{"id":34391,"date":"2022-03-24T07:30:58","date_gmt":"2022-03-24T10:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=34391"},"modified":"2022-03-22T16:01:58","modified_gmt":"2022-03-22T19:01:58","slug":"realidade-assombrosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/realidade-assombrosa\/","title":{"rendered":"Realidade assombrosa"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"https:\/\/www.neipies.com\/author\/marcus_oliveira\/\">Marcus Eduardo de Oliveira<\/a> &#8211; 18 de mar\u00e7o de 2022<\/p>\n<div class=\"td-post-content\">\n<div class=\"td-a-rec td-a-rec-id-content_top \">\n<div class=\"td-visible-desktop\"><em>Qualquer um que se interesse minimamente pelo desempenho da vida moderna sabe bem, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil assim concluir, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aceitar a exist\u00eancia de um modelo econ\u00f4mico (cujo crescimento \u00e9 sempre o ponto de destaque) que coloque em perigo o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, \u00e9 preciso considerar que vivemos sob uma crise sist\u00eamica provocada por n\u00f3s mesmos que n\u00e3o tem precedente na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Particularmente, como n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil presumir, dado os efeitos nocivos de nossas atividades que alimentam o nosso sistema de economia global e a nossa ordem pol\u00edtica atual, temos configurada uma crise multiforme constantemente retroalimentada que coloca o destino da humanidade, isto \u00e9, o nosso destino, numa situa\u00e7\u00e3o limite.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o ponto grave diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Gostemos ou n\u00e3o, os saberes da ci\u00eancia apontam que todos os sistemas de vida do planeta est\u00e3o amea\u00e7ados \u2013 alguns seriamente amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Ocorre que, ao acatarmos padr\u00f5es insustent\u00e1veis estabelecidos (os processos produtivos globais e o consumo global, ainda hoje vistos como referenciais da modernidade), \u00e9 frequentemente espantoso perceber, pelo lado ambiental, que seguimos atrapalhando os sistemas naturais na tarefa de autorregenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso, por \u00f3bvio, tem um claro desdobramento: \u00e0 medida que se amplia o impacto dos seres humanos (antropocentrismo dominador, usemos de sa\u00edda essa express\u00e3o bastante precisa) sobre o meio ambiente e se aceleram as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aumentam \u2013 e muito \u2013 o peso das amea\u00e7as (sociais), dos riscos (ecol\u00f3gicos) e dos custos (econ\u00f4micos).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-34393\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua.jpg 1536w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua-768x503.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/queda-dagua-600x393.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na dire\u00e7\u00e3o da esfera ecol\u00f3gico-ambiental, dois dos mais adversos pontos j\u00e1 bem percept\u00edveis \u2013 a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o pesadelo clim\u00e1tico \u2013 elevam de vez nosso n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, sendo taxativo, conv\u00e9m estar atento para os mais diversos avisos que temos recebido. Sobre isso\u2026<\/p>\n<p>OS GLACI\u00d3LOGOS ALERTAM: o gelo est\u00e1 derretendo a uma velocidade tr\u00eas vezes maior do que eles temiam apenas dez anos atr\u00e1s;<\/p>\n<p>OS CIENTISTAS DO IPCC PREV\u00caEM: os danos causados por enchentes v\u00e3o aumentar de cem a mil vezes at\u00e9 o final deste s\u00e9culo. (E n\u00e3o custa lembrar aqui que dois ter\u00e7os das maiores cidades do mundo est\u00e3o a cent\u00edmetros do n\u00edvel do mar);<\/p>\n<p>OS CLIMATOLOGISTAS AVISAM: um aumento de 3\u00b0C na m\u00e9dia global de temperatura afetar\u00e1 drasticamente todas as formas