Poluição é responsável por uma em cada cinco mortes de crianças

Criança em um pequeno comércio na Índia (Foto: Jorge Royan/Wikimmedia Commons)Criança em um pequeno comércio na Índia (Foto: Jorge Royan/Wikimmedia Commons)

Um mundo em que a poluição é responsável por uma em cada cinco mortes de crianças. Essa não é uma realidade prevista para o futuro, mas uma estatística do presente, parte de um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as principais causas para a morte anual de mais de 1,7 milhão de crianças com menos de cinco anos estão a poluição do ar, a água contaminada e a falta de saneamento. As principais doenças são diarreia, malária e pneumonia. O objetivo da agência da ONU é mostrar que essas mortes poderiam ser evitadas a partir de soluções já disponíveis.

“Um ambiente poluído é mortal, particularmente para jovens crianças”, afirmou Margaret Chan, diretora-geral da OMS, na ocasião do lançamento dos estudos “Herdando um Mundo Sustentável: Atlas sobre a Saúde das Crianças” e “Não polua o meu futuro! O impacto do Meio Ambiente na Saúde das Crianças”. “Seus órgãos e sistemas imunológicos em desenvolvimento, corpos menores e vias aéreas tornam as crianças especialmente vulneráveis ao ar e água sujos”, disse.

Segundo um dos relatórios, 570 mil crianças com menos de cinco anos morrem no mundo por infecções respiratórias, como a pneumonia. Diversas doenças são atribuídas à poluição do ar em ambientes fechados e abertos, bem como ao fumo passivo. Além de métodos de cocção poluentes, como a madeira e o carvão, por exemplo, essa população sofre com os gases emitidos pelos veículos, ainda restritos ao uso de combustíveis fósseis.

Ambientes urbanos têm alta relevância

Segundo a OMS, há soluções disponíveis para reduzir a perda de tantas crianças. Entre as sugestões, estão políticas de planejamento urbano e de transporte para criar espaços seguros de lazer e reduzir a poluição, melhorias nas condições de habitação, para garantir o uso de combustíveis limpos no preparo de alimentos, e combater a proliferação de mofos e pragas, além de outros investimentos em saneamento e higiene.

Com o planeta vivendo um crescimento constante na urbanização, as cidades têm papel cada vez mais relevante na saúde de crianças e jovens. Segundo a ONU, quase metade da população urbana do planeta tem menos de 30 anos, índice que chega a 66% na África. Mas a infraestrutura básica para garantir meios urbanos saudáveis ainda está distribuída de forma muito desigual. Cerca de 880 milhões de pessoas vivem em favelas e moradias informais.

Outro problema enfrentado por essa população é o desenho urbano. As mortes no trânsito têm alto impacto nos números: 135 mil crianças de até 15 anos morreram em 2012, por exemplo. Entre os jovens de 15 a 29 anos, trata-se da principal causa de morte.

O planejamento urbano tem papel importante na busca por ambientes mais seguros e meios de transporte sustentáveis, que contribuem para reduzir a poluição do ar, tão fatal para as crianças. Como destacado nas primeiras frases deste texto, todas essas mortes estão ocorrendo agora. É preciso agir.

Fonte – Bruno Felin, The City Fix Brasil de 09 de março de 2017

A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral

ONU lança campanha contra poluição dos oceanos provocada por consumo de plástico. Foto: ONU Brasil

A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral

Introdução

As correntes oceânicas têm vindo a desenvolver durante décadas detritos flutuantes em todos os cinco principais giros oceânicos (do Atlântico Norte, do Atlântico Sul, do Índico, do Pacífico Norte e do Pacífico Sul). Um giro oceânico é um grande sistema de correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento, e é causado pelo efeito da força de Coriolis (Heinemann et al., 1998). As correntes rotativas criam grandes manchas e redemoinhos de lixo, sendo muito dele constituído por resíduos de plástico (Jeftic et al., 2009).

