{"id":36743,"date":"2024-01-23T07:30:06","date_gmt":"2024-01-23T10:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=36743"},"modified":"2024-01-19T18:47:28","modified_gmt":"2024-01-19T21:47:28","slug":"82-das-especies-de-arvores-que-so-ocorrem-na-mata-atlantica-estao-ameacadas-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/82-das-especies-de-arvores-que-so-ocorrem-na-mata-atlantica-estao-ameacadas-de-extincao\/","title":{"rendered":"82% das esp\u00e9cies de \u00e1rvores que s\u00f3 ocorrem na Mata Atl\u00e2ntica est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Jornal da USP &#8211; Um s\u00f3 Planeta &#8211; 16 de janeiro de 2024 &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em>Liderado por pesquisadores da USP e publicado na Science avaliou categorias de risco de todas as esp\u00e9cies arb\u00f3reas da Mata Atl\u00e2ntica; 13 esp\u00e9cies exclusivas daquele bioma podem j\u00e1 ter sido extintas<\/em><\/span><\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 um dos impactos mais extremos que o ser humano tem sobre a natureza.<\/p>\n<p>Extin\u00e7\u00e3o \u00e9 para sempre e, a cada esp\u00e9cie perdida, perdemos milh\u00f5es de anos de uma hist\u00f3ria evolutiva \u00fanica e a oportunidade de aprender com essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Assim, evitar a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 o maior desafio para combater a atual crise global de perda da biodiversidade, que tem impacto direto nas nossas vidas, incluindo quest\u00f5es ligadas ao risco de pandemias, bioeconomia, biomateriais, desenvolvimento de medicamentos e v\u00e1rios outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>O primeiro passo para frear esse processo de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 saber onde est\u00e3o e qual \u00e9 o grau de amea\u00e7a de cada esp\u00e9cie, o que permite a constru\u00e7\u00e3o das chamadas Listas Vermelhas de Esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Estas listas nos ajudam a tomar a decis\u00e3o de quais s\u00e3o as esp\u00e9cies priorit\u00e1rias para investir tempo e recursos de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Um estudo publicado recentemente na revista Science apresentou a Lista Vermelha das quase 5.000 esp\u00e9cies de \u00e1rvores que ocorrem na Mata Atl\u00e2ntica, uma das florestas mais biodiversas e amea\u00e7adas do mundo.<\/p>\n<p>\u201cO quadro geral \u00e9 muito preocupante\u201d, diz Renato Lima, professor da USP que liderou o estudo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA maioria das esp\u00e9cies de \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica foi classificada em alguma das categorias de amea\u00e7a da Uni\u00e3o Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN). Isso era esperado, pois a Mata Atl\u00e2ntica perdeu a maioria das suas florestas e, com elas, as suas \u00e1rvores. Mesmo assim, ficamos assustados quando vimos que 82% das mais de 2.000 esp\u00e9cies exclusivas desse hotspot global de biodiversidade est\u00e3o amea\u00e7adas\u201d, completa Lima.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Muitas esp\u00e9cies emblem\u00e1ticas da Mata Atl\u00e2ntica, como o pau-brasil, arauc\u00e1ria, palmito-ju\u00e7ara, jequitib\u00e1-rosa, jacarand\u00e1-da-bahia, bra\u00fana, cabre\u00fava, canela-sassafr\u00e1s, imbuia, angico e peroba, foram classificadas como esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/span>.<\/p>\n<p>Um total de 13 esp\u00e9cies end\u00eamicas \u2013 esp\u00e9cies que ocorrem apenas na Mata Atl\u00e2ntica e em nenhum outro lugar do mundo \u2013 foram classificadas como possivelmente extintas, ou seja, podem ter desaparecido do planeta.<\/p>\n<p>Por outro lado, cinco esp\u00e9cies que antes eram consideradas extintas na natureza foram redescobertas pelo estudo.<\/p>\n<p>O trabalho usou mais de 3 milh\u00f5es de registros de herb\u00e1rios e de invent\u00e1rios florestais, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a biologia, ecologia e usos das esp\u00e9cies de \u00e1rvores, palmeiras e samambaia\u00e7\u00fas<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas da Mata Atl\u00e2ntica se baseou em diferentes crit\u00e9rios da IUCN.<\/p>\n<p>\u201cE esse foi um outro aspecto importante do trabalho\u201d, acrescenta Lima.<\/p>\n<p>\u201cSe tiv\u00e9ssemos usado menos crit\u00e9rios da IUCN nas avalia\u00e7\u00f5es de risco de extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, o que geralmente tem sido feito at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00f3s ter\u00edamos detectado seis vezes menos esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Em especial, o uso de crit\u00e9rios que incorporam os impactos do desmatamento aumenta drasticamente o nosso entendimento sobre o grau de amea\u00e7a das esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, que \u00e9 bem maior do que pens\u00e1vamos anteriormente\u201d, finaliza Lima.<\/p>\n<p>A maior parte das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para avalia\u00e7\u00f5es usando muitos crit\u00e9rios da IUCN \u00e9 dif\u00edcil de obter ou estimar a partir de outras fontes de dados.<\/p>\n<p>Consequentemente, a maioria das avalia\u00e7\u00f5es de risco de extin\u00e7\u00e3o atualmente dispon\u00edveis na IUCN se baseia apenas na distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das esp\u00e9cies, o chamado crit\u00e9rio B.