3/4 dos paulistanos querem limitar circulação de veículos para diminuir poluição

Projeto de Lei 300/2017 prevê a retomada da inspeção veicular na cidade no fim de 2018Inspeção veicular está suspensa na capital paulista há 5 anos Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Entre os que desejam restringir automóveis, a inspeção veicular ambiental é a apontada como a medida que mais ajudaria a diminuir a poluição da cidade

Pouco mais de 3/4 dos moradores de São Paulo – ou 76% – são favoráveis à adoção de medidas que limitam a circulação de veículos para diminuir a poluição na capital. O resultado integra pesquisa da Rede Nossa São Paulo e do IBOPE Inteligência que será divulgada nesta quarta-feira, 13, sobre a relação da cidade com o meio ambiente.

Em 2016, 64% dos paulistanos diziam já ter tido problemas de saúde por causa da poluição do ar na cidade, segundo pesquisa de mobilidade urbana divulgada no Dia Mundial Sem Carro daquele ano.

Entre os que desejam restringir a circulação, a inspeção veicular ambiental é a apontada como a medida que mais ajudaria a diminuir a poluição da cidade. Esse número é maior entre as mulheres entrevistadas e aumenta quanto maior a escolaridade e a renda.

Suspensa desde 2013 na capital paulista, a inspeção verificava os níveis de gases, poluentes e ruídos dos automóveis. A medida obrigava os automóveis a passarem por vistoria anual, na qual técnicos avaliavam a quantidade de poluentes que saíam dos escapamentos. Se estivessem acima do limite, o veículo era reprovado. Caso fosse aprovado, seguiria para o licenciamento.

Um projeto de lei aprovado na Câmara em dezembro do ano passado previa o retorno da inspeção veicular na capital, mas o então prefeito João Doria (PSDB) foi vetado. O motivo é que outros municípios vizinhos não têm legislação semelhante.

“Não adianta você fazer na frota da cidade de São Paulo e não fazer nas demais cidades no entorno. Cria um ônus, uma dificuldade, mas aí quem mora em Osasco, Cotia, São Bernardo, Santo André, Ribeiro Pires, não faz. Não pode. tem que valer para todos”, disse Doria na ocasião.

Restrição

Das iniciativas apresentadas aos entrevistados na pesquisa da Rede Nossa São Paulo, a limitação da circulação de veículos em algumas ruas e avenidas do centro expandido é a segunda medida que os paulistanos atribuem à melhoria da redução de poluentes.

Na ordem, a terceira e a quarta medida seriam a ampliação da área do rodízio considerando o centro expandido e também as ruas de bairros e periferias, e a cobrança de pedágio urbano – uma taxa para entrar e circular de carro no centro expandido.

Coleta seletiva. A pesquisa revela ainda que, embora a maioria dos paulistanos afirme separar os materiais recicláveis dos não-recicláveis em casa, quatro em cada 10 paulistanos não mantêm este hábito.  Segundo o estudo, o perfil dos entrevistados que declaram fazer a separação dos materiais recicláveis em casa aumenta é de pessoas mais velhas, mais instruídas e mais ricas.

Entre os moradores de São Paulo, 57% separam e 42% não cultivam a prática. Apesar disso, os dados mostram que a média paulistana está acima da brasileira. Pesquisa do IBOPE/Ambev realizada em maio deste ano aponta que 39% dos brasileiros não separam material orgânico do reciclável.

Parques.

De acordo com o levantamento, quase a metade dos paulistanos avalia negativamente a preservação e manutenção das praças e parques de São Paulo: para 48%, o cuidado é ruim ou péssimo.

O criticismo aumenta quanto maior é a idade e a escolaridade dos entrevistados. Os moradores da região Oeste são mais críticos em relação à preservação e manutenção de parques e praças da cidade. Mais da metade deles (52%) avaliam como péssima ou ruim a gestão de praças e parques.

Entre os que avaliam a preservação e a manutenção dos parques e das praças da cidade como “regular”, destaca-se o perfil de jovens de 16 a 24 anos com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos.

O levantamento da Rede Nossa São Paulo foi feito com 800 pessoas de todas as cinco regiões da capital entre os dias 5 e 22 de abril deste ano. O levantamento faz parte da série Viver em São Paulo, iniciada este ano. Todo mês, a Rede Nossa São Paulo tem divulgado dados sobre a percepção dos paulistanos em relação a temas como diversidade sexual e cultura.

Fonte – Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo de 13 de junho de 2018

Nove pessoas em cada 10 respiram ar poluído

Cerca de 7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a poluição do ar.

OMS destaca que cerca de 7 milhões de pessoas morrem todos os anos por respirar poluentes; em algumas cidades europeias, níveis de poluição chegam a reduzir esperança média de vida em dois anos.

Nove pessoas em cada 10 respiram ar poluído, anunciou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde, OMS. A agência da ONU calcula que 7 milhões de pessoas morram todos os anos devido à poluição do ar no ambiente ou dentro das casas.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que “a poluição do ar ameaça toda a gente, mas são os mais pobres e marginalizados que carregam o maior fardo. ” Segundo ele, “se não forem tomadas ações urgentes, nunca será possível alcançar o desenvolvimento sustentável. ”

Mortes

A exposição a partículas poluentes causa vários problemas de saúde, como doenças cardíacas, cancro dos pulmões ou infeções respiratórias.

Em 2016, 4,2 milhões de pessoas morreram devido à poluição do ar ambiental. A poluição dentro de casa causou outras 3,8 milhões de mortes. Mais de 90% destes casos acontecem em países em desenvolvimento, sobretudo na Ásia e África.

