Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, aborda a relação entre a mudança climática e a mudança no solo de áreas urbanas.
Trata-se da primeira pesquisa a quantificar deformações no solo causadas por ilhas de calor abaixo da superfície e o efeito disso na infraestrutura civil.
A análise foi publicada no periódico Communications Engineering nesta terça-feira (11) e aponta que, conforme o solo esquenta, ele também se deforma.
Esse fenômeno faz com que a fundação de prédios e o solo ao redor se mova bastante; e, por conta das expansões e contrações, ela pode chegar a rachar.
Isso afeta a durabilidade e a performance operacional da estrutura desses imóveis a longo prazo.
Para os pesquisadores, vários prédios já devem ter tido problemas e outros terão ainda mais por conta do aumento das temperaturas esperado nos próximos anos.
“A mudança climática do subsolo é uma ameaça silenciosa”, diz Alessandro Rotta Loria, engenheiro e pesquisador da Universidade Northwestern e líder do estudo, em comunicado.
“O solo está ficando deformado como consequência das variações de temperatura, e nenhuma estrutura ou infraestrutura civil existente foi projetada para resistir a essas variações.”
Loria aponta que esse fenômeno não chega a ser perigoso para a segurança das pessoas, mas afetará operações normais dos sistemas de fundação e a infraestrutura no geral.
Mudança climática (no subsolo)
Em muitas áreas urbanas ao redor do mundo, o calor continua a se difundir dos prédios e transportes subterrâneos, aumentando a temperatura do solo rapidamente.
Pesquisas anteriores sobre o assunto indicam que as superfícies de grandes cidades esquentam entre 0,1 e 2,5ºC por década.
Chamado de mudança climática do subsolo, esse fenômeno tem causado problemas ecológicos, como a contaminação da água do solo, e de saúde, incluindo asma e ataques cardíacos.
“No geral, as cidades são mais quentes que as áreas rurais porque os materiais de construção às vezes prendem o calor derivado da atividade humana e da radiação solar para depois o liberá-lo na atmosfera. Esse processo tem sido estudado por décadas. Agora, estamos investigando seu equivalente no subsolo que, em sua maioria, é conduzido por atividade humana.”
Ao longo dos últimos anos, Alessandro Rotta Loria e sua equipe instalaram uma rede sem fio de mais de 150 sensores de temperatura na superfície e no subsolo da região central de Chicago, nos Estados Unidos, incluindo locais como porões de prédios, túneis de metrô e estacionamentos.
Para comparação, os pesquisadores também instalaram os dispositivos numa área verde longe de prédios e sistemas de transporte de subsolo.



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