Por FUNVERDE - 15 de julho de 2026 - Muito antes da eletricidade, já existiam reservatórios…

Florestas acumulam microplásticos transportados pelo ar, revela estudo da Nature
Por FUNVERDE – 30 de setembro de 2025 – Um novo estudo publicado pela revista NATURE em 25 de agosto mostra que o problema do microplástico ainda é maior do que imaginávamos. Foto: FUNVERDE.
Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment (grupo Nature) demonstrou que os solos de florestas também estão sujeitos ao acúmulo de microplásticos, em grande parte devido à deposição atmosférica.
A pesquisa foi realizada em florestas manejadas da Alemanha e revelou que partículas plásticas microscópicas estão presentes em diferentes camadas do solo, desde a serapilheira superficial até horizontes minerais mais profundos.
Metodologia utilizada
Os cientistas coletaram amostras de solo em quatro áreas florestais compostas por carvalho, faia e pinheiro.
Foram analisadas tanto as camadas orgânicas (folhas e detritos em decomposição) quanto as camadas minerais inferiores.
Paralelamente, mediu-se a deposição de microplásticos pela chuva que atravessa o dossel das árvores, chamada throughfall.
As partículas foram extraídas por métodos físico-químicos e analisadas por espectroscopia (µ-FTIR), o que permitiu identificar o tipo de polímero, o tamanho e a forma das partículas.
Os Principais resultados da pesquisa
- As concentrações variaram de 120 a 13.300 partículas por quilo de solo seco, com média de 4.440 partículas/kg.
- A deposição atmosférica registrada foi, em média, de 9 partículas por metro quadrado por dia.
- O tamanho médio das partículas encontradas no solo (~65 µm) foi semelhante ao observado na deposição atmosférica (~62 µm).
- Os tipos de polímeros mais comuns foram polipropileno (PP), polietileno (PE) e poliamida (PA), os mesmos detectados na deposição vinda do ar.
- Estimativas sugerem que, em taxas de deposição elevadas, os solos poderiam acumular estoques equivalentes em apenas 70 anos.
O que isso pode nos dizer?
Os dados indicam que a deposição atmosférica é a principal via de entrada de microplásticos em áreas florestais, inclusive em regiões afastadas de fontes de poluição direta.
As árvores funcionam como captadoras de partículas, que acabam transferidas para o solo por meio da chuva ou da queda de folhas.
Esse acúmulo pode alterar propriedades físicas e químicas do solo, afetando microrganismos e ciclos biogeoquímicos essenciais, embora os impactos de longo prazo ainda não sejam totalmente conhecidos.
Dá para imaginar como está a situação das àrvores no perímetro urbanos.
E no Brasil? como pode estar?
Embora o estudo tenha sido conduzido em clima temperado, os pesquisadores destacam que a dinâmica de deposição atmosférica ocorre globalmente.
Isso significa que florestas tropicais brasileiras também podem estar recebendo microplásticos vindos de regiões urbanas e industriais distantes.
A elevada pluviosidade em biomas como a Amazônia e a Mata Atlântica pode intensificar esse transporte para o solo, levantando a necessidade de pesquisas locais para avaliar a dimensão do problema.
Conexão com as sacolas voando nas cidades aos microplásticos encontrados nas florestas
O gráfico apresentado na pagina 3 deste estudo mostra que os polímeros mais comuns encontrados nos solos florestais são o polipropileno (PP) e o polietileno (PE).
Esses materiais são exatamente os mesmos usados na fabricação de sacolas plásticas de uso único.
No Brasil, bilhões de sacolas descartáveis são distribuídas todos os anos.
Grande parte delas não é reciclada e acaba acumulada em aterros, lixões ou dispersa no ambiente urbano.
Durante os meses de ventos mais fortes, é comum ver sacolas plásticas voando pelos céus das cidades, lembrando que este consumo desenfreado não se restringe ao espaço urbano.
Com o tempo, essas sacolas se fragmentam em pedaços cada vez menores, transformando-se em microplásticos que podem permanecer suspensos no ar.
Transportados pelo vento, alcançam áreas distantes e acabam se depositando em florestas e solos naturais, exatamente como revelou a pesquisa científica.
Esse ciclo demonstra que o impacto do uso indiscriminado de sacolas descartáveis ultrapassa os limites das cidades e afeta ecossistemas considerados intocados, reforçando a urgência de:
reduzir, reutilizar e substituir o plástico de uso único.
Uma das alternativas já em prática é o Projeto Sacola Retornável da FUNVERDE, que estimula a população a adotar sacolas reutilizáveis.
E, quando o uso de descartáveis for inevitável, a recomendação é optar por sacolas fabricadas com a tecnologia d2w da RES Brasil, que possuem ciclo de vida útil programado e se degradam sem gerar microplásticos.
Conclusão
O estudo evidencia que a poluição plástica não está restrita a mares e cidades. Até mesmo florestas — ecossistemas frequentemente vistos como intocados — estão sendo impactadas por partículas invisíveis.
Monitoramentos de longo prazo e políticas de redução da emissão de plásticos são fundamentais para evitar a intensificação desse tipo de poluição difusa.
Leia o artigo completo na Nature: Forest soils accumulate microplastics through atmospheric deposition


Comments (0)