem se mover.<\/p>\n<p>As plantas tamb\u00e9m podem se beneficiar de algumas pr\u00e1ticas da manuten\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es, desafiando a ortodoxia de que as monoculturas sempre empobrecem o meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cMuitos conservacionistas veem as planta\u00e7\u00f5es de madeira como \u2018desertos verdes\u2019, desprovidos de regenera\u00e7\u00e3o natural na serrapilheira\u201d, disse \u00e0 Mongabay Pedro Brancalion, professor na Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o caso das planta\u00e7\u00f5es de curta rota\u00e7\u00e3o e intensivamente administradas, mas talvez n\u00e3o seja o caso das planta\u00e7\u00f5es de longa rota\u00e7\u00e3o, que podem ter uma rica diversidade de plantas nativas na serrapilheira.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_246977\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246977\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09155732\/2-native-forest-in-the-process-of-natural-regeneration-in-the-understory-of-eucalyptus-plantation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Paisagem contendo mata nativa em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural abaixo das copas de uma planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos. A \u00e1rea est\u00e1 localizada no Parque das Neblinas, em Mogi das Cruzes (SP), e demonstra o potencial de usar a regenera\u00e7\u00e3o natural sob eucaliptos intercalados para formar novas florestas. Foto: Paulo Guilherme Molin\/Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246978\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09160400\/6-native-forest-in-the-process-of-natural-regeneration-in-the-understory-of-eucalyptus-plantation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 14px;\">Ap\u00f3s a colheita dos eucaliptos, resta uma floresta natural nativa em regenera\u00e7\u00e3o natural. Foto: Paulo Guilherme Molin\/Universidade Federal de S\u00e3o Carlos<\/span><\/em><\/p>\n<h3>Redefinindo o papel do eucalipto no Brasil<\/h3>\n<p>Nos tr\u00f3picos, cientistas t\u00eam mostrado repetidamente que planta\u00e7\u00f5es menos intensivamente administradas (ou abandonadas) e estruturalmente diversas funcionam como viveiros imprevistos de mudas, abrigando um n\u00famero not\u00e1vel de brotos em crescimento embaixo de suas copas.<\/p>\n<p>Brancalion est\u00e1 numa miss\u00e3o para usar este viveiro potencial para dar ao eucalipto uma nova reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele concorda com outros conservacionistas que as monoculturas nunca poder\u00e3o substituir ecossistemas naturais em seu valor de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas atrav\u00e9s de um projeto experimental de larga escala de reflorestamento na Mata Atl\u00e2ntica brasileira, Brancalion e seu time dizem esperar poder redefinir os eucaliptos, passando-os de vil\u00f5es da conserva\u00e7\u00e3o a aliados rec\u00e9m-descobertos da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O experimento que ele lidera luta com um obst\u00e1culo comum na restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Compromissos grandes de reflorestamento s\u00e3o \u00f3timos, mas como eles podem ser financiados?<\/p>\n<p>Uma op\u00e7\u00e3o, diz Brancalion, \u00e9 intercalar o eucalipto, \u00e1rvore comercializ\u00e1vel de r\u00e1pido crescimento, com uma floresta natural em regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto as esp\u00e9cies nativas e de crescimento lento come\u00e7am a restaurar regularmente a complexa floresta tropical abaixo, os eucaliptos intercalados est\u00e3o crescendo em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>Subsequentemente derrubar e vender essa fonte de madeira r\u00e1pida pode ajudar a pagar os custos iniciais de plantio e financiar a manuten\u00e7\u00e3o constante da serrapilheira biodiversa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/besjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/1365-2664.13513\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Em seu estudo<\/a>, Brancalion e sua equipe descobriram que ao ceifar o eucalipto de r\u00e1pido crescimento, os respons\u00e1veis pela restaura\u00e7\u00e3o poderiam compensar de 45 a 75% do custo do plantio e manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores nativas em um per\u00edodo de cinco anos, tudo sem afetar negativamente a restaura\u00e7\u00e3o da serrapilheira.