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A mais forte corrente oceânica do planeta está enfraquecendo devido ao derretimento do gelo da Antártida

Por Srishti Gupta – Interesting Engineering – Tradução FUNVERDE – 3 de março de 2025 – O ACC auxilia no controle climático, incluindo a distribuição de calor, dióxido de carbono e nutrientes para diferentes bacias oceânicas. Gigantesco iceberg tabular com muitos arcos de gelo naturais flutuando no Oceano Antártico. Foto: iStock.

Estudos recentes mostram que o derretimento das camadas de gelo ao redor da Antártida está tendo repercussões na Corrente Circumpolar Antártida (Antarctic Circumpolar Current – ACC), a corrente oceânica mais forte do planeta.

Essa mudança pode perturbar sistemas climáticos integrados em escala global, alterando os níveis do mar, as temperaturas do oceano ou até mesmo os ecossistemas marinhos.

De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Melbourne e pelo Centro de Pesquisa NORCE Norway, se as emissões de carbono não forem controladas, o ACC pode desacelerar em até 20% até 2050.

O aumento da água doce devido ao derretimento do gelo está mudando os padrões de salinidade e circulação no oceano, e isso está afetando o equilíbrio que permite que as correntes circulem ao redor do globo.

“O oceano é extremamente complexo e totalmente equilibrado. Se esse ‘motor’ quebrar, pode haver consequências severas, incluindo mais mudanças climática, com extremos em certas regiões, e aquecimento global acelerado devido à redução da capacidade do oceano de agir como um sumidouro de carbono”, disse Bishakhdatta Gayen, um dos autores do estudo. 

O papel da Corrente Circumpolar Antártica

O ACC é um grande ator no movimento oceânico do mundo, atuando como um componente-chave da “correia transportadora oceânica”, responsável por manter o movimento da água entre os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico.

Além disso, ele auxilia no controle climático, incluindo a distribuição de calor, dióxido de carbono e nutrientes para diferentes bacias oceânicas.

O ACC é até quatro vezes mais forte do que a Corrente do Golfo.

Como resultado, o ACC controla a migração de várias espécies através do oceano.

Com o enfraquecimento atual, há um risco potencial de certas espécies, como algas-touro, camarões e moluscos, invadirem as águas da Antártida e colocarem os frágeis ecossistemas e cadeias alimentares em grave perigo.

As possíveis mudanças podem afetar a população de pinguins, o que afetaria a biodiversidade de toda a região.

Pesquisadores analisaram esses microdetalhes por meio do supercomputador mais rápido da Austrália, o GADI, usando o qual simularam as correntes oceânicas e as mudanças climáticas.

O modelo incorporou a mudança nos padrões de monções, a ingestão de água salina e outras condições de vento atmosférico livre para determinar o efeito do derretimento do gelo na circulação oceânica.

Essas descobertas contradizem pesquisas anteriores que diziam que o ACC estava acelerando devido à crescente variação de temperatura nas regiões latitudinais oceânicas.

A principal descoberta do estudo, em vez disso, foi que grandes quantidades de água doce do derretimento das camadas de gelo reduzem a salinidade do oceano, o que enfraquece o processo que faz com que a água fria e densa afunde e circule — um mecanismo-chave por trás da força do ACC.

Implicações climáticas mais amplas

A pesquisa revela que não é apenas o susto das altas emissões – mesmo em um cenário previsto para emissões mais fracas, onde o gelo continua a derreter.

A gravidade da mudança ainda é iminente.

“O Acordo de Paris de 2015 teve como objetivo limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. Muitos cientistas concordam que já atingimos essa meta de 1,5 grau, e é provável que fique mais quente, com impactos indiretos no derretimento do gelo da Antártida”, disse Taimoor Sohail, um dos autores do estudo. 

Os cientistas acreditam que é necessário mais trabalho, como modelagem climatográfica e simulações de animação, para considerar os efeitos completos da desaceleração do ACC causados ​​pelas mudanças climáticas.

 

funverde

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