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Intrusão salina em aquíferos costeiros está avançando

Por FUNVERDE – 6 de fevereiro de 2026 – Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), em parceria com o Departamento de Defesa dos EUA, revela um cenário preocupante: até o final do século (2100), a intrusão salina pode comprometer até 77% das áreas costeiras em bacias hidrográficas ao redor do mundo.

O que é intrusão salina?

Imagine o subsolo próximo ao litoral como uma “esponja” gigante cheia de água doce, alimentada pelas chuvas que infiltram no solo.

Essa água doce flui lentamente em direção ao mar.

Ao mesmo tempo, a água salgada do oceano “empurra” para dentro da terra, graças à pressão do mar.

Naturalmente, existe um equilíbrio delicado: a água doce (mais leve) fica “por cima” e empurra a água salgada (mais densa) para baixo e para o mar, formando uma zona de transição fina onde as duas águas se misturam um pouco.

A intrusão salina acontece quando esse equilíbrio é quebrado.

A água salgada do mar avança mais para dentro do continente, invadindo o aquífero (o reservatório subterrâneo de água doce) e contaminando-o com sal.

O resultado?

A água que antes era potável ou útil para irrigação fica salobra (salgada), imprópria para beber, cozinhar ou plantar.

Esse avanço pode ser acelerado por dois fatores principais:

  • Sobre-exploração (bombear água demais dos poços, reduzindo a pressão da água doce);
  • Mudanças climáticas (aumento do nível do mar, que aumenta a pressão da água salgada, e chuvas mais irregulares ou secas, que diminuem a recarga de água doce).

Intrusão de Cunha Salina – Water Services and Technologies – Diagrama simples ilustrando a intrusão salina: a cunha de água salgada avança para dentro do aquífero costeiro, empurrando a zona de transição (interface doce-salgada). Fonte: adaptação de ilustrações técnicas comuns em hidrogeologia.

Publicado na revista Geophysical Research Letters em novembro de 2024, o trabalho analisou mais de 60 mil bacias hidrográficas costeiras globalmente.

Os principais drivers são:

  • Aumento do nível do mar — sozinho, pode causar intrusão em 82% das bacias, deslocando a zona de transição em até 200 metros em regiões baixas, como o Sudeste Asiático e o Golfo do México
Saltwater intrusion in coastal regions of North America …Exemplo de intrusão salina em aquíferos costeiros dos EUA (Florida e arredores), mostrando a penetração da água salgada em camadas subterrâneas. Fonte: Springer/Hydrogeology Journal.
  • Redução da recarga de água doce — por climas mais quentes e secos, afetando 45% das bacias, com deslocamentos de até 1,2 mil metros em áreas áridas, como a Península Arábica e a Baixa Califórnia (México).

Em combinação, esses efeitos levam a uma intrusão significativa em 77% das áreas costeiras abaixo de 60° de latitude norte.

Felizmente, em cerca de 42% das bacias, um possível aumento da recarga (mais chuva em algumas regiões) poderia ajudar a mitigar os impactos.

Os prejuízos vão além da perda de água potável: afetam a agricultura costeira, danificam ecossistemas dependentes de água doce, corroem tubulações e infraestruturas urbanas, e ameaçam comunidades inteiras — especialmente em países com menor capacidade de adaptação.

O que podemos fazer?

Soluções locais são urgentes: monitoramento constante dos poços, redução do bombeamento excessivo, recarga artificial de aquíferos, proteção de áreas de infiltração de chuva, barreiras subterrâneas e planejamento costeiro integrado.

Globalmente, mitigar as mudanças climáticas (reduzindo emissões) é fundamental.

No Brasil, litorais do Nordeste, Sudeste e Sul — com alta urbanização e extração de água subterrânea — já mostram sinais de vulnerabilidade. Instituições como o Instituto Água Sustentável e a FUNVERDE podem atuar com educação ambiental, projetos de conservação hídrica e advocacy por políticas sustentáveis.

Essa ameaça reforça: proteger nossas águas subterrâneas é proteger a vida. Juntos, podemos agir agora pelas gerações futuras.

Referências:

  • Adams, K. et al. (2024). Climate-Induced Saltwater Intrusion in 2100: Recharge-Driven Severity, Sea Level-Driven Prevalence. Geophysical Research Letters.
  • NASA Jet Propulsion Laboratory. (2024). NASA-DOD Study: Saltwater to Widely Taint Coastal Groundwater by 2100.

funverde

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