<\/p>\n<p>Embora possa parecer contra-intuitivo, Brancalion diz que esse esse sistema de intercalar \u00e1rvores para recupera\u00e7\u00e3o de custos tem potencial significativo em outras regi\u00f5es tropicais, e algumas companhias j\u00e1 est\u00e3o colocando isso em pr\u00e1tica na costa atl\u00e2ntica brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_246979\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246979\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09160557\/5-native-forest-in-the-process-of-natural-regeneration-in-the-understory-of-eucalyptus-plantation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Regenera\u00e7\u00e3o nativa sob 50% de \u00e1rvores de eucalipto mortas. Foto: Paulo Guilherme Molin\/Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/em><\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-size: 18px;\">Quanto de \u00e1rvores plantadas \u00e9 demais?<\/span><em><br \/>\n<\/em><\/span><\/h3>\n<p>De desertos verdes que consomem \u00e1gua e destroem o meio ambiente a potenciais aliadas da restaura\u00e7\u00e3o, provedoras de formas de subsist\u00eancia e aliviadoras da degrada\u00e7\u00e3o florestal, a hist\u00f3ria das monoculturas de \u00e1rvores \u00e9 multifacetada.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o se mant\u00e9m: quantas planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores s\u00e3o demais quando se trata de compromissos de reflorestamento de larga escala?<\/p>\n<p>Wheeler, da Universidade de Edimburgo, diz que certa quantidade de planta\u00e7\u00f5es deve ser inclu\u00edda nas metas de restaura\u00e7\u00e3o, especialmente em locais nos quais elas podem fornecer recursos que reduzem as press\u00f5es madeireiras em florestas naturais.<\/p>\n<p>Mas ela tamb\u00e9m diz que as a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o precisam parar de cultivar esp\u00e9cies de eucalipto e ac\u00e1cia de madeira macia destinadas a f\u00e1bricas de celulose e papel.<\/p>\n<p>O carbono nestes produtos de uso r\u00e1pido \u00e9 liberado rapidamente, retornando \u00e0 atmosfera e piorando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s disso, para ter benef\u00edcios duradouros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u00e9 preciso se concentrar em cultivar madeiras de lei, como teca e mogno, que produzem um efeito duradouro de reten\u00e7\u00e3o de carbono tipicamente existente em florestas naturais.<\/p>\n<p>Para outros, a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria focar em produ\u00e7\u00e3o de madeira de forma alguma.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fiz uma an\u00e1lise completa disso, mas minha hip\u00f3tese \u00e9 a de que planta\u00e7\u00f5es focadas em produ\u00e7\u00e3o de madeira n\u00e3o deveriam contar para as metas nacionais de restaura\u00e7\u00e3o \u2014 a n\u00e3o ser que a restaura\u00e7\u00e3o seja o objetivo expl\u00edcito do plantio (e que esfor\u00e7os tenham sido feitos para diversific\u00e1-lo)\u201d, diz Betts, da Universidade do Estado do Oregon.<\/p>\n<p>Tal diversifica\u00e7\u00e3o pode envolver trocar as planta\u00e7\u00f5es de monocultura para planta\u00e7\u00f5es multiesp\u00e9cies, reduzir as interven\u00e7\u00f5es florestais na serrapilheira ou se certificar que todas as \u00e1rvores plantadas v\u00eam de esp\u00e9cies diversas o suficiente para serem resilientes aos desafios da seca e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Pedro Brancalion, da Universidade de S\u00e3o Paulo, diz que as planta\u00e7\u00f5es industriais simplesmente n\u00e3o contam.