{"id":7103,"date":"2010-07-18T08:00:56","date_gmt":"2010-07-18T11:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=7103"},"modified":"2010-07-18T08:00:56","modified_gmt":"2010-07-18T11:00:56","slug":"o-valor-da-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/o-valor-da-diversidade\/","title":{"rendered":"O valor da diversidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #008000;\">Quanto vale uma borboleta? Colar etiquetas de pre\u00e7o em esp\u00e9cies individuais parece absurdo, mas \u00e9 precisamente isso que alguns economistas tentam fazer. Uma nova perspectiva para impedir a destrui\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A biodiversidade, vasta rede de todas as formas de vida, \u00e9 infinitamente valiosa. Um tesouro precioso demais para que, simplesmente, possamos atribuir-lhe valor em dinheiro. Essa opini\u00e3o \u00e9 t\u00e3o aceita quanto respeit\u00e1vel. A \u00fanica fatalidade \u00e9 que ela tamb\u00e9m constitui um convite para considerarmos a natureza viva como um presente gratuito e ainda assim arruin\u00e1-la, sempre que houver uma perspectiva de lucro a curto prazo. Para impedir essa destrui\u00e7\u00e3o, os ecologistas est\u00e3o se unindo aos economistas. Eles tentam calcular em euros, at\u00e9 os centavos, o valor agregado \u00e0 produtividade de abelhas e castores, manguezais e recifes de corais. O princ\u00edpio de uma nova revolu\u00e7\u00e3o no pensamento econ\u00f4mico<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Doutor Antitumor<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4135\/4805223659_016af93ec0_m.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"240\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A vinca rosea (Catharanthus roseus), de Madag\u00e1scar, cont\u00e9m subst\u00e2ncias de efeito altamente ben\u00e9fico nas terapias para o tratamento da leucemia. Nos anos 60, o conglomerado farmac\u00eautico Eli Lilly descobriu a planta medicinal na farmacopeia da floresta tropical, e isolou o ingrediente ativo para o rem\u00e9dio anticancer\u00edgeno Vincristin. Mas Madag\u00e1scar, o pa\u00eds origin\u00e1rio do recurso gen\u00e9tico do ingrediente, n\u00e3o se beneficiou de nada disso. Para evitar esse tipo de &#8220;biopirataria&#8221; e garantir uma participa\u00e7\u00e3o financeira justa aos pa\u00edses origin\u00e1rios, foi criada a Conven\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, assinada por quase todas as na\u00e7\u00f5es do mundo, exceto os Estados Unidos. Dez dos medicamentos mais bem-sucedidos mundialmente originam-se de fontes naturais. De acordo com c\u00e1lculos da ONU, s\u00f3 com os medicamentos fabricados com a vinca r\u00f3sea de Madag\u00e1scar, a Eli Lilly gera um movimento anual de 100 milh\u00f5es de euros (aproximadamente R$ 243,58 milh\u00f5es)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Ganhos vistosos<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4141\/4805848028_6d1c6ee207_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"358\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Turistas mergulhadores apreciam recifes de corais saud\u00e1veis, que abrigam muitos habitantes multicoloridos, como o peixe-anjo-real (Pygoplites diacanthus). Menos \u00f3bvio \u00e9 que a prote\u00e7\u00e3o dos corais tamb\u00e9m beneficia os pescadores. Mas os c\u00e1lculos de custo-benef\u00edcio provam que todos desfrutam do trato consciencioso do mundo submarino. Nas Filipinas, mais de um milh\u00e3o de pescadores costeiros e suas fam\u00edlias dependem do que \u00e9 extra\u00eddo do mar. E nos lugares aonde a popula\u00e7\u00e3o participa do &#8220;gerenciamento de recifes&#8221;, as recompensas s\u00e3o vis\u00edveis. Os lucros obtidos com a pesca racional e o turismo de mergulho suplantam os ganhos registrados com a pesca com dinamite por hectare em 2.400 euros (aproximadamente R$ 5.855,79)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Oper\u00e1rio florestal<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4138\/4805848088_ac0c59ab98_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"167\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O trabalho ocorre em perfeita harmonia. Para estocar provis\u00f5es para o inverno, os gaios-comuns (Garrulus glandarius) catam as melhores glandes (popularmente chamadas de &#8216;bolotas&#8217;) dos carvalhos no outono. Por voo, as aves carregam de 6 a 8 frutos no bico e no papo e os enterram em &#8220;dep\u00f3sitos&#8221; de terra fofa. Esse transporte se repete a cada 10min. Desse modo, cada ave esconde at\u00e9 7.000 glandes, pelo menos o dobro da quantidade que de fato comer\u00e1 durante o inverno. Com frequ\u00eancia, os frutos n\u00e3o consumidos brotam, um servi\u00e7o bem aproveitado por diversas reservas florestais na Alemanha, que passaram a dispensar o trabalho humano e deixam a renova\u00e7\u00e3o de suas florestas propositalmente a cargo dos gaios. Economia por \u00e1rvore: 1 euro (cerca de R$ 2,43)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Animais selvagens<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4121\/4805848154_8f1470aa72_o.