{"id":38697,"date":"2025-09-19T07:30:44","date_gmt":"2025-09-19T10:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=38697"},"modified":"2025-09-16T15:33:11","modified_gmt":"2025-09-16T18:33:11","slug":"produtos-nao-madeireiros-tem-potencial-para-financiar-projetos-de-reflorestamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/produtos-nao-madeireiros-tem-potencial-para-financiar-projetos-de-reflorestamento\/","title":{"rendered":"Produtos n\u00e3o madeireiros t\u00eam potencial para financiar projetos de reflorestamento"},"content":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 16 de setembro de 2025 &#8211; <span class=\"wpex-text-sm\">Estudo identifica 167 esp\u00e9cies nativas da Mata Atl\u00e2ntica com aplica\u00e7\u00e3o bioecon\u00f4mica: 58% na \u00e1rea m\u00e9dica, 12% em cosm\u00e9ticos e 5% no setor aliment\u00edcio; 78 esp\u00e9cies (46,7%) t\u00eam patentes registradas em 61 pa\u00edses, apenas 8% delas no Brasil &#8211; Exemplar de arauc\u00e1ria (<i>Araucaria angustifolia<\/i>), \u00e1rvore do pinh\u00e3o: esp\u00e9cie \u00e9 uma das mais estudadas, segundo levantamento de pesquisadores. Por fornecer alimento, pode ser uma op\u00e7\u00e3o para reflorestamento com aproveitamento econ\u00f4mico (<i>foto: Paulo G. Molin\/NewFor<\/i>).<\/span><\/p>\n<p>Um obst\u00e1culo consider\u00e1vel para a restaura\u00e7\u00e3o florestal \u00e9 o custo, o que tem suscitado discuss\u00f5es nos \u00faltimos anos sobre como viabilizar economicamente sua execu\u00e7\u00e3o. Como o manejo de madeira nativa, a obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono e o pagamento por servi\u00e7os ecossist\u00eamicos s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es de longo prazo \u2013 sendo as duas \u00faltimas com mercado ainda incipiente \u2013, um grupo de pesquisadores prop\u00f5e a explora\u00e7\u00e3o de produtos florestais n\u00e3o madeireiros com valor agregado como op\u00e7\u00e3o para obter renda das \u00e1reas de recomposi\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>Em artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13280-025-02234-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Ambio<\/em>, o grupo liderado por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) aponta que 59% das esp\u00e9cies de plantas amostradas na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba do Sul t\u00eam algum potencial bioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cA vantagem do manejo de produtos n\u00e3o madeireiros \u00e9 que ele se baseia na coleta de folhas, galhos, sementes e frutos, constituindo um manejo n\u00e3o destrutivo, mantendo a floresta de p\u00e9 e podendo trazer ganhos em m\u00e9dio prazo\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/713881\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pedro Medrado Krainovic<\/strong><\/a>, primeiro autor do estudo realizado como parte de p\u00f3s-doutorado no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da USP com\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/204002\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>bolsa<\/strong><\/a>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p>O trabalho\u00a0tamb\u00e9m foi apoiado por meio de dois\u00a0Centros de Ci\u00eancia para o Desenvolvimento (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/705\/centros-de-ciencia-para-o-desenvolvimento-ccd-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CCDs<\/strong><\/a>), o\u00a0<a href=\"https:\/\/biotasintese.iea.usp.br\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>BIOTA S\u00edntese<\/strong><\/a>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/111590\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Estrat\u00e9gia Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/a>\u00a0(CCD-EMA), al\u00e9m do projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/104976\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>NewFor<\/strong><\/a>, que integra o Programa\u00a0<a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>BIOTA FAPESP<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram parte do banco de dados do NewFor \u2013 46 parcelas de 900 metros quadrados (m<sup>2<\/sup>) de floresta presentes no Vale do Para\u00edba do Sul, regi\u00e3o entre os Estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1reas delimitadas, foram identificadas todas as \u00e1rvores com di\u00e2metro acima de 5 cent\u00edmetros na altura do peito. A \u00e1rea total amostrada foi de 41.400 m<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Entre as 329 esp\u00e9cies encontradas no levantamento, 283 eram nativas.<\/p>\n<p>Destas, 167 (59%) t\u00eam algum potencial bioecon\u00f4mico, de acordo com uma busca que os pesquisadores realizaram de estudos sobre as plantas encontradas, como trabalhos de qu\u00edmica anal\u00edtica, estudos\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0e\u00a0<em>in vivo<\/em>, pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos e de pr\u00e1ticas de silvicultura.<\/p>\n<p>Das esp\u00e9cies com potencial, 58% t\u00eam potencial m\u00e9dico, 12% cosm\u00e9tico e 5% aliment\u00edcio. Em apenas 13% dos estudos chegou-se ao est\u00e1gio de produto final.<\/p>\n<p>A arauc\u00e1ria (<em>Araucaria angustifolia<\/em>) e a ju\u00e7ara (<em>Euterpe edulis<\/em>), conhecidas por fornecerem alimentos, foram algumas das esp\u00e9cies que apareceram em mais estudos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram ainda uma estimativa do interesse mercadol\u00f3gico por meio da busca por patentes depositadas no mundo inteiro a partir das plantas encontradas.<\/p>\n<p>Nesse quesito, 78 esp\u00e9cies (46,7%) t\u00eam patentes registradas em 61 pa\u00edses, apenas 8% delas no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de patentes \u00e9 uma evid\u00eancia do potencial econ\u00f4mico dessas esp\u00e9cies. Ele nos d\u00e1 uma dimens\u00e3o do que j\u00e1 pode suscitar interesse e potencial comercial, enquanto as que n\u00e3o possuem patente demonstram quanto ainda pode ser encontrado por meio de pesquisa e desenvolvimento, como novas mol\u00e9culas medicinais, cosm\u00e9ticas e mesmo alimentos\u201d, explica Krainovic.