{"id":35135,"date":"2022-10-20T16:30:27","date_gmt":"2022-10-20T19:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=35135"},"modified":"2022-10-20T16:25:00","modified_gmt":"2022-10-20T19:25:00","slug":"programa-de-reflorestamento-do-rio-faz-35-anos-com-desafio-ampliar-atuacao-e-recompor-equipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/programa-de-reflorestamento-do-rio-faz-35-anos-com-desafio-ampliar-atuacao-e-recompor-equipe\/","title":{"rendered":"Programa de Reflorestamento do Rio faz 35 anos com desafio ampliar atua\u00e7\u00e3o e recompor equipe"},"content":{"rendered":"<div class=\"container-fluid pt-4 pt-md-5\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"text-center col-12 col-md-10 col-lg-8 offset-md-1 offset-lg-2\">\n<p class=\"mb-5 \">Por <a class=\"text-uppercase\" href=\"https:\/\/oeco.org.br\/author\/duda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-wpel-link=\"internal\">Duda Menegassi<\/a>\u00a0&#8211; Eco &#8211; 22 de novembro de 2021 &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em>A iniciativa, que j\u00e1 reflorestou mais de 3,4 mil hectares no munic\u00edpio do Rio de Janeiro, tem o desafio de garantir a manuten\u00e7\u00e3o das \u00e1reas reflorestadas e expandir atua\u00e7\u00e3o para novos locais. Encosta da Avenida Niemeyer durante plantio do Programa de Reflorestamento do Rio. Foto: Hudson Pontes\/Prefeitura do Rio<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"d-none d-lg-block col-md-2 col-lg-3 order-3\">\n<aside id=\"custom_html-15\" class=\"widget_text widget widget_custom_html\">\n<div class=\"textwidget custom-html-widget\">\n<form accept-charset=\"utf-8\" action=\"https:\/\/oeco.org.br\/sendy\/subscribe\" method=\"POST\"><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Em novembro de 1986, o Morro do S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio, na Pra\u00e7a Seca, zona oeste do munic\u00edpio do Rio de Janeiro, recebeu a primeira muda de Mata Atl\u00e2ntica. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Este plantio pioneiro, que se multiplicou em 14.725 mudas, 12 hectares e 5 anos de trabalho no morro, \u00e9 considerado o marco do que hoje \u00e9 reconhecido como Programa de Reflorestamento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Ao longo dos 35 anos da iniciativa, celebrados neste m\u00eas, as a\u00e7\u00f5es de reflorestamento se espalharam para outros morros da cidade e foram al\u00e9m das encostas, para \u00e1reas de restinga e manguezal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">De acordo com os dados da prefeitura do Rio, mais de 10 milh\u00f5es de mudas foram plantadas na recupera\u00e7\u00e3o de mais de 3,4 mil hectares.<\/span><\/p>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<p>Os resultados do Programa de Reflorestamento, tamb\u00e9m chamado Refloresta Rio, s\u00e3o vis\u00edveis por toda a cidade.<\/p>\n<p>Desde o cl\u00e1ssico exemplo do Morro Dois Irm\u00e3os, parque municipal e cart\u00e3o-postal visto por todo banhista nas praias de Ipanema e Leblon, at\u00e9 locais mais perif\u00e9ricos e distantes do circuito tur\u00edstico, como os bairros de Campo Grande \u2013 o recordista em quantidade de \u00e1rea reflorestada \u2013 Bangu, Jacarepagu\u00e1 e Realengo.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da prefeitura, h\u00e1 projetos de reflorestamento j\u00e1 implementados em 92 dos 162 bairros da cidade.<\/p>\n<p>O reflorestamento nasceu como uma estrat\u00e9gia para combater os problemas de deslizamento nas comunidades estabelecidas nas encostas dos morros.<\/p>\n<p>\u201cEra um prot\u00f3tipo do Favela Bairro\u201d, conta um dos engenheiros envolvidos no programa durante o evento de lan\u00e7amento da exposi\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio do programa que poder\u00e1 ser visitada no Forte de Copacabana at\u00e9 o dia 5 de dezembro de 2021.<\/p>\n<p>Os primeiros anos da iniciativa foram gestados dentro da extinta Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que coordenava mutir\u00f5es comunit\u00e1rios para realiza\u00e7\u00e3o de obras civis, como escadarias e at\u00e9 saneamento.<\/p>\n<p>Nesse bolo, entraram os mutir\u00f5es de reflorestamento, como uma obra, por assim dizer, baseada na pr\u00f3pria infraestrutura natural capaz de prevenir os deslizamentos e mitigar enchentes.