Microplásticos ameaçam centenas de espécies da fauna marinha em todo o mundo

poluição por plásticosEm alguns lugares do mundo a poluição por plásticos é simplesmente catastrófica, como nesta praia em Mumbai, na Índia. Foto: UN Environment – Arquivo

Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos, um risco mortal que se soma aos outros já enfrentados por dezenas delas em perigo de extinção. A informação é da EFE.

Por menores que sejam, os microplásticos (de até cinco milímetros de diâmetro e presentes em vários produtos, como os cosméticos) representam uma ameaça para as mais de 220 espécies que os absorvem, algumas delas muito importantes no comércio mundial, como os mexilhões, as lagostas, os camarões, as sardinhas e o bacalhau.

Relatório recente da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para as consequências desses resíduos para a pesca e a aquicultura. “Ainda que nos preocupe a ingestão de microplásticos por parte das pessoas através dos frutos do mar, ainda não temos evidências científicas que confirmem os efeitos prejudiciais em animais selvagens”, explicou à Agência EFE uma das autoras do estudo, a pesquisadora Amy Lusher.

Ela acredita que ainda faltam muitos anos de estudos, dado o vazio de informação que existe sobre o assunto e as muitas inconsistências nos dados disponíveis. Para contribuir com o debate, uma revista especializada em biologia da Royal Society, de Londres, publicou recentemente um estudo que sugere que certos peixes estão predispostos a confundir o plástico com o alimento, por terem um cheiro parecido.

Matthew Savoca, líder de um trabalho realizado em colaboração com um aquário de San Francisco (Estados Unidos), explica que foram apresentadas a vários grupos de anchovas substâncias com o cheiro de resíduos plásticos recolhidos do mar e outras com o cheiro de plásticos limpos.

As anchovas reagiram ao lixo de forma similar à que fariam com o alimento, já que esses resíduos estão cobertos de material biológico, como algas, que têm cheiro de comida.

“Muitos animais marítimos dependem muito do seu olfato para encontrar comida, muito mais que os humanos”, afirmou Savoca, ressaltando que o plástico “parece enganar” os animais que o encontram no mar, sendo “muito difícil para eles ver que não é um alimento”.

A FAO lembra que os efeitos adversos dos microplásticos na fauna marinha são observados em experiências em laboratórios, normalmente com um grau de exposição a estas substâncias “muito maior” que o encontrado no ambiente.

Até então, estas partículas só apareceram no aparelho digestivo dos animais, que as pessoas “costumam retirar antes de consumir”, apontou a pesquisadora Amy Lusher.

Substâncias contaminantes

No pior dos cenários, o problema seria a presença de substâncias contaminantes e de aditivos que são acrescentados aos plásticos durante sua fabricação ou são absorvidos no mar, ainda que não se saiba muito sobre o seu impacto e o dos plásticos menores na alimentação.

Para os cientistas, é preciso estudar mais a fundo a distribuição desses resíduos a nível global, por mais que se movam de um lado a outro, e o processo de acumulação de lixo, ao qual contribuem a pesca e a aquicultura quando seus equipamentos de plástico acabam perdidos ou abandonados nos oceanos.

Em um mundo onde há cada vez mais plástico (322 milhões de toneladas produzidas em 2015), estima-se que a poluição continuará aumentando nos oceanos, onde em 2010 foram despejados entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas desse tipo de lixo.

Fontes – EFE / ABr / EcoDebate de 05 de setembro de 2017

Ar de SP mata mais que acidente de trânsito e câncer de mama

poluição no trânsito(Pawel_Czaja/Thinkstock)

Apesar de nem sempre visível a olho nu, a ameaça é real: passar pelo menos duas horas exposto ao trânsito na capital equivale a fumar um cigarro

Com certa frequência, as manchetes mundiais dão destaque à poluição atmosférica que engole as cidades chinesas, transformando o dia em noite e obrigando a população a andar com máscaras de proteção. O Estado de São Paulo também vive um “arpocalipse” particular, embora menos notório que no país asiático, o que, não raro, contribui para inobservância do poder público.

A poluição do ar foi responsável por um total de 11.200 mortes precoces no ano de 2015 – mais que o dobro das mortes provocadas por acidentes de trânsito (7867), cinco vezes mais que o câncer de mama (3620) e quase 6,5 vezes mais que a AIDS (2922). Os dados são de um estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, divulgado nesta segunda-feira, por ocasião do Dia Mundial da Poluição.

Apesar de nem sempre visível a olho nu, a ameaça é real: passar pelo menos duas horas exposto ao trânsito na capital equivale a fumar um cigarro, diz a pesquisa. Para o estudo, os pesquisadores fizeram uma releitura inédita do Relatório de Qualidade do Ar 2015 da CETESB,”Qualidade do Ar no Estado de São Paulo Sob a Visão da Saúde” segundo os padrões de qualidade de ar recomendados pelo Air Quality Guidelines, da Organização Mundial da Saúde(OMS).