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"151\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Para adquirir um exemplar de alig\u00e1tor americano (Alligator mississippiensis) em uma fazenda de reprodu\u00e7\u00e3o, um zool\u00f3gico europeu gasta 2.500 euros. Mas de que nos serviria a prote\u00e7\u00e3o de seus parentes que vivem em liberdade e para os quais n\u00e3o existe um mercado de oferta e procura? Pesquisadores da Fl\u00f3rida analisaram os \u00edndices de perdas de animais na reserva do Parque Estadual Jonathan Dickinson, e constataram que, em 4 anos, 256 anf\u00edbios e r\u00e9pteis morreram atropelados em acidentes de tr\u00e2nsito, inclusive 4 alig\u00e1tores, que sucumbiram ao lado de tartarugas, cobras e sapos. Medidas adequadas de prote\u00e7\u00e3o, como barreiras, t\u00faneis ou o controle rigoroso de velocidade, poderiam ter evitado grande parte dessas colis\u00f5es fatais. Para viabilizar medidas protetoras, dizem os cientistas, bastaria uma soma por animal, muito abaixo da paga pelos zool\u00f3gicos por um alig\u00e1tor: US$ 500,00 (aproximadamente R$ 900,00)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Indispens\u00e1vel<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4141\/4805848216_ac8eafe54f_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"232\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Como animal dom\u00e9stico, que excursiona pelos campos, florestas e lavouras, a abelha-europeia (Apis mellifera) \u00e9 insubstitu\u00edvel. Os estoques mundiais dos apicultores s\u00e3o calculados em 3 bilh\u00f5es de exemplares. Mas para a economia humana, as oper\u00e1rias aladas n\u00e3o s\u00e3o relevantes apenas como fornecedoras de mel. Muito mais importante \u00e9 sua dilig\u00eancia na poliniza\u00e7\u00e3o das plantas e flores, tanto na natureza selvagem, como na agricultura.<br \/>\nFrutas, verduras e leguminosas precisam dos insetos para formar sementes. Para muitas esp\u00e9cies, as abelhas-europeias s\u00e3o polinizadoras vitais. Uma equipe de pesquisa da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, calculou que as frutas polinizadas por abelhas geram, anualmente, um movimento de US$ 14,6 bilh\u00f5es cerca de R$ 26,30 bilh\u00f5es)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Dep\u00f3sitos favor\u00e1veis<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4141\/4805223937_5b73b3f985_o.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"393\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Comercialmente, p\u00e2ntanos e charcos t\u00eam uma fama ruim. Tratores e dragas afundam e, na melhor hip\u00f3tese, s\u00f3 a extra\u00e7\u00e3o de turfa \u00e9 rent\u00e1vel. Portanto, durante muito tempo, o lema era: drenar! No entanto na era da sensibilidade clim\u00e1tica, o aprendizado \u00e9 constante. Apenas 3% da massa terrestre do planeta \u00e9 constitu\u00edda por terras \u00famidas, entretanto, elas ret\u00eam 30% do carbono armazenado no solo. Por isso, a recupera\u00e7\u00e3o de antigos p\u00e2ntanos e charcos drenados \u00e9 vantajosa para o equil\u00edbrio do di\u00f3xido de carbono.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Por essa raz\u00e3o, em breve o amieiro (Alnus glutinosa), uma esp\u00e9cie t\u00edpica de p\u00e2ntanos baixos, dever\u00e1 tornar-se novamente frequente. Em compara\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos tecnol\u00f3gicos de CO2, a restaura\u00e7\u00e3o dos p\u00e2ntanos economiza, por tonelada de CO2, at\u00e9 749 euros (por volta de R$ 1.818,38)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">As senhoras da terra<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4142\/4805223985_5a12cd723f_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"205\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Para os eg\u00edpcios, as minhocas (Lumbricidae) eram sagradas. Arist\u00f3teles as chamou de &#8220;tripas da terra&#8221;. Darwin cantou sua import\u00e2ncia. Com raz\u00e3o. Essas incans\u00e1veis criaturas perfuram o loess (limo calc\u00e1rio) e a argila, arejam e afofam o solo, aumentando sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e disponibilizando minerais e nutrientes para as plantas. O mundo disp\u00f5e de um bilh\u00e3o de hectares de terras \u00fateis para a agricultura. Embora a densidade populacional de minhocas varie conforme o tipo de solo, essas ativistas do subsolo produzem, em m\u00e9dia, uma tonelada de terra f\u00e9rtil por hectare\/ano. Pesquisadores neozelandeses calcularam o benef\u00edcio resultante s\u00f3 dessa forma\u00e7\u00e3o de humo, hectare por hectare: 2,50 euros (aproximadamente R$ 6,08)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Coleta lucrativa<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4094\/4805224067_de61a37ee5_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"222\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Muitas esp\u00e9cies de fungos comest\u00edveis crescem exclusivamente na natureza silvestre e resistem obstinadamente a qualquer tentativa de cria\u00e7\u00e3o planificada. As d\u00e1divas da natureza n\u00e3o s\u00f3 complementam o card\u00e1pio de conhecedores que gostam de passear em florestas, mas tamb\u00e9m constituem um importante fator econ\u00f4mico. No famoso Mushroom trail (Trilha dos cogumelos), no noroeste da Am\u00e9rica do Norte, milhares de coletores vasculham as imensas \u00e1reas florestais que se estendem do estado de Montana at\u00e9 o Alasca, em busca de cogumelos morel (Morchella), para revend\u00ea-los. O com\u00e9rcio leste-oeste europeu ainda \u00e9 enriquecido por boletos-baios (Xerocomus badius) e cogumelos porcini (Boletus), mas principalmente por cantarelos (Cantharellus cibarius). O valor de mercado anual mundial s\u00f3 para esta \u00faltima esp\u00e9cie \u00e9 calculado em 1,3 bilh\u00f5es de euros (cerca de R$ 3,16 bilh\u00f5es)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Guardi\u00f5es dos peixes<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4134\/4805848454_292282f533_o.