{"id":37148,"date":"2024-06-07T07:30:21","date_gmt":"2024-06-07T10:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=37148"},"modified":"2024-06-06T13:07:53","modified_gmt":"2024-06-06T16:07:53","slug":"rs-um-rio-duas-margens-tragedia-no-vale-do-taquari-foi-maior-em-lado-menos-preservado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/rs-um-rio-duas-margens-tragedia-no-vale-do-taquari-foi-maior-em-lado-menos-preservado\/","title":{"rendered":"RS &#8211; Um rio, duas margens: trag\u00e9dia no Vale do Taquari foi maior em lado menos preservado"},"content":{"rendered":"<p>Por Gabriel Gama &#8211; A Publica &#8211; 6 de junho de 2024 &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em>Com apenas 31% de cobertura em locais que deveriam ser APP, regi\u00e3o viu contraste da destrui\u00e7\u00e3o nas enchentes no RS<\/em><\/span><\/p>\n<p>Uma das regi\u00f5es mais afetadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no \u00faltimo m\u00eas, o entorno do rio Taquari carece de um tipo de prote\u00e7\u00e3o que poderia ter ajudado ao menos a reduzir o impacto da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Apenas 31% das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) \u2013 margens dos rios, que s\u00e3o protegidas por lei \u2013 est\u00e3o, de fato, cobertas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revela um levantamento de pesquisadores do Movimento Pr\u00f3-Matas Ciliares do Vale do Taquari a partir de dados da plataforma MapBiomas.<\/p>\n<p>As APPs s\u00e3o consideradas instrumentos fundamentais para controlar enchentes e deslizamentos e reduzir os impactos de desastres, como o enfrentado pelos ga\u00fachos desde o fim de abril.<\/p>\n<p>O rio Taquari passa por 15 cidades e seu transbordamento levou a enchentes em todas elas.<\/p>\n<p>Segundo a Defesa Civil do estado, 34 pessoas morreram na regi\u00e3o e 20 continuam desaparecidas em decorr\u00eancia das chuvas sem precedentes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ineg\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o que as florestas exercem sobre as margens dos rios. Essa cobertura vegetal reduz muito a velocidade da \u00e1gua, por conta da resist\u00eancia provocada pela vegeta\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m previne a eros\u00e3o do solo. Por conta disso, evita um estrago maior nas por\u00e7\u00f5es de terra pr\u00f3ximas ao rio\u201d, explica Cleberton Bianchini, engenheiro ambiental egresso da Universidade do Vale do Taquari (Univates) e respons\u00e1vel pela an\u00e1lise.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Florestal, principal lei do pa\u00eds que versa sobre a prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, estabelece o conceito de APPs e define que a dimens\u00e3o da \u00e1rea a ser preservada nas margens de rios varia de acordo com a largura dos corpos d\u2019\u00e1gua: no caso do Taquari, na maior parte da sua extens\u00e3o, via de regra, deve ser preservada uma faixa de 100 metros de largura em cada margem.<\/p>\n<p>J\u00e1 em outros trechos, quando o rio se alarga, as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o aumentam para 200 metros.<\/p>\n<p>No entanto, o que se observa na realidade \u00e9 bem diferente disso.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria lei, que passou por modifica\u00e7\u00f5es e teve as regras flexibilizadas em 2012, permite que essa prote\u00e7\u00e3o caia para apenas 5 metros em \u00e1reas consolidadas (j\u00e1 ocupadas pela agropecu\u00e1ria, por exemplo, antes de 2008).<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 reduzida de acordo com a dimens\u00e3o da propriedade privada, medida pela quantidade de m\u00f3dulos fiscais, que varia em cada munic\u00edpio.<\/p>\n<h3>Por que isso importa?<\/h3>\n<p>Desmatamento hist\u00f3rico e legisla\u00e7\u00e3o ambiental fragilizada reduziram a vegeta\u00e7\u00e3o nativa nas chamadas \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs), como as margens de rios.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada fundamental para minimizar danos de chuvas intensas e enchentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das brechas previstas na lei federal, leis estaduais tamb\u00e9m t\u00eam afrouxado a prote\u00e7\u00e3o das APPs.