Os resultados mostram que a apesar do Estado de São Paulo possuir a melhor e mais precisa rede de monitoramento ambiental de poluição do ar da América Latina, os padrões utilizados para medir a qualidade do ar estão ultrapassados.

A Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, CONAMA 03/1990, que estabelece os padrões de qualidade do ar nacionais em vigor até hoje, foi implementada há 27 anos e, portanto, não reflete os novos conhecimentos científicos sobre o tema.

Segundo o estudo, os níveis dos padrões de qualidade do ar paulistas e nacionais são superiores aos níveis críticos de atenção e emergência determinados por outros países.

“É inaceitável que um problema de saúde pública desta dimensão continue invisível”, adverte em nota o Dr. Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Ensinos Avançados da USP e um dos autores do estudo.  Junto de outros pesquisadores, ele propõe a atualização dos padrões de qualidade do ar preconizados pela OMS dentro do menor prazo possível. “Embora não altere a situação do ar, mudar o padrão permitirá entender a real situação para que possamos agir para sanar o problema”, afirma.

Mantendo-se os níveis de poluição do ar no estado como hoje, São Paulo terá 250 mil mortes precoce até 2030 e 1 milhão de internações hospitalares com dispêndio público de mais de R$ 1,5 bilhão, prevê o estudo.

As principais ameaças são as malfadadas micropartículas poluentes PM2,5. Medindo apenas 0,0025mm, elas resultam da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores ou em termelétricas, e formam, por exemplo, a fuligem preta em paredes de túneis.

Imperceptível a olho nu, o material particulado não encontra barreiras físicas, afeta o pulmão e pode causar asmas, bronquite, alergias e outras graves doenças cardiorrespiratórias.

“Com este estudo, visamos alertar sobre os riscos da nossa legislação ambiental de aceitar como seguras concentrações de poluição do ar reconhecidamente lesivas à saúde da população”, alerta em nota a Dra. Evangelina Vormittag, autora do relatório.

“Não é por falta de uma qualificada pesquisa científica e informação que isso ocorre em nosso país – o Brasil é um dos países que mais publica sobre o tema no mundo, entre os seis primeiros, entretanto, não conseguiu estabelecer políticas públicas suficientes, que venham controlar os malefícios ambientais para a saúde humana e a diminuição dos gastos públicos em saúde decorrentes”, acrescenta.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 14 de agosto de 2017

Baía de Guanabara continua poluída um ano após Olimpíada

Baía de Guanabara, no Rio de JaneiroGuanabara: foram construídas ou reformadas 7 estações de tratamento de esgoto, mas que ainda tratam volume irrisóriode esgoto (Christophe Simon/AFP Photo/AFP)

Governo fluminense contraiu um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 1,2 bilhão para colocar o projeto em prática

Em 2016, quando o Rio sediou o maior evento esportivo do mundo – a Rio 2016 – uma das expectativas era que a Baía de Guanabara ganhasse a chance de ser despoluída. Na época, o governo fluminense contraiu um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de R$ 1,2 bilhão para colocar o projeto em prática. Um ano após a Olimpíada, ambientalistas afirmam que o programa não avançou como esperado.

“Foram construídas ou reformadas sete grandes estações de tratamento de esgoto. No entanto, elas tratam hoje um volume irrisório, extremamente limitado, de esgoto”, disse o fundador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo.

Neste sábado (5), o grupo faz um ato na Praça Tiradentes, região central do Rio de Janeiro, para pedir a retomada da despoluição da baía e a conclusão dos troncos coletores e das ligações domiciliares construídas a partir de 1995.

De acordo com Ricardo, se as sete estações estivessem em pleno funcionamento, reduziriam significativamente a quantidade de dejetos lançados na baía. A estação do Caju (Alegria), por exemplo, que trata mais esgoto, não está operando com 20% da capacidade.

O grupo também pede proteção dos mananciais no lado leste da Baía de Guanabara. Alguns rios na área, como os que abastecem São Gonçalo, Niterói e Paquetá, ainda estão limpos e têm água de boa qualidade.

Sérgio Ricardo informou também que a baía perdeu cerca de 80 quilômetros quadrados de água. Com assoreamentos. Quando chove, os sedimentos são carreados pelos rios, canais e valões para dentro da baía, elevando o risco de inundações e outros acidentes ambientais, porque o fundo da região – situada entre o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Tom Jobim e o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – é cortada por uma malha de dutos.

O presidente do Instituto Rumo Náutico – Projeto Grael, Axel Grael, da família de veleadores campeões brasileiros olímpicos e mundiais de iatismo, também lamenta que a baía não tenha sido completamente despoluída. “Isso é muito frustrante, porque perdemos uma grande oportunidade. É um momento que podia ter trazido novas tecnologias, novas parcerias de investimento, uma série de benefícios para a Baía de Guanabara, que acabaram não acontecendo”, disse Grael.

Ele cita como avanço o processo de despoluição da enseada de Jurujuba, em Niterói, que constituirá a primeira parte da Baía de Guanabara que poderá ser considerada despoluída.