<\/p>\n<p>\u201cAs planta\u00e7\u00f5es industriais de madeira s\u00e3o \u00f3timas para produzir madeira, e \u00e9 s\u00f3\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>\u201cElas s\u00e3o importantes como atividade econ\u00f4mica e t\u00eam um papel importante nas economias modernas, mas n\u00e3o podem ser consideradas como restaura\u00e7\u00e3o de ecossistema.\u201d<\/p>\n<p>Ele diz ainda que n\u00e3o se pode contar com elas para maximizar a biodiversidade, contribuir para o sequestro de carbono, ou incentivar meios de subsist\u00eancia locais e servi\u00e7os nas bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-246981\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09162449\/teak-forest.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"720\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Floresta de teca em Java Oriental, Indon\u00e9sia. Foto: Johanna Ernawati\/Revista Bobo para CIFOR (<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">CC BY-NC-ND 2.0<\/a>).<\/em><\/span><\/p>\n<p>Matt Fagan, professor na Universidade de Maryland, diz que a exata propor\u00e7\u00e3o de terras que os pa\u00edses escolhem destinar a planta\u00e7\u00f5es ou floresta natural n\u00e3o \u00e9 a parte mais importante de seus compromissos de restaura\u00e7\u00e3o, e \u00e9 algo que os pr\u00f3prios pa\u00edses podem decidir.<\/p>\n<p>O que importa em \u00faltima an\u00e1lise \u00e9 garantir que as planta\u00e7\u00f5es de monocultura n\u00e3o substituam ecossistemas naturais.<\/p>\n<p>Ele cita o caso da Costa Rica, onde governos subsidiaram a expans\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores de monocultura, mas estas substitu\u00edram de forma bastante ampla os pastos, ao inv\u00e9s das florestas.<\/p>\n<p>Na realidade, de acordo com Fagan, o melhor lugar para expandir as planta\u00e7\u00f5es de monocultura nos tr\u00f3picos \u00e9 nos pastos abandonados.<\/p>\n<p>\u201c[Isso] n\u00e3o deslocaria usos humanos da terra, n\u00e3o diminuiria a biodiversidade, e \u00e9 prov\u00e1vel que a planta\u00e7\u00e3o cres\u00e7a rapidamente e sequestre carbono\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao pior lugar para se cultivar uma planta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 diversas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, voc\u00ea substitui uma floresta tropical antiga ou uma floresta seca com uma planta\u00e7\u00e3o\u201d, diz Fagan.<\/p>\n<p>\u201cSegundo, voc\u00ea expande as planta\u00e7\u00f5es para as terras vizinhas de fazendeiros com pequenas propriedades, seja tomando suas terras ou pagando a eles para que se mudem.<\/p>\n<p>Eles provavelmente ter\u00e3o problemas financeiros e passar\u00e3o a desmatar outro habitat para agricultura.\u201d<\/p>\n<p>A \u00faltima op\u00e7\u00e3o, diz ele, \u00e9 cultivar planta\u00e7\u00f5es sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/05\/bad-science-planting-frenzy-misses-the-grasslands-for-the-trees\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">pastagens naturais antigas<\/a>, introduzindo \u00e1rvores a um ambiente no qual elas sufocam a biodiversidade adaptada ao local e se tornam vulner\u00e1veis a inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Independentemente das nuances envolvendo as planta\u00e7\u00f5es, todos os cientistas concordam em um ponto: a restaura\u00e7\u00e3o que envolve a destrui\u00e7\u00e3o de habitats naturais, como aconteceu em Prey Lang\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/features\/2021-03-08\/a-tree-planting-program-in-mexico-may-encourage-deforestation\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">e em outros locais<\/a>, n\u00e3o merece este nome.<\/p>\n<h3><strong>Um sinal do que est\u00e1 por vir<\/strong><strong>?<\/strong><\/h3>\n<p>Ao entrarmos na D\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas, h\u00e1 li\u00e7\u00f5es para se aprender dos \u00faltimos anos de expans\u00e3o nas planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Onde isso aconteceu?<\/p>\n<p>Com que consequ\u00eancias? E quanto dessa expans\u00e3o foi de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores comparado \u00e0 rebrota natural?