{"id":362,"date":"2007-08-06T09:30:10","date_gmt":"2007-08-06T12:30:10","guid":{"rendered":"http:\/\/funverde.wordpress.com\/2007\/08\/06\/uma-terra-sem-humanos\/"},"modified":"2007-08-06T09:30:10","modified_gmt":"2007-08-06T12:30:10","slug":"uma-terra-sem-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/uma-terra-sem-humanos\/","title":{"rendered":"Uma Terra sem humanos"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 vou avisando que o texto \u00e9 longo, mas importante para reflex\u00e3o. Ent\u00e3o quem s\u00f3 gosta de ler gibi, n\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm1.static.flickr.com\/63\/223186337_11e7b50895.jpg?v=0\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>por <a title=\"Link para fotos de Mike Gorton\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/36784496@N00\/\"><strong><span style=\"color:#0063dc;\">Mike Gorton<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><span style=\"color:#008000;\">Scientific American Brasil de agosto de 2007<\/span><span style=\"color:#008000;\">Uma nova forma de avaliar o impacto da humanidade sobre o ambiente \u00e9 pensar como o mundo se sairia se todas as pessoas desaparecessem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\"><font color=\"#008000\">\u00a0<\/p>\n<p><\/font><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">por Alan Weisman<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Entrevista com ALAN WEISMAN<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">INTRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00c9 uma fantasia comum imaginar que voc\u00ea \u00e9 a \u00faltima pessoa viva na Terra. Mas e se todos os seres humanos fossem varridos de repente do planeta? Tal premissa \u00e9 o ponto de partida de The world without us (O mundo sem n\u00f3s), nova obra do autor de livros cient\u00edficos Alan Weisman, professor associado de jornalismo da University of Arizona. Nesse longo exerc\u00edcio de pensamento, Weisman n\u00e3o especifica exatamente o que elimina o Homo sapiens, em vez disso ele simplesmente assume o desaparecimento repentino de nossa esp\u00e9cie e projeta a seq\u00fc\u00eancia de eventos que provavelmente ocorreria nos anos, d\u00e9cadas e s\u00e9culos a seguir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Segundo Weisman, uma grande parte de nossa infra-estrutura f\u00edsica come\u00e7aria a ruir quase que imediatamente. Sem equipes para a manuten\u00e7\u00e3o das ruas, nossos grandes bulevares e rodovias come\u00e7ariam a rachar e a ficar abaulados em quest\u00e3o de meses. Nas d\u00e9cadas seguintes, muitas casas e edif\u00edcios comerciais ruiriam, mas alguns itens comuns resistiriam \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o por um tempo extraordinariamente longo. Panelas de a\u00e7o inoxid\u00e1vel, por exemplo, poderiam durar mil\u00eanios, especialmente se ficassem enterradas nos s\u00edtios pr\u00e9-hist\u00f3ricos cobertos por ervas daninhas em que nossas cozinhas se transformariam. E certos pl\u00e1sticos comuns permaneceriam intactos por centenas de milhares de anos, n\u00e3o se decompondo at\u00e9 que micr\u00f3bios evolu\u00edssem para adquirir a capacidade de consumi-los.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">O editor da SCIENTIFIC AMERICAN Steve Mirsky entrevistou Weisman recentemente para descobrir por que ele escreveu o livro e que li\u00e7\u00f5es podem ser tiradas de sua pesquisa. Veja trechos da entrevista nas p\u00e1ginas seguintes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">DE VOLTA \u00c0 NATUREZA: Se todos os seres humanos desaparecessem, Manhattan voltaria a ser uma ilha florestada. Muitos arranha-c\u00e9us cairiam em quest\u00e3o de d\u00e9cadas, minados por funda\u00e7\u00f5es alagadas; pr\u00e9dios de pedra como a catedral de Saint Patrick (na representa\u00e7\u00e3o do artista) sobreviveriam por mais tempo. Ervas daninhas e \u00e1rvores se enraizariam no asfalto rachado, enquanto aves de rapina se aninhariam nas ru\u00ednas e raposas perambulariam pelas ruas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Se os seres humanos desaparecessem amanh\u00e3, o magn\u00edfico horizonte de Manhattan n\u00e3o sobreviveria por muito mais tempo. Weisman descreve como a floresta de concreto de Nova York voltaria a ser uma floresta real.