Programa de despoluição

A Secretaria Estadual do Ambiente informou que duas obras, integrantes do Plano de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara, estão em andamento e levarão saneamento básico a São Gonçalo e Cidade Nova.

“As obras em Alcântara e na Cidade Nova estão 48% e 41%, respectivamente, executadas. Porém, as mesmas correm o risco de serem interrompidas e serem, literalmente, desperdiçados cerca de US$ 100 milhões já investidos, caso o Tesouro Nacional não aprove o aditivo de prazo e de redução do financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de US$ 451 milhões para US$ 167 milhões”, informou a secretaria em nota.

Com as obras, 120 milhões de litros de esgoto deixarão de ser jogados na baía diariamente.

A secretaria destaca que o Instituto Estadual do Ambiente teve orçamento reduzido e só foi possível implantar e operar o sistema de 17 ecobarreiras, que custa cerca de R$ 500 mil por mês, e conseguiu retirar 8 mil toneladas de resíduos sólidos.

O órgão espera que se conseguir concluir as obras do programa de despoluição “e com o bom andamento da operação das ecobarreiras, teremos deixado um legado da olimpíada significativo, diante da crise que o estado vem enfrentando”.

Fonte – Exame de 05 de agosto de 2017

Uso desenfreado de plástico ameça oceanos e saúde humana

Sacola de plástico no marUICN estima que 2% da produção total de plásticos acaba nas águas oceânicas

Desde 1950, 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas no mundo. Cada pessoa utiliza, em média, 60 quilos do material por ano. Parte disso vai parar nos mares e entra na cadeia alimentar.

Do ponto de vista histórico, o plástico é um fenômeno muito novo. Em 1950, a produção global total do material foi de pouco mais de 2 toneladas. Em 2015, ou seja, apenas 65 anos depois, a produção foi de 448 milhões de toneladas.

Atualmente, utilizamos uma média global de aproximadamente 60 quilos de plástico por ano por pessoa. Nas regiões mais industrializadas – América do Norte, Europa Ocidental e Japão – a média é de mais de 100 quilos per capita.

Em um novo estudo, pesquisadores estimaram que cerca de 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram fabricadas a partir de petróleo bruto desde 1950. Desse total, cerca de 30% permanecem em uso – em lares, carros ou fábricas. Outros 10% foram queimados.

Isso significa que 60% da quantidade total de plástico produzido até o momento leva uma existência obscura, seja em lixões ou descartado ao acaso. Globalmente, isso significa que existem cerca de 650 quilos de lixo plástico inutilizados.

Frequentemente esse plástico descartado vai parar nos oceanos. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) estima que 2% da produção total de plásticos acaba nas águas oceânicas.

Uma vez nos mares, o plástico permanece ali por anos, já que não é biodegradável ou digerível. Normalmente, ele se fragmenta em pedaços cada vez menores. Alguns deles são engolidos por organismos marinhos, entrando em cadeias alimentares – algo prejudicial tanto para ecossistemas marinhos quanto para as pessoas que comem peixe.

“Estamos caminhando em direção a um planeta plástico”, disse o pesquisador da Universidade da Califórnia, Roland Geyer, coautor do novo estudo. Ele acrescenta que o crescimento global na produção de plásticos é “extraordinário e não dá sinais de que vá abrandar no curto prazo”.

Os pesquisadores estimam que, se as tendências atuais continuarem, até 2050 haverá cerca de 12 bilhões de toneladas de lixo plástico no mundo.

Fontes de microplásticos

Os microplásticos são partículas de plástico com um tamanho na faixa de micrômetros ou nanômetros (0.0001 a 0.0000001 centímetro). Abrasão e decomposição de resíduos plásticos no mar são fontes de microplásticos. Outra é a abrasão de plásticos em terra.

A maioria dos microplásticos é liberada por tecidos sintéticos, como fiapos. Cerca de 60% das roupas contêm fibras sintéticas, e essa proporção deverá aumentar, em parte porque as fibras sintéticas são baratas de se produzir.

Isso significa uma quantidade enorme de fiapos de plástico no mundo todo. De acordo com um estudo atual da União Europeia (UE), somente na Europa, as máquinas de lavar despejam cerca de 30 mil toneladas de fibras sintéticas no sistema de esgoto a cada ano. E algumas acabam no mar.

Tintas usadas para a marcação de rodovias e para evitar que os navios apodreçam também contribuem para o acúmulo de microplásticos nos oceanos. Pequenos pedaços de plástico desgastado de pneus e marcações rodoviárias são transportados pelo vento e pela água para córregos e riachos. Eventualmente, parte deles termina no mar.

Infografik Woher kommt das Mikroplastik in den Weltmeeren POR Infografik Woher kommt das Mikroplastik in den Weltmeeren POR

Ingestão de plástico

A menos que haja uma mudança, dentro das próximas três décadas a massa total de lixo plástico nos oceanos pode ser maior do que a de peixes. Os microplásticos são muito pequenos para serem vistos a olho nu. Mexilhões, vermes marinhos e peixes absorvem alguns desses pequenos fragmentos ao se alimentarem.

