{"id":37308,"date":"2024-07-26T07:30:17","date_gmt":"2024-07-26T10:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=37308"},"modified":"2024-07-24T16:06:03","modified_gmt":"2024-07-24T19:06:03","slug":"fatores-ambientais-tem-mais-efeito-do-que-processos-ecologicos-na-biodiversidade-da-costa-sudeste-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/fatores-ambientais-tem-mais-efeito-do-que-processos-ecologicos-na-biodiversidade-da-costa-sudeste-do-brasil\/","title":{"rendered":"Fatores ambientais t\u00eam mais efeito do que processos ecol\u00f3gicos na biodiversidade da costa sudeste do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"card-text\">\n<div class=\"LabelMobil\">\n<p>Por Elton Alisson &#8211; Ag\u00eancia FAPESP \u2013 24 de julho de 2024 &#8211;\u00a0<span style=\"font-size: 14px;\"><em>Animais encontrados em \u00e1reas sob influ\u00eancia de \u00e1guas mais frias, como na regi\u00e3o dos Lagos, no Rio de Janeiro, s\u00e3o entre 25% e 100% maiores do que os que est\u00e3o em regi\u00f5es mais quentes, como o litoral paulista, aponta estudo. Morro dos lim\u00f5es, localizado na Ba\u00eda de Santos, litoral paulista (<i>foto: Phelipe Janning\/Ag\u00eancia FAPESP<\/i>)<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"linhas\">\n<p>A temperatura do oceano, a for\u00e7a das ondas e o volume de \u00e1gua doce que chega ao mar exercem maiores efeitos na abund\u00e2ncia e no tamanho de organismos marinhos encontrados em cost\u00f5es rochosos ao longo da costa sudeste do Brasil do que processos ecol\u00f3gicos, como a competi\u00e7\u00e3o e a preda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em \u00e1reas sob influ\u00eancia de \u00e1guas mais frias, como a regi\u00e3o dos Lagos, no Rio de Janeiro, os animais s\u00e3o entre 25% e 100% maiores do que os encontrados em regi\u00f5es mais quentes, como o litoral paulista.<\/p>\n<p>As constata\u00e7\u00f5es foram feitas por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), em parceria com colegas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), do Centro de Biologia Marinha da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cebimar-USP) e de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do exterior, por meio de um estudo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/164630\/integracao-de-processos-ecologicos-em-diferentes-escalas-espaciais-o-exemplo-de-um-sistema-presa-pr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiado<\/a><\/strong>\u00a0pela FAPESP.<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho, publicado na revista\u00a0<em>Marine Environmental Research<\/em>, tamb\u00e9m podem contribuir para estimar os potenciais impactos da mudan\u00e7a do clima sobre a biodiversidade marinha, avaliam os autores.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEntender os impactos da mudan\u00e7a do clima na biodiversidade \u00e9 desafiador dada a larga escala espacial em que esses eventos ocorrem, a dificuldade de manipular esses fatores para gerar experimentos controlados e o fato de que nem sempre s\u00e3o pontuais durante o tempo\u201d, diz \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/34616\/ronaldo-adriano-christofoletti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ronaldo Christofoletti<\/a><\/strong>, professor da Unifesp e coordenador do projeto.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os pesquisadores avaliaram a influ\u00eancia de fatores ambientais \u2013 como a topografia do substrato, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ondas e a temperatura do oceano e do ar \u2013 e ecol\u00f3gicos, como a preda\u00e7\u00e3o, na estrutura populacional das principais esp\u00e9cies de animais em cost\u00f5es rochosos em uma \u00e1rea de mais de 800 quil\u00f4metros (km), entre Itanha\u00e9m, no litoral paulista, at\u00e9 Arma\u00e7\u00e3o dos B\u00fazios, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A \u00e1rea equivale a mais de 50% da costa rochosa brasileira.<\/p>\n<p>Em uma primeira etapa foram realizadas campanhas de campo para coleta de dados em 62 cost\u00f5es rochosos com o objetivo de garantir que todos os indicadores estivessem sob influ\u00eancia de um mesmo regime de esta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram feitas outras campanhas de coleta em campo para avalia\u00e7\u00e3o da preda\u00e7\u00e3o entre as esp\u00e9cies principais e experimentos em 18 cost\u00f5es rochosos para testar como efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem influenciar a preda\u00e7\u00e3o entre os animais.<\/p>\n<p>Em paralelo ao trabalho em campo e as an\u00e1lises dos organismos em laborat\u00f3rio foram realizadas etapas de sensoriamento remoto e modelagem para obter dados de monitoramento de sat\u00e9lite da temperatura do oceano, da descarga de \u00e1gua doce por rios na zona costeira e da for\u00e7a de impacto das ondas para entender como cada um desses fatores varia em uma escala de menos de 10 km ao longo da costa.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicaram que a maior parte das esp\u00e9cies avaliadas tende a ser menor nas \u00e1reas de \u00e1gua mais quente \u2013 na regi\u00e3o da Baixada Santista at\u00e9 o litoral sul do Rio de Janeiro, por exemplo \u2013 do que em \u00e1reas de \u00e1guas mais frias, como as da regi\u00e3o dos Lagos no litoral fluminense.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies filtradoras, como cracas e mexilh\u00f5es, s\u00e3o 25% a 35% maiores em \u00e1guas mais frias, enquanto as esp\u00e9cies carn\u00edvoras chegaram\u00a0a ser 50% maiores e, as esp\u00e9cies herb\u00edvoras, 100% a 130% maiores na regi\u00e3o de \u00e1guas mais frias.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, uma das explica\u00e7\u00f5es para essa diferen\u00e7a de tamanho dos animais de acordo com a temperatura do mar \u00e9 que, em \u00e1guas mais quentes, os animais tendem a alcan\u00e7ar a maturidade sexual mais cedo.