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"390\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Eles crescem h\u00e1 60 milh\u00f5es de anos como florestas em \u00e1guas salgadas c\u00e1lidas. Ainda existem 170.000 km2 de terras costeiras cobertos por manguezais (aqui, um broto de Rhizophora mangle): 25% dos litorais tropicais. Sua densa e emaranhada base de ra\u00edzes \u00e9 esta\u00e7\u00e3o de crescimento para peixes, caranguejos, e moluscos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Al\u00e9m disso, o cintur\u00e3o de manguezais constitui barreiras naturais contra grandes cheias s\u00fabitas, prote\u00e7\u00e3o contra eros\u00e3o e ainda proporciona lenha e madeira de constru\u00e7\u00e3o para os habitantes pr\u00f3ximos. Entretanto, mais de 30% de toda a vegeta\u00e7\u00e3o original de mangues j\u00e1 foi destru\u00eddo por atividades de constru\u00e7\u00e3o, fazendas de cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o e outros tipos de aquicultura, o que constitui um grande fiasco ecol\u00f3gico e financeiro. Na Tail\u00e2ndia, por exemplo, o rendimento do uso tradicional dos manguezais, em compara\u00e7\u00e3o com as cria\u00e7\u00f5es de camar\u00e3o, gera, por hectare 1.400 euros (aproximadamente R$ 3.406, 41)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Filigranas saneadoras<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4077\/4805848528_8f4abf00e9_o.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"366\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O cani\u00e7o-de-\u00e1gua (Phragmites australis) costuma brotar em margens aqu\u00e1ticas silvestres. Ele constitui um local de nidifica\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o vital para lib\u00e9lulas e aves, que se escondem entre suas canas densas e finas. E funciona como uma instala\u00e7\u00e3o de saneamento. O cani\u00e7al absorve nitrog\u00eanio e, assim, combate a aduba\u00e7\u00e3o excessiva das \u00e1guas. Suas ra\u00edzes filtram automaticamente a \u00e1gua corrente suja. Al\u00e9m disso, os cani\u00e7os ocos transportam oxig\u00eanio para a \u00e1gua, um pr\u00e9-requisito decisivo para a decomposi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas por micro-organismos. Ecologistas calcularam, para a regi\u00e3o intermedi\u00e1ria do Rio Elba, na Alemanha, a economia gerada por cani\u00e7ais saneadores naturais em compara\u00e7\u00e3o com instala\u00e7\u00f5es de saneamento t\u00e9cnicas por ano: 7,7 milh\u00f5es de euros (por volta de R$ 18,73 milh\u00f5es)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">S\u00f3 uma borboletinha?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4098\/4805224229_73c1197ebb_o.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"382\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A borboleta da esp\u00e9cie Glaucopsyche teleius est\u00e1 amea\u00e7ada. Para sobreviver, ela necessita de campinas abertas que n\u00e3o sejam aparadas em julho, quando ela deposita seus ovos. Mas \u00e9 justamente nessa \u00e9poca que o feno apresenta uma boa qualidade e, por isso, a esp\u00e9cie est\u00e1 desaparecendo notavelmente das pradarias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Ser\u00e1 que os cidad\u00e3os estariam dispostos a fazer contribui\u00e7\u00f5es em um fundo, para indenizar os agricultores por per\u00edodos de corte desfavor\u00e1veis e, desse modo, ajudar a aumentar novamente a popula\u00e7\u00e3o de Glaucopsyche teleius?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Pesquisadores investigaram a &#8220;disposi\u00e7\u00e3o fict\u00edcia de pagamento&#8221; em uma localidade no sul da Alemanha: 71% dos entrevistados estariam dispostos a assumir o encargo financeiro &#8211; com um valor m\u00e9dio anual de 10 euros (cerca de R$ 24,33)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Secre\u00e7\u00f5es valiosas<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4079\/4805224273_038521b3cb_m.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"92\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Cuidado! As vi\u00favas-negras (aqui, Latrodectus hesperus) produzem o veneno latrotoxina, que ataca o sistema nervoso central e confunde a transmiss\u00e3o de sinais entre nervos e m\u00fasculos. As consequ\u00eancias t\u00edpicas de sua picada incluem fortes dores nos n\u00f3dulos linf\u00e1ticos e c\u00e2ibras. Para as v\u00edtimas isso \u00e9 perigoso; para os pesquisadores, altamente interessante, pois a latrotoxina os ajuda a compreender melhor os mecanismos da rea\u00e7\u00e3o no sistema nervoso. Os gerenciadores da Spider Pharm, no Arizona, Estados Unidos, lucram com isso: eles capturam diversas esp\u00e9cies de aranhas venenosas na natureza, criam- -nas e colhem regularmente seu veneno. A empresa oferece 78 produtos e 100mL de veneno congelado de vi\u00fava-negra custam US$ 999,00 (aproximadamente R$ 1.799,19)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Arquiteto paisagista<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4075\/4805224339_b2404372c2_o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"233\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O castor-europeu (Castor fiber) estava extinto em grande parte da Europa. Os esfor\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas ajudaram a esp\u00e9cie a