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Financiamento climático do sul global: Dois terços são empréstimos, agravando dívidas e lucrando com a crise
Por FUNVERDE – 20 de outubro de 2025 – Relatório da Oxfam/CARE revela que, para cada US$ 5 recebidos em empréstimos climáticos, países em desenvolvimento pagam US$ 7 às nações ricas, transformando a ajuda em fardo financeiro.
O financiamento climático, uma ferramenta essencial para ajudar os países mais vulneráveis a se adaptarem à crise que não criaram, está se transformando em um ciclo vicioso de dívida.
É o que aponta uma recente investigação de coalizões internacionais como a Oxfam e o CARE Climate Justice Centre, cujos dados foram destacados pela agência de notícias IPS.
A descoberta central é alarmante: mais de dois terços (65%) do financiamento climático público fornecido por nações desenvolvidas ao Sul Global é entregue na forma de empréstimos, e não de doações.
O Paradoxo da “Ajuda”
A política de empréstimos, muitas vezes oferecidos com taxas de juros padrão e sem condições concessionais, inverte a lógica da responsabilidade histórica e financeira.
O estudo revela que os países em desenvolvimento estão, na verdade, pagando mais do que recebem: para cada US$ 5 que chegam como empréstimos climáticos, as nações ricas estão recebendo US$ 7 de volta.
Nafkote Dabi, Líder de Política Climática da Oxfam, resumiu a situação:
“Os países ricos estão tratando a crise climática como uma oportunidade de negócio, não como uma obrigação moral. Estão emprestando dinheiro às mesmas pessoas que prejudicaram historicamente, aprisionando nações vulneráveis em um ciclo de dívida. Trata-se de uma forma de lucrar com a crise.”
Dívida e vulnerabilidade: Uma armadilha crescente
Esse modelo de financiamento não apenas agrava a carga da dívida — que hoje chega a US$ 3,3 trilhões nos países em desenvolvimento — mas também sabota a própria ação climática. Ao serem forçados a destinar recursos crescentes para o pagamento de juros e principal, estes países perdem a capacidade fiscal de investir em infraestrutura de adaptação, resiliência e mitigação.
Como resultado, o custo de empréstimos para projetos de energia renovável em países como Gana, Egito e Argentina se torna proibitivamente alto, criando uma dinâmica de retroalimentação negativa que impede o desenvolvimento sustentável.
O caminho a seguir
Para a Funverde, este cenário sublinha a urgência de uma mudança radical na arquitetura financeira global:
- Prioridade a Doações e Fundos Não-Reembolsáveis: É fundamental que o financiamento climático, especialmente para a adaptação, seja majoritariamente concedido como doação, reconhecendo a dívida climática histórica.
- Transparência e Valor Real: Os países ricos precisam cumprir suas promessas. Em 2022, afirmaram ter mobilizado US$ 116 bilhões, mas o valor real de “ajuda” líquida e concessional foi estimado em menos de um terço disso.
- Novas Fontes de Financiamento: O problema da dívida climática não será resolvido apenas com a renegociação. É preciso mobilizar novas fontes de financiamento, como a tributação de grandes fortunas e dos lucros excessivos de empresas de combustíveis fósseis, como sugerem diversas organizações.
A crise climática é um desafio global que exige solidariedade e responsabilidade, não lucro.
O modelo atual de financiamento, focado em empréstimos, é insustentável e moralmente questionável, exigindo uma pressão contínua por parte de organizações como a Funverde para garantir justiça e equidade climática.
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