Este tipo de poluição causa várias doenças não comunicáveis. Segundo a OMS, é responsável por 24% de todas as mortes por doença cardíaca em adultos, 25% de todos os acidentes cardiovasculares, 43% das vítimas de doença pulmonar obstrutiva crónica e 29% de cancro pulmonar.

Regiões

A nível regional, os piores locais do planeta são o Mediterrâneo oriental e o Sudoeste Asiático, onde os níveis ultrapassam cinco vezes as recomendações da OMS. Seguem-se algumas cidades de África e do Pacífico ocidental.

Em algumas cidades de países europeus desenvolvidos, a poluição do ar baixa a expectativa média de vida entre dois a 24 meses, dependendo dos níveis.

Cairo, no Egito, fica numa das regiões onde os níveis de poluentes são mais altos.

Lares

Cerca de 3 bilhões de pessoas, mais de 40% da população mundial, não têm acesso a formas seguras de cozinhar e aquecer as suas casas.

O diretor da OMS considerou “inaceitável que mais de 3 biliões de pessoas, a maioria mulheres e crianças, ainda respirem fumo mortal todos os dias, devido a usarem fornos e combustíveis poluentes nas suas casas. ”

A recolha de dados sobre qualidade do ar dentro de casas começou há cerca de uma década. Apesar do acesso a tecnologias e combustíveis limpos terem aumentado, a agência da ONU diz que “esse aumento não acompanha o crescimento da população em muitas partes do mundo. ”

Ação

A OMS reúne informação de 4,3 mil cidades, de 108 países. Desde 2016, mais de mil cidades juntaram-se a esta base de dados. Segundo a agência da ONU, isto significa que “mais países estão a medir e a tomar iniciativas para reduzir a poluição do ar do que antes. ”

A diretora do Departamento de Saúde Pública, Ambiental e Determinantes Sociais da Saúde da OMS, Maria Neira, disse que “a maior parte deste aumento aconteceu em países desenvolvidos, mas espera-se um aumento dos esforços de monitorização em todo o mundo. ”

Campanha

Esta quarta-feira, a OMS também lançou uma nova campanha. A iniciativa chamada “BreatheLife”, respire vida em português, é feita em conjunto com a ONU Ambiente.

A campanha inclui uma série de desafios, que serão lançados todos os meses. O primeiro desafio chama-se “Marathon a Month”, e pede que as pessoas deixem o carro em casa e usem transportes alternativos durante 42 Km no período de um mês.

Fonte – Alexandre Soares, ONU News de 02 de maio de 2018

Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz ONU

Na imagem, poluição atmosférica na cidade de São Paulo. Foto: Flickr/Thomas Hobbs (cc)Na imagem, poluição atmosférica na cidade de São Paulo. Foto: Flickr/Thomas Hobbs (cc)

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional.

A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.

Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.

A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.

Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.

Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.

O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”

Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.

Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

Fonte – ONU Brasil de 23 de abril de 2018

Mais de 95% da população mundial respira ar poluído

Os pesquisadores usaram dados de satélite e sistemas de monitoramento de ar de todo o mundo

Um novo estudo mostrou que quase toda a população mundial está inalando ar que excede os níveis de poluição considerados seguros pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E adivinhem? São os países em desenvolvimento os maiores prejudicados, segundo a pesquisa.

O relatório State of Global Air Report, de 2018, é resultado do trabalho da organização sem fins lucrativos Health Effect Institute, com sede nos Estados Unidos. Para reunir os dados, os pesquisadores usaram dados de satélite e sistemas de monitoramento de ar de todo o mundo. O documento destaca a densidade do ar poluído ao ar livre, tendo como foco o material particulado de ar menor ou igual a 2,5 micrômetros de diâmetro. A exposição a esse material contribuiu para 4,1 milhões de mortes em 2016.  Hoje a poluição já é considerada a sexta maior causa de morte no mundo.

China e Índia

De todos os países, apenas China e Índia respondem por cerca de 51% das mortes causadas pela poluição do ar. Entretanto, ambos estão fazendo mudanças para reverter este quadro, como ressaltou o vice-presidente do instituto, Bob O’Keefe, ao The Guardian.

“A China parece estar agora se movimentando agressivamente, por exemplo, no corte de carvão e em controles mais fortes”.

Brasil

No Brasil, um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo para o Instituto Saúde e Cidadania mostra que a poluição atmosférica será a causa de 250 mil mortes nos próximos 15 anos, 25% delas somente na cidade de São Paulo. A concentração de material particulado no ar é proveniente em 90% de veículos motorizados e vai levar um milhão de pessoas a se hospitalizarem, causando gastos públicos na casa de R$ 1,5 bilhão.

No Rio de Janeiro, os números são igualmente ruins. A mortalidade atribuída à poluição do ar no período entre 2006 e 2012 ficou em 31.194 mortes. Já as internações alcançaram 65.102 na rede pública de saúde. Como resultado, houve um gasto público na ordem de R$ 82 milhões em internações que poderiam ter sido evitadas caso os níveis de poluição não fosse tão altos.

E o que fazer?

A própria OMS destaca o fato de que são necessárias medidas integradas em todos os níveis de governo, do local ao nacional, além de definições e acordos no âmbito internacional. Cortar as emissões do transporte urbano, por exemplo, vai envolver prefeitos, planejadores locais e políticas nacionais trabalhando coordenadamente para investir em fontes de energia renováveis e que ao mesmo tempo tenham baixa emissão de poluentes.

O relatório completo, em inglês, pode ser conferido aqui.

Fonte – CicloVivo de 20 de abril de 2018

 

Navios descartam lixo no mar, todos eles!

