{"id":8156,"date":"2011-01-22T08:00:20","date_gmt":"2011-01-22T09:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=8156"},"modified":"2011-01-22T08:00:20","modified_gmt":"2011-01-22T09:00:20","slug":"campos-silenciosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/campos-silenciosos\/","title":{"rendered":"Campos silenciosos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4089\/5005088850_95b295f4e6.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Um conjunto de fatos ainda n\u00e3o dimensionados, mas que deve incluir de \u00e1caros a v\u00edrus, e pesticidas agr\u00edcolas, est\u00e1 diminuindo a sonoridade do v\u00f4o de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores est\u00e3o chamando de dist\u00farbio do colapso de abelhas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Dave Hackenberg ganha a vida transportando abelhas europ\u00e9ias: ele coloca as colm\u00e9ias no caminh\u00e3o e segue de campo em campo, polinizando culturas t\u00e3o diversas quanto mel\u00f5es na Fl\u00f3rida, ma\u00e7\u00e3s na Pensilv\u00e2nia, mirtilos no Maine e am\u00eandoas na Calif\u00f3rnia, movimentando-se ao longo da Costa Leste e, com freq\u00fc\u00eancia, de costa a costa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Repetindo a rotina dos \u00faltimos 42 anos, no outono de 2006, ele migrou com a fam\u00edlia e as abelhas da casa de ver\u00e3o, no centro da Pensilv\u00e2nia, para o abrigo de inverno na Fl\u00f3rida central. Os insetos haviam acabado de cumprir a obriga\u00e7\u00e3o, polinizando floradas de ab\u00f3bora na Pensilv\u00e2nia e agora pegariam o \u00faltimo fluxo de n\u00e9ctar dos pic\u00f5es pretos na Fl\u00f3rida. Segundo Hackenberg, quando ele verificou os polinizadores, a colm\u00e9ia \u201cfervia\u201d de insetos. Por\u00e9m, ao retornar um m\u00eas depois, fi cou horrorizado. A maioria das col\u00f4nias restantes sofreu perdas de in\u00fameras oper\u00e1rias. Restaram apenas as oper\u00e1rias jovens e a rainha, que pareciam saud\u00e1veis; mais da metade das 3 mil colm\u00e9ias estava completamente vazia, embora n\u00e3o houvesse abelhas mortas \u00e0 vista. \u201cEra como uma cidade fantasma\u201d, contou Hackenberg quando nos telefonou buscando uma explica\u00e7\u00e3o para o desaparecimento misterioso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Imediatamente, n\u00f3s e outros pesquisadores organizamos uma equipe de trabalho interdisciplinar que, em dezembro de 2006, descobriu o fen\u00f4meno e mais tarde denominou-o dist\u00farbio do colapso das col\u00f4nias, ou CCD em ingl\u00eas. Curiosamente, as col\u00f4nias de Hackenberg pararam de morrer na primavera seguinte, mas na \u00e9poca apenas 800 dentre as originais 3 mil col\u00f4nias sobreviveram. Conforme Hackenberg trocava informa\u00e7\u00f5es com outros colegas de todo o pa\u00eds, ficou evidente que n\u00e3o estava sozinho. Uma pesquisa conduzida por nossa equipe, na primavera de 2007, revelou que um quarto dos apicultores americanos sofrera perdas semelhantes, e mais de 30% de todas as col\u00f4nias foram perdidas. No inverno seguinte a mortandade recome\u00e7ou e se expandiu, chegando a 36% dos apicultores americanos. Relatos de grandes perdas tamb\u00e9m surgiram da Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China, Europa e outras regi\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 dados recentes ainda, mas alguns apicultores relatam que houve colapso de col\u00f4nias neste inverno tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Essa perda de abelhas foi o sinal de alerta, pois um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mundial depende da abelha europ\u00e9ia, a Apis mellifera \u2013 esp\u00e9cie adotada universalmente pelos apicultores de pa\u00edses ocidentais. As enormes fazendas de monocultura demandam intensa atividade polinizadora por curtos per\u00edodos do ano, papel que outros polinizadores, como abelhas silvestres e morcegos, n\u00e3o conseguem desempenhar. Apenas a A. mellifera organiza ex\u00e9rcitos de polinizadores praticamente em qualquer \u00e9poca do ano, onde quer que o tempo seja ameno e haja flores a visitar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nosso grupo eliminou v\u00e1rias causas prov\u00e1veis para o CCD e encontrou diversos fatores que poderiam contribuir; mas nenhum respons\u00e1vel \u00fanico foi identificado. As abelhas com CCD tendem a ser infestadas por pat\u00f3genos m\u00faltiplos, incluindo um v\u00edrus rec\u00e9m-descoberto, mas essas infec\u00e7\u00f5es parecem secund\u00e1rias ou oportunistas \u2013 da mesma forma que a pneumonia mata um paciente aid\u00e9tico. O quadro que surge agora apresenta uma condi\u00e7\u00e3o complexa, que pode ser desencadeada por diversas combina\u00e7\u00f5es de fatores. O combate ao CCD pode n\u00e3o ser f\u00e1cil; talvez seja preciso um maior cuidado com o meio ambiente e mudan\u00e7as a longo prazo nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e apicultoras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mesmo