{"id":35076,"date":"2022-09-27T08:29:01","date_gmt":"2022-09-27T11:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=35076"},"modified":"2022-09-27T08:29:01","modified_gmt":"2022-09-27T11:29:01","slug":"crise-climatica-e-pressao-antropica-estao-levando-o-pantanal-ao-desequilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/crise-climatica-e-pressao-antropica-estao-levando-o-pantanal-ao-desequilibrio\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica e press\u00e3o antr\u00f3pica est\u00e3o levando o Pantanal ao desequil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p class=\"h1\">Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211;\u00a027 de setembro de 2022<\/p>\n<p class=\"h1\">Com 150 mil quil\u00f4metros quadrados, o Pantanal ocupa \u00e1rea equivalente a 1,8% do territ\u00f3rio nacional, estendendo-se pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Misto de campos abertos, cerrados e florestas, a macrorregi\u00e3o abriga a maior plan\u00edcie inund\u00e1vel do planeta e comp\u00f5e, juntamente com a regi\u00e3o do Chaco, situada mais ao sul, um complexo de \u00e1reas \u00famidas com grande biodiversidade, que fornece servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e culturais para o Brasil, a Bol\u00edvia e o Paraguai.<\/p>\n<p>Mas, assim como a Floresta Amaz\u00f4nica e o Cerrado, o Pantanal vem sendo fortemente pressionado pela expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-35077\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal.jpg 1140w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Seca-no-pantanal-600x337.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Jacar\u00e9s e aves sentem os efeitos das queimadas e da seca nas proximidades da rodovia Transpantaneira, em Mato Grosso, em setembro de 2020 &#8211;\u00a0Mauro Pimentel \/ AFP<\/em><\/span><\/p>\n<p>E, nos \u00faltimos anos, foi palco de um n\u00famero sem precedentes de inc\u00eandios \u2013 a maioria deles provocada pela a\u00e7\u00e3o humana, com o objetivo de aumentar as \u00e1reas agricultur\u00e1veis e as pastagens (<i>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/o-pantanal-pede-agua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revistapesquisa.fapesp.br\/o-pantanal-pede-agua\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>Um novo estudo, que procura dar conta da complexidade dos processos naturais que ocorrem no Pantanal e que se tornaram mais complexos ainda nos anos recentes devido \u00e0 crise clim\u00e1tica global e \u00e0 a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, foi publicado no\u00a0<i>Journal of South American Earth Sciences<\/i>\u00a0por dois veteranos na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da regi\u00e3o:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/44415\/ivan-bergier-tavares-de-lima\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ivan Bergier<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/6444\/mario-luis-assine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mario Luis Assine<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Bergier, pesquisador da Embrapa Pantanal, em Corumb\u00e1 (MS), estuda a regi\u00e3o h\u00e1 15 anos, e Assine, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNeste novo estudo, dividimos o Pantanal em se\u00e7\u00f5es, que chamamos de compartimentos funcionais, para mostrar como essas \u00e1reas se comportam diferentemente em fun\u00e7\u00e3o da hidrologia: \u00e1reas que secam mais depressa, \u00e1reas que s\u00f3 recebem \u00e1gua da chuva, \u00e1reas que combinam \u00e1guas da chuva e dos rios. E como esse processo natural e recorrente est\u00e1 sendo fortemente afetado agora pelo aquecimento global e pela a\u00e7\u00e3o humana nos entornos e no interior do pr\u00f3prio Pantanal\u201d, conta Assine \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Conforme o artigo, a intensidade das chuvas no ver\u00e3o e o n\u00famero de dias secos no outono-inverno t\u00eam aumentado consistentemente, possibilitando prever uma amplia\u00e7\u00e3o da descarga fluvial e da carga de sedimentos nas esta\u00e7\u00f5es chuvosas e a ocorr\u00eancia de d\u00e9ficits h\u00eddricos nas esta\u00e7\u00f5es secas.