Navios descartam lixo no mar, imagem de navio da MSC com mancha de poluição

Navios descartam lixo no mar: mercantes, petroleiros, de guerra e de cruzeiro. Todos descartam lixo no mar

Desde 1967 frequento o mar. Quando pequeno saía com meu pai, pescador esportivo, pelo litoral de Santos, até Vitória, no Espírito Santo. Cresci, comprei meu barco e não parei mais. De lá para cá fiz três viagens pela costa brasileira, da fronteira norte até a sul. Somando todas, foram quase seis anos subindo e descendo o litoral. Flagrando  muitos absurdos que cometemos, as belezas naturais destruídas, e os mais diversos ecossistemas marinhos quase sempre desconhecidos e desrespeitados. Até um petroleiro lavando seus tanques em plena baía de Guanabara eu já vi. Navios descartam lixo no mar, esse é o comentário de hoje.

O que tenho visto nestas viagens me impressionou de tal forma que passei a fazê-las de modo profissional. Abri este site, contatei canais de televisão e passei a fazer documentários para mostrar o descalabro e procurar contribuir distribuindo informação, alertando, chamando a atenção.

A frota mundial é de 100.000 mil navios. E navios descartam lixo no mar

Já pensou? Cem mil navios cruzando os mares dia e noite sem parar. Parece pouco se comparado à frota de automóveis calculada em um bilhão de unidades. Você já parou para pensar na poluição causada por estes monstros de ferro? Fique sabendo que a emissão de CO2 de um grande navio equivale a mais de 83 mil automóveis. Cem mil navios, vezes 83 mil automóveis, é igual a 830 milhões. Quase igual à frota mundial de automóveis. Certo? A conta não é tão fácil assim. Os cem mil navios poluem muito mais. Sabe por quê? Porque o combustível dos automóveis é refinado, o dos navios, não.

Os 15 maiores navios do mundo poluem mais que toda a frota automobilística mundial. Sim, ou não?

O site Quora- ‘the best answer to any question‘, respondendo a pergunta acima, procurou o engenheiro formado na Guarda-Costeira norte americana, Josiah Toepfer, que disse:

“Os grande navios queimam óleo pesado, combustível que não é muito refinado, tem alto teor de enxofre e produz uma grande quantidade de óxido de enxofre e compostos de óxido de azoto quando é queimado. Automóveis queimam uma gasolina altamente refinada que quase não produzem enxofre, e  óxidos de nitrogênio.”

Todos soltando CO2 na atmosfera. Não é por outro motivo que conseguimos a façanha de mudar o pH dos oceanos. Antes alcalino, agora menos; mais ácido a ponto de matar corais. Mas, e o lixo destes navios, para onde vai? Navios descartam lixo no mar. Não tenha a menor dúvida. Posso afirmar que 95%  deles descartam lixo nos mares. Mercantes, de passageiros, petroleiros, ou os de guerra. A única exceção que conheço é a marinha de guerra dos Estados Unidos.

Sim!

Sabemos agora que a frota mundial de navios polui mais que a de automóveis. Mas  tem mais: navios carregam água de lastro, um problema gigantesco pela introdução de espécies exóticas. Não há país do mundo sem gravíssimos problemas gerados pelo descarte errado de água de lastro. Em nosso litoral temos centenas de problemas. O mais notório, e pior, é o mexilhão- dourado, descartado por água de lastro no rio da Prata. Ele já tomou as mais importantes bacias hidrográficas brasileiras.

Navios descartam lixo no mar

Sylvia Earle, a primeira Heroína do Planeta, e maior referência mundial na questão dos oceanos, informa em seu livro The World is Blue, minha bíblia de cabeceira que todos os interessados deveriam ler, que um reporte da Academia Nacional de Ciências publicado na década de 90 indica que…

“…seis bilhões de quilos de lixo são deliberadamente descartados nos oceanos todos os anos, a maioria vem de navios mercantes, mas não só deles, de todos os navios que cortam os mares. Mas além disso, outros 450 milhões de quilos de lixo vêm de barcos de pesca…”

Até 1990 navios de guerra dos USA eram autorizados a descartar seu lixo no mar!

Sylvia ressalta (The World Is Blue, pag. 109) que “até 1990 todo o lixo de navios de guerra dos USA eram (eles tinham permissão) descartados no mar”. E informa: “mais de 450 quilos por dia, por navio”! Segundo o wikipedia a marinha de guerra dos USA “é considerada a maior e mais poderosa do mundo, com a sua frota de batalha sendo maior do que as seguintes treze maiores marinhas combinadas. Opera 286 navios em serviço ativo”. 286 x 450 Kg =  128.700 Kg de lixo ao dia!

E as marinhas de guerra dos outros países, onde descartam seu lixo? Navios descartam lixo no mar…

Você tem dúvidas? Eu, não.  Se o país mais poderoso do mundo dava permissão para  isto até 1990, imagine os outros, menos ricos…Eu vi! Estive na Antártica várias vezes. Na última fui a bordo do Navio de Socorro a Submarinos, Felinto Perry, da Marinha do Brasil. E gravei imagens dos marinheiros jogando sacos de plástico, cheios de lixo, no mar que banha o continente dedicado à pesquisa! O continente ‘sagrado’, o único que ‘escapou das pegadas’ produzidas pela humanidade…

Cruzeiros turísticos, setor do turismo que mais cresce no mundo. E mesmo assim os navios descartam lixo no mar

É aqui que eu queria chegar. Este setor cresce a cada ano e anualmente aumentam os cruzeiros na “paradisíaca” costa brasileira como muitos incautos gostam de chamar  nossa maltratada, e não fiscalizada, zona costeira. Estes navios descartam seu lixo no mar, mesmo em Parques Nacionais Marinhos como este site já cansou de denunciar. Tenho certeza que todas as companhias de cruzeiro fazem isso, mas não tenho provas contra todas. Com algumas, sim. Tenho como provar. Vamos a elas:

Navio de passageiros é flagrado jogando lixo no mar brasileiro

Matéria de 23 de dezembro de 2013. “O passageiro Sérgio da Silva Oliveira, filmou funcionários do navio da MSC jogando diversos sacos de lixo em alto mar e denunciou a empresa para o Ministério Público. Como se trata de uma empresa estrangeira, o promotor vai encaminhar o caso aos órgãos responsáveis”.

