{"id":34431,"date":"2022-04-07T07:30:03","date_gmt":"2022-04-07T10:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=34431"},"modified":"2022-04-06T14:50:10","modified_gmt":"2022-04-06T17:50:10","slug":"ultima-decada-teve-o-maior-crescimento-de-emissoes-da-historia-humana-91-bilhoes-de-toneladas-a-mais-do-que-na-decada-anterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ultima-decada-teve-o-maior-crescimento-de-emissoes-da-historia-humana-91-bilhoes-de-toneladas-a-mais-do-que-na-decada-anterior\/","title":{"rendered":"\u00daltima d\u00e9cada teve o maior crescimento de emiss\u00f5es da hist\u00f3ria humana: 9,1 bilh\u00f5es de toneladas a mais do que na d\u00e9cada anterior"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><span style=\"font-size: 16px;\">Por Claudio Angelo &#8211; Conex\u00e3o Planeta &#8211; 4 de abril de 2022 &#8211; <em>Foto: dom\u00ednio p\u00fablico\/pixabay<\/em><\/span><\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p>O\u00a0<strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC)<\/strong>\u00a0lan\u00e7ou nesta segunda-feira (04\/04) o terceiro e \u00faltimo tomo de seu Sexto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (AR6).<\/p>\n<p>O documento traz as contribui\u00e7\u00f5es do Grupo de Trabalho 3 do painel do clima, que trata de<strong>\u00a0mitiga\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0(redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa).<\/p>\n<h3>Os 268 integrantes do grupo, de 65 pa\u00edses, inclusive o Brasil revisaram mais de 8.000 publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e responderam a 6.000 coment\u00e1rios nos rascunhos do documento, cujo sum\u00e1rio executivo foi lan\u00e7ado com atraso ap\u00f3s negocia\u00e7\u00f5es tensas sobre sua linguagem, que opuseram pa\u00edses desenvolvidos e pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a aqui algumas das principais conclus\u00f5es do sum\u00e1rio:<\/h3>\n<p>\u2022 As\u00a0<strong>emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/strong>\u00a0no mundo foram de 59 bilh\u00f5es de toneladas em 2019, um valor 12% maior do que em 2010 e 54% maior do que em<\/p>\n<p>A \u00faltima d\u00e9cada teve o maior crescimento de emiss\u00f5es da hist\u00f3ria humana: 9,1 bilh\u00f5es de toneladas a mais do que na d\u00e9cada anterior \u2013 mesmo com a consci\u00eancia da escala do problema e da urg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2022 Desde a era pr\u00e9-industrial at\u00e9 hoje, a humanidade j\u00e1 emitiu 2,4 trilh\u00f5es de toneladas de CO2. Desse total, 58% foram emitidos entre 1850 e 1989, e 42% entre 1990 e 2019. Dezessete por cento de todo o\u00a0<strong>carbono\u00a0<\/strong>emitido foi lan\u00e7ado no ar apenas na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u2022 Para que a humanidade tenha uma chance de pelo menos 50% de estabilizar o\u00a0<strong>aquecimento global<\/strong>\u00a0em 1,5oC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, como determina o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/o-acordo-de-paris-entrou-em-vigor-e-dai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acordo de Paris<\/a><\/strong>, as emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa precisam atingir seu pico entre 2020 e 2025 e cair 43% at\u00e9 2030. S\u00f3 que desde 2010 elas<br \/>\ncresceram 12%.<\/p>\n<p>\u2022 As pol\u00edticas p\u00fablicas de clima adotadas no mundo at\u00e9 2020 levar\u00e3o a Terra a um aquecimento de 3,2oC, mais do que o dobro do limite do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>\u2022 O g\u00e1s carb\u00f4nico j\u00e1 emitido at\u00e9 hoje corresponde a 80% de tudo o que a humanidade pode emitir se quiser ter uma chance de 50% ou mais de estabilizar o aquecimento da Terra em 1,5oC, como preconizado pelo Acordo de Paris.