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Ibama impõe revés a plano de mineração no fundo do mar no Brasil

Por BnAmerica – 23 de junho de 2026 – O principal regulador ambiental brasileiro, o Ibama, rejeitou a licença ambiental relacionada a um pedido de exploração mineral submarina, indicando que iniciativas semelhantes devem enfrentar grande resistência..

O Ibama rejeitou um pedido de licenciamento realizado pela GBMEX Mineração, que previa a extração de até 275.000t/a de granulado bioclástico marinho, por meio de dragagem em alto-mar, na área submarina de Monte Davis, localizada a cerca de 590km da costa do Espírito Santo.

O granulado bioclástico marinho é um tipo de sedimento formado por fragmentos de organismos como conchas, corais, esqueletos e outros seres vivos ricos em carbonato de cálcio.

O material se acumula no fundo do mar e é utilizado na suplementação mineral da agricultura, na correção da acidez do solo e como fertilizante.

“A decisão do Ibama reconhece algo que a ciência vem apontando há anos: os montes submarinos da Cadeia Vitória-Trindade estão entre os ambientes marinhos mais sensíveis e menos conhecidos do Atlântico Sul.

O empreendimento previa a retirada de mais de centenas de milhares de toneladas de material por ano em uma área considerada prioritária para a conservação da biodiversidade marinha”, disse Juliano Bueno, diretor técnico da ONG Instituto Internacional Arayara.

O processo de licenciamento da GBMEX teve início em 2019, quando o projeto era conduzido pela então TWB Mineração S/A, empresa que posteriormente alterou sua razão social.

Na época, o licenciamento não avançou porque havia dúvidas sobre a situação jurídica da área de exploração, localizada na chamada Plataforma Continental Estendida brasileira, além de pendências relacionadas aos direitos minerários.

Durante a análise técnica, o Ibama concluiu que a área pretendida para a mineração apresenta elevada relevância ambiental.

Estudos citados no processo indicam que o Banco Davis está inserido em uma região considerada prioritária para a conservação da biodiversidade marinha pelo Ministério do Meio Ambiente, com classificação de importância biológica extremamente alta.

A rejeição do Ibama indica que a mineração submarina no Brasil tende a enfrentar resistência em um momento em que o governo federal demonstra interesse na atividade.

Recentemente, o governo federal anunciou um plano para utilizar a expertise de duas das maiores empresas do país – a mineradora Vale e a estatal de petróleo e gás Petrobras –, sob coordenação do banco estatal de desenvolvimento BNDES, para realizar atividades de mineração marinha.

O Brasil já conta com uma intensa atividade de exploração de petróleo e gás no fundo do mar realizada pela Petrobras.

Porém, mesmo com toda a expertise da companhia nessa atividade, algumas áreas consideradas sensíveis do ponto de vista ambiental enfrentam resistência de grupos ambientalistas para a obtenção de licenças.

 

funverde

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