{"id":34546,"date":"2022-05-03T08:54:57","date_gmt":"2022-05-03T11:54:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=34546"},"modified":"2022-05-03T08:54:57","modified_gmt":"2022-05-03T11:54:57","slug":"uma-oportunidade-de-recomeco-para-a-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/uma-oportunidade-de-recomeco-para-a-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Uma oportunidade de recome\u00e7o para a Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<div class=\"container-fluid pt-4 pt-md-5\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"text-center col-12 col-md-10 col-lg-8 offset-md-1 offset-lg-2\">\n<p>Por <a class=\"text-uppercase\" href=\"https:\/\/oeco.org.br\/author\/duda\/\" data-wpel-link=\"internal\">Duda Menegassi<\/a>\u00a0\u00b7\u00a0<a class=\"text-uppercase\" href=\"https:\/\/oeco.org.br\/author\/tais-seibt\/\" data-wpel-link=\"internal\">Ta\u00eds Seibt<\/a>\u00a0&#8211; <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>((o))eco<\/strong><\/a>\u00a0&#8211; 18 de janeiro de 2022 &#8211; <em>Foto: Luciano Candisani<\/em><\/p>\n<p class=\"lead font-italic mb-5\"><em>O bioma mais destru\u00eddo do Brasil ganha uma nova chance com o avan\u00e7o da agenda de restaura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, mas ainda sofre com gargalos como a falta de sistematiza\u00e7\u00e3o de dados e de governan\u00e7a<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<p>Nos \u00faltimos cinco s\u00e9culos, a Mata Atl\u00e2ntica foi explorada, ocupada e gradualmente exterminada.<\/p>\n<p>O bioma que se estende por quase todo o litoral brasileiro deu lugar a cidades que concentram 70% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e o que resta hoje \u00e9 apenas uma fra\u00e7\u00e3o do que existia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria mais recente tem sido menos cruel com a Mata Atl\u00e2ntica, devido \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o de iniciativas e esfor\u00e7os voltados n\u00e3o apenas para proteger o que sobrou, mas para recuperar parte do que se perdeu.<\/p>\n<p>O caminho da restaura\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da cobertura vegetal e significa tamb\u00e9m o retorno da fauna nativa.<\/p>\n<p>Um levantamento recente feito pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/mata-atlantica-o-desafio-de-zerar-o-desmatamento-no-bioma-onde-vivem-mais-de-70-da-populacao-brasileira-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">MapBiomas<\/a>\u00a0com base em imagens de sat\u00e9lite aponta que, em 2020, a cobertura florestal remanescente de Mata Atl\u00e2ntica era de 25,8%, cerca de um quarto do seu territ\u00f3rio original.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 36 anos, o bioma perdeu 1,3% da sua cobertura original de florestas, uma taxa que revela que, apesar de desaquecido, o desmatamento ainda avan\u00e7a na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>De acordo com o MapBiomas, entre 1985 e 2020, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foi de 10 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\n<div class=\"ai-viewport-1\">Em contrapartida, h\u00e1 \u00e1reas em que a floresta retomou seu espa\u00e7o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"ai-viewport-1\">A cobertura de florestas secund\u00e1rias, aquelas em est\u00e1gio inicial de regenera\u00e7\u00e3o, cresceu aproximadamente 9 milh\u00f5es de hectares no mesmo per\u00edodo.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Os n\u00fameros quase equivalentes entre desmatamento e recupera\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o significam uma balan\u00e7a equilibrada, j\u00e1 que florestas maduras t\u00eam um valor ambiental insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>Ainda assim, as iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o representam uma esperan\u00e7a de dias melhores para a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Recuperar \u00e1reas naturais \u00e9 considerada uma a\u00e7\u00e3o chave para combater e mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e uma estrat\u00e9gia fundamental para garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar, al\u00e9m de outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e da pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o \u00e0 biodiversidade.<\/p>\n<p>Por isso, a d\u00e9cada de 2021 a 2030 foi declarada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas como a D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o e colocou o tema oficialmente nas agendas de todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>O Brasil assumiu\u00a0<a href=\"https:\/\/www4.unfccc.int\/sites\/ndcstaging\/PublishedDocuments\/Brazil%20First\/BRAZIL%20iNDC%20english%20FINAL.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">este compromisso em 2015<\/a>, no Acordo de Paris, ao incluir \u2013 e ser o primeiro pa\u00eds a fazer isso \u2013 a restaura\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas naturais at\u00e9 2030, \u201cpara m\u00faltiplos usos\u201d, entre as metas da sua Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC).<\/p>\n<p>O compromisso se estende a todos os biomas brasileiros.<\/p>\n<p>Outros compromissos se sobrep\u00f5em a este, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bonnchallenge.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Desafio de Bonn<\/a>, de escopo global, onde o Brasil se comprometeu com 22 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030, e\u00a0<a href=\"https:\/\/initiative20x20.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">a Iniciativa 20\u00d720<\/a>, entre pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, no qual a meta tamb\u00e9m \u00e9 restaurar 22 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Assinado em 2015, na COP 21, por 195 pa\u00edses, tem como objetivo reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/p>\n<div id=\"parallax-sticky-118978\" class=\"parallax_sticky_wrap\">\n<div class=\"parallax_sticky\">\n<div id=\"parallax_text_118978_3\" class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"3\"><span class=\"letra\">Meta global que envolve 61 pa\u00edses e o compromisso de restaurar 350 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030.