{"id":38221,"date":"2025-05-12T07:30:53","date_gmt":"2025-05-12T10:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=38221"},"modified":"2025-05-09T09:16:03","modified_gmt":"2025-05-09T12:16:03","slug":"ferramenta-identifica-areas-ecologicamente-equivalentes-para-orientar-projetos-de-restauracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/ferramenta-identifica-areas-ecologicamente-equivalentes-para-orientar-projetos-de-restauracao\/","title":{"rendered":"Ferramenta identifica \u00e1reas ecologicamente equivalentes para orientar projetos de restaura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Luciana Constantino &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 9 de maio de 2025 &#8211; <span style=\"font-size: 14px;\"><em>Modelo projetado para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente usa dados de biodiversidade, paisagem e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e poder\u00e1 dar suporte a pol\u00edticas p\u00fablicas. Ferramenta teve como sistema de estudo a Mata Atl\u00e2ntica, um dos biomas mais biodiversos e amea\u00e7ados no mundo (<i>foto: Clarice Borges-Matos<\/i>).<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"linhas\">\n<p>Com recordes sucessivos de altas temperaturas no mundo e a ocorr\u00eancia mais frequente de eventos clim\u00e1ticos extremos, a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de \u00e1reas degradadas e os novos mercados que a envolvem \u2013 como o de carbono e o de biodiversidade \u2013 t\u00eam ganhado destaque.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma ferramenta para tornar mais eficazes esquemas de compensa\u00e7\u00e3o ambiental, uma obriga\u00e7\u00e3o legal para minimizar ou reparar danos causados pela a\u00e7\u00e3o humana ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Chamada de\u00a0<em>Condition Assessment Framework<\/em>\u00a0(nome em ingl\u00eas para Esquema de Avalia\u00e7\u00e3o de Condi\u00e7\u00e3o Ambiental), a nova ferramenta permite avaliar a equival\u00eancia ecol\u00f3gica de uma \u00e1rea a ser restaurada ou protegida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 degradada considerando tr\u00eas importantes atributos: biodiversidade, paisagem e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Foi projetada para atender com compensa\u00e7\u00f5es mais precisas \u00e0s exig\u00eancias de reserva legal da Lei de Prote\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (<strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12651.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00ba 12.651\/2012<\/a><\/strong>) e teve como sistema de estudo a Mata Atl\u00e2ntica, um dos biomas mais biodiversos e amea\u00e7ados no mundo.<\/p>\n<p>Apontou que a combina\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor alternativa para resolver os chamados \u201cd\u00e9ficits de vegeta\u00e7\u00e3o nativa\u201d, garantindo benef\u00edcios ambientais e socioecon\u00f4micos. Esses d\u00e9ficits ocorrem quando a cobertura de floresta em uma propriedade est\u00e1 abaixo do m\u00ednimo exigido por lei, n\u00e3o sendo suficiente para auxiliar na manuten\u00e7\u00e3o da capacidade de funcionamento dos ecossistemas, com biodiversidade e ciclos de \u00e1gua e carbono equilibrados, por exemplo.<\/p>\n<p>Os resultados da aplica\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Condition Assessment Framework<\/em>\u00a0mostraram que prote\u00e7\u00e3o seguida de restaura\u00e7\u00e3o conseguiu resolver 99,47% do d\u00e9ficit no bioma Mata Atl\u00e2ntica no Estado de S\u00e3o Paulo, com adicionalidade e custo (US$ 1,29 bilh\u00e3o) intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Vale explicar que, no contexto ambiental, a adicionalidade ocorre quando os resultados positivos gerados, como a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, n\u00e3o teriam ocorrido de outra maneira, ou seja, sem que o projeto espec\u00edfico fosse realizado.<\/p>\n<p>Quando as estrat\u00e9gias s\u00e3o analisadas individualmente, a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais eficaz e com maior adicionalidade (98,99% de resolu\u00e7\u00e3o), por\u00e9m tem valor elevado (US$ 2,1 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Em seguida, com efic\u00e1cia bem menor, ficaram as estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o (40,22% e US$ 14,3 milh\u00f5es) e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (0,15% e US$ 104 mil).<\/p>\n<p>O modelo, segundo os cientistas, \u00e9 o primeiro a integrar as demandas atuais de avalia\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia, a partir de um m\u00e9todo relativamente simples e de dados espacialmente expl\u00edcitos analisados em Sistemas de Informa\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas (GIS).