Por FUNVERDE - 15 de julho de 2026 - Muito antes da eletricidade, já existiam reservatórios…

Cientistas do clima dizem que provavelmente 2025 não será mais quente que 2024
Por Redação das Nações Unidas – IPS – 23 de abril de 2025 – Foto: Criada por IA Chatgpt onde representa um ambiente árido sem água.
Em 19 de março, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) divulgaram um relatório sobre o Estado do Clima Global em 2024, alertando sobre o aumento de desastres naturais agravados pelas mudanças climáticas provocadas pelo ser humano.
Após três anos consecutivos registrando os anos mais quentes da história, cientistas do clima estão otimistas: 2025 poderá apresentar temperaturas globais ligeiramente mais baixas.
Apesar dessa previsão global, a Europa caminha para enfrentar seu ano mais quente já registrado.
De acordo com o segundo Relatório Anual sobre o Estado do Clima na Europa, divulgado em 15 de abril, a temperatura média de março de 2025 ficou cerca de 1,6°C acima dos níveis pré-industriais — e 0,26°C acima do recorde anterior, estabelecido em março de 2014.
“A Europa é o continente que mais aquece no mundo e já sente fortemente os impactos das mudanças climáticas e dos eventos climáticos extremos. Cada fração de grau a mais aumenta os riscos para nossas vidas, para as economias e para o planeta”, destacou a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.
Outro dado preocupante vem da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), que registrou janeiro de 2025 como o janeiro mais quente da história. A NOAA também indica que existe cerca de 7% de chance de que 2025 supere 2024 em termos de temperaturas médias globais. https://engine.princeton.edu
Além disso, o gelo marinho no Ártico atingiu sua menor extensão para o mês de janeiro, ficando 6% abaixo da média.
Essa pequena trégua no aquecimento é atribuída ao fenômeno La Niña — a fase fria do ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENSO). Iniciado em dezembro de 2024 e previsto para terminar em abril de 2025, o La Niña é caracterizado pela redução da temperatura da superfície dos oceanos, alterações nos ventos e nos padrões de chuvas, aumento de furacões no Atlântico, condições mais secas no Sul e mais úmidas no Noroeste dos EUA.
Regiões tropicais, historicamente muito impactadas pelo El Niño, sentiram algum alívio nos últimos meses, com menos eventos de calor extremo e desastres climáticos.
Em áreas como a América do Sul, que sofreram com inundações em 2024, a situação se mostrou mais seca recentemente, beneficiando especialmente a agricultura e a produção de alimentos.
O fenômeno também favoreceu a vida marinha na costa do Pacífico, trazendo águas frias e ricas em nutrientes para a superfície, atraindo espécies como lulas e salmões, o que impulsionou a pesca local.
Contudo, nem todos os efeitos foram positivos. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), regiões como o Chifre da África — incluindo Somália, sul da Etiópia e norte do Quênia — devem sofrer com perdas agrícolas e de rebanhos, agravando a insegurança alimentar e afetando a estabilidade financeira.
A OMM prevê que os efeitos da La Niña devem desaparecer até a metade do ano.
Existe aproximadamente 60% de chance de que as condições retornem à neutralidade do ENSO entre março e maio, aumentando para 70% entre abril e junho.
A expectativa é que, ao menos por enquanto, não haja um novo evento de El Niño.
A Secretária-Geral Celeste Saulo ressalta a importância de se usar as previsões sazonais de El Niño e La Niña para a preparação contra desastres naturais.
“Essas previsões economizam milhões de dólares em setores-chave como agricultura, energia e transporte, além de salvarem milhares de vidas”, afirmou.
Mesmo com a previsão de temperaturas um pouco mais amenas, 2025 ainda deve ser o terceiro ano mais quente já registrado, atrás apenas de 2024 e 2023, segundo o cientista climático Gavin Schmidt.
Entretanto, avanços globais na luta contra as mudanças climáticas continuam ameaçados por retrocessos políticos.
O recente recuo dos Estados Unidos no Acordo de Paris e a redução dos programas climáticos financiados pela USAID podem comprometer as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
“Como um dos maiores emissores de carbono do mundo, os EUA têm a responsabilidade de liderar a transição para economias de zero carbono. Ao recuar, não só falham consigo mesmos, como encorajam outros países a fazerem o mesmo”, declarou Paul O’Brien, diretor-executivo da Anistia Internacional EUA.
Comments (0)