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Por um Brasil livre de transgênicos
Greenpeace de 28 de maio de 2007
O Greenpeace conduziu estudos de campo sobre o milho transgênico na Alemanha e na Espanha e chegou a conclusões que colocam em xeque não só os dados apresentados pela indústria, como também a segurança ambiental e a própria eficiência agronômica do milho inseticida Bt da Monsanto, o MON810.
O milho Bt teoricamente produz uma toxina idêntica à das bactérias Bacillus thuringiensis (Bt), que ocorrem naturalmente em solos. Segundo a Monsanto, sua tecnologia é “eficiente” no controle de lagartas, “protege a cultura durante todo o seu ciclo”, é “altamente confiável” e “garante o controle de pragas sem a manifestação de efeitos negativos em espécies benéficas à produção agrícola e também ao homem”.
Mais de 600 amostras de folhas de milho foram coletas em 12 diferentes localidades entre maio e outubro de 2006 e enviadas para análises de laboratório. Os resultados mostram que há uma enorme variação na concentração da toxina Bt nas plantas. (https://bring4you.com/) Variações de até 100 vezes foram observadas em plantas de uma mesma área e coletadas no mesmo dia. Uma outra pesquisa publicada pouco antes mostrou resultados semelhantes, apontando grande variação dos níveis de Bt entre plantas de uma mesma área e entre locais estudados.
O Greenpeace concluiu que as concentrações de Bt verificadas a campo não conferem com os dados que a Monsanto apresenta quando solicita a liberação comercial da variedade. As evidências coletadas também sugerem que as plantas de MON810 não apresentam características biológicas estáveis.
Esses dados são importantes por dois principais motivos. Primeiro porque ajudam a preencher o vácuo deixado pela ausência de estudos semelhantes e que acaba por criar a falsa impressão de que o MON810 produz níveis estáveis e constantes da proteína inseticida. Segundo porque essa variação tem implicações ambientais e agronômicas. Altas doses do Bt podem afetar insetos benéficos e não-alvo que contribuem para o controle biológico e o equilíbrio do agroecossistema como um todo. E doses baixas podem não ser suficientes para controlar as lagartas do milho e acabarão por acelerar o desenvolvimento de resistência das pragas ao Bt.
Uma ampla revisão da literatura científica publicada recentemente mostra que as proteínas do grupo Cry, como a do MON810, afetam insetos não-alvo e conclui que seus mecanismos de ação devem ser melhor examinados.
Para a Monsanto, “A linhagem de milho MON810 foi criteriosamente avaliada quanto à segurança ambiental por diversos cientistas independentes da Monsanto” (sic).
A liberação comercial desta variedade pelo governo brasileiro está engatilhada para a reunião de junho da CTNBio. Tempo há para que essas novas evidências sejam consideradas. Mas a se repetir o caso do milho da Bayer, o bloco majoritário pró-transgênicos da Comissão não as incluirá dentro das evidências que eles próprios consideram válidas. Afinal, acreditam que os benefícios dos transgênicos vão sempre superar (ou justificar) seus riscos.
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