{"id":9271,"date":"2011-07-30T08:00:44","date_gmt":"2011-07-30T11:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/?p=9271"},"modified":"2011-07-30T08:00:44","modified_gmt":"2011-07-30T11:00:44","slug":"a-nova-geopolitica-dos-alimentos-conforme-lester-r-brown","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funverde.org.br\/blog\/a-nova-geopolitica-dos-alimentos-conforme-lester-r-brown\/","title":{"rendered":"A nova geopol\u00edtica dos alimentos, entrevista com Lester R. Brown"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #008000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/farm5.static.flickr.com\/4063\/4487013007_8f12ff66f6.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u201cPreparem-se, tanto agricultores como chanceleres, para uma nova era em que a escassez mundial de alimentos vai moldar cada vez mais a pol\u00edtica global\u201d, alerta Lester R. Brown, presidente do Earth Policy Institute, em artigo publicado na revista Foreign Policy e reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo, 22-05-2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Segundo ele, \u201cimagens de sat\u00e9lite mostram duas novas e imensas bacias de areia: uma se estendendo pelo norte e o oeste da China e oeste da Mong\u00f3lia, a outra cruzando a \u00c1frica Central. A civiliza\u00e7\u00e3o pode sobreviver \u00e0 perda de suas reservas de petr\u00f3leo, mas n\u00e3o pode sobreviver \u00e0 perda de suas reservas de solo\u201d. \u201c\u00c0 medida que terra e \u00e1gua se tornam mais escassas \u2013 constata Lester Brown \u2013 que a temperatura da Terra sobe e a seguran\u00e7a alimentar mundial se deteriora, est\u00e1 surgindo uma geopol\u00edtica perigosa de escassez de alimentos\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Eis o artigo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nos EUA, quando os pre\u00e7os mundiais do trigo sobem 75%, como no ano passado, isso significa a diferen\u00e7a entre um p\u00e3o de US$ 2 e um p\u00e3o custando, talvez, US$ 2,10. Se voc\u00ea viver em Nova D\u00e9lhi, contudo, essa alta exorbitante dos pre\u00e7os realmente conta: uma duplica\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o mundial significa que o trigo custa duas vezes mais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Bem-vindos \u00e0 nova economia alimentar de 2011: os pre\u00e7os est\u00e3o subindo, mas o impacto n\u00e3o ser\u00e1 sentido de maneira equitativa. Para os americanos, que gastam menos de um d\u00e9cimo da sua renda no supermercado, a alta do pre\u00e7o dos alimentos que assistimos at\u00e9 agora \u00e9 um inc\u00f4modo, n\u00e3o uma calamidade. Mas para os 2 bilh\u00f5es de pessoas mais pobres do planeta, que gastam de 50% a 70% de sua renda em comida, essa disparada dos pre\u00e7os pode significar passar de duas refei\u00e7\u00f5es por dia para uma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Os que mal conseguem se segurar nos degraus mais baixos da escada econ\u00f4mica global correm o risco de se soltar de vez. Isso pode contribuir \u2013 e tem contribu\u00eddo \u2013 para revolu\u00e7\u00f5es e insurg\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Com a quebra de safra prevista para este ano, com governos do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica cambaleando em fun\u00e7\u00e3o das altas de pre\u00e7os, e com mercados nervosos enfrentando um choque ap\u00f3s outro, os alimentos rapidamente se tornaram um condutor oculto da pol\u00edtica mundial. E crises como esta v\u00e3o se tornar cada vez mais comuns. A nova geopol\u00edtica dos alimentos parece muito mais vulner\u00e1vel do que era. A escassez \u00e9 a nova norma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, altas s\u00fabitas de pre\u00e7os n\u00e3o tinham tanta import\u00e2ncia, pois eram rapidamente seguidas por um retorno aos pre\u00e7os relativamente baixos dos alimentos que ajudaram a moldar a estabilidade do fim do s\u00e9culo 20 em boa parte do planeta. Agora, por\u00e9m, tanto as causas como as consequ\u00eancias s\u00e3o sinistramente diferentes. Lamentavelmente, as altas de pre\u00e7os de hoje s\u00e3o causadas por tend\u00eancias que est\u00e3o contribuindo tanto para o aumento da demanda como dificultando o aumento da produ\u00e7\u00e3o: entre elas, a r\u00e1pida expans\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial, os aumentos de temperatura que ressecam planta\u00e7\u00f5es, e o esgotamento de po\u00e7os de irriga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mais alarmante ainda, o mundo est\u00e1 perdendo sua capacidade de mitigar o efeito da escassez. \u00c9 por isso que a crise dos alimentos de 2011 \u00e9 genu\u00edna, e por isso ela poder\u00e1 trazer consigo novas combina\u00e7\u00f5es de revoltas do p\u00e3o e revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. E se as subleva\u00e7\u00f5es que saudaram os ditadores Zine al-Abidine Ben Ali, na Tun\u00edsia; Hosni Mubarak, no Egito; e Muamar Kadafi, na L\u00edbia n\u00e3o forem o fim da hist\u00f3ria, mas seu come\u00e7o? Preparem-se, tanto agricultores como chanceleres, para uma nova era em que a escassez mundial de alimentos vai moldar cada vez mais a pol\u00edtica global.