<\/p>\n<p>Mas o decl\u00ednio no n\u00famero de \u00e1rvores adultas causado pelo desmatamento (investigado pelo crit\u00e9rio A) \u00e9 a principal causa de amea\u00e7a das esp\u00e9cies, principalmente em hotspots globais de biodiversidade altamente alterados como a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Ou seja, utilizar v\u00e1rios crit\u00e9rios da IUCN para a constru\u00e7\u00e3o de listas vermelhas pode evitar uma grave subestima\u00e7\u00e3o do grau de amea\u00e7a das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Para estimar o decl\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es, dados de invent\u00e1rios florestais ao longo de toda a Mata Atl\u00e2ntica foram reunidos em uma \u00fanica base de dados (TreeCo), permitindo entender como o n\u00famero de \u00e1rvores foi reduzido pelo desmatamento ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Hans ter Steege (Naturalis Biodiversity Center, Holanda), coautor do trabalho, relembra que o estudo n\u00e3o se limitou \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o apenas na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>\u201cFizemos proje\u00e7\u00f5es sobre qual seria a magnitude do impacto da perda de florestas sobre as esp\u00e9cies de \u00e1rvores em escala global.\u201d Essas proje\u00e7\u00f5es inclu\u00edram os principais maci\u00e7os de florestas tropicais do mundo. \u201cAs proje\u00e7\u00f5es indicam que entre 35-50% das esp\u00e9cies de \u00e1rvores do planeta podem estar amea\u00e7adas apenas devido ao desmatamento\u201d, conclui Ter Steege.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas proje\u00e7\u00f5es, o estudo prop\u00f5e um fluxo metodol\u00f3gico e ferramentas para implement\u00e1-lo em larga escala, permitindo avaliar o grau de amea\u00e7a de milhares de esp\u00e9cies simultaneamente.<\/p>\n<p>\u201cIsso tamb\u00e9m permite aplicar a mesma abordagem para outras regi\u00f5es do mundo ou at\u00e9 outras formas de vida, como orqu\u00eddeas ou brom\u00e9lias, por exemplo\u201d, lembra Gilles Dauby (IRD, Fran\u00e7a), tamb\u00e9m coautor do estudo.<\/p>\n<p>Segundo Marinez Siqueira e Eduardo Fernandez, do Centro Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Flora, \u00f3rg\u00e3o do Instituto de Pesquisas Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o da Lista Vermelha Oficial da Flora do Brasil, a abordagem usada no estudo \u00e9 robusta para avaliar o grau de amea\u00e7a das esp\u00e9cies, e ser\u00e1 utilizada de forma sistematizada a partir de 2024 para avaliar as cerca de 12.000 esp\u00e9cies de plantas que ocorrem apenas no Brasil e que ainda n\u00e3o tiveram o seu grau de amea\u00e7a avaliado oficialmente.<\/p>\n<p>\u201cIsso ser\u00e1 um ganho em escala sem precedentes para avaliar a megadiversa flora do Brasil, em um per\u00edodo de tempo muito mais compat\u00edvel com as necessidades urgentes de pol\u00edticas p\u00fablicas e planos de a\u00e7\u00e3o para proteg\u00ea-las\u201d, avaliam Marinez e Eduardo.<\/p>\n<p>A abordagem inovadora proposta pelo estudo se prop\u00f5e a avan\u00e7ar com a utiliza\u00e7\u00e3o de dados populacionais das esp\u00e9cies de \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica, que muitas vezes acabaram sendo negligenciados durante o processo de avalia\u00e7\u00e3o de risco de extin\u00e7\u00e3o por n\u00e3o estarem prontamente dispon\u00edveis em reposit\u00f3rios digitais ou por se encontrarem pulverizados em diferentes banco de dados.<\/p>\n<p>\u201cPor fim, entender onde se situam as esp\u00e9cies amea\u00e7adas e quais vetores est\u00e3o promovendo a amplia\u00e7\u00e3o de seus riscos de extin\u00e7\u00e3o nos permitir\u00e1 agir no sentido de reverter esse cen\u00e1rio\u201d, finalizam.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 muito preocupante, principalmente porque o estudo considerou apenas amea\u00e7as passadas (desmatamento) e n\u00e3o as amea\u00e7as futuras, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que podem acelerar os riscos de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O que podemos fazer frente a esse cen\u00e1rio?<\/p>\n<p>Al\u00e9m da conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies em jardins bot\u00e2nicos e bancos de germoplasma, existem os chamados Planos de A\u00e7\u00e3o Nacionais (PANs), instrumentos de promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas no Brasil, em especial \u00e0quelas em risco iminente de desaparecer.<\/p>\n<p>Outra sa\u00edda para buscar reverter as perdas de esp\u00e9cies de \u00e1rvores na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o florestal, como comenta Andr\u00e9 de Gasper, professor da FURB e coautor do estudo.<\/p>\n<p>\u201cProjetos de restaura\u00e7\u00e3o, em \u00e1reas abertas ou em fragmentos degradados, podem selecionar preferencialmente as esp\u00e9cies regionais mais amea\u00e7adas da Mata Atl\u00e2ntica, visando estimular a produ\u00e7\u00e3o de sementes e mudas destas esp\u00e9cies e a recupera\u00e7\u00e3o das suas popula\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores na natureza.\u201d<\/p>\n<p>Estamos em plena D\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas, o que favorece iniciativas regionais e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de usar a restaura\u00e7\u00e3o para reverter esse triste cen\u00e1rio enfrentado pelas \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica e dos demais hotspots globais de biodiversidade.<\/p>\n<p>veja o trabalho <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abq5099\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jornal da USP &#8211; Um s\u00f3 Planeta &#8211; 16 de janeiro de 2024 &#8211; Liderado por pesquisadores da USP e publicado na Science avaliou categorias de risco de todas as esp\u00e9cies arb\u00f3reas da Mata Atl\u00e2ntica; 13 esp\u00e9cies exclusivas daquele bioma podem j\u00e1 ter sido extintas A extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 um dos impactos 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