retornar a territ\u00f3rios, como os rios Elba e Dan\u00fabio, mas tamb\u00e9m a se multiplicar \u00e0s margens de muitos rios menores. Por meio da migra\u00e7\u00e3o e da reintrodu\u00e7\u00e3o na natureza de animais criados em cativeiro, a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 voltou a se equilibrar em muitas regi\u00f5es. Isso teve consequ\u00eancias positivas: como mestres construtores, os castores derrubam arbustos e \u00e1rvores \u00e0s margens dos rios, para represar e desviar as \u00e1guas para suas pequenas fortifica\u00e7\u00f5es. Onde antes a \u00e1gua flu\u00eda por rios retil\u00edneos, agora ressurgem paisagens de v\u00e1rzeas, com po\u00e7as e regatos entrela\u00e7ados, o que \u00e9 excelente para a biodiversidade e a riqueza aqu\u00e1tica. Um estudo analisou quanto vale, por ano, a atividade construtora dos castores na regi\u00e3o do Spessart, uma baixa cordilheira de montanhas no Noroeste da Baviera e Sul do Estado de Hessen, na Alemanha: 10.500 euros (cerca de R$ 25.548, 08)<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">\u00c9 razo\u00e1vel querer contabilizar o valor de um p\u00e1ssaro<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Trata-se de uma guinada radical, que um grupo de pol\u00edticos e economistas promove cada vez mais decididamente em nossos dias. Durante muito tempo, para eles valia apenas a regra de que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quantificar, e calcular, o que empresas e economias nacionais produzem, vendem e lucram nos mercados. O canto de um p\u00e1ssaro, a vis\u00e3o refrescante de um prado, o aroma do mar n\u00e3o faziam parte de seus mundos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Na melhor das hip\u00f3teses, a natureza desempenhava um &#8220;papel&#8221; na condi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima em processos de manufatura mec\u00e2nica ou industrial, como no caso da madeira proveniente de reflorestamentos. Em geral, s\u00f3 se considerava o valor econ\u00f4mico de esp\u00e9cies isoladas, explor\u00e1veis; jamais se avaliava os ecossistemas que as sustentavam. E, de uma perspectiva puramente econ\u00f4mica, a fauna e a flora materialmente inaproveit\u00e1veis, a riqueza em particularidades e formas admir\u00e1veis da natureza, eram consideradas, no m\u00e1ximo, como um bem de significado sentimental. Nada mais.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Uma nova equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica: natureza\u00a0= economia<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Somente quando esse tesouro come\u00e7ou a escassear e desaparecer, um ou outro especialista passou a enxergar a quest\u00e3o sob um novo \u00e2ngulo. Despertados, subitamente, pela r\u00e1pida perda de muitas esp\u00e9cies da fauna e da flora, um n\u00famero crescente de especialistas vem se perguntando se o mundo tamb\u00e9m n\u00e3o estaria sendo privado de s\u00f3lidos valores monet\u00e1rios. Assim, hoje, dezenas de equipes dos chamados &#8220;economistas ecol\u00f3gicos&#8221; se esfor\u00e7am para conferir valores \u00e0 biodiversidade, e isso tanto em euros como em d\u00f3lares, com meticulosa precis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A princ\u00edpio, isso tira o sentido de um esfor\u00e7o global pela avalia\u00e7\u00e3o do que representa a perda de biodiversidade. Os US$ 50 bilh\u00f5es, aproximadamente R$ 89,4 bilh\u00f5es, de preju\u00edzos pesqueiros anuais, citados no estudo do TEEB, por exemplo, s\u00e3o meramente um valor acad\u00eamico, pr\u00f3prio para alarmar o p\u00fablico como um todo. Mas esse montante n\u00e3o aparece em nenhum balan\u00e7o comercial mundial, em nenhum balan\u00e7o empresarial de fim de ano, e muito menos em uma conta banc\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Pois trata-se apenas de um valor, n\u00e3o de um pre\u00e7o. Assim, uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es dos ecoeconomistas \u00e9 como estipular pre\u00e7o para bens naturais. Como fazer com que seus valores econ\u00f4micos abstratos sejam inclu\u00eddos como grandeza matem\u00e1tica concreta nos c\u00e1lculos de lucros e perdas das empresas, e nos livros de contabilidade dom\u00e9stica?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O problema \u00e9 que a maioria dos servi\u00e7os prestados pela natureza s\u00e3o bens p\u00fablicos, que todos utilizam, mas que n\u00e3o pertencem a ningu\u00e9m. Portanto, ningu\u00e9m os comercializa e n\u00e3o se forma um pre\u00e7o. Isso frequentemente resulta na utiliza\u00e7\u00e3o inconsequente dos recursos, um fato antigo, que o bi\u00f3logo Garrett Hardin sumarizou, em 1968, na f\u00f3rmula Tragedy of the commons (A Trag\u00e9dia dos Bens Comuns).