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Quedas de árvores poderiam ser evitadas

Desde o início do ano, os temporais derrubaram 310 árvores em Maringá. Para o pesquisador e engenheiro florestal, problema poderia ser menor se a prefeitura tivesse iniciado, há 15 anos, a substituição das espécies mais antigas.

As rajadas de vento nem foram tão fortes, com pico de 52 km/h. Mesmo assim, aliadas à chuva, 74 mm até o fim da tarde de ontem, acima da metade da média histórica para outubro, Maringá registrou mais 14 árvores caídas, chegando a 310 no ano.

A Defesa Civil iniciou os trabalhos ainda na madrugada, com apoio da Guarda Municipal e das secretarias de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos, tendo terminado a retirada dos troncos e galhos ainda na tarde de ontem. Duas casas foram danificadas e também vários cabos, sendo que 44 imóveis permaneciam sem energia elétrica até as 17h45 de ontem, de acordo com a Copel.

“Estamos em um período com muita chuva ainda por vir, a gente ora para que não venha com vento, mas por causa do calor, as rajadas são comuns”, aponta o coordenador da Defesa Civil de Maringá, Adilson Costa.

As árvores condenadas são, hoje, um gargalo da Prefeitura de Maringá, que tem até abril de 2018 para entregar o novo Plano Diretor de Arborização. Para o engenheiro florestal e pesquisador da Unicesumar André Furlaneto Sampaio, há 15 anos, a administração deveria ter iniciado um trabalho sistemático de substituição das árvores mais antigas.

A Secretaria Municipal de Serviços Públicos, que conta com 98 servidores efetivos no setor de arborização, soma 12.220 pedidos pela erradicação de árvores, sendo que 2.529 são deste ano. Para poda, são outros 6.956 – 2.010 protocolados em 2017. Segundo a prefeitura, 3.017 protocolos já passaram pela perícia, com autorização para execução do serviço, que ocorre em ordem cronológica e também de classificação de riscos. Devido ao tamanho, as sibipirunas e tipuanas são as espécies mais trabalhosas.

Com uma arborização exemplar, focada em espécies de médio e grande porte, Maringá tem muitos troncos e galhos antigos, ocos. “Estão com problemas fitossanitários, como fungos, cupins, cancro. Uma vastidão de problemas que, juntos, prejudicam a sanidade das árvores e levam às quedas com mais facilidade”, explica o pesquisador.

Como o solo do município é argiloso, as árvores não formam raízes profundas, devido ao fácil acesso à água. O que conta, segundo Sampaio, é o equilíbrio lateral, que pode chegar a três metros, mas acaba sendo prejudicado pelo meio-fio, apesar das calçadas largas maringaenses.

“Maringá precisa muito dessa sombra senão se torna uma cidade pior que Cuiabá” Andre Furlanetto Sampaio, engenheiro florestal e  pesquisador

Para o engenheiro, que atua como voluntário no corpo técnico do Plano Diretor de Arborização, é preciso melhorar a ordenação dos cortes por critérios técnicos e focar na substituição. “Hoje, em média, são cortadas mais de 300 árvores por mês, mas a prefeitura substitui apenas 1.500 por ano. Essa substituição ainda não está seguindo um padrão”, aponta.

Se o trabalho é complexo, seu benefício faz valer a pena. Em alguns bairros, como aponta Sampaio, a temperatura chega a cair de 8°C a 10°C pela presença do verde. “Maringá precisa muito dessa sombra porque senão se torna uma cidade pior que Cuiabá”, alerta, chamando a atenção também para os benefícios do alívio de estresse, controle da poluição atmosférica e da diversidade da fauna e flora.

Fonte – Pauline Almeida, O diário do Norte do Paraná de

Leia mais sobre os problemas da chuva na página 5.

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