Uma vez que o plástico não pode ser digerido, ele se acumula nesses pequenos organismos, e quando predadores se alimentam deles, também ingerem o plástico. Assim como outros poluentes, os microplásticos ficam mais concentrados no topo da cadeia alimentar.

Estudos mostram que a ingestão de microplásticos pode ter efeitos adversos em vários animais marinhos. Esses efeitos incluem: chances reduzidas de reprodução; crescimento e locomoção mais lentos; bem como uma maior tendência à inflamação e maior mortalidade.

Cientistas ainda não sabem ao certo quais toxinas químicas são transferidas de plásticos para o meio ambiente ou para a carne de organismos marinhos. A pesquisa sobre os impactos ambientais e biológicos dos microplásticos marinhos continua engatinhando. O que se sabe é que uma pequena quantidade de microplástico é inevitavelmente absorvida por seres humanos quando comemos peixes ou crustáceos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) emitiu uma declaração dizendo que os microplásticos não são considerados atualmente um risco significativo para a saúde humana. Ao mesmo tempo, no entanto, reconhece que poucos dados estão disponíveis e que mais pesquisas são necessárias.

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Problema na agenda internacional

A poluição oceânica está agora na agenda internacional. No início de junho, em Nova York, a Conferência dos Oceanos da ONU tentou encorajar países-membros a apresentarem projetos e programas para proteger a saúde dos ecossistemas oceânicos.

O G20, grupo das maiores economias do mundo, também colocou a poluição oceânica em sua agenda com um plano de ação conjunta para reduzir o lixo marinho, também acordado em junho. Significaria isso que o problema está a caminho de ser resolvido?

“Se é para a Terra continuar sendo o planeta azul, temos que parar de sufocar os oceanos com lixo”, disse a ministra alemã do Meio Ambiente, Barbara Hendricks.

“A dimensão da inundação global de lixo se tornou inconcebivelmente enorme. Então, estou muito feliz com o acordo do G20 sobre um plano de ação conjunta”, comemorou. “Isso leva faz a proteção de nossos oceanos dar um grande passo adiante em termos de consciência global.”

Grupos ambientais apontaram o acordo como um bom começo. No entanto, o plano de ação do G20 não presta atenção suficiente às causas, dizem alguns.

“Os governos procuram respostas demais na reciclagem, mas deveriam ir até a raiz do problema: embalagens e produtos plásticos desnecessários não devem sequer ser produzidos”, diz Thilo Maack, biólogo marinho que trabalha para o Greenpeace na Alemanha.

Maack reconhece, contudo, que a reutilização e a reciclagem de produtos plásticos também são importantes. Na opinião dele, uma medida-chave para controlar o crescente fluxo de lixo plástico seriam instrumentos econômicos que incluem os custos ambientais no preço final.

“Se esses custos forem inseridos no preço final de produtos plásticos desde o início, o plástico será usado mais moderadamente, reutilizado e mais reciclado. E alternativas mais ecológicas [como embalagens biodegradáveis] se tornariam mais baratas em comparação”, afirma o biólogo.

Fonte – Gero Rueter, DW de 31 de de julho de 2017

Clique aqui para ler a matéria original e assistir os dois vídeos.

A cocaína chegou à Antártida (e isso é uma péssima notícia)

Pinguins na AntárcticaHostelworld.com

Uma pesquisa científica detectou a presença de cocaína, ibuprofeno, paracetamol e cafeína nas águas da Antárctida, em níveis semelhantes aos das águas europeias e de outros continentes mais povoados.

A investigação, realizada por cientistas espanhóis e argentinos, foi o primeiro estudo alguma vez realizado sobre a presença de medicamentos e de drogas ilegais naquele que é o continente menos habitado da Terra, com uma população que oscila entre os mil e os 4 mil habitantes.

Os investigadores recolheram amostras de água de riachos, de lagoas e de descargas de águas residuais sem tratar em zonas consideradas “sensíveis” devido ao turismo e à presença de bases científicas.

Eles procuravam a presença de 21 diferentes medicamentos e substâncias químicas e drogas ilegais e “12 apareceram nas análises”, salienta o jornal El País, que divulga o estudo.

“Os compostos de maior concentração são anti-inflamatórios e analgésicos que apresentam um “elevado risco” a nível meio-ambiental”, refere o artigo científico sobre o estudo publicado no jornal Environmental Pollution.

Foram também detectadas “concentrações preocupantes de antibióticos nas águas residuais de uma das bases analisadas”, refere o El País, e uma forte presença da cafeína e de efedrina, substância usada em medicamentos.

Foi igualmente detectado o principal metabolito da cocaína próximo de uma base científica e militar argentina em concentrações “semelhantes” às detectadas em rios de Espanha, Itália, Bélgica e Reino Unido.

Segundo um estudo realizado em 2013, a concentração de cocaína nos rios madrilenos, na zona com mais população do país vizinho, era “a mais alta de Espanha e da Europa”, diz o El País.