O lixo da MSC e as vítimas de cruzeiros: violência sexual, tráfico de drogas e contaminação

De 5 de fevereiro de 2014: “A TV Senado, no dia 17 último, apresentou, no programa Diplomacia, uma reportagem de 14 minutos sobre os problemas cada vez mais comuns, maiores e perigosos dos cruzeiros marítimos que “cortam” a costa brasileira”….”Números apresentados no programa, de acordo com a Organização das Vítimas de Cruzeiros (OVC), dão conta que, de 1998 a 2012, foram contabilizadas 1.429 pessoas vítimas de violência sexual  dentro desses transatlânticos, 171 desapareceram no mar e 50 mil apresentaram algum tipo de contaminação”…”a periculosidade e a insalubridade de alguns cruzeiros voltaram ao destaque jornalístico, no início deste ano, por conta de denúncia filmada de um passageiro do navio MSC Cruzeiros, onde mostra o descarte, criminoso. Navios descartam lixo no mar brasileiro”…

Assista ao vídeo sobre descarte de lixo no litoral brasileiro

Mais um navio-porcalhão?

22 de fevereiro de 2014. “Neste sábado, 22 de fevereiro, o Estadão trouxe a matéria: “Búzios fecha praia após contaminação no mar“. Ela conta que “pelo menos 60 pessoas apresentaram sintomas de intoxicação após frequentar a Praia da Tartaruga, em Búzios, na Região dos Lagos …”A água tinha uma mancha de um produto químico ainda desconhecido. A suspeita é de que um navio tenha despejado na água uma substância para diminuir o mau cheiro de banheiros químicos”…

Navios descartam lixo no mar, imagem de navio da MSC com mancha de poluiçãoEis a prova do navio porcalhão da MSC
Pode parecer coisa pequena mas não é. Neste verão Búzios deve receber 136 navios, de acordo com o site da prefeitura . Portanto, olho vivo! Atualmente o Brasil é o quinto país mais procurado para cruzeiros de passageiros.Indícios de novo descarte dos navios, desta vez o MSC Preziosa26 de fevereiro de 2014: Navios descartam lixo no mar.  A matéria dizia…” mais uma vez o blogueiro Dener Giovanni sai na frente e publica a denúncia. Cumprindo as regras do bom jornalismo Dener  ouviu o “outro lado”. Entrou em contato com a assessoria da MSC e recebeu esta mensagem de Renata Asprino- diretora de atendimento da Máquina RP:

“É possível que seja lodo, algas, plantas e outras coisas presentes no fundo do mar. Este tipo de mancha é comum quando os grandes navios passam em áreas mais rasas, fazendo com que o que está no solo suba até a superfície. Acredito que seja isso que a passageira filmou, já que passa a impressão de sujeira e na verdade é de materiais do próprio fundo do mar.”

É possível que seja lodo…sei, não. Veja a denúncia de Dener, link acima, e ouça a entrevista gravada com a passageira Vanessa. Ela conta detalhadamente como foi o descarte de lixo.

Navio porcalhão, aqueles navios que descartam lixo no mar, é da MSC

8 de janeiro de 2014: Inconformado com a falta de uma resposta clara às denúncias de Dener Giovanni, o Mar Sem Fim entrou em contato com a MSC exigindo um esclarecimento. Recebemos esta resposta: “Oi KK, Realmente, podemos ter problemas. Este denunciante do Paraná não sossegará enquanto não obter bons espaços com esta história de resíduos no mar. A Companhia foi acionada juridicamente, pelo MP no Paraná? Quanto ao Dener, hum..ele é blogueiro mesmo, de Santa Catarina, e mantém o espaço dele atualizado no portal do Estadão. Também tem site bem organizado. Ou seja, está então bastante interessado no tema/notícia. A imprensa, neste momento de retorno de réveillon (sic) está meio carente de assuntos, ainda.”

Note o deboche: “Oi KK… A imprensa, neste momento de retorno de réveillon (sic) está meio carente de assuntos, ainda.” Deboche, ou não?

Des- ‘Armonia’ no mar do Brasil. A campanha contra a MSC continua!

9 de janeiro de 2014: “Mais um internauta confirma a ação criminosa da MSC e navios descartam lixo no mar brasileiro.  O internauta Mário conta sobre a viagem a bordo do “Armonia”, da MSC, em 2008, quando flagrou o descarte de lixo entre Ilha Grande e Ilhabela. Mário disse o seguinte:

“Engraçado, no verão de 2008 eu já havia presenciado isso. Indignado, escrevi para diversos meios de comunicação, mandei fotos que tirei na popa do navio com o lixo sendo despejado entre as ilhas Grande e Ilhabela, fui procurado por vários jornalistas, mas ninguém publicou nada!”