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u201cO que aconteceria a todas as nossas coisas se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos mais aqui? Ser\u00e1 que a natureza conseguiria eliminar todos os nossos vest\u00edgios? H\u00e1 alguma coisa que fizemos que seja indestrut\u00edvel ou indel\u00e9vel? Ser\u00e1 que, por exemplo, a natureza transformaria a cidade de Nova York na floresta que a ocupava quando Henry Hudson a viu pela primeira vez, em 1609?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Tive uma conversa fascinante com engenheiros e profissionais de manuten\u00e7\u00e3o em Nova York sobre o que seria necess\u00e1rio para conter a natureza. Descobri que nossa infra-estrutura imensa, imponente e opressiva, que parece t\u00e3o indestrut\u00edvel, \u00e9 na verdade bastante fr\u00e1gil e continua existindo e funcionando gra\u00e7as aos poucos seres humanos dos quais todos n\u00f3s realmente dependemos. O nome Manhattan vem de um termo ind\u00edgena que se refere a colinas. Ela era uma ilha cheia de morros. A regi\u00e3o acabou aplanada para receber a grade de ruas. Ao redor das colinas costumavam fluir cerca de 40 ribeir\u00f5es diferentes e havia v\u00e1rias nascentes por toda a ilha. O que aconteceu a toda aquela \u00e1gua? A quantidade de chuvas ainda \u00e9 praticamente a mesma, mas hoje a \u00e1gua est\u00e1 dominada. No subterr\u00e2neo. Parte da \u00e1gua escorre pelo sistema de drenagem, mas ele nunca \u00e9 t\u00e3o eficiente quanto a natureza. Assim, h\u00e1 muita \u00e1gua correndo no subsolo, tentando sair. Mesmo em um dia claro e ensolarado, as pessoas respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 em Manhattan precisam bombear 49 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua para fora, ou os t\u00faneis inundariam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">H\u00e1 lugares em Manhattan onde eles lutam o tempo todo contra o afloramento de rios subterr\u00e2neos que corroem os trilhos. Nas salas de bombeamento voc\u00ea v\u00ea uma quantidade enorme de \u00e1gua jorrando. E l\u00e1 embaixo, em uma pequena caixa, est\u00e3o as bombas que levam a \u00e1gua embora. Mas se os seres humanos desaparecessem amanh\u00e3, uma das primeiras coisas a ocorrer seria o desligamento da eletricidade. Nossa energia el\u00e9trica vem em grande parte de usinas nucleares ou movidas a carv\u00e3o, que t\u00eam chaves de seguran\u00e7a autom\u00e1ticas para garantir que n\u00e3o saiam do controle no caso de ningu\u00e9m estar monitorando o sistema. Assim que a energia el\u00e9trica fosse cortada, as bombas deixariam de funcionar, e os t\u00faneis do metr\u00f4 come\u00e7ariam a se encher de \u00e1gua. Em 48 horas haveria muitas inunda\u00e7\u00f5es em Nova York, algumas delas vis\u00edveis na superf\u00edcie. Poderia acontecer transbordamento das bocas-de-lobo. Elas ficariam rapidamente entupidas com detritos \u2013 para come\u00e7ar, com os in\u00fameros sacos pl\u00e1sticos que o vento sopraria pela cidade e, mais tarde, como ningu\u00e9m apararia a vegeta\u00e7\u00e3o dos parques nem recolheria a vegeta\u00e7\u00e3o seca, com o ac\u00famulo de folhas e material org\u00e2nico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Mas o que aconteceria no subsolo? Corros\u00e3o. Pense nas linhas de metr\u00f4 abaixo das avenidas. Enquanto espera pelo trem, observe aquelas colunas de a\u00e7o que sustentam o teto, que na verdade \u00e9 a rua. Tudo come\u00e7aria a sofrer corros\u00e3o e, ao final, ruiriam. Ap\u00f3s algum tempo surgiriam crateras nas ruas \u2013 possivelmente em apenas duas d\u00e9cadas. E em pouco tempo algumas ruas voltariam a ser os riachos de superf\u00edcie que existiam em Manhattan antes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Muitos dos pr\u00e9dios em Manhattan est\u00e3o apoiados sobre leito rochoso. Mas mesmo se contarem com vigas de a\u00e7o na funda\u00e7\u00e3o, essas estruturas n\u00e3o foram projetadas para ficar submersas o tempo todo. Assim, tamb\u00e9m os pr\u00e9dios come\u00e7ariam a ruir. E como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deve causar eventos mais extremos, com mais furac\u00f5es atingindo a costa leste, a queda de um pr\u00e9dio, num desses eventos, derrubaria mais alguns, criando uma clareira. Essas clareiras receberiam sementes de plantas lan\u00e7adas pelo vento, e estas se estabeleceriam nas fendas do asfalto. As clareiras j\u00e1 estariam cobertas de folhas, mas a cal vinda do concreto mo\u00eddo criaria um ambiente menos \u00e1cido para v\u00e1rias esp\u00e9cies. A cidade come\u00e7aria a desenvolver seu pr\u00f3prio ecossistema. Toda primavera, quando a temperatura estivesse oscilando em torno do ponto de congelamento, novas rachaduras apareceriam. A \u00e1gua entraria nas rachaduras e congelaria. As rachaduras aumentariam e mais sementes seriam levadas pelo vento para dentro delas. Isso aconteceria bem rapidamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Como os ecossistemas da Terra mudariam se os seres humanos estivessem fora da jogada? Weisman diz que podemos ter um vislumbre desse mundo hipot\u00e9tico observando bols\u00f5es \u201cprimitivos\u201d onde as marcas da humanidade sejam mais leves.