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Do deserto verde ao pomar vivo: A transformação do Bosque das Grevíleas pela FUNVERDE
Por FUNVERDE – 02 de julho de 2026 – Lendo uma reportagem sobre Plantaram um mar de eucalipto para fazer celulose, mas a monocultura virou deserto verde, secou nascentes e rios e empurrou famílias para fora de regiões de Minas Gerais e da Bahia – pensei em fazer uma materia falando sobre este assunto – O nascimento do Bosque Sensorial Ana Domingues. Foto: Dona Ana, criadora da FUNVERDE, fazendo fotos no Bosque Sensorial.
Há décadas, o Bosque das Grevíleas, um dos espaços verdes mais queridos de Maringá, enfrentava um destino comum a muitas áreas de monocultura: o esvaziamento gradual.
Plantadas em grande escala nos anos 1960 pela Companhia Melhoramentes, as grevíleas-robustas formavam um mar verde uniforme, bonito à distância, mas com baixa diversidade biológica.
Com o tempo, muitas árvores ultrapassaram seu ciclo de vida natural (entre 40 e 60 anos) e começaram a morrer, criando clareiras e um cenário antes de “deserto verde” para um “deserto verde” com muito espaco em aberto, onde a aparente exuberância escondia a escassez de vida.
Era um lugar onde, em meio à monocultura, a fauna era limitada.
Relatos indicam que apenas espécies mais resistentes, como pica-paus, frequentavam o espaço com regularidade.
Pouco alimento, poucas frutas e baixa diversidade vegetal: um ambiente que, apesar da boa intenção inicial de arborização urbana, não sustentava um ecossistema rico.
Hoje, a história é outra.
Graças ao trabalho da FUNVERDE, por meio do Projeto Bosque Sensorial Ana Domingues (iniciado em 2009), o bosque se transformou em um verdadeiro oásis de vida.
O que era um monocultivo em declínio virou um pomar a céu aberto, com mais de 3.500 árvores de mais de 100 espécies e variedades — a maioria frutíferas e muitas em risco de extinção.
Construa e Eles Virão
O lema “construa e eles virão” nunca fez tanto sentido.
Ao remover grevíleas mortas e plantar espécies nativas e frutíferas, a FUNVERDE recriou condições para a volta da vida selvagem.
Onde antes havia escassez, agora há abundância,
Hoje temos frutas de diversas origens — como jaca âmbar (considerada uma das mais saborosas do mundo), sapoti, umbu doce e muitas outras — atraem aves de todo tipo.
Temos a diversidade vegetal atrai polinizadores, insetos benéficos e mamíferos e ainda, o bosque sensorial estimula não só a biodiversidade, mas também os sentidos dos visitantes: aromas, texturas, sabores diretos do pé e o contato direto com a natureza.
O resultado é visível e mensurável: enorme aumento na quantidade e na diversidade de vida.
O que era um espaço predominantemente de uma única espécie agora é um ecossistema vivo, considerado o maior bosque sensorial aberto urbano do planeta, com cerca de 44.600 m² e é um projeto facilmente replicável em qualquer cidade do planeta.
Um Modelo de Recuperação Ambiental
O Bosque das Grevíleas, também conhecido como Bosque Anníbal Bianchini da Rocha, prova que é possível reverter os impactos de monoculturas.
Diferente dos vastos plantios de eucalipto que, em outras regiões do Brasil, secam nascentes e empobrecem o solo (como relatado em matérias recentes sobre Minas Gerais e Bahia), aqui optamos pelo caminho da diversificação.
Não removemos grevíleas saudáveis — elas continuam fazendo parte da paisagem —, mas substituímos as que chegam ao fim de seu ciclo por uma floresta multifuncional.
O projeto conta com apoio de doações e voluntários, e continua crescendo com novas espécies.
Cláudio José Jorge, presidente da FUNVERDE, reforça: o objetivo é manter a área ecológica, promover educação ambiental e oferecer à população um espaço de qualidade de vida dentro da cidade.
Visite e Participe
O Bosque Sensorial Ana Domingues está aberto 24 horas e fica na Avenida Pio XII, Zona 5, em Maringá.
Todos os sábados das 15 as 17 horas, o pessoal da FUNVERDE está no local plantando ou fazendo manutenção.
É um convite para caminhadas, observação de aves, degustação de frutas e conexão com a natureza.
A transformação do Bosque das Grevíleas mostra o poder da ação coletiva: onde havia um deserto verde, hoje pulsa vida em abundância.
Construímos, e eles vieram.
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