Navios descartam lixo no mar, todos eles!

Navios descartam lixo no mar, imagem de navio da MSC com mancha de poluição

Navios descartam lixo no mar: mercantes, petroleiros, de guerra e de cruzeiro. Todos descartam lixo no mar

Desde 1967 frequento o mar. Quando pequeno saía com meu pai, pescador esportivo, pelo litoral de Santos, até Vitória, no Espírito Santo. Cresci, comprei meu barco e não parei mais. De lá para cá fiz três viagens pela costa brasileira, da fronteira norte até a sul. Somando todas, foram quase seis anos subindo e descendo o litoral. Flagrando  muitos absurdos que cometemos, as belezas naturais destruídas, e os mais diversos ecossistemas marinhos quase sempre desconhecidos e desrespeitados. Até um petroleiro lavando seus tanques em plena baía de Guanabara eu já vi. Navios descartam lixo no mar, esse é o comentário de hoje.

O que tenho visto nestas viagens me impressionou de tal forma que passei a fazê-las de modo profissional. Abri este site, contatei canais de televisão e passei a fazer documentários para mostrar o descalabro e procurar contribuir distribuindo informação, alertando, chamando a atenção.

A frota mundial é de 100.000 mil navios. E navios descartam lixo no mar

Já pensou? Cem mil navios cruzando os mares dia e noite sem parar. Parece pouco se comparado à frota de automóveis calculada em um bilhão de unidades. Você já parou para pensar na poluição causada por estes monstros de ferro? Fique sabendo que a emissão de CO2 de um grande navio equivale a mais de 83 mil automóveis. Cem mil navios, vezes 83 mil automóveis, é igual a 830 milhões. Quase igual à frota mundial de automóveis. Certo? A conta não é tão fácil assim. Os cem mil navios poluem muito mais. Sabe por quê? Porque o combustível dos automóveis é refinado, o dos navios, não.

Os 15 maiores navios do mundo poluem mais que toda a frota automobilística mundial. Sim, ou não?

O site Quora- ‘the best answer to any question‘, respondendo a pergunta acima, procurou o engenheiro formado na Guarda-Costeira norte americana, Josiah Toepfer, que disse:

“Os grande navios queimam óleo pesado, combustível que não é muito refinado, tem alto teor de enxofre e produz uma grande quantidade de óxido de enxofre e compostos de óxido de azoto quando é queimado. Automóveis queimam uma gasolina altamente refinada que quase não produzem enxofre, e  óxidos de nitrogênio.”

Todos soltando CO2 na atmosfera. Não é por outro motivo que conseguimos a façanha de mudar o pH dos oceanos. Antes alcalino, agora menos; mais ácido a ponto de matar corais. Mas, e o lixo destes navios, para onde vai? Navios descartam lixo no mar. Não tenha a menor dúvida. Posso afirmar que 95%  deles descartam lixo nos mares. Mercantes, de passageiros, petroleiros, ou os de guerra. A única exceção que conheço é a marinha de guerra dos Estados Unidos.

Sim!

Sabemos agora que a frota mundial de navios polui mais que a de automóveis. Mas  tem mais: navios carregam água de lastro, um problema gigantesco pela introdução de espécies exóticas. Não há país do mundo sem gravíssimos problemas gerados pelo descarte errado de água de lastro. Em nosso litoral temos centenas de problemas. O mais notório, e pior, é o mexilhão- dourado, descartado por água de lastro no rio da Prata. Ele já tomou as mais importantes bacias hidrográficas brasileiras.

Navios descartam lixo no mar

Sylvia Earle, a primeira Heroína do Planeta, e maior referência mundial na questão dos oceanos, informa em seu livro The World is Blue, minha bíblia de cabeceira que todos os interessados deveriam ler, que um reporte da Academia Nacional de Ciências publicado na década de 90 indica que…

“…seis bilhões de quilos de lixo são deliberadamente descartados nos oceanos todos os anos, a maioria vem de navios mercantes, mas não só deles, de todos os navios que cortam os mares. Mas além disso, outros 450 milhões de quilos de lixo vêm de barcos de pesca…”

Até 1990 navios de guerra dos USA eram autorizados a descartar seu lixo no mar!

Sylvia ressalta (The World Is Blue, pag. 109) que “até 1990 todo o lixo de navios de guerra dos USA eram (eles tinham permissão) descartados no mar”. E informa: “mais de 450 quilos por dia, por navio”! Segundo o wikipedia a marinha de guerra dos USA “é considerada a maior e mais poderosa do mundo, com a sua frota de batalha sendo maior do que as seguintes treze maiores marinhas combinadas. Opera 286 navios em serviço ativo”. 286 x 450 Kg =  128.700 Kg de lixo ao dia!

E as marinhas de guerra dos outros países, onde descartam seu lixo? Navios descartam lixo no mar…

Você tem dúvidas? Eu, não.  Se o país mais poderoso do mundo dava permissão para  isto até 1990, imagine os outros, menos ricos…Eu vi! Estive na Antártica várias vezes. Na última fui a bordo do Navio de Socorro a Submarinos, Felinto Perry, da Marinha do Brasil. E gravei imagens dos marinheiros jogando sacos de plástico, cheios de lixo, no mar que banha o continente dedicado à pesquisa! O continente ‘sagrado’, o único que ‘escapou das pegadas’ produzidas pela humanidade…

Cruzeiros turísticos, setor do turismo que mais cresce no mundo. E mesmo assim os navios descartam lixo no mar

É aqui que eu queria chegar. Este setor cresce a cada ano e anualmente aumentam os cruzeiros na “paradisíaca” costa brasileira como muitos incautos gostam de chamar  nossa maltratada, e não fiscalizada, zona costeira. Estes navios descartam seu lixo no mar, mesmo em Parques Nacionais Marinhos como este site já cansou de denunciar. Tenho certeza que todas as companhias de cruzeiro fazem isso, mas não tenho provas contra todas. Com algumas, sim. Tenho como provar. Vamos a elas:

Navio de passageiros é flagrado jogando lixo no mar brasileiro

Matéria de 23 de dezembro de 2013. “O passageiro Sérgio da Silva Oliveira, filmou funcionários do navio da MSC jogando diversos sacos de lixo em alto mar e denunciou a empresa para o Ministério Público. Como se trata de uma empresa estrangeira, o promotor vai encaminhar o caso aos órgãos responsáveis”.