<\/p>\n<p>\u2022 A intensidade de carbono do setor industrial e da queima de\u00a0<strong>combust\u00edveis f\u00f3sseis\u00a0<\/strong>(o total de CO2 por unidade de energia produzida) caiu 0,3% por ano na \u00faltima d\u00e9cada. Para atingir a meta de 1,5oC de temperatura, essa queda precisaria ser 7,7% por ano, ou 25 vezes maior.<\/p>\n<p>\u2022 Existe uma imensa\u00a0<strong>diferen\u00e7a regional e social entre as emiss\u00f5es<\/strong>: 10% dos lares do mundo respondem por 35% a 45% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, e 50% dos lares responde por 13% a 15% desse total. Os pa\u00edses mais pobres do mundo e as na\u00e7\u00f5es-ilhas, as principais v\u00edtimas dos impactos clim\u00e1ticos,<br \/>\ncontribu\u00edram juntos com menos de 4% das emiss\u00f5es do mundo em 2019.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0<strong>Pelo menos 18 pa\u00edses<\/strong>, a partir do Protocolo de Kyoto (o primeiro acordo internacional de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es), v\u00eam reduzindo de forma consistente suas emiss\u00f5es de gases-estufa h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<br \/>\n\u2022 O mundo tem hoje condi\u00e7\u00f5es de cortar emiss\u00f5es pela metade em 2030 em rela\u00e7\u00e3o a 2019 lan\u00e7ando m\u00e3o de estrat\u00e9gias e tecnologias de mitiga\u00e7\u00e3o que custam at\u00e9 US$ 100 a tonelada. Metade dessas estrat\u00e9gias custa menos de US$ 20 a tonelada, e no setor de\u00a0<strong>energia<\/strong>, em especial em\u00a0<strong>e\u00f3lica e solar<\/strong>, h\u00e1 potencial de redu\u00e7\u00e3o a custo negativo \u2013 ou seja, \u00e9 mais barato adotar as renov\u00e1veis do que seguir com as f\u00f3sseis. Na \u00faltima d\u00e9cada, o pre\u00e7o da energia solar e das baterias de \u00edon de l\u00edtio caiu 85%, o da energia e\u00f3lica caiu 55%, enquanto a ado\u00e7\u00e3o de carros el\u00e9tricos cresceu 100 vezes e a instala\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares cresceu 10 vezes.<\/p>\n<p>\u2022 As\u00a0<strong>metas clim\u00e1ticas<\/strong>\u00a0(NDCs) adotadas em Paris e atualizadas at\u00e9 2020 reduziram em 15% a 20% o hiato entre o que \u00e9 emitido e o que \u00e9 necess\u00e1rio emitir para estabilizar o clima. O chamado \u201cgap de emiss\u00f5es\u201d para uma chance de 50% de estabilizar o aquecimento em 1,5oC \u00e9 de 16 bilh\u00f5es a 23 bilh\u00f5es de toneladas em 2030, se todas as NDCs forem cumpridas com r\u00e9gua e compasso.<\/p>\n<p>\u2022 A infraestrutura f\u00f3ssil existente e planejada hoje j\u00e1 tem emiss\u00f5es de carbono comprometidas (\u201clocked-in\u201d) suficientes para impedir o cumprimento da meta de 1,5oC. O recado t\u00e1cito do IPCC \u00e9 que esses projetos precisar\u00e3o ser descontinuados ou ter suas emiss\u00f5es compensadas de alguma forma.<\/p>\n<p>\u2022 Quanto mais r\u00e1pida e profundamente a humanidade cortar emiss\u00f5es, menor ser\u00e1 a necessidade da chamada \u201cremo\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono\u201d, nome dado a estrat\u00e9gias que v\u00e3o desde o reflorestamento at\u00e9 a extra\u00e7\u00e3o direta de CO2 do ar (DACCS) e o armazenamento geol\u00f3gico de CO2 em termel\u00e9tricas f\u00f3sseis (CCS) ou em usinas de bioenergia (BECCS). Menos tamb\u00e9m \u00e9 o risco de um \u201covershoot\u201d,<br \/>\numa ultrapassagem tempor\u00e1ria \u2013 mas cujo dano pode ser permanente \u2013 do limite de temperatura de 1,5oC.<\/p>\n<p>\u2022 Em cen\u00e1rios de estabiliza\u00e7\u00e3o da temperatura em 1,5oC sem \u201covershoot\u201d ou com um \u201covershoot\u201d limitado, o<strong>\u00a0uso de carv\u00e3o mineral precisa cair 95%, o de petr\u00f3leo 60% e o de g\u00e1s natural 45% at\u00e9 2050<\/strong>.