<\/span><\/div>\n<div id=\"parallax_text_118978_4\" class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"4\"><span class=\"letra\"><br \/>\nPacto entre 18 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe para proteger e restaurar 50 milh\u00f5es de hectares de florestas, fazendas, pastos e outras paisagens at\u00e9 2030.<\/span><\/div>\n<div data-id=\"4\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"parallax_sticky_pusher\">Para cumprir as metas estabelecidas, n\u00e3o basta apenas restaurar, \u00e9 preciso monitorar, calcular e sistematizar as informa\u00e7\u00f5es de forma padronizada, transparente e dispon\u00edvel, que permita saber onde e quanto est\u00e1 sendo restaurado e por quem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"parallax_sticky_pusher\">Este \u00e9 um dos principais gargalos e desafios que o Brasil precisa superar rumo a 2030.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao longo de quatro meses, a reportagem de\u00a0<strong>((o))eco<\/strong>\u00a0tentou localizar a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o da mata nativa para dimensionar o quanto estamos pr\u00f3ximos \u2013 ou distantes \u2013 das metas de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 28 pedidos com base na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2011\/lei\/l12527.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI)<\/a>\u00a0a \u00f3rg\u00e3os estaduais e federais de atua\u00e7\u00e3o ambiental, consultas a bancos de dados de pesquisas e contatos com pesquisadores e organiza\u00e7\u00f5es do setor, ficou claro que n\u00e3o h\u00e1 qualquer padr\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es pelos estados nem pelo governo federal.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o descentralizados ou sequer s\u00e3o produzidos.<\/p>\n<p>Retrato de uma pol\u00edtica ambiental \u2013 e de dados abertos \u2013 sem diretrizes nacionais para a produ\u00e7\u00e3o de indicadores, como t\u00eam demonstrado diversos relat\u00f3rios do projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.achadosepedidos.org.br\/uploads\/publicacoes\/Imperio_da_Opacidade_Socioambiental.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Achados e Pedidos<\/a>, parceria da Transpar\u00eancia Brasil, Abraji e Fiquem Sabendo que monitora a transpar\u00eancia ambiental desde 2020, com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ford.<\/p>\n<p>No mais recente deles, foi evidenciado que quase metade dos dados necess\u00e1rios ao acompanhamento de pol\u00edticas ambientais do\u00a0<a href=\"https:\/\/fiquemsabendo.com.br\/meio-ambiente\/amazonia-e-a-pior-area-do-ministerio-do-meio-ambiente-quando-se-trata-de-transparencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA)<\/a>\u00a0est\u00e3o indispon\u00edveis ou incompletos.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em maio de 2021, o\u00a0<a href=\"https:\/\/observatoriodarestauracao.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Observat\u00f3rio da Restaura\u00e7\u00e3o e Reflorestamento<\/a>, coordenado pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.coalizaobr.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Coaliz\u00e3o Brasil, Clima, Florestas e Agricultura<\/a>\u00a0(movimento composto por mais de 300 representantes do setor privado, setor financeiro, academia e sociedade civil), persegue essas informa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m o levantamento tamb\u00e9m esbarra na descentraliza\u00e7\u00e3o e indisponibilidade de dados p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Os indicadores do Observat\u00f3rio dependem da colabora\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelos projetos, que precisam preencher um formul\u00e1rio e fornecer os dados geogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Alguns estados, como S\u00e3o Paulo e Esp\u00edrito Santo, compartilharam informa\u00e7\u00f5es geolocalizadas com os pesquisadores por meio de acordos de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa foi a base de dados estruturados mais completa e organizada que\u00a0<strong>((o))eco<\/strong>\u00a0conseguiu encontrar.<\/p>\n<p>Em todo o Brasil, h\u00e1 79,13 mil hectares em processo de restaura\u00e7\u00e3o, sendo mais de 90% situados na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>S\u00e3o aproximadamente 651 \u00e1reas, que somam cerca de 76 mil hectares.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo considera \u00e1reas recuperadas em munic\u00edpios com 80% ou mais de seu territ\u00f3rio situado sobre Mata Atl\u00e2ntica, de modo que esse total pode conter pequenas partes de florestas recuperadas em outros biomas.<\/p>\n<p>O levantamento do Observat\u00f3rio analisa ainda outras duas categorias: reflorestamento, onde h\u00e1 o plantio majorit\u00e1rio de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que podem ser exploradas economicamente ou n\u00e3o; e regenera\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o \u00e1reas em transi\u00e7\u00e3o de um uso antr\u00f3pico \u2013 como pastagens e planta\u00e7\u00f5es \u2013 para uma cobertura natural.<\/p>\n<p>Ou seja, s\u00e3o terras que foram desmatadas e exploradas para alguma atividade humana, mas que acabaram abandonadas e, com o tempo e pela pr\u00f3pria for\u00e7a da natureza, est\u00e3o em processo de retomada gradual da vegeta\u00e7\u00e3o, que neste est\u00e1gio \u00e9 considerada secund\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tem os projetos de restaura\u00e7\u00e3o, tocados por ONGs, empresas, coletivos e temos o contorno da \u00e1rea, dizendo que ali tem um projeto de restaura\u00e7\u00e3o em processo, porque \u00e9 um processo de longo prazo.<\/p>\n<p>Temos os dados do MapBiomas, que faz um acompanhamento de transi\u00e7\u00e3o do uso da terra.