O lixo da MSC e as vítimas de cruzeiros: violência sexual, tráfico de drogas e contaminação

De 5 de fevereiro de 2014: “A TV Senado, no dia 17 último, apresentou, no programa Diplomacia, uma reportagem de 14 minutos sobre os problemas cada vez mais comuns, maiores e perigosos dos cruzeiros marítimos que “cortam” a costa brasileira”….”Números apresentados no programa, de acordo com a Organização das Vítimas de Cruzeiros (OVC), dão conta que, de 1998 a 2012, foram contabilizadas 1.429 pessoas vítimas de violência sexual  dentro desses transatlânticos, 171 desapareceram no mar e 50 mil apresentaram algum tipo de contaminação”…”a periculosidade e a insalubridade de alguns cruzeiros voltaram ao destaque jornalístico, no início deste ano, por conta de denúncia filmada de um passageiro do navio MSC Cruzeiros, onde mostra o descarte, criminoso. Navios descartam lixo no mar brasileiro”…

Assista ao vídeo sobre descarte de lixo no litoral brasileiro

Mais um navio-porcalhão?

22 de fevereiro de 2014. “Neste sábado, 22 de fevereiro, o Estadão trouxe a matéria: “Búzios fecha praia após contaminação no mar“. Ela conta que “pelo menos 60 pessoas apresentaram sintomas de intoxicação após frequentar a Praia da Tartaruga, em Búzios, na Região dos Lagos …”A água tinha uma mancha de um produto químico ainda desconhecido. A suspeita é de que um navio tenha despejado na água uma substância para diminuir o mau cheiro de banheiros químicos”…

Navios descartam lixo no mar, imagem de navio da MSC com mancha de poluiçãoEis a prova do navio porcalhão da MSC
Pode parecer coisa pequena mas não é. Neste verão Búzios deve receber 136 navios, de acordo com o site da prefeitura . Portanto, olho vivo! Atualmente o Brasil é o quinto país mais procurado para cruzeiros de passageiros.Indícios de novo descarte dos navios, desta vez o MSC Preziosa26 de fevereiro de 2014: Navios descartam lixo no mar.  A matéria dizia…” mais uma vez o blogueiro Dener Giovanni sai na frente e publica a denúncia. Cumprindo as regras do bom jornalismo Dener  ouviu o “outro lado”. Entrou em contato com a assessoria da MSC e recebeu esta mensagem de Renata Asprino- diretora de atendimento da Máquina RP:

“É possível que seja lodo, algas, plantas e outras coisas presentes no fundo do mar. Este tipo de mancha é comum quando os grandes navios passam em áreas mais rasas, fazendo com que o que está no solo suba até a superfície. Acredito que seja isso que a passageira filmou, já que passa a impressão de sujeira e na verdade é de materiais do próprio fundo do mar.”

É possível que seja lodo…sei, não. Veja a denúncia de Dener, link acima, e ouça a entrevista gravada com a passageira Vanessa. Ela conta detalhadamente como foi o descarte de lixo.

Navio porcalhão, aqueles navios que descartam lixo no mar, é da MSC

8 de janeiro de 2014: Inconformado com a falta de uma resposta clara às denúncias de Dener Giovanni, o Mar Sem Fim entrou em contato com a MSC exigindo um esclarecimento. Recebemos esta resposta: “Oi KK, Realmente, podemos ter problemas. Este denunciante do Paraná não sossegará enquanto não obter bons espaços com esta história de resíduos no mar. A Companhia foi acionada juridicamente, pelo MP no Paraná? Quanto ao Dener, hum..ele é blogueiro mesmo, de Santa Catarina, e mantém o espaço dele atualizado no portal do Estadão. Também tem site bem organizado. Ou seja, está então bastante interessado no tema/notícia. A imprensa, neste momento de retorno de réveillon (sic) está meio carente de assuntos, ainda.”

Note o deboche: “Oi KK… A imprensa, neste momento de retorno de réveillon (sic) está meio carente de assuntos, ainda.” Deboche, ou não?

Des- ‘Armonia’ no mar do Brasil. A campanha contra a MSC continua!

9 de janeiro de 2014: “Mais um internauta confirma a ação criminosa da MSC e navios descartam lixo no mar brasileiro.  O internauta Mário conta sobre a viagem a bordo do “Armonia”, da MSC, em 2008, quando flagrou o descarte de lixo entre Ilha Grande e Ilhabela. Mário disse o seguinte:

“Engraçado, no verão de 2008 eu já havia presenciado isso. Indignado, escrevi para diversos meios de comunicação, mandei fotos que tirei na popa do navio com o lixo sendo despejado entre as ilhas Grande e Ilhabela, fui procurado por vários jornalistas, mas ninguém publicou nada!”

Mais críticas e reclamações contra a MSC, dona do “Navio-Porcalhão

27 de janeiro de 2014: Nesta matéria do Mar Sem Fim dizíamos que…”Hoje recebi nova denúncia contra a MSC sobre um cruzeiro que aconteceu em 2011, de Santos para Buenos Aires, quando o MSC Ópera bateu no pier do porto de Buenos Aires. Mais uma vez a MSC não deu satisfação aos passageiros.

“Reportagem feita pela rede Record de Santos sobre o Navio Cruzeiro MSC Ópera quando saía do Porto de Buenos Aires – AR e chocou com o pier (deck) – indignação dos passageiros e tripulantes, pois a empresa sequer nos manteve informados, sendo que ficamos parados por mais de 8 horas em alto mar para reparos, o que ocasionou a não ida a Punta del Leste. Sem contar que chegamos atrasados em BA. As. e ficamos apenas 1 dia o que era para ser dois. O que mais impressiona é o descaso da companhia junto aos seus passageiros.