No entanto, a quantidade exata de plástico que continua a ser encaminhado para os oceanos do mundo continua a não ser suficientemente conhecida. Um estudo de 2015 do grupo de trabalho sobre resíduos marinhos do National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, publicado na revista Science estima que a quantidade de resíduos de plástico que são despejados no mar ronda os 8 milhões de toneladas anualmente (Jambeck et al., 2015). O grupo de trabalho NCEAS prevê que o impacto cumulativo nos oceanos poderá ser tão elevado como 155 milhões de toneladas em 2025.

Contudo, o planeta não vai chegar ao “pico de resíduos” global antes de 2100 (Hoornweg et al., 2013), o que tenderá a agravar ainda mais a situação. “Estamos, deste modo, a ser dominados pelos nossos resíduos, mas o problema não é insuperável”, segundo Jambeck.

Naturalmente, que a inversão desta tendência alarmante passa pela redução do crescimento de plástico industrial e doméstico de uso único e por estratégias de gestão e recuperação, a par de responsabilidade alargada do produtor.

A poluição plástica (polímeros sintéticos) está distribuída globalmente em todo o ambiente marinho devido às suas propriedades de flutuabilidade e durabilidade, portanto, com potencial para se tornar amplamente dispersa no ambiente marinho através da hidrodinâmica e correntes oceânicas.

Através de foto-degradação (ação da luz solar) e outros processos atmosféricos, nomeadamente, biodegradação (ação de organismos vivos normalmente micróbios), degradação térmica (resultado da exposição prolongada a radiações UV) ou hidrólise (reação com água), os fragmentos plásticos dispersam-se no oceano, vindo a convergir nos giros. A geração e acumulação de poluição de plástico também ocorre em baías fechadas, golfos e mares cercados por linhas costeiras e bacias hidrográficas densamente povoadas (Barnes et al., 2009).

A absorção de substâncias tóxicas do plástico durante o seu percurso através do ambiente levaram alguns investigadores a afirmar que polímeros sintéticos no oceano devem ser considerados como resíduos perigosos (Rochman et al., 2013).

O presente trabalho aborda os perigos da poluição de microplásticos existentes e emergentes no Atlântico Norte, procurando sensibilizar para o problema e contribuir para os esforços em curso para desenvolver soluções para a poluição plástica.

O problema

Muitos autores definem microplásticos como partículas menores que 5 mm (e.g. NOAA, 2009), enquanto outros colocam o limite superior em 1 mm (e.g. Claessens et al., 2011), sendo, no entanto, o valor de 5 mm o mais utilizado. Este (5 mm) é o tamanho usado pelo norte-americano National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) para o Programa Lixo Marinho.

Estas partículas têm vindo a ser detetadas, de forma crescente no seio do biota aquático, afetando o zooplâncton de alimentação dos peixes, aumentado assim a preocupação com potenciais efeitos sobre os organismos aquáticos e a potencial influência sobre a toxicidade de outros contaminantes do meio marinho.

Os plásticos, fabricados a partir de recursos não renováveis como petróleo, carvão e gás natural são indispensáveis na sociedade moderna e são amplamente utilizados nos mais variados tipos de indústria. Trata-se de um material omnipresente na civilização contemporânea e encontramo-lo sob as mais variadas formas. As propriedades dos plásticos levaram a inúmeros avanços tecnológicos, economia de energia, melhoria da saúde dos consumidores e redução dos custos de transporte.

Devido à sua muito baixa taxa de degradação, quebrando apenas gradualmente, através de ação mecânica, persistem por séculos. Os plásticos de tamanhos variados acumulam-se tanto em ecossistemas terrestres como aquáticos.

Dada a sua importância na nossa sociedade, é também um dos materiais mais descartados no ambiente como lixo, muito do qual não recebe o destino correto e acaba, invariavelmente, nos mares, transportados por rios, cheias, e outros fatores humanos, tornando-se um dos fatores de impacto mais drásticos e observáveis no ambiente.