No caso da Antárctida, que tem tido um crescendo em termos de turismo, com o número de visitantes a cerscer todos os anos, “a presença humana está a introduzir contaminantes não analisados até agora que, em função da sua toxicidade, persistência e bioacumulação podem resultar em danos no ecossistema antárctico“, alerta Yolanda Valcárcel, da Universidad Rei Juan Carlos de Madrid, que é uma das co-autoras do estudo.

A cientista nota que “as concentrações de drogas são ínfimas e, em nenhum caso, supõem um perigo ambiental”, pelo menos no imediato.

Mas o estudo releva que, embora a presença das substâncias “possa dever-se ao consumo ocasional, inclusive fora da zona analisada, é aconselhável realizar um controlo contínuo devido aos potenciais riscos que pode supor para os ecossistemas aquáticos da Antárctida”.

Estas substâncias poluidoras são tanto mais potencialmente ameaçadoras quanto as “condições climáticas especiais do continente antárctico”, onde os “frios extremos” podem “atrasar ou dificultar os processos de degradação microbiana e de foto-degradação deste tipo de contaminantes”, sublinha ao El País Luís Moreno, investigador do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha e co-autor do estudo.

Fonte – ZAP de 27 de junho de 2017

Ambientes marinhos e de água doce no Brasil sofrem com poluição por microplásticos

A fotógrafa britânica Mandy Barker decidiu alertar as pessoas sobre a poluição dos oceanos utilizando microplástico e resíduos plásticos encontrados em praiasA fotógrafa britânica Mandy Barker decidiu alertar as pessoas sobre a poluição dos oceanos utilizando microplástico e resíduos plásticos encontrados em praias (Mandy Barker/Divulgação)

Além de garrafas PET, sacolas e embalagens de alimentos, entre outros objetos, os ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo têm sido contaminados com minúsculos detritos, conhecidos como microplásticos, com tamanho menor que 5 milímetros, como fibras e pequenos resíduos gerados pela fragmentação de grandes pedaços de plástico.

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus da Baixada Santista, em colaboração com colegas de outras universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, constatou que esses microplásticos também estão presentes em larga escala em praias e rios no Brasil.

Os pesquisadores também observaram que algumas espécies de peixes de água doce e de pequenos organismos marinhos ingerem frequentemente esses microplásticos, e que os contaminantes liberados por esses poluentes causam efeitos tóxicos para espécies de moluscos, como os mexilhões marrons (Perna perna).

Os resultados dos estudos, coordenados por Luiz Felipe Mendes de Gusmão com apoio da FAPESP, foram publicados nas revistas Environmental Pollution e Water Research.

“Temos observado a poluição generalizada por microplásticos tanto de ecossistemas marinhos como de ambientes de água doce”, disse  Gusmão, professor da Unifesp da Baixada Santista e coordenador das pesquisas, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, enquanto resíduos de plástico grandes, como sacolas, tampinhas e garrafas PET, são relativamente fáceis de serem vistos e retirados da areia de uma praia, os microplásticos são quase impossíveis de serem removidos por serem muito pequenos e praticamente imperceptíveis a olho nu. Por isso, tem se observado um aumento do acúmulo desse tipo de poluente em praias de todo o mundo, apontou

“Os microplásticos que entram em um ambiente de água doce são transportados, via os rios, até os oceanos. E quando chegam aos oceanos esses fragmentos de plástico são transportados por correntes marinhas e tendem a ficar em suspensão na coluna d’água ou encalharem em praias”, explicou.

Uma vez que essas partículas de plástico têm sido encontradas de forma generalizada em ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo, o pesquisador, em colaboração com colegas no Brasil e no exterior, começou a monitorar nos últimos anos a presença desses poluentes em ambientes aquáticos no país.

Os primeiros locais escolhidos foram as praias de Itaquidantuva e de Paranapuã, situadas na reserva ambiental de Xixová-Japuí, localizada entre os municípios da Praia Grande e São Vicente, na baixada santista, em São Paulo.

Durante um ano os pesquisadores coletaram semanalmente nas áreas das duas praias pellets de plástico – grânulos de plástico, com diâmetro inferior a 10 milímetros, utilizados na fabricação de produtos plásticos.

Os resultados das análises indicaram uma altíssima concentração desse tipo de microplástico. “Observamos pellets de plástico, de diferentes cores e tamanhos, se acumulando na praia de Paranapuã o ano inteiro. Em alguns momentos, as praias ficavam cheias desses microplásticos, e em outros momentos eles sumiam temporariamente em razão de fatores como a circulação oceânica, as ondas e o regime de ventos”, afirmou.