<\/p>\n<p>E os bancos de dados espec\u00edficos de plantios com finalidade econ\u00f4mica, que t\u00eam que ser feitos porque muitas vezes eles precisam de autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o fiscalizador para cortar e fazer o manejo de florestas\u201d, explica Mariana Oliveira,\u00a0 coordenadora de projetos da WRI Brasil, uma das organiza\u00e7\u00f5es que integra a Coaliz\u00e3o Brasil e que participou do desenvolvimento da plataforma.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cConsiderando todo esse cen\u00e1rio, o Observat\u00f3rio vem com essa inten\u00e7\u00e3o de tentar trazer uma primeira imagem e ver o que h\u00e1 de gargalo. O Observat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 perfeito, a gente sabe que tem muito dado subdimensionado, muito dado que precisa ser aprofundado, que tem organiza\u00e7\u00e3o faltando, mas ele \u00e9 um primeiro passo, e a partir disso a gente vai construindo. E os n\u00fameros que est\u00e3o ali s\u00e3o todos respaldados por organiza\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis\u201d, complementa.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"pt-3\">O coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas, Marcos Rosa, explica que, para obter um panorama mais confi\u00e1vel da recomposi\u00e7\u00e3o de mata nativa e reduzir o erro interpretativo em florestas jovens, as \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria s\u00f3 s\u00e3o computadas no MapBiomas depois de tr\u00eas anos em que ela se manteve ali.<\/p>\n<p class=\"pt-3\">Diferentemente do Observat\u00f3rio, a vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, na metodologia do MapBiomas, n\u00e3o diferencia regenera\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o do rastreamento por imagem, mas descarta a silvicultura.<\/p>\n<p class=\"pt-3\">Contudo, quando em est\u00e1gio inicial de cultivo, essas \u00e1reas podem causar distor\u00e7\u00f5es na interpreta\u00e7\u00e3o dos dados de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p class=\"pt-3\">S\u00e3o \u00e1reas em transi\u00e7\u00e3o de uso antr\u00f3pico para cobertura natural a partir de projetos de restaura\u00e7\u00e3o, implementados por a\u00e7\u00e3o humana, que buscam promover a recupera\u00e7\u00e3o de ecossistemas nativos.<\/p>\n<p class=\"pt-3\">S\u00e3o \u00e1reas em transi\u00e7\u00e3o de uso antr\u00f3pico para cobertura natural a partir da regenera\u00e7\u00e3o natural da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"pt-3\">Geralmente s\u00e3o por\u00e7\u00f5es de terra que foram desmatadas, mas posteriormente abandonadas, sem atividade humana.<\/p>\n<div id=\"parallax-sticky-118996\" class=\"parallax_sticky_wrap\">\n<div class=\"parallax_sticky\">\n<div id=\"parallax_text_118996_3\" class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"3\"><span class=\"letra\">S\u00e3o grandes extens\u00f5es de projetos de plantio florestal, predominantemente de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, com ou sem fins econ\u00f4micos, como eucaliptos e pinus.<\/span><\/div>\n<div data-id=\"3\"><\/div>\n<div class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"3\">Para entender melhor essa din\u00e2mica, seria fundamental o trabalho de campo, para saber o que est\u00e1 sendo feito em cada \u00e1rea, mas s\u00e3o raros os projetos espec\u00edficos de restaura\u00e7\u00e3o nos estados e a iniciativa privada nem sempre presta contas, segundo o especialista:<\/div>\n<div data-id=\"3\"><\/div>\n<blockquote>\n<div class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"3\">\u201cGrande parte dessa restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por propriet\u00e1rios privados, nem todos querem compartilhar essas informa\u00e7\u00f5es, e os estados sequer validaram os planos de recupera\u00e7\u00e3o registrados no CAR [Cadastro Ambiental Rural] at\u00e9 hoje\u201d.<\/div>\n<\/blockquote>\n<div data-id=\"3\"><\/div>\n<div class=\"text_div  parallax_width_33 top_left\" data-id=\"3\">Mesmo em se tratando de compensa\u00e7\u00f5es, firmadas em Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), o pesquisador considera a informa\u00e7\u00e3o limitada, pois n\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento efetivo do que foi acordado.<\/div>\n<div data-id=\"3\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 comum que haja redu\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas ao longo do tempo, pois muito do que se regenera \u00e9 cortado novamente, \u00e9 o que chamamos de floresta ef\u00eamera, porque n\u00e3o se consolida\u201d, explica Rosa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica, essa efemeridade tem um motivo extra, segundo o pesquisador, j\u00e1 que a Lei da Mata Atl\u00e2ntica prev\u00ea que \u00e1reas recuperadas com mais de 10 anos de idade tornem-se protegidas e n\u00e3o podem ser desmatadas novamente.<\/p>\n<p>\u201cO produtor rural \u00e0s vezes deixa uma \u00e1rea abandonada por cinco, seis anos, e quando come\u00e7a a formar floresta, limpa novamente, mesmo que n\u00e3o v\u00e1 fazer uso econ\u00f4mico da \u00e1rea, apenas para n\u00e3o cair na prote\u00e7\u00e3o permanente\u201d, exemplifica o coordenador do MapBiomas.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o \u00fanico bioma brasileiro com uma lei espec\u00edfica de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11428.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Lei da Mata Atl\u00e2ntica (n\u00ba 11.428\/2006)<\/a>\u00a0aumenta o rigor da prote\u00e7\u00e3o e uso dessa floresta.<\/p>\n<p>Entre as regras est\u00e1 que todo desmatamento de vegeta\u00e7\u00e3o no bioma s\u00f3 \u00e9 permitido com autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ambiental, com exce\u00e7\u00e3o dos usos pr\u00f3prios para comunidades tradicionais, e que ficam condicionados \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica, de acordo com o Observat\u00f3rio, al\u00e9m dos 76 mil hectares em restaura\u00e7\u00e3o, h\u00e1 794,46 mil hectares em regenera\u00e7\u00e3o natural e outros 5,37 milh\u00f5es em \u00e1reas de reflorestamento (predominantemente de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas com fins de explora\u00e7\u00e3o comercial ou n\u00e3o).