de vida;<\/p>\n<p>OS OCEAN\u00d3GRAFOS DENUNCIAM: at\u00e9 2030, o aquecimento e a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos amea\u00e7ar\u00e3o 90% de todos os corais que sustentam pelo menos um quarto de toda a vida marinha;<\/p>\n<p>OS CIENTISTAS DA TERRA CONJECTURAM: apenas entre 1992 e 2015, os humanos alteraram 22% da massa terrestre do planeta;<\/p>\n<p>OS BI\u00d3LOGOS ADMITEM: de 40 mil esp\u00e9cies estudadas, 12% de todas as aves, 13% das plantas e 25% dos mam\u00edferos correm risco de extin\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>OS DEM\u00d3GRAFOS ANUNCIAM: a cada dia, em todo o mundo, uma a cada seis pessoas padece de fome e malnutri\u00e7\u00e3o \u2013 o n\u00famero mundial de subnutridos j\u00e1 alcan\u00e7a 800 milh\u00f5es, sendo que 100 milh\u00f5es desses passam fome devido aos choques clim\u00e1ticos;<\/p>\n<p>OS ESPECIALISTAS EM GEST\u00c3O P\u00daBLICA ARGUMENTAM: em 2025, metade da popula\u00e7\u00e3o mundial passar\u00e1 pela falta de \u00e1gua pot\u00e1vel por pelo menos um dia da semana;<\/p>\n<p>OS T\u00c9CNICOS DA ONU PROJETAM: at\u00e9 2050, o mundo conhecer\u00e1 200 milh\u00f5es de refugiados do clima;<\/p>\n<p>OS ECONOMISTAS ECOL\u00d3GICOS SENTENCIAM: os limites f\u00edsicos do planeta colocam em xeque \u00e0 ideia de crescimento sem fim;<\/p>\n<p>OS CIENTISTAS SOCIAIS CONCLAMAM: devemos reorientar nosso modelo de civiliza\u00e7\u00e3o, e mais do que isso, devemos alterar o sentido civilizat\u00f3rio;<\/p>\n<p>OS AMBIENTALISTAS N\u00c3O CANSAM DE DIZER: nenhum progresso ser\u00e1 vi\u00e1vel se n\u00e3o buscarmos manter o equil\u00edbrio entre a nossa esp\u00e9cie e o resto da natureza.<\/p>\n<p>Embora esteja claro que tudo isso provoca m\u00faltiplos desdobramentos em graus variados, pelo lado da quest\u00e3o social, e importa mencionar isso, h\u00e1 de se dizer com muito pesar que as evid\u00eancias continuam mostrando que desigualdades e diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas, ao afetar o cotidiano das popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis (v\u00edtimas das circunst\u00e2ncias), minam de vez expectativas de uma vida com m\u00ednima seguran\u00e7a, o ponto vital. E nesse caso, somos confrontados de imediato com uma realidade assombrosa.<\/p>\n<p>A fratura social (totalmente fora de controle e moralmente indefens\u00e1vel) \u00e9 de tamanha ordem que atingimos absurdos e extremos: o 1% mais rico do mundo equivale aos 99% seguintes.<\/p>\n<p>Pela realidade brasileira, ainda sobre esse assombroso assunto, apenas 0,5% dos brasileiros concentram quase 45% do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds.\u00a0Convencionalmente considerada como uma sociedade bastante desigual, n\u00e3o mais do que seis brasileiros \u2013 isso mesmo, apenas 6 indiv\u00edduos \u2013 concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milh\u00f5es mais pobres do pa\u00eds, ou 47% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E mais: esses dados em particular, quando vistos em conjunto, continuam a nos deprimir. Para entrar no detalhe, em 2019, por exemplo, resumindo numa \u00fanica situa\u00e7\u00e3o, apenas 2.153 indiv\u00edduos mundo afora detinham mais riqueza do que 4,6 bilh\u00f5es de pessoas \u2013 o equivalente a cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que, em tais circunst\u00e2ncias, apesar de ser escandaloso, assombroso e estarrecedor, isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade, tanto que o sempre iluminado Boaventura de Souza Santos esbraveja com raz\u00e3o: \u201cum sistema com desigualdades gritantes sobrevive h\u00e1 s\u00e9culos\u201d.<\/p>\n<p>E como tudo est\u00e1 interligado, a quest\u00e3o que se coloca diante de mais essa indec\u00eancia \u00e9 relativamente simples de entender.