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Lupo inaugura loja construída com tijolos 100% de resíduos têxteis

Por: Marcia Sousa – CicloVivo – Feitos a partir dos descartes de fios da própria indústria, os tijolos ecológicos foram desenvolvidos em Araraquara – Nova loja Lupo econtainer em Roseira, SP. Foto: Divulgação/ Lupo.

O Brasil descarta cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, segundo a consultoria S2F Partners, um hub de inteligência especializado em gestão de resíduos e economia circular. O montante considera apenas o que é dispensado nas residências.

Agora, imagine a quantidade de sobras de tecido eliminadas diretamente pela indústria.

Em uma tarde comum no Brás (SP), maior polo de moda e atacado da América Latina, o cenário de sacolas gigantes cheias de retalhos espalhadas pelas ruas fala por si e ajuda a dimensionar a magnitude desse problema.

Como resposta a esse desafio, a Lupo acaba de inaugurar uma loja econtainer construída com tijolos produzidos integralmente a partir de resíduos têxteis.

As sobras que dão forma aos tijolos são de poliamida resultantes do processo fabril da própria Lupo.

A unidade está localizada em Roseira, no Vale do Paraíba, em São Paulo, sendo a primeira do tipo inaugurada pela marca.

“Esta loja representa a materialização do que acreditamos sobre responsabilidade ambiental. Estamos transformando um resíduo que antes era um desafio em um ativo capaz de gerar impacto positivo e abrir novas possibilidades para a marca. Com essa solução conseguimos fechar o ciclo da nossa cadeia produtiva causando o menor impacto ambiental possível”, afirma a Diretora Presidente da Lupo, Liliana Aufiero.

 

Todas as paredes foram erguidas em apenas três dias. Foto: Divulgação/ Lupo

Tijolos de resíduos têxteis

Cada tijolo pesa cerca de 1 quilo e é montado por encaixe, sem necessidade de cola, argamassa, cimento ou água.

A construção é realizada sobre um radier simples, com ancoragem feita por chumbadores e barras roscadas que garantem estabilidade mesmo em condições climáticas extremas.

Nos testes, os blocos suportaram até 18 toneladas de compressão, índice superior ao de blocos tradicionais de concreto.

A performance térmica e acústica também são diferenciais, além de serem retardantes à chamas.

Os tijolos utilizados pesam cerca de 1 quilo cada e são montados por encaixe, sem necessidade de cola, argamassa, cimento ou água. Foto: Divulgação/ Lupo

Os tijolos de resíduos têxteis foram desenvolvidos pela Wolf, empresa de Araraquara especializada em soluções termoplásticas, que surgiu a partir de uma demanda da própria Lupo.

Em 2007, recicladores tradicionais passaram a rejeitar resíduos de poliamida por considerá-lo contaminante.

A busca por uma solução para o descarte adequado motivou o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de triturar, aquecer e transformar o resíduo em grãos termoplásticos que, posteriormente, são injetados em moldes que originam os tijolos utilizados na obra.

“Hoje conseguimos produzir blocos estruturais 100% feitos do resíduo têxtil da Lupo. É uma solução totalmente circular e com alto desempenho técnico, algo que não existe em nenhum outro lugar do mundo”, destaca o CEO da empresa, Alessandro Gadelha.

Loja econtainer

Seguindo o layout tradicional da Lupo, a loja de tijolos ecológicos possui cerca de 40 metros quadrados e foi construída rapidamente, segundo explica a fabricante de moda.

Após o radier ser concretado, todas as paredes foram erguidas em apenas três dias. Internamente, a estrutura recebeu pintura direta sobre o bloco, sem a instalação de gesso ou outros revestimentos, o que reduziu o uso de materiais adicionais.

A primeira loja econtainer está localizada no mini mall do Posto Arco-Íris, um espaço conhecido por abrigar operações sustentáveis em formato container.

Segundo Carolina Pirola, Gerente de Expansão e Implantação de Franquias, há a possibilidade de expandir o modelo para outros locais.

“Estamos falando de uma solução modular, sustentável e escalável. A loja de Roseira é um piloto que pode ser replicado em postos de gasolina, centros comerciais, supermercados e diversos formatos de rua. Queremos testar a aceitação do público e, a partir disso, estudar a viabilidade de levar esse conceito para outras regiões do Brasil”, comenta. Carolina, que é também arquiteta, destaca que o uso desse material otimiza o tempo de construção, reduzindo entre 30 a 50% do tempo em comparação com uma construção tradicional.

 

Foto: Divulgação/ Lupo

A marca ainda estuda métricas de impacto ambiental relacionadas à redução de resíduos, economia de água e diminuição da pegada de carbono, que devem ser mensuradas ao longo dos primeiros meses de funcionamento da loja.

Incentivo à economia circular

A loja ainda terá um espaço dedicado à conscientização ambiental do consumidor, incentivando que os clientes deixem no local as embalagens de suas compras, que serão encaminhadas a cooperativas e ONGs de Roseira, Guaratinguetá e Aparecida.

A Lupo afirma que está avaliando indicadores de desempenho da nova unidade, como fluxo de visitantes, conversão de vendas e impacto na comunidade do entorno.

Os resultados serão essenciais para definir a expansão do projeto.

“Estamos abrindo uma porta para uma nova forma de construir, pensar e operar no varejo. A Lupo econtainer nasce como um laboratório vivo e acreditamos que pode se transformar em modelo de negócios totalmente coerente e alinhado com as necessidades atuais, além de interessante do ponto de vista de negócios”, conclui Liliana Aufiero.

A iniciativa da marca, que possui 996 lojas em todo o Brasil, além de exportar para mais de 20 países, pode servir de case para todo o setor de moda, cujas práticas de circularidade ainda são ínfimas.

Um avanço neste sentido foi firmado em forma de cooperação técnica entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), durante a COP30, para mapear fluxos, volumes e práticas de destinação de resíduos têxteis e, desta forma, preencher lacunas de informação e apoiar políticas públicas baseadas em evidências.

A expectativa é que os resultados desse estudo apoiem a entrada do setor têxtil no Recircula Brasil, programa de rastreabilidade e certificação de materiais.

 

 

funverde

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