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Pesquisadores utilizam arnica brasileira para produção saudável de nanopartículas de prata

Por *Breno Marino – Jornal da USP – 31 de março de 2026 – Paulo Chagas comenta que a inovação reduz a produção de resíduos tóxicos e perigosos ao meio ambiente e à saúde humana. O método utiliza o extrato aquoso de uma planta para obter os resultados esperados: a arnica – Foto: IFSC-USP

As nanopartículas de prata são elementos amplamente utilizados no ramo farmacêutico para a produção de diversos produtos.

Curativos, equipamentos médicos, cosméticos e embalagens para alimentos são alguns exemplos de mercadorias que contêm a substância.

Essas nanopartículas possuem propriedades antimicrobióticas, antifúngicas e antivirais importantes.

Contudo, esses elementos podem ser tóxicos ao meio ambiente e à saúde do ser humano.

A substância pode causar morte celular e inibir microrganismos no ambiente, além de acumular e proliferar-se com facilidade.

Pensando nisso, um grupo de oito pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP e da Universidade Federal de São Carlos desenvolveu um método de síntese verde de nanopartículas de prata, a partir do uso de arnica brasileira.

Eficácia e menos toxicidade

Paulo Augusto Marques Chagas, pós-doutorando na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP e membro da equipe de pesquisadores, conta que a inovação busca encontrar uma maneira saudável de produção das nanopartículas.

“O objetivo (da inovação) é reduzir ou eliminar o uso de reagentes tóxicos ou solventes perigosos, e até mesmo ter processos com consumo energético menor. Esse tipo de estratégia é amplamente investigado para produção de nanopartículas metálicas, pois permite obter materiais com propriedades funcionais interessantes por meio de processos mais sustentáveis.”

O método utiliza o extrato aquoso de uma planta para obter os resultados esperados: a arnica.

Na síntese verde, ela atua como um agente redutor natural, transformando íons metálicos, disponíveis em uma solução, em nanopartículas.

Diferentemente de outros métodos aplicados na indústria, a inovação não utiliza reagentes tóxicos, que acabam gerando, também, resíduos com a mesma proporção de toxicidade.

Paulo Augusto Marques Chagas – Foto: LinkedIn

Aplicação no mercado

Muitas empresas ao redor do mundo produzem nanopartículas de prata, a partir de diferentes métodos.

Chagas detalha que o início da pesquisa surgiu no Laboratório de Controle Ambiental, coordenado pela professora Mônica Lopes Aguiar da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O núcleo já trabalhou com processos verdes, com a utilização de materiais reciclados, e então a busca por um novo método de síntese verde das nanopartículas surgiu internamente no grupo de pesquisas.

A descoberta está em fase final de desenvolvimento e sua aplicação no mercado já está em andamento.

“Nós já fizemos o pedido de patente desse método. Agora temos em andamento a produção de um manuscrito, de um artigo científico, em que nós utilizamos essa síntese verde para incorporar em nanofibras aplicadas à filtração de ar, criando assim um equipamento com propriedades antibacterianas”, afirma o pesquisador.

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo.

 

funverde

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