Mais críticas e reclamações contra a MSC, dona do “Navio-Porcalhão

27 de janeiro de 2014: Nesta matéria do Mar Sem Fim dizíamos que…”Hoje recebi nova denúncia contra a MSC sobre um cruzeiro que aconteceu em 2011, de Santos para Buenos Aires, quando o MSC Ópera bateu no pier do porto de Buenos Aires. Mais uma vez a MSC não deu satisfação aos passageiros.

“Reportagem feita pela rede Record de Santos sobre o Navio Cruzeiro MSC Ópera quando saía do Porto de Buenos Aires – AR e chocou com o pier (deck) – indignação dos passageiros e tripulantes, pois a empresa sequer nos manteve informados, sendo que ficamos parados por mais de 8 horas em alto mar para reparos, o que ocasionou a não ida a Punta del Leste. Sem contar que chegamos atrasados em BA. As. e ficamos apenas 1 dia o que era para ser dois. O que mais impressiona é o descaso da companhia junto aos seus passageiros.

Assista à reportagem

É assim que a MSC trata, ou melhor destrata, seus consumidores.

MSC Cruzeiros: a porcalhona!

4 de abril de 2014: Neste post do Mar Sem Fim alertávamos que…’Agora aconteceu coisa pior: a empresa MSC Cruzeiros é acusada de manter trabalhadores em regime escravo!!’ A matéria saiu pelo G1 BA…

“Procuradores e auditores fiscais do trabalho resgataram 11 funcionários da MSC Crociere, empresa que explora cruzeiros marítimos, que estavam em condições de trabalho análogo ao de escravos, no Porto de Salvador. Eles estavam a bordo do navio MSC Magnifica…De acordo com o Ministério Público do Trabalho na Bahia, os funcionários trabalhavam por 11 horas diárias, além de sofrer assédio moral e sexual, dentre outras irregularidades identificadas, como humilhações e cobranças excessivas…A investigação, iniciada no Porto de Santos, litoral de São Paulo, já havia colhido alguns depoimentos que revelavam a situação análoga à de escravo que sofriam no navio…Trabalhadores foram resgatados do navio MSC Magnifica”

Navios descartam lixo no mar,imagem de policiais retirando trabalhadores escravos do navio MSC MagníficaPoliciais retirando trabalhadores escravos do navio MSC Magnífica. Foto: Rogério Paiva/Divulgação)
Preste muita atenção ao escolher sua viagem a bordo de navio de cruzeiro. Por que navios descartam lixo no marAs companhias que vêm ao Brasil já deram inúmeras provas de descaso. Então, está em suas mãos. Como o blogueiro Dener Giovanni fechou sua matéria…fecharemos a nossa. Com duas imagens. Preste atenção.

Navios descartam lixo no mar, imagem de navios da MSCUm sonho idílico pode acabar muito mal…Navios descartam lixo no mar. Veja a foto seguinte.

Navios descartam lixo no mar, imagem de animal morto na praiaAnimal morto na praia por poluição…já que navios descartam lixo no mar
Navios da MSC descartam lixo no mar, mas ela não é a única
rincess Cruises, o Caribean Princess foi repreendido.

Navio porcalhão: Caribean Princess paga multa.

Fonte – João Lara Mesquita, Mar de Fim de 13 de abril de 2018

Banco francês defende taxa sobre investimentos que gerem poluição

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Risco climático é agora visto como um fator determinante para a estabilidade financeira dos bancos centrais e reguladores em todo o mundo

O presidente do Banco Central da França, François Villeroy de Galhau, defendeu que projetos de carvão e petróleo e gás tenham um “fator de penalização marrom”. Isso aumentaria seu custo de acesso ao financiamento.  A proposta foi apresentada na primeira Conferência Internacional sobre Riscos Climáticos para Supervisores Financeiros. O evento reuniu representantes de mais de 30 países e de mais de 50 organizações para discutir como os riscos relacionados ao clima e ao meio ambiente podem afetar as instituições financeiras e, portanto, o mandato dos supervisores financeiros.

A conferência mostrou que o risco climático é agora visto como um fator determinante para a estabilidade financeira dos bancos centrais e reguladores em todo o mundo. Em seu discurso, Galhau também defendeu que o desenvolvimento de testes de estresse de carbono voltados para o futuro, tanto para as companhias de seguros quanto para os bancos, contemple um horizonte de tempo mais longo que o usual.  O Banque de France comprometeu-se a melhorar a contribuição dos seus fundos próprios e das pastas de pensões para a transição ambiental. Além de prometer que apresentará relatórios anuais sobre o progresso realizado.

Grandes bancos, grandes mudanças

Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra, destacou a “transição de pensamento” entre as instituições financeiras sobre risco climático, com instituições financeiras que gerenciam US $ 80 trilhões de ativos apoiando publicamente a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD), incluindo 20 bancos globalmente sistêmicos, 8 de os 10 principais gestores globais de ativos, os principais fundos de pensão e seguradoras do mundo, o maior fundo soberano e as duas empresas dominantes de serviços de consultoria aos acionistas.  Ele também afirmou que o Banco da Inglaterra publicará os resultados completos de uma pesquisa sobre os riscos financeiros enfrentados pelo sistema bancário do Reino Unido a partir da mudança climática “nos próximos meses”.

Bolha de carbono

O encontro aconteceu na mesma semana em que um novo estudo da ONG Oil Change International alertou sobre os riscos da “bolha de carbono”, que pode estar sendo amplificada pelo fato de que a Agência Internacional de Energia (AIE) não está conseguindo prever com precisão a rápida expansão do setor de renováveis. “Qualquer governo ou instituição financeira que use esses cenários como base para investimentos em petróleo e gás está recebendo informações ruins”, alerta Greg Muttitt, diretor de pesquisas da Oil Change International.

