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O Dilema dos Plásticos de Origem Agrícola: Por Que Priorizar a Alimentação e o Uso Racional do Petróleo
Por Funverde – 3 de junho de 2025 – O dilema entre plásticos feitos de origem vegetal e o plástico de origem do petróleo.
Os plásticos estão por toda parte, de copos descartáveis a embalagens, mas sua origem e impacto ambiental geram debates.
Um estudo recente publicado em 2025 na Sustainable Production and Consumption, intitulado “Environmental and littering impacts of disposable cups made of polypropylene and polylactic acid in Germany“, por Christina Galafton e colegas, compara copos descartáveis feitos de polipropileno (PP), derivado do petróleo, e ácido polilático (PLA), um bioplástico de fontes agrícolas como milho e cana-de-açúcar.
Embora o PLA seja promovido como “sustentável” por ser feita a partir de produtos orgânicos e biodegradável, os resultados levantam questões críticas.
Aqui, na Funverde, acreditamos que, enquanto o petróleo ainda for necessário e gerar subprodutos para produzir plásticos, as culturas agrícolas devem ser priorizadas para alimentação de seres vivos e não para a produção de plásticos.
Veja por quê.
O Estudo: PP versus PLA
O estudo analisou os impactos ambientais de copos descartáveis de PP e PLA usando uma avaliação do ciclo de vida (LCA), considerando desde a extração de matérias-primas até o descarte, incluindo o problema do littering (descarte inadequado).
Aqui estão os pontos principais:
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Produção:
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PP: Derivado do petróleo, um recurso fóssil. Sua produção usa resíduos do refino, aproveitando subprodutos já disponíveis.
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PLA: Feito de culturas como milho e cana, exige cultivo intensivo, com uso de terra, água, fertilizantes e pesticidas, competindo com a produção de alimentos.
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Impactos Ambientais:
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Copos de PP mostraram menores impactos em categorias como eutrofização (excesso de nutrientes em corpos d’água), uso da terra, água e poluição, devido à alta demanda agrícola do PLA.
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O PLA teve vantagens em mudanças climáticas e uso de recursos fósseis em alguns cenários, mas não compensou os impactos gerais.
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Degradação e Poluição Plástica:
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No experimento, o PP degradou mais rápido na superfície do solo (7,0 μm/ano) que o PLA (0,9 μm/ano), reduzindo seu impacto como poluição plástica em alguns contextos.
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O PLA, apesar de “biodegradável”, precisa de condições industriais específicas para se decompor, e seu impacto como lixo foi maior (9,16 g PPe/unidade funcional) que o do PP (0,84 g PPe/unidade funcional) quando medidas experimentais foram usadas.
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Toxicidade:
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Compostos químicos liberados pelo PP mostraram maior toxicidade in vitro (ex.: estresse oxidativo) que os do PLA, mas ambos apresentaram riscos.
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Conclusão do Estudo:
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Não há melhoria ambiental geral ao substituir PP por PLA. Copos de PP tiveram melhor desempenho em muitos aspectos, especialmente quando reciclados ou incinerados com recuperação de energia.
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O Problema dos Plásticos de Origem Agrícola
Embora o PLA seja biobased e teoricamente compostável, sua produção desvia recursos agrícolas preciosos — terra, água e culturas como milho e cana — que poderiam alimentar pessoas e animais.
Em um mundo onde a insegurança alimentar ainda afeta milhões, usar plantações para plásticos descartáveis é questionável.
O cultivo intensivo também gera impactos ambientais sérios:
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Uso da Terra: Compete com a agricultura para alimentos, aumentando a pressão sobre ecossistemas e podendo levar ao desmatamento.
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Pesticidas e Fertilizantes: Emitem poluentes, afetando solos, águas e a biodiversidade.
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Água: A produção de PLA consome muito mais água que a do PP, agravando a escassez em algumas regiões.
Além disso, a “biodegradabilidade” do PLA é enganosa. Sem compostagem industrial, que exige temperaturas e condições específicas, o PLA persiste no ambiente, contribuindo para a poluição plástica tanto quanto o PP em cenários de littering.
O Papel do Petróleo: Uma Solução Lógica por Enquanto
O petróleo, apesar de ser um recurso fóssil e poluente, ainda é essencial para a humanidade — para combustíveis, transporte e indústrias.
Durante o refino, sobram resinas e subprodutos que são transformados em plásticos como o PP.
Descartar esses subprodutos seria um desperdício, enquanto usá-los para itens como copos descartáveis é uma solução prática.
O estudo mostra que o PP, quando bem gerenciado e reciclado, tem menor impacto ambiental em várias categorias que o PLA.
Enquanto o petróleo for extraído, aproveitar seus subprodutos para plásticos é mais lógico do que desviar culturas alimentares.
O foco deve ser:
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Reduzir: Diminuir o uso de descartáveis, incentivando reutilizáveis.
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Reciclar: Melhorar sistemas de coleta e reciclagem para o PP, que tem maior potencial de reaproveitamento.
Posição da Funverde
Na Funverde, defendemos que recursos agrícolas devem nutrir a vida — humanos, animais e ecossistemas — e não serem desviados para plásticos descartáveis.
Enquanto o petróleo for explorado, a nafta, um de seus subprodutos devem ser usados de forma responsável para atender às necessidades da sociedade, minimizando o impacto ambiental por meio de redução, reutilização e reciclagem.
Plásticos como o PLA, apesar da boa intenção, não são a solução ideal, pois competem com a alimentação e nem sempre reduzem os impactos ambientais.
Chamado à Ação
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Consumidores: Evitem descartáveis, optem por copos reutilizáveis e pressionem por melhores sistemas de reciclagem.
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Empresas: Inovem em materiais reutilizáveis e evitem bioplásticos que prejudiquem a produção de alimentos.
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Governos: Invistam em gestão de resíduos e políticas que priorizem a segurança alimentar e o uso racional dos recursos.
Juntos, podemos proteger nosso planeta e garantir que recursos agrícolas alimentem vidas, não lixões. Para mais informações, visite www.funverde.org.br.
Nota: Este artigo é baseado em dados do estudo de Galafton et al. (2025) e no bom senso ambiental, alinhado à missão da Funverde de promover sustentabilidade e preservação.
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