<\/p>\n<p>Flex\u00edvel, permite adapta\u00e7\u00e3o para outros biomas e legisla\u00e7\u00f5es, mostrando-se uma inova\u00e7\u00e3o promissora a ser usada em projetos de compensa\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-38223\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1078\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp.jpg 1122w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp-223x300.jpg 223w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp-760x1024.jpg 760w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp-768x1035.jpg 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/figura-artigo-3-agfapesp-600x809.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"linhas\">\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o espacial do d\u00e9ficit de Reserva Legal (RL) em hectares (ha) resolvido em cada hex\u00e1gono pelas estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o aplicadas nos cen\u00e1rios testados.<\/p>\n<p>No primeiro cen\u00e1rio, o teste foi apenas da estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o da floresta usando somente os excedentes de RL.<\/p>\n<p>No segundo, a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o foi o excedente somada \u00e0s RL de pequenas propriedades (&lt; 4 m\u00f3dulos fiscais). No terceiro e no quarto cen\u00e1rios, as estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o e de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria em Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) foram testadas separadamente.<\/p>\n<p>Por fim, os \u00faltimos cen\u00e1rios testaram formas de prote\u00e7\u00e3o seguidas de restaura\u00e7\u00e3o, apresentando resultados muitos semelhantes e que demonstraram o melhor custo-benef\u00edcio para compensa\u00e7\u00e3o de RL<\/p>\n<p>No futuro, pode vir a ser adaptado a cr\u00e9ditos de biodiversidade \u2013 um novo mercado em formula\u00e7\u00e3o que busca financiar iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o, protegendo ou restaurando esp\u00e9cies nativas \u2013 e para an\u00e1lise de corredores ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o da metodologia est\u00e1 publicada em um artigo na revista\u00a0<em><strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2665972725000169?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Environmental and Sustainability Indicators<\/a><\/strong><\/em>e os resultados da aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo est\u00e3o em outro na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0195925525001192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Environmental Impact Assessment Review<\/em><\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cFizemos o teste na Mata Atl\u00e2ntica, avaliando uma regi\u00e3o no interior do Estado de S\u00e3o Paulo e outra na parte costeira. Observamos que o m\u00e9todo realmente detecta as diferen\u00e7as ambientais entre \u00e1reas. No interior, apesar de mais desmatado, \u00e9 poss\u00edvel encontrar mais \u00e1reas ecologicamente equivalentes do que pr\u00f3ximo \u00e0 costa, onde h\u00e1 muita heterogeneidade ambiental\u201d, diz a pesquisadora\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/698924\/clarice-borges-matos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clarice Borges-Matos<\/a><\/strong>, primeira autora dos artigos, que \u00e0 \u00e9poca estava no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP) e, atualmente, est\u00e1 na Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USP.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/94876\/areas-prioritarias-para-compensacao-de-reserva-legal-pesquisa-para-o-desenvolvimento-de-uma-ferramen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apoiada<\/a><\/strong>\u00a0pela FAPESP por meio do Programa BIOTA e de bolsas (<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/179376\/a-compensacao-ambiental-como-mecanismo-de-conservacao-dos-metodos-ao-teste-de-cenarios-baseados-no\/?q=17\/26684-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">17\/26684-4<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/184313\/caminhos-para-a-intensificacao-ecologica-atraves-da-restauracao-e-da-certificacao-agricola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18\/22881-2<\/a><\/strong>), a pesquisa \u00e9 parte do doutorado de Borges-Matos, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/288\/jean-paul-walter-metzger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jean Paul Metzger<\/a><\/strong>, que tamb\u00e9m assina os dois artigos.