<\/p>\n<p>As respostas a essas quest\u00f5es s\u00e3o vitais para uma sociedade que inicia esfor\u00e7os hist\u00f3ricos de reflorestamento.<\/p>\n<p>No entanto, por um longo tempo, as respostas permaneceram evasivas.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 uma tecnicidade.<\/p>\n<p>At\u00e9 bem recentemente, distinguir o crescimento de florestas naturais de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores em largas escalas espaciais foi uma tarefa complicada, algo como um Santo Graal dos cientistas de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>\u201cEmbora planta\u00e7\u00f5es de monocultura sejam frequentemente distintas como um bloco aos nossos olhos quando as observamos de um avi\u00e3o, em quest\u00e3o de cores elas frequentemente se sobrep\u00f5em \u00e0s florestas naturais, confundindo dessa forma os algoritmos que trabalham com p\u00edxeis borrados,\u201d diz Fagan.<\/p>\n<p>Em outras palavras, computadores t\u00eam dificuldade de distinguir florestas naturais de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Junte-se a isso o fato de que as nuvens frequentemente obstruem vistas de sat\u00e9lite de paisagens tropicais, e come\u00e7a a se tornar claro o porqu\u00ea das respostas terem sido evasivas por muito tempo.<\/p>\n<p>Mas Fagan e seu time dizem que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/352668282_The_expansion_of_tree_plantations_across_tropical_biomes\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">acharam recentemente a solu\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Eles usaram o enorme poder de processamento do Google Earth, al\u00e9m de tecnologias de radar que penetram nuvens e mais de 600 mil localiza\u00e7\u00f5es conhecidas de planta\u00e7\u00f5es e\u00a0 de florestas naturais, para ensinar aos algoritmos a diferen\u00e7a entre uma planta\u00e7\u00e3o e uma floresta natural.<\/p>\n<p>Agora, pela primeira vez, podemos come\u00e7ar a desvendar padr\u00f5es anteriores de expans\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores nos tr\u00f3picos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246982\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246982\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09163251\/acacia-plantation-Indonesia.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Embora planta\u00e7\u00f5es de monoculturas sejam frequentemente distintas aos nossos olhos como um bloco se as observamos de um avi\u00e3o, do ponto de vista das cores muitas vezes elas se sobrep\u00f5em \u00e0s florestas naturais, confundindo dessa maneira os algoritmos que trabalham com p\u00edxeis borrados, dizem os especialistas. Foto: Rhett A. Butler\/Mongabay.<\/em><\/span><\/p>\n<p>Os resultados mostram um quadro preocupante. Entre 2000 e 2012, a expans\u00e3o das copas de \u00e1rvores foi dominada n\u00e3o pela regenera\u00e7\u00e3o de floresta natural biodiversa, mas por linhas perfeitas de planta\u00e7\u00f5es de monoculturas.<\/p>\n<p>No total, essas planta\u00e7\u00f5es somaram aproximadamente dois ter\u00e7os da expans\u00e3o de \u00e1rvores observada, 92% dos quais em \u201cpontos cr\u00edticos de biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p>As terras \u00e1ridas tamb\u00e9m foram duramente atingidas.<\/p>\n<p>\u201cDensas planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores em terras \u00e1ridas s\u00e3o propensas a crescer lentamente (se \u00e9 que crescer\u00e3o), queimar em um inc\u00eandio ou sugar toda a \u00e1gua dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos\u201d, diz Fagan.<\/p>\n<p>\u201cE, no entanto, um quinto de todas as planta\u00e7\u00f5es que observamos foram plantadas em biomas \u00e1ridos.\u201d<\/p>\n<p>Mas a descoberta mais terr\u00edvel, diz Fagan, \u00e9 o que aconteceu em \u00e1reas protegidas. Uma em cada 11 \u00e1reas protegidas sucumbiu \u00e0s fortes press\u00f5es de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores, e seu status de protegidas n\u00e3o conseguiu manter a expans\u00e3o das monoculturas \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Esses resultados s\u00e3o um sinal de alerta para promessas de reflorestamento de grande escala.