<\/p>\n<p>Em 9 de abril, poucas semanas antes de a cat\u00e1strofe se instalar no estado, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, sancionou a Lei n\u00ba 16.111, proposta pelo deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos).<\/p>\n<p>A medida tinha o objetivo de autorizar o uso das APPs para\u00a0irriga\u00e7\u00e3o de campos agr\u00edcolas, flexibilizando ainda mais a prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise conduzida por Bianchini, feita com dados de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo do MapBiomas e obtida com exclusividade pela Ag\u00eancia P\u00fablica, calculou que 6.142 hectares \u00e0s margens do rio Taquari deveriam ser delimitados e protegidos como APPs, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Mas apenas 31%, ou 1.943 hectares, est\u00e3o realmente cobertos com forma\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>Outros 52%, ou 3.232 hectares, s\u00e3o ocupados com um mosaico de agricultura e pastagem, e o restante se divide entre infraestruturas urbanas, forma\u00e7\u00f5es campestres e outras \u00e1reas n\u00e3o vegetadas.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise abrange toda a extens\u00e3o de 140 km do rio Taquari, desde sua forma\u00e7\u00e3o, com a uni\u00e3o dos rios Carreiro e Antas, at\u00e9 o des\u00e1gue no rio Jacu\u00ed.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-37150\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2.jpg 1427w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2-1024x659.jpg 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2-768x495.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_2-600x386.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cDo que deveria ser 100 metros preservados [em cada margem], n\u00f3s temos 5 ou 10 metros apenas, e isso n\u00e3o d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o para todas as fun\u00e7\u00f5es que as matas ciliares exercem. Ou seja, \u00e9 como se fosse um canal concretado, s\u00f3 que, ao inv\u00e9s de concreto, \u00e9 solo [exposto] dos dois lados\u201d, afirma Bianchini.<\/p>\n<p>Sem vegeta\u00e7\u00e3o, que promoveria a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, a mancha de inunda\u00e7\u00e3o acaba se espalhando mais facilmente.<\/p>\n<h3>O contraste na paisagem p\u00f3s-desastre: devasta\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o nas margens de um mesmo rio<\/h3>\n<p>O importante papel de prote\u00e7\u00e3o que as APPs desempenham ficou evidente, ali\u00e1s, durante a trag\u00e9dia recente.<\/p>\n<p>Um dos afluentes do Taquari, o rio Forqueta \u2013\u00a0onde uma ponte que ligava as cidades de Travesseiro e Marques de Souza cedeu com a cheia \u2013 tem um trecho em que as duas margens se encontram em condi\u00e7\u00f5es opostas.<\/p>\n<p>De um lado, havia uma por\u00e7\u00e3o significativa de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e, no outro, campos desmatados e casas.<\/p>\n<p>O resultado: com as chuvas e a inunda\u00e7\u00e3o, a margem que seguia a determina\u00e7\u00e3o de APP se manteve intacta, enquanto a outra foi arrasada e deixou o solo totalmente exposto.<\/p>\n<p>\u201cQuando olhamos para fragmentos maiores [de vegeta\u00e7\u00e3o], n\u00f3s vemos que eles est\u00e3o protegidos. \u00c9 a prova de que, se voc\u00ea tem por\u00e7\u00f5es mais largas, a prote\u00e7\u00e3o acontece\u201d, diz a bi\u00f3loga Elisete Freitas, professora na Univates e integrante do Movimento Pr\u00f3-Matas Ciliares do Vale do Taquari.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam outros exemplos no Vale do Taquari em que a conserva\u00e7\u00e3o das matas ciliares foi determinante para minimizar os danos causados pelo desastre.<\/p>\n<p>No entorno da Ponte de Ferro, que ligava as cidades de Lajeado e Arroio do Meio e que tamb\u00e9m colapsou com a inunda\u00e7\u00e3o, o contraste se repete.