<\/p>\n<p>\u2022 Isso significa que a ind\u00fastria f\u00f3ssil poder\u00e1 ter \u201cativos encalhados\u201d, ou seja, investimentos que n\u00e3o poder\u00e3o chegar ao mercado. Segundo o IPCC, para uma estabiliza\u00e7\u00e3o da temperatura global em 2oC, os ativos f\u00f3sseis em risco de encalhe s\u00e3o de US$ 1 trilh\u00e3o a US$ 4 trilh\u00f5es entre 2015 e 2050. Ativos de carv\u00e3o podem encalhar j\u00e1 em 2030. Isso \u00e9 um alerta para o Brasil, que vem ampliando investimentos no pr\u00e9-sal e neste ano sancionou uma lei permitindo a constru\u00e7\u00e3o de novas termel\u00e9tricas a carv\u00e3o at\u00e9 2040.<\/p>\n<p>\u2022 As<strong>\u00a0cidades s\u00e3o uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es do novo relat\u00f3rio do IPCC<\/strong>. Segundo o painel, as urbes podem se aproximar da emiss\u00e3o l\u00edquida zero por meio de mudan\u00e7as no consumo energ\u00e9tico e material, eletrifica\u00e7\u00e3o do transporte e pelo sequestro de carbono no meio ambiente urbano. Sem medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, as cidades passar\u00e3o de 29 bilh\u00f5es a 40 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 e metano em 2050. Com medidas ambiciosas e imediatas, esse total cai para 3 bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>\u2022 O setor de constru\u00e7\u00f5es, essencial para as cidades, tamb\u00e9m tem um enorme potencial de mitiga\u00e7\u00e3o, e corre risco de \u201clock-in\u201d, ou emiss\u00f5es comprometidas, dada a longa vida \u00fatil dos pr\u00e9dios. Desde 1990, as emiss\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o cresceram 50%, mas elas t\u00eam potencial de redu\u00e7\u00e3o de 61% at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>\u2022 Os\u00a0<strong>ve\u00edculos el\u00e9tricos<\/strong>\u00a0t\u00eam o maior potencial de mitiga\u00e7\u00e3o no setor de transportes, que n\u00e3o dever\u00e1 atingir a emiss\u00e3o l\u00edquida zero em 2050 e precisar\u00e1 ter seu carbono compensado de alguma forma. Os biocombust\u00edveis sustent\u00e1veis \u2013 que n\u00e3o competem por terras com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ou com comunidades tradicionais \u2013 tamb\u00e9m podem auxiliar no corte de emiss\u00f5es no curto e m\u00e9dio<br \/>\nprazo. J\u00e1 para a avia\u00e7\u00e3o e a navega\u00e7\u00e3o, segundo o IPCC, n\u00e3o existem hoje tecnologias escal\u00e1veis que possam dar conta de toda a redu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria nesses setores. Novos biocombust\u00edveis de alta densidade s\u00e3o uma das solu\u00e7\u00f5es no horizonte.<\/p>\n<p>\u2022 O uso da terra (Afolu, na sigla em ingl\u00eas), que inclui\u00a0<strong>agropecu\u00e1ria e desmatamento<\/strong>, tem potencial de reduzir emiss\u00f5es de at\u00e9 14 bilh\u00f5es de toneladas por ano at\u00e9 2050 a custos de US$ 100 ou menos por tonelada. Metade desse potencial est\u00e1 em estrat\u00e9gias e tecnologias de menos de US$ 20 a tonelada<br \/>\n\u2013\u00a0<strong>a principal delas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento nos tr\u00f3picos, outro tema de interesse direto do Brasil<\/strong>. Segundo o IPCC, medidas de mitiga\u00e7\u00e3o no setor de Afolu n\u00e3o podem ser usadas como substituto para a redu\u00e7\u00e3o em outros setores.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0<strong>Quando se considera os custos dos impactos clim\u00e1ticos e das medidas de adapta\u00e7\u00e3o, cortar emiss\u00f5es n\u00e3o impacta de forma significativa o PIB global<\/strong>. \u00c9 esperado que o PIB do mundo dobre at\u00e9 2050, enquanto trajet\u00f3rias de mitiga\u00e7\u00e3o compat\u00edveis com 1,5oC a serem adotadas de agora a 2025 produziriam uma redu\u00e7\u00e3o de 0,04 a 0,09 ponto percentual por ano na riqueza global.