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que garante a perman\u00eancia da floresta \u00e9 uma vincula\u00e7\u00e3o. Se vem por meio de um projeto, uma ONG foi l\u00e1 e fez um projeto com o produtor rural que assinou um documento que vai cuidar daquela \u00e1rea por 10 anos, 15 anos. Ou ela pode vir por uma quest\u00e3o legal, quando o produtor rural faz o PRADA [<em>Projeto de Recomposi\u00e7\u00e3o de \u00c1rea Degradada e Alterada<\/em>], da\u00ed ele est\u00e1 vinculando isso ao CAR [<em>Cadastro Ambiental Rural<\/em>] dele, que est\u00e1 vinculado ao C\u00f3digo Florestal, de que aquela \u00e1rea l\u00e1 ele vai manter. Isso \u00e9 muito importante. Tem que ter algum tipo de vincula\u00e7\u00e3o para a perman\u00eancia daquela floresta\u201d, destaca a coordenadora da WRI.<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>O papel do C\u00f3digo Florestal<\/strong><\/h3>\n<p>Os 12 milh\u00f5es de hectares a serem restaurados no pa\u00eds \u2013 uma \u00e1rea equivalente a quase tr\u00eas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro \u2013 n\u00e3o foram estipulados ao acaso.<\/p>\n<p>O n\u00famero coincide com a estimativa do d\u00e9ficit de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do pa\u00eds, ou seja, as \u00e1reas que pela lei, o C\u00f3digo Florestal, devem ter cobertura vegetal, como as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs), como margens de rios, nascentes e encostas, e as Reservas Legais, porcentagem da propriedade rural que varia de acordo com o bioma.<\/p>\n<p>Ou seja, para alcan\u00e7ar a meta assumida pelo pa\u00eds no Acordo de Paris, \u201cbasta fazer cumprir-se a lei\u201d, destaca a gerente de projetos da WRI, Mariana Oliveira.<\/p>\n<p>Em espec\u00edfico na Mata Atl\u00e2ntica, uma an\u00e1lise recente, publicada no\u00a0<a href=\"https:\/\/cms.sosma.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Codigo_florestal_na_MA_FINAL.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Sustentabilidade em Debate<\/a>, aponta um d\u00e9ficit de vegeta\u00e7\u00e3o nativa de 4,74 milh\u00f5es de hectares, sendo 2,76 milh\u00f5es em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e 1,98 milh\u00f5es de Reserva Legal.<\/p>\n<p>Outro exemplo desse gargalo normativo veio \u00e0 tona com um relat\u00f3rio publicado em agosto de 2021, que revelou que das 27 unidades federativas do Brasil, apenas nove atualizaram suas leis estaduais sobre reposi\u00e7\u00e3o florestal em casos de desmatamento autorizado.<\/p>\n<p>Uma obriga\u00e7\u00e3o imposta pelo C\u00f3digo Florestal em 2012.<\/p>\n<p>Treze estados atualizaram apenas parcialmente sua legisla\u00e7\u00e3o, quatro n\u00e3o atualizaram e um, o Sergipe, nem ao menos possui uma legisla\u00e7\u00e3o estadual sobre o assunto.<\/p>\n<h3><strong>Bases p\u00fablicas n\u00e3o oferecem detalhamento de informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>As consultas feitas por\u00a0<strong>((o))eco<\/strong>\u00a0via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) aos \u00f3rg\u00e3os federais e estaduais com atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica ambiental confirmam o que os especialistas j\u00e1 observaram em seus estudos de monitoramento da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados centralizados, quase nada \u00e9 sistematizado e falta uma governan\u00e7a central que coordene as a\u00e7\u00f5es na esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p>No governo federal, foram questionados o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), ligado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, e o Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB), vinculado ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) desde o in\u00edcio do governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/casv.ibama.gov.br\/dashboard\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Cadastro Simplificado de Vetores<\/a>\u00a0(Casv) foi a indica\u00e7\u00e3o do Ibama para obter os dados.<\/p>\n<p>Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o reposit\u00f3rio \u201crepresenta significativa evolu\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o dessas \u00e1reas, uma vez que disponibiliza publicamente dados com o devido lastro geoespacial, sendo capaz de gerar automaticamente pain\u00e9is que consolidam as informa\u00e7\u00f5es recepcionadas no sistema\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o sistema ainda n\u00e3o disponibiliza uma filtragem mais detalhada, sendo necess\u00e1rio avaliar individualmente a situa\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o de cada uma das \u00e1reas.<\/p>\n<p>Atualmente, o Casv apresenta 1.415 \u00e1reas em recupera\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds, totalizando 157,6 mil hectares.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 filtro por bioma nem diferencia\u00e7\u00e3o entre restaura\u00e7\u00e3o\/regenera\u00e7\u00e3o e reflorestamento\/silvicultura, mas \u00e9 poss\u00edvel quantificar por unidade da federa\u00e7\u00e3o: nos 17 estados da Mata Atl\u00e2ntica, s\u00e3o 1.077 \u00e1reas, o que totalizaria 52,7 mil hectares em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB) indicou bases de dados desvinculadas ao governo, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">MapBiomas<\/a>\u00a0e o pr\u00f3prio Observat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o a projetos de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas florestais existentes no Brasil, os \u00f3rg\u00e3os estaduais de meio ambiente seriam a fonte indicada para a obten\u00e7\u00e3o de tais dados\u201d, indicou a Coordena\u00e7\u00e3o-geral de Fomento e Inclus\u00e3o Florestal do SFB.