Assista à reportagem

É assim que a MSC trata, ou melhor destrata, seus consumidores.

MSC Cruzeiros: a porcalhona!

4 de abril de 2014: Neste post do Mar Sem Fim alertávamos que…’Agora aconteceu coisa pior: a empresa MSC Cruzeiros é acusada de manter trabalhadores em regime escravo!!’ A matéria saiu pelo G1 BA…

“Procuradores e auditores fiscais do trabalho resgataram 11 funcionários da MSC Crociere, empresa que explora cruzeiros marítimos, que estavam em condições de trabalho análogo ao de escravos, no Porto de Salvador. Eles estavam a bordo do navio MSC Magnifica…De acordo com o Ministério Público do Trabalho na Bahia, os funcionários trabalhavam por 11 horas diárias, além de sofrer assédio moral e sexual, dentre outras irregularidades identificadas, como humilhações e cobranças excessivas…A investigação, iniciada no Porto de Santos, litoral de São Paulo, já havia colhido alguns depoimentos que revelavam a situação análoga à de escravo que sofriam no navio…Trabalhadores foram resgatados do navio MSC Magnifica”

Navios descartam lixo no mar,imagem de policiais retirando trabalhadores escravos do navio MSC MagníficaPoliciais retirando trabalhadores escravos do navio MSC Magnífica. Foto: Rogério Paiva/Divulgação)
Preste muita atenção ao escolher sua viagem a bordo de navio de cruzeiro. Por que navios descartam lixo no marAs companhias que vêm ao Brasil já deram inúmeras provas de descaso. Então, está em suas mãos. Como o blogueiro Dener Giovanni fechou sua matéria…fecharemos a nossa. Com duas imagens. Preste atenção.

Navios descartam lixo no mar, imagem de navios da MSCUm sonho idílico pode acabar muito mal…Navios descartam lixo no mar. Veja a foto seguinte.

Navios descartam lixo no mar, imagem de animal morto na praiaAnimal morto na praia por poluição…já que navios descartam lixo no mar
Navios da MSC descartam lixo no mar, mas ela não é a única
rincess Cruises, o Caribean Princess foi repreendido.

Navio porcalhão: Caribean Princess paga multa.

Fonte – João Lara Mesquita, Mar de Fim de 13 de abril de 2018

Banco francês defende taxa sobre investimentos que gerem poluição

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Risco climático é agora visto como um fator determinante para a estabilidade financeira dos bancos centrais e reguladores em todo o mundo

O presidente do Banco Central da França, François Villeroy de Galhau, defendeu que projetos de carvão e petróleo e gás tenham um “fator de penalização marrom”. Isso aumentaria seu custo de acesso ao financiamento.  A proposta foi apresentada na primeira Conferência Internacional sobre Riscos Climáticos para Supervisores Financeiros. O evento reuniu representantes de mais de 30 países e de mais de 50 organizações para discutir como os riscos relacionados ao clima e ao meio ambiente podem afetar as instituições financeiras e, portanto, o mandato dos supervisores financeiros.

A conferência mostrou que o risco climático é agora visto como um fator determinante para a estabilidade financeira dos bancos centrais e reguladores em todo o mundo. Em seu discurso, Galhau também defendeu que o desenvolvimento de testes de estresse de carbono voltados para o futuro, tanto para as companhias de seguros quanto para os bancos, contemple um horizonte de tempo mais longo que o usual.  O Banque de France comprometeu-se a melhorar a contribuição dos seus fundos próprios e das pastas de pensões para a transição ambiental. Além de prometer que apresentará relatórios anuais sobre o progresso realizado.

Grandes bancos, grandes mudanças

Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra, destacou a “transição de pensamento” entre as instituições financeiras sobre risco climático, com instituições financeiras que gerenciam US $ 80 trilhões de ativos apoiando publicamente a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD), incluindo 20 bancos globalmente sistêmicos, 8 de os 10 principais gestores globais de ativos, os principais fundos de pensão e seguradoras do mundo, o maior fundo soberano e as duas empresas dominantes de serviços de consultoria aos acionistas.  Ele também afirmou que o Banco da Inglaterra publicará os resultados completos de uma pesquisa sobre os riscos financeiros enfrentados pelo sistema bancário do Reino Unido a partir da mudança climática “nos próximos meses”.

Bolha de carbono

O encontro aconteceu na mesma semana em que um novo estudo da ONG Oil Change International alertou sobre os riscos da “bolha de carbono”, que pode estar sendo amplificada pelo fato de que a Agência Internacional de Energia (AIE) não está conseguindo prever com precisão a rápida expansão do setor de renováveis. “Qualquer governo ou instituição financeira que use esses cenários como base para investimentos em petróleo e gás está recebendo informações ruins”, alerta Greg Muttitt, diretor de pesquisas da Oil Change International.

Realizada em Amsterdam, na Holanda, a conferência foi organizada pelo DNB (banco holandês), o Banque de France / ACPR e o Banco da Inglaterra, sob a égide dos Bancos Centrais e da Rede de Supervisores para o Esverdeamento do Sistema Financeiro (NGFS).

Fonte – CicloVivo de 11 de abril de 2018

Estudo revela a contribuição de produtos de limpeza, tintas, pesticidas e perfumes na poluição atmosférica urbana

Los Angeles, Griffith Observatory e poluição do ar. Um novo estudo informa que as emissões de produtos domésticos e industriais comuns, incluindo perfumes, pesticidas e tintas, agora enfrentam as emissões dos veículos motorizados como a principal fonte de poluição do ar urbano. Foto: Wikimedia / David Iliff , CC-by-SA 3.0Los Angeles, Griffith Observatory e poluição do ar. Um novo estudo informa que as emissões de produtos domésticos e industriais comuns, incluindo perfumes, pesticidas e tintas, agora enfrentam as emissões dos veículos motorizados como a principal fonte de poluição do ar urbano. Foto: Wikimedia / David Iliff , CC-by-SA 3.0

Produtos químicos que contêm compostos refinados de petróleo, como produtos de limpeza domésticos, pesticidas, tintas e perfumes, agora são as principais emissões relacionadas com veículos motorizados como a principal fonte de poluição atmosférica urbana, de acordo com um surpreendente estudo liderado pela NOAA.