<\/p>\n<p>\u201cA tese foi focada em como medir a equival\u00eancia ecol\u00f3gica e mostrar a possibilidade de fazer uma compensa\u00e7\u00e3o usando esses crit\u00e9rios. Ao levar a equival\u00eancia em considera\u00e7\u00e3o, as \u00e1reas a serem compensadas ter\u00e3o similaridade com as originalmente devastadas, tanto em biodiversidade como em servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Por exemplo, se uma mata oferecia o servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que ele continue existindo em \u00e1reas a serem compensadas. A equival\u00eancia deve ser tanto em termos de composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies quanto de fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, explica Metzger \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>.<\/p>\n<h3>A legisla\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A Lei de Prote\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa, conhecida como novo C\u00f3digo Florestal, estabelece regras para uso da terra e prote\u00e7\u00e3o ambiental dentro de propriedades privadas, as chamadas reservas legais.<\/p>\n<p>Exige que uma parte da \u00e1rea rural seja mantida com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, sem preju\u00edzo da aplica\u00e7\u00e3o das normas sobre as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente.<\/p>\n<p>Nos Estados da Amaz\u00f4nia Legal, \u00e9 obrigat\u00f3rio manter a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o em 80% da \u00e1rea dos im\u00f3veis situados na floresta, em 35% no Cerrado e 20% em campos gerais \u2013 o mesmo porcentual para o restante do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os d\u00e9ficits na extens\u00e3o da reserva legal devem ser compensados por meio de prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o existente em outra propriedade ou restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00fanica exig\u00eancia ambiental \u00e9 que a compensa\u00e7\u00e3o seja realizada dentro do mesmo bioma onde h\u00e1 o d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela equival\u00eancia ecol\u00f3gica de esp\u00e9cies e ecossistemas espec\u00edficos em negocia\u00e7\u00f5es de compensa\u00e7\u00e3o de reserva legal.<\/p>\n<p>Em um novo julgamento, cinco anos depois, estabeleceu que a equival\u00eancia deveria ser estendida a todas as formas de compensa\u00e7\u00e3o presentes na lei.<\/p>\n<p>Essa exig\u00eancia, no entanto, foi questionada sob argumentos como: falta de defini\u00e7\u00e3o das formas de mensurar a equival\u00eancia ecol\u00f3gica e dos n\u00edveis de equival\u00eancia a serem buscados.<\/p>\n<p>Em 2024, o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4961436\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STF<\/a><\/strong>\u00a0manteve o bioma como \u00fanico mecanismo compensat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ter apenas esse crit\u00e9rio como requerimento ambiental pode levar \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es para \u00e1reas muito distintas daquelas onde houve a perda de vegeta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que os biomas brasileiros s\u00e3o muito heterog\u00eaneos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em algumas regi\u00f5es, como em S\u00e3o Paulo, \u00e9 poss\u00edvel que toda ou a maior parte das \u00e1reas compensadas fique em excedentes de reserva legal, ou seja, vegeta\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente, com pouca restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A equival\u00eancia ecol\u00f3gica \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para assegurar ambientes e recursos aos animais e plantas nativas como para proteger fontes e cursos d\u2019\u00e1gua, conter eros\u00f5es, al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o de outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, entre eles a poliniza\u00e7\u00e3o natural, indispens\u00e1vel para boa parte da agricultura.<\/p>\n<p>\u201cA restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tem sido vista como uma quest\u00e3o funcional, n\u00e3o apenas de \u00e1rea. Na hierarquia da mitiga\u00e7\u00e3o [um esquema aplicado para controlar impactos de empreendimentos sobre o meio ambiente], se n\u00e3o conseguimos evitar o dano, \u00e9 necess\u00e1rio minimiz\u00e1-lo e compens\u00e1-lo com impacto positivo. Nesse sentido, m\u00e9tricas como essas s\u00e3o muito \u00fateis e poder\u00e3o ser usadas de v\u00e1rias formas\u201d, completa Metzger, que estuda o tema h\u00e1 anos e participou como autor principal da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (IPBES, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O Brasil reafirmou recentemente a meta estabelecida no Acordo de Paris de restaurar pelo menos 12 milh\u00f5es de hectares de florestas at\u00e9 2030 \u2013 uma \u00e1rea pouco menor que o territ\u00f3rio do Amap\u00e1.