<\/p>\n<p>\u00c9 desta \u00e9poca que forjou-se a alcunha de \u2018mutirantes\u2019 para designar os moradores das comunidades que eram \u2013 e ainda s\u00e3o \u2013 a principal m\u00e3o de obra das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, 15 mil pessoas, tamb\u00e9m chamadas de \u201ccolaboradores\u201d, j\u00e1 atuaram no programa.<\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na raiz de uma das vulnerabilidades do programa: a aus\u00eancia de um v\u00ednculo empregat\u00edcio com os mutirantes, o que os deixa suscet\u00edveis \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias de cada governo.<\/p>\n<p>Cada mutirante ganha uma bolsa-aux\u00edlio, num valor pr\u00f3ximo ao de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, entre R$ 1.200 e R$ 1.300 por m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cA prefeitura s\u00f3 teria duas formas de contratar o pessoal, uma \u00e9 concurso p\u00fablico, onde talvez a maioria das pessoas [<em>que atuam hoje no Programa<\/em>] n\u00e3o teria chance, porque muitas delas s\u00e3o inclusives analfabetas; e a outra \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o por empresa que, com o grau de informalidade que existe nesses locais, \u00e9 sempre dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A prefeitura n\u00e3o consegue contratar mesmo que seja uma cooperativa porque vai ter que ter uma licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples chegar l\u00e1 em quem mais precisa.<\/p>\n<p>E uma maneira de chegar mais r\u00e1pido em quem est\u00e1 nessa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecer uma bolsa\u201d, defende o engenheiro florestal Celso Junius, o primeiro coordenador do programa, quando este passou para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), em 1994.<\/p>\n<p>\u201cO nosso trabalho \u00e9 pioneiro porque al\u00e9m de ajudarmos e darmos uma renda, o cidad\u00e3o ainda d\u00e1 uma contrapartida para o Estado, quer dizer, traz um benef\u00edcio para a cidade tamb\u00e9m\u201d, acrescenta o engenheiro florestal.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35143\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2.jpg 925w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2-768x500.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_2-600x390.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O morro Nossa Senhora das Gra\u00e7as, na Ilha do Governador, em 2011. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35142\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"474\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3.jpg 1005w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3-300x178.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3-768x455.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_3-600x356.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Em 2019, o morro Nossa Senhora das Gra\u00e7as j\u00e1 parcialmente reflorestado. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<p>No in\u00edcio do ano, o contingenciamento imposto pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), para arrumar a casa deixada pelo antecessor, fez com que os mutirantes fossem reduzidos de 470 para 260, depois parcialmente recuperados, nos 301 colaboradores atuais, distribu\u00eddos por 66 \u00e1reas.<\/p>\n<p>No passado, o programa j\u00e1 operou com mais de mil mutirantes e uma m\u00e9dia de uma pessoa por hectare.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, afirma que apesar da diminui\u00e7\u00e3o da equipe do projeto, n\u00e3o houve nenhum fechamento de frente em 2021.<\/p>\n<p>\u201cA gente teve um reequil\u00edbrio de efetivo dentro do programa e tamb\u00e9m teve uma adequa\u00e7\u00e3o dessa frequ\u00eancia de trabalho que permitisse voc\u00ea manter a maior quantidade poss\u00edvel de pessoas, mesmo que trabalhando numa frequ\u00eancia menor, em frentes que voc\u00ea tinha uma condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica mais equilibrada\u201d, esclarece o secret\u00e1rio em entrevista com ((o))eco.<\/p>\n<p>\u201cE ainda assim houve uma recomposi\u00e7\u00e3o muito relevante de recursos com medidas compensat\u00f3rias, ent\u00e3o no saldo l\u00edquido, o programa se manteve com f\u00f4lego, se manteve caminhando\u201d, acrescenta Cavaliere. De acordo com a SMAC, mais de 100 mil mudas j\u00e1 foram plantadas em 2021.<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, para 2022 \u201ca previs\u00e3o \u00e9 aumentar em 20% o n\u00famero de mutirantes, superando os 350 agentes reflorestadores em campo, e em 20% os recursos de custeio do Refloresta Rio. O or\u00e7amento ainda n\u00e3o est\u00e1 fechado. A Secretaria reitera a import\u00e2ncia do programa, extremamente necess\u00e1rio para que a cidade cumpra com sua agenda de baixo carbono\u201d.