<\/p>\n<p>Na mesma resposta, a Coordena\u00e7\u00e3o-geral de Invent\u00e1rio e Informa\u00e7\u00f5es Florestais do SFB informou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o consolidada sobre \u00e1reas de florestas recuperadas no\u00a0<a href=\"https:\/\/snif.florestal.gov.br\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o Florestal \u2013 SNIF<\/a>\u201d.<\/p>\n<h3><strong>O gargalo da governan\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>Em n\u00edvel federal, os dois principais instrumentos para nortear o tema da restaura\u00e7\u00e3o ambiental deveriam ser o Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa, mais conhecido como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/servicosambientais\/ecossistemas-1\/conservacao-1\/politica-nacional-de-recuperacao-da-vegetacao-nativa\/planaveg_plano_nacional_recuperacao_vegetacao_nativa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Planaveg<\/a>, e a Pol\u00edtica Nacional para Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa, o Proveg, ambos lan\u00e7ados em 2017.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o deles, por sua vez, seria responsabilidade do Conaveg, a Comiss\u00e3o Nacional para Recupera\u00e7\u00e3o Nativa.<\/p>\n<p>Em abril de 2019, o Conaveg foi extinto em uma canetada do governo Bolsonaro que promoveu um \u2018revoga\u00e7o\u2019 de comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Em dezembro do mesmo ano, o governo voltou atr\u00e1s e <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/noticias\/governo-recria-comites-ambientais-menores-e-sem-participacao-da-sociedade-civil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-wpel-link=\"internal\">recriou o Conaveg<\/a>, por\u00e9m em novo formato: com 7 membros, todos do Executivo, sem a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil (que antes contava com dois representantes).<\/p>\n<p>\u201cNas reuni\u00f5es do Planaveg, l\u00e1 atr\u00e1s, a gente mapeou que um dos gargalos era a governan\u00e7a. Como \u00e9 que voc\u00ea faz a governan\u00e7a de um plano que vai ter dado de munic\u00edpio, dado de estado, de institui\u00e7\u00e3o, etc? E ali, na sua primeira reuni\u00e3o, o Conaveg colocou que esse era um dos pontos a serem endere\u00e7ados, porque isso j\u00e1 estava colocado como um desafio por si s\u00f3, mesmo com o apoio do governo\u201d, analisa a coordenadora de projetos da WRI, Mariana Oliveira.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando isso muda e \u00e9 enfraquecido, desestruturado e a sociedade civil \u00e9 retirada desse ambiente, a gente perde a informa\u00e7\u00e3o de como isso est\u00e1 sendo discutido. E em um evento que participamos junto com o Minist\u00e9rio ficou claro que nada avan\u00e7ou em termos de defini\u00e7\u00f5es. Existem pessoas ainda super competentes trabalhando para que o Planaveg aconte\u00e7a que avan\u00e7aram em outras frentes, mas em termos de articula\u00e7\u00e3o e de uma estrutura\u00e7\u00e3o robusta para constru\u00e7\u00e3o de plataformas, para articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isso n\u00e3o foi feito\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em contrapartida ao governo federal, que perdeu o protagonismo com o esvaziamento do Conaveg, iniciativas de governos estaduais e da pr\u00f3pria sociedade civil t\u00eam se esfor\u00e7ado para ocupar o vazio de lideran\u00e7a na agenda de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um desses exemplos \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/pactomataatlantica.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">o Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/a>, movimento multissetorial criado em 2009 e que assumiu suas pr\u00f3prias metas de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira, de 1 milh\u00e3o de hectares, foi cumprida em 2020.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo objetivo \u00e9 bem mais ambicioso: restaurar 15 milh\u00f5es de hectares de Mata Atl\u00e2ntica at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>A coordenadora nacional do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o, Ludmila Pugliese, explica que a meta foi estipulada a partir do mapeamento de \u00e1reas potenciais para restaura\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo vai al\u00e9m das APPs e Reservas Legais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA gente est\u00e1 sugerindo que essa seja uma estrat\u00e9gia at\u00e9 econ\u00f4mica, para al\u00e9m dos limites de APP e Reserva Legal. A gente quer que a restaura\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a em \u00e1reas com baixa aptid\u00e3o agr\u00edcola, por exemplo, mas que t\u00eam uma aptid\u00e3o florestal. N\u00f3s trabalhamos tamb\u00e9m com a possibilidade da restaura\u00e7\u00e3o ser produtiva, com esp\u00e9cies que possam ser utilizadas para fins comerciais e com sistemas agroflorestais. A gente busca alternativas que sejam vi\u00e1veis dentro das \u00e1reas agricult\u00e1veis e produtivas da propriedade, porque a gente entende que \u00e9 um caminho e \u00e9 uma agenda de desenvolvimento tamb\u00e9m, n\u00e3o apenas ambiental\u201d, explica a coordenadora.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estados tamb\u00e9m assumiram compromissos por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Como o Esp\u00edrito Santo, que entrou na Iniciativa 20\u00d720 com a meta de restaurar 80 mil hectares at\u00e9 2030, 20 mil por meio de plantio e 60 mil por regenera\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>E S\u00e3o Paulo, que atrav\u00e9s do Programa Refloresta SP estabeleceu a meta de restaurar 1,5 milh\u00e3o de hectares at\u00e9 2050, sendo 800 mil via Programa de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental (PRA).<\/p>\n<h3><strong>A resposta dos estados<\/strong><\/h3>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica est\u00e1 distribu\u00edda ao longo de 17 estados brasileiros, do sul ao nordeste.<\/p>\n<p>Em tr\u00eas deles \u2013 Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo e Santa Catarina \u2013, o bioma \u00e9 o \u00fanico que ocorre no territ\u00f3rio estadual.