As pessoas usam muito mais combustível do que com compostos à base de petróleo em produtos químicos – cerca de 15 vezes mais por peso, de acordo com a nova avaliação. Mesmo assim, loções, tintas e outros produtos contribuem tanto quanto à poluição do ar como o setor de transporte, disse o autor principal Brian McDonald, cientista do CIRES que trabalha na Divisão de Ciências Químicas da NOAA.

No caso de um tipo de poluição – pequenas partículas que podem danificar os pulmões das pessoas – as emissões formadoras de partículas de produtos químicos são cerca de duas vezes mais elevadas que as do setor de transporte, descobriu sua equipe. McDonald e colegas da NOAA e várias outras instituições relataram seus resultados hoje na revista Science .

“À medida que o transporte fica mais limpo, essas outras fontes tornam-se cada vez mais importantes”, disse McDonald. “O material que usamos em nossas vidas cotidianas pode afetar a poluição do ar”.

Para a nova avaliação, os cientistas se concentraram em compostos orgânicos voláteis ou COVs. Os COVs podem entrar na atmosfera e reagem para produzir tanto ozônio como partículas, ambos dos quais estão regulamentados nos Estados Unidos e em muitos outros países por causa de impactos na saúde, incluindo danos nos pulmões.

Aqueles de nós que vivemos em cidades e subúrbios assumem que grande parte da poluição que respiramos vem de emissões de carros e caminhões ou bombas de gás vazadas. Isso é por uma boa razão: era claramente verdade nas últimas décadas. Mas os reguladores e os fabricantes de automóveis fizeram mudanças limitativas de poluição para motores, combustíveis e sistemas de controle de poluição. Assim, McDonald e seus colegas reavaliaram as fontes de poluição atmosférica, classificando as recentes estatísticas de produção química compiladas por indústrias e agências reguladoras, fazendo medidas detalhadas da química atmosférica no ar de Los Angeles e avaliando as medidas de qualidade do ar interno feitas por outros.

Os cientistas concluíram que, nos Estados Unidos, a quantidade de COVs emitidos por produtos industriais e de consumo é, na verdade, duas ou três vezes maior que a estimada pelos atuais estoques de poluição do ar, que também superestimam as fontes de veículos. Por exemplo, a Agência de Proteção Ambiental estima que cerca de 75% das emissões de COVs fósseis (em peso) provêm de fontes relacionadas com combustível e cerca de 25% de produtos químicos. O novo estudo, com sua avaliação detalhada de estatísticas de uso químico atualizadas e dados atmosféricos anteriormente não disponíveis, coloca a divisão em 50-50.

O impacto desproporcional da qualidade do ar das emissões de produtos químicos deve-se, em parte, a uma diferença fundamental entre esses produtos e combustíveis, afirmou a cientista atmosférica da NOAA, Jessica Gilman, co-autora do novo artigo. “A gasolina é armazenada em recipientes fechados, esperançosamente estanques, e os COV na gasolina são queimados por energia”, disse ela. “Mas os produtos químicos voláteis utilizados em solventes comuns e produtos de cuidados pessoais são literalmente concebidos para evaporar. Você usa perfume ou usa produtos perfumados para que você ou seu vizinho possam desfrutar o aroma. Você não faz isso com gasolina “, disse Gilman.

A equipe estava particularmente interessada em como esses COVs acabam contribuindo para a poluição por partículas. Uma avaliação abrangente publicada na revista médica britânica Lancet no ano passado colocou a poluição do ar na lista dos cinco principais ameaças de mortalidade global, com a “poluição atmosférica em partículas” como o maior risco de poluição do ar.

O novo estudo descobre que, à medida que os carros ficaram mais limpos, os COV formando essas partículas de poluição estão cada vez mais vindo de produtos de consumo.

“Já chegamos a esse ponto de transição em Los Angeles”, disse McDonald.

Ele e seus colegas descobriram que simplesmente não conseguiam reproduzir os níveis de partículas ou ozônio medidos na atmosfera, a menos que incluíssem emissões de produtos químicos voláteis. No decorrer desse trabalho, eles também determinaram que as pessoas estão expostas a concentrações muito elevadas de compostos voláteis em ambientes fechados, que estão mais concentrados no interior do que fora, disse o co-autor Allen Goldstein, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

“As concentrações internas são muitas vezes 10 vezes maiores no interior do que no exterior, e isso é consistente com um cenário em que os produtos à base de petróleo utilizados em ambientes internos fornecem uma fonte significativa para o ar exterior em ambientes urbanos”.

A nova avaliação conclui que o foco de regulamentação dos EUA em emissões de carros tem sido muito efetivo, disse o co-autor Joost de Gouw, um químico da CIRES. “Funcionou tão bem que, para avançar ainda mais na qualidade do ar, os esforços regulatórios deveriam se tornar mais diversos”, afirmou Gouw. “Não são apenas veículos mais”.


Poluição do Ar Urbano

Referência

Volatile chemical products emerging as largest petrochemical source of urban organic emissions. BY BRIAN C. MCDONALD, JOOST A. DE GOUW, JESSICA B. GILMAN, SHANTANU H. JATHAR, ALI AKHERATI, CHRISTOPHER D. CAPPA, JOSE L. JIMENEZ, JULIA LEE-TAYLOR, PATRICK L. HAYES, STUART A. MCKEEN, YU YAN CUI, SI-WAN KIM, DREW R. GENTNER, GABRIEL ISAACMAN-VANWERTZ, ALLEN H. GOLDSTEIN, ROBERT A. HARLEY, GREGORY J. FROST, JAMES M. ROBERTS, THOMAS B. RYERSON, MICHAEL TRAINER. Science 16 Feb 2018: Vol. 359, Issue 6377, pp. 760-764. DOI: 10.1126/science.aaq0524. http://science.sciencemag.org/content/359/6377/760

Fonte – tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 19 fevereiro de 2018

A indústria de plásticos está ‘vazando’ grandes quantidades de microplásticos

Áreas protegidas dentro da área de estudo de caso (mapa adaptado da Vissnet).Áreas protegidas dentro da área de estudo de caso (mapa adaptado da Vissnet).

