{"id":38075,"date":"2025-04-04T07:30:51","date_gmt":"2025-04-04T10:30:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=38075"},"modified":"2025-04-03T16:16:07","modified_gmt":"2025-04-03T19:16:07","slug":"estudo-global-revela-impacto-oculto-das-atividades-humanas-na-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/estudo-global-revela-impacto-oculto-das-atividades-humanas-na-natureza\/","title":{"rendered":"Estudo global revela impacto oculto das atividades humanas na natureza"},"content":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 2 de abril de 2025 &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em><span style=\"background-color: var(--wpex-surface-1); color: var(--wpex-text-2); font-family: var(--wpex-body-font-family, var(--wpex-font-sans));\">Levantamento conduzido em 119 regi\u00f5es do mundo investigou a \u201cdiversidade faltante\u201d, isto \u00e9, esp\u00e9cies nativas que poderiam estar presentes na localidade, mas estavam ausentes. Resultados foram publicados na revista\u00a0<\/span>Nature. Mapa das regi\u00f5es estudadas, gr\u00e1fico de dispers\u00e3o (cr\u00e9dito: DarkDivNet).<\/em><\/span><\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o natural frequentemente carece de muitas esp\u00e9cies que poderiam estar presentes, mas n\u00e3o est\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso ocorre, principalmente, em regi\u00f5es muito afetadas pela atividade humana.<\/p>\n<p>Uma pesquisa <strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-08814-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicada<\/a><\/strong>\u00a0hoje (02\/04) na revista\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0fez um levantamento exaustivo dessa situa\u00e7\u00e3o em 119 regi\u00f5es ao redor do mundo.<\/p>\n<p>O artigo d\u00e1 conta daquilo que os especialistas chamam, em ingl\u00eas, de\u00a0<em>dark diversity<\/em>, que, em portugu\u00eas, poderia ser denominado \u201cdiversidade faltante\u201d.<\/p>\n<p>Mais de 200 pesquisadores, membros da colabora\u00e7\u00e3o internacional\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/macroecology.ut.ee\/en\/darkdivnet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DarkDivNet<\/a><\/strong>, participaram do estudo, investigando a presen\u00e7a ou n\u00e3o de plantas em 5.500 locais.<\/p>\n<p>A pesquisa foi coordenada pelo professor\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/macroecology.ut.ee\/our-people\/meelis-partel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meelis P\u00e4rtel<\/a><\/strong>, do Instituto de Ecologia e Ci\u00eancias da Terra da Universidade de Tartu, na Est\u00f4nia.<\/p>\n<p>E teve a participa\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/79782\/alessandra-tomaselli-fidelis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alessandra Fidelis<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/697359\/mariana-correa-dairel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mariana Dairel<\/a><\/strong>, entre outros brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cEm cada lugar, pesquisadores locais registraram todas as esp\u00e9cies de plantas e identificaram a diversidade faltante, isto \u00e9, as esp\u00e9cies nativas que poderiam viver ali, mas estavam ausentes. Isso nos permitiu compreender o potencial da diversidade vegetal no lugar e tamb\u00e9m medir o impacto das atividades humanas sobre a vegeta\u00e7\u00e3o natural\u201d, explica Fidelis, professora do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), campus de Rio Claro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38076\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature.jpg\" alt=\"\" width=\"726\" height=\"968\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature.jpg 960w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nature-600x800.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 726px) 100vw, 726px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 14px;\">\u00c1rea submetida a impacto antr\u00f3pico pr\u00f3xima \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Itirapina, no Estado de S\u00e3o Paulo (foto: Mariana Dairel)<\/span><\/em><\/p>\n<p>Segundo o estudo, em regi\u00f5es com pouco impacto humano, os ecossistemas normalmente apresentam mais de um ter\u00e7o das esp\u00e9cies potencialmente adequadas.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia dos outros dois ter\u00e7os deve-se a fatores naturais, como a dispers\u00e3o limitada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em regi\u00f5es fortemente impactadas por atividades antr\u00f3picas, os ecossistemas cont\u00eam apenas uma em cada cinco esp\u00e9cies adequadas.<\/p>\n<p>\u201cMedidas tradicionais de biodiversidade, como simplesmente contar o n\u00famero de esp\u00e9cies presentes, n\u00e3o detectam esse impacto, pois a varia\u00e7\u00e3o natural da biodiversidade entre regi\u00f5es e ecossistemas oculta a verdadeira extens\u00e3o da influ\u00eancia humana\u201d, afirmam os coordenadores do estudo.<\/p>\n<p>O professor Meelis P\u00e4rtel conta que a colabora\u00e7\u00e3o DarkDivNet come\u00e7ou cerca de sete anos atr\u00e1s, em 2018.