<\/p>\n<p>Dessa forma, investem energia em crescimento por menos tempo e ficam menores e depois investem mais energia na reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a regi\u00e3o dos Lagos \u00e9 influenciada pelo processo de ressurg\u00eancia, que traz nutrientes do fundo do oceano e enriquecem a \u00e1gua, podendo trazer mais energia para a cadeia alimentar.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados n\u00e3o mostraram que a alimenta\u00e7\u00e3o era limitante em nenhuma regi\u00e3o, pois sempre havia presas dispon\u00edveis para os animais se alimentarem. Mas o fato de termos \u00e1guas naturalmente mais ricas em nutrientes pode influenciar uma maior taxa de crescimento. Essa hip\u00f3tese teria sido avaliada durante o projeto, por\u00e9m essa etapa foi interrompida pela pandemia de COVID-19 e n\u00e3o foi poss\u00edvel dar sequ\u00eancia posteriormente\u201d, disse Christofoletti.<\/p>\n<h3>Efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h3>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m buscaram entender como as popula\u00e7\u00f5es de organismos marinhos se diversificam em ambiente natural em um gradiente de temperatura do oceano que varia naturalmente em, aproximadamente, 3\u00baC, entre os locais com \u00e1guas mais quentes \u2013 na regi\u00e3o da Baixada Santista at\u00e9 Ilha Grande, no Rio de Janeiro \u2013 e mais frias, como na regi\u00e3o dos Lagos.<\/p>\n<p>De acordo com eles, o entendimento de como esse gradiente de temperatura influencia no ambiente natural permite extrapolar os potenciais impactos do aumento da temperatura do oceano que, em 2023, no Atl\u00e2ntico Sul, ficou entre 1\u00ba e 2\u00baC acima da m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Neste gradiente de temperatura do oceano na costa sudeste brasileira, os pesquisadores buscaram cost\u00f5es rochosos com diferentes graus de impacto das ondas, desde \u00e1reas mais abrigadas, com pouca for\u00e7a das ondas, at\u00e9 \u00e1reas de alta energia de ondas. Assim, foi poss\u00edvel avaliar, al\u00e9m da temperatura do oceano, o efeito local da for\u00e7a das ondas.<\/p>\n<p>\u201cNeste caso, \u00e9 poss\u00edvel avaliar como o aumento das ressacas no mar, que geram ondas mais fortes, pode influenciar na biodiversidade\u201d, explicou Christofoletti.<\/p>\n<p>Em \u00e1reas sob maior influ\u00eancia de ondas, a abund\u00e2ncia de cracas foi 50% maior e a de mexilh\u00f5es e do caracol saquarit\u00e1 (<em>Stramonita brasiliensis<\/em>) foi o triplo.<\/p>\n<p>Uma das explica\u00e7\u00f5es para isso \u00e9 o aumento na chegada de nutrientes, alimento e larvas por meio das ondas, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Um experimento realizado durante o estudo nos cost\u00f5es rochosos mostrou que, em locais com maior influ\u00eancia de ondas, a preda\u00e7\u00e3o do caracol saquarit\u00e1 por cracas \u00e9 reduzida em raz\u00e3o de as ondas atrapalharem os predadores, que podem ser removidos das rochas.<\/p>\n<p>A preda\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante em locais com menor influ\u00eancia de ondas, onde as presas s\u00e3o encontradas em menores quantidades e os predadores s\u00e3o mais eficientes em com\u00ea-las, uma vez que n\u00e3o s\u00e3o atrapalhados pelas ondas.<\/p>\n<p>\u201cEm um cen\u00e1rio de aumento do n\u00edvel do mar e da frequ\u00eancia de eventos extremos, os resultados mostram que os organismos podem se tornar mais abundantes, por\u00e9m com maiores desafios para se alimentar, o que pode gerar um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 ainda mais forte somado ao aumento da temperatura do oceano, onde eles tamb\u00e9m tendem a se tornar menores em tamanho, configurando uma completa altera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es naturais do ambiente\u201d, avalia Andr\u00e9 Pardal, professor da Unifesp e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram selecionados cost\u00f5es rochosos pr\u00f3ximos e distantes da foz de rios para avaliar como a chegada da \u00e1gua doce pode influenciar na biodiversidade marinha.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as do clima t\u00eam intensificado os per\u00edodos de chuva extrema, que, por sua vez, resultam em mais \u00e1gua doce chegando ao mar pelos rios, ressaltam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cEm um cen\u00e1rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, um cost\u00e3o rochoso pr\u00f3ximo a um rio que traz mais \u00e1gua das chuvas intensas, sob exposi\u00e7\u00e3o das ondas que aumentam na ressaca e em um oceano mais quente, teremos aumento de mexilh\u00f5es e diminui\u00e7\u00e3o da preda\u00e7\u00e3o sobre eles, o que faz com que este animal se torne mais abundante, domine o espa\u00e7o e altere toda a biodiversidade natural do ambiente. Este \u00e9 um exemplo a partir da perspectiva de uma \u00fanica esp\u00e9cie\u201d, ponderou Christofoletti.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Environmental factors have stronger effects than biotic processes in patterns of intertidal populations along the southeast coast of Brazil<\/em>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141113624003076\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141113624003076<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson &#8211; Ag\u00eancia FAPESP \u2013 24 de julho de 2024 &#8211;\u00a0Animais encontrados em \u00e1reas sob influ\u00eancia de \u00e1guas mais frias, como na regi\u00e3o dos Lagos, no Rio de Janeiro, s\u00e3o entre 25% e 100% maiores do que os que est\u00e3o em regi\u00f5es mais quentes, como o litoral paulista, aponta estudo. 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