Efeitos tóxicos

De acordo com o pesquisador, algumas características que potencializam o efeito nocivo do plástico em ambientes marinhos e de água doce são que a maioria dos polímeros comuns – como o polipropileno e o poliestireno – degradam muito lentamente e são leves – o que permite serem transportados com facilidade pelas correntes oceânicas e permanecerem por muito tempo no ambiente marinho

Ao permanecerem por longo tempo no ambiente, as moléculas de contaminantes presentes em um meio aquático, como metais pesados e pesticidas, começam a aderir à superfície dos plásticos e podem atingir concentrações extremamente altas. Além disso, esses resíduos de plástico também possuem aditivos presentes na composição do material, como corantes, dispersantes e protetores contra raios ultravioleta.

Com o passar do tempo, os fragmentos de plástico tendem a liberar esses contaminantes no ambiente aquático, explicou Gusmão.

“Se os microplásticos forem ingeridos pela fauna marinha, os poluentes aderidos na sua superfície podem ser liberados no tubo digestivo do animal, o que pode causar efeitos tóxicos”, ressaltou.

A fim de avaliar a potencial toxicidade para organismos marinhos dos contaminantes liberados por microplásticos, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Santa Cecília, realizaram experimentos em que expuseram larvas de mexilhões marrons a amostras de pellets de plástico que recolheram nas praias de Itaquidantuva e de Paranapuã e também a pellets virgens.

Os resultados das análises indicaram que os contaminantes liberados pelos pellets de plástico afetaram o desenvolvimento embrionário dos moluscos.

As larvas expostas aos pellets de plástico virgens apresentaram alta taxa de mortalidade, enquanto nenhuma das larvas expostas aos pellets de plástico recolhidos das duas praias conseguiu se desenvolver.

As observações sugeriram que os contaminantes aderidos à superfície dos pellets de plástico recolhidos das praias foram os responsáveis pelos efeitos tóxicos no desenvolvimento das larvas expostas aos microplásticos, enquanto a morte das larvas expostas aos pellets virgens foi devido provavelmente aos aditivos químicos do próprio material.

“Somente a exposição aos microplásticos, sem que ingerissem, fez com que as larvas morressem”, disse Gusmão.

A poluição marítima também mobiliza a ONU Meio Ambiente que lança nesta quarta-feira (07/06), no Brasil, a campanha “Mares Limpos”, que durante cinco anos terá ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos. O evento acontece no AquaRio, no Rio de Janeiro, como parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.

No Brasil, a campanha trabalhará na mobilização de governos, parlamentares, sociedade civil e setor privado para fortalecer ações que reduzam a contribuição do país ao problema global dos plásticos que acabam nos mares. Os esforços da campanha se concentrarão em buscar uma drástica redução no uso de plásticos descartáveis e o banimento de microesferas de plástico em cosméticos e produtos de higiene, além de apoiar a elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ingestão

Os pesquisadores da Unifesp também avaliaram se pequenos organismos marinhos são capazes de ingerir microplásticos encontrados em seus habitats.

Em um estudo realizado em colaboração com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), das Universidades Federais do Rio Grande (FURG) e do Paraná (UFPR), além da University of Copenhagen, da Dinamarca, e do Instituto de Estudos Ecossistêmicos, da Itália, eles examinaram o conteúdo intestinal da meiofauna (animais que medem menos de 1 milímetro e vivem enterrados entre grãos de areia das praias) de seis praias situadas no Brasil, na Itália e nas Ilhas Canárias, na Espanha.

As análises laboratoriais revelaram que três espécies comuns de anelídeos, do gênero Saccocirrus, tinham microfibras (fibras provenientes de cordas e fios de pesca e de tecidos de roupas, entre outras) em seus intestinos, mas sem apresentar lesões físicas aparentes.

“Constatamos que mesmo organismos marinhos desse porte podem interagir com microplásticos”, disse Gusmão.

Em outro estudo, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas das Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliaram a ingestão de microplásticos por um peixe de água doce comum e muito consumido em regiões semiáridas na América do Sul: o caborja (Hoplosternum littorale).

Para realizar o estudo, eles analisaram o intestino de espécimes do peixe de um rio intermitente que passa pela cidade de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, capturadas por pescadores da região.

Os resultados das análises indicaram que 83% dos peixes tinham detritos plásticos em seus intestinos – a maior proporção relatada para uma espécie de peixe de água doce no mundo até o momento.

A maioria dos detritos plásticos (88,6%) extraídos do estômago dos peixes era microplásticos com tamanho de até 5 milímetros, e as fibras foram o tipo de microplástico mais frequente (46,6%) ingerido pelos animais.

Os pesquisadores também observaram que os peixes consumiam mais microplásticos nas regiões mais urbanizadas do rio.

“Hoje tem sido muito discutido como diminuir os impactos causados por resíduos de plásticos grandes em ambientes e organismos marinhos e de água doce, mas a poluição por microplásticos também representa um problema muito sério”, disse Gusmão.

“É preciso repensar a cadeia de produção do plástico, que é um produto importante para a sociedade, de modo a reduzir a chance dele chegar ao ambiente”, avaliou.

O artigo “Leachate from microplastics impairs larval development in brown mussels’ (doi:10.1016/j.watres.2016.10.016), de Gusmão e outros, pode ser lido por assinantes da Water Research em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0043135416307667.