<\/p>\n<p>\u2022 Os fluxos financeiros n\u00e3o est\u00e3o alinhados com a necessidade<strong>. Para a meta de 1,5\u00baC \u00e9 preciso que o financiamento clim\u00e1tico seja seis vezes maior do que \u00e9 hoje<\/strong>. Dinheiro existe, segundo o IPCC \u2013 h\u00e1 liquidez de capital global para fechar as brechas de financiamento \u2013, mas h\u00e1 barreiras de todos os tipos para que o recurso seja aplicado.<\/p>\n<p>\u2022 Os<strong>\u00a0povos ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0s\u00e3o citados nada menos do que 12 vezes no sum\u00e1rio executivo do Grupo 3 do AR6. O painel alerta para os potenciais benef\u00edcios e riscos de estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o que envolvam uso da terra para essas comunidades, para a necessidade de garantir os seus direitos territoriais e de incorporar os conhecimentos ind\u00edgenas \u00e0s pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<h3>\nPERGUNTAS E RESPOSTAS<\/h3>\n<p><strong>O que \u00e9 o IPCC?<\/strong><br \/>\nO Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas foi criado em dezembro de 1988 pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial e pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 um comit\u00ea composto de centenas de cientistas do mundo inteiro escolhidos pelos governos com a miss\u00e3o de avaliar periodicamente o estado da arte do conhecimento cient\u00edfico sobre as mudan\u00e7as do clima.<\/p>\n<p>Essas avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o publicadas periodicamente, na forma dos chamados Relat\u00f3rios de Avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cientistas e os relat\u00f3rios se distribuem em tr\u00eas grupos de trabalho: o Grupo 1 (WG1), que trata da base f\u00edsica (as causas) das mudan\u00e7as do clima, o Grupo 2 (WG2), que trata de impactos, vulnerabilidades (as consequ\u00eancias) e adapta\u00e7\u00e3o, e o Grupo 3 (WG3), que lida com a mitiga\u00e7\u00e3o (as solu\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o documento publicado hoje?<\/strong><br \/>\nEm seus 32 anos de exist\u00eancia o IPCC j\u00e1 publicou cinco grandes Relat\u00f3rios de Avalia\u00e7\u00e3o: o FAR (First Assessment Report), em 1990; o SAR (Second Assessment Report), em 1995; o TAR (Third Assessment Report), em 2001; o AR4 (Fourth Assessment Report), em 2007, e o AR5 (Fifth Assessment Report), entre 2013 e 2014, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de relat\u00f3rios especiais e outros documentos. Em 2021 come\u00e7a a ser publicado o sexto relat\u00f3rio, o AR6.<br \/>\nComo o objetivo principal do IPCC \u00e9 informar pol\u00edticas p\u00fablicas para combater a mudan\u00e7a do clima, cada Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o tem um sum\u00e1rio executivo para tomadores de decis\u00e3o, conhecidos pela sigla SPM (\u201cSummary for Policymakers\u201d). Os sum\u00e1rios s\u00e3o documentos dirigidos para pol\u00edticos e tomadores de decis\u00f5es, que resumem as principais conclus\u00f5es t\u00e9cnicas dos relat\u00f3rios. O documento lan\u00e7ado hoje \u00e9 o<br \/>\nrelat\u00f3rio do Grupo 3 do AR6, que completa a trilogia dos relat\u00f3rios deste ciclo. No segundo semestre o IPCC publicar\u00e1 um relat\u00f3rio-s\u00edntese, que amarra as conclus\u00f5es do tr\u00eas grupos.<\/p>\n<p><strong>Os governos interferem no IPCC?