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A contaminação em culturas alimentares na África por mercúrio

Por FUNVERDE – 20 de outubro de 2025 – Um estudo recente publicado na revista Biogeosciences revelou que a poluição por mercúrio proveniente da mineração artesanal e de pequena escala de ouro (ASGM, na sigla em inglês) está contaminando culturas alimentares na África, não pelo solo, como se pensava anteriormente, mas diretamente pelo ar. Imagem gerada por IA Grok.

Com o preço do ouro aumentando mais de dez vezes desde 2000, a expansão desregulada dessas atividades mineradoras levanta preocupações urgentes sobre segurança alimentar, saúde humana e justiça ambiental.

Um novo entendimento sobre a bontaminação por mercúrio liderado por Excellent O. Eboigbe e David McLagan, da Queens University, e Abiodun Odukoya Mary, da Universidade de Lagos.

Este estudo foi conduzido em uma área rural da Nigéria próxima a uma área de mineração artesanal.

Utilizando amostradores passivos de ar de mercúrio (MerPAS) e análises de isótopos estáveis de mercúrio, os pesquisadores descobriram que as culturas agrícolas absorvem o mercúrio principalmente pelo ar, através das folhas durante a fotossíntese, e não pelas raízes, como se acreditava.

Comparando plantações a 500 metros do local de mineração com outras a 8 quilômetros de distância, os cientistas encontraram concentrações de mercúrio 10 a 50 vezes maiores nas folhas e grãos das plantas mais próximas da mineração.

David McLagan destacou:

“A absorção de mercúrio pelas plantas a partir do ar é o maior sumidouro de mercúrio da atmosfera para sistemas terrestres. Embora isso ajude a reduzir a dispersão global do mercúrio, é preocupante quando as plantas alimentares são o mecanismo que remove esse mercúrio do ar.”

Impactos na saúde e na segurança alimentar

O mercúrio, um poderoso neurotóxico usado para extrair ouro de minérios, apresenta sérios riscos à saúde, incluindo danos ao sistema nervoso, comprometimento do desenvolvimento cognitivo em crianças e problemas cardiovasculares e reprodutivos.

Partes folhosas das plantas, frequentemente consumidas por humanos e gado, apresentaram as maiores concentrações de mercúrio, enquanto raízes comestíveis, como mandioca, e grãos, como milho, mostraram níveis menores, mas ainda significativos.

Embora os níveis de mercúrio encontrados estejam abaixo dos limites internacionais de consumo, o estudo alerta que os padrões globais podem subestimar os riscos, especialmente em comunidades rurais que dependem de cultivos locais.

Estudos anteriores indicaram contaminações ainda mais severas em outras regiões, o que reforça a gravidade do problema.

Mineração artesanal: Um dilema ambiental e social

A mineração artesanal de ouro é a maior fonte de emissões de mercúrio no mundo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Em muitas regiões do Sul Global, como África, América do Sul e Ásia, a ASGM é uma fonte vital de renda para comunidades em situação de pobreza.

No entanto, a falta de regulamentação e monitoramento agrava os impactos ambientais e à saúde. Abiodun Mary observou:

“Os mineradores não deixarão de usar mercúrio para extração de ouro a menos que tenham uma alternativa acessível e econômica.”

O estudo destaca a necessidade urgente de novas políticas para monitorar e mitigar a exposição ao mercúrio atmosférico em áreas agrícolas próximas a atividades de mineração.

A Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que busca reduzir o uso e a emissão de mercúrio, foca principalmente em corpos d’água, sedimentos e frutos do mar, negligenciando as culturas agrícolas como vetor de exposição.

Este estudo evidencia que os esforços atuais são insuficientes e que a contaminação de alimentos pode ter efeitos cumulativos, especialmente em regiões dependentes da agricultura de subsistência.

A contaminação de culturas alimentares por mercúrio atmosférico é uma ameaça invisível que afeta milhões de pessoas em regiões de mineração artesanal.

Para proteger a saúde pública e garantir a segurança alimentar, é essencial que governos e organizações internacionais ampliem os esforços de monitoramento e promovam alternativas seguras ao uso de mercúrio na mineração.

Nós da FUNVERDE reforçamos a importância de ações globais coordenadas para enfrentar esse desafio, protegendo tanto o meio ambiente quanto as comunidades que dependem da terra para sobreviver.

Fonte: Invisible poison: Airborne mercury from gold mining is contaminating African food crops, study warns
Mais informações: Mercury contamination in staple crops impacted by Artisanal Small-scale Gold Mining (ASGM), Biogeosciences (2025). DOI: 10.5194/bg-22-5591-2025

 

funverde

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