Realizada em Amsterdam, na Holanda, a conferência foi organizada pelo DNB (banco holandês), o Banque de France / ACPR e o Banco da Inglaterra, sob a égide dos Bancos Centrais e da Rede de Supervisores para o Esverdeamento do Sistema Financeiro (NGFS).

Fonte – CicloVivo de 11 de abril de 2018

Estudo revela a contribuição de produtos de limpeza, tintas, pesticidas e perfumes na poluição atmosférica urbana

Los Angeles, Griffith Observatory e poluição do ar. Um novo estudo informa que as emissões de produtos domésticos e industriais comuns, incluindo perfumes, pesticidas e tintas, agora enfrentam as emissões dos veículos motorizados como a principal fonte de poluição do ar urbano. Foto: Wikimedia / David Iliff , CC-by-SA 3.0Los Angeles, Griffith Observatory e poluição do ar. Um novo estudo informa que as emissões de produtos domésticos e industriais comuns, incluindo perfumes, pesticidas e tintas, agora enfrentam as emissões dos veículos motorizados como a principal fonte de poluição do ar urbano. Foto: Wikimedia / David Iliff , CC-by-SA 3.0

Produtos químicos que contêm compostos refinados de petróleo, como produtos de limpeza domésticos, pesticidas, tintas e perfumes, agora são as principais emissões relacionadas com veículos motorizados como a principal fonte de poluição atmosférica urbana, de acordo com um surpreendente estudo liderado pela NOAA.

As pessoas usam muito mais combustível do que com compostos à base de petróleo em produtos químicos – cerca de 15 vezes mais por peso, de acordo com a nova avaliação. Mesmo assim, loções, tintas e outros produtos contribuem tanto quanto à poluição do ar como o setor de transporte, disse o autor principal Brian McDonald, cientista do CIRES que trabalha na Divisão de Ciências Químicas da NOAA.

No caso de um tipo de poluição – pequenas partículas que podem danificar os pulmões das pessoas – as emissões formadoras de partículas de produtos químicos são cerca de duas vezes mais elevadas que as do setor de transporte, descobriu sua equipe. McDonald e colegas da NOAA e várias outras instituições relataram seus resultados hoje na revista Science .

“À medida que o transporte fica mais limpo, essas outras fontes tornam-se cada vez mais importantes”, disse McDonald. “O material que usamos em nossas vidas cotidianas pode afetar a poluição do ar”.

Para a nova avaliação, os cientistas se concentraram em compostos orgânicos voláteis ou COVs. Os COVs podem entrar na atmosfera e reagem para produzir tanto ozônio como partículas, ambos dos quais estão regulamentados nos Estados Unidos e em muitos outros países por causa de impactos na saúde, incluindo danos nos pulmões.

Aqueles de nós que vivemos em cidades e subúrbios assumem que grande parte da poluição que respiramos vem de emissões de carros e caminhões ou bombas de gás vazadas. Isso é por uma boa razão: era claramente verdade nas últimas décadas. Mas os reguladores e os fabricantes de automóveis fizeram mudanças limitativas de poluição para motores, combustíveis e sistemas de controle de poluição. Assim, McDonald e seus colegas reavaliaram as fontes de poluição atmosférica, classificando as recentes estatísticas de produção química compiladas por indústrias e agências reguladoras, fazendo medidas detalhadas da química atmosférica no ar de Los Angeles e avaliando as medidas de qualidade do ar interno feitas por outros.

Os cientistas concluíram que, nos Estados Unidos, a quantidade de COVs emitidos por produtos industriais e de consumo é, na verdade, duas ou três vezes maior que a estimada pelos atuais estoques de poluição do ar, que também superestimam as fontes de veículos. Por exemplo, a Agência de Proteção Ambiental estima que cerca de 75% das emissões de COVs fósseis (em peso) provêm de fontes relacionadas com combustível e cerca de 25% de produtos químicos. O novo estudo, com sua avaliação detalhada de estatísticas de uso químico atualizadas e dados atmosféricos anteriormente não disponíveis, coloca a divisão em 50-50.

O impacto desproporcional da qualidade do ar das emissões de produtos químicos deve-se, em parte, a uma diferença fundamental entre esses produtos e combustíveis, afirmou a cientista atmosférica da NOAA, Jessica Gilman, co-autora do novo artigo. “A gasolina é armazenada em recipientes fechados, esperançosamente estanques, e os COV na gasolina são queimados por energia”, disse ela. “Mas os produtos químicos voláteis utilizados em solventes comuns e produtos de cuidados pessoais são literalmente concebidos para evaporar. Você usa perfume ou usa produtos perfumados para que você ou seu vizinho possam desfrutar o aroma. Você não faz isso com gasolina “, disse Gilman.

A equipe estava particularmente interessada em como esses COVs acabam contribuindo para a poluição por partículas. Uma avaliação abrangente publicada na revista médica britânica Lancet no ano passado colocou a poluição do ar na lista dos cinco principais ameaças de mortalidade global, com a “poluição atmosférica em partículas” como o maior risco de poluição do ar.

O novo estudo descobre que, à medida que os carros ficaram mais limpos, os COV formando essas partículas de poluição estão cada vez mais vindo de produtos de consumo.

“Já chegamos a esse ponto de transição em Los Angeles”, disse McDonald.