antes do dist\u00farbio do colapso das col\u00f4nias, as abelhas sofreram v\u00e1rios males que reduziram sua popula\u00e7\u00e3o. A quantidade de col\u00f4nias de mel\u00edferas em 2006 era menor que a metade existente em 1949. No entanto, os apicultores n\u00e3o se lembram de ter visto perdas t\u00e3o s\u00e9rias quanto as ocorridas nos invernos de 2007 e 2008. Embora provavelmente o CCD n\u00e3o provoque a extin\u00e7\u00e3o das abelhas, poder\u00e1 levar muitos apicultores a desistir de seus neg\u00f3cios. Se devido a isso, a t\u00e9cnica e o conhecimento dos apicultores diminuir muito, mesmo quando o CCD for finalmente superado, cerca de 100 culturas podem ficar sem polinizadores \u2013 e a produ\u00e7\u00e3o em larga escala de certas culturas poder\u00e1 se tornar invi\u00e1vel. Ainda ter\u00edamos milho, trigo, batatas e arroz, mas muitas frutas e legumes que consumimos rotineiramente \u2013 como ma\u00e7\u00e3s, mirtilos, br\u00f3colis e am\u00eandoas \u2013 poder\u00e3o se tornar alimentos de privilegiados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Florescimento Silencioso<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm6.static.flickr.com\/5288\/5378077708_c96170cfcc_o.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"366\" \/><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">DAVE HACKENBERG foi o primeiro apicultor a alertar os entomologistas americanos sobre o desaparecimento s\u00fabito e inexplic\u00e1vel de oper\u00e1rias, indicador do que hoje \u00e9 conhecido como o dist\u00farbio do colapso das col\u00f4nias, no outono de 2006. At\u00e9 o fim do inverno, mais de 60% das suas tr\u00eas mil col\u00f4nias estavam dizimadas; nos Estados Unidos a perda foi de 30%.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Quando Hackenberg inicialmente nos contou sobre as abelhas desaparecidas, nosso primeiro pensamento se voltou para os \u00e1caros varroa. Esses parasitas agressivos s\u00e3o respons\u00e1veis pela queda de 45% do n\u00famero de col\u00f4nias de abelhas cultivadas entre 1987 (quando foram introduzidos nos Estados Unidos) e 2006. As f\u00eameas adultas de varroa se alimentam da hemolinfa, o sangue das abelhas. Os \u00e1caros tamb\u00e9m s\u00e3o portadores de viroses e inibem a resposta imunol\u00f3gica dos hospedeiros. Hackenberg, como tantos apicultores especializados, j\u00e1 tinha vasta experi\u00eancia no combate aos \u00e1caros e tinha certeza de que os sintomas dessa vez eram diferentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Um de n\u00f3s (vanEngelsdorp) fez aut\u00f3psia nos insetos remanescentes de Hackenberg e encontrou sintomas nunca observados anteriormente, como o tecido cicatricial em \u00f3rg\u00e3os internos. Os testes iniciais tamb\u00e9m detectaram alguns dos costumeiros suspeitos de doen\u00e7a nas abelhas. No conte\u00fado estomacal foram encontrados esporos de nosema, parasitas f\u00fangicos unicelulares, que provocam disenteria nas abelhas. No entanto, a contagem de esporos nessas e outras amostras posteriores de mel\u00edferas n\u00e3o foram t\u00e3o altas para explicar as perdas. A an\u00e1lise molecular das abelhas de Hackenberg, feita por outro membro do grupo (Cox-Foster) tamb\u00e9m demonstrou n\u00edveis surpreendentes de infec\u00e7\u00f5es virais de v\u00e1rios tipos conhecidos. Mas n\u00e3o se encontrou nenhum pat\u00f3geno nos insetos que pudesse explicar a escala do desaparecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Ou seja, as abelhas estavam doentes, mas cada col\u00f4nia parecia sofrer de uma combina\u00e7\u00e3o diferente de enfermidades. Lan\u00e7amos a hip\u00f3tese de que algo comprometera o sistema imunol\u00f3gico dos insetos, deixando-os suscet\u00edveis a v\u00e1rios tipos de infec\u00e7\u00f5es que as col\u00f4nias saud\u00e1veis normalmente combatiam. E Hackenberg estava certo: os primeiros suspeitos, os \u00e1caros varroa n\u00e3o estavam presentes em n\u00famero significativo para explicar a mortandade repentina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm6.static.flickr.com\/5289\/5378077786_f6d00ac9c1_o.jpg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"500\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><em>SEM AS ABELHAS muitos alimentos do caf\u00e9 da manh\u00e3, \u00e0 esquerda, seriam inacess\u00edveis \u00e0 maioria das pessoas, devido ao pre\u00e7o. A escassez afetaria principalmente v\u00e1rias frutas, al\u00e9m das gel\u00e9ias e conservas, am\u00eandoas e at\u00e9 mesmo o leite, pois as vacas leiteiras, em regime de confinamento, exigem uma ra\u00e7\u00e3o rica em prote\u00edna, que depende de polinizadores<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Na primavera de 2007 nosso grupo come\u00e7ou a fazer detalhadas pesquisas em todo o pa\u00eds sobre todos os aspectos de manejo de col\u00f4nias, entrevistando t\u00e9cnicos que encontraram o CCD, al\u00e9m de outros que n\u00e3o detectaram o fen\u00f4meno. Essas e outras investiga\u00e7\u00f5es descartaram v\u00e1rias outras causas