{"id":38225,"date":"2025-05-13T07:30:00","date_gmt":"2025-05-13T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=38225"},"modified":"2025-05-12T15:46:10","modified_gmt":"2025-05-12T18:46:10","slug":"a-tragedia-do-plastico-num-santuario-de-aves-marinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-tragedia-do-plastico-num-santuario-de-aves-marinhas\/","title":{"rendered":"A trag\u00e9dia do pl\u00e1stico num santu\u00e1rio de aves marinhas"},"content":{"rendered":"<p>Por <a class=\"text-uppercase\" href=\"https:\/\/oeco.org.br\/author\/aldem-bourscheit\/\">Aldem Bourscheit<\/a> &#8211; O Eco &#8211; 8 de maio de 2025 &#8211;\u00a0<span style=\"font-size: 14px;\"><em>Esse e outros res\u00edduos j\u00e1 contaminaram animais e ambientes na Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, de praias a ilhas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Imagem do Parque Nacional Marinho das Ilhas do Currais feita com drone por Gabriel Marchi, sob autoriza\u00e7\u00e3o do ICMBio\/NGI Matinhos n\u00ba 02127.011586\/2025-01.<\/em><\/span><\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o de um grande viveiro natural de aves no litoral do Paran\u00e1 conteve o vandalismo e a pesca desregrada, mas n\u00e3o o livrou de amea\u00e7as como o lixo pl\u00e1stico. Cientistas avaliam a dimens\u00e3o e apontam solu\u00e7\u00f5es ao problema.<\/p>\n<p>Alcan\u00e7amos o Parque Nacional das Ilhas dos Currais cruzando \u00e1guas calmas bem antes do raiar do sol. Decolando de seus picos cravados no mar, incont\u00e1veis aves nos receberam, patrulhando o c\u00e9u e protegendo valiosos ninhos.<\/p>\n<p>O censo n\u00e3o est\u00e1 atualizado, mas at\u00e9 8 mil aves vivem e procriam na unidade de conserva\u00e7\u00e3o, sobretudo das esp\u00e9cies atob\u00e1-pardo\u00a0<em>(Sula leucogaster)<\/em>, fragata\u00a0<em>(Fregata magnificens)<\/em>\u00a0e gaivota-do-mar\u00a0<em>(Larus dominicanus)<\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>Autorizados por estudos em andamento, cientistas saltaram nas \u00e1guas rumo a um raro acesso na maior das ilhas. Em menos de uma hora, lotaram sacos com garrafas, madeira e isopor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38226\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1120\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1.webp 1371w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1-214x300.webp 214w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1-731x1024.webp 731w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1-768x1076.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1-1097x1536.webp 1097w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113549_c-scaled-1-600x840.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38227\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c.webp\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"1119\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c.webp 850w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c-214x300.webp 214w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c-731x1024.webp 731w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c-768x1075.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_113826_c-600x840.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Parte do lixo recolhido num \u00fanico ponto do Parna das Ilhas dos Currais. Fotos: Aldem Bourscheit\/O Eco.<\/em><\/p>\n<p>O lixo deixou todos com a pulga atr\u00e1s da orelha. Como l\u00e1 chegou se Currais n\u00e3o \u00e9 aberto a turistas ou pesca n\u00e3o autorizados? A resposta est\u00e1 na carona que pega nas correntes do mar, ondas e mar\u00e9s.<\/p>\n<p>\u201c[O parque] acumula res\u00edduos descartados aqui e de origem internacional\u201d, contou Fernanda Possatto, doutora em Sistemas Costeiros e Oce\u00e2nicos pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>Currais est\u00e1 na ba\u00eda do Porto de Paranagu\u00e1,\u00a0 que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/Noticia\/66769001-toneladas-Porto-de-Paranagua-bate-novo-recorde-de-movimentacao-em-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">movimentou<\/a>\u00a067 milh\u00f5es de toneladas de produtos ano passado. Elas v\u00e3o e v\u00eam em milhares de navios, do mundo todo. N\u00e3o raro, res\u00edduos acumulados nas viagens acabam nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Outra dor de cabe\u00e7a, o que chega boiando pode ser comido ou usado pelas aves nas ilhas Grapir\u00e1, Dois Picos e Filhote, avisou o ornit\u00f3logo Pedro Scherer Neto, mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>\u201cVi escovas de dente, linhas de pesca e bra\u00e7os de bonecas em ninhos. Os animais acham que \u00e9 decora\u00e7\u00e3o\u201d, explicou. \u201cAl\u00e9m disso, esp\u00e9cies que pescam mergulhando podem ficar presas em redes e morrer, como albatrozes, atob\u00e1s e tartarugas\u201d.<\/p>\n<p>Scherer Neto liderou pesquisas conservacionistas\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/o-atoba-quarentao-que-uniu-geracoes-de-pesquisadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pioneiras<\/a>\u00a0na regi\u00e3o dos Currais, de meados dos anos 1980 ao mesmo per\u00edodo da d\u00e9cada seguinte, bem antes dela ser delimitada como um parque nacional.