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Para ver como o mundo seria se os humanos desaparecessem, comecei indo a lugares abandonados, que as pessoas deixaram por diferentes motivos. Um deles \u00e9 o \u00faltimo fragmento de floresta primitiva na Europa. \u00c9 como num conto de fadas dos irm\u00e3os Grimm: uma floresta escura, fechada, com lobos uivando e toneladas de musgo pendurado nas \u00e1rvores. E esse lugar existe. Ele fica na fronteira da Pol\u00f4nia com a Bielo-R\u00fassia. Era uma reserva de ca\u00e7a, estabelecida nos anos 1300 por um duque lituano que mais tarde se tornou rei da Pol\u00f4nia. Uma s\u00e9rie de reis poloneses e depois czares russos a mantiveram como \u00e1rea de ca\u00e7a particular. Houve pouco impacto humano. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, ela se tornou um parque nacional. Voc\u00ea v\u00ea carvalhos e freixos de mais de 45 metros de altura e 3 metros de di\u00e2metro, com sulcos t\u00e3o profundos na casca que pica-paus os enchem de pinhas. Al\u00e9m de lobos e alces, essa floresta abriga o \u00faltimo rebanho selvagem de Bison bonasus, o bis\u00e3o europeu nativo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Tamb\u00e9m visitei a zona desmilitarizada coreana. Nela h\u00e1 um pequeno trecho de terra \u2013 com cerca de 240 km de extens\u00e3o por 4 km de largura \u2013 junto do qual dois dos maiores ex\u00e9rcitos do mundo ficam posicionados um diante do outro. Entre eles fica uma reserva \u201cinvolunt\u00e1ria\u201d de vida selvagem. \u00c9 poss\u00edvel ver esp\u00e9cies que poderiam estar extintas se n\u00e3o fosse por aquele pedacinho de terra. \u00c0s vezes voc\u00ea ouve os soldados gritando uns com os outros por alto-falantes ou exibindo sua propaganda pol\u00edtica de um lado a outro, e no meio de toda aquela tens\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver bandos de gar\u00e7as azuis que passam o inverno l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Mas para realmente compreender um mundo sem os seres humanos percebi que \u00e9 preciso aprender como o mundo era antes da nossa evolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o fui para a \u00c1frica, onde os seres humanos surgiram, e o \u00fanico continente onde ainda h\u00e1 animais selvagens de grande porte. Antigamente havia animais de grande porte em todos os continentes e em muitas das ilhas. T\u00ednhamos criaturas enormes na Am\u00e9rica do Norte e do Sul \u2013 pregui\u00e7as-gigantes maiores que mamutes; castores do tamanho de ursos. O motivo de sua dizima\u00e7\u00e3o \u00e9 controverso, mas muitos ind\u00edcios apontam para n\u00f3s. As extin\u00e7\u00f5es em cada massa de terra parecem coincidir com a chegada dos seres humanos. Mas a \u00c1frica \u00e9 o local onde os seres humanos e os animais evolu\u00edram juntos e os bichos de l\u00e1 aprenderam estrat\u00e9gias para evitar nossa a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. Sem os seres humanos, a Am\u00e9rica do Norte provavelmente se tornaria em curto prazo um bom habitat para cervos gigantes. \u00c0 medida que as florestas se restabelecessem por todo o continente, herb\u00edvoros maiores se desenvolveriam, no tempo evolutivo, para tirar proveito de todos os nutrientes presentes nas esp\u00e9cies lenhosas. Predadores maiores tamb\u00e9m evoluiriam seguindo o mesmo padr\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Pensar em uma Terra sem humanos pode ter benef\u00edcios pr\u00e1ticos. Weisman explica que sua abordagem pode trazer uma nova luz aos problemas ambientais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">N\u00e3o estou sugerindo que temos de nos preocupar com o desaparecimento repentino dos seres humanos amanh\u00e3, com algum raio alien\u00edgena mortal que nos eliminaria a todos. Pelo contr\u00e1rio, o que