<\/p>\n<p>Vejamos: gestadas por um dominante modelo de crescimento ecologicamente predat\u00f3rio, esses custos, amea\u00e7as e riscos socioambientais \u2013 capazes de destruir as bases ecol\u00f3gicas de produ\u00e7\u00e3o e de subtrair a possibilidade de uma vida com qualidade \u2013 trazem em si marcas de anormalidade que carregam nomes pr\u00f3prios: pobreza, mis\u00e9ria, aprofundamento de vulnerabilidades, secas, inunda\u00e7\u00f5es, ondas insuport\u00e1veis de calor, recuo de geleiras, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, proximidade de esgotamento dos ecossistemas, excesso de rejeitos (cultura de descarte, e, d\u00e1 no mesmo, economia do desperd\u00edcio), polui\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas, ex\u00e9rcito de refugiados ambientais, sistem\u00e1tica degrada\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e acentuada diminui\u00e7\u00e3o da biodiversidade, para o caso de citar por esse momento apenas algumas das situa\u00e7\u00f5es mais desconexas e alarmantes poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Ainda assim, diante de mais essa dura realidade, o detalhe apavorante contido em toda essa ideia, e que precisa ser bem explicitado, \u00e9 que j\u00e1 fomos longe demais com nossas loucuras, inclusive as consumistas. Sabendo disso, num quadro de cr\u00edticas justific\u00e1veis, h\u00e1 um ponto importante de toda essa discuss\u00e3o que n\u00e3o podemos perder de vista: onde quer que nos encontremos, precisamos ter sempre em mente que, por conta do violento capitalismo global, a grave preda\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, conjugada ao pesadelo clim\u00e1tico que paira sobre toda a popula\u00e7\u00e3o global, n\u00e3o pode continuar a ser \u201cadministrada\u201d do modo como estamos acostumados a fazer.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, apesar dos pesares, se quisermos superar os principais sinais da crise do mundo globalizado (incluindo a\u00ed, \u00e9 claro, a quest\u00e3o clim\u00e1tica) temos o dever de passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o imediata, a come\u00e7ar por empreender mudan\u00e7as radicais, incluindo o rompimento com as ideias tradicionais. Isso pode parecer simples, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Toda a\u00e7\u00e3o de ruptura, em muitos casos, se traduz num rompimento com uma dimens\u00e3o normativa. Nesse caso, a refer\u00eancia aqui diz respeito \u00e0 posi\u00e7\u00e3o padr\u00e3o da racionalidade econ\u00f4mica ainda muito presente no imagin\u00e1rio coletivo, vide o exemplo vivo da ideia do crescimento sem fim (tolice imaginar que isso seja poss\u00edvel) colocado como selo de salvo conduto.<\/p>\n<p>E mais um detalhe: n\u00e3o se trata aqui de apenas criticar o crescimento sem uma base de fundamento, mas sim procurar enfatizar a necessidade que temos de romper tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Afinal, qualquer um que se interesse minimamente pelo desempenho da vida moderna sabe bem, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil assim concluir, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aceitar a exist\u00eancia de um modelo econ\u00f4mico (cujo crescimento \u00e9 sempre o ponto de destaque) que coloque em perigo o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-34394\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio.jpg 1536w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/campo-com-plantio-600x400.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em outras palavras, n\u00e3o ser\u00e1 tirando a qualidade dos ecossistemas, do qual dependemos, que o sistema vida ir\u00e1 progredir. \u00c9 justamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Logo, em termos claros, o que mais precisamos \u00e9 de uma sociedade e uma economia que n\u00e3o abandone sua face humanista e sua rever\u00eancia \u00e0 Natureza (matriz de tudo e parceira da vida). O que mais precisamos, insistindo no assunto que sabemos ser urgente, \u00e9 de uma economia equilibrada que esteja \u00e0 servi\u00e7o da comunidade humana, e que opere dentro dos limites planet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para