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20323046051_8aa691d55a_b.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38228\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20323046051_8aa691d55a_b.webp\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"1066\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20323046051_8aa691d55a_b.webp 614w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20323046051_8aa691d55a_b-225x300.webp 225w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20323046051_8aa691d55a_b-600x800.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38229\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1066\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2.webp 850w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2-225x300.webp 225w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2-768x1024.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Casal_e_filhote_de_atoba_Sula_leucogaster_nas_ilhas_Moleques_do_Sul_sul_do_Brasil_2-600x800.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>As fragatas (esquerda) e os atob\u00e1s comp\u00f5em as maiores popula\u00e7\u00f5es de aves no Parna Currais. Fotos: Lip Kee\/Andr\u00e9 Ganzarolli Martins\/Creative Commons.<\/em><\/span><\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Microlixo \u00e9 problem\u00e3o<\/h3>\n<p>Contudo, as preocupa\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m dos res\u00edduos maiores. Afinal, a circula\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico carrega as amea\u00e7as quase invis\u00edveis dos micropl\u00e1sticos, cuja presen\u00e7a come\u00e7ou a ser pesada no Parque dos Currais.<\/p>\n<p>Embarcados e munidos de redes e outros equipamentos, cientistas coletaram pela primeira vez \u00e1gua nos limites da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Mesmo antes de chegar ao laborat\u00f3rio, as amostras j\u00e1 exibiam pequenos pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 comparar a polui\u00e7\u00e3o na \u00e1rea protegida com a de outros pontos da ba\u00eda, de praias a outras ilhas, explicou Allan Krelling, doutor em Sistemas Costeiros e Oce\u00e2nicos pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 micropl\u00e1sticos em todas as regi\u00f5es amostradas desde 2001, de \u00e1reas populosas a unidades de conserva\u00e7\u00e3o, que deveriam estar intocadas\u201d, lamentou o ocean\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o ainda pior foi medida nas plumas ou leiras, massas d\u2019\u00e1gua com 23 vezes mais micropl\u00e1sticos por litro do que em outras zonas. Como rios cortando o mar, elas carregam poluentes, pequenos peixes e outros alimentos.<\/p>\n<p>\u201cEsp\u00e9cies comem o lixo, que pode subir pela cadeia alimentar [quando um animal se alimenta de outro] at\u00e9 as pessoas\u201d, alertou a pesquisadora Fernanda Possatto (UFPR).<\/p>\n<p>Estudos publicados apontam que todas as aves marinhas est\u00e3o contaminadas com micropl\u00e1sticos, lembrou a bi\u00f3loga Juliana Rechetelo, doutora em Ci\u00eancias Ambientais pela Universidade James Cook (Austr\u00e1lia).<\/p>\n<p>Ela lidera an\u00e1lises sobre a quantidade desses poluentes em animais vivos, como a gaivota-do-mar, o trinta-r\u00e9is-de-bico-vermelho e a coruja-buraqueira\u00a0<em>(Athene cunicularia)<\/em>. Em todas eles foram encontrados.<\/p>\n<p>\u201cMicropl\u00e1sticos s\u00e3o cumulativos, liberam toxinas e prejudicam o organismo dos animais. Isso afeta ainda mais os de topo de cadeia [alimentar], cujas perdas podem desregular os ecossistemas\u201d, detalhou Rechetelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38230\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1.webp\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1.webp 1920w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1-300x200.webp 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1-1024x683.webp 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1-768x512.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Projeto-Rebimar-1024x576-1-1-600x400.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Da borda do barco, cientistas observam a rede que coleta a \u00e1gua marinha onde \u00e9 avaliada a quantia de micropl\u00e1sticos. Foto: Projeto Rebimar\/Divulga\u00e7\u00e3o.<\/em><\/span><\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pl\u00e1stico universal<\/h3>\n<p>A dissemina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos como micropl\u00e1sticos \u00e9 um mau indicativo da sa\u00fade ambiental da regi\u00e3o da Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, um dos maiores estoques nacionais de Mata Atl\u00e2ntica preservada.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es incluiriam \u201cfechar a torneira\u201d dos poluentes. \u201cCerca de 80% do lixo nos oceanos tem origem terrestre\u201d, lembrou Allan Krelling, doutor em Sistemas Costeiros e Oce\u00e2nicos pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>Tal tarefa est\u00e1 longe de ser simples ou de curto prazo pela tomada mundial dos micropl\u00e1sticos, encontrados at\u00e9 em \u00e1guas mais profundas. As pesquisas usualmente coletam amostras superficiais.