<\/p>\n<p>Ou, como Fagan diz, \u201cesperemos que o passado n\u00e3o seja o pr\u00f3logo\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, qualquer expans\u00e3o de plantio que venha a acontecer sob a bandeira do reflorestamento ter\u00e1 que enfrentar outros desafios, antigos e novos. Hist\u00f3rias coloniais s\u00e3o frequentemente associadas a decis\u00f5es question\u00e1veis sobre o estabelecimento de planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por exemplo, Trisha Gopalakrishna, da Universidade de Oxford, aponta que muitas das savanas biodiversas da \u00cdndia s\u00e3o incorretamente consideradas \u201cterrenos baldios\u201d devido a um erro de classifica\u00e7\u00e3o colonial da vegeta\u00e7\u00e3o da \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um grande problema, j\u00e1 que muitos dos ecossistemas abertos da \u00cdndia [pastagens e savanas] est\u00e3o sendo direcionados para atividades de florestamento para alcan\u00e7ar as metas e objetivos da \u00cdndia segundo o Acordo de Paris,\u201d ela diz.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 a investida constante da pr\u00f3pria mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que Gopalakrishna descreve como \u201cuma grande amea\u00e7a n\u00e3o apenas \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o, mas a todos os processos e ao funcionamento do ecossistema associados\u201d.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias sugerem que as planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a inc\u00eandios, secas e doen\u00e7as do que as florestas em regenera\u00e7\u00e3o natural, lan\u00e7ando mais um desafio \u00e0 quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quer voc\u00ea acredite que as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores devam valer como reflorestamento ou n\u00e3o, uma coisa \u00e9 certa: conforme os projetos de plantio de \u00e1rvores proliferam, com certeza precisamos ficar de olho neles.<\/p>\n<figure id=\"attachment_246965\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 800px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-246965\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/09\/09150503\/3-native-forest-in-the-process-of-natural-regeneration-in-the-understory-of-eucalyptus-plantation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Vista a\u00e9rea de uma paisagem contendo mata nativa em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural abaixo das copas de uma planta\u00e7\u00e3o de eucalipto (sul da imagem), regenera\u00e7\u00e3o sob eucaliptos mortos (centro-oeste), regenera\u00e7\u00e3o sob 50% dos eucaliptos mortos (centro- leste) e regenera\u00e7\u00e3o com remo\u00e7\u00e3o completa do eucalipto (centro). A \u00e1rea est\u00e1 localizada no Parque das Neblinas, em Mogi das Cruzes (SP), e demonstra o potencial da utiliza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de regenera\u00e7\u00e3o natural para formar \u201cnovas florestas\u201d. Foto: Paulo Guilherme Molin\/Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong>Cita\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>Bey, A., &amp; Meyfroidt, P. (2021).\u00a0<em>The expansion of large-scale tree plantations: Detection, pathways, and development trade-offs<\/em>. Research Square. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.21203\/rs.3.rs-73265\/v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.21203\/rs.3.rs-73265\/v1<\/a><\/p>\n<p>Brancalion, P. H. S., Amazonas, N. T., Chazdon, R. L., Melis, J., Rodrigues, R. R., Silva, C. C., \u2026 Holl, K.D. (2019). Exotic eucalypts: From demonized trees to allies of tropical forest restoration?\u00a0<em>Journal of Applied Ecology, 57<\/em>(1), 55-66. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/1365-2664.13513\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1111\/1365-2664.13513<\/a><\/p>\n<p>Brown, H. C. A., Berninger, F. A., Larjavaara, M., &amp; Appiah, M. (2020). Above-ground carbon stocks and timber value of old timber plantations, secondary and primary forests in southern Ghana.