O problema dos resíduos de plástico em ambientes marinhos foi relatado desde a década de 1970 e as primeiras recomendações para a legislação foram introduzidas nos EUA na década de 1990. No entanto, na Suécia, esses derramamentos só receberam atenção nos últimos anos.

Pequenos grânulos de plástico são utilizados como matérias-primas. Os pellets são enviados do local de fabricação para diferentes indústrias onde são utilizados na produção de vários tipos de produtos plásticos.

No estudo recentemente publicado, os pesquisadores também investigaram como os pellets se espalharam na região costeira, e eles podiam ver que os pellets de plástico acabam nas praias próximas, no fiorde e no arquipélago nas proximidades.

Em contraste com outros resíduos de plástico, por exemplo, o material de embalagem, estes pellets de plástico nunca foram úteis.

“Para entender melhor como as pastilhas de plástico acabam no meio ambiente, documentamos, medimos e calculamos os fluxos das pastilhas através de vias navegáveis provenientes das instalações de produção e distribuição em Stenungsund, onde aproximadamente cinco por cento do polietileno que é usado em A Europa é produzida “, diz Martin Hassellöv, professor do Departamento de Ciências Marinhas da Universidade de Gotemburgo.

Os cálculos da equipe de pesquisa mostram que o vazamento contínuo leva a entre 3 e 36 milhões de pelotas plásticas espalhando-se do site de produção de Stenungsund todos os anos.

“Quando analisamos as frações menores, que são chamadas de pelúcia e fragmento, o vazamento de plástico foi mais de cem vezes maior do que quando contamos apenas os grânulos. Além disso, vimos que há mais problemas de vazamento em conjunto com o transporte, limpeza, carregamento e armazenamento de grânulos ao longo da cadeia de produção “, diz Therese Karlsson, doutoranda do Departamento de Ciências Marinhas.

Os pellets são freqüentemente encontrados no conteúdo estomacal de aves marinhas, que se alimentam na superfície do mar.

Existem vários acordos internacionais, legislação da UE e leis suecas que visam evitar esse tipo de derrames de plástico.

“Os regulamentos de prestação de contas no Código do Meio da Suécia destinam-se a evitar o vazamento de grandes quantidades de pellets, especialmente em áreas como a de Orust e Tjörn, onde há uma série de reservas naturais”, diz Lena Gipperth, professora de Direito Ambiental em o Departamento de Direito.

Mas o estudo mostra que os regulamentos existentes não foram aplicados, e isso pode ser o resultado de procedimentos de supervisão inadequados e programas de controle.

O estudo foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin. Título do artigo: The unaccountability case of plastic pellet pollution. Link para o artigo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X18300523

Fontes – Universidade de Gotemburgo / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 23 de fevereiro de 2018

Respirar ar de SP por 2 horas é igual a fumar um cigarro

Vista do horizonte de São PauloAnálise de São Paulo aponta que os níveis de partículas finas inaláveis está 90% acima dos níveis seguros (filipefrazao/Thinkstock)

Pesquisa inédita busca comparar a exposição do paulistano durante sua vida à poluição do ar com os impactos do cigarro

Respirar o ar de São Paulo por duas horas no trânsito é o mesmo que fumar um cigarro. Ao longo de 30 anos na capital, o pulmão dessa pessoa pode ficar igual ao de um fumante leve (que consome menos de dez cigarros por dia).

É o que revelam dados preliminares, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, de uma pesquisa inédita que busca comparar a exposição do paulistano durante sua vida à poluição do ar com os impactos do cigarro.

O trabalho, liderado pelo médico patologista Paulo Saldiva, analisa corpos que foram levados ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e mede a quantidade de carbono no pulmão, ao mesmo tempo em que investiga a vida do paciente.

“Antigamente, quando em uma necropsia a gente via um pulmão cheio de carbono, preto, o mais provável é que se trataria de um fumante. Hoje não dá para dizer isso. E o que esse estudo está mostrando é o quanto respirar o ar de São Paulo é equivalente a fumar e tem impacto cumulativo”, explica a bióloga Mariana Veras, do Laboratório de Poluição do Ar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Entrevistas feitas com parentes estão ajudando a compor esse quadro de como se dá a exposição dos paulistanos. São questões como: onde vivia, onde passou a maior parte da vida, qual era a atividade profissional, quanto tempo levava em deslocamentos no trânsito, se fumava ou era fumante passivo.

“Um motorista de caminhão ou um guarda de trânsito vai ter um quadro diferente de quem só se expõe de casa ao trabalho e passa o dia inteiro no ar condicionado com janela fechada. Estamos buscando a correlação entre a quantidade de preto no pulmão, o padrão de vida e o tempo em transporte”, diz Mariana.

Pelo menos 2 mil pulmões já foram avaliados e cerca de 350 selecionados para compor o estudo – são os que contam com entrevistas mais detalhadas.

Os dados ainda estão sendo tabulados e devem ser concluídos nas próximas semanas, mas foram antecipados em razão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que começou ontem e vai até amanhã, e tem como tema a luta antipoluição.

Segundo a ONU Meio Ambiente e a Organização Mundial de Saúde, cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência de poluição do ar (e metade é interna, como a de fogões a lenha e aquecimentos caseiros a carvão). Segundo as entidades, mais de 80% das cidades têm níveis de poluição acima dos recomendáveis.