<\/p>\n<p>\u201cTal cen\u00e1rio indica ciclos de seca extremos em todas as formas de relevo funcionais autoafins, particularmente em lobos [pronuncia-se \u2018l\u00f3bos\u2019] deposicionais abandonados que dependem exclusivamente da \u00e1gua da chuva, enquanto extremos de intensidade de chuva nas cabeceiras dos rios podem amplificar os riscos de avuls\u00f5es em grande escala em lobos ativos dos megaleques fluviais\u201d, sintetiza o texto.<\/p>\n<p>Para entender os significados de express\u00f5es como \u201crelevos autoafins\u201d, \u201clobos abandonados\u201d, \u201clobos ativos\u201d e \u201cmegaleques fluviais\u201d, \u00e9 preciso saber um pouco mais sobre as peculiaridades geomorfol\u00f3gicas do Pantanal.<\/p>\n<p>Existe a ideia equivocada de que o Pantanal seja uma estrutura homog\u00eanea, formada por p\u00e2ntanos. Mas n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p>\u201cO Pantanal \u00e9 uma extensa \u00e1rea inund\u00e1vel, devido a uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas da paisagem. Trata-se de uma depress\u00e3o morfol\u00f3gica, uma bacia sedimentar, sujeita a anos de maior inunda\u00e7\u00e3o e anos de menor inunda\u00e7\u00e3o, associados a per\u00edodos de maior ou menor precipita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 baixa unicamente porque houve eros\u00e3o. \u00c9 baixa tamb\u00e9m devido ao rebaixamento tect\u00f4nico, com terremotos que ainda ocorrem na \u00e1rea. J\u00e1 chamei o Pantanal de d\u00e1diva geol\u00f3gica\u201d, informa Assine.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria geol\u00f3gica criou uma vasta extens\u00e3o de terra extremamente plana, com altitude m\u00e9dia de apenas 100 metros.<\/p>\n<p>E essa plan\u00edcie \u00e9 muito suscet\u00edvel ao que acontece no entorno, tanto na parte leste, no Planalto Maracaju, associado \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado, quanto na parte norte, no Planalto de Parecis, j\u00e1 na transi\u00e7\u00e3o para a Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os rios que descem das terras altas e trazem sedimentos para a plan\u00edcie s\u00e3o muito diferentes dos usuais.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o rios confinados em vales.<\/p>\n<p>Mas rios que se abrem, ramificam e distribuem suas \u00e1guas por meio de muitos rios menores ou riachos, que formam estruturas descendentes semelhantes a leques.<\/p>\n<p>Por serem vastas, essas estruturas s\u00e3o chamadas por Bergier e Assine de \u201cmegaleques\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs megaleques s\u00e3o sistemas de rios avulsivos, n\u00f4mades, que mudam constantemente de posi\u00e7\u00e3o. Em fun\u00e7\u00e3o disso, o Pantanal \u00e9 uma paisagem mutante e muito suscet\u00edvel a qualquer interfer\u00eancia antr\u00f3pica\u201d, sublinha Assine.<\/p>\n<p>\u201cEssas estruturas de megaleques s\u00e3o autossimilares, ou, melhor dizendo, autoafins. S\u00e3o formas parecidas que se repetem em v\u00e1rias escalas. Em nosso estudo, procuramos entender como essas formas se originam e como se repetem. H\u00e1 v\u00e1rios megaleques dentro da plan\u00edcie. O maior de todos \u00e9 o do rio Taquari, que tem uma descarga fluvial maior, espraiando mais sedimentos na plan\u00edcie e tomando conta do espa\u00e7o. Mas rios bem menores, como um chamado de Negro, exibem megaleques parecidos. Ent\u00e3o, o Pantanal se formou, ao longo de milh\u00f5es de anos, no contexto dessa competi\u00e7\u00e3o entre rios, que tem rela\u00e7\u00e3o com a quantidade de sedimentos gerada nos planaltos, e que produziu as funcionalidades observadas hoje, com lobos ativos, por onde as \u00e1guas dos rios se espraiam, e lobos abandonados, por onde as \u00e1guas j\u00e1 n\u00e3o fluem mais\u201d, explica Bergier (<i>veja a representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica desse sistema complexo na figura abaixo<\/i>).<\/p>\n<p>O rio Paraguai \u00e9 o escoadouro final, que capta toda a \u00e1gua que n\u00e3o evapora ou se infiltra no subsolo.