prov\u00e1veis; n\u00e3o se podia culpar nenhuma t\u00e9cnica de manejo de apicultura. Grandes apicultores comerciais foram t\u00e3o atingidos \u2013 sofrendo grandes perdas \u2013, quanto os de pequeno porte ou os criadores por hobby. Os sintomas afetaram tanto apicultores fixos quanto os migrat\u00f3rios; at\u00e9 mesmo alguns apicultores org\u00e2nicos acabaram atingidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Quando as reportagens na m\u00eddia come\u00e7aram a narrar a mortandade, outras pessoas, n\u00e3o ligadas \u00e0 apicultura, tamb\u00e9m manifestaram preocupa\u00e7\u00e3o. Muitas delas ficaram ansiosas em compartilhar suas hip\u00f3teses quanto ao motivo do CCD. Algumas dessas propostas \u2013 como culpar a radia\u00e7\u00e3o de telefones celulares \u2013 se originaram de estudos sem uma estrutura s\u00e9ria. Outras hip\u00f3teses n\u00e3o foram sequer consideradas para testes, como alega\u00e7\u00f5es de que as abelhas teriam sido abduzidas por alien\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Uma teoria aceita por muitas pessoas foi de que as abelhas podem ter sido envenenadas por p\u00f3len de culturas modificadas geneticamente, especificamente as chamadas culturas Bt, que cont\u00eam um gene da toxina de inseticida produzida pela bact\u00e9ria Bacillus thuringiensis. Quando as lagartas nocivas se alimentam de culturas produtoras dessas toxinas, elas morrem. Mas j\u00e1 antes da infesta\u00e7\u00e3o de CCD, as pesquisas demonstraram que a toxina Bt s\u00f3 se torna ativa no intestino de lagartas, pernilongos e de alguns besouros. O trato digestivo de abelhas mel\u00edferas e de muitos outros insetos n\u00e3o deixa a Bt agir. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Uma outra teoria popular, muito mais aceit\u00e1vel, culpa os venenos sint\u00e9ticos. Os dois suspeitos principais s\u00e3o os acaric\u00eddeos \u2013 subst\u00e2ncias que os apicultores usam para manter os \u00e1caros sob controle \u2013 e os pesticidas, tanto do meio ambiente quanto dos campos de cultura polinizados pelas abelhas. At\u00e9 2006, novos tipos de pesticidas substitu\u00edram as variedades tradicionais. Um tipo em especial, os neonicotin\u00f3i des, foram responsabilizados por apicultores franceses e de outros locais, por prejudicar os insetos polinizadores. Essa classe de inseticidas imita os efeitos da nicotina, uma defesa natural que as plantas do tabaco lan\u00e7am contra as pestes devoradoras de folhas, sendo mais t\u00f3xica a insetos que a vertebrados. Mas os neonicotin\u00f3ides tamb\u00e9m entram no p\u00f3len e no n\u00e9ctar das plantas, n\u00e3o apenas nas folhas, e assim potencialmente podem afetar os polinizadores. As pesquisas iniciais indicam que os neonicotin\u00f3ides diminuem a capacidade de as abelhas mel\u00edferas lembrarem como voltar \u00e0 colm\u00e9ia, sinal de que podem contribuir para o CCD.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">N\u00f3s e outros especialistas tamb\u00e9m suspeitamos que a defesa natural das abelhas pode estar enfraquecida por m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o. As abelhas, assim como os polinizadores selvagens, n\u00e3o t\u00eam mais o mesmo n\u00famero ou variedade de flores dispon\u00edveis porque n\u00f3s, humanos, tentamos \u201carrumar\u201d nosso ambiente. Por exemplo, plantamos uma grande extens\u00e3o de culturas sem deixar \u00e1reas com fl ores, mato ou cerca viva. Mantemos enormes gramados sem ervas como o trevo ou o dente-de le\u00e3o. Mesmo as beiras de estradas e parques refletem o nosso desejo de manter as coisas arrumadas, sem mato. Mas para as abelhas e outros polinizadores, os gramados extensos s\u00e3o como desertos. A alimenta\u00e7\u00e3o das abelhas que polinizam grandes \u00e1reas de uma cultura pode carecer de nutrientes importantes, comparados aos polinizadores que se alimentam de fontes variadas, como seria t\u00edpico em um ambiente natural. Os apicultores v\u00eam tentando administrar essa preocupa\u00e7\u00e3o desenvolvendo suplementos de prote\u00ednas para a alimenta\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias \u2013 embora os suplementos em si n\u00e3o tenham evitado o CCD.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Esfor\u00e7o Conjunto<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nossa for\u00e7a-tarefa centrou a investiga\u00e7\u00e3o nessas duas vastas \u00e1reas \u2013 pesticidas e nutri\u00e7\u00e3o \u2013 al\u00e9m de outras possibilidades \u00f3bvias, de um pat\u00f3geno novo ou rec\u00e9m-modificado ter provocado o CCD. Os testes sobre as tr\u00eas hip\u00f3teses dependiam da coleta de amostras \u2013 muitas amostras. N\u00f3s nos juntamos a Jeff Pettis, do laborat\u00f3rio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Beltsville, Maryland, para conduzir essa tarefa que envolvia longos dias, muitos quil\u00f4metros na estrada e o desafio de coletar material suficiente para distribuir para toda a equipe. Sem abelhas mortas para estudar, decidimos coletar abelhas vivas de api\u00e1rios