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio conta ainda que para o pr\u00f3ximo ano, o planejamento \u00e9 diminuir a necessidade de manuten\u00e7\u00e3o onde a floresta j\u00e1 se sustenta sozinha, para poder investir no reflorestamento de novas \u00e1reas (veja a entrevista completa de ((o))eco com o secret\u00e1rio Eduardo Cavaliere no final desta reportagem).<\/p>\n<p>\u201cHoje o mutir\u00e3o tem se dedicado quase que exclusivamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e com a previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de investimento, de or\u00e7amento p\u00fablico, a ideia \u00e9 que a gente consiga impor, principalmente nessas mega \u00e1reas, uma quantidade de energia, de recurso, de esfor\u00e7o que seja o suficiente para implantar \u00e1reas de reflorestamento e n\u00e3o s\u00f3 de manter. Acho que essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a de paradigma que a cidade est\u00e1 se planejando para alcan\u00e7ar nos pr\u00f3ximos anos. Quanto maior foi o trabalho nos \u00faltimos 35 anos, maior\u00a0 a quantidade de \u00e1reas a serem mantidas e o mutir\u00e3o conseguiu dar conta disso, at\u00e9 hoje d\u00e1 conta disso. Mas esse passivo, vamos dizer assim, de manuten\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o pode ser t\u00e3o grande que dificulte a cidade a continuar expandindo e continuar indo para novas \u00e1reas\u201d, indica Cavaliere.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, o projeto possui ciclos de 10 a 12 anos de atua\u00e7\u00e3o por \u00e1rea, mas o c\u00e1lculo do tempo de manuten\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio em uma \u00e1rea reflorestada n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio, tampouco leva em considera\u00e7\u00e3o apenas as vari\u00e1veis ecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Entram na equa\u00e7\u00e3o tanto o lado de apoio financeiro dado aos colaboradores da comunidade, quanto a import\u00e2ncia de manter a presen\u00e7a para inibir a reocupa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es educativas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a do tr\u00e1fico ou da mil\u00edcia tamb\u00e9m entra como poss\u00edvel fator complicante.<\/p>\n<p>\u201cTem \u00e1reas que estamos h\u00e1 20 anos porque a presen\u00e7a [<em>do programa<\/em>] inibe a reocupa\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u201d, Luiz Louren\u00e7o, mais conhecido como Chacal, gerente do programa de reflorestamento.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente sai de uma \u00e1rea, \u00e9 dif\u00edcil voltar para ela. Por isso, [<em>com o corte<\/em>] fechamos poucas \u00e1reas e diminu\u00edmos as equipes, para tentar garantir essa presen\u00e7a, na expectativa de voltar e, enquanto isso, garantir alguma coisa\u201d, continua o gerente.<\/p>\n<p>A geografia da cidade tamb\u00e9m imp\u00f5e desafios distintos.<\/p>\n<p>Na face sul do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_da_Tijuca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Parque Nacional da Tijuca<\/a>, que est\u00e1 de frente para o mar e recebe mais umidade, os plantios d\u00e3o frutos r\u00e1pido.<\/p>\n<p>J\u00e1 na face norte, mais seca, as mudas enfrentam condi\u00e7\u00f5es mais duras, al\u00e9m da amea\u00e7a frequente de inc\u00eandios \u2013 inclusive aqueles criminosos, iniciados por bal\u00f5es, e que podem consumir uma \u00e1rea inteira de replantio.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns lugares, o solo \u00e9 raso e, em outros, como no entorno da Pedra Branca, voc\u00ea tem a presen\u00e7a de animais de cria\u00e7\u00e3o que podem entrar e pisotear as mudas\u201d, descreve Chacal.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35141\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"458\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4.jpg 923w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4-768x440.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_4-600x344.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em> morro da Babil\u00f4nia, na zona sul do Rio, em 1996. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35140\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5.jpg 851w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5-300x165.