<\/p>\n<p>Como a por\u00e7\u00e3o sul do Pantanal \u00e9 ainda um pouco mais baixa do que a por\u00e7\u00e3o norte, h\u00e1 um gradiente de altitude que faz com que o rio Paraguai flua lentamente para o sul, rumo \u00e0 bacia do Prata.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma enorme capta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do entorno, de \u00e1guas que v\u00eam dos planaltos, e a sa\u00edda \u00e9 dificultada por tr\u00eas gargalos que o Paraguai apresenta ao longo de seu curso no Pantanal. <span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Em nosso trabalho, mostramos como esses tr\u00eas gargalos limitam o escoamento da \u00e1gua, retardam o fluxo e provocam inunda\u00e7\u00f5es na parte sul. O fluxo \u00e9 t\u00e3o lento que, na \u00e1rea do Nabileque na por\u00e7\u00e3o sul, as maiores inunda\u00e7\u00f5es ocorrem s\u00f3 quatro a cinco meses depois das \u00e9pocas de maior precipita\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma coisa\u00a0<\/span><i style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">sui generis<\/i><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">\u201d, conta Assine.<\/span><\/p>\n<p>Desse modo, o Pantanal funciona como um grande reservat\u00f3rio de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Se chove muito, a quantidade de \u00e1gua que entra no sistema, na plan\u00edcie, \u00e9 muito maior do que a \u00e1gua que sai pelos rios.<\/p>\n<p>Essa \u00e1gua, ent\u00e3o, se acumula, fazendo subir o fre\u00e1tico geral da \u00e1rea, que fica inundada.<\/p>\n<p>Mas, se ocorre um ano de pouca chuva, a \u00e1gua passa a baixar.<\/p>\n<p>Outra coisa, tamb\u00e9m peculiar, \u00e9 que o Pantanal est\u00e1 em uma regi\u00e3o de d\u00e9ficit h\u00eddrico.<\/p>\n<p>A evapotranspira\u00e7\u00e3o \u00e9 maior do que a precipita\u00e7\u00e3o. Assim, a \u00e1gua se perde tamb\u00e9m para a atmosfera.<\/p>\n<p>Com isso, vai-se criando uma situa\u00e7\u00e3o em que o fre\u00e1tico geral, que \u00e9 o n\u00edvel de \u00e1guas em superf\u00edcie, se torna cada vez mais baixo.<\/p>\n<p>E as lagoas e rios come\u00e7am a secar.<\/p>\n<p>Esse sobe e desce, que j\u00e1 \u00e9 complicado por si mesmo, torna-se, evidentemente, mais complicado no contexto da crise clim\u00e1tica global, que tende a agudizar todos os eventos extremos, sejam chuvas, sejam secas.<\/p>\n<p>E mais complicado ainda quando a a\u00e7\u00e3o humana, quer desmatando as \u00e1reas de cerrado dos planaltos adjacentes, quer promovendo queimadas e desmatamentos no interior do pr\u00f3prio Pantanal, submete\u00a0todo o sistema a uma forte press\u00e3o.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7as aceleradas<\/h3>\n<p>Bergier e Assine trabalharam com a hidrologia para entender como as varia\u00e7\u00f5es nos ciclos de precipita\u00e7\u00e3o dispostas em s\u00e9ries por meio de indicadores da descarga fluvial do rio Paraguai, que \u00e9 o rio que capta toda a \u00e1gua, condicionam os per\u00edodos de menor ou maior seca no Pantanal, possibilitando assim prever que \u00e1reas v\u00e3o sofrer mais.<\/p>\n<p>As \u00e1reas mais altas s\u00e3o, evidentemente, aquelas em que o fre\u00e1tico desce mais depressa.<\/p>\n<p>S\u00e3o as que secam antes e ficam mais sujeitas a queimadas e outras intercorr\u00eancias.<\/p>\n<p>O lobo hoje ativo \u00e9 aquele que distribui areia na plan\u00edcie.<\/p>\n<p>Mas, como j\u00e1 foi dito, existem lobos que foram ativos no passado e hoje est\u00e3o abandonados pelo rio.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m podem abrigar \u00e1reas de mato seco, mais suscet\u00edveis a queimar.<\/p>\n<p>\u201cOs lobos distribuem a areia, os sedimentos, e isso vai entupindo o canal at\u00e9 se chegar a um estado cr\u00edtico, que os pantaneiros chamam de \u2018arrombamento das margens\u2019. O rio, ent\u00e3o, extravasa e espraia para, depois, se reconstruir outra vez. A cada ciclo plurianual de cheia, o rio se reconstr\u00f3i, remoldando a paisagem. Por isso, h\u00e1 trechos de vegeta\u00e7\u00e3o que, um dia, foram matas de galeria e j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais. Tentamos observar o Pantanal com esse olhar de complexidade, de estados cr\u00edticos, nos quais a partir de um determinado limiar o sistema muda abruptamente, para conjecturar como a paisagem pantaneira resultou dessas n\u00e3o linearidades. E como ela poder\u00e1 evoluir daqui para frente\u201d, comenta Bergier.