<\/p>\n<p>Nos demais, divide espa\u00e7o com o Cerrado, a Caatinga ou o Pampa.<\/p>\n<p>A maioria dos estados citou os sistemas de licenciamento ambiental ou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como o registro dispon\u00edvel para dados de restaura\u00e7\u00e3o, mas nenhum dos dois oferece informa\u00e7\u00f5es para diferenciar restaura\u00e7\u00e3o, regenera\u00e7\u00e3o e reflorestamento, sendo necess\u00e1rio observar cada processo para identificar as estrat\u00e9gias de recupera\u00e7\u00e3o florestal implementadas.<\/p>\n<p>Outra (n\u00e3o) resposta comum entre os estados foi a de que os dados sobre processos de restaura\u00e7\u00e3o constam apenas em arquivos f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Em outros casos, a negativa foi mais simpl\u00f3ria.<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado do Meio Ambiente da Bahia, por exemplo, limitou-se a dizer \u201cque se trata de um pedido amplo, relativo a informa\u00e7\u00f5es em processo de sistematiza\u00e7\u00e3o, impossibilitando o atendimento adequado ao pleito nesta oportunidade\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos do Rio Grande do Norte, informou que \u201cesta Secretaria n\u00e3o det\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es solicitadas\u201d.<\/p>\n<p>Confira as respostas completas de cada estado e do governo federal aos pedidos de LAI sobre restaura\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1iRKFk0YddsQMoU5DdDn1s-9M2vylHFv-?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">neste link<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>Esp\u00edrito Santo na vanguarda da restaura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Dentre as pol\u00edticas estaduais de fomento \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o, destaca-se o caso do Esp\u00edrito Santo, atrav\u00e9s do programa\u00a0<a href=\"https:\/\/seama.es.gov.br\/programa-reflorestar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Reflorestar<\/a>, lan\u00e7ado em 2011.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 reportagem, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Seama) apresentou uma\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1UTAINm-1UCHl8vDNOYSNpY8hZB1X5lf0TK1Zh6JLq0I\/edit#gid=0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">lista detalhada<\/a>\u00a0com 3,7 mil \u00e1reas em que h\u00e1 floresta em p\u00e9 ou projetos de recupera\u00e7\u00e3o reconhecidos no territ\u00f3rio capixaba, que tem toda sua \u00e1rea localizada no bioma Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>As \u00e1reas em recupera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 2015 a 2019, conforme o levantamento encaminhado pela Ouvidoria da Seama, somam 9,7 mil hectares.<\/p>\n<p>No levantamento do Observat\u00f3rio da Restaura\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo se destaca como o estado com a maior propor\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00e3o mapeada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica em seu territ\u00f3rio (1,79%).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO Reflorestar \u00e9 um programa que apoia plantar floresta, n\u00e3o \u00e9 um programa de PSA [pagamento por servi\u00e7os ambientais]. O PSA \u00e9 a principal estrat\u00e9gia, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Pelo PSA a gente consegue repassar recursos financeiros ao produtor rural para que ele consiga plantar floresta\u201d, explica Marcos Sossai, gerente do programa Reflorestar, em entrevista a\u00a0<strong>((o))eco<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>O gerente explica que al\u00e9m da mata nativa em si, o programa tamb\u00e9m apoia arranjos florestais que conciliam renda com conserva\u00e7\u00e3o, como por exemplo sistemas agroflorestais com cacau, caf\u00e9, pupunha e banana; e o manejo florestal sem corte raso.<\/p>\n<p>E at\u00e9 mesmo a convers\u00e3o de pastos em sistemas silvipastoris, que integram o pasto com esp\u00e9cies florestais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cIsso \u00e9 importante porque \u00e0s vezes ajuda a conectar fragmentos. E 40% do nosso estado \u00e9 pasto, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o imaginar que melhorar pasto seja uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim\u201d, aponta Sossai.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao todo, seis modalidades de uso de solo s\u00e3o aceitas pelo programa, cada uma com exig\u00eancias distintas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do plantio de nativas, do sistema agroflorestal, do sistema silvipastoril e da floresta manejada sem corte raso \u2013 ou seja, o plantio de ex\u00f3ticas como eucalipto n\u00e3o entra na lista \u2013, citados acima, o Reflorestar tamb\u00e9m fomenta a regenera\u00e7\u00e3o natural (isolamento e elimina\u00e7\u00e3o de fatores de degrada\u00e7\u00e3o para recupera\u00e7\u00e3o natural do bioma) e a modalidade chamada Floresta em P\u00e9, que corresponde \u00e0 cobertura nativa em fase inicial de regenera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Sossai destaca que o pagamento realizado pelo Reflorestar possui uma diferen\u00e7a do mecanismo tradicional de PSA.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de pagar ao produtor apenas uma recompensa pela floresta em p\u00e9, o pagamento tamb\u00e9m inclui uma vertente de \u201ccurto prazo\u201d, onde o produtor rural recebe recursos para comprar os insumos necess\u00e1rios ao plantio.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPlantar floresta tem um custo e \u00e9 caro normalmente. Tem que comprar muda, cerca pro gado n\u00e3o entrar, adubo, e tem o custo da assist\u00eancia t\u00e9cnica\u2026 Ent\u00e3o por exemplo, nosso maior valor chega a 12 mil reais por hectare. Varia de 6 a 12 mil, dependendo do que ele vai fazer\u201d, detalha.<\/p><\/blockquote>\n<p>O custo de m\u00e3o-de-obra para as a\u00e7\u00f5es \u00e9 uma contrapartida do produtor rural, e ainda n\u00e3o \u00e9 financiado pelo programa.