Por FUNVERDE - 15 de julho de 2026 - Muito antes da eletricidade, já existiam reservatórios…

A vida humana depende da preservação da diversidade biológica
Por Oritro Karim – IPS – 23 de maio de 2025 – O presidente da septuagésima nona sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas Sr. Philemon Yang, discursa na reunião sobre Harmonia com a Natureza e Desenvolvimento Sustentável. Foto: UN Photo/Loey Felipe.
Desde 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o dia 22 de maio como o Dia Internacional da Diversidade Biológica, com o objetivo de promover a cooperação internacional e o debate em torno das questões da biodiversidade.
Por meio do tema de 2025, Harmonia com a Natureza e Desenvolvimento Sustentável, a ONU busca aumentar a conscientização pública sobre a perda de biodiversidade e promover o progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Além dos ODS, o evento deste ano destaca o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, um conjunto de metas para 2050 que se concentra nos impactos da atividade humana na saúde ecológica.
Algumas dessas metas incluem reverter os danos aos ecossistemas em 20% e reduzir a introdução de espécies invasoras em 50%.
Reconhecer os principais fatores que levam à perda de biodiversidade e às questões ecológicas é de extrema importância para a preservação da saúde humana.
Segundo dados da ONU, estima-se que as práticas atuais que comprometem a saúde ecológica comprometam o progresso rumo a 80% dos ODS.
Além disso, organizações humanitárias expressaram preocupação, visto que a taxa de extinção atual é a mais alta de todas.
Estima-se que aproximadamente 1 milhão de espécies de plantas e animais estejam atualmente em risco de extinção, o que representa uma ameaça significativa à estabilidade humana.
“A biodiversidade é a base da vida e um pilar fundamental do desenvolvimento sustentável. No entanto, a humanidade está destruindo a biodiversidade em ritmo alucinante – resultado da poluição, da crise climática, da destruição de ecossistemas e, em última análise, de interesses de curto prazo que alimentam o uso insustentável do nosso mundo natural”, afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
“Nenhum país, por mais rico ou poderoso que seja, pode lidar com isso sozinho. Nem pode viver sem a rica biodiversidade que define o nosso planeta.”
Atualmente, diversos ecossistemas vitais para a saúde humana, incluindo lagos, florestas, oceanos e terras agrícolas, estão sob ameaça de perda extrema de biodiversidade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a biodiversidade é um “determinante ambiental fundamental da saúde humana”.
Dados da Rede Ambiental de Genebra indicam que cerca de 75% dos ecossistemas terrestres e 66% dos ecossistemas marinhos foram duramente “alterados” por ações humanas.
Isso representa um risco enorme para a saúde humana, visto que cerca de 80% da dieta humana é composta por plantas cultivadas nessas áreas ameaçadas.
Estima-se também que pelo menos 80% dos indivíduos em comunidades rurais dependam de plantas medicinais tradicionais para sua saúde.
Além disso, um terço das espécies de água doce estão atualmente ameaçadas pela perda de biodiversidade.
Isso coloca 3 bilhões de pessoas que dependem de peixes para proteína animal em risco de insegurança alimentar.
Altos níveis de biodiversidade entre as espécies cultivadas são essenciais para garantir a segurança alimentar adequada.
Ecossistemas agrícolas degradados são altamente vulneráveis a danos causados por pesticidas, doenças e desastres naturais.
Estima-se que entre 1,3 e 3,2 bilhões de pessoas dependam de alimentos fornecidos por áreas afetadas pela degradação ambiental.
Além disso, a ONU destaca a importância da saúde ecológica em relação à vida humana, visto que a degradação ambiental aumenta a gravidade de desastres naturais, conflitos e doenças zoonóticas.
Populações vulneráveis, como idosos, comunidades indígenas, pessoas com deficiência, mulheres e pessoas em situação de pobreza, são afetadas de forma desproporcional.
Por exemplo, sabe-se que os danos aos manguezais costeiros no sul da Ásia agravam a gravidade dos ciclones tropicais.
Observou-se também que o desmatamento contribui para o surto de ebola na África Ocidental. Incêndios florestais, acidificação dos oceanos e aumento da temperatura global também estão associados à perda de biodiversidade.
Além disso, a perda generalizada de biodiversidade ameaça prejudicar significativamente a economia mundial, totalizando bilhões de dólares em perdas potenciais se não for abordada.
O Fórum Econômico Mundial (FEM) estima que aproximadamente 44 trilhões de dólares, o que representa cerca de metade do Produto Interno Bruto mundial, dependem de recursos naturais.
Além disso, projeta-se que o mundo poderá sofrer um declínio econômico médio de 2,7 trilhões de dólares anualmente até 2030, se a perda de biodiversidade continuar no ritmo atual.
Diversos pilares da sociedade humana, como bem-estar social, igualdade e desenvolvimento econômico, serão impactados em todo o mundo.
A perda de biodiversidade também ameaça agravar a crise climática.
Os sumidouros de carbono, conhecidos como ecossistemas que armazenam quantidades significativas de carbono e ajudam a compensar as emissões globais de gases de efeito estufa, são essenciais para prevenir a progressão das mudanças climáticas.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a floresta amazônica é um dos maiores sumidouros de carbono do mundo, armazenando aproximadamente 123 bilhões de toneladas de carbono acima e abaixo do solo. No entanto, devido ao desmatamento, a capacidade de armazenamento de carbono da Amazônia enfraqueceu e, às vezes, emite mais carbono do que armazena.
Para garantir a longevidade da vida humana e o bem-estar planetário, é fundamental que regulamentações sejam implementadas para permitir práticas de consumo sustentáveis em larga escala.
A cooperação entre governos, cientistas, formuladores de políticas e cidadãos é a única maneira de reverter a perda de biodiversidade e garantir a estabilidade dos sistemas alimentares globais.
Os governos também devem consultar organismos independentes, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Plataforma Intergovernamental Independente de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), ao elaborar políticas e soluções abrangentes.
Além disso, as soluções para a perda de biodiversidade devem colocar as populações mais vulneráveis no centro, pois um futuro sustentável deve incluir pessoas de todas as esferas da vida.
“À medida que buscamos o desenvolvimento sustentável, precisamos transformar a forma como produzimos e consumimos, como valorizamos a natureza e cumprir o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. Precisamos de políticas, regulamentações e outros incentivos para apoiar meios de subsistência sustentáveis e construir economias fortes e verdes”, disse Guterres.
Isso significa que os governos devem dar continuidade ao progresso alcançado na COP16 da CDB, inclusive por meio da disponibilização de financiamento nacional e internacional, e da transferência de subsídios públicos e outros fluxos financeiros de atividades que prejudicam a natureza.
E significa que os países devem implementar Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade que coloquem o Marco em prática, combatam a desigualdade, promovam o desenvolvimento sustentável, respeitem o conhecimento tradicional e empoderem mulheres, meninas, povos indígenas e muito mais.
Relatório do Escritório da ONU do IPS
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