<\/p>\n<p>\u201cT\u00ednhamos introduzido a teoria de\u00a0<em>dark diversity<\/em>\u00a0e desenvolvido m\u00e9todos para estud\u00e1-la, mas, para realizar compara\u00e7\u00f5es globais, precis\u00e1vamos de uma amostragem consistente em muitas regi\u00f5es. Parecia uma miss\u00e3o imposs\u00edvel, por\u00e9m, muitos colegas de diferentes continentes se juntaram a n\u00f3s\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades decorrentes da pandemia de COVID-19 e das crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas globais, os dados foram coletados ao longo dos anos, mesmo sem um financiamento central.<\/p>\n<p>Fidelis aderiu ao estudo desde o in\u00edcio, quando uma pequena reuni\u00e3o sobre a DarkDivNet foi realizada em um congresso da International Association for Vegetation Science (IAVS), em Bozeman, Estados Unidos, em 2018.<\/p>\n<p>\u201cA partir disso, v\u00e1rios pesquisadores se juntaram \u00e0 iniciativa, aplicando a mesma metodologia em diversos locais do mundo. A doutora Mariana Dairel, na \u00e9poca minha orientanda de doutorado, empolgou-se com a ideia e me auxiliou no levantamento dos dados. Resolvemos coletar informa\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o de Itirapina, no Estado de S\u00e3o Paulo, onde se localizam as esta\u00e7\u00f5es Ecol\u00f3gica e Experimental de Itirapina. Nessa regi\u00e3o, h\u00e1 tanto vegeta\u00e7\u00e3o nativa de Cerrado quanto \u00e1reas antropizadas, com plantio de pinheiros e eucaliptos\u201d, informa a pesquisadora.<\/p>\n<p>E acrescenta:<\/p>\n<p>\u201cSabemos que o impacto humano tem trazido diversas consequ\u00eancias para os ecossistemas, afetando a biodiversidade. Por\u00e9m, este estudo vai al\u00e9m: mostra como estamos perdendo n\u00e3o somente as esp\u00e9cies que estavam ali antes, mas tamb\u00e9m as que potencialmente poderiam estar na \u00e1rea, podendo, dessa forma, afetar a regenera\u00e7\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<h3>Pegada ecol\u00f3gica<\/h3>\n<p>O n\u00edvel de perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica em cada regi\u00e3o foi medido utilizando o Indicador da Pegada Ecol\u00f3gica (<em>Human Footprint Index<\/em>), que inclui fatores como densidade populacional humana, mudan\u00e7as no uso da terra (como urbaniza\u00e7\u00e3o e agricultura) e infraestrutura (estradas e ferrovias).<\/p>\n<p>O estudo constatou que a diversidade de plantas em um local \u00e9 negativamente influenciada pelo n\u00edvel da \u201cpegada ecol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>Quanto maior o \u00edndice, menor a diversidade. A influ\u00eancia antr\u00f3pica pode estender-se por centenas de quil\u00f4metros ao redor do ponto em que ocorre.<\/p>\n<p>\u201cEsse resultado \u00e9 alarmante, porque mostra que as perturba\u00e7\u00f5es humanas t\u00eam um impacto muito mais amplo do que se pensava, alcan\u00e7ando at\u00e9 mesmo reservas naturais. Polui\u00e7\u00e3o, desmatamento, descarte de lixo, pisoteio e inc\u00eandios causados por humanos podem excluir plantas de seus h\u00e1bitats e impedir a recoloniza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m descobrimos que a influ\u00eancia negativa da atividade humana era menos pronunciada quando ao menos um ter\u00e7o da regi\u00e3o ao redor permanecia intacto, o que refor\u00e7a a meta global de proteger 30% do territ\u00f3rio terrestre at\u00e9 2030\u201d, destaca o professor P\u00e4rtel.<\/p>\n<p>E alerta para a necessidade de manter e melhorar a sa\u00fade dos ecossistemas para al\u00e9m das reservas naturais, utilizando o conceito de \u201cdiversidade faltante\u201d como ferramenta pr\u00e1tica para atividades de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores do estudo atribuem o empobrecimento da vegeta\u00e7\u00e3o \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o, perda de conectividade, defauna\u00e7\u00e3o (perda de esp\u00e9cies animais, especialmente de dispersores de sementes), dist\u00farbios como fogo e extra\u00e7\u00e3o de madeira, al\u00e9m da eutrofiza\u00e7\u00e3o (processo de polui\u00e7\u00e3o que ocorre quando h\u00e1 um aumento de nutrientes em corpos de \u00e1gua, como rios, lagos e estu\u00e1rios).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de pelo menos 30% da paisagem em estado natural foi associada a uma mitiga\u00e7\u00e3o desses efeitos.<\/p>\n<p>Alessandra Fidelis recebeu apoio da FAPESP por meio do projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/89230\/como-a-epoca-do-fogo-afeta-a-vegetacao-do-cerrado\/?q=2015\/06743-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Como a \u00e9poca do fogo afeta a vegeta\u00e7\u00e3o do cerrado?<\/a><\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>E Mariana Dairel foi contemplada pela FAPESP com uma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/195726\/as-comunidades-savanicas-do-cerrado-sao-resilientes-ao-fogo\/?q=2019\/09659-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bolsa de Doutorado<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Global impoverishment of natural vegetation revealed by dark diversity<\/em>\u00a0pode ser acessado em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-08814-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.nature.com\/articles\/s41586-025-08814-5<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 2 de abril de 2025 &#8211; Levantamento conduzido em 119 regi\u00f5es do mundo investigou a \u201cdiversidade faltante\u201d, isto \u00e9, esp\u00e9cies nativas que poderiam estar presentes na localidade, mas estavam ausentes. 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