{"id":37225,"date":"2024-07-01T07:30:21","date_gmt":"2024-07-01T10:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=37225"},"modified":"2024-06-26T15:08:54","modified_gmt":"2024-06-26T18:08:54","slug":"importante-regiao-do-ecossistema-marinho-e-mais-rasa-no-atlantico-sudoeste-do-que-se-previa-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/importante-regiao-do-ecossistema-marinho-e-mais-rasa-no-atlantico-sudoeste-do-que-se-previa-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Importante regi\u00e3o do ecossistema marinho \u00e9 mais rasa no Atl\u00e2ntico Sudoeste do que se previa, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em><span style=\"color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Grupo da Unifesp determinou, pela primeira vez, limites verticais da regi\u00e3o oce\u00e2nica subtropical que banha a Am\u00e9rica do Sul. Os chamados ambientes mesof\u00f3ticos, at\u00e9 ent\u00e3o assumidos como iniciados em 30 metros de profundidade, se mostraram bem mais pr\u00f3ximos da superf\u00edcie. Moreia-pintada (Gymnothorax moringa), na parte de baixo da foto, flagrada em meio a um cardume de cotingas (Haemulon aurolineatum), pirajicas (Kyphosus) spp., guarajuba (Caranx latus) e um jaguare\u00e7\u00e1 (Holocentrus adscensionis) ao fundo no Saco da Banana, nos arredores da Ilha da Queimada Grande (foto: Arquivo LabecMar-Unifesp).<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p>Pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e da Universidade de S\u00e3o Paulo apoiados pela FAPESP determinaram, pela primeira vez com precis\u00e3o, os limites verticais dos ambientes marinhos do Atl\u00e2ntico Sudoeste, a parte do oceano que banha a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Os resultados foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141113624001880\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<em>Marine Environmental Research<\/em>.<\/p>\n<p>O principal achado foi a defini\u00e7\u00e3o dos chamados ambientes mesof\u00f3ticos, intermedi\u00e1rios entre a parte mais superficial e a mais profunda do oceano.<\/p>\n<p>Enquanto estudos anteriores determinavam esse limite em 30 metros, medi\u00e7\u00f5es da incid\u00eancia de luz e invent\u00e1rios da fauna de peixes realizados pelos pesquisadores apontaram a fronteira entre 15 e 18 metros na regi\u00e3o costeira subtropical.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da incid\u00eancia de luz, que nessa profundidade \u00e9 apenas 10% do que incide na parte mais superficial, encontramos uma fauna de peixes diferente, al\u00e9m de esp\u00e9cies que circulam entre essas duas faixas\u201d, conta Maisha Gragnolati, primeira autora do estudo, realizado durante mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira (PPGBEMC) do Instituto do Mar (IMar) da Unifesp, em Santos.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a t\u00e3o grande entre o que dizia a literatura cient\u00edfica (30 metros) e os achados dos pesquisadores (18 metros) se d\u00e1, segundo eles, porque a maior parte dos trabalhos publicados at\u00e9 ent\u00e3o era realizada em ambientes tropicais, acima do tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio.<\/p>\n<p>Uma grande por\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Sudoeste, contudo, est\u00e1 na regi\u00e3o subtropical, abaixo dessa linha.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, os estudos normalmente se debru\u00e7avam sobre recifes de coral. Aqui no subtropical, por\u00e9m, predominam recifes rochosos, um ambiente que interage de outra forma com a incid\u00eancia de luz e com os organismos que vivem nele\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/45495\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bio Motta<\/a><\/strong>, professor do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o Marinha (LabecMar) da Unifesp e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>O trabalho integra o projeto \u201cCi\u00eancia aplicada \u00e0 gest\u00e3o do uso p\u00fablico e fronteiras do conhecimento de \u00c1reas Marinhas Protegidas: da experi\u00eancia dos visitantes \u00e0 biodiversidade de recifes mesof\u00f3ticos subtropicais\u201d,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/105872\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/strong>\u00a0no \u00e2mbito do programa\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BIOTA<\/a><\/strong>\u00a0e coordenado por Motta.