A análise de São Paulo aponta que os níveis de partículas finas inaláveis (material particulado ou MP 2,5) está 90% acima dos níveis seguros, de 10 microgramas/m³.

A concentração média anual da cidade é de 19 microgramas/m³. A ONU Meio Ambiente elegeu o combate à poluição como principal ação para se atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável e no combate às mudanças climáticas.

“A poluição é o problema que está mais perto das pessoas. Elas sentem, respiram, é imediato. É mais provável ter impacto sobre a vida das pessoas enquanto andam ou fazem compras do que as mudanças climáticas. É uma das coisas que mais matam hoje no mundo”, disse ao Erik Solheim, diretor executivo da ONU Meio Ambiente, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, na Alemanha, em novembro. “Por outro lado, tudo o que se faz para reduzir a poluição também é benéfico no combate às mudanças climáticas.”

Na prática

Não é de hoje que poluição afeta a rotina dos paulistanos. A gestora ambiental Annabella Andrade, de 50 anos, pedala todos os dias até o trabalho, mas, quando o tempo está seco, usa máscara como as de hospitais para se proteger da fuligem.

“Dependendo do lugar, ainda coloco lenço por cima”, diz ela, que mora perto do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, e trabalha na Avenida Paulista, ambos na região central.

Para reduzir o impacto da poluição, Annabella trabalha como voluntária de uma associação que quer transformar o Minhocão em um parque. “Quando o elevado está fechado, podemos abrir as janelas.”

Dona de uma banca próxima da Estação Marechal Deodoro do Metrô, Mainara Bortolozzo, de 25 anos, também sente o impacto. “Saio imunda daqui – no rosto, nas mãos”, conta.

Obesidade

Pouco relacionada com a poluição, a obesidade, também está sendo observada pelo grupo de pesquisa do laboratório da USP. Já havia a suspeita de que a poluição provoca desarranjo hormonal e estudos epidemiológicos relacionam os poluentes a uma redução do metabolismo.

Como isso é muito difícil de isolar e medir no nível individual, os pesquisadores trabalharam com camundongos expostos a uma concentração de MP 2,5 – semelhante à medida em média por dia em São Paulo.

Descobriram que afeta a saciedade. “Os animais, e sugerimos que o mesmo deve ocorrer com humanos, não ficavam saciados mesmo com a quantidade habitual. A poluição diminui a sensibilidade ao hormônio leptina, que regula a saciedade”, diz Mariana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fontes – Giovana Girardi, Estadão Conteúdo / Exame de 05 de dezembro de 2017

Aeroporto de Pequim cancela quase uma centena de voos devido à poluição

Estudantes usando máscaras devido à poluição atmosférica atravessam uma rua em Jinan, China - 24/12/2015Estudantes usando máscaras devido à poluição atmosférica atravessam uma rua em Jinan, China – 24/12/2015 (STR/AFP)

O governo municipal decretou alerta laranja (o 2º mais alto). Quantidade de poluentes no ar é 20 vezes superior ao recomendado pela OMS

O Aeroporto Internacional de Pequim cancelou nesta sexta-feira 83 voos e adiou outros 143 devido aos elevados níveis de poluição atmosférica que atingem desde esta manhã a capital chinesa, informou a televisão estatal.

O governo municipal decretou o alerta laranja (o segundo mais alto de uma escala com quatro níveis). A poluição atinge um nível 20 vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Desde as 6h locais, Pequim regista uma concentração de partículas PM2.5 – as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões – superior a 500 microgramas por metro cúbico.

Uma nuvem de poluição cobre grande parte do nordeste da China há várias semanas, numa situação “normal” para a época, visto que a ativação do aquecimento central implica o aumento da queima de carvão, a principal fonte de energia no país.

Quase meia centena de cidades e duas províncias emitiram alertas por poluição.

Fontes – Agência Brasil / Veja de 25 de dezembro de 2017

Unicef alerta para danos de poluição ao cérebro dos bebês

Bebê usa máscara para evitar poluição em Pequim, na ChinaBebê: os vínculos da poluição do ar com a asma, bronquite e outras doenças respiratórias são conhecidos há bastante tempo (Kevin Frayer/Getty Images)

Segundo relatório, a contaminação “tem um impacto no aprendizado das crianças, de sua memória, sua capacidade linguística e motora”

poluição atmosférica é perigosa para o desenvolvimento cerebral dos bebês, um flagelo que afeta a Ásia em particular, afirma um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O continente asiático totaliza 16 das 17 milhões de crianças com menos de um ano que estão expostas a níveis críticos de poluição, ao menos seis vezes acima dos níveis considerados salubres.

A Índia lidera a lista dos países com o maior número de bebês expostos à poluição, à frente da China, de acordo com o relatório “Perigo no Ar” publicado pelo Unicef.

A contaminação “tem um impacto no aprendizado das crianças, de sua memória, sua capacidade linguística e motora”, disse à AFP Nicholas Rees, autor do documento.

Os vínculos da poluição do ar com a asma, bronquite e outras doenças respiratórias são conhecidos há bastante tempo.

“Mas um número crescente de pesquisas científicas destaca um novo risco potencial representado pela contaminação do ar para a vida e o futuro das crianças: o impacto no cérebro em desenvolvimento”, afirma o documento do Unicef.

O relatório ressalta a relação entre a poluição e as funções cerebrais como a memória e o QI (quociente de inteligência) verbal e não verbal, os resultados dos testes e outros problemas neurológicos.

As partículas finas da contaminação urbana podem afetar a barreira hematoencefálica (BHE), a membrana que protege o cérebro de substâncias tóxicas, e acentuar os riscos de doenças como Parkinson e Alzheimer entre os idosos.

O Unicef faz um apelo aos governos para que aumentem a luta contra a poluição e reforcem a proteção das crianças, em particular com o uso de máscaras e sistemas de filtração de ar.