<\/p>\n<p>O alarme est\u00e1 num estudo publicado na revista Nature, no fim de abril, baseado em dados registrados numa d\u00e9cada por quase 2 mil esta\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas globalmente, a partir de 50 cm de profundidade.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o conclusivas, as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-08818-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">an\u00e1lises<\/a>\u00a0mostraram que os micropl\u00e1sticos menores tendem a se concentrar na l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua e durar bem mais que as part\u00edculas maiores.<\/p>\n<p>\u201cOs micropl\u00e1sticos no oceano s\u00e3o, em sua maioria, irrecuper\u00e1veis e persistentes. Sua presen\u00e7a prolongada e ac\u00famulo representam riscos para o bioma marinho\u201d, destacou o estudo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38231\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo.webp\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo.webp 1920w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo-300x200.webp 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo-1024x683.webp 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo-768x512.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Microplasticos-no-dedo-600x400.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Amostra de micropl\u00e1sticos num dedo humano. Foto: Orinoco Tribune\/Getty Images\/Creative Commons.<\/em><\/span><\/p>\n<p>O problema tamb\u00e9m pode envolver desperd\u00edcio. Afinal, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o massiva de pl\u00e1sticos que v\u00e3o ao lixo depois de usados s\u00f3 uma vez, a contamina\u00e7\u00e3o se deveria tamb\u00e9m \u00e0 parca reciclagem.<\/p>\n<p>Menos de 10% da produ\u00e7\u00e3o mundial de pl\u00e1sticos ocorre com materiais reaproveitados, mostra um artigo na revista Communications Earth &amp; Environment, do grupo Nature.<\/p>\n<p>Depois de avaliar mais de 80 mil usinas qu\u00edmicas globais, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-025-02169-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>\u00a0apontou que, embora o volume usado de pl\u00e1sticos reciclados aumente, a grande maioria delas \u00e9 muito dependente de itens novos e derivados do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Nessa toada, aumentar a reciclagem seria tapar o sol com a peneira se a produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos n\u00e3o for redesenhada para que sejam mais dur\u00e1veis e reaproveit\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cA reciclagem, sozinha, n\u00e3o tem sido suficiente para enfrentar a crise da polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica\u201d, concluiu Luisa Santiago, diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o Ellen MacArthur (<a href=\"https:\/\/www.ellenmacarthurfoundation.org\/pt\/sobre-nos\/o-que-fazemos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FEM<\/a>) para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Concentra\u00e7\u00e3o emplumada<\/h3>\n<p>Apenas dois parques nacionais marinhos foram criados antes dos Currais, os de Fernando de Noronha (PE) e dos Abrolhos (BA). Os quase 1,4 mil ha da reserva no litoral do Paran\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/biodiversidade\/unidade-de-conservacao\/unidades-de-biomas\/marinho\/lista-de-ucs\/parna-marinho-das-ilhas-dos-currais\/arquivos\/lei_12829_uc_cria_parna_marinho_ilhasdoscurrais_pr.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foram<\/a>\u00a0delimitados por lei em 2013, n\u00e3o pelos usuais decretos.<\/p>\n<p>Sua delimita\u00e7\u00e3o ajudou a proteger dezenas de esp\u00e9cies submersas, de corais ao\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco-org-br.webpkgcache.com\/doc\/-\/s\/oeco.org.br\/reportagens\/a-pesca-dos-meros-nao-pode-voltar-dizem-pesquisadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mero<\/a>\u00a0<em>(Epinephelus itajara),\u00a0<\/em>um gigante tranquilo amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, e dezenas de outras acima da l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua. Mas a pujan\u00e7a \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>O parque abriga 1% das popula\u00e7\u00f5es mundiais de fragatas e atob\u00e1s-marrons durante a reprodu\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/datazone.birdlife.org\/site\/factsheet\/ilhas-dos-currais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">diz<\/a>\u00a0a ong BirdLife International. Ao menos o trinta-r\u00e9is-de-bico-vermelho\u00a0<em>(Sterna hirundinacea)<\/em>, a gar\u00e7a-branca-grande\u00a0<em>(Ardea alba)<\/em>\u00a0e o savacu\u00a0<em>(Nycticorax nycticorax)\u00a0<\/em>t\u00eam ninhos nas mesmas ilhas.