que sofreram a infesta\u00e7\u00e3o, baseados na premissa de que as sobreviventes poderiam portar a doen\u00e7a em est\u00e1gio inicial. As abelhas foram coletadas em \u00e1lcool para contagem de varroa e nosema. Os insetos, o p\u00f3len e a cera da colm\u00e9ia foram colocados em gelo seco e rapidamente enviados para os laborat\u00f3rios na Pensilv\u00e2nia e Maryland, sendo mantidos em refrigeradores e preservados para as an\u00e1lises qu\u00edmicas e moleculares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Algumas amostras foram enviadas ao nosso colega David Tarpy, da North Carolina State University, que mediu o conte\u00fado prot\u00e9ico. Tarpy n\u00e3o encontrou diferen\u00e7a significativa entre os api\u00e1rios que tinham CCD e outros aparentemente saud\u00e1veis. Seus resultados sugerem que o estado nutricional, em si, n\u00e3o explicava o CCD.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Muito mais surpreendente foi o resultado da pesquisa de nossa equipe sobre os pesticidas, para os quais convocamos a ajuda dos pesquisadores da Pennsylvania State University, Maryann Frazier, Jim Frazier e Chris Mullin e de Roger Simonds, qu\u00edmico do laborat\u00f3rio do USDA em Gastonia, Carolina do Norte. (Por coincid\u00eancia, Simonds \u00e9 apicultor.) Sua an\u00e1lise de amplo espectro, sens\u00edvel a inseticidas, herbicidas e fungicidas, revelou mais de 170 subst\u00e2ncias diferentes. A maior parte das amostras armazenadas de p\u00f3len continha cinco ou mais tipos diferentes de compostos e algumas chegavam a ter 35. Embora tanto o n\u00edvel quanto a diversidade de subst\u00e2ncias encontradas seja preocupante, nenhuma indicava estar por tr\u00e1s do CCD; \u00e0s vezes, col\u00f4nias saud\u00e1veis tinham n\u00edveis mais altos de algumas subst\u00e2ncias que as col\u00f4nias afetadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">N\u00e3o foram detectados neonicotin\u00f3ides nas amostras originais, mas esses e outros pesticidas ainda n\u00e3o podem ser descartados. As colm\u00e9ias s\u00e3o din\u00e2micas e a nossa amostragem inicial n\u00e3o foi. \u00c9 poss\u00edvel, se n\u00e3o prov\u00e1vel, que as abelhas atingidas pelo CCD tinham sido prejudicadas por subst\u00e2ncias qu\u00edmicas ou por uma mescla de subst\u00e2ncias que n\u00e3o ficaram evidentes \u00e0 \u00e9poca da coleta de amostras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nossas tentativas de identificar uma nova doen\u00e7a infecciosa \u2013 ou nova linhagem de uma antiga \u2013, que poderia estar na raiz do CCD, inicialmente pareciam n\u00e3o levar a lugar nenhum. Nenhuma das doen\u00e7as de abelhas conhecidas, bacterianas, f\u00fangicas ou virais, poderia ser responsabilizada pelas perdas provocadas pelo CCD; assim, n\u00e3o t\u00ednhamos id\u00e9ia do que dever\u00edamos buscar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Ent\u00e3o, Cox-Foster, junto com o grupo de Ian Lipkin, da Columbia University (com a ajuda da empresa de biotecnologia 454 Life Sciences, em Branford, Connecticut), recorreu a um m\u00e9todo sofisticado de detec\u00e7\u00e3o de microorganismos denominado metagen\u00f4mica. Por essa t\u00e9cnica, os \u00e1cidos nucl\u00e9icos (DNA e RNA) s\u00e3o coletados de um ambiente com v\u00e1rios organismos diferentes. O material gen\u00e9tico \u00e9 misturado e, em seguida, separado em partes pequenas o bastante para que as suas seq\u00fc\u00eancias de c\u00f3digo \u201cde letras\u201d possam ser decifradas. No seq\u00fcenciamento de genes convencional os pesquisadores usariam um software para reunir as partes novamente e reconstituir o genoma original do organismo. Mas na metagen\u00f4mica os genes pertencem a organismos diferentes, assim o seq\u00fcenciamento produz um instant\u00e2neo de seq\u00fc\u00eancias de v\u00e1rios organismos, at\u00e9 mesmo microsc\u00f3picos, dentro de um ecossistema. A metagen\u00f4mica vem sendo usada na pesquisa de ambientes como a \u00e1gua do mar e o solo, revelando uma surpreendente diversidade de microorganismos. Mas tamb\u00e9m pode ser aplicada para detectar microorganismos abrigados por organismos maiores, vivendo em colabora\u00e7\u00e3o (em simbiose), ou como infec\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Naturalmente, a maioria das seq\u00fc\u00eancias gen\u00e9ticas das nossas amostras \u00e9 das pr\u00f3prias abelhas. Mas essas foram facilmente filtradas porque, felizmente, o genoma da abelha mel\u00edfera acabou de ser seq\u00fcenciado. As seq\u00fc\u00eancias que n\u00e3o se referiam \u00e0s abelhas foram comparadas a seq\u00fc\u00eancias gen\u00e9ticas pertencentes a outros organismos conhecidos. Pesquisadores especializados em an\u00e1lise molecular de organismos \u2013 incluindo de bact\u00e9rias, fungos, parasitas e v\u00edrus \u2013 se juntaram \u00e0 nossa equipe para identificar poss\u00edveis respons\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O estilo de investiga\u00e7\u00e3o usado, de pesquisa forense, expandiu muito o nosso conhecimento geral sobre as