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNosso PSA tem tr\u00eas linhas: o reconhecimento [<em>da floresta em p\u00e9<\/em>], que \u00e9 o tradicional; o dinheiro pra comprar insumo; e o dinheiro para viabilizar a assist\u00eancia t\u00e9cnica. Isso tudo gera um investimento m\u00e9dio, ao longo de cinco anos, de 20, 23 mil reais por propriedade rural. Cada propriedade rural, em m\u00e9dia, recupera 2 hectares. Ou seja, a base de investimento nosso \u00e9 em torno de 10 mil por hectare\u201d, continua Sossai. Ele conta que o programa tem quase 4 mil propriedades rurais participando atualmente.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os recursos do programa v\u00eam de duas principais fontes: um financiamento do Banco Mundial e uma porcentagem de 2,5% em cima dos royalties de petr\u00f3leo que o estado ganha \u2013 um arranjo permitido pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www3.al.es.gov.br\/Arquivo\/Documents\/legislacao\/html\/lei98662012.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Lei n\u00ba 9.866\/2012<\/a> \u2013 que alimenta o Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos e Florestais do Esp\u00edrito Santo (FUND\u00c1GUA).<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o do Reflorestar, mais da metade das execu\u00e7\u00f5es do programa foi voltada para vegeta\u00e7\u00e3o nativa, sendo 33% com o cercamento de \u00e1reas para regenera\u00e7\u00e3o natural e 24,5% para o plantio de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>Outros 33% foram para sistemas agroflorestais (SAFs); 6,2% para silvopastoril; e 3,3% para \u00e1reas de manejo florestal.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara o programa ser aceito \u00e9 importante que ele seja visto como um programa n\u00e3o apenas ambiental, mas s\u00f3cio-econ\u00f4mico tamb\u00e9m. Existem pessoas que querem recuperar s\u00f3 com nativas, mas a fila \u00e9 muito curta, ela acaba logo\u201d, analisa Sossai.<\/p><\/blockquote>\n<p>De acordo com o gerente, a f\u00f3rmula de sucesso do Reflorestar inclui capacidade de gest\u00e3o, de conhecer o territ\u00f3rio e de monitorar.<\/p>\n<p>Questionado se o tamanho do estado facilitaria essa atua\u00e7\u00e3o, Sossai responde ligeiro:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAcho que o tamanho do estado interfere em algumas coisas, mas n\u00e3o todas. A dificuldade do Esp\u00edrito Santo em implementar 2 mil hectares novos por ano \u00e9 a mesma de Mato Grosso em executar 2 mil hectares por ano. Se eles n\u00e3o tiverem gest\u00e3o como n\u00f3s, n\u00e3o v\u00e3o conseguir fazer. Mas talvez 2 mil hectares n\u00e3o seja suficiente para dar escala para eles, para n\u00f3s \u00e9. Nesse ponto, o tamanho da \u00e1rea que eles v\u00e3o ter que fazer \u00e9 maior, mas a estrutura de gest\u00e3o para fazer 1 mil ou 10 mil \u00e9 a mesma. Por que outros estados n\u00e3o conseguem? Porque n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. O que a gente fez que nos deu capacidade de fazer? Gest\u00e3o. E voc\u00ea n\u00e3o consegue gerenciar isso sem ter um portal que organize essas informa\u00e7\u00f5es, e que a gente desenvolveu bem no come\u00e7o do programa\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>Restaurar tamb\u00e9m \u00e9 trazer de volta os animais<\/strong><\/h3>\n<p>Restaurar n\u00e3o \u00e9 apenas plantar a floresta de volta e por isso a palavra n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de reflorestamento.<\/p>\n<p>Quando feita de forma bem-sucedida, a restaura\u00e7\u00e3o significa o restabelecimento de um ecossistema, com toda sua intrincada rede de atores (a fauna e a flora) e suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma lacuna que os dados de sat\u00e9lite n\u00e3o conseguem preencher.<\/p>\n<p>Conforme a\u00a0<a href=\"https:\/\/dados.gov.br\/dataset\/especies-ameacadas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas<\/a>\u00a0do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), h\u00e1 mais de 400 esp\u00e9cies de animais amea\u00e7ados na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Das 19 esp\u00e9cies com risco mais alto, que s\u00e3o as possivelmente extintas ou extintas da natureza, 14 s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/fiquemsabendo.com.br\/meio-ambiente\/especies-ameacadas-plano-nacional-conservacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica<\/a>\u00a0(73%), ou seja, ocorrem apenas no bioma, conforme destacado em an\u00e1lise do projeto Achados e Pedidos.<\/p>\n<p>Existem a\u00e7\u00f5es para a reintrodu\u00e7\u00e3o de animais amea\u00e7ados ao seu h\u00e1bitat, mas n\u00e3o h\u00e1 um monitoramento centralizado sobre a popula\u00e7\u00e3o reintroduzida.<\/p>\n<p>Os dados mais pr\u00f3ximos de uma estimativa s\u00e3o do Ibama, que instrui sobre a operacionaliza\u00e7\u00e3o dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetras) na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/instrucao-normativa-n-5-de-13-de-maio-de-2021-322106813\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba5 de 2021<\/a>.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o estabelece os conceitos da norma, entre eles, o de reintrodu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\u201ca\u00e7\u00e3o planejada que visa a restabelecer uma esp\u00e9cie em \u00e1rea que foi, em algum momento, parte da sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica natural, da qual foi extirpada ou extinta\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em planilha enviada ao\u00a0<strong>((o))eco<\/strong>\u00a0em resposta \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o via LAI, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 qualquer refer\u00eancia \u00e0 modalidade de reintrodu\u00e7\u00e3o, embora haja dados satisfat\u00f3rios sobre resgate e reabilita\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p>Em resposta ao pedido via LAI, o governo de Santa Catarina corroborou a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 sistematiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cO Estado de Santa Catarina n\u00e3o possui um banco de dados que possibilite responder a esses questionamentos, inclusive, no entendimento da equipe t\u00e9cnica, nenhum Estado brasileiro, na verdade, o possui\u201d.