No meio marinho, os plásticos acumulam-se tanto em áreas costeiras baixas como no oceano aberto e encontram-se desde os trópicos aos mares polares, cuja acumulação no giro oceânico, juntamente com vários outros resíduos, incluindo produtos químicos, tem despertado crescente preocupação, o que representa um grande desafio para a sua remediação (Zarfl et al., 2011).

Apesar da sua jovem idade, os plásticos já invadiram a maioria dos habitats marinhos incluindo a Antártida (Zarfl & Matthies, 2010) e até mesmo o mais puro e intocado: o fundo do mar Ártico como Bergmann & Klages (2012) demonstraram recentemente.

No entanto, apesar da consciência crescente do problema da poluição de plástico, ele continua a ser produzido, consumido e descartado a uma taxa crescente, o que constitui um problema para a biosfera como um todo, em animais marinhos que por sua vez afeta negativamente a biodiversidade (Rochman et al., 2013). Em 2011, a produção mundial de plásticos aumentou para cerca de 280 milhões de toneladas, continuando um padrão de crescimento de cerca de 9% ao ano desde 1950 (Plastics Europe, 2012).

O fundo do mar é considerado como um esgoto para grande parte dos plásticos marinhos. Interferem fisicamente no ambiente por acumulação, soterrando seres vivos que vivem no fundo do oceano ou bloqueando parte da superfície quando flutuam em grandes maciços, libertando substâncias tóxicas.

Origem da poluição plástica

Grande parte da poluição de plástico tem origem terrestre (80%), não só a partir do uso doméstico em áreas urbanas e industriais, como de estações de tratamento de água que usam técnicas limitadas e ineficientes para eliminar microplásticos, sendo normalmente transportados pelo escoamento da água e do vento para o oceano.

Os restantes 20% são de origem marítima (Jeftic et al., 2009), resultantes do despejo do lixo não regulamentado ou ilegal da atividade de transporte marítimo ou, por variadas razões ter de perder a totalidade ou parte da sua carga, e ainda a poluição originada pelas atividades industriais baseadas no mar, como por exemplo a pesca que, nas últimas décadas se acentuou devido ao aperfeiçoamento de técnicas e equipamentos, à expansão das frotas e à introdução das linhas e redes de plástico. Segundo Allsopp et al. (2007) observações informais indicam que são descartadas até 30 km de redes em cada viagem de navio pesqueiro no Atlântico Norte, situação que, muito provavelmente, se deve repetir noutros oceanos. Linhas, cordas e redes enredam-se em hélices de navios, danificando-as, obstruem tubulações e sistemas de bombeamento de água, provocam entrelaçamento da fauna marinha que a leva à morte por estrangulamento e afogamento, complicando a própria atividade pesqueira e a navegação em geral, tornando-se um problema de todos.

As plataformas petrolíferas são também grandes fontes da quantidade de plásticos derivados dos tubos de perfuração, capacetes de proteção, luvas, uso como abrasivos em aplicações de limpeza (também em uso doméstico) entre outros.

A aquicultura também pode ser um contribuinte significativo de detritos plásticos nos oceanos.

A situação no Atlântico Norte

Os resíduos de plástico, são uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos. Depois de decompostos em fragmentos microscópicos, o que pode durar séculos, libertam substâncias tóxicas, misturam-se com o plâncton, são confundidos com alimento por várias espécies e por serem indigeríveis, causam obstruções no seu aparelho digestivo matando-os ou ferindo-os, acabando assim infiltrados em toda a cadeia alimentar oceânica, que mais tarde contaminará a alimentação humana. Afetando os ecossistemas e espécies, muitas delas de valor econômico, naturalmente que o Homem acaba prejudicado também, como a ciência já comprovou. As grandes vítimas são tartarugas (espécie ameaçada), aves, focas e outros grandes animais marinhos.