<\/p>\n<h3><strong>Litoral paulista<\/strong><\/h3>\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores realizaram medi\u00e7\u00f5es de temperatura, relevo, profundidade e propaga\u00e7\u00e3o de luz, al\u00e9m de invent\u00e1rios de esp\u00e9cies de peixes em torno de ilhas que fazem parte de tr\u00eas unidades de conserva\u00e7\u00e3o marinhas do Estado de S\u00e3o Paulo: o Parque Estadual da Laje de Santos, a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Marinha do Litoral Centro e a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Tupiniquins.<\/p>\n<p>No total, foram 12 recifes analisados.<\/p>\n<p>Nos pontos de amostragem, os pesquisadores lan\u00e7aram ao mar BRUVS (sigla em ingl\u00eas para \u201cest\u00e9reo filmagens subaqu\u00e1ticas remotas com isca\u201d).<\/p>\n<p>O equipamento \u00e9 uma estrutura de alum\u00ednio, com duas caixas estanque e c\u00e2meras \u00e0 prova d\u2019\u00e1gua, uma lanterna e um bra\u00e7o com uma caixa na ponta, onde \u00e9 colocada a isca, sardinha macerada, para atrair os peixes.<\/p>\n<p>Os BRUVS eram lan\u00e7ados em diferentes profundidades (entre 6 e 43 metros) e permaneciam embaixo d\u2019\u00e1gua filmando por uma hora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da profundidade, eram registrados a temperatura da \u00e1gua e o relevo submarino.<\/p>\n<p>Usando um banco de dados oce\u00e2nicos internacional, era estimada a penetra\u00e7\u00e3o da luz em diferentes profundidades.<\/p>\n<p>Junto com as esp\u00e9cies de peixes encontradas, esse dado ajudou a definir as fronteiras verticais do oceano.<\/p>\n<p>As chamadas zonas mesof\u00f3ticas t\u00eam como caracter\u00edstica uma propaga\u00e7\u00e3o de apenas 10% da luz que incide na superf\u00edcie da \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cIsso tem uma consequ\u00eancia direta na chamada produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que se reflete na menor presen\u00e7a de organismos que fazem fotoss\u00edntese e precisam de luz [plantas].<\/p>\n<p>Como esperado, nenhum peixe herb\u00edvoro foi encontrado nessa regi\u00e3o\u201d, explica Gragnolati.<\/p>\n<p>Os v\u00eddeos foram analisados por meio de um software, que permite identificar as esp\u00e9cies de peixes.<\/p>\n<p>As imagens possibilitam ainda contar e medir os animais e, com isso, estimar a abund\u00e2ncia relativa dos peixes e a biomassa no local.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies foram classificadas de acordo com a alimenta\u00e7\u00e3o (carn\u00edvoras, herb\u00edvoras, on\u00edvoras etc.) e se eram ou n\u00e3o alvo de pesca na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de diversidade entre o ambiente mesof\u00f3tico e a parte rasa foi de 73%.<\/p>\n<p>Um conjunto de oito esp\u00e9cies representou metade da diferen\u00e7a entre os estratos de profundidade.<\/p>\n<p>Pargos (<em>Pagrus pagrus<\/em>) e serranos-do-atl\u00e2ntico (<em>Diplectrum formosum<\/em>) foram os peixes mais representativos do mesof\u00f3tico, enquanto a cotinga (<em>Haemulon aurolineatum<\/em>) foi a mais registrada nas \u00e1reas rasas.<\/p>\n<p>\u201cO estudo tamb\u00e9m evidenciou os efeitos ecol\u00f3gicos das unidades de conserva\u00e7\u00e3o marinhas de prote\u00e7\u00e3o integral, ou seja, as \u00e1reas onde a pesca n\u00e3o \u00e9 permitida. O Parque Estadual da Laje de Santos, por exemplo, apresentou uma riqueza 2,5 vezes maior e biomassa at\u00e9 oito vezes maior de esp\u00e9cies-alvo quando comparado com \u00e1reas onde a pesca \u00e9 autorizada\u201d, conclui Motta.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que tem a maior rede de \u00e1reas marinhas protegidas do pa\u00eds, com 53,7% da regi\u00e3o costeira com alguma prote\u00e7\u00e3o, o litoral paulista tem a maior ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies marinhas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o do Brasil. A pesca \u00e9 proibida em apenas 5,7% do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O trabalho foi premiado no in\u00edcio de maio durante o Encontro Recifal Brasileiro (EReBra), ocorrido em Niter\u00f3i (RJ), na categoria melhor apresenta\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Vertical structure of reef fish assemblages and light penetration reveal new boundaries of mesophotic ecosystems in the subtropical Southwestern Atlantic<\/em>\u00a0pode ser lido por assinantes em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141113624001880\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141113624001880<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; Grupo da Unifesp determinou, pela primeira vez, limites verticais da regi\u00e3o oce\u00e2nica subtropical que banha a Am\u00e9rica do Sul. 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