abelhas. Inicialmente, mostrou que todas as amostras (CCD e saud\u00e1veis) tinham oito bact\u00e9rias diferentes que haviam sido descritas em dois estudos anteriores de outras partes do mundo. Essas descobertas sugerem que as bact\u00e9rias podem ser simbiontes, talvez desempenhando um papel essencial na biologia da abelha no aux\u00edlio \u00e0 digest\u00e3o, por exemplo. Tamb\u00e9m encontramos duas esp\u00e9cies de nosemas, dois outros fungos e v\u00e1rios v\u00edrus de abelha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mas um v\u00edrus destacou-se, pois nunca fora identificado antes nos Estados Unidos: o v\u00edrus de paralisia aguda israelense, ou IAPV, descrito pela primeira vez em 2004 por Ilan Sela, da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, durante um estudo para descobrir porque as abelhas morriam com convuls\u00f5es paralisantes. Na nossa amostragem inicial, o IAPV foi detectado em quase todas \u2013 embora n\u00e3o em todas \u2013 as col\u00f4nias com sintomas de CCD e apenas em uma delas, que n\u00e3o sofria de CCD. Mas essa forte correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prova de que o IAPV provocou a doen\u00e7a. Por exemplo, o CCD pode ter deixado as abelhas excepcionalmente vulner\u00e1veis \u00e0 infec\u00e7\u00e3o de IAPV.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Caso Encerrado?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Sabemos que existem pelo menos tr\u00eas linhagens diferentes do IAPV, e que duas infectaram as abelhas nos Estados Unidos. Uma das linhagens, provavelmente, veio da Austr\u00e1lia em 2005, depois que o governo no americano revogou a proibi\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o de mel\u00edferas, existente desde 1922. (A ind\u00fastria de am\u00eandoas fez lobby para a suspens\u00e3o do banimento, a fim de evitar a s\u00e9ria falta de polinizadores na \u00e9poca da florada.) A outra linhagem provavelmente apareceu antes e \u00e9 bem diferente. Sua origem \u00e9 desconhecida, mas pode ter sido introduzida pela importa\u00e7\u00e3o de gel\u00e9ia real (nutriente secretado pelas abelhas para alimentar as larvas) ou um suplemento de p\u00f3len, ou ainda pode ter entrado indiretamente no pa\u00eds em pesticidas para abelhas rec\u00e9m introduzidos no pa\u00eds. Os dados tamb\u00e9m sugerem que o IAPV existe em abelhas de outras partes do mundo, desenvolvendo-se em v\u00e1rias linhagens diferentes e, possivelmente, em constante muta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em um esfor\u00e7o para resolver a quest\u00e3o do papel do IAPV, Cox-Foster fez experi\u00eancias com abelhas saud\u00e1veis que foram previamente expostas ao v\u00edrus. Sua equipe colocou colm\u00e9ias repletas de abelhas em estufas e alimentou os insetos com \u00e1gua adocicada contendo IAPV. Com certeza, a infec\u00e7\u00e3o pareceu demonstrar alguns sintomas de CCD. Depois de uma ou duas semanas de exposi\u00e7\u00e3o, as abelhas come\u00e7aram a morrer. As abelhas n\u00e3o morriam perto das colm\u00e9ias, como se esperaria no caso de CCD. Assim, essas descobertas parecem apoiar a hip\u00f3tese de que o IAPV pode provocar o CCD, ou pelo menos contribuir para o problema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O empenho dos v\u00e1rios grupos para obter amostragens adicionais demonstrou, no entanto, que o IAPV j\u00e1 se espalhara muito nos Estados Unidos, e que nem todas as col\u00f4nias infestadas tinham sintomas de CCD, implicando que nem o IAPV sozinho pode provocar a doen\u00e7a ou que algumas abelhas s\u00e3o resistentes ao IAPV. Em especial, um estudo iniciado em 2007 com o USDA, encontrou col\u00f4nias de tr\u00eas apicultores migrat\u00f3rios e observou col\u00f4nias infectadas com o IAPV sem o dist\u00farbio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O consenso crescente entre os pesquisadores \u00e9 que fatores m\u00faltiplos \u2013 como a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e a exposi\u00e7\u00e3o a pesticidas \u2013 podem interagir, enfraquecendo as col\u00f4nias e deixando-as mais suscet\u00edveis a um colapso provocado por v\u00edrus. No caso de nossas experi\u00eancias nas estufas, o estresse de estarem confinadas em espa\u00e7os relativamente pequenos pode ter sido suficiente para as col\u00f4nias sucumbirem ao IAPV e morrerem com sintomas semelhantes ao CCD. Resultados mais recentes de monitoramento a longo prazo, identificaram outros fatores inesperados para a grande perda de col\u00f4nias, incluindo o fungicida clorotalonil. Agora a pesquisa se centrada em como esses fatores se relacionam com o colapso de col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Seria um al\u00edvio haver uma vacina ou tratamento para os v\u00edrus das abelhas, e do IAPV em particular. Infelizmente, as vacinas n\u00e3o funcionam nas abelhas, porque o sistema imunol\u00f3gico dos invertebrados n\u00e3o gera o tipo de prote\u00e7\u00e3o contra agentes espec\u00edficos que as vacinas induzem em humanos e outros mam\u00edferos. Os