{"id":4042,"date":"2009-10-01T09:20:04","date_gmt":"2009-10-01T12:20:04","guid":{"rendered":"http:\/\/funverde.wordpress.com\/?p=4042"},"modified":"2009-10-01T09:20:04","modified_gmt":"2009-10-01T12:20:04","slug":"o-proximo-deserto-pode-ser-paranaense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-proximo-deserto-pode-ser-paranaense\/","title":{"rendered":"O pr\u00f3ximo deserto pode ser paranaense"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color:#008000;\">O Eco de 02 de setembro de 2009<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Chico Boeing<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Os desertos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ambientes naturais. Eles podem se formar como consequ\u00eancia direta da exaust\u00e3o dos solos, ap\u00f3s o uso intensivo e insustent\u00e1vel da vegeta\u00e7\u00e3o e dos recursos h\u00eddricos. Mas quem um dia iria pensar que o Paran\u00e1, dos famosos solos de terra roxa, estivesse indo por este caminho? A regi\u00e3o do Arenito, no noroeste do estado, \u00e9 prova de que sem cuidados n\u00e3o h\u00e1 solo que resista \u00e0 sanha explorat\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Nos arredores de Umuarama \u2013 de onde milhares de colonos paranaenses sa\u00edram nos anos 70 pressionados pela mecaniza\u00e7\u00e3o do campo para ocupar a Amaz\u00f4nia \u2013 um programa regional de arrendamento de terras fez o plantio de soja aumentar 750% de 1997 a 2007. O plano foi um fracasso: produtividade baixa e abandono do plantio por muitos produtores. A agricultura n\u00e3o cuidou do solo, j\u00e1 degradado pela pecu\u00e1ria, desde os anos 1950. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Ali, as d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o levaram em conta uma caracter\u00edstica natural que faz a regi\u00e3o altamente suscet\u00edvel \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, a exemplo do que ocorre no sudoeste e sul do Rio Grande do Sul, em \u00e1reas de Minas Gerais e estados do nordeste, no semi-\u00e1rido. Tamb\u00e9m conhecida como Arenito, a por\u00e7\u00e3o noroeste se estende por 16% do territ\u00f3rio paranaense e abrange 107 munic\u00edpios. Cerca de dois milh\u00f5es, dos 3,2 milh\u00f5es de hectares da regi\u00e3o, s\u00e3o ocupados pela atividade pecu\u00e1ria. Pelo menos 80% s\u00e3o considerados de baixa produtividade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A \u00e1rea \u00e9 chamada Arenito Caiu\u00e1 por causa da sua textura arenosa, cujos teores atingem at\u00e9 90%, com 95% de areia branca. T\u00eam n\u00edveis cr\u00edticos de f\u00f3sforo, pot\u00e1ssio, c\u00e1lcio e magn\u00e9sio, al\u00e9m de reduzido potencial org\u00e2nico, em torno de 1%, dado que torna o solo deficiente em macro e micronutrientes para culturas. Naturalmente, \u00e9 muito prop\u00edcia \u00e0 eros\u00e3o. Devido \u00e0 sua natural fragilidade e ao manejo inadequado do solo pelas atividades pecu\u00e1rias e agr\u00edcolas, o Arenito encontra-se em adiantado grau de degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica, com n\u00edveis cr\u00edticos de mat\u00e9ria org\u00e2nica. H\u00e1 quem defenda que at\u00e9 os f\u00e9rteis solos de terra roxa do oeste e norte do estado estejam dando sinais de exaust\u00e3o pelos mesmos motivos.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color:#008000;\">Experimento isolado<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Para a engenheira florestal Leila Teresinha Maranho, \u00e9 poss\u00edvel trabalhar pela recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas amea\u00e7adas. \u201cBasta devolver ao solo os nutrientes depois de cada colheita\u201d. Ela afirma que as t\u00e9cnicas de manejo atualmente empregadas na agricultura e pecu\u00e1ria s\u00e3o extremamente retr\u00f3gradas, na medida em que a maioria dos produtores n\u00e3o d\u00e1 o devido descanso ao solo entre um plantio e outro. Outro agravante \u00e9 a cultura de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas como o pinus e o eucalipto, que empobrecem o solo e, por conseq\u00fc\u00eancia, levam \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o. As duas esp\u00e9cies s\u00e3o largamente cultivadas no Paran\u00e1. Hoje o estado disp\u00f5e de apenas 1% das suas florestas nativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A pesquisadora trabalha desde 2005 pelos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e Mestrado Profissional em Gest\u00e3o Ambiental, da Universidade Positivo, num projeto de recupera\u00e7\u00e3o ambiental de \u00e1reas degradadas. Os experimentos acontecem numa \u00e1rea cedida pela Infraero no Aeroporto Afonso Pena, na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba. Maranho e seus alunos, Izabel Cristina Leinig Araujo e Francisco Brunetta S\u00e1vio, empregam esp\u00e9cies nativas e solo coletados em fragmentos florestais adjancentes \u00e0 area a ser recuperada. O solo coletado \u00e9 misturado com esterco curtido de gado para o preparo do substrato. Esse substrato \u00e9 acondiconado em sacos de juta ou \u00e9 colocado na \u00e1rea experimental em camadas intercaladas com fibra de coco. S\u00e3o constitu\u00eddas ilhas de recupera\u00e7\u00e3o, em que a tarefa \u00e9 acelerar o processo de sucess\u00e3o que, normalmente, \u00e9 bem lento em \u00e1reas degradadas. \u201cOs resultados s\u00e3o animadores, pois o modelo testado acelera a sucess\u00e3o e consequentemente a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea degradada\u201d, afirma a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">Infelizmente, no entanto, projetos de recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas em processo de desertifica\u00e7\u00e3o no noroeste do Paran\u00e1 ainda n\u00e3o est\u00e3o em curso. Investimentos do Minist\u00e9rio da Agricultura poderiam amenizar o problema. Ano passado o governo prometeu para 2009 cinco bilh\u00f5es de reais para recupera\u00e7\u00e3o dos solos, reconheceu que at\u00e9 agora n\u00e3o soltou nenhum tost\u00e3o, mas que a previs\u00e3o para repasse dos recursos \u00e9 agora para dezembro deste ano. <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color:#008000;\">Desertifica\u00e7\u00e3o como fen\u00f4meno mundial<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color:#008000;\">A desertifica\u00e7\u00e3o acomete diversos pa\u00edses e tem sido detectado desde os anos 1930. Os primeiros registros s\u00e3o do meio-oeste americano. Ali, as tempestades de areia eram tantas que a regi\u00e3o foi apelidada de prato de poeira (dust bowl). Da\u00ed, o fen\u00f4meno ganhou o mundo: Am\u00e9rica Latina, Europa, \u00c1sia, \u00c1frica e Austr\u00e1lia. Hoje, a desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 constatada em mais de 100 pa\u00edses. \u00c9 tida como problema global. O Brasil registra 18,7 mil quil\u00f4metros quadrados como suscet\u00edveis ao fen\u00f4meno, e as \u00e1reas mais prop\u00edcias em termos geoclim\u00e1ticos e ecol\u00f3gicos s\u00e3o os estados do Piau\u00ed, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1 e Pernambuco. Depois nas regi\u00f5es do semi-\u00e1rido na Bahia, Sergipe, Para\u00edba, al\u00e9m de Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Estima-se que o processo de desertifica\u00e7\u00e3o causa perdas econ\u00f4micas de 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no mundo afora. No Brasil o preju\u00edzo \u00e9 calculado em 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Eco de 02 de setembro de 2009 Chico Boeing Os desertos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ambientes naturais. 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