Ele e seus colegas descobriram que simplesmente não conseguiam reproduzir os níveis de partículas ou ozônio medidos na atmosfera, a menos que incluíssem emissões de produtos químicos voláteis. No decorrer desse trabalho, eles também determinaram que as pessoas estão expostas a concentrações muito elevadas de compostos voláteis em ambientes fechados, que estão mais concentrados no interior do que fora, disse o co-autor Allen Goldstein, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

“As concentrações internas são muitas vezes 10 vezes maiores no interior do que no exterior, e isso é consistente com um cenário em que os produtos à base de petróleo utilizados em ambientes internos fornecem uma fonte significativa para o ar exterior em ambientes urbanos”.

A nova avaliação conclui que o foco de regulamentação dos EUA em emissões de carros tem sido muito efetivo, disse o co-autor Joost de Gouw, um químico da CIRES. “Funcionou tão bem que, para avançar ainda mais na qualidade do ar, os esforços regulatórios deveriam se tornar mais diversos”, afirmou Gouw. “Não são apenas veículos mais”.


Poluição do Ar Urbano

Referência

Volatile chemical products emerging as largest petrochemical source of urban organic emissions. BY BRIAN C. MCDONALD, JOOST A. DE GOUW, JESSICA B. GILMAN, SHANTANU H. JATHAR, ALI AKHERATI, CHRISTOPHER D. CAPPA, JOSE L. JIMENEZ, JULIA LEE-TAYLOR, PATRICK L. HAYES, STUART A. MCKEEN, YU YAN CUI, SI-WAN KIM, DREW R. GENTNER, GABRIEL ISAACMAN-VANWERTZ, ALLEN H. GOLDSTEIN, ROBERT A. HARLEY, GREGORY J. FROST, JAMES M. ROBERTS, THOMAS B. RYERSON, MICHAEL TRAINER. Science 16 Feb 2018: Vol. 359, Issue 6377, pp. 760-764. DOI: 10.1126/science.aaq0524. http://science.sciencemag.org/content/359/6377/760

Fonte – tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 19 fevereiro de 2018

A indústria de plásticos está ‘vazando’ grandes quantidades de microplásticos

Áreas protegidas dentro da área de estudo de caso (mapa adaptado da Vissnet).Áreas protegidas dentro da área de estudo de caso (mapa adaptado da Vissnet).

O problema dos resíduos de plástico em ambientes marinhos foi relatado desde a década de 1970 e as primeiras recomendações para a legislação foram introduzidas nos EUA na década de 1990. No entanto, na Suécia, esses derramamentos só receberam atenção nos últimos anos.

Pequenos grânulos de plástico são utilizados como matérias-primas. Os pellets são enviados do local de fabricação para diferentes indústrias onde são utilizados na produção de vários tipos de produtos plásticos.

No estudo recentemente publicado, os pesquisadores também investigaram como os pellets se espalharam na região costeira, e eles podiam ver que os pellets de plástico acabam nas praias próximas, no fiorde e no arquipélago nas proximidades.

Em contraste com outros resíduos de plástico, por exemplo, o material de embalagem, estes pellets de plástico nunca foram úteis.

“Para entender melhor como as pastilhas de plástico acabam no meio ambiente, documentamos, medimos e calculamos os fluxos das pastilhas através de vias navegáveis provenientes das instalações de produção e distribuição em Stenungsund, onde aproximadamente cinco por cento do polietileno que é usado em A Europa é produzida “, diz Martin Hassellöv, professor do Departamento de Ciências Marinhas da Universidade de Gotemburgo.

Os cálculos da equipe de pesquisa mostram que o vazamento contínuo leva a entre 3 e 36 milhões de pelotas plásticas espalhando-se do site de produção de Stenungsund todos os anos.

“Quando analisamos as frações menores, que são chamadas de pelúcia e fragmento, o vazamento de plástico foi mais de cem vezes maior do que quando contamos apenas os grânulos. Além disso, vimos que há mais problemas de vazamento em conjunto com o transporte, limpeza, carregamento e armazenamento de grânulos ao longo da cadeia de produção “, diz Therese Karlsson, doutoranda do Departamento de Ciências Marinhas.

Os pellets são freqüentemente encontrados no conteúdo estomacal de aves marinhas, que se alimentam na superfície do mar.

Existem vários acordos internacionais, legislação da UE e leis suecas que visam evitar esse tipo de derrames de plástico.

“Os regulamentos de prestação de contas no Código do Meio da Suécia destinam-se a evitar o vazamento de grandes quantidades de pellets, especialmente em áreas como a de Orust e Tjörn, onde há uma série de reservas naturais”, diz Lena Gipperth, professora de Direito Ambiental em o Departamento de Direito.

Mas o estudo mostra que os regulamentos existentes não foram aplicados, e isso pode ser o resultado de procedimentos de supervisão inadequados e programas de controle.

O estudo foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin. Título do artigo: The unaccountability case of plastic pellet pollution. Link para o artigo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X18300523

Fontes – Universidade de Gotemburgo / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 23 de fevereiro de 2018

Respirar ar de SP por 2 horas é igual a fumar um cigarro

Vista do horizonte de São PauloAnálise de São Paulo aponta que os níveis de partículas finas inaláveis está 90% acima dos níveis seguros (filipefrazao/Thinkstock)

Pesquisa inédita busca comparar a exposição do paulistano durante sua vida à poluição do ar com os impactos do cigarro

Respirar o ar de São Paulo por duas horas no trânsito é o mesmo que fumar um cigarro. Ao longo de 30 anos na capital, o pulmão dessa pessoa pode ficar igual ao de um fumante leve (que consome menos de dez cigarros por dia).

É o que revelam dados preliminares, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, de uma pesquisa inédita que busca comparar a exposição do paulistano durante sua vida à poluição do ar com os impactos do cigarro.