pesquisadores tamb\u00e9m est\u00e3o come\u00e7ando a buscar outras abordagens, como a baseada na nova t\u00e9cnica de interfer\u00eancia no RNA, que impede o v\u00edrus de se reproduzir no interior de c\u00e9lulas da abelha. Uma solu\u00e7\u00e3o a longo prazo seria identificar e criar abelhas resistentes ao v\u00edrus. Por\u00e9m, essa tarefa pode levar anos, talvez tempo demais para evitar a sa\u00edda de muitos apicultores dessa atividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Enquanto isso, muitos apicultores tiveram sucesso parcial em evitar a perda de col\u00f4nias, redobrando o esfor\u00e7o na melhora da alimenta\u00e7\u00e3o, mantendo as infec\u00e7\u00f5es e parasitas como a varroa e a nosema sob controle, e praticando a boa higiene. Em especial, a pesquisa demonstrou que a esteriliza\u00e7\u00e3o com raios gama, antes da reutiliza\u00e7\u00e3o de estruturas antigas para colm\u00e9ias, reduz o risco de colapso de col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O homem precisa agir rapidamente para garantir que o antigo pacto entre flores e polinizadores permane\u00e7a intacto, salvaguardando nosso suprimento de alimento e protegendo o meio ambiente para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Esse empenho permitir\u00e1 que as abelhas continuem a polinizar e que a nossa alimenta\u00e7\u00e3o continue rica em frutas e legumes \u2013 que agora parecem ser f\u00e1ceis de obter.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Conceitos-chave<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Milh\u00f5es de colm\u00e9ias no mundo ficaram vazias com o desaparecimento misterioso das abelhas, colocando em risco cerca de 100 culturas que demandam poliniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; As pesquisas apontam para uma doen\u00e7a complexa, na qual v\u00e1rios fatores, incluindo pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, deixam as abelhas vulner\u00e1veis a v\u00e1rios v\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Parece que o cuidado com a higiene das colm\u00e9ias ajuda a preven\u00e7\u00e3o; e a pesquisa com drogas antivirais tamb\u00e9m pode levar a poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>A extens\u00e3o da perda de col\u00f4nias &#8211; o impacto nos Estados Unidos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm6.static.flickr.com\/5249\/5378077842_9a69bf240e_o.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"248\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O dist\u00farbio de colapso das col\u00f4nias (CCD) voltou pelo segundo ano no inverno de 2007- 2008. Na primavera de 2008 foi feita uma pesquisa com os apicultores sobre o n\u00famero de col\u00f4nias que n\u00e3o sobreviveram \u00e0quele inverno. No pa\u00eds todo, 37% das col\u00f4nias foram perdidas (comparado com a queda t\u00edpica do inverno, de 15% a 25%); 60% das perdas foram atribu\u00eddas ao CCD. A maioria dos estados, onde havia informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, foi atingida seriamente. Grandes perdas tamb\u00e9m foram registradas na Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China e Europa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Curiosidades<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Estima-se que haja de 900 a mil apicultores comerciais nos Estados Unidos, com o manejo de 2,4 milh\u00f5es de col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Mais de 100 tipos de culturas requerem a poliniza\u00e7\u00e3o de abelhas. O valor anual do trabalho das mel\u00edferas \u00e9 de US$ 14 bilh\u00f5es nos Estados Unidos e de US$ 215 bilh\u00f5es no mundo todo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Em fevereiro passado, praticamente todas as colm\u00e9ias migrat\u00f3rias dos Estados Unidos foram levadas \u00e0 Calif\u00f3rnia para polinizar as amendoeiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">&#8211; Mesmo antes do CCD, as abelhas desapareceram totalmente em certas regi\u00f5es da China, talvez devido ao uso de pesticidas, for\u00e7ando os donos de pomares a polinizar as \u00e1rvores manualmente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Polinizadores silvestres tamb\u00e9m adoecem<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">As abelhas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos polinizadores a sofrer queda de popula\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. O Conselho Nacional de Pesquisa (NCR) dos Estados Unidos registrou que em 2006 houve tend\u00eancia ao decl\u00ednio de certas esp\u00e9cies de polinizadores silvestres no pa\u00eds, incluindo alguns insetos, mas tamb\u00e9m de morcegos e beija-flores. Essas esp\u00e9cies podem estar sendo atingidas por alguns dos desequil\u00edbrios produzidos pelo homem, que tornam as abelhas vulner\u00e1veis ao CCD, como a introdu\u00e7\u00e3o de novas doen\u00e7as, o envenenamento por pesticidas e o empobrecimento de habitats, segundo o estudo da destacada autora, a entomologista May Berenbaum da University of