<\/p>\n<h3>Op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/h3>\n<p>Segundo os autores, a explora\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o madeireiros constitui uma forma de amortizar os custos da restaura\u00e7\u00e3o, mesmo quando outro objetivo econ\u00f4mico est\u00e1 definido, como a extra\u00e7\u00e3o de madeira nativa.<\/p>\n<p>Uma vez que as esp\u00e9cies madeireiras mais valiosas t\u00eam longos ciclos de vida, a explora\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o madeireiros pode ser uma fonte intermedi\u00e1ria de receita enquanto a madeira n\u00e3o est\u00e1 pronta para ser extra\u00edda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a explora\u00e7\u00e3o de madeira, segundo o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/L12651compilado.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Florestal<\/a><\/strong>, \u00e9 proibida em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APPs), como margens de rios, encostas \u00edngremes e topos de montanhas.<\/p>\n<p>Em projetos de recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, em grande d\u00e9ficit no Brasil, o manejo sustent\u00e1vel de baixo impacto para a extra\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o madeireiros pode ser uma op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para financiar o pr\u00f3prio reflorestamento, adicionando multifuncionalidade a florestas nativas que j\u00e1 cumprem importante fun\u00e7\u00e3o ecossist\u00eamica, como provis\u00e3o de \u00e1gua, prote\u00e7\u00e3o do solo, sequestro de carbono e poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso considerar que o objetivo final da restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas \u00e9 o retorno da provis\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, importantes inclusive para a atividade agropecu\u00e1ria. Buscar formas sustent\u00e1veis de viabilizar esses projetos, por\u00e9m, \u00e9 uma maneira de tornar a restaura\u00e7\u00e3o mais atrativa para os produtores rurais\u201d, pontua o pesquisador (<em>leia mais em:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa-analisa-motivacoes-de-proprietarios-rurais-para-conservar-ou-desmatar-areas-de-preservacao\/55340\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>agencia.fapesp.br\/55340<\/strong><\/a><\/em>) .<\/p>\n<h3>Qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho<\/h3>\n<p>Os projetos de reflorestamento com esp\u00e9cies nativas s\u00e3o conhecidos ainda por gerar um grande n\u00famero de empregos que n\u00e3o demandam qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/besjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/pan3.10370\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>estudo<\/strong><\/a>\u00a0de 2022 publicado na revista\u00a0<em>People and Nature\u00a0<\/em>da British Ecological Society, que tem entre os autores alguns dos membros do trabalho atual, estimou que o Brasil pode gerar 2,5 milh\u00f5es de empregos se atender \u00e0 meta, estabelecida no Acordo de Paris, de restaurar 12 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 preciso considerar que a explora\u00e7\u00e3o de ativos florestais precisa levar em conta planos de manejo e regula\u00e7\u00e3o do mercado que n\u00e3o levem \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e que acabem incentivando o desmatamento em vez da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um exemplo do passado \u00e9 o do pau-rosa (<em>Aniba rosaeodora<\/em>), \u00e1rvore amaz\u00f4nica valorizada por seu \u00f3leo essencial, utilizado na ind\u00fastria de perfumaria fina, que teve seu pico de explora\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950. Hoje a esp\u00e9cie est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores citam ainda medidas como compras p\u00fablicas, certifica\u00e7\u00f5es e outras pol\u00edticas que poderiam contribuir para a abertura de mercados sustent\u00e1veis para os produtos n\u00e3o madeireiros.<\/p>\n<p>O cruzamento das bases de dados utilizadas no estudo (abund\u00e2ncia das esp\u00e9cies amostradas, potencial de uso relatado na literatura cient\u00edfica e patentes registradas) pode ser usado em outros biomas brasileiros a fim de orientar futuros projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>\u201cEsp\u00e9cies raras, pouco abundantes, mas com bastante potencial econ\u00f4mico, poderiam ser adicionadas a projetos de restaura\u00e7\u00e3o ativa, com plantio de mudas. Por sua vez, esp\u00e9cies abundantes e de f\u00e1cil manejo, que nascem naturalmente, podem ser mais bem estudadas para que se encontrem usos econ\u00f4micos, empilhando valores tang\u00edveis e intang\u00edveis das florestas e das esp\u00e9cies nativas e criando a multifuncionalidade ecol\u00f3gica-econ\u00f4mica\u201d, aponta Krainovic.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Bioeconomic opportunities in restored tropical forests<\/em>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13280-025-02234-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13280-025-02234-5<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP &#8211; 16 de setembro de 2025 &#8211; Estudo identifica 167 esp\u00e9cies nativas da Mata Atl\u00e2ntica com aplica\u00e7\u00e3o bioecon\u00f4mica: 58% na \u00e1rea m\u00e9dica, 12% em cosm\u00e9ticos e 5% no setor aliment\u00edcio; 78 esp\u00e9cies (46,7%) t\u00eam patentes registradas em 61 pa\u00edses, apenas 8% delas no Brasil &#8211; Exemplar de arauc\u00e1ria (Araucaria&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[90,71],"post_series":[],"class_list":["post-38697","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-sustentabilidade-viver-sustentavelmente-consumo-sustentavel","entry","has-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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