<\/p>\n<p>Nas margens em que h\u00e1 vegeta\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00ednima, enquanto os trechos que abrigavam terras com atividade agr\u00edcola se encontram destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Cleberton Bianchini refor\u00e7a essa percep\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA por\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 toda ali, n\u00e3o teve deslizamentos nem movimentos de massa. N\u00e3o aconteceu a eros\u00e3o que se v\u00ea do outro lado do rio, onde havia uma pequena faixa de vegeta\u00e7\u00e3o, praticamente nula. \u00c9 um exemplo muito bom da situa\u00e7\u00e3o com e sem mata, no mesmo ponto do rio. Como o lugar n\u00e3o tem prote\u00e7\u00e3o do relevo, as duas margens sofrem a mesma a\u00e7\u00e3o de velocidade [da \u00e1gua]. D\u00e1 para ver nitidamente que em um lado est\u00e1 tudo bem e no outro aconteceu uma trag\u00e9dia gigantesca, os taludes da margem erodidos, completamente expostos, o solo caindo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-37151\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_3.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"793\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_3.jpg 540w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_3-222x300.jpg 222w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 14px;\">Ponte de Ferro que desabou no encontro do rio Forqueta com o Taquari.<\/span><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-37152\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_4.jpg\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"777\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_4.jpg 542w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Vale-do-Taquari-no-RS_4-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Em uma margem, a vegeta\u00e7\u00e3o se manteve em p\u00e9 e, na outra, o cen\u00e1rio \u00e9 de destrui\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><\/p>\n<p>Outro caso que mostra a import\u00e2ncia das APPs \u00e9 a faculdade onde Elisete Freitas atua.<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00f3pria Univates \u00e9 um exemplo disso. A universidade tem uma por\u00e7\u00e3o grande de floresta e quem passa v\u00ea que est\u00e1 tudo intacto. A \u00e1gua subiu, sim, mas n\u00e3o destruiu nada. J\u00e1 nas por\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o tem vegeta\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 total\u201d, afirma a professora.<\/p>\n<p>\u201cDo que eu vi, s\u00f3 ficou preservado aquilo que tinha faixas muito largas de vegeta\u00e7\u00e3o, e isso s\u00e3o poucos locais. No restante, n\u00e3o sobrou nada.\u201d<\/p>\n<p>Uma loja da Havan, empresa de Luciano Hang, constru\u00edda \u00e0s margens do rio Taquari, em Lajeado, em local onde deveria ser uma APP, foi destru\u00edda pela inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Freitas, n\u00e3o faltaram alertas dos ambientalistas e t\u00e9cnicos sobre os perigos de instalar o empreendimento ali, mas o projeto seguiu adiante e obteve o licenciamento, gra\u00e7as \u00e0 proximidade de Hang com a prefeitura de Lajeado.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio j\u00e1 afirmou que pretende reconstruir a unidade no mesmo local, ignorando os riscos de novas enchentes.<\/p>\n<h3>Reconstru\u00e7\u00e3o do RS precisa envolver a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, afirmam especialistas<\/h3>\n<p>Em estudo divulgado em setembro do ano passado, o Instituto Escolhas calculou os custos necess\u00e1rios para recompor a vegeta\u00e7\u00e3o nativa no pa\u00eds, segundo a legisla\u00e7\u00e3o vigente, e alcan\u00e7ar a meta estabelecida pelo Brasil junto ao Acordo de Paris de restaurar e reflorestar 12 milh\u00f5es de hectares \u2013 ainda distante de ser atingida.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel nacional, seria necess\u00e1rio um investimento de R$ 228 bilh\u00f5es para recuperar essas \u00e1reas, com um retorno esperado de R$ 776 bilh\u00f5es, 5 milh\u00f5es de empregos gerados e 156 milh\u00f5es de toneladas de alimento produzidas.