Illinois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Por exemplo, o Bombus occidentalis, uma mamangaba, desapareceu de uma regi\u00e3o que vai da Calif\u00f3rnia \u00e0 Col\u00fambia Brit\u00e2nica, provavelmente dizimada pela Nosema bombi, um microorganismo f\u00fangico unicelular, segundo o trabalho de Robbin Thorp, entomologista da Davis, University of California. Ele avalia que o fungo pode ter se espalhado devido \u00e0s mamangabas europ\u00e9ias, que os agricultores americanos importaram para auxiliar na poliniza\u00e7\u00e3o de tomates e outras culturas em estufas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Um estudo mais recente, publicado na Biological Conservation de janeiro, analisou dados hist\u00f3ricos de Illinois e descobriu que quatro esp\u00e9cies locais de mamangabas desapareceram entre 1940 e 1960 \u2013 per\u00edodo que coincidiu com a intensifica\u00e7\u00e3o da agricultura de larga escala no estado, com a conseq\u00fcente perda de habitats de pradarias, florestas e brejos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A diminui\u00e7\u00e3o das poucas esp\u00e9cies de morcegos e beija-flores polinizadores \u2013 a ponto de os morcegos estarem em risco de extin\u00e7\u00e3o \u2013 pode estar relacionada a mudan\u00e7as no habitat. Muitas migram para o M\u00e9xico no inverno e os bi\u00f3logos pressionam para conseguir a preserva\u00e7\u00e3o de \u201ccorredores de n\u00e9ctar\u201d \u2013 pastos ap\u00edcolas \u2013, onde os animais podem encontrar fl ores ao longo de suas rotas de migra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Por\u00e9m, de acordo com o NCR, os bi\u00f3logos conseguem monitorar apenas algumas esp\u00e9cies (estimam-se 200 mil no mundo), e n\u00e3o se sabe muito sobre o estado de sa\u00fade da maioria. V\u00e1rias colabora\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pela internet, com a ajuda de cientistas-cidad\u00e3os. Os volunt\u00e1rios fotografam os polinizadores e os colocaram na rede, possibilitando aos pesquisadores identificar as esp\u00e9cies e registrar a sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em 2008, pela primeira vez, o Congresso americano modificou a pol\u00edtica agr\u00edcola, incluindo medidas protetoras para a poliniza\u00e7\u00e3o e reservando \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o, onde as flores silvestres podem crescer e fornecer n\u00e9ctar. Segundo Berenbaum, \u201cfoi realmente um marco\u201d.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Em busca do motivo\u00a0&#8211; Muitos suspeitos, nenhuma certeza<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm6.static.flickr.com\/5245\/5377478337_aa3e53dc07_o.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"476\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><em>ANDREW SYRED Photo Researchers, Inc. ( \u00e1caro varroa); CENTRAL SCIENCE LABORATORY PHOTO RESEARCHERS, INC. ( larva de \u00e1caro varroa); HEIDI &amp; HANS-JURGEN KOCH Minden Pictures (abelha com p\u00f3len); CORTESIA DE BARTON SMITH JR., laborat\u00f3rio de pesquisas sobre abelhas do USDA (Nosema sp.); JENCHRISTIANSEN (v\u00edrus de paralisia aguda israelense);<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Pesquisadores investigaram praticamente todos os aspectos da vida das abelhas, na busca do respons\u00e1vel pelo colapso das col\u00f4nias. O trabalho eliminou alguns suspeitos e apontou poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es de fatores que podem provocar ou contribuir para o CCD.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">SUSPEITO: AGENTES QU\u00cdMICOS &#8211; <\/span><span style=\"color: #008000;\">Chegam a 170 as diferentes subst\u00e2ncias sint\u00e9ticas encontradas em colm\u00e9ias de col\u00f4nias doentes ou n\u00e3o, e algumas amostras de p\u00f3len guardadas em alv\u00e9olos continham at\u00e9 35 tipos. Embora nenhuma subst\u00e2ncia \u00fanica pare\u00e7a provocar o CCD, pesticidas podem enfraquecer a sa\u00fade das abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">SUSPEITO: \u00c1CAROS VARROA &#8211; <\/span><span style=\"color: #008000;\">\u00c1caro, visto ao lado sugando linfa de uma pupa (um est\u00e1gio intermedi\u00e1rio entre a larva e o adulto), \u00e9 a peste mais comum e destrutiva das abelhas. Mas as col\u00f4nias em colapso n\u00e3o tiveram infesta\u00e7\u00f5es mais significativas de \u00e1caros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">SUSPEITO: PARASITAS &#8211; <\/span><span style=\"color: #008000;\">Algumas abelhas de col\u00f4nias em colapso est\u00e3o infectadas por um fungo unicelular como o Nosema apis, que invade o trato intestinal e provoca disenteria. Mas o n\u00edvel de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 baixo para ser letal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">SUSPEITO: V\u00cdRUS DE PARALISIA AGUDA ISRAELENSE &#8211; <\/span><span style=\"color: #008000;\">O IAPV provoca sintomas semelhantes ao CCD e ocorreu na maioria das col\u00f4nias infestadas examinadas. Poderia ser o motivo do dist\u00farbio, ou uma complica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a causa definitiva da morte das abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Uma solu\u00e7\u00e3o pos\u00edvel &#8211; um medicamento para abelhas?