O artigo “In situ ingestion of microfibres by meiofauna from sandy beaches” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.06.015) pode ser lido por assinantes da revista Environmental Pollution em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749116305036.

E o artigo “Microplastics ingestion by a common tropical freshwater fishing resource” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.11.068) pode ser lido por assinantes da mesma revista em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S026974911632396X.

Fonte – Elton Alisson, Agência FAPESP de 07 de junho de 2017

Estes picolés incríveis foram feitos com água suja dos arredores de Taiwan

Se você é do tipo de pessoas que come as coisas com os olhos e se interessa por quitutes estilosos e preparados com todo o cuidado para serem visualmente interessantes, cuidado com os picolés que você vai ver a seguir! Apesar de serem superbonitos a primeira vista, eles provavelmente mandariam as pessoas que os saboreassem diretamente para o hospital.

Isso porque, de acordo com John Horwitz, do site Quartz, eles foram preparados com a água contaminada coletada em várias partes de Taiwan e contam com ingredientes como insetos, sujeira, pedaços de plástico e lixo. Delícia! Dê só uma olhadinha nas duas apetitosas opções de “sabores” a seguir:

Apetitosos… só que não

Mas não se preocupe… Ninguém está provando os picolés, nem pensando em produzi-los em massa (para aniquilar a população). Segundo John, tudo faz parte de um projeto desenvolvido pelos estudantes Hung I-chen, Guo Yi-hui e Cheng Yu-ti, da Universidade Nacional de Artes de Taiwan, que visitaram 100 locais para coletar água suja.

Depois, o trio colocou as amostras em um freezer e, para poder preservar os picolés, revestiram os sorvetes com uma resina feita à base de poliéster. O propósito do projeto, como você já deve ter deduzido, é o de chamar a atenção sobre a poluição da água — e os picolés são perfeitos para isso, uma vez que praticamente todo mundo é fã dessas guloseimas e, portanto, atraem bastante à atenção do público. Confira mais sorvetinhos na galeria a seguir:

Ademais, apesar de serem feitos de água suja, bichos e detritos, eles são superbonitos. Assim, para os mais distraídos e desavisados, os objetos poderiam passar facilmente por picolés de verdade. No total, os estudantes criaram 100 sorvetes diferentes — e embalaram cada um deles em papéis contendo um número e um sabor cujo nome corresponde ao local onde a amostra de água foi coletada. Veja a seguir:

De acordo com John, recentemente, a coleção de sorvetes (sabor esgoto) fez parte de uma exibição de arte organizada em Taipei — e tomara que ela tenha surtido o efeito desejado no público!

Fonte – Mega Curioso de 12 de junho de 2017

A poluição plástica chegou aonde ninguém pensava que chegaria

Plásticos ameaçam vida marinha na Antártica.Plásticos ameaçam vida marinha na Antártica. (Claire Waluda/Divulgação)

O Oceano Antártico é considerado uma região selvagem, quase “intocada”, mas a ameaça plástica não encontra barreiras

A poluição marinha por detritos plásticos parece não encontrar fronteiras. Nem mesmo os lugares considerados “intocados” estão a salvo. Um novo estudo divulgado por cientistas da Universidade de Hull e do Serviço Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês) revelou níveis de poluição por microplásticos no Oceano Antártico cinco vezes maiores do que se esperaria encontrar a partir de fontes locais, como estações de pesquisa e navios.

Representando 5,4% dos oceanos do mundo, o Oceano Antártico é considerado uma região selvagem, quase prístina, em comparação com outras regiões e, por isso, os cientistas pensavam que ele estaria relativamente livre desse tipo de poluição. Os resultados, publicados na revista científica Science of the Total Environment, levantam a possibilidade de que o plástico proveniente de fora da região seja capaz de atravessar a poderosa corrente circumpolar antártica, historicamente considerada impenetrável.

Os microplásticos são partículas com menos de 5 mm de diâmetro e estão presentes em muitos itens do dia a dia como creme dental, shampoo, gel de banho e roupas feitas de tecidos sintéticos a exemplo do poliéster. Segundo a pesquisa, uma única jaqueta de poliéster pode liberar mais de 1.900 fibras por lavagem.

Emaranhado de fibras plásticas encontrado no Oceano Antártico.Emaranhado de fibras plásticas encontrado no Oceano Antártico. (Catherine Waller/Divulgação)

Em geral, esses micropoluentes chegam aos oceanos através de águas residuais. Os sistemas convencionais de tratamento de esgoto simplesmente não dão conta de removê-los por completo. Eles também podem resultar da quebra de detritos plásticos maiores que flutuam pelo oceano sujeitos a degradação por radiação ultravioleta e decomposição.

Mais da metade das estações de pesquisa na Antártica não possuem sistemas de tratamento de águas residuais, conforme o estudo. Embarcações de pesca e turismo também contribuem para o problema. Estima-se que até meia tonelada de partículas microplásticas de produtos de cuidados pessoais e até 25,5 bilhões de fibras de roupas entram no Oceano Antártico por década como resultado dessas atividades combinadas.

