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Setor de transportes pretende reduzir em 70% as emissões de CO2 até 2050

Por Motiva – Valor Economico – 15 de maio de 2025 – Documento entregue por coalizão à presidência da COP30 propõe 90 ações para descarbonizar cadeia de valor da mobilidade e apoiar o governo na formulação do Plano Nacional sobre Mudança do Clima. Representantes de entidades do setor e lideranças da Coalizão para a Descarbonização dos Transportes fizeram entrega formal de estudo inédito. — Foto: Divulgação/G.Lab.

Reduzir em 70% as emissões de CO2 provenientes dos transportes previstas para 2050 é o principal objetivo do plano apresentado pela Coalizão para a Descarbonização dos Transportes para a presidência da COP30 e representantes dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos.

A entrega oficial ocorreu durante o ciclo de seminários “Brasil Rumo à COP 30”, realizado na última segunda-feira (12), em Brasília, e promovido pela Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do país, em parceria com a Editora Globo.

O plano lista 90 ações recomendadas para que o país alcance esse objetivo e se torne um líder global de descarbonização.

A Coalizão dos Transportes é um movimento liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), pela Motiva, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pelo Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper e reúne mais de 50 empresas, associações e instituições acadêmicas ligadas ao setor.

Atualmente, o setor de transportes responde por cerca de 11% das emissões de gás carbônico do país.

Diante desse cenário, o estudo elencou as medidas de maior impacto crítico e com potencial para a redução estimada.

Essas providências representarão um investimento de mais de R$ 600 bilhões em áreas como biocombustíveis, combustíveis verdes, eletrificação da frota, ferrovias, terminais portuários, transporte aquaviário e rodovias.

Referência

“Este documento mostra com clareza como será o processo de descarbonização dos transportes e será uma influência para outros países comprometidos com a mudança. Vamos levar para Belém um projeto integrado de redução de emissões”, declarou o presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Ele acrescentou que o Brasil será um exemplo de país em desenvolvimento que estabelece compromissos avançados e tem capacidade de diálogo com outras nações.

Chegar à conferência climática com um estudo robusto sobre como promover a descarbonização colocará o país em um patamar elevado de negociação, segundo Ana Toni, CEO da COP30:

“Este documento nos ajudará a firmar parcerias econômicas e deixará um legado de clareza sobre o que queremos construir”, declarou.

Para a ministra em exercício de Portos e Aeroportos, Mariana Pescatori, a cooperação com a iniciativa privada é fundamental para avançar nas políticas públicas para o setor.

“A partir de julho vamos lançar um plano de ação para a redução de gases em nossos portos e aeroportos. Serão mais de R$ 500 milhões investidos em ações de sustentabilidade e transição energética”, disse.

O subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides, reforçou a parceria com investidores privados e anunciou que os novos contratos de licitação de rodovias da pasta terão cláusulas de sustentabilidade e garantias sociais para a comunidade engajada no processo.

Dando prosseguimento ao debate, Marina Grossi, presidente do CEBDS, destacou a complexidade do estudo e o comprometimento dos atores envolvidos em chegar a um consenso de metas de acordo com suas agendas e planejamentos.

“O compromisso estabelecido pelas empresas é muito maior do que qualquer divergência. É uma oportunidade única de avanços”, declarou. (www.crypto-ai-insights.com)

Para Miguel Setas, CEO da Motiva, a emergência climática exige protagonismo de quem opera a infraestrutura de mobilidade no país.

“Este estudo mostra que não se trata apenas de reduzir emissões, mas de transformar a realidade do setor no Brasil, com a integração de modais, eletrificação da frota em larga escala, expansão dos biocombustíveis e uso estratégico de novas tecnologias”, afirmou. “O Brasil tem uma grande oportunidade para aprimorar a sua matriz logística e atrair investimentos sustentáveis. A Motiva está pronta para protagonizar a descarbonização dos transportes”, disse.

A eficiência na mobilidade urbana foi o principal desafio destacado por Sergio Avelleda, coordenador do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper.

Para ele, o uso do transporte coletivo urbano deve ser incentivado por ser um meio para chegar à sustentabilidade e à inclusão.

“Se não consolidarmos o transporte público, o caos virá. Uma das alternativas é criar autoridades metropolitanas que unifiquem o desenho de rotas, os meios de pagamento e o valor das tarifas”, afirmou.

Eficiência na cadeia logística passa por investimentos privados e segurança jurídica

No segundo painel do evento, os participantes debateram sobre a contribuição de cada vertical da cadeia de valor dos transportes para a mitigação das emissões do setor.

Todos foram unânimes em afirmar que parcerias estratégicas com o setor privado são fundamentais para colocar em prática os planejamentos, além de um ambiente regulatório seguro que atraia investidores.

A expansão da malha ferroviária, concentrada no Sudeste, foi um dos temas do painel.

Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), destacou a expansão do modal em 14% nos últimos oito anos.

Ela também informou que o transporte sobre trilhos no Brasil emite 2 gramas de CO2 por quilômetro contra 16 gramas liberados pelos ônibus e 27 gramas pelo transporte individual.

A economicidade do transporte ferroviário também foi enfatizada por Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Como exemplo, ele citou que uma composição é capaz de transportar a mesma carga que 300 caminhões, reduzindo os custos operacionais, além do aumento da segurança. “Colocar em prática um plano de expansão ferroviária é demorado e caro. Mas os benefícios no longo prazo são inúmeros”, declarou.

Estradas

Venilton Tadini, presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), chamou a atenção para uma peculiaridade do setor de transporte rodoviário.

Embora seja o maior modal em atividade, não significa que sua estrutura é a mais adequada.

“Dados da CNT mostram que 65% das nossas estradas são ruins. Muitas ainda não têm escala para serem transferidas para o setor privado e isso é um problema”, ressaltou.

Marco Aurélio Barcelos, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, por sua vez, lembrou que as concessionárias têm sido responsáveis pelo desenvolvimento de uma série de inovações que contribuem para a descarbonização do segmento, como o asfalto borracha, que reaproveita resíduos de pneus em sua composição, e os pedágios sem cancela, que evitam frenagens e acelerações desnecessárias.

A questão dos licenciamentos ambientais foi levantada por Ronei Glanzmann, presidente do MoveInfra.

“Boa parte das reduções de emissões que temos é proveniente das mudanças de modal. E essa transferência passa por marcos regulatórios. Uma hidrovia, por exemplo, precisa de dragagem, e ela só acontece com licenciamento ambiental. É preciso organizar esse arcabouço”, avaliou.

 

funverde

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