{"id":36820,"date":"2024-02-26T07:30:48","date_gmt":"2024-02-26T10:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=36820"},"modified":"2024-02-23T10:09:30","modified_gmt":"2024-02-23T13:09:30","slug":"a-rota-do-lixo-ate-o-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-rota-do-lixo-ate-o-mar\/","title":{"rendered":"A rota do lixo at\u00e9 chegar ao mar"},"content":{"rendered":"<header class=\"post\">Por Carlos Fioravanti &#8211; Revista Pesquisa FAPESP &#8211; Novembro de 2022<\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Pode ser produtivo examinar os munic\u00edpios do interior do pa\u00eds e as redes de rios para saber de onde v\u00eam as garrafas pl\u00e1sticas, embalagens de xampus, cotonetes, sacolas, copos e talheres descart\u00e1veis, partes de caixas de isopor e outros materiais pl\u00e1sticos que chegam \u00e0 costa brasileira e poluem o mar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Em um diagn\u00f3stico divulgado em outubro, elaborado pela Blue Keepers, projeto da Plataforma de A\u00e7\u00e3o pela \u00c1gua e Oceano do Pacto Global da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no Brasil, sete cidades sem praias marinhas \u2013 Manaus (AM), Teresina (PI), Bras\u00edlia (DF), Goi\u00e2nia (GO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte e Contagem (MG) \u2013 despontaram como as cidades com maiores quantidades de lixo pl\u00e1stico descartado que chegam ao mar principalmente por meio dos rios Amazonas, Tocantins, S\u00e3o Francisco, Tiet\u00ea e Paran\u00e1 e seus afluentes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">A elas se somam as cidades costeiras, desde Bel\u00e9m (PA) at\u00e9 Porto Alegre (RS), e duas capitais pr\u00f3ximas ao litoral, S\u00e3o Paulo e Curitiba (PR).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Elaborado com base na renda\u00a0<\/span><em style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">per capita<\/em><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">\u00a0da popula\u00e7\u00e3o, no \u00edndice de saneamento e outros indicadores detalhados em um artigo publicado em outubro na\u00a0<\/span><em style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Journal of Environmental Management<\/em><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">, o diagn\u00f3stico aponta a regi\u00e3o Norte como uma das principais fontes de materiais pl\u00e1sticos descartados no ambiente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Isso ocorre por falta de centrais de reciclagem e da vasta rede hidrogr\u00e1fica. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">A \u00e1rea com maior lan\u00e7amento de lixo, por causa da grande densidade populacional, \u00e9 a regi\u00e3o Sudeste, al\u00e9m de partes da Centro-Oeste e Sul, cujos rios desaguam no rio Paran\u00e1.<\/span><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"post-content\">\n<p>A foz do rio Amazonas, a cidade de Bel\u00e9m, a foz do rio S\u00e3o Francisco, a ba\u00eda de Guanabara, a lagoa dos Patos e a foz do rio da Prata, continua\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1, foram indicadas como os locais com maior risco de vazamento de lixo pl\u00e1stico para o oceano, segundo o trabalho da Blue Keepers.<\/p>\n<p>Pesquisadores dos institutos Oceanogr\u00e1fico (IO) e de Estudos Avan\u00e7ados (IEA), da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades (EACH), todos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) participaram de sua elabora\u00e7\u00e3o, com apoio da Braskem e da Ocean Pact.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Locais-onde-mais-polui-o-mar-no-brasil.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-36825\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Locais-onde-mais-polui-o-mar-no-brasil.png\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"958\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Locais-onde-mais-polui-o-mar-no-brasil.png 670w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Locais-onde-mais-polui-o-mar-no-brasil-231x300.png 231w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Locais-onde-mais-polui-o-mar-no-brasil-600x779.png 600w\" sizes=\"(max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">\u201cO movimento dos pl\u00e1sticos rumo aos rios e ao mar depende muito da chuva, da inclina\u00e7\u00e3o do terreno e do vento\u201d, disse Alexander Turra, do IO e da c\u00e1tedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano do IEA, ao apresentar os resultados preliminares do levantamento no congresso Di\u00e1logos da Cultura Oce\u00e2nica, realizado em Santos (SP) em outubro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Segundo ele, o vento pode transportar res\u00edduos de aterros sanit\u00e1rios que estejam \u00e0 beira de rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 das popula\u00e7\u00f5es costeiras, mas tamb\u00e9m do interior do pa\u00eds; precisamos levar essas informa\u00e7\u00f5es para dentro da casa de cada brasileiro, para evitar o escape de res\u00edduos pl\u00e1sticos\u201d, comentou Gabriela Otero, coordenadora da Blue Keepers. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">As duas principais metas desse projeto da ONU at\u00e9 2030 s\u00e3o reduzir 30% da quantidade de pl\u00e1stico que chega \u00e0 costa do Brasil e fortalecer a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos em 100 munic\u00edpios brasileiros.