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5-768x423.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_5-600x331.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>O morro da Babil\u00f4nia reflorestado em 2019. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong style=\"color: var(--wpex-heading-color); font-size: var(--wpex-text-xl); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Alian\u00e7a pelo reflorestamento<\/strong><\/p>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<p>As metas do Programa de Reflorestamento misturam objetivos sociais e ambientais que v\u00e3o desde a restaura\u00e7\u00e3o de ambientes naturais degradados e a redu\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais, \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da oferta de trabalho em \u00e1reas de baixa renda.<\/p>\n<p>Nas encostas do Morro da Babil\u00f4nia, entre Botafogo e Leme, est\u00e1 um dos exemplos bem-sucedidos do programa.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do trabalho, voc\u00ea tem gera\u00e7\u00e3o de renda, melhora de qualidade de vida, traz movimento de turismo, previne deslizamento\u2026 e as pessoas passam a ter um outro olhar. Voc\u00ea abra\u00e7a aquela regi\u00e3o\u201d, conta, em tom orgulhoso, Carlos Ant\u00f4nio, mais conhecido como Pal\u00f4, presidente da Coopbabil\u00f4nia.<\/p>\n<p>O reflorestamento nas encostas do Morro da Babil\u00f4nia come\u00e7ou em 1995, no mesmo formato dos mutir\u00f5es, mas o cen\u00e1rio mudou em 2001, quando o grupo que administra o shopping Rio Sul assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometeu com o reflorestamento.<\/p>\n<p>Para atender \u00e0 demanda, os moradores da comunidade se organizaram e formaram uma cooperativa, a Coopbabil\u00f4nia, que at\u00e9 hoje renova anualmente o contrato com o shopping, que adotou a \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cHoje temos uma equipe de 30 pessoas, s\u00f3 um n\u00e3o \u00e9 da Babil\u00f4nia. E cada cooperado tem uma parte e o Rio Sul contrata a empresa e nos paga uma m\u00e9dia de 70 a 80 mil reais por m\u00eas, redistribu\u00eddos entre os cooperados. E a cooperativa foi criada justamente para suprir algumas das lacunas trabalhistas, porque na cooperativa tem regras mais r\u00edgidas\u201d, conta Pal\u00f4.<\/p>\n<p>Apesar da remunera\u00e7\u00e3o ser feita pelo Rio Sul, a iniciativa ainda conta com o apoio da prefeitura para ceder as mudas e fiscalizar a \u00e1rea.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 respons\u00e1vel pelo plantio e manuten\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de cerca de 60 hectares, conforme conta Pal\u00f4, que inclui a Pedra do Leme, Pedra do Urubu, Pedra da Babil\u00f4nia e o Morro de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os plantios do Programa de Reflorestamento s\u00e3o abastecidos com mudas que v\u00eam de cinco viveiros mantidos pela prefeitura.<\/p>\n<p>De acordo com levantamento da SMAC, foram plantadas 273 esp\u00e9cies nas \u00e1reas reflorestadas, entre elas esp\u00e9cies amea\u00e7adas como o palmito-ju\u00e7ara (<em>Euterpe edulis<\/em>), a garapa (<em>Apuleia leiocarpa<\/em>), o jequitib\u00e1-a\u00e7u (<em>Cariniana ianeirensis<\/em>) e a araticum (<em>Annona dolabripetala<\/em>).<\/p>\n<p>Inicialmente focado nas encostas e morros, em 1995, o programa promoveu a inclus\u00e3o dos manguezais e, em 2001, das \u00e1reas de restinga.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria entre a Coopbabil\u00f4nia e o Rio Sul ilustra como as empresas podem ser aliadas da recupera\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-ambiental.<\/p>\n<p>Desde 2011, o Programa de Reflorestamento conta com um bra\u00e7o, batizado de Rio Verde Novo, voltado para empresas que, como medida de compensa\u00e7\u00e3o ambiental ou para obter isen\u00e7\u00e3o fiscal, podem somar esfor\u00e7os, alternativas e recursos para reflorestar a cidade.<\/p>\n<p>Desde 2019, as duas facetas do programa, dos mutirantes e das empresas, juntaram-se sob o t\u00edtulo \u00fanico de Refloresta Rio.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos quatro anos, a cidade viveu um cen\u00e1rio de aus\u00eancia de autoridade ambiental. E a gente teve muita preocupa\u00e7\u00e3o com a retomada da autoridade, do planejamento dos investimentos em frentes de reflorestamento e de manuten\u00e7\u00e3o, e a gente fez isso de forma muito precisa. Tem uma s\u00e9rie de \u00e1reas que foram mantidas ou implantadas durante o ano de 2021 com recursos de medida compensat\u00f3ria que em vez de sa\u00edrem no varejo, passaram a sair com um planejamento, com projeto, com indicadores, dentro do plano mais ambicioso da cidade de reflorestar mega \u00e1reas at\u00e9 2030 e depois de 2050\u201d, avalia o secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere.<\/p>\n<p>De forma un\u00e2nime, todos os envolvidos no Programa de Reflorestamento concordam que o segredo para o sucesso da iniciativa est\u00e1 na continuidade. \u201cTemos o m\u00e9rito de ser um projeto institucional, entra governo e sai governo, ele continua\u201d, resume o gerente do Programa de Reflorestamento.<\/p>\n<h3><strong>Com a palavra, o secret\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p>Durante o evento de inaugura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o sobre os 35 anos do Programa de Reflorestamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (16), no Forte de Copacabana, ((o))eco teve a oportunidade de conversar com o secret\u00e1rio, Eduardo Cavaliere. Confira a entrevista completa:<\/p>\n<h4><strong>Como voc\u00ea avalia a aus\u00eancia de um v\u00ednculo empregat\u00edcio com os mutirantes?<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Eduardo Cavaliere:<\/strong>\u00a0J\u00e1 s\u00e3o 35 anos com todas as chancelas dos tribunais de trabalho, das inst\u00e2ncias de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle, seja do munic\u00edpio, do estado, federais, que resguardam e premiam uma iniciativa dentro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica que foi muito inovadora, 35 anos atr\u00e1s, e vem se validando e cada vez mais se aprimorando. \u00c9 importante a gente ter a consci\u00eancia do que significa voc\u00ea ofertar oportunidades de trabalho muitas vezes em ambientes de conflito, em ambientes de muita vulnerabilidade e muita informalidade. A gente est\u00e1 falando de atua\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas com maior vulnerabilidade da cidade do Rio de Janeiro, que s\u00e3o amparadas pelo programa de reflorestamento.<\/p>\n<p>Para deixar muito claro, n\u00e3o houve nenhum fechamento de frente em 2021. A gente teve um reequil\u00edbrio de efetivo dentro do programa e tamb\u00e9m teve uma adequa\u00e7\u00e3o dessa frequ\u00eancia de trabalho que permitisse voc\u00ea manter a maior quantidade poss\u00edvel de pessoas, mesmo que trabalhando numa frequ\u00eancia menor, em frentes que voc\u00ea tinha uma condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica mais equilibrada.<\/p>\n<p>E ainda assim houve uma recomposi\u00e7\u00e3o muito relevante de recursos com medidas compensat\u00f3rias ent\u00e3o no saldo l\u00edquido, o programa se manteve com f\u00f4lego, se manteve caminhando. Agora, \u00e9 nessa dire\u00e7\u00e3o que a gente quer dar um salto.<\/p>\n<h4><strong>Sobre as medidas compensat\u00f3rias, qual a participa\u00e7\u00e3o disso hoje no programa de reflorestamento e a perspectiva dessa vertente?<\/strong><\/h4>\n<p>As medidas compensat\u00f3rias s\u00e3o bem diferentes do que \u00e9 o or\u00e7amento. As medidas compensat\u00f3rias s\u00e3o uma fonte de recursos que nascem exatamente do eventual dano ou reparo ou formalidade na legisla\u00e7\u00e3o urban\u00edstica e ambiental que imp\u00f5e essa contrapartida. Elas s\u00e3o, como o pr\u00f3prio nome diz, compensa\u00e7\u00f5es ambientais. O que a gente est\u00e1 tentando fazer pros pr\u00f3ximos anos, porque acho que esse \u00e9 o planejamento da cidade, \u00e9 permitir que o or\u00e7amento p\u00fablico, a partir do sistema de mutir\u00e3o e a partir dos sistemas de contrata\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, tenha um pouco mais de ambi\u00e7\u00e3o nessas mega \u00e1reas da cidade, que precisam ser reflorestadas, para que voc\u00ea consiga permitir que o programa volte a ampliar e implantar novas \u00e1reas. Acho que esse \u00e9 o grande desafio da cidade nos pr\u00f3ximos anos no Programa de Mutir\u00e3o de Reflorestamento.