<\/p>\n<p>Em outubro de 2024, lan\u00e7ou a revis\u00e3o do Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (Planaveg), que define diretrizes para acelerar e dar escala \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a rede\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/07\/Fact_Degradacao_05.07_v5_06h15.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MapBiomas<\/a><\/strong>, o Brasil teve entre 11% e 25% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa suscet\u00edvel \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o entre 1986 e 2021 \u2013 correspondente a uma \u00e1rea que varia de 60,3 milh\u00f5es de hectares a 135 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia, por exemplo, somente no ano passado teve a maior \u00e1rea degradada dos \u00faltimos 15 anos por causa do aumento dos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Enquanto no desmatamento a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente cortada, na degrada\u00e7\u00e3o h\u00e1 perda gradual, decorrente do fogo, da remo\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores selecionadas e dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<h3>Na pr\u00e1tica<\/h3>\n<p>Ao aplicar o m\u00e9todo na Mata Atl\u00e2ntica em S\u00e3o Paulo, os pesquisadores conclu\u00edram que as regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas \u00e0 costa (sul do Estado) apresentaram atributos com valores mais positivos em termos ambientais e maior heterogeneidade espacial do que as \u00e1reas do interior (noroeste), com padr\u00e3o oposto.<\/p>\n<p>Para a sele\u00e7\u00e3o dos atributos de equival\u00eancia ecol\u00f3gica foram analisados dados que incluem desde a variedade de esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, anf\u00edbios e \u00e1rvores at\u00e9 a cobertura florestal e estoque de carbono.<\/p>\n<p>Os atributos s\u00e3o inseridos individualmente, permitindo v\u00e1rias an\u00e1lises.<\/p>\n<p>E os atributos selecionados s\u00e3o apresentados de forma separada, garantindo transpar\u00eancia e entendimento do que ser\u00e1 compensado.<\/p>\n<p>Borges-Matos iniciou os estudos de sua tese fazendo uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica sobre as m\u00e9tricas de equival\u00eancia ecol\u00f3gica utilizadas em compensa\u00e7\u00f5es ambientais j\u00e1 desenvolvidas e propostas at\u00e9 2023.<\/p>\n<p>O resultado foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00267-023-01858-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<em>Environmental Management<\/em>.<\/p>\n<p>No ano em que a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP30) \u00e9 realizada pela primeira vez na Amaz\u00f4nia, os resultados obtidos na pesquisa ganham ainda mais import\u00e2ncia, pois podem ampliar o entendimento de que a integra\u00e7\u00e3o da equival\u00eancia ecol\u00f3gica em negocia\u00e7\u00f5es traz benef\u00edcios sociais, econ\u00f4micos e ambientais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de conservar a biodiversidade e retornar servi\u00e7os ecossist\u00eamicos perdidos, contribuem para mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com benef\u00edcios para comunidades locais e produtores rurais, avaliam os cientistas.<\/p>\n<p>Os artigos\u00a0<em>A new methodological framework to assess ecological equivalence in compensation schemes<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Combining protection and restoration strategies enables cost-effective compensation with ecological equivalence in Brazil<\/em>\u00a0podem ser lidos, respectivamente, em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2665972725000169?via%3Dihub#bib58\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2665972725000169?via%3Dihub#bib58<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0195925525001192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0195925525001192<\/a><\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luciana Constantino &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 9 de maio de 2025 &#8211; Modelo projetado para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente usa dados de biodiversidade, paisagem e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e poder\u00e1 dar suporte a pol\u00edticas p\u00fablicas. 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