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Retrocesso histórico: O fim da moratória da soja e a ameaça à Amazônia
Por FUNVERDE – 07 de janeiro de 2026 – O lucro venceu a floresta. Em um movimento que ignora décadas de avanços ambientais, ADM, Bunge e Cargill encerram sua participação na Moratória da Soja. A FUNVERDE analisa como essa decisão compromete o futuro climático do Brasil e isola o país no mercado global.
Em um movimento que pode ser classificado como um dos maiores retrocessos ambientais das últimas duas décadas, as principais tradings de grãos do mundo — ADM, Bunge e Cargill — anunciaram o abandono da Moratória da Soja.
A decisão, reportada pelo portal Reset, marca o esvaziamento de um acordo que foi, desde 2006, o principal pilar para evitar que o cultivo de soja avançasse sobre a floresta amazônica.
O que era a Moratória da Soja?
Firmado entre o setor privado (Abiove e Anec) e organizações da sociedade civil, o pacto proibia as empresas signatárias de comprar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia após 2008.
Foi um exemplo global de sucesso, provando que é possível aumentar a produção (que cresceu mais de 300% no período) sem precisar destruir a floresta.
Por que estamos andando para trás?
A saída dessas gigantes não ocorre por falta de resultados, mas sim por pressão política e econômica, capitaneada pelo estado de Mato Grosso.
No dia 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor uma lei estadual que retira incentivos fiscais de empresas que participam de acordos ambientais voluntários que sejam mais restritivos que o Código Florestal.
Em termos simples: o governo estadual e o setor produtivo local deram um “ultimato” às empresas.
Ou elas abandonam a proteção da Amazônia, ou perdem bilhões em benefícios fiscais.
O lucro imediato venceu o compromisso com a vida e com o clima.
As Consequências do Desmonte
A FUNVERDE vê com profunda preocupação o impacto dessa decisão:
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Aumento do Desmatamento: Estudos do IPAM indicam que o fim da moratória pode elevar o desmatamento na Amazônia em até 30% nas próximas décadas. Sem o bloqueio de mercado, a floresta torna-se novamente vulnerável à especulação fundiária e à expansão agrícola desenfreada.
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Isolamento Internacional: Num momento em que o mundo exige rastreabilidade e produtos livres de desmatamento (como prevê a nova lei da União Europeia, o EUDR), o Brasil caminha na contramão. Estamos perdendo a chance de ser a potência ambiental que o século XXI exige.
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Insegurança Climática: A destruição da Amazônia afeta diretamente o ciclo de chuvas que sustenta o próprio agronegócio. É uma política “suicida”: destrói-se o bioma que garante a água para a lavoura em troca de mais alguns hectares de terra.
Um Apelo pela Floresta
Abandonar a Moratória da Soja após 20 anos de sucesso é admitir que a proteção ambiental é tratada como um “empecilho” e não como um valor fundamental.
Nós, da FUNVERDE, reforçamos que não existe progresso que justifique a destruição do nosso maior patrimônio natural.
O mercado global não aceitará passivamente a soja manchada de sangue e floresta derrubada.
O que parece uma vitória para um setor míope do agronegócio hoje, será a vergonha e a crise econômica de amanhã.
Precisamos reagir. O futuro da Amazônia não pode ser moeda de troca em balcões de incentivos fiscais.
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