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">E essa trag\u00e9dia pode ser ainda mais agravada, pois, ocasionalmente, os danos ecol\u00f3gicos s\u00e3o computados como lucros. De acordo com a matem\u00e1tica tradicional, at\u00e9 cat\u00e1strofes podem embelezar os balan\u00e7os econ\u00f4micos nacionais, em vez de arruin\u00e1-los. O escritor americano Bill McKibben debocha dessa l\u00f3gica fatal, dizendo: &#8220;O cidad\u00e3o economicamente mais produtivo \u00e9 um canceroso que, a caminho do escrit\u00f3rio de seu advogado de div\u00f3rcio bate o carro com perda total do ve\u00edculo&#8221;. Pois a somat\u00f3ria dos honor\u00e1rios do advogado e dos custos de hospital e oficina mec\u00e2nica, portanto tudo o que precisa ser investido para consertar os danos, constitui uma soma positiva no balan\u00e7o do rendimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Exemplo perfeito disso \u00e9 a cat\u00e1strofe do Exxon Valdez, em 1989. Os danos que o epis\u00f3dio produziu, uma colossal perda de rendimentos da esfera viva, precisaram ser removidos, gerando muitos bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o Produto Interno Bruto do Alasca. Quando os estoques de bacalhau da Terra Nova, no Canad\u00e1, entraram em colapso h\u00e1 15 anos, por causa da ineg\u00e1vel pesca predat\u00f3ria, o efeito nos livros de contabilidade foram positivos, atrav\u00e9s do vencimento dos custos sociais da ordem de 2 bilh\u00f5es de euros (cerca de R$ 4,84 bilh\u00f5es). E a Alemanha contabiliza os gastos com a elimina\u00e7\u00e3o de nitratos e pesticidas, que intoxicam o solo, os custos dos reparos de danos causados por enchentes, eros\u00e3o de solo e polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, anualmente da ordem de 5,1 bilh\u00f5es de euros, aproximadamente R$ 12,35 bilh\u00f5es, como crescimento do Produto Interno Bruto do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">A natureza se valoriza, como uma f\u00e1brica que se renova constantemente<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O fato de ningu\u00e9m contrapor perdas aos aumentos calculados desse modo resulta exclusivamente da realidade de que a natureza n\u00e3o tem pre\u00e7o. Para conseguirem sair dos apertos e ainda assim estipular pre\u00e7os, os pesquisadores apelam para diversos truques.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Robert Costanza, por exemplo, apoiou seu megac\u00e1lculo de US$ 33 trilh\u00f5es, entre outros, em uma &#8220;disposi\u00e7\u00e3o fict\u00edcia de pagamento&#8221; por parte dos consumidores. Em diversas enquetes, as pessoas indicaram que soma de dinheiro elas estariam dispostas a pagar pela conserva\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie ou de um espa\u00e7o vital em suas proximidades. Ou simplesmente, quanto pagariam para garantir a continuidade existencial de uma criatura na Terra mesmo que jamais avistassem a esp\u00e9cie citada &#8211; por exemplo, o orangotango, em liberdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Similarmente, pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre quanto dinheiro cada fam\u00edlia gastaria para destruir duas barragens no Estado de Washington, e devolver ao salm\u00e3o selvagem suas \u00e1guas tradicionais e leg\u00edtimas de procria\u00e7\u00e3o, resultaram em uma soma total de US$ 1 bilh\u00e3o, cerca de R$ 1,78 bilh\u00e3o, muito mais que o custo do desmantelamento das represas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Embora o m\u00e9todo seja critic\u00e1vel, ele se encaixa perfeitamente na l\u00f3gica econ\u00f4mica. Os economistas consideram toda decis\u00e3o de compra como a manifesta\u00e7\u00e3o de uma estimativa de valor. O pre\u00e7o indica o quando uma dada coisa vale (monetariamente) para o comprador. Entretanto, sabe-se que o m\u00e9todo de grandes enquetes resulta, sistematicamente, em uma disposi\u00e7\u00e3o de pagamento muito exagerada. Em \u00faltimo caso, ao ponto de n\u00e3o restar muito da cifra obtida no final das contas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Por essa raz\u00e3o, muitos ecoeconomistas se contentam com investiga\u00e7\u00f5es mais limitadas, nas quais eles conseguem estipular pre\u00e7os mais exatos; por exemplo, ao calcularem os ciclos h\u00eddricos ou de nutrientes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Esse m\u00e9todo tamb\u00e9m deixa muitas perguntas sem respostas, mas eles tentam se livrar das prefer\u00eancias individuais. Os pesquisadores se concentram em qu\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 a produtividade da natureza. Em muitos casos, ela \u00e9 muito superior \u00e0 do ser humano, como diversos estudos j\u00e1 comprovaram.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; A produtividade econ\u00f4mica anual de manguezais intactos na Tail\u00e2ndia, por exemplo, equivale a 2.100 euros,\/ha cerca de R$ 5.087,75. Inclu\u00eddos nesse c\u00e1lculo est\u00e1 o fato de que manguezais s\u00e3o territ\u00f3rio de procria\u00e7\u00e3o de peixes, elementos naturais de prote\u00e7\u00e3o contra enchentes e facilitadores de lucros para a pescaria local. Mas quando essas \u00e1reas s\u00e3o derrubadas e transformadas em fazendas de cria\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es, o lucro despenca para apenas 30%, incluindo as arrecada\u00e7\u00f5es feitas pela aquicultura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Terrenos \u00famidos saud\u00e1veis no Canad\u00e1 geram 200 euros\/ha\/ano &#8211; cerca de R$ 484,54 &#8211; ao garantirem o saneamento de \u00e1guas polu\u00eddas e a reciclagem de nutrientes. Mas quando essas \u00e1reas s\u00e3o drenadas para uma utiliza\u00e7\u00e3o intensiva para a agricultura, sua contribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m \u00e9 reduzida a apenas 30%, apesar dos lucros agr\u00edcolas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Um hectare de floresta tropical no Camboja tem um valor econ\u00f4mico de 1.300 euros, cerca de R$ 3.149,56. Esse valor \u00e9 calculado, entre outros, por sua contribui\u00e7\u00e3o para a prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, seu papel como fonte de \u00e1gua, alimentos e lenha para habitantes locais, e seu car\u00e1ter