<\/span><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<h3>Cidades priorit\u00e1rias<\/h3>\n<p>A primeira cidade a ser monitorada \u00e9 o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Outros munic\u00edpios priorit\u00e1rios s\u00e3o Manaus, Bel\u00e9m, S\u00e3o Lu\u00eds (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN), Jo\u00e3o Pessoa (PB), Recife (PE), Macei\u00f3 (AL), Aracaju (SE), Salvador (BA), Vit\u00f3ria (ES), S\u00e3o Paulo, Baixada Santista (SP) e Porto Alegre (RS).<\/p>\n<p>As medidas para reduzir a quantidade de lixo pl\u00e1stico fazem parte dos <a href=\"https:\/\/catedraoceano.iea.usp.br\/decadadooceano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">objetivos da D\u00e9cada do Oceano<\/a>, criada pela ONU em 2020.<\/p>\n<p>Estima-se que, globalmente, 150 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico circulem nas \u00e1guas marinhas atualmente.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo da Blue Keepers, cada brasileiro descarta em m\u00e9dia 16 quilogramas de materiais pl\u00e1sticos por ano, dos quais boa parte apresenta alto risco de chegar ao mar.<\/p>\n<p>Valores mais altos foram registrados em munic\u00edpios do litoral das regi\u00f5es Sudeste e Sul que registram um grande aumento populacional durante o ver\u00e3o e feriados.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com esse levantamento, chegam ao mar 3,4 milh\u00f5es de toneladas de materiais pl\u00e1sticos descartados pelos brasileiros por ano, o equivalente a 47,8% dos 7,1 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico processado em 2021 no pa\u00eds, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Pl\u00e1stico (Abiplast).<\/p>\n<p>O estudo indicou que a coleta de res\u00edduos pl\u00e1sticos deveria ser pensada regionalmente e n\u00e3o apenas em cada munic\u00edpio, que pode n\u00e3o ser necessariamente a fonte, mas o destino dos materiais indesejados.<\/p>\n<p>Marcos Lib\u00f3rio, secret\u00e1rio de Meio Ambiente da prefeitura de Santos, concordou:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNossa praia \u00e9 limpa diariamente, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. Precisamos trabalhar com os nove munic\u00edpios da Baixada Santista\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por ser uma cidade tur\u00edstica, a popula\u00e7\u00e3o de Santos pode passar dos atuais 433 mil moradores para cerca de 1,5 milh\u00e3o nas temporadas de ver\u00e3o com sol, aumentando o risco de produtos pl\u00e1sticos chegarem ao mar.<\/p>\n<p>Em campanhas realizadas entre o outono de 2019 e o ver\u00e3o de 2020, uma equipe formada por pesquisadores das universidades federais de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e de Pernambuco (UFPE) e do Instituto Mar Azul (IMA) coletou 62.638 itens de lixo marinho nas praias da cidade.<\/p>\n<p>Desse volume, a propor\u00e7\u00e3o de materiais pl\u00e1sticos, incluindo espuma de poliestireno, usada em embalagens, variou de 64,8% a 72,5%, como descrito em um estudo publicado em fevereiro de 2021 na\u00a0<em>Marine Pollution Bulletin<\/em>.<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, aprovada em 2010, prev\u00ea a defini\u00e7\u00e3o de metas de redu\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o, reciclagem e a destina\u00e7\u00e3o ambientalmente adequada de materiais descartados para os pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n<p>Em 2020, 74,4% dos munic\u00edpios brasileiros haviam implantado, ainda que parcialmente, a coleta seletiva, uma das formas de atingir esses objetivos, mas 25,6% continuavam descartando os res\u00edduos sem nenhum tratamento pr\u00e9vio, contrariando as normas vigentes, de acordo com o Panorama de Res\u00edduos S\u00f3lidos 2021 da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais (Abrelpe).<\/p>\n<p>Karen de Oliveira Silverwood-Cope, coordenadora-geral de Oceano, Ant\u00e1rtica e Geoci\u00eancias do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI), lembrou que ainda n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o para a gest\u00e3o do pl\u00e1stico j\u00e1 despejado no ambiente.<\/p>\n<h3>Artigos cient\u00edficos<\/h3>\n<p>ALENCAR, M. V. <em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0301479722017686\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">How far are we from robust estimates of plastic litter leakage to the environment<\/a>.\u00a0<strong>Journal of Environmental Management<\/strong>. v. 323, 116195, p. 1-11. 2 out. 2022.<br \/>\nRIBEIRO, V. V.<em>\u00a0et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/journal\/marine-pollution-bulletin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marine litter on a highly urbanized beach at Southeast Brazil<\/a>.\u00a0<strong>Marine Pollution Bulletin<\/strong>. 163, 111978, p. 1-8. set. 2021.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti &#8211; Revista Pesquisa FAPESP &#8211; Novembro de 2022 Pode ser produtivo examinar os munic\u00edpios do interior do pa\u00eds e as redes de rios para saber de onde v\u00eam as garrafas pl\u00e1sticas, embalagens de xampus, cotonetes, sacolas, copos e talheres descart\u00e1veis, partes de caixas de isopor e outros materiais pl\u00e1sticos que chegam \u00e0&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[26,113,54,114],"post_series":[],"class_list":["post-36820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-crime-ambiental","tag-lixo","tag-sacola-plastica-de-uso-unico-plastic-bag-plastico-convencional-eterno-plastico-poluidor-plastico-poluicao-500-anos","tag-residuos","entry","has-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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