Fontes – AFP / Exame de 06 de dezembro de 2017

Ranking aponta as 10 empresas mais responsáveis pela poluição plástica nos oceanos

Ranking aponta as 10 empresas mais responsáveis pela poluição plástica nos oceanos

Foto: John Schneider/Creative Commons

Estima-se que, até 2017, terá mais plástico do que peixes no oceano. Muitas marcas já se mostram preocupadas com esse dado e tentam reduzir o impacto causado por suas operações ao produzir peças feitas com o lixo que vem do oceano. Até uma máquina que recolhe esse tipo de resíduo dos mares já foi construída por um bilionário. Toda iniciativa é válida!

Agora uma ação do Greenpeace e da ONG #breakfreefromplastic estudou as praias da Filipinas e rankeou as 10 principais empresas responsáveis pela poluição dos oceanos mundo afora. Isso porque o país é o terceiro que mais recebe plástico de todos os lugares do mundo, segundo o Greenpeace.

Abaixo, você confere a lista:

  1. Nestle
  2. Unilever
  3. PT Torabika Mayora
  4. Universal Robina Corporation
  5. Procter & Gamble
  6. Nutri-Asia
  7. Monde Nissin
  8. Zesto
  9. Colgate Palmolive
  10. Liwayway

A lista deixa claro o grande impacto que multinacionais estão causando no planeta por conta de suas operações. “Eles poderiam, por exemplo, praticar uma responsabilidade estendida, onde empresas substituem embalagens não reutilizáveis e não recicláveis por novos sistemas, como os refis”, explica Abigail Aguilar, ativista do Greenespeace na Filipinas.

O estudo foi realizado ao longo de uma semana, quando um grupo de pessoas limpou a praia e auditou o lixo encontrado. No total, foram quase 55 mil resíduos recolhidos e estudados. Sapatos, canudos, sacolas, garrafas… a natureza do lixo variou bastante, mas o material era quase sempre o mesmo: plástico.

Isso prova uma máxima importante: quando jogamos algo fora, não há “fora”, esse material irá permanecer em nosso planeta e, uma hora ou outra, irá impactar nosso meio ambiente. E você, como anda consumindo?

Fonte – Jéssica Miwa, The Greenest Post de 25 de outubro de 2017

Qual é a origem do plástico que polui os oceanos?

plásticos oceano

Antes de tudo é preciso saber de onde a poluição vem para evitá-la

Os oceanos do mundo estão se afogando em plástico. A Ellen MacArthur Foundation estima que, até 2050, os mares terão mais peso em plástico do que em peixes.

Isso se confirmando ou não, sabemos que a vida selvagem marinha está sofrendo muito com os efeitos da poluição plástica atual. Os animais frequentemente se sufocam com o lixo flutuante e muitos ingerem esses resíduos, confundindo-os com alimentos. O plástico entra na cadeia alimentar e estima-se que quem come frutos do mar regularmente ingere cerca de 11 mil pedaços de microplástico por ano. O microplástico está presente na água da torneira do mundo inteiro, no sal, nos alimentos, na cerveja e no ar.

Mas de onde é que todo esse plástico vem? Um artigo de Louisa Casson, do Greenpeace do Reino Unido, explica que existem três fontes principais de poluição plástica oceânica. São elas:

1. Nosso lixo

plástico oceano

Você pode ter boas intenções ao jogar uma garrafa de água de plástico na lixeira de recicláveis, mas é bem provável que ela nunca seja reciclada. Dos 480 bilhões de garrafas de bebidas plásticas vendidas, apenas em 2016, menos de metade foi coletada para reciclagem e, desse montante, apenas 7% foi transformado em plástico novamente.

O resto permanece na terra indefinidamente. Uma parte fica em aterros sanitários ou em lixões, mas é comum o vento carregar o resíduo leve desses locais até rios ou mares ou a redes de drenagem urbana, o que faz com que o plástico eventualmente chegue ao mar. O mesmo acontece com o lixo deixado nas praias, nos parques e nas ruas das cidades.

“Os principais rios ao redor do mundo carregam aproximadamente 1,15 milhão a 2,41 milhões de toneladas de plástico para o mar todos os anos – isso é equivalente a até 100 mil caminhões de lixo”, diz Casson.

2. Esfoliantes

pequenos pedacinhos de plástico

Muitos cosméticos e produtos para cuidados com a pele contêm pequenos pedacinhos de plásticoBoa parte dos esfoliantes e até mesmo alguns cremes dentais podem conter microesferas de plástico. Após o uso, essas bolinhas vão pelo ralo e, mesmo em locais com tratamento de esgoto, não podem ser filtradas por serem muito pequenas. Essa água chega a rios e mares e os resíduos plásticos acabam comidos por pequenos peixes ou incorporados pelo plâncton.

Outro grande problema que está apenas começando a chamar atenção pública é o das microfibras – tecidos sintéticos liberam minúsculas fibras de plástico a cada lavagem.

3. Vazamento industrial

Nurdles

Você já ouviu falar em nurdles? Eles são pequenas bolinhas plásticas utilizadas na manufatura de vários itens plásticos. Ao contrário dos resíduos plásticos que se decompõe até se tornarem microplásticos, os nurdles são feitos já com um tamanho reduzido (cerca de 5 mm de diâmetro). Eles são a maneira mais econômica de transferir grandes quantidades de plástico para fabricantes de uso final do material em todo o mundo. Os Estados Unidos produzem cerca de 27 bilhões de quilos de nurdles por ano.

O problema é que navios e trens despejam acidentalmente essas bolinhas plásticas em estradas ou no mar; ou a parte que sobra da produção não é tratada adequadamente. Se alguns milhares de nurdles caem no mar ou numa rodovia, é praticamente impossível fazer a limpeza. Em uma pesquisa realizada no início de 2017, foram encontrados nurdles em 75% das praias do Reino Unido.