<\/p>\n<p>Hoje o mutir\u00e3o tem se dedicado quase que exclusivamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e com a previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de investimento, de or\u00e7amento p\u00fablico, a ideia \u00e9 que a gente consiga impor, principalmente nessas mega \u00e1reas, uma quantidade de energia, de recurso, de esfor\u00e7o que seja o suficiente para implantar \u00e1reas de reflorestamento e n\u00e3o s\u00f3 manter. Acho que essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a de paradigma que a cidade est\u00e1 se planejando para alcan\u00e7ar nos pr\u00f3ximos anos. Quanto maior foi o trabalho nos \u00faltimos 30 anos, maior a quantidade de \u00e1reas a serem mantidas e o mutir\u00e3o conseguiu dar conta disso, at\u00e9 hoje d\u00e1 conta disso. Mas esse passivo, vamos dizer assim, de manuten\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o pode ser t\u00e3o grande que dificulte a cidade a continuar expandindo e continuar indo para novas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos 35 anos do reflorestamento da cidade provavelmente v\u00e3o estar em algum lugar entre essas grandes contrata\u00e7\u00f5es para mega \u00e1reas, para voc\u00ea conseguir pelo menos dar um passo inicial, estruturar e iniciar alguns desses grandes trabalhos de reflorestamento que est\u00e3o por vir, junto com o modelo super bem-sucedido, reconhecido e chancelado do Mutir\u00e3o de Reflorestamento na parte de manuten\u00e7\u00e3o e aumento da qualidade. Acho que esse \u00e9 mais ou menos o paradigma para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35139\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6.jpg 848w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6-768x437.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_6-600x341.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Praia da Reserva em 2002. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35138\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7.jpg 906w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7-768x441.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_7-600x344.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Restinga recuperada na praia, em 2019. Foto: Refloresta Rio<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<h4><strong>E parte dessas novas \u00e1reas s\u00e3o justamente desse esfor\u00e7o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo tamb\u00e9m de regulariza\u00e7\u00e3o ambiental, de desocupar \u00e1reas ocupadas ilegalmente?<\/strong><\/h4>\n<p>Exatamente. Essas mega \u00e1reas est\u00e3o exatamente na \u00e1rea da cidade que tem mais sofrido com a expans\u00e3o imobili\u00e1ria que \u00e9 a AP-5 [<em>\u00c1rea de Planejamento 5<\/em>], Campo Grande, Sepetiba, maci\u00e7o de Gericin\u00f3, Guaratiba. Toda a franja do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Estadual_da_Pedra_Branca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Parque Estadual da Pedra Branca<\/a>\u00a0que pega a AP-4 e a AP-5\u2026 enfim, voc\u00ea tem a\u00ed o desafio de \u00e1rea, de dimens\u00e3o da cidade, que a gente precisa de refor\u00e7o, digamos assim. A gente tem contado muito com o apoio das for\u00e7as policiais. Por exemplo, no maci\u00e7o Gericin\u00f3, a gente precisa fazer isso em parceria com o Ex\u00e9rcito e com a Aeron\u00e1utica, que s\u00e3o for\u00e7as da Uni\u00e3o que est\u00e3o presencialmente, fisicamente nesse corredor Gericin\u00f3-Mendanha. Ent\u00e3o a gente pretende voltar com os acordos de coopera\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muitos anos j\u00e1 existiram, principalmente com o Ex\u00e9rcito, para poder, eventualmente at\u00e9 usar a for\u00e7a de trabalho dos jovens recrutas em apoio ao reflorestamento de grandes \u00e1reas. Esse \u00e9 o desafio da cidade.<\/p>\n<p>Aqui na Zona Sul do Rio de Janeiro, por exemplo, s\u00e3o \u00e1reas menores, mas muito verticalizadas, muito impactadas por uma antropiza\u00e7\u00e3o acelerada, com tr\u00e1fico, com esses desafios urbanos caracter\u00edsticos, mas com \u00e1reas menores. Na Zona Oeste, a gente est\u00e1 falando de \u00e1reas imensas, muito vastas, que v\u00e3o precisar mesmo de for\u00e7a f\u00edsica do Ex\u00e9rcito, da Aeron\u00e1utica e de muito recurso or\u00e7ament\u00e1rio para a gente poder fazer acontecer. E depois, l\u00e1 na frente, para manter.<\/p>\n<h4><strong>Quais os desafios de fazer essa manuten\u00e7\u00e3o, especialmente em \u00e1reas de conflito?<\/strong><\/h4>\n<p>O que os pr\u00f3prios engenheiros e t\u00e9cnicos da prefeitura est\u00e3o apontando \u2013 e nesse pr\u00f3ximo ciclo de dez anos a gente est\u00e1 se planejando para isso \u2013 \u00e9 a gente definir muito claramente o que \u00e9 uma \u00e1rea consolidada de reflorestamento. Uma \u00e1rea que tem uma necessidade menor de manuten\u00e7\u00e3o, que a gente pode eventualmente criar frentes itinerantes ou usar recursos de or\u00e7amento e contratos para fazer manuten\u00e7\u00f5es itinerantes, com uma recorr\u00eancia menor, mas que voc\u00ea n\u00e3o precise da presen\u00e7a constante de uma frente de reflorestamento depois de um determinado ponto. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o ponto \u00f3timo de consolida\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas em que a pr\u00f3pria natureza vai dar conta e se manter sozinha?<\/p>\n<p>A gente est\u00e1 se planejando para no pr\u00f3ximo ano j\u00e1, fazermos inaugura\u00e7\u00f5es ou lan\u00e7amentos de \u00e1reas reflorestadas para indicar isso, para a gente poder sinalizar para a cidade e tamb\u00e9m internamente para o nosso planejamento de recursos, o que \u00e9 uma \u00e1rea reflorestada entregue. Claro que a obra florestal \u00e9 totalmente diferente da obra civil, mas a gente pode identificar indicadores claros, metas claras, do que \u00e9 uma \u00e1rea consolidada, para que voc\u00ea tenha uma seguran\u00e7a maior de que ela pode ser considerada uma \u00e1rea reflorestada. E a\u00ed eventuais perdas ou outras situa\u00e7\u00f5es, elas t\u00eam um potencial de impacto muito menor.<\/p>\n<p>O programa continuou na manuten\u00e7\u00e3o e principalmente na implanta\u00e7\u00e3o de \u00e1reas que a gente avaliou como mais priorit\u00e1rias ou de risco. O Taquaral, na Vila Alian\u00e7a, foi um exemplo. O que aconteceu ali foi uma situa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio completo dos traficantes naquele ponto, que decidiram come\u00e7ar um condom\u00ednio, alguma coisa assim, e a gente foi muito duro e imediatamente conseguimos estabelecer, inclusive com moradores, uma agenda de que era importante que aquele reflorestamento fosse retomado. E os pr\u00f3prios moradores se mobilizaram para, junto com a Secretaria de Meio Ambiente, reflorestar aquela \u00e1rea. Isso \u00e9 uma sinaliza\u00e7\u00e3o muito importante de f\u00f4lego, de for\u00e7a do programa e dessa combina\u00e7\u00e3o da defesa ambiental muito dura, de voc\u00ea ter credibilidade na cidade para voc\u00ea ter o entendimento da sociedade de que h\u00e1 uma autoridade ambiental.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos, a cidade viveu um cen\u00e1rio de aus\u00eancia de autoridade ambiental. E a gente teve muita preocupa\u00e7\u00e3o com a retomada da autoridade, do planejamento dos investimentos em frentes de reflorestamento e de manuten\u00e7\u00e3o, e a gente fez isso de forma muito precisa. Tem uma s\u00e9rie de \u00e1reas que foram mantidas ou implantadas durante o ano de 2021 com recursos de medida compensat\u00f3ria que, em vez de sa\u00edrem no varejo, passaram a sair com um planejamento, com projeto, com indicadores, dentro do plano da cidade mais ambicioso de reflorestar mega \u00e1reas at\u00e9 2030 e depois de 2050.<\/p>\n<h4><strong>Essa lacuna do \u00faltimo governo tamb\u00e9m foi muito sentida nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o municipais. Isso tamb\u00e9m tem sido pensado, para recuperar a gest\u00e3o dessas \u00e1reas?<\/strong><\/h4>\n<p>Sem d\u00favida. A come\u00e7ar por uma muito pertinho da gente. O Parque da Cidade, na \u00faltima gest\u00e3o, foi praticamente entregue ao dom\u00ednio de grupos criminosos paralelos ali daquela regi\u00e3o, que impuseram aos moradores e aos frequentadores do parque a percep\u00e7\u00e3o de que aquele parque n\u00e3o pertencia mais \u00e0 prefeitura do Rio. E a gente, de forma muito corajosa, eu diria, logo no come\u00e7o da gest\u00e3o, conseguiu retomar a rela\u00e7\u00e3o de um parque hist\u00f3rico, important\u00edssimo para a cidade, para que ele tivesse novamente gest\u00e3o municipal, uma gest\u00e3o ampla, efetiva; com a reabertura do museu; e a volta de frequentadores num volume absurdo no Parque da Cidade. O parque tinha ficado abandonado, tinha deixado de existir no mapa de visita\u00e7\u00f5es dos moradores da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-35137\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8.jpg 844w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8-300x182.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8-768x465.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Rio-e-o-reflorestamento_8-600x363.