de reservat\u00f3rio de plantas medicinais ainda desconhecidas. A renda obtida com o extrativismo de madeira n\u00e3o chega a um d\u00e9cimo desse montante. Portanto, o desmatamento de florestas virgens reduz de forma irris\u00f3ria o seu verdadeiro valor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O significado financeiro de uma \u00fanica esp\u00e9cie viva em liberdade na natureza \u00e9 ilustrado pelo caso de uma doen\u00e7a vir\u00f3tica que, nos anos 70, por meio de ondas sucessivas, destruiu em at\u00e9 25% as safras de arroz na \u00c1sia. J\u00e1 naquela \u00e9poca, os lavradores s\u00f3 plantavam um punhado de variedades altamente produtivas &#8211; todas extremamente suscet\u00edveis \u00e0 doen\u00e7a. Na busca por uma cepa mais resistente, os rizicultores finalmente descobriram uma linhagem imune, que cruzaram com as grandes variedades comerciais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A variedade de arroz selvagem que ajudou a combater o v\u00edrus procedia de um \u00fanico vale, na \u00cdndia, que, pouco depois, durante a constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica, foi inundado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A mudan\u00e7a revelou-se irrevers\u00edvel. Cientistas do Centro de Pesquisa Woods Hole, dos Estados Unidos, temem algo semelhante para a Floresta Amaz\u00f4nica, caso ela seja obrigada a sobreviver sem \u00e1gua durante mais de dois anos sucessivos, em consequ\u00eancia do acentuado desmatamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Experimentos de campo mostraram que, nesse caso, a floresta tropical se transformaria em deserto, porque, em um processo reverso de caracter\u00edstica letal, ela mesma impediria a a\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica da \u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A massa foliar da floresta tropical contribui para a evapora\u00e7\u00e3o e intensifica as precipita\u00e7\u00f5es regionais, na floresta evaporam entre 15% e 20% mais chuvas que em \u00e1reas utilizadas para lavouras. A regra contr\u00e1ria \u00e9 simples: sem \u00e1rvores, h\u00e1 menos evapora\u00e7\u00e3o, menos chuvas e mais desertifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Ainda assim, apesar de todos os grandes obst\u00e1culos entre economistas cl\u00e1ssicos e os representantes da nova Ecoeconomia, tais reconhecimentos fazem com que a &#8220;contabilidade verde&#8221; chegue paulatinamente \u00e0s correntes de pensamento predominantes, por exemplo: o ecologista Paul Ehrlich, de Stanford, acredita que a avalia\u00e7\u00e3o err\u00f4nea do capital natural feita at\u00e9 agora, e suas consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas, ir\u00e3o dominar a Economia do s\u00e9culo XXI.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Um grupo de pesquisa ligado ao zo\u00f3logo brit\u00e2nico Andrew Balmford presume que a propor\u00e7\u00e3o entre os custos de prote\u00e7\u00e3o natural e o aproveitamento seja de 1 para 100. Em outras palavras: para cada euro que investirmos hoje em um novo parque nacional, ou na reidrata\u00e7\u00e3o de charcos, a natureza &#8220;render\u00e1&#8221; 100 euros. Descartar rendimentos como esses, seria absurdo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Balmford calcula que, em termos mundiais, uma \u00e1rea de 15% de natureza virgem funcional seja o m\u00ednimo que devemos ter para produzir os desempenhos do ecossistema global imprescind\u00edveis ao futuro bem-estar humano. Embora atualmente 8% da superf\u00edcie terrestre j\u00e1 estejam oficialmente sob prote\u00e7\u00e3o, faltam recursos financeiros para realmente manter esse status de forma consequente e racional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Na opini\u00e3o de Balmford, \u00e9 necess\u00e1rio investir 25 bilh\u00f5es de euros por ano para mudar essa situa\u00e7\u00e3o. E, para arrecadar essa soma, j\u00e1 seria suficiente desviar menos de 0,05% das subven\u00e7\u00f5es que ainda aquecem o consumo da fauna e da flora do planeta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Entre elas, podem ser elencadas as estradas financiadas com dinheiro do contribuinte, gasolina a\u00e9rea barateada ou pr\u00eamios para biocombust\u00edveis, cuja produ\u00e7\u00e3o hoje est\u00e1 vinculada \u00e0 r\u00e1pida devora\u00e7\u00e3o das florestas tropicais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Comparativamente, em sua reuni\u00e3o de c\u00fapula, em abril de 2009, os pa\u00edses do G-20 decidiram, diante do pano de fundo da crise financeira internacional, estimular a conjuntura mundial com US$ 1,1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares! Com os meios da economia tradicional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A cidade de Nova York constitui um exemplo convincente das rendas enormes que investimentos comparativamente muito menores e mais modestos podem trazer \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da natureza. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1990, a metr\u00f3pole se viu diante da urgente tarefa de melhorar a qualidade da \u00e1gua pot\u00e1vel de seus habitantes. Uma nova esta\u00e7\u00e3o de saneamento e preparo teria custado entre US$ 6,00 e US$ 8,00 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mas em vez disso, os respons\u00e1veis optaram pela &#8220;alternativa verde&#8221;. O governo municipal comprou grandes \u00e1reas de terras nos Montes Catskill, de onde prov\u00e9m a maior parte da \u00e1gua da cidade, e recompensou financeiramente alguns propriet\u00e1rios de terras para que adotassem um manejo ecol\u00f3gico. Os custos dessa alternativa: apenas US$ 1,5 bilh\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O exemplo de Nova York constitui um primeiro &#8220;desvio&#8221; do g\u00eanero. Mas at\u00e9 onde os bens naturais aparecem como um fator positivo nos balan\u00e7os, eles, normalmente, s\u00e3o depreciados, pois est\u00e3o sujeitos aos mesmos processos v\u00e1lidos para outros investimentos de capitais. Valores e rendimentos futuros s\u00e3o descontados, ou taxados a menor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Quando se trata, por exemplo, de uma \u00e1rea atualmente \u00famida, que ainda ser\u00e1 produtiva para o saneamento de \u00e1gua pot\u00e1vel e como \u00e1rea de cria\u00e7\u00e3o de peixes, em 2020, os economistas calculam os rendimentos futuros, ao subtra\u00edrem para cada ano, at\u00e9 2020, um percentual orientado na atual taxa de juros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8220;Esse c\u00e1lculo pode ser razo\u00e1vel quando se trata de m\u00e1quinas e edif\u00edcios, cujos valores podem diminuir conforme a infla\u00e7\u00e3o, o desgaste ou uma modifica\u00e7\u00e3o na tend\u00eancia de demanda, e que, em algum momento, tornam-se imprest\u00e1veis&#8221;, diz o ecologista James Aronson, da organiza\u00e7\u00e3o nacional de pesquisa cient\u00edfica francesa CNRS. A natureza, por\u00e9m, \u00e9 uma &#8220;instala\u00e7\u00e3o&#8221; que faz sua pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o e se mant\u00e9m, sozinha e gratuitamente, na mais &#8220;moderna tecnologia de ponta&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Se a &#8220;liquida\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o for interrompida, &#8220;ent\u00e3o precisaremos de uma nova taxa de juros negativa para o valor dos ecossistemas&#8221;, explica Aronson, afinal, em vista da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, seus rendimentos futuros ter\u00e3o muito mais valor que hoje.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Outros ecoeconomistas advertem para que n\u00e3o se pretenda quantificar o valor da biodiversidade com excessiva exatid\u00e3o matem\u00e1tica. Em raz\u00e3o dos obst\u00e1culos no caminho de uma quantifica\u00e7\u00e3o aceita de modo geral, eles advogam um atalho pragm\u00e1tico, seguindo o lema: pre\u00e7os aproximados s\u00e3o melhores do que pre\u00e7o nenhum.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">James Boyd e Spencer Banzhaf, do thinktank americano Resources for the Future (RFF), organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa independente, sem fins lucrativos, com sede em Washington, D.C., apontam para o fato de que grandezas econ\u00f4micas cl\u00e1ssicas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o definidas com a mais absoluta precis\u00e3o. Em vez disso, se baseiam em um consenso que, na verdade, muitas vezes est\u00e1 t\u00e3o distante da realidade que somos levados a consider\u00e1-lo como um valor objetivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Esses valores, dizem Boyd e Banzhaf, tamb\u00e9m deveriam ser determinados para os rendimentos de ecossistemas, e inclu\u00eddos em importantes indicadores econ\u00f4micos, como o Produto Social Bruto. Aos poucos e cautelosamente, essa aproxima\u00e7\u00e3o de valores come\u00e7a a tomar forma, por exemplo, quando se trata de compensar as emiss\u00f5es de CO2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Entretanto, de in\u00edcio, o com\u00e9rcio de certificados de CO2, longamente discutido no \u00e2mbito do Protocolo de Kyoto, fracassou. Os pa\u00edses da UE, principalmente a Alemanha, concederam ou presentearam com licen\u00e7as demais em vez de leilo\u00e1-las e, com isso, os maiores poluidores foram recompensados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em seu n\u00edvel mais baixo, em dezembro de 2007, uma tonelada de CO2 chegou a ser vendida na Bolsa de Valores de Leipzig, na Alemanha, a insignificantes dois centavos de euro: um desastre. Mas para o novo per\u00edodo comercial, a partir de 2008, a UE reduziu a oferta de certificados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Outra variante para recompensar a prote\u00e7\u00e3o da natureza s\u00e3o os chamados &#8220;cr\u00e9ditos de biodiversidade&#8221;, testados atualmente nos Estados Unidos, na Austr\u00e1lia e na Mal\u00e1sia. O princ\u00edpio \u00e9 simples: associa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas ou pessoas f\u00edsicas se encarregam de cuidar de \u00e1reas valiosas. Assim, se um espa\u00e7o vital para plantas e\/ou animais protegidos \u00e9 amea\u00e7ado em algum lugar, por exemplo, por meio de novas constru\u00e7\u00f5es, os construtores s\u00e3o obrigados a comprar &#8220;cr\u00e9ditos de biodiversidade&#8221;, ou seja, investir em \u00e1reas de compensa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Desse modo, o foco fica concentrado na conserva\u00e7\u00e3o e financiamento de \u00e1reas protegidas interligadas. Desde 2007, o modelo vem sendo testado, pela primeira vez, na Reserva Florestal Malua, uma \u00e1rea de 240.000ha de matas tropicais, em Born\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Privatizem a natureza!