se chegar a isso, os desafios que nos espreitam s\u00e3o conhecidos. Para al\u00e9m de tudo, os especialistas n\u00e3o cansam de dizer que precisamos:<\/p>\n<p>(1) redesenhar uma nova estrat\u00e9gia planet\u00e1ria;<\/p>\n<p>(2) equilibrar os diversos interesses (\u201cs\u00f3 os interesses s\u00e3o o motor da hist\u00f3ria\u201d, dir\u00e1 Daron Acemoglu);<\/p>\n<p>(3) administrar disputas entre os que decidem o destino do mundo;<\/p>\n<p>(4) mudar nossa cosmovis\u00e3o;<\/p>\n<p>(5) desconstruir o paradigma do economicismo;<\/p>\n<p>(6) conter a expans\u00e3o desenfreada das finan\u00e7as mundiais (onde de fato reside o poder econ\u00f4mico); e,<\/p>\n<p>(7) abandonar, como uma esp\u00e9cie de pr\u00eamio final, a mania do crescimento (a growthmania, termo utilizado pelo economista ingl\u00eas E. J. Mishan [1917-2014]).<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, precisamos repensar a economia global de uma forma inclusiva e sustent\u00e1vel, socialmente justa e ambientalmente segura, e isso requer, notadamente, impor o que tem sido discutido desde as negocia\u00e7\u00f5es do Protocolo de Kyoto (1997): a defini\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o global (taxa\u00e7\u00e3o) para o carbono (ironia ou n\u00e3o, aqui \u00e9 a l\u00f3gica econ\u00f4mica a favor de benef\u00edcios clim\u00e1ticos), facilitando a reconvers\u00e3o da estrutura produtiva, imperativo \u00e0 corre\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Com efeito, \u00e0 medida que avan\u00e7a essa atual economia movida a combust\u00edveis f\u00f3sseis (que a economia ecol\u00f3gica acertadamente chama de economia entr\u00f3pica) e que tanto nos aproximam de pontos de ruptura (tipping points), a agenda do futuro sustent\u00e1vel acaba imprimindo mais prioridades de realiza\u00e7\u00f5es, entre as quais:<\/p>\n<p>(i) melhorar o padr\u00e3o de vida da sociedade moderna, aumentando o bem-estar, a participa\u00e7\u00e3o social e a inclus\u00e3o;<\/p>\n<p>(ii) olhar na dire\u00e7\u00e3o da descarboniza\u00e7\u00e3o absoluta da economia, partindo para superar de vez a economia \u201cf\u00f3ssil-nuclear\u201d; (iii) levantar esfor\u00e7os para ampliar o investimento em energia limpa com vistas a alcan\u00e7ar a meta do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) de emiss\u00e3o zero (eliminar as emiss\u00f5es indiretas) at\u00e9 2050, consolidando assim o movimento global por justi\u00e7a clim\u00e1tica, reconhecido jeito que a humanidade tem de fazer as pazes com o planeta.<\/p>\n<p>De novo: tudo isso porque est\u00e1 muito claro que o modelo econ\u00f4mico convencional dos dias de hoje n\u00e3o funciona em favor da maioria.<\/p>\n<p>Da\u00ed a \u00eanfase para a busca de uma nova economia e de um novo projeto pol\u00edtico global \u00e0 servi\u00e7o do bem-estar humano e planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido, \u00fanico e abrangente, que devemos nos esfor\u00e7ar para inaugurar novos e promissores modos de vida solid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nosso entendimento mais imediato aqui, al\u00e9m do mais, \u00e9 que necessitamos de uma economia plural constru\u00edda pela e para a sociedade.<\/p>\n<p>Uma economia que seja capaz de \u201ccolocar o progresso a servi\u00e7o dos mais pobres\u201d (M. S. Swaminathan).<\/p>\n<p>No ponto que move as decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, nada pode estar acima da certeza de que necessitamos de uma economia de todos, e para todos.<\/p>\n<p>Uma economia para prop\u00f3sitos humanos que v\u00e1 al\u00e9m da economia monet\u00e1ria. Uma economia de coopera\u00e7\u00e3o com olhos postos na \u201cescala humana do desenvolvimento\u201d (Manfred Max-Neef).<\/p>\n<p>Mas qual desenvolvimento? De um desenvolvimento, por fim, que tenha o necess\u00e1rio \u201csemblante humano\u201d, como ensina o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Elmar Altvater.