<\/p>\n<p>Apenas em Minas Gerais a Diretoria de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Fauna do Instituto Estadual de Florestas indicou dados mais precisos sobre recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em risco, por\u00e9m \u201cos projetos encontram-se em fase inicial, n\u00e3o sendo apresentados os relat\u00f3rios finais dos estudos\u201d.<\/p>\n<p>Os projetos citados fazem refer\u00eancia a Planos de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o (PAN), que s\u00e3o de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>Conforme o pr\u00f3prio ICMBio esclarece, tamb\u00e9m via LAI, o instituto \u00e9 \u201crespons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es de manejo populacional de esp\u00e9cies, e possui parceiros ou entidades, que a partir de projetos espec\u00edficos realizam a refauna\u00e7\u00e3o em algumas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Federais\u201d.<\/p>\n<p>Pelos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/biodiversidade\/pan\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">dados abertos<\/a>\u00a0do ICMBio, h\u00e1 54 PANs na Mata Atl\u00e2ntica, entre ativos, previstos e finalizados.<\/p>\n<p>O bioma concentra aproximadamente um quarto dos 218 planos registrados.<\/p>\n<h3><strong>Mata Atl\u00e2ntica: protagonista da restaura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Historicamente o bioma mais destru\u00eddo do Brasil, a Mata Atl\u00e2ntica tem sido palco (e protagonista) de um novo cap\u00edtulo: o da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Ludmila Pugliese, coordenadora nacional do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, um dos motivos para esse protagonismo \u00e9 o capital social do bioma: cerca de 135 milh\u00f5es de brasileiros vivem na Mata Atl\u00e2ntica, mais de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 um hotspot de restaura\u00e7\u00e3o porque s\u00e3o \u00e1reas priorit\u00e1rias para produ\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, el\u00e9trica, aliment\u00edcia\u2026 existe uma s\u00e9rie de quest\u00f5es hist\u00f3ricas e estruturais que fazem com que a Mata Atl\u00e2ntica concentre isso. E \u00e9 tamb\u00e9m onde est\u00e1 a maioria das universidades do pa\u00eds\u201d, aponta. \u201cA gente n\u00e3o sabe o que veio primeiro. A necessidade de restaurar porque est\u00e1 desmatado ou ter essas institui\u00e7\u00f5es e mais recursos que gera essas condi\u00e7\u00f5es para existirem tantas iniciativas na Mata Atl\u00e2ntica\u201d, completa Ludmila.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para a pesquisadora, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 onde a restaura\u00e7\u00e3o pode acontecer de uma maneira \u201cmais f\u00e1cil\u201d no Brasil porque a regi\u00e3o est\u00e1 melhor preparada para receber a restaura\u00e7\u00e3o e j\u00e1 existe uma governan\u00e7a bem estruturada.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica tem mais de dez anos. A Araticum [<em>Articula\u00e7\u00e3o pela Restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado<\/em>], que atua no Cerrado, est\u00e1 completando um ano, a\u00a0<a href=\"https:\/\/aliancaamazonia.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Alian\u00e7a pela Restaura\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia<\/a>, foi criada em 2015.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o a restaura\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo nos outros lugares, mas aqui as pessoas est\u00e3o melhor organizadas porque aqui [<em>na Mata Atl\u00e2ntica<\/em>] j\u00e1 tem banco de dados, j\u00e1 tem organiza\u00e7\u00e3o trabalhando com isso, j\u00e1 tem pesquisa de longo prazo, j\u00e1 tem protocolo de monitoramento\u2026<\/p>\n<p>Ent\u00e3o j\u00e1 tem um conjunto de discuss\u00f5es e o amadurecimento desse discurso, que permite dizer que isso tem avan\u00e7ado melhor na Mata Atl\u00e2ntica\u201d, avalia a coordenadora de projetos da WRI, Mariana Oliveira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma governan\u00e7a melhor estruturada \u2013 liderada pela pr\u00f3pria sociedade civil e alguns estados \u2013 Mariana aponta o impacto das situa\u00e7\u00f5es de crise.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAqui [<em>na Mata Atl\u00e2ntica<\/em>] j\u00e1 est\u00e3o se sentindo os impactos do desmatamento e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Hoje voc\u00ea fala de crise h\u00eddrica todo ano, de secas prolongadas, de perda de produtividade porque n\u00e3o tem polinizador\u2026 Voc\u00ea come\u00e7a a ver os impactos da degrada\u00e7\u00e3o. E a\u00ed as pessoas come\u00e7am a ver as oportunidades relacionadas \u00e0 agenda da restaura\u00e7\u00e3o\u201d, completa.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Duda Menegassi\u00a0\u00b7\u00a0Ta\u00eds Seibt\u00a0&#8211; ((o))eco\u00a0&#8211; 18 de janeiro de 2022 &#8211; Foto: Luciano Candisani O bioma mais destru\u00eddo do Brasil ganha uma nova chance com o avan\u00e7o da agenda de restaura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, mas ainda sofre com gargalos como a falta de sistematiza\u00e7\u00e3o de dados e de governan\u00e7a Nos \u00faltimos cinco s\u00e9culos, a Mata Atl\u00e2ntica&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34547,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,104,15,196,65,231],"post_series":[],"class_list":["post-34546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-arvores","tag-biodiversidade","tag-floresta","tag-recursos-naturais-natural-resource","tag-reflorestamento","entry","has-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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