\u00a0<em>Forest Ecology and Management, 472<\/em>, 118236. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.foreco.2020.118236\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1016\/j.foreco.2020.118236<\/a><\/p>\n<p>Fagan, M., Kim, D., Settle, W., Ferry, L., Drew, J., Carlson, H., \u2026 Ordway, E. (2021).\u00a0<em>The expansion of tree plantations across tropical biomes<\/em>. Research Square. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.21203\/rs.3.rs-604751\/v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.21203\/rs.3.rs-604751\/v1<\/a><\/p>\n<p>Kimambo, N. E., L\u2019Roe, J., Naughton-Treves, L., &amp; Radeloff, V. C. (2020). The role of smallholder woodlots in global restoration pledges \u2014 Lessons from Tanzania.\u00a0<em>Forest Policy and Economics, 115<\/em>, 102144. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.forpol.2020.102144\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1016\/j.forpol.2020.102144<\/a><\/p>\n<p>Lewis, S. L., Wheeler, C. E., Mitchard, E. T. A., &amp; Koch, A. (2019). Restoring natural forests is the best way to remove atmospheric carbon.\u00a0<em>Nature, 568<\/em>(7750), 25-28. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-019-01026-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1038\/d41586-019-01026-8<\/a><\/p>\n<p>Naia, M., Tarroso, P., Sow, A. S., Liz, A. V., Gon\u00e7alves, D. V., Mart\u00ednez-Freir\u00eda, F., \u2026 Brito, J.C. (2021). Potential negative effects of the Green Wall on Sahel\u2019s biodiversity.\u00a0<em>Conservation Biology<\/em>. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/cobi.13755\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1111\/cobi.13755<\/a><\/p>\n<p>Scheidel, A., &amp; Work, C. (2018). Forest plantations and climate change discourses: New powers of \u2018green\u2019 grabbing in Cambodia.\u00a0<em>Land Use Policy, 77<\/em>, 9-18. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.landusepol.2018.04.057\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1016\/j.landusepol.2018.04.057<\/a><\/p>\n<p>Schw\u00e4rzel, K., Zhang, L., Montanarella, L., Wang, Y., &amp; Sun, G. (2019). How afforestation affects the water cycle in drylands: A process-based comparative analysis.\u00a0<em>Global Change Biology, 26<\/em>(2), 944-959. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/gcb.14875\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1111\/gcb.14875<\/a><\/p>\n<p>Styring, A. R., Ragai, R., Unggang, J., Stuebing, R., Hosner, P. A., &amp; Sheldon, F. H. (2011). Bird community assembly in Bornean industrial tree plantations: Effects of forest age and structure.\u00a0<em>Forest Ecology and Management, 261<\/em>(3), 531-544. doi:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.foreco.2010.11.003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10.1016\/j.foreco.2010.11.003<\/a><\/p>\n<p><em>Imagem do banner:<\/em><em>\u00a0Paisagem contendo mata nativa em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural\u00a0<\/em><em>sob\u00a0<\/em><em>uma planta\u00e7\u00e3o de eucalipto.<\/em><\/p>\n<p><em>Imagem cortesia de Paulo Guilherme Molin\/Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/em><\/p>\n<div id=\"single-article-footer\" data-gtm-vis-recent-on-screen-1076545_7=\"129332\" data-gtm-vis-first-on-screen-1076545_7=\"129332\" data-gtm-vis-total-visible-time-1076545_7=\"100\" data-gtm-vis-has-fired-1076545_7=\"1\">\n<div id=\"single-article-meta\">Mat\u00e9ria publicada por\u00a0<a title=\"Artigos de Xavier Bartaburu\" href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/author\/xavier\/\" target=\"_blank\" rel=\"author noopener\" data-wpel-link=\"internal\">Xavier Bartaburu<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gianluca Cerullo &#8211; Traduzido por Thaissa Lamha &#8211; MongaBay &#8211; 28 Outubro 2021 Era como se um enorme aspirador tivesse sido usado na floresta. 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