<\/p>\n<p>O estudo Estrat\u00e9gias de recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em ampla escala para o Brasil prev\u00ea a recupera\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o em cons\u00f3rcio com o cultivo de alimentos, em sistemas agroflorestais que conciliam o plantio de esp\u00e9cies nativas com aquelas voltadas ao consumo.<\/p>\n<p>Para o Rio Grande do Sul, o Escolhas estima que seriam necess\u00e1rios R$ 20 bilh\u00f5es para repor o d\u00e9ficit de vegeta\u00e7\u00e3o no estado, calculado em 1,165 milh\u00e3o de hectares.<\/p>\n<p>Desse montante, R$ 9,3 bilh\u00f5es seriam destinados para restaurar APPs e R$ 10,7 bilh\u00f5es, para Reservas Legais (dispositivo que, tamb\u00e9m previsto no C\u00f3digo Florestal, estabelece um percentual de \u00e1rea que tem de ser preservado com vegeta\u00e7\u00e3o nativa dentro das propriedades privadas, dependendo do bioma onde ela est\u00e1 inserida \u2013 20%, no caso do Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p>O retorno desse investimento, de acordo com o levantamento, seria de R$ 60 bilh\u00f5es, com a cria\u00e7\u00e3o de 300 mil empregos e a produ\u00e7\u00e3o de 9 milh\u00f5es de toneladas de alimentos.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Leit\u00e3o, diretor executivo do Escolhas, reconhece que a recupera\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa depende de investimentos vultosos, mas aponta que eles podem ser distribu\u00eddos ao longo do tempo e, principalmente, geram retornos importantes e muito inferiores aos custos da remedia\u00e7\u00e3o de eventos extremos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma atividade que gera benef\u00edcios econ\u00f4micos, sociais, ambientais e ecossist\u00eamicos. N\u00e3o faz sentido o Brasil n\u00e3o olhar para isso durante a reconstru\u00e7\u00e3o da economia do Rio Grande do Sul.\u201d<\/p>\n<p>Quanto aos desafios para promover a readequa\u00e7\u00e3o ambiental no estado, cujo bioma dominante \u00e9 o Pampa, o principal entrave \u00e9 o alto grau de degrada\u00e7\u00e3o dos solos j\u00e1 desmatados.<\/p>\n<p>\u201cExistem algumas iniciativas de conhecimento t\u00e9cnico e acad\u00eamico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do bioma, mas h\u00e1 muitas \u00e1reas com baixo potencial de regenera\u00e7\u00e3o natural, que seria a forma mais prop\u00edcia de se fazer a restaura\u00e7\u00e3o das \u00e1reas campestres do Pampa\u201d, explica Eduardo Gusson, pesquisador respons\u00e1vel pelo levantamento dos dados do estudo do Instituto Escolhas.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil precisa entender, de forma definitiva, que a infraestrutura natural prestada pelas \u00e1rvores e florestas deve ser respeitada, ou vamos pagar um pre\u00e7o muito alto em vidas humanas e destrui\u00e7\u00e3o completa da economia em eventos clim\u00e1ticos extremos, que infelizmente ir\u00e3o se repetir com maior frequ\u00eancia\u201d, analisa Leit\u00e3o.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Giovana Girardi<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriel Gama &#8211; A Publica &#8211; 6 de junho de 2024 &#8211; Com apenas 31% de cobertura em locais que deveriam ser APP, regi\u00e3o viu contraste da destrui\u00e7\u00e3o nas enchentes no RS Uma das regi\u00f5es mais afetadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no \u00faltimo m\u00eas, o entorno do rio Taquari&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,12,29,65],"post_series":[],"class_list":["post-37148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-aquecimento-global-global-warming-global-climate-change","tag-desmatamento","tag-recursos-naturais-natural-resource","entry","has-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>RS - Um rio, duas margens: trag\u00e9dia no Vale do Taquari foi maior em lado menos preservado - FUNVERDE<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=37148\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"RS - Um rio, duas margens: trag\u00e9dia no Vale do Taquari foi maior em lado menos preservado - FUNVERDE\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Gabriel Gama &#8211; 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