<\/p>\n<p>O nome do parque lembra armadilhas de pesca\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=896bc82726dbc1e3&amp;sxsrf=AHTn8zr1QnIT8NizZaNbc0RuERmYoji0GQ:1746726383007&amp;q=currais+pesca&amp;udm=2&amp;fbs=ABzOT_BYhiZpMrUAF0c9tORwPGlsjfkTCQbVbkeDjnTQtijddBji9NlWFbRgtIhh9CBGrAVc9g7qScOWQqEc2VLWZUvSltbqp7-P26IhRDA8xQJoNPJCrpZwvqOqBwUPjXBVpUyYRouvtcdplibMvtR3iu8NJoOlD3LB_6tQXFWj32kGVgeBAt8frCxp6hicmBgDAKPFqXEkmZHErf4_JxYQG-8WdDueiA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjNxNDstpSNAxW9rpUCHfUjO8kQtKgLegQIFRAB&amp;biw=1280&amp;bih=863&amp;dpr=1\">similares<\/a>\u00a0a currais. Seu plano de manejo ser\u00e1 definido a partir deste ano. Um desafio ser\u00e1 avaliar o eventual turismo, hoje centrado em mergulhos conduzidos por operadoras autorizadas.<\/p>\n<p>Nos seus limites, pescarias artesanais s\u00e3o permitidas s\u00f3 para cerca de 50 embarca\u00e7\u00f5es, tripuladas por pessoas que atuavam na regi\u00e3o antes de ser protegida como parque.<\/p>\n<p>\u201cAs capturas de tainha, cavala e salteira ocorrem no inverno\u201d, disse o bi\u00f3logo Rodrigo Filipak Torres, analista ambiental no N\u00facleo de Gest\u00e3o Integrada Matinhos (ICMBio), respons\u00e1vel pelos parques Currais e Saint Hilaire Lange.<\/p>\n<p>Uma tarefa \u00e1rdua. Proteger as ilhas e seu entorno conteve o buzina\u00e7o e a soltura de fogos para provocar revoadas de assustadas aves, mas a pesca ilegal ronda a Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, especialmente o arrasto para camar\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle vem \u2018arando\u2019 e matando tudo pela frente\u201d, lamentou Andr\u00e9 Cattani, doutor em Sistemas Costeiros e Oce\u00e2nicos pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). \u201cBancos de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vieira_(molusco)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vieiras<\/a>\u00a0foram extintos pelo arrasto\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>A danosa\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco-org-br.webpkgcache.com\/doc\/-\/s\/oeco.org.br\/reportagens\/brasil-naufraga-no-controle-da-pesca-de-arrasto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pr\u00e1tica<\/a>\u00a0consiste em grandes redes puxadas por um ou dois barcos que raspam o fundo do mar em busca de peixes, crust\u00e1ceos e outros valorizados animais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-38232\" src=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1.webp\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1.webp 1920w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1-300x200.webp 300w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1-1024x683.webp 1024w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1-768x512.webp 768w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250427_070953_c-1-600x400.webp 600w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><em>Uma das singulares ilhas no Parna dos Currais. Foto: Aldem Bourscheit\/O Eco.<\/em><\/span><\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 aplicada na regi\u00e3o h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, os\u00a0<a href=\"https:\/\/marbrasil.org\/ram-recifes-artificiais-marinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">recifes<\/a>\u00a0artificiais de concreto.<\/p>\n<p>Alguns est\u00e3o nos limites dos Currais, muitos outros est\u00e3o espalhados onde mais cruzavam barcos de pesca predat\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cTudo foi feito com estudos, licenciamento e consultas \u00e0s comunidades pescadoras\u201d, lembrou Andr\u00e9 Cattani (UFPR).<\/p>\n<p>\u201cEles bloqueiam a pesca destrutiva e atraem vida marinha\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Caso isso n\u00e3o seja feito, como ocorre no afundamento de pneus, carca\u00e7as de carros e avi\u00f5es, muitas vezes sem remover seus pl\u00e1sticos e demais poluentes, o feito pode ser contr\u00e1rio ao esperado.<\/p>\n<p>\u201cIsso atrai animais para pontos sem ref\u00fagios, onde ser\u00e3o alvos de pesca desregrada\u201d, alertou Cattani.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode jogar qualquer coisa no mar, \u00e9 preciso crit\u00e9rios, conhecimento e planejamento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os pesquisadores Fernanda Possatto, Allan Krelling e Andr\u00e9 Catani s\u00e3o ligados ao Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (<a href=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rebimar<\/a>), que apoiou em parte a viagem de ((o))eco ao Paran\u00e1.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 patrocinada pela Petrobras e executada pela Associa\u00e7\u00e3o Mar Brasil (<a href=\"https:\/\/marbrasil.org\/associacao-marbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AMB<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Aldem Bourscheit &#8211; O Eco &#8211; 8 de maio de 2025 &#8211;\u00a0Esse e outros res\u00edduos j\u00e1 contaminaram animais e ambientes na Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, de praias a ilhas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. 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