<\/p>\n<p>No melhor dos casos, para alcan\u00e7ar a desejada transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 nosso dever exigir a organiza\u00e7\u00e3o de um novo plano pol\u00edtico voltado ao alcance de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, necessariamente alinhavando atividades econ\u00f4micas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8398 lazyloaded td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920.jpg 1920w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-600x405.jpg 600w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1536x1038.jpg 1536w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-696x470.jpg 696w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1068x721.jpg 1068w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-622x420.jpg 622w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"541\" data-srcset=\"https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920.jpg 1920w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-600x405.jpg 600w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1536x1038.jpg 1536w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-696x470.jpg 696w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-1068x721.jpg 1068w, https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920-622x420.jpg 622w\" data-src=\"https:\/\/www.neipies.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/money-ge16121dea_1920.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dito isso, a discuss\u00e3o est\u00e1 na mesa: se Mary Robinson (2021), ex-presidenta da Irlanda, estiver certa quando anuncia sem meias palavras que \u201cnosso prazo est\u00e1 chegando ao fim\u201d, todos os que se preocupam com a justi\u00e7a ambiental (environmental justice) e a justi\u00e7a clim\u00e1tica (climate justice), ou seja, todos os que se preocupam em defender a sustentabilidade da vida e projetam um mundo melhor, tem o dever de entender como mais um sinal de alerta (qui\u00e7\u00e1, um lembrete de urg\u00eancia), as contundentes palavras do Dalai Lama (2001), um dos maiores l\u00edderes religiosos da atualidade: \u201c\u00c9 senso comum que n\u00e3o conseguiremos sobreviver se continuarmos trabalhando contra a natureza\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background\">Em outra reflex\u00e3o, j\u00e1 escrevemos: \u201co que mais queremos \u00e9 ter a possibilidade de construir oportunidades e meios de reorientar os rumos do planeta para igualmente levantar uma nova economia devidamente combinada \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, isto \u00e9, a base para se chegar numa civiliza\u00e7\u00e3o verdadeiramente humana\u201d. Leia mais:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.neipies.com\/civilizacao-insustentavel-a-difusao-do-mal-estar\/\">https:\/\/www.neipies.com\/civilizacao-insustentavel-a-difusao-do-mal-estar\/<\/a><\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/p>\n<p>DALAI LAMA, QUAKI F. &amp; BENSON, A. \u201cImagine all the people: a conversation with the Dalai Lama on Money, politics and life as it could be\u201d.\u00a0Boston: Wisdom Publisher, 2001<\/p>\n<p>ROBINSON, Mary. \u201cJusti\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2021.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcus Eduardo de Oliveira &#8211; 18 de mar\u00e7o de 2022 Qualquer um que se interesse minimamente pelo desempenho da vida moderna sabe bem, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil assim concluir, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aceitar a exist\u00eancia de um modelo econ\u00f4mico (cujo crescimento \u00e9 sempre o ponto de destaque) que coloque em perigo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,71],"post_series":[],"class_list":["post-34391","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-sustentabilidade-viver-sustentavelmente-consumo-sustentavel","entry","has-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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