<\/p>\n<p>O Pantanal \u00e9 geralmente pensado como um dos seis biomas brasileiros (ao lado da Floresta Amaz\u00f4nica, do Cerrado, da Caatinga, do Pampa e da Floresta Atl\u00e2ntica).<\/p>\n<p>Mas a ideia de bioma est\u00e1 associada \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 apenas isso.<\/p>\n<p>O Pantanal \u00e9, antes de tudo, essa entidade geol\u00f3gica peculiar, que se divide, cria espa\u00e7os e se transforma o tempo todo.<\/p>\n<p>Por exemplo, 30 anos atr\u00e1s, o Taquari descia para um lugar chamado Porto da Manga.<\/p>\n<p>Hoje, sua foz encontra-se dezenas de quil\u00f4metros ao norte.<\/p>\n<p>\u201cEssas mudan\u00e7as s\u00e3o naturais. Na escala de tempo longa, tais eventos s\u00e3o recorrentes. Mas a interfer\u00eancia antr\u00f3pica faz com que todos os processos sejam acelerados, afetando n\u00e3o apenas o meio ambiente, mas a pr\u00f3pria atividade econ\u00f4mica, como a pecu\u00e1ria, que \u00e9 a principal na regi\u00e3o. Isso, concomitantemente \u00e0 mudan\u00e7a do clima, que \u00e9 outro fator acelerador\u201d, sublinha Bergier.<\/p>\n<p>Com todos esses aspectos levados em conta, o estudo prop\u00f5e seis pilares que deveriam orientar um modelo de governan\u00e7a sustent\u00e1vel no Pantanal.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, considerar que as formas de relevo funcionais autoafins est\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, associadas a tipos predominantes de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Em segundo, que essas formas evoluem ao longo do tempo e que mudan\u00e7as ambientais sutis podem alterar substancialmente a natureza, a qualidade e a quantidade dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos prestados.<\/p>\n<p>Em terceiro, que as mudan\u00e7as e altera\u00e7\u00f5es se tornam dr\u00e1sticas em magnitude sempre que a descarga fluvial e o equil\u00edbrio da carga sedimentar se afastam do estado cr\u00edtico fluvial.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas combinadas com pr\u00e1ticas insustent\u00e1veis de uso da terra afastam o sistema de estados cr\u00edticos em escalas temporais mais curtas e em escalas espaciais maiores.<\/p>\n<p>Em quinto, que ferramentas de eco-hidrologia combinadas com sistemas integrados lavoura-pecu\u00e1ria-floresta podem mitigar os impactos antr\u00f3picos sobre a descarga fluvial e o equil\u00edbrio da carga sedimentar, enquanto contribuem positivamente para o sequestro de carbono atmosf\u00e9rico.<\/p>\n<p>Em sexto, por fim, que fatores externos, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, influenciam a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das formas de relevo funcionais do Pantanal em larga escala.<\/p>\n<p>Outros fatores externos, como a tect\u00f4nica, tamb\u00e9m podem desempenhar um papel e merecem investiga\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>O estudo em pauta foi apoiado pela FAPESP por meio do projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/87027\/mudancas-paleo-hidrologicas-cronologia-de-eventos-e-dinamica-sedimentar-no-quaternario-da-bacia-do-p\/?q=2014\/06889-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mudan\u00e7as paleo-hidrol\u00f3gicas, cronologia de eventos e din\u00e2mica sedimentar no quatern\u00e1rio da Bacia do Pantanal<\/a><\/strong>\u201d, conduzido por Assine.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Functional fluvial landforms of the Pantanal: Hydrologic trends and responses to climate changes<\/i>\u00a0pode ser acessado em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0895981122002644?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0895981122002644?via%3Dihub<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211;\u00a027 de setembro de 2022 Com 150 mil quil\u00f4metros quadrados, o Pantanal ocupa \u00e1rea equivalente a 1,8% do territ\u00f3rio nacional, estendendo-se pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 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