Um levantamento realizado em praias da Espanha, França e Itália revelou em média a existência de 1 935 objetos diversos por km2 da faixa costeira: 77% deles eram de plástico, e destes, 93% eram sacos utilizados nas compras domésticas (Madan & Madan, 2009).

Estudos recentes efetuados na Escócia (Murray & Cowie, 2011) demonstraram que 83,0% dos lagostins recolhidos no Mar de Clyde ingeriram plástico, incluindo linhas de monofilamento e fragmentos de sacos de plástico. Num outro estudo realizado no Canal da Mancha (Lusher et al., 2013), das 504 amostras examinadas em 10 espécies de peixe foram observados plásticos no trato gastrointestinal de 36,5%. Todas as cinco espécies pelágicas e as cinco demersais (que vivem no fundo do mar) tinham ingerido plástico, a sua maioria constituído pelos polímeros rayon (57,8%), poliamida (35,6%), muito usados na indústria pesqueira, não existindo diferenças significativas entre a ingestão de microplásticos pelos peixes pelágicos (38%) e demersais (35%). A maioria do plástico ingerido era constituída por fibras sintéticas (68,3%), seguido de fragmentos plásticos (16,1%), pellets e “microbeads” (11,5%), ocupando os microplásticos 92,4% do total.

O Mar do Norte e, particularmente, o lodaçal das marés do Mar de Wadden é um ecossistema diversificado, complexo, que atua como um valioso habitat para a vida marinha com um alto grau de biodiversidade. Ao mesmo tempo, o Mar do Norte está rodeado pelas densamente povoadas nações industrializadas do norte da Europa. Aproximadamente 185 milhões de pessoas vivem em estados ribeirinhos, e milhões de turistas visitam a área do Mar do Norte todos os anos para recreação (OSPAR, 2010). Várias indústrias e grandes portos estão localizados em baías ou estuários dos grandes rios como o Reno, o Elba e o Tamisa.

No que diz respeito à exploração humana offshore, o Mar do Norte é afetado pela pesca intensiva e o tráfego marítimo de navios comerciais, de passageiros, de embarcações de recreio e militares. Alguns programas regionais, como a Convenção OSPAR promovem e gerem ações e medidas potenciais, para evitar maior degradação do meio ambiental marinho.

No estuário do rio Tamar (Sudoeste do Reino Unido) designado em 2013 como Zona de Conservação Marinha pela sua biodiversidade e habitats variados para proteger os habitats estuarinos, os microplásticos e potencialmente, também à escala nanométrica representam mais de 80% de plásticos retidos (Browne et al., 2007).

Muitos países já registaram declínio na pesca por causa do lixo, e o problema afeta também o turismo. Os impactos econômicos ainda não foram estimados com precisão, e só se dispõe de estudos pontuais, mas a partir deles é fácil projetar a dimensão global dos prejuízos.

Nas ilhas Shetland (Reino Unido) os detritos marinhos dão prejuízos para a pesca que chegam a mais de 3 milhões de euros anuais na danificação de equipamentos e prejuízo nos peixes. No Reino Unido, em 1998 foram registados 200 incidentes envolvendo motores de barcos danificados por detritos, e alguns portos britânicos gastam até 33 mil euros anuais por problemas relacionados (Jeftic et al., 2009).

Os impactos dos detritos plásticos a longo prazo, combinados com outras formas de agressão, como a crescente poluição química por fertilizantes e esgotos, o aquecimento das águas devido ao aquecimento global, o declínio da biodiversidade marinha e outros fatores terão repercussões, sem dúvida à escala global, afetando profundamente o Homem.

As zonas costeiras são as regiões mais produtivas do mundo, tanto biológica como economicamente, mas são também altamente vulneráveis, sobretudo em zonas mais densamente povoadas. Deve ter-se em conta que grande parte da população mundial vive no litoral, recebendo impactos diretos da poluição por detritos marinhos, plásticos e outros.

