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Os Data center e o consumo de água

Por FUNVERDE – 31 de julho de 2025 – Projetos para o futuro da cidade de Maringá – PR. Foto: Gerada por IA.

A Prefeitura de Maringá estuda a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) que poderá acomodar data center — grandes estruturas que armazenam e processam informações digitais.

Esses centros são essenciais para a era digital, sustentando desde redes sociais até bancos e serviços de saúde.

Mas junto com os benefícios tecnológicos, surgem também preocupações ambientais, principalmente relacionadas ao uso intensivo de água para resfriamento dos servidores.

Por que data centers consomem tanta água?

Servidores em funcionamento geram muito calor. Para que não superaqueçam e parem de funcionar, é necessário resfriá-los continuamente.

Muitos data centers usam sistemas de resfriamento com torres evaporativas, que dependem de grandes volumes de água.

Em alguns casos, esses empreendimentos chegam a consumir milhões de litros por dia, especialmente em operações de grande porte.

Por exemplo, dados públicos indicam que um único data center pode consumir até 1 bilhão de litros de água por ano — o equivalente ao consumo anual de uma pequena cidade.

O impacto ambiental desse modelo

Esse tipo de consumo levanta sérias questões, especialmente em regiões que enfrentam escassez hídrica, estiagens prolongadas ou alta demanda urbana por água potável.

A retirada de água de mananciais locais pode afetar o abastecimento humano, o equilíbrio dos ecossistemas e a saúde de rios e nascentes.

Além disso, a água que retorna ao ambiente geralmente sai aquecida ou carregada de resíduos químicos (caso não haja tratamento adequado), representando um risco adicional para a biodiversidade.

Maringá deve agir com cautela

A criação de uma zona especial para ahrigar empreendimentos de data centers pode representar desenvolvimento tecnológico e geração de empregos, mas não pode ignorar os impactos ambientais.

É fundamental exigir:

  1. Estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) completos e públicos;

  2. Transparência sobre o volume estimado de água a ser utilizado;

  3. Planejamento de longo prazo para evitar conflitos pelo uso da água;

  4. Reaproveitamento de água da chuva ou água de reúso no projeto;

  5. Incentivo a tecnologias com resfriamento a ar ou alternativas híbridas, menos dependentes de água.

Caminhos sustentáveis são possíveis

Alguns data centers pelo mundo já adotam estratégias verdes, como:

  • Uso de energia renovável (solar, eólica);

  • Instalação em regiões frias para resfriamento natural;

  • Sistemas dry cooling que usam ar em vez de água;

  • Certificações ambientais que exigem padrões rígidos de eficiência.

O que a sociedade pode fazer?

Como cidadãos e entidades ambientalistas, devemos acompanhar essa proposta da prefeitura com atenção.

A transparência e o debate público são fundamentais para garantir que o desenvolvimento não sacrifique os recursos naturais.

A água é um bem cada vez mais precioso, e seu uso deve ser feito com responsabilidade.

A FUNVERDE se posiciona a favor do progresso tecnológico aliado à sustentabilidade e ao bom uso dos recursos naturais.

Estamos atentos aos desdobramentos e abertos ao diálogo com todos os setores da sociedade.

funverde

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