Mas além dessas fontes apontadas no artigo da Louissa Casson, a ONG OrbMediaainda aponta outras fontes inusitadas:

4. Lavagem das roupas

Lavagem das roupas

Você sabia que as fibras têxteis sintéticas, assim como o exemplo do poliéster, são feitas de plástico? O problema é que durante a lavagem dessas roupas de fibras sintéticas, por meio do choque mecânico, o microplástico se desprende e acaba sendo enviado para esgotos, indo parar em no ambiente e em corpos hídricos, como, por exemplo, o próprio oceano.

5. Ar

poliéster

As fibras têxteis de tecido sintético plástico também vão parar no ar. Um estudo de 2015, realizado em Paris, na França, mostrou que, a cada ano, cerca de três a dez toneladas de fibras plásticas atingem a superfícies das cidades. Uma das explicações é que apenas o atrito de um membro com o outro vestido por roupas de fibras têxteis sintéticas plásticas já seria o suficiente para dispersar o microplástico na atmosfera. Essa poeira de microplástico pode ser inalada, ir parar no mar, juntar-se ao vapor e ir se depositar na sua xícara de café e no seu prato de comida, por exemplo.

6. Atrito dos pneus

de onde vem o plástico dos oceanos

Os pneus de carros, caminhões e outros veículos são feitos de um tipo de plástico chamado estireno butadieno. Ao passarem pelas ruas, o atrito desses pneus com o asfalto gera emissão de 20 gramas de microplástico a cada 100 quilômetros percorridos. Para se ter uma ideia, na Noruega, é emitido um quilo de microplástico de pneu por ano por pessoa.

7. Tintas látex e acrílicas

Tinta

A tinta utilizada em casas, veículos terrestres e navios desprende-se destes por meio de intempéries e vai parar no oceano, formando uma camada bloqueadora de microplástico na superfície oceânica.

A isto, podemos acrescentar as tintas látex e acrílicas utilizadas em artesanatos e os pincéis lavados nas pias.

8. E a solução?

A poluição plástica do oceano é o resultado de um sistema profundamente distorcido, em que a fabricação de um produto não biodegradável pode continuar sendo feita sem controle, mesmo não havendo métodos de processamento dos resíduos efetivos ou seguros (não se pode contar com a reciclagem neste caso, uma vez que apenas 9% de todo o plástico produzido desde a década de 1950 foi reciclado).

Encontrar uma solução, escreve Casson, exige chegar à origem do problema. Precisamos que os governos levem isso em conta isso. A Costa Rica, por exemplo, prometeu eliminar todos os plásticos de uso único em 2021. As empresas precisam ser responsáveis pelo ciclo de vida completo de seus produtos, incluindo a coleta e a reutilização. Segundo The Guardian, marcas são hostis ao uso de plástico reciclado por questões estéticas – outro tipo de barreira que precisa ser quebrada.

É necessário que haja campanhas contínuas sobre consumo que eduquem as pessoas sobre o impacto de plásticos de uso único em todas as partes do mundo. É preciso evitar produtos com embalagens desnecessárias, cobrar para que empresas mudem suas posturas e apostar na reutilização. Lojas e mercados devem receber incentivos governamentais para oferecerem opções de reabastecimento sem novos pacotes, e por aí vai… Existem ideias e é importante que elas sejam colocadas em prática antes que os mares sejam cada vez mais engolidos por plásticos.

Se você quer saber como pode reduzir o seu uso de plástico confira a matéria “Como reduzir o uso de plástico? Confira dicas imperdíveis“.

E para descartar seus resíduos corretamente, consulte quais são os postos de coleta mais próximos de sua residência.

Fontes – Treehugger / Orbmedia / eCycle

Poluição do ar está associada à mortalidade por cânceres não pulmonares

Detalhe de árvores em primeiro plano e ao fundo vista da poluição na cidade de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Detalhe de árvores em primeiro plano e ao fundo vista da poluição na cidade de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Um estudo epidemiológico em larga escala associa alguns poluentes do ar com morte por câncer de rim, bexiga e colorretal

A poluição do ar é classificada como cancerígena para os seres humanos, devido à sua associação com o câncer de pulmão, mas há pouca evidência de associação com o câncer em outros sítios corporais. Em um novo estudo prospectivo em larga escala, liderado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), uma instituição apoiada pela Fundação “la Caixa” e pela Sociedade Americana do Câncer, os pesquisadores observaram uma associação entre alguns poluentes do ar e a mortalidade por câncer do rim, bexiga e colorretal.

O estudo, publicado em Environmental Health Perspectives, incluiu mais de 600 mil adultos nos EUA que participaram do Estudo de Prevenção do Câncer II e que foram acompanhados por 22 anos (de 1982 a 2004). A equipe científica examinou as associações de mortalidade por câncer em 29 locais com exposição residencial a longo prazo a três poluentes ambientais: PM2,5, dióxido de nitrogênio (NO2) e ozônio (O3).

Mais de 43.000 mortes por câncer não pulmonar foram registradas entre os participantes. O PM2,5 esteve associado à mortalidade por câncer de rim e bexiga, com aumento de 14 e 13%, respectivamente, para cada aumento de 4,4 ?g / m3 na exposição. Por sua vez, a exposição ao NO2 foi associada à morte por câncer colorretal, com um aumento de 6% por cada incremento de 6,5 ppb. Não foram observadas associações significativas com câncer em outros locais.

Michelle Turner, pesquisadora da ISGlobal e primeira autora do estudo, explica que “embora vários estudos associem câncer de pulmão com poluição do ar, ainda há poucas evidências de associações em outros sites de câncer”.

“Esta pesquisa sugere que a poluição do ar não foi associada à morte pela maioria dos cânceres não pulmonares, mas as associações com câncer de rim, bexiga e colorretal merecem mais investigação”, ela acrescenta.

Referência

Ambient Air Pollution and Cancer Mortality in the Cancer Prevention Study II. Turner MC, Krewski D, Diver WR, Pope CA 3rd, Burnett RT, Jerrett M, Marshall JD, Gapstur SM. Environ Health Perspect. 2017 Aug 21;125(8):087013.

Fontes – Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal) / tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 01 de novembro de 2017