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Demanda e produ\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A duplica\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os mundiais dos gr\u00e3os desde o in\u00edcio de 2007 foi impelida principalmente por dois fatores: o crescimento acelerado da demanda e a dificuldade crescente de expandir rapidamente a produ\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 um mundo que parece chocantemente distinto da generosa economia mundial de gr\u00e3os do s\u00e9culo passado. Como ser\u00e1 a geopol\u00edtica dos alimentos numa nova era dominada pela escassez? Mesmo neste est\u00e1gio inicial, podemos ver ao menos os contornos gerais da economia alimentar emergente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">No lado da demanda, os agricultores agora enfrentam claras fontes de press\u00e3o crescente. A primeira \u00e9 o crescimento populacional. A cada ano, os agricultores do mundo precisam alimentar 80 milh\u00f5es de pessoas adicionais, quase todas em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">A popula\u00e7\u00e3o mundial quase dobrou desde 1970 e est\u00e1 a caminho de 9 bilh\u00f5es em meados do s\u00e9culo. Ao mesmo tempo, os EUA, que um dia conseguiram atuar como um amortecedor global contra safras ruins, agora est\u00e3o convertendo quantidades imensas de gr\u00e3os em combust\u00edvel para carros, embora o consumo mundial de gr\u00e3os, que gira em torno de 2,2 bilh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas por ano, esteja crescendo em velocidade acelerada. Mas a taxa em que os EUA est\u00e3o convertendo gr\u00e3os em etanol tem crescido ainda mais rapidamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Essa capacidade massiva de converter gr\u00e3os em combust\u00edvel significa que o pre\u00e7o dos gr\u00e3os est\u00e1 agora atrelado ao pre\u00e7o do petr\u00f3leo. Assim, se o petr\u00f3leo sobe para US$ 150 o barril ou mais, o pre\u00e7o dos gr\u00e3os acompanhar\u00e1 a alta j\u00e1 que se torna mais lucrativo converter gr\u00e3os em substitutos do petr\u00f3leo. E esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno apenas americano: o Brasil, que destila etanol de cana de a\u00e7\u00facar, \u00e9 o segundo maior produtor depois dos EUA, enquanto a Uni\u00e3o Europeia, que pretende obter 10% de sua energia de transporte de energias renov\u00e1veis, em sua maioria biocombust\u00edveis at\u00e9 2020, tamb\u00e9m est\u00e1 desviando terras de culturas alimentares para esse fim.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Escassez de \u00e1gua<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria sobre a demanda crescente por alimentos. Do esgotamento de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos \u00e0 eros\u00e3o de solos e \u00e0s consequ\u00eancias do aquecimento global, tudo significa que a oferta mundial de alimentos provavelmente n\u00e3o acompanhar\u00e1 nossos apetites coletivamente crescentes. Tome-se o caso a mudan\u00e7a clim\u00e1tica: a regra pr\u00e1tica entre ecologistas da produ\u00e7\u00e3o vegetal \u00e9 que, para cada 1 grau Celsius de aumento da temperatura acima do \u00f3timo para a esta\u00e7\u00e3o de crescimento, os agricultores podem esperar uma quebra de 10% no rendimento dos gr\u00e3os. Essa rela\u00e7\u00e3o foi confirmada dramaticamente durante a onda de calor de 2010 na R\u00fassia, que reduziu a safra de gr\u00e3os do pa\u00eds em quase 40%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Com a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas, os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos est\u00e3o diminuindo na medida em que os agricultores bombeiam em excesso para irriga\u00e7\u00e3o. Isso infla artificialmente a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no curto prazo, criando uma bolha dos alimentos que estoura quando os aqu\u00edferos s\u00e3o esgotados e o bombeamento \u00e9 necessariamente reduzido \u00e0 taxa de recarga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">No conjunto, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em pa\u00edses onde os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos est\u00e3o diminuindo. O Oriente M\u00e9dio \u00e1rabe politicamente convulsionado \u00e9 a primeira regi\u00e3o geogr\u00e1fica onde a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os atingiu o pico e come\u00e7ou a declinar por escassez de \u00e1gua, apesar de as popula\u00e7\u00f5es continuarem a crescer. A produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os j\u00e1 est\u00e1 diminuindo na S\u00edria e no Iraque e, em breve, poder\u00e1 declinar no I\u00eamen. Mas as maiores bolhas alimentares est\u00e3o na \u00cdndia e na China. Como esses pa\u00edses enfrentar\u00e3o a escassez inevit\u00e1vel quando os aqu\u00edferos forem esgotados? Ao mesmo tempo em que estamos secando nossos po\u00e7os, estamos tamb\u00e9m maltratando nossos solos, criando novos desertos. A eros\u00e3o do solo decorrente do excesso de cultivo e do manejo indevido da terra est\u00e1 solapando a produtividade de um ter\u00e7o das terras cultiv\u00e1veis do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Qual a gravidade disso? Imagens de sat\u00e9lite mostram duas novas e imensas bacias de areia: uma se estendendo pelo norte e o oeste da China e oeste da Mong\u00f3lia, a outra cruzando a \u00c1frica Central. A civiliza\u00e7\u00e3o pode sobreviver \u00e0 perda de suas reservas de petr\u00f3leo, mas n\u00e3o pode sobreviver \u00e0 perda de suas reservas de solo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Nesta era de aperto dos suprimentos mundiais de alimentos, a capacidade de cultivar alimentos est\u00e1 rapidamente se tornando uma nova forma de alavancagem geopol\u00edtica, e os pa\u00edses est\u00e3o tratando de garantir seus pr\u00f3prios interesses paroquiais \u00e0s custas do bem comum.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Terras estrangeiras<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Temendo n\u00e3o ser capaz de comprar os gr\u00e3os necess\u00e1rios no mercado, alguns pa\u00edses mais ricos, liderados pela Ar\u00e1bia Saudita, Coreia do Sul e China, tomaram, em 2008, a medida incomum de comprar ou arrendar terras em outros pa\u00edses para cultivar gr\u00e3os para si pr\u00f3prios. A maioria dessas compras de terras \u00e9 na \u00c1frica, onde alguns governos arrendam terras cultiv\u00e1veis por menos de US$ 2,5 por hectare\/ano. Entre os principais destinos est\u00e3o Eti\u00f3pia e Sud\u00e3o, pa\u00edses onde milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sendo sustentadas pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Muitos dos acordos de terras foram feitos secretamente e, na maioria dos casos, a terra envolvida j\u00e1 estava em uso por alde\u00f5es quando foi vendida ou arrendada. Com frequ\u00eancia, os que j\u00e1 estavam cultivando a terra n\u00e3o foram nem consultados nem sequer informados dos novos acordos. A hostilidade local a essas apropria\u00e7\u00f5es de terra \u00e9 a regra, n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Em 2007, quando os pre\u00e7os dos alimentos come\u00e7aram a subir, a China assinou um acordo com as Filipinas para arrendar 1 milh\u00e3o de hectares de terras destinadas a cultivar alimentos que seriam embarcados para a China. Quando a not\u00edcia vazou, o clamor p\u00fablico obrigou Manila a suspender o acordo. Um clamor parecido abalou Madag\u00e1scar, onde uma empresa sul-coreana, a Daewoo Logistics, havia tentado obter direitos a mais de 1,2 milh\u00e3o de hectares. Not\u00edcias sobre o acordo ajudaram a criar um furor pol\u00edtico que derrubou o governo e obrigou o cancelamento do acordo. Ali\u00e1s, poucas coisas s\u00e3o mais propensas a alimentar insurg\u00eancias do que privar pessoas de suas terras. Equipamentos agr\u00edcolas s\u00e3o facilmente sabotados. Os campos de gr\u00e3os maduros queimam rapidamente quando se lhes ateia fogo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Essas aquisi\u00e7\u00f5es representam um investimento potencial de estimados US$ 50 bilh\u00f5es em agricultura em pa\u00edses em desenvolvimento. Ent\u00e3o perguntamos: quanto isso tudo ampliar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos? N\u00e3o sabemos, mas a an\u00e1lise do Banco Mundial indica que somente 37% dos projetos ser\u00e3o dedicados a culturas alimentares. A maioria da terra adquirida at\u00e9 agora ser\u00e1 usada para produzir bicombust\u00edveis e outras culturas de interesse industrial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mesmo que alguns desses projetos acabem por aumentar a produtividade da terra, quem se beneficiar\u00e1? Se virtualmente todos os insumos \u2013 o equipamento agr\u00edcola, o fertilizante, os pesticidas, as sementes \u2013 s\u00e3o comprados do exterior e se toda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 enviada para fora do pa\u00eds, eles pouco contribuir\u00e3o para a economia do pa\u00eds hospedeiro. Por enquanto, as apropria\u00e7\u00f5es de terras contribu\u00edram mais para provocar agita\u00e7\u00e3o social do que para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Disputa<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Ningu\u00e9m sabe onde chegar\u00e1 essa crescente competi\u00e7\u00e3o por suprimentos alimentares, mas o mundo parece estar se