Por FUNVERDE - 15 de julho de 2026 - Muito antes da eletricidade, já existiam reservatórios…

Um novo estudo mostra que o desmatamento e as mudanças climáticas ameaçam o futuro da amazonia
A Amazônia, o maior pulmão verde do planeta, está sob pressão.
Um estudo recente, publicado na prestigiada revista Nature Communications e financiado pela FAPESP, revela como o desmatamento e as mudanças climáticas globais estão transformando o clima da Amazônia Legal Brasileira (BLA).
Com dados de 35 anos (1985–2020), os pesquisadores mostram que a perda de floresta e o aquecimento global estão alterando drasticamente a temperatura, a chuva e os níveis de gases de efeito estufa (GEE) na região, especialmente durante a estação seca.
As consequências? Um risco crescente de desestabilização do ecossistema amazônico, com impactos que vão além da região e afetam o clima global.
O que o estudo descobriu?
- Aumento da temperatura: A temperatura máxima na estação seca subiu cerca de 2°C em 35 anos. O desmatamento contribuiu com 16,5% desse aumento (0,39°C, em média), enquanto as mudanças climáticas globais foram responsáveis por 83,5% (1,63°C). Em áreas com maior desmatamento, como o “arco do desmatamento” no sul e leste da Amazônia, o aquecimento pode chegar a 1,25°C.
- Redução da chuva: A precipitação na estação seca caiu, em média, 21 mm. O desmatamento foi o principal responsável, contribuindo com 74,5% dessa redução (15,8 mm), enquanto as mudanças climáticas globais responderam por 25,5% (5,2 mm). Em áreas altamente desmatadas, a perda de chuva pode chegar a 50,5 mm, comprometendo o ciclo hidrológico.
- Gases de efeito estufa: As concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) aumentaram significativamente, com 87 ppm e 173 ppb, respectivamente. Embora as emissões globais sejam a principal causa, o desmatamento local amplifica essas mudanças, especialmente em áreas com até 28,5% de perda florestal.
- Risco de transformação climática: Se o ritmo atual de desmatamento continuar, até 2035 a Amazônia pode enfrentar um aumento de 2,64°C na temperatura máxima e uma redução de 28,3 mm na chuva durante a estação seca. Isso pode levar o clima da região a se assemelhar ao do Cerrado ou até da Caatinga, com condições mais secas e menos florestas.
Por que isso é importante?
A Amazônia não é apenas um tesouro de biodiversidade; ela regula o clima regional e global, armazenando entre 150 e 200 bilhões de toneladas de carbono.
O desmatamento, combinado com o aquecimento global, está transformando partes da floresta de sumidouros de carbono em fontes de emissão, intensificando secas, incêndios e mudanças nos padrões de chuva.
Essas alterações afetam não só a Amazônia, mas também o clima da América do Sul, incluindo a monção sul-americana, essencial para a agricultura e o abastecimento de água.
O estudo destaca que os impactos mais severos ocorrem nos primeiros estágios de desmatamento (10–40% de perda florestal), o que torna urgente a proteção das áreas ainda preservadas.
Regiões com maior cobertura florestal, como o noroeste da Amazônia, mostram maior estabilidade climática, enquanto áreas intensamente desmatadas, como o sul e leste, sofrem com aquecimento e secas mais intensas.
O que podemos fazer?
A FUNVERDE acredita que a preservação da Amazônia é uma responsabilidade coletiva.
Este estudo reforça a necessidade de ações imediatas:
- Combater o desmatamento: Apoiar políticas públicas que fortaleçam a fiscalização e promovam o uso sustentável da terra.
- Restaurar florestas: Investir em projetos de reflorestamento para recuperar áreas degradadas e restaurar o equilíbrio do ciclo da água.
- Reduzir emissões globais: Adotar práticas sustentáveis no dia a dia, como reduzir o consumo de carne (ligada ao desmatamento para pastagens) e apoiar energias renováveis.
- Educar e engajar: Compartilhar conhecimento sobre a importância da Amazônia e mobilizar comunidades para proteger esse ecossistema vital.
O futuro da Amazônia está em nossas mãos.
Vamos nos unir na luta pela preservação da floresta Amazônica.
Cada hectare de floresta protegido é um passo para garantir a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar das futuras gerações.
Vamos agir agora para evitar que a Amazônia se transforme em um cerrado ou, pior, em um semiárido como a Caatinga.
Fonte: Estudo publicado na Nature Communications, financiado pela FAPESP.
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