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Parque da Cidade, uma das unidades de conserva\u00e7\u00e3o municipais do Rio. Foto: Trilha Transcarioca<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">As unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o instrumentos importantes de defesa ambiental e eles est\u00e3o alinhados tanto com a nossa pol\u00edtica de defesa ambiental, como com a pol\u00edtica de reflorestamento. E eu digo isso de forma muito concreta, em termos de gest\u00e3o, a gente criou um \u00f3rg\u00e3o especializado de defesa ambiental al\u00e9m da patrulha, al\u00e9m da fiscaliza\u00e7\u00e3o rotineira, um \u00f3rg\u00e3o de planejamento de a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e efetivas de defesa ambiental. E a mesma coisa nas \u00e1reas verdes, a gente criou duas novas \u00e1reas, uma de planejamento e uma dedicada aos instrumentos de gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Isso permite, obviamente, que a gente n\u00e3o s\u00f3 d\u00ea suporte ao plano de reflorestamento, mas tamb\u00e9m consiga orientar no planejamento da cidade, sobre o eixo da pol\u00edtica ambiental, uma dire\u00e7\u00e3o muito mais clara.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"content\" class=\"\">\n<div class=\"container-fluid pb-5\">\n<div class=\"row mb-5\">\n<div class=\"col-12 col-sm-10 col-md-8 col-lg-6 offset-sm-1 offset-md-0 order-2\">\n<div class=\"article\">\n<p>Eu acho que \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o disso que a gente consegue finalizar o ano de 2021 com um planejamento estrat\u00e9gico para os pr\u00f3ximos quatro anos, com o Plano de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica para os pr\u00f3ximos dez, que indica claramente quais ser\u00e3o as novas florestas implantadas na cidade. Quais s\u00e3o as unidades de conserva\u00e7\u00e3o que v\u00e3o contar com maior dedica\u00e7\u00e3o em termos de gest\u00e3o e planejamento da cidade do Rio de Janeiro. N\u00f3s criamos uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o, a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Sert\u00e3o Carioca, em que o prefeito consegue oferecer uma vis\u00e3o ambiental muito clara para a regi\u00e3o das Vargens e do Recreio dos Bandeirantes.<\/p>\n<h4><strong>E agora vem o Ref\u00fagio de Vida Silvestre do Camboat\u00e1.<\/strong><\/h4>\n<p>Tamb\u00e9m demos todo o apoio, com a formaliza\u00e7\u00e3o do pedido de arquivamento da constru\u00e7\u00e3o do aut\u00f3dromo [<em>na Floresta do Camboat\u00e1<\/em>]. Fizemos o projeto em conjunto com a C\u00e2mara de Vereadores,\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/noticias\/vereadores-aprovam-projeto-que-protege-a-floresta-do-camboata\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-wpel-link=\"internal\">que aprovou uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica de 43 votos a zero<\/a>. Lembrando, um projeto que o presidente do Brasil, h\u00e1 um ano e meio disse que tinha 99% de chance de acontecer. O prefeito assumiu um compromisso. A gente com toda a press\u00e3o que um projeto como esse envolve, a gente cancela o processo de constru\u00e7\u00e3o do aut\u00f3dromo,\u00a0 constr\u00f3i com a C\u00e2mara de Vereadores, para dar legitimidade popular ao projeto, que era um projeto muito pol\u00eamico, ent\u00e3o precisava n\u00e3o s\u00f3 de suporte t\u00e9cnico, mas da legitimidade popular junto com a C\u00e2mara de Vereadores. Porque a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o ambiental permite que seja direto por decreto, mas nesse caso, especificamente, a gente entendeu que era importante e tem 12 coautores no projeto de lei. A C\u00e2mara aprova isso e vai pro prefeito sancionar, assim que chegar na m\u00e3o dele vai ser sancionado e vai ser tamb\u00e9m formalizado por decreto, como recomenda o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 fruto dessa vis\u00e3o de planejamento ambiental que combina defesa ambiental, combina planejamento das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, o uso dos instrumentos de gest\u00e3o ambiental, como uma forma de defender e restaurar o meio ambiente e isso tudo dando suporte e for\u00e7a para o Programa de Reflorestamento seguir de forma planejada, de forma pensada, com mais crit\u00e9rio nos pr\u00f3ximos quatro, dez anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Duda Menegassi\u00a0&#8211; Eco &#8211; 22 de novembro de 2021 &#8211; A iniciativa, que j\u00e1 reflorestou mais de 3,4 mil hectares no munic\u00edpio do Rio de Janeiro, tem o desafio de garantir a manuten\u00e7\u00e3o das \u00e1reas reflorestadas e expandir atua\u00e7\u00e3o para novos locais. 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