afastando da coopera\u00e7\u00e3o internacional que evoluiu em muitas d\u00e9cadas depois da 2\u00aa Guerra para uma filosofia de cada pa\u00eds por si. O nacionalismo alimentar poder\u00e1 ajudar a garantir suprimentos alimentares para pa\u00edses ricos individuais, mas faz pouco para melhorar a seguran\u00e7a alimentar do mundo. Ali\u00e1s, os pa\u00edses de baixa renda que hospedam apropria\u00e7\u00f5es de terras ou importam gr\u00e3os provavelmente sofrer\u00e3o uma deteriora\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o alimentar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Depois da carnificina de duas guerras mundiais e dos descaminhos econ\u00f4micos que levaram \u00e0 Grande Depress\u00e3o, os pa\u00edses se uniram em 1945 para criar a ONU, percebendo, finalmente, que no mundo moderno n\u00e3o podemos viver em isolamento por mais tentador que isso possa parecer. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional foi criado para ajudar a gerir o sistema monet\u00e1rio e promover a estabilidade econ\u00f4mica e o progresso. Dentro do sistema da ONU, ag\u00eancias especializadas, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) jogam importantes pap\u00e9is no mundo de hoje. Tudo isso promoveu a coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Mas embora a FAO colete e analise dados agr\u00edcolas globais e forne\u00e7a assist\u00eancia t\u00e9cnica, n\u00e3o h\u00e1 nenhum esfor\u00e7o organizado para garantir uma adequa\u00e7\u00e3o dos suprimentos mundiais de alimentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">O presidente franc\u00eas, Nicolas Sarkozy, est\u00e1 propondo lidarmos com a alta dos pre\u00e7os dos alimentos com uma redu\u00e7\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o nos mercados de commodities. Por \u00fatil que isso possa ser, trata os sintomas da inseguran\u00e7a alimentar crescente, n\u00e3o as causas, como o crescimento populacional e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O mundo precisa se concentrar hoje, n\u00e3o s\u00f3 na pol\u00edtica agr\u00edcola, mas numa estrutura que a integre com pol\u00edticas para energia, popula\u00e7\u00e3o e \u00e1gua, que afetam diretamente a seguran\u00e7a alimentar.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Perigo<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Isso, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo. Em vez disso, \u00e0 medida que terra e \u00e1gua se tornam mais escassas, que a temperatura da Terra sobe e a seguran\u00e7a alimentar mundial se deteriora, est\u00e1 surgindo uma geopol\u00edtica perigosa de escassez de alimentos. A apropria\u00e7\u00e3o de terra, de \u00e1gua, e compra de gr\u00e3os diretamente de fazendeiros em pa\u00edses exportadores s\u00e3o hoje partes integrantes de uma luta pelo poder global para seguran\u00e7a alimentar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Com estoques de gr\u00e3os baixos e a volatilidade clim\u00e1tica aumentando, os riscos crescem. Hoje estamos t\u00e3o perto da borda que uma ruptura do sistema alimentar poder\u00e1 surgir a qualquer momento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Talvez n\u00e3o tenhamos sorte para sempre. O que est\u00e1 hoje em quest\u00e3o \u00e9 se o mundo conseguir\u00e1 ir al\u00e9m de se concentrar nos sintomas da deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o alimentar e atacar suas causas subjacentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Se n\u00e3o conseguirmos aumentar o rendimento agr\u00edcola com menos \u00e1gua e conservar os solos f\u00e9rteis, muitas \u00e1reas agr\u00edcolas deixar\u00e3o de ser vi\u00e1veis. E isso vai muito al\u00e9m dos agricultores. Se n\u00e3o conseguirmos nos mexer com velocidade de um tempo de guerra para estabilizar o clima, talvez n\u00e3o sejamos capazes de evitar uma disparada dos pre\u00e7os dos alimentos. Se n\u00e3o conseguirmos acelerar a mudan\u00e7a para fam\u00edlias menores e estabilizar a popula\u00e7\u00e3o mundial, mais cedo do que mais tarde, as filas de famintos continuar\u00e3o a aumentar. A hora de agir \u00e9 agora \u2013 antes que a crise dos alimentos de 2011 se torne a nova normalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Fonte &#8211; Ecodebate de\u00a024 de maio de 2011<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Imagem &#8211; <a href=\"\/photos\/geographyalltheway_photos\/\">geographyalltheway.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPreparem-se, tanto agricultores como chanceleres, para uma nova era em que a escassez mundial de alimentos vai moldar cada vez mais a pol\u00edtica global\u201d, alerta Lester R. Brown, presidente do Earth Policy Institute, em artigo publicado na revista Foreign Policy e reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo, 22-05-2011. 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