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm6.static.flickr.com\/5008\/5378077972_e5bcdc67e6_o.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"227\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Uma nova empresa de biotecnologia, de Miami, chamada Beelogics, vem desenvolvendo um medicamento antiviral que explora um antigo mecanismo imunol\u00f3gico denominado interfer\u00eancia no RNA. As c\u00e9lulas da maioria dos animais e plantas usam segmentos de RNA de curta interfer\u00eancia (siRNA) para inibir a forma\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas virais; neste caso, o siRNA projetado para visar o IAPV seria fornecido como alimento \u00e0s col\u00f4nias, como parte da dupla fita de RNA<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Outras formas de combate<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A restaura\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio no habitat dos polinizadores pode melhorar seu bem-estar geral, ajudando a evitar o colapso da col\u00f4nia. Grandes faixas de monocultura ou gramados residenciais podem ser substitu\u00eddos por \u00e1reas de mato e cercas vivas. As plantas que florescem em \u00e9pocas diferentes do ano fornecem maior variedade na alimenta\u00e7\u00e3o dos polinizadores, sustentando-os o ano todo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A esteriliza\u00e7\u00e3o de colm\u00e9ias usadas com raios gama destruidores de DNA, antes de sua utiliza\u00e7\u00e3o para uma nova col\u00f4nia, reduz o risco de reincid\u00eancia de CCD, talvez por matar os microorganismos da cera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em geral, a pesquisa sobre o impacto de pesticidas nos polinizadores se concentra nos poss\u00edveis efeitos letais. \u00c9 preciso mais pesquisas para determinar se certos pesticidas s\u00e3o capazes de estressar os insetos, embora as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas n\u00e3o os matem imediatamente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Para conhecer mais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">On censors of the genome. Nelson C. Lau e David P. Bartel, em Scientifi c American, vol. 289, no 2, p\u00e1gs. 34-41, setembro, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Status of pollinators in North America. National Research Council. National Academies Press, 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Decline of Bumble bees (Bombus) in the North American midwest. Jennifer C. Grixti, Lisa T. Wong, Sydney A. Cameron e Colin Favret, em Biological Conservation, vol. 142, no 1, p\u00e1gs. 75- 84, janeiro de 2009.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">The Mid-Atlantic Apiculture Research and Extension Consortium: http:\/\/maarec.cas.psu.edu<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">The Xerces Society for Invertebrate Conservation: www.xerces.org <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster \u00e9 professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o dist\u00farbio de colapso das col\u00f4nias, composto de especialistas governamentais e acad\u00eamicos. A pesquisa se concentra nas intera\u00e7\u00f5es de pat\u00f3genos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas \u00e0 sua bisav\u00f3, que foi apicultora comercial no Colorado, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. A paix\u00e3o de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas come\u00e7ou em um curso de gradua\u00e7\u00e3o na University of Guelph, em Ont\u00e1rio, que o levou a v\u00e1rios projetos na regi\u00e3o do Caribe e \u00e0s fun\u00e7\u00f5es acumuladas de apicultor na Pensilv\u00e2nia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Fonte &#8211; Scientific American Brasil<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Imagens &#8211; Scientific American Brasil,\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/thewildsnapster\/\">The Wild Snapster<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um conjunto de fatos ainda n\u00e3o dimensionados, mas que deve incluir de \u00e1caros a v\u00edrus, e pesticidas agr\u00edcolas, est\u00e1 diminuindo a sonoridade do v\u00f4o de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores est\u00e3o chamando de dist\u00farbio do colapso de abelhas Dave Hackenberg ganha a vida transportando abelhas europ\u00e9ias: ele coloca as colm\u00e9ias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[90,65],"post_series":[],"class_list":["post-8156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-ambiente-ambiental-environment-environmental-meio-ambiente","tag-recursos-naturais-natural-resource","entry","no-media"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - 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