descobri \u00e9 que essa forma de olhar para nosso planeta \u2013 fazendo-nos sumir apenas teoricamente \u2013 revelou ser t\u00e3o fascinante que desarma os temores das pessoas ou a terr\u00edvel onda de depress\u00e3o que pode nos envolver quando lemos sobre os problemas ambientais que criamos e os poss\u00edveis desastres que poderemos enfrentar no futuro. Porque, francamente, sempre que lemos sobre essas coisas, nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9: oh, meu Deus, n\u00f3s vamos morrer? Ser\u00e1 este o fim? Meu livro elimina essa preocupa\u00e7\u00e3o bem no come\u00e7o ao dizer que o fim j\u00e1 aconteceu. Por qualquer motivo, n\u00f3s, seres humanos, desaparecemos, ent\u00e3o agora vamos relaxar e ver o que acontece em nossa aus\u00eancia. \u00c9 uma maneira deliciosa de reduzir todo temor e ansiedade. E olhar para o que aconteceria em nossa aus\u00eancia \u00e9 outra forma de enxergar melhor o que acontece em nossa presen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Por exemplo, pense em quanto tempo levaria para eliminar algumas das coisas que criamos. Algumas das inven\u00e7\u00f5es mais formid\u00e1veis t\u00eam uma longevidade que ainda n\u00e3o podemos prever, como alguns dos poluentes org\u00e2nicos persistentes que come\u00e7aram como pesticidas ou produtos qu\u00edmicos industriais. Ou nossos pl\u00e1sticos, que t\u00eam uma presen\u00e7a gigantesca em nossa vida e no ambiente. E quase todas essas coisas s\u00f3 surgiram ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Voc\u00ea come\u00e7a a pensar que provavelmente n\u00e3o h\u00e1 como termos resultado positivo, e que estamos testemunhando uma mar\u00e9 esmagadora de propor\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas desencadeada pela ra\u00e7a humana na Terra. Eu levanto a possibilidade, quase no final do livro, de os seres humanos poderem continuar fazendo parte do ecossistema de forma muito mais equilibrada com o resto dos ocupantes do planeta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00c9 algo que abordo ao olhar primeiro n\u00e3o apenas para as coisas horr\u00edveis que criamos, e que s\u00e3o t\u00e3o assustadoras \u2013 como a radioatividade e os poluentes, alguns dos quais poder\u00e3o ainda persistir at\u00e9 o fim do planeta \u2013, mas tamb\u00e9m para algumas das coisas belas que fizemos. Levanto a quest\u00e3o: n\u00e3o seria uma triste perda a humanidade ser extirpada do planeta? E quanto aos nossos maiores atos de arte e express\u00e3o? Nossa mais bela escultura? Nossa melhor arquitetura? Algum sinal que indique que estivemos aqui a certa altura resistir\u00e1? Essa \u00e9 a segunda rea\u00e7\u00e3o que obtenho junto \u00e0s pessoas. A princ\u00edpio elas pensam: esse mundo seria lindo sem n\u00f3s. Mas ent\u00e3o reconsideram: n\u00e3o seria triste n\u00e3o estarmos aqui? E n\u00e3o acho que o desaparecimento de todos n\u00f3s da face da Terra seja necess\u00e1rio para voltarmos a um est\u00e1gio mais saud\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">QUEM PODERIA NOS SUBSTITUIR?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Dizem que a natureza abomina o v\u00e1cuo. Se os seres humanos desaparecessem, alguma outra esp\u00e9cie poderia evoluir para um animal que fabricasse ferramentas, tivesse planta\u00e7\u00f5es, usasse linguagem e fosse capaz de dominar o planeta? Segundo Alan Weisman, os babu\u00ednos poderiam ter uma chance razo\u00e1vel. Eles t\u00eam o maior c\u00e9rebro entre os primatas, com exce\u00e7\u00e3o do Homo sapiens, e, como n\u00f3s, se adaptaram a viver nas savanas \u00e0 medida que os habitats florestais na \u00c1frica encolheram. Weisman escreve em The world without us: \u201cSe os ungulados dominantes nas savanas \u2013 o gado \u2013 desaparecessem, os gnus se multiplicariam para ocupar seu lugar. Se os humanos desaparecessem, os babu\u00ednos ocupariam o nosso? Ser\u00e1 que sua capacidade craniana permaneceu suprimida durante o Holoceno porque sa\u00edmos \u00e0 frente deles, sendo os primeiros a descer das \u00e1rvores? Sem os humanos no seu caminho, ser\u00e1 que o potencial mental deles aumentaria e os levaria a um avan\u00e7o evolucion\u00e1rio repentino em todas as fissuras de nosso nicho abandonado?