&#8221; \u00e9 a mais nova exig\u00eancia de muitos comerciantes que n\u00e3o querem ser exclu\u00eddos do boom ecoecon\u00f4mico. Mas os fundadores da Economia Verde s\u00e3o mais cautelosos. O americano Herman Daly, ex-diretor do Banco Mundial e ganhador do Pr\u00eamio Nobel Alternativo, n\u00e3o \u00e9 contra os direitos de posse da biodiversidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">No entanto, ele n\u00e3o quer entregar a Natureza a &#8220;donos particulares&#8221;, mas deposit\u00e1-la nas m\u00e3os de institui\u00e7\u00f5es, que fixam contratualmente cotas de utiliza\u00e7\u00e3o para essa heran\u00e7a da humanidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">J\u00e1 o empreendedor e autor americano Peter Barnes imagina confiar os bens comuns verdes aos cuidados de trustes pr\u00f3prios, como funda\u00e7\u00f5es s\u00e3o entregues a procuradores organizados. E essa redistribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades ainda \u00e9 insuficiente para Barnes. Para ele, at\u00e9 coisas impalp\u00e1veis, como um ambiente pol\u00edtico e est\u00e1vel, devem fazer parte dos bens comuns, com valor financeiro determinado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8220;Os bens comuns s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 mat\u00e9ria escura do universo econ\u00f4mico, eles est\u00e3o em toda parte, mas n\u00e3o conseguimos enxerg\u00e1-los&#8221;, afirma Barnes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Diante desse pano de fundo, Barnes tamb\u00e9m considera excessivamente baixo e modesto o n\u00famero encontrado por Robert Costanza, US$ 33 trilh\u00f5es, como valor equivalente para todas as presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o da biosfera. O economista sugere instituir um &#8220;b\u00f4nus de irreversibilidade de valor indeterminado&#8221;. Uma soma desconhecida X, que incrementaria o valor de cada ser vivo, mesmo quando se tivesse somado todos os servi\u00e7os de acordo com o atual grau de conhecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Com isso, mesmo de um ponto de vista puramente econ\u00f4mico, teria sido encontrado um motivo para reconhecer os valores est\u00e9ticos e emocionais da Natureza. Ou ent\u00e3o, entender matematicamente que um pequeno passarinho com seu canto matutino em um galho balou\u00e7ante \u00e9 algo de valor incalcul\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Pol\u00edtica mundial<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">O ano internacional da biodiversidade<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade. O tema vida despertar mais a consci\u00eancia p\u00fablica mundial, por meio de eventos internacionais, nacionais e tamb\u00e9m locais. A GEO participou do esfor\u00e7o na maioria dos 19 pa\u00edses em que a revista \u00e9 publicada, com dias de atividades no m\u00eas de maio. A biodiversidade abarca a imensa variedade de esp\u00e9cies e espa\u00e7os vitais, bem como as variantes gen\u00e9ticas no \u00e2mbito de esp\u00e9cies isoladas da fauna e da flora. A prote\u00e7\u00e3o internacional dessa riqueza natural do planeta foi catapultada ao topo da agenda pol\u00edtica mundial em 1992, durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento &#8211; ECO-92, no Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Com a assinatura da Conven\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (CBD), no Rio, nasceu um importante processo multinacional. Na mesma \u00e9poca foi aprovada a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (precursora do Protocolo de Kyoto). A CBD tamb\u00e9m regulamenta o justo equil\u00edbrio da vantagem na explora\u00e7\u00e3o de recursos gen\u00e9ticos, v\u00e1lida em quase todos os pa\u00edses, apenas Andorra, o Vaticano e os Estados Unidos n\u00e3o assinaram o documento at\u00e9 hoje. A 9\u00aa Confer\u00eancia dos Estados Signat\u00e1rios da CBD ocorreu em maio de 2008, em Bonn, na Alemanha. Desde ent\u00e3o, o pa\u00eds det\u00e9m presid\u00eancia da CBD at\u00e9 a pr\u00f3xima confer\u00eancia, marcada para outubro de 2010, no Jap\u00e3o. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente alem\u00e3o apoia os dias de a\u00e7\u00e3o ambiental promovidos por GEO.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Tanto no \u00e2mbito da CBD, como na c\u00fapula mundial, em Johannesburgo, \u00c1frica do Sul, em 2002, foi decidido reduzir decisivamente a persistente perda de esp\u00e9cies da diversidade biol\u00f3gica at\u00e9 o ano 2010, e elaborar meios adicionais para isso (Meta 2010). Apesar do reconhecimento oficial do problema, a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade ainda avan\u00e7a a um ritmo estonteante em todo o mundo. Na 10\u00aa Confer\u00eancia dos Estados Signat\u00e1rios da CBD, no Jap\u00e3o, dever\u00e1 ser determinado um novo \u00e2mbito pol\u00edtico para a prote\u00e7\u00e3o global da biodiversidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4138\/4805224569_db3a44cb28_o.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"323\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Fotos &#8211; INGO ARNDT, 41, trabalha regularmente para GEO. A obra do premiado fot\u00f3grafo reflete a biodiversidade de antropoides a borboletas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Texto &#8211; O Dr. ANDREAS WEBER, 42, bi\u00f3logo, fil\u00f3sofo e publicit\u00e1rio, se especializou no significado da natureza para o ser humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Fonte &#8211; Revista Geo<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto vale uma borboleta? 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