A poluição oceânica por plástico tem consequências danosas para os animais. Muitos podem morrer asfixiados ou por ingestão de fragmentos maiores, ao passo que as micropartículas acabam se acumulando e contaminando a cadeia alimentar marinha. Os autores do estudo alertam para a necessidade de se reforçar as legislações marítimas na região e para um maior esforço internacional no monitoramento e controle da ameaça plástica nos oceanos.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 20 de junho de 2017

Mulher processa prefeitura de Paris por danos à saúde provocados pela poluição na cidade

Foto da Torre Eiffel envolvida em nevoeiroNíveis de poluição em Paris dispararam nos últimos anos. GETTY IMAGES

Uma mulher parisiense está processando o governo francês por “danos provocados a sua saúde” pela poluição do ar e quer uma indenização de 140 mil euros (cerca de R$ 514 mil).

Clotilde Nonnez, uma professora de ioga de 56 anos, diz ter vários problemas respiratórios desenvolvidos durante os mais de 30 anos em que morou na capital francesa.

E que se tornaram mais agudos em dezembro do ano passado, quando Paris teve níveis recordes de poluição.

“Estamos responsabilizando o Estado porque acreditamos que os problemas médicos vividos pelas vítimas da poluição são resultado da falta de ação por parte das autoridades”, disse o advogado de Nonnez, François Lafforgue, ao jornal Le Monde.

Lafforgue citou estatísticas para alegar que a poluição do ar mata 48 mil pessoas por ano na França.

A iniciativa de Nonnez não é isolada. Segundo a mídia francesa, outras ações judiciais são iminentes em diferentes cidades do país, como Lyon e Lille.

Paris há anos sofre com os altos índices de poluição do ar, e as autoridades municipais têm instituído uma série de leis para tentar combater o problema. Um exemplo é a multa para carros que não apresentem um adesivo atestando que passaram em um teste de baixas emissões – o “Crit’Air”.

Diversos setores da capital francesa têm restrições ao uso de carros. Um trecho de 3 km da Margem Direita do rio Sena foi convertido em via exclusiva para pedestres.

Apesar de o ar na cidade ter quase o dobro de partículas finas em suspenso no ar (as chamadas PM2.5) do que o índice máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Paris está longe de ser a mais poluída da Europa.

Segundo dados da OMS, o ar é bem mais perigoso em cidades da Macedônia, Bósnia e Herzegovina, Polônia e Hungria. Na Europa Ocidental, cidades como Nápoles, Mônaco, Turim, Brescia e Barcelona apresentaram índices de poluição maiores que Paris neste ano.

Nonnez diz que teve uma vida saudável, inicialmente como dançarina e depois professora de ioga, mas que passou a sofrer de problemas respiratórios, da asma crônica a pneumonia. Em dezembro, ela diz ter sofrido um ataque de pericardite – inflamação da membrana que envolve o coração.

“A médica que cuidou de mim disse que o ar de Paris está tão poluído que está apodrecido. Ela tem outros pacientes no meu estado, incluindo crianças e bebês. Meu cardiologista diz o mesmo”, explicou ela ao site de notícias France Info.

No Reino Unido, um grupo de asmáticos vivendo em Londres procurou advogados e, segundo o jornal Guardian, prepara uma grande ação judicial para pedir indenizações. Segundo estatísticas oficiais, 23 dos 28 países da União Europeia têm índices de contaminação do ar acima do limite.

Fonte – BBC Brasil de 09 de junho de 2017

E começou… Quem sabe assim os governos tomem providências efetivas contra a poluição. Diesel S10 menos poluente, transporte público elétrico, rodízio, pedágio no centro das cidades, ciclovias, ciclovias, ciclovias…

Embalagens de takeaway de esferovite proibidas em ilha do Havai

embalagem de esferovite polui jardimFoto: C. K. Koay

O Condado de Maui, no Havai, proibiu a venda e utilização de embalagens e copos de esferovite para o café e comida takeaway em todo o condado.

O Conselho do Condado de Maui, no Havai, aprovou uma proposta de lei que proíbe a venda e a utilização de embalagens e copos de esferovite para bebidas e comida takeaway.

A proibição entrará em vigor no dia 31 de dezembro de 2018 e está, atualmente, à espera da assinatura do presidente Alan Arakawa, que se encontra no Japão. As multas por incumprimento podem chegar aos 900€ por dia.

Robert Carrol, um dos membros do Conselho que votou a favor da medida, declarou que os impactos ambientais da espuma de poliestireno, ou esferovite, “são inegáveis”.

As caixas térmicas, placas e flocos de esferovite, usados para proteger e acondicionar produtos embalados, assim como o plástico e o poliestireno sólido não estão incluídos na proibição. Os artigos do talho e da peixaria também poderão continuar a ser vendidos em embalagens de esferovite.

Fonte – The UniPlanet de 01 de junho de 2017