<\/strong><br \/>\nSim e n\u00e3o. A linguagem dos SPM \u00e9 negociada nas assembleias do IPCC, das quais participam representantes de governos do mundo inteiro. Por isso os sum\u00e1rios tendem a ser conservadores, porque \u00e9 preciso ajustar a escrita aos caprichos da diplomacia e \u00e0s suscetibilidades de cada governo. No entanto, os sum\u00e1rios t\u00e9cnicos e os relat\u00f3rios n\u00e3o s\u00e3o submetidos aos governos. E, o mais importante, os governos n\u00e3o mudam os dados nem as conclus\u00f5es do painel \u2013 quem d\u00e1 as cartas \u00e9 a ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O IPCC \u00e9 alarmista?<\/strong><br \/>\nAo contr\u00e1rio: como reflete o consenso cient\u00edfico e os estudos mais aceitos da literatura, o IPCC tende a ser bastante conservador em seus relat\u00f3rios, e mais conservador ainda em seus sum\u00e1rios para tomadores de decis\u00e3o. Um exemplo cl\u00e1ssico dessa cautela aconteceu em 2007, no AR4, com os dados sobre n\u00edvel do mar: embora j\u00e1 houvesse estudos mostrando que o degelo da Ant\u00e1rtida e da Groenl\u00e2ndia podia ser mais r\u00e1pido do que o imaginado e que o mar poderia subir mais de 1 metro at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, o relat\u00f3rio<br \/>\nficou com uma estimativa mais baixa, 88 cm.<\/p>\n<p><strong>Quantos cientistas participam do IPCC?<\/strong><br \/>\nO n\u00famero varia a cada ciclo de avalia\u00e7\u00e3o. O AR6 teve 801 autores e revisores, sendo 21 brasileiros.<\/p>\n<p><strong>O que significa a linguagem estat\u00edstica do IPCC?<\/strong><br \/>\nComo trata de ci\u00eancia e de cen\u00e1rios para o futuro, o IPCC n\u00e3o pode fazer previs\u00f5es. Pode, no m\u00e1ximo, dizer qual \u00e9 a probabilidade de um determinado fato, observa\u00e7\u00e3o ou fen\u00f4meno. Em outras palavras, o painel precisa comunicar as incertezas inerentes a qualquer ci\u00eancia. Para isso, lan\u00e7a m\u00e3o de uma classifica\u00e7\u00e3o estat\u00edstica onde:<\/p>\n<p>Virtualmente certo: 99% a 100% de probabilidade<br \/>\nExtremamente prov\u00e1vel: 95% a 99% de probabilidade<br \/>\nMuito prov\u00e1vel: 90% a 95% de probabilidade<br \/>\nProv\u00e1vel: 66% a 90% de probabilidade<br \/>\nMais prov\u00e1vel que improv\u00e1vel: mais de 50% de probabilidade<br \/>\nT\u00e3o prov\u00e1vel quanto improv\u00e1vel: 33% a 66% de probabilidade<br \/>\nImprov\u00e1vel: menos de 33% de probabilidade<br \/>\nMuito improv\u00e1vel: menos de 10% de probabilidade<br \/>\nExtremamente improv\u00e1vel: menos de 5% de probabilidade<\/p>\n<p>O painel tamb\u00e9m expressa intervalos de confian\u00e7a no entendimento cient\u00edfico de uma quest\u00e3o. Pense na probabilidade de um mesmo resultado caso um evento se repita dez vezes, por exemplo. Assim:<\/p>\n<p>Muito alta confian\u00e7a: 9 em 10 chances<br \/>\nAlta confian\u00e7a: 8 em 10 chances<br \/>\nM\u00e9dia confian\u00e7a: 5 em 10 chances<br \/>\nBaixa confian\u00e7a: 2 em 10 chances<br \/>\nMuito baixa confian\u00e7a: 1 em 10 chance<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos e aviso<\/strong><br \/>\nEste documento \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o adaptada de alguns dos principais resultados do SPM (Sum\u00e1rio para Tomadores de Decis\u00e3o) do Grupo de Trabalho 3 do IPCC em seu Sexto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o. Ele tem o objetivo de facilitar o acesso em portugu\u00eas aos principais destaques do SPM. Este resumo n\u00e3o \u00e9 feito pelo IPCC, nem representa de forma alguma o painel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Claudio Angelo &#8211; Conex\u00e3o Planeta &#8211; 4 de abril de 2022 &#8211; Foto: dom\u00ednio p\u00fablico\/pixabay O\u00a0Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC)\u00a0lan\u00e7ou nesta segunda-feira (04\/04) o terceiro e \u00faltimo tomo de seu Sexto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (AR6). 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