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Direita e PCP chumbam proibição do glifosato em meio urbano

Na discussão sobre a proposta do Bloco relativa à proibição de aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação, o deputado Jorge Costa afirmou que, nos últimos anos, este produto tornou-se numa forma de “pagar em contaminação aquilo que se poupa em postos de trabalho e investimento sustentável”. O projeto foi chumbado pela direita e pelo PCP.

“Ficámos surpreendidos com a votação desta tarde”, afirmou o deputado bloquista Jorge Costa aos jornalistas no final do debate, lembrando que “a direita teve uma posição mais avançada no Parlamento Europeu”, onde o PSD e o CDS aprovaram uma resolução que incluía a proibição do uso do glifosato em espaços urbanos.

Mas a principal surpresa deve-se à mudança de posição do PCP, que recentemente se tinha abstido numa resolução apresentada pelo Bloco e agora votou ao lado do PSD e CDS para chumbar a proibição do uso do glifosato em áreas urbanas. Para Jorge Costa, a nova posição do PCP “vai contra a prática de algumas Câmaras Municipais dirigidas pelo PCP, que já estão a retirar o glifosato do espaço urbano, e deixa nas mãos das instituições europeias uma decisão que podia ter sido tomada aqui no parlamento para proteger as pessoas”. O PS, o PEV e o PAN votaram a favor da proposta bloquista.

Na sua intervenção no debate, o parlamentar bloquista começou por referir que o glifosato é o herbicida mais utilizado da história, sendo um produto não-específico de largo espetro criado em 1974 pela multinacional Monsanto, com o nome comercial Roundup.

Segundo o deputado do Bloco, este produto acabou por se transformar num “sucesso comercial”, em especial a partir do momento em que a Monsanto introduziu “espécies geneticamente modificadas para serem resistentes a este herbicida”.

Jorge Costa afirmou que a utilização do glifosato se generalizou quer em termos agrícolas, nas autarquias e até na limpeza de estátuas e de outros elementos de património cultural e arquitetónico.

Perante esta situação, afirmou que aquele produto acabou por se tornar “omnipresente e, por essa razão, os seus vestígios estão em todo o lado, seja na cerveja, tampões e pensos higiénicos de algodão”.

Um relatório conveniente

“Quanto aos efeitos do glifosato na saúde humana, em vez de um enredo de polémicas entre relatórios contraditórios, a nossa responsabilidade é responder pelo princípio da precaução”, afirmou, tendo chamado a atenção para a necessidade de “evitar o recurso neste debate aos artifícios de última hora que só comprovam a extensão de influência destas multinacionais”.

O deputado do Bloco estava a referir-se concretamente às notícias vindas a lume nos últimos dias que referem que o glifosato “não representa perigo para a saúde humana”.

“Não é preciso ser especialista para desconfiar de um estudo sobre glisofato que é apresentado dois dias antes da Cimeira Europeia que decide a continuidade ou não das licenças deste herbicida na União Europeia”, afirmou, tendo ainda acrescentado que “o Guardian inglês noticia hoje que o principal responsável pelo relatório é nada menos que um dirigente da fundação privada que recebe um milhão de euros da Monsanto e da indústria agro-química.”

“Assim, o grande estudo de referência continua a ser o que sempre foi, o da Organização Mundial de Saúde que liga o glifosato ao linfoma Não-Hodgkin”, avançou, tendo referido também que “este é um dos cancros que mais se regista em Portugal com 1700 novos casos por ano”.

Durante a sua intervenção, o dirigente bloquista sublinhou que muitos dos que se opõem à retirada do glifosato, mesmo quando não procuram “negar os seus efeitos nocivos no meio ambiente e na saúde das pessoas e animais”, argumentam que “não existem alternativas ao uso de herbicidas e desta substância ativa em particular”.

“Não se trata de uma argumentação inesperada. Basta que relembremos a persistente defesa do inseticida DDT há poucas décadas”, rematou.

O parlamentar bloquista fez ainda questão de lembrar que a Ordem dos Médicos considera que este herbicida deveria ser “suspenso em todo o mundo”, e fez ainda questão de sublinhar que a Plataforma Transgénicos Fora (PTF) – que reúne várias ONG de ambiente – remeteu para um laboratório especializado nos Estados Unidos as amostras de urina de um conjunto de famílias portuguesas que apresentaram resultados até 260 vezes acima dos valores considerados aceitáveis.

Fonte – Esquerda.net de 18 de maio de 2016

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