Esforços para regular a poluição marinha

Desde a Convenção MARPOL (1973), a principal Convenção que abrange a prevenção da poluição do meio marinho por navios, causada de forma operacional ou acidental, muitos esforços nacionais e transnacionais têm procurado compreender melhor e regular a poluição marinha.

Estes esforços têm conduzido a resultados tangíveis nas formas de melhorar a cultura ambiental, através de acordos internacionais e legislação, nomeadamente, (i) o Protocolo de MARPOL a partir de 1978, atualizado ao longo dos anos com sucessivas alterações (ii) a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Econômico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre uma política marítima integrada para a União Europeia (COM(2007) 574) (iii) a Diretiva 2008/56/CE do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de ação comunitária no domínio da política para o meio marinho (Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”) em que os Estados-membros devem desenvolver atividades para alcançar “um bom estado ambiental” nos mares europeus até 2020 (iv) a Convenção OSPAR (Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste), um instrumento legislativo vigente desde 1998, que regula a cooperação internacional em matéria de proteção ambiental no Atlântico Nordeste. Combina e atualiza a Convenção de Oslo de 1972 sobre o despejo de resíduos no mar e a Convenção de Paris adotada em 1974 sobre fontes de poluição marinha terrestres (v) a Public Law 109 – 449, de dezembro 2006 (EUA) com vista ao estabelecimento de um programa para ajudar a identificar, determinar as fontes, avaliar, reduzir e evitar detritos marinhos e os seus efeitos adversos sobre o ambiente marinho e segurança da navegação.

Estes esforços legislativos refletem a sensibilização da sociedade para com a poluição costeira e de mar aberto.

Possíveis soluções

A UNEP, a agência das Nações Unidas que coordena as suas atividades ambientais e ajuda os países em desenvolvimento na implementação de políticas e práticas ambientalmente saudáveis recomenda, entre outras, as seguintes medidas para minimizar o impacto negativo dos detritos marinhos, enfatizando que a prevenção é mais efetiva e mais barata do que o combate a um problema já instalado (Jeftic et al., 2009):

Reforço e melhoria internacional da legislação sobre o lixo e sua fiscalização;

Estabelecimento de programas de monitorização;

Educação do público em larga escala conduzindo à mudança de hábitos, fazendo-o entender a importância do problema, seu papel nas causas, e ensinando formas de preveni-lo e mitigá-lo, dirigindo-se especialmente ao público que vive no litoral e aos turistas;

Reestruturação do setor pesqueiro, introduzindo métodos e materiais de pesca menos danosos ao ambiente;

Incrementar a eficiência e segurança dos sistemas de manuseamento de lixo dos navios de transporte de carga e passageiros;

Incentivar a pesquisa e o intercâmbio de informações, a cooperação global, preparando mais pessoal técnico;

Dedicar mais incentivos e recursos a infraestruturas sanitárias e a programas de redução do lixo e de manuseamento correto dos resíduos.

Conclusões

Os primeiros relatos de lixo plástico nos oceanos no início dos anos 70 (Colton et al., 1974) chamaram a mínima atenção da comunidade científica. Atualmente, apesar do reconhecimento generalizado do problema, a quantidade de detritos de plástico encontrada no meio ambiente continua a aumentar, resultado da sua crescente utilização.

Na sociedade contemporânea, o plástico alcançou um estatuto fundamental, com vasta aplicação comercial, industrial e medicinal. A procura é considerável.

As tendências de produção, padrões de uso e as mudanças demográficas e a natureza descartável de artigos de plástico resultará num aumento da incidência de plásticos e detritos microplásticos, no ambiente marinho.

