Por FUNVERDE - 15 de julho de 2026 - Muito antes da eletricidade, já existiam reservatórios…

Cientistas brasileiros caçam espécies capazes de limpar solos e extrair metais
Por FUNVERDE – Baseada na matéria de Elton Alisson – Agência FAPESP – 16 de julho de 2025 – Tecnologia verde usa plantas para recuperar áreas degradadas e gerar valor econômico com sustentabilidade. Foto: Pycnandra acuminata – WikiPédia,
Você já imaginou que uma planta pode valer mais do que ouro?
No Brasil, pesquisadores estão desvendando o potencial de espécies raras da nossa flora com uma habilidade extraordinária: absorver metais pesados do solo, como níquel, zinco e manganês, em altas concentrações.
Chamadas de hiperacumuladoras, essas plantas podem ser a chave para transformar áreas degradadas por atividades extrativas, como a mineração, em fontes de recuperação ambiental e geração de renda sustentável.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), foi destaque na 77ª Reunião Anual da SBPC, em Recife.
Eles utilizam uma técnica inovadora chamada agromineração, que propõe o uso de plantas para “minerar” metais do solo de forma ecológica, oferecendo uma alternativa sustentável à extração tradicional.
Uma caçada verde pelo Brasil
Encontrar essas plantas é como procurar agulhas em um palheiro. Menos de 0,2% das espécies vegetais conhecidas no mundo possuem essa capacidade.
No entanto, o Brasil, com a maior biodiversidade vegetal do planeta, é um terreno fértil para essa “caça verde”.
As plantas hiperacumuladoras precisam atender a critérios específicos: crescer rapidamente, produzir grande quantidade de biomassa e concentrar metais na parte aérea (folhas e caule), facilitando a colheita e a extração.
Em estados como Goiás e Pernambuco, espécies como o feijão-bravo-preto (Capparidastrum frondosum) já se destacaram pela capacidade de absorver zinco, mostrando potencial para recuperar solos contaminados.
Da coleta à análise: a ciência a serviço da natureza
Para acelerar as descobertas, os pesquisadores estão analisando mais de 8 mil amostras de plantas desidratadas (exsicatas) armazenadas em herbários de instituições como Embrapa, INPA, UnB, IBGE e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Com um equipamento portátil de fluorescência de raios X, eles conseguem medir em segundos a concentração de metais nas folhas e caules.
A criação do Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral (Inabim), aprovado pelo CNPq e sediado na UFRPE, promete impulsionar essas pesquisas.
O instituto reunirá cientistas de diversas instituições para desenvolver soluções que promovam a recuperação de áreas degradadas, o reaproveitamento de resíduos da mineração e a criação de novos materiais sustentáveis.
Uma solução para a economia circular
A agromineração é um exemplo perfeito de economia circular: transforma resíduos em recursos e degradação em regeneração.
Em vez de devastar a terra com máquinas pesadas, a natureza nos ensina a extrair valor sem destruir.
Em áreas como a região de Carajás (PA), onde a mineração deixou solos contaminados, essas plantas podem ser aliadas na restauração ambiental e na geração de renda para comunidades locais.
A FUNVERDE apoia iniciativas como essa, que unem ciência e biodiversidade brasileira para construir um futuro mais verde, inteligente e justo.
Quer fazer parte dessa transformação? Acompanhe o trabalho da FUNVERDE e ajude a promover a sustentabilidade no Brasil!
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