\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Hollywood, com sua longa s\u00e9rie de filmes Planeta dos macacos, parece concordar com Weisman. Um segundo cen\u00e1rio fora da \u00c1frica poderia se desenrolar centenas de milhares de anos ap\u00f3s o primeiro. Algu\u00e9m se perguntaria como os arque\u00f3logos babu\u00ednos do futuro interpretariam os extraordin\u00e1rios artefatos humanos \u2013 esculturas, cutelaria, sacos pl\u00e1sticos \u2013 enterrados sob seus p\u00e9s. Weisman acha que \u201co desenvolvimento intelectual de qualquer criatura que os escavasse poderia ser abruptamente elevado para um plano evolucion\u00e1rio mais alto pela descoberta de ferramentas j\u00e1 prontas\u201d. Mesmo como fantasmas, poder\u00edamos continuar moldando o futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">OS VENCEDORES&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Nosso fim seria uma boa not\u00edcia para muitas esp\u00e9cies. Abaixo, uma pequena amostra dos animais e plantas que se beneficiariam com o desaparecimento dos seres humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">AVES: Sem os arranha-c\u00e9us e linhas de transmiss\u00e3o para atrapalhar o v\u00f4o, pelo menos1 bilh\u00e3o de aves evitariam quebrar o pesco\u00e7o a cada ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">\u00c1RVORES: Em Nova York, carvalhos e bordos, juntamente com a invasora alianto, tomariam a cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">MOSQUITOS: Com o fim dos esfor\u00e7os de exterm\u00ednio e o aumento dos charcos, grandes nuvens de insetos se alimentariam do restante da vida selvagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">GATOS DOM\u00c9STICOS SELVAGENS: Eles provavelmente se sairiam bem alimentando-se de pequenos mam\u00edferos e aves no mundo p\u00f3s-humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">&#8230;E OS PERDEDORES<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: nossos parasitas e animais de cria\u00e7\u00e3o sentiriam nossa falta. Abaixo, uma lista das esp\u00e9cies que provavelmente sofreriam em conseq\u00fc\u00eancia de nosso desaparecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">GADO DOMESTICADO: Eles se tornariam refei\u00e7\u00e3o deliciosa para le\u00f5es-da-montanha, coiotes e outros predadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">RATOS: Privados de nosso lixo, passariam fome ou seriam devorados pelas aves de rapina aninhadas nas ru\u00ednas dos pr\u00e9dios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">BARATAS: Sem os pr\u00e9dios aquecidos para ajud\u00e1-las a sobreviver no inverno, desapareceriam das regi\u00f5es temperadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">PIOLHOS: Como esses insetos s\u00e3o particularmente adaptados aos seres humanos, nosso desaparecimento levaria \u00e0 sua extin\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">PARA SABER MAIS<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Plastics and the environment. Organizado por Anthony Andrady. John Wiley &amp; Sons, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Twilight of the mammoths: ice age extinctions and the rewilding of America Paul S. Martin. California Press, 2005.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Extinction: how life on Earth nearly ended 250 million years ago. Douglas H. Erwin. University Press, 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A vingan\u00e7a de gaia. James Lovelock. Intr\u00ednseca, 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Alan Weisman \u00e9 autor de cinco livros, incluindo The world without us (St. Martin\u2019s Press, 2007). Seu trabalho j\u00e1 apareceu na Harpers, New York Times Magazine, Los Angeles Times Magazine, Discover, Atlantic Monthly, Cond\u00e9 Nast Traveler, Orion e Mother Jones. Weisman tem um programa na National Public Radio e na Public Radio International e \u00e9 produtor s\u00eanior da Homelands Productions, organiza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica que produz s\u00e9ries independentes de document\u00e1rios para a r\u00e1dio p\u00fablica. Ele leciona jornalismo internacional na University of Arizona.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Confira as anima\u00e7\u00f5es que mostram como ficaria Nova York se todas as pessoas desaparecessem.<br \/>\nwww2.uol.com.br\/sciam\/multimidia\/a_terra_sem_humanos.html<br \/>\nwww2.uol.com.br\/sciam\/multimidia\/o_longo_desaparecimento_da_humanidade.html<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 vou avisando que o texto \u00e9 longo, mas importante para reflex\u00e3o. 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