O trabalho, liderado pelo médico patologista Paulo Saldiva, analisa corpos que foram levados ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e mede a quantidade de carbono no pulmão, ao mesmo tempo em que investiga a vida do paciente.

“Antigamente, quando em uma necropsia a gente via um pulmão cheio de carbono, preto, o mais provável é que se trataria de um fumante. Hoje não dá para dizer isso. E o que esse estudo está mostrando é o quanto respirar o ar de São Paulo é equivalente a fumar e tem impacto cumulativo”, explica a bióloga Mariana Veras, do Laboratório de Poluição do Ar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Entrevistas feitas com parentes estão ajudando a compor esse quadro de como se dá a exposição dos paulistanos. São questões como: onde vivia, onde passou a maior parte da vida, qual era a atividade profissional, quanto tempo levava em deslocamentos no trânsito, se fumava ou era fumante passivo.

“Um motorista de caminhão ou um guarda de trânsito vai ter um quadro diferente de quem só se expõe de casa ao trabalho e passa o dia inteiro no ar condicionado com janela fechada. Estamos buscando a correlação entre a quantidade de preto no pulmão, o padrão de vida e o tempo em transporte”, diz Mariana.

Pelo menos 2 mil pulmões já foram avaliados e cerca de 350 selecionados para compor o estudo – são os que contam com entrevistas mais detalhadas.

Os dados ainda estão sendo tabulados e devem ser concluídos nas próximas semanas, mas foram antecipados em razão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que começou ontem e vai até amanhã, e tem como tema a luta antipoluição.

Segundo a ONU Meio Ambiente e a Organização Mundial de Saúde, cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência de poluição do ar (e metade é interna, como a de fogões a lenha e aquecimentos caseiros a carvão). Segundo as entidades, mais de 80% das cidades têm níveis de poluição acima dos recomendáveis.

A análise de São Paulo aponta que os níveis de partículas finas inaláveis (material particulado ou MP 2,5) está 90% acima dos níveis seguros, de 10 microgramas/m³.

A concentração média anual da cidade é de 19 microgramas/m³. A ONU Meio Ambiente elegeu o combate à poluição como principal ação para se atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável e no combate às mudanças climáticas.

“A poluição é o problema que está mais perto das pessoas. Elas sentem, respiram, é imediato. É mais provável ter impacto sobre a vida das pessoas enquanto andam ou fazem compras do que as mudanças climáticas. É uma das coisas que mais matam hoje no mundo”, disse ao Erik Solheim, diretor executivo da ONU Meio Ambiente, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, na Alemanha, em novembro. “Por outro lado, tudo o que se faz para reduzir a poluição também é benéfico no combate às mudanças climáticas.”

Na prática

Não é de hoje que poluição afeta a rotina dos paulistanos. A gestora ambiental Annabella Andrade, de 50 anos, pedala todos os dias até o trabalho, mas, quando o tempo está seco, usa máscara como as de hospitais para se proteger da fuligem.

“Dependendo do lugar, ainda coloco lenço por cima”, diz ela, que mora perto do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, e trabalha na Avenida Paulista, ambos na região central.

Para reduzir o impacto da poluição, Annabella trabalha como voluntária de uma associação que quer transformar o Minhocão em um parque. “Quando o elevado está fechado, podemos abrir as janelas.”

Dona de uma banca próxima da Estação Marechal Deodoro do Metrô, Mainara Bortolozzo, de 25 anos, também sente o impacto. “Saio imunda daqui – no rosto, nas mãos”, conta.

Obesidade

Pouco relacionada com a poluição, a obesidade, também está sendo observada pelo grupo de pesquisa do laboratório da USP. Já havia a suspeita de que a poluição provoca desarranjo hormonal e estudos epidemiológicos relacionam os poluentes a uma redução do metabolismo.

Como isso é muito difícil de isolar e medir no nível individual, os pesquisadores trabalharam com camundongos expostos a uma concentração de MP 2,5 – semelhante à medida em média por dia em São Paulo.

Descobriram que afeta a saciedade. “Os animais, e sugerimos que o mesmo deve ocorrer com humanos, não ficavam saciados mesmo com a quantidade habitual. A poluição diminui a sensibilidade ao hormônio leptina, que regula a saciedade”, diz Mariana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fontes – Giovana Girardi, Estadão Conteúdo / Exame de 05 de dezembro de 2017

Aeroporto de Pequim cancela quase uma centena de voos devido à poluição

Estudantes usando máscaras devido à poluição atmosférica atravessam uma rua em Jinan, China - 24/12/2015Estudantes usando máscaras devido à poluição atmosférica atravessam uma rua em Jinan, China – 24/12/2015 (STR/AFP)

O governo municipal decretou alerta laranja (o 2º mais alto). Quantidade de poluentes no ar é 20 vezes superior ao recomendado pela OMS

O Aeroporto Internacional de Pequim cancelou nesta sexta-feira 83 voos e adiou outros 143 devido aos elevados níveis de poluição atmosférica que atingem desde esta manhã a capital chinesa, informou a televisão estatal.

O governo municipal decretou o alerta laranja (o segundo mais alto de uma escala com quatro níveis). A poluição atinge um nível 20 vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Desde as 6h locais, Pequim regista uma concentração de partículas PM2.5 – as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões – superior a 500 microgramas por metro cúbico.

Uma nuvem de poluição cobre grande parte do nordeste da China há várias semanas, numa situação “normal” para a época, visto que a ativação do aquecimento central implica o aumento da queima de carvão, a principal fonte de energia no país.

Quase meia centena de cidades e duas províncias emitiram alertas por poluição.

Fontes – Agência Brasil / Veja de 25 de dezembro de 2017