O meio marinho é um patrimônio precioso que deve ser protegido, preservado e, quando exequível, recuperado com o objetivo último de manter a biodiversidade e de possibilitar a existência de oceanos e mares diversos e dinâmicos, limpos, sãos e produtivos. Os detritos marinhos, em especial os plásticos, são um desafio de grandes proporções que cresce a cada dia, é uma das mais omnipresentes formas de poluição e tem dado enormes prejuízos, e por isso tem chamado a atenção internacional, mas as medidas até agora adotadas têm sido insuficientes para a reversão de um quadro que é muito preocupante e cuja repercussão é de longo prazo.

De acordo com Jambeck et al. (2015), a “remoção em grande escala de detritos marinhos de plástico não vai ser rentável e muito provavelmente simplesmente inviável”. “Isso significa que precisamos para evitar plástico de entrar nos oceanos, em primeiro lugar de uma melhor gestão dos resíduos, mais reutilização e reciclagem, melhor design de produto e materiais de substituição”.

Definitivamente, o oceano tem de deixar de ser o principal sumidouro de plásticos.

Referências

Allsopp, M., Walters, A., Santillo, D. & Johnston, P. (2007). Plastic Debris in the World’s Oceans. Greenpeace.

Barnes, D. K. A., Galgani, F., Thompson, R. C., & Barlaz, M. (2009). Accumulation and fragmentation of plastic debris in global environments. Philosophical Transactions of the Royal Society B, 364, 1985–1998.

Bergmann, M., & Klages, M. (2012). Increase of litter at the Arctic deep-sea observatory HAUSGARTEN. Marine Pollution Bulletin, 64, 27342741.

Browne, M. A., Galloway, T., & Thompson, R. (2007). Microplastic – an emerging contaminant of potential concern?Integrated Environmental Assessment and Management, 3(4), 559–561.

Claessens, M., De Meester S., Van Landuyt L., De Clerck K., Janssen C.R. (2011). Occurrence and distribution of microplastics in marine sediments along the Belgian coast. Marine Pollution Bulletin, 62(10), 2199-204.

Colton, J. B., Knapp, F. D., & Burns, B. R. (1974). Plastic particles in surface waters of the northwestern Atlantic.Science, 185(4150), 491–497.

Heinemann, B. and the Open University (1998). Ocean circulation. Oxford University Press.

Hoornweg, D., Bhada-Tata, P., & Kennedy, C. (2013). Waste production must peak this century. Nature, 502(7473), 615-617.

Jambeck, J. R., Geyer, R., Wilcox, C., Siegler, T. R., Perryman, M., Andrady, A., Narayan, R., & Law, K. L. (2015).Plastic waste inputs from land into ocean. Science, 347(6223), 768-771. DOI: 10.1126/science.1260352

Jeftic, L., Sheavly, S. & Adler, E. (2009). Marine litter: a global challenge. United Nations Environment Programme: Nairobi.

Lusher, A. L., McHugh, M., & Thompson, R. C. (2013). Occurrence of microplastics in the gastrointestinal tract of pelagic and demersal fish from the English Channel. Marine Pollution Bulletin, 67, 94- 99.

Madan, S. & Madan, P. (2009). Marine Debris. Global Encyclopaedia of Environmental Science, Technology and Management. Global Vision Publishing House.

Murray, F., & Cowie, P. R. (2011). Plastic contamination in the decapod crustacean Nephrops norvegicus (Linnaeus, 1758). Marine Pollution Bulletin, 62(6), 1207-1217.

NOAA (2009). Proceedings of the International Research Workshop on the Occurrence, Effects and Fate of Microplastic Marine Debris. NOAA Marine Debris Programme, NOAA Technical Memorandum NOS-OR&R-30.

OSPAR (2010). Quality Status Report 2010. London, United Kingdom.

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Rochman, C. M., Browne, M. A., Halpern, B. S., Hentschel, B. T., Hoh, E., Karapanagioti, H. K., Rios-Mendoza, L. M.,Takada, H.,Teh, S. & Thompson, R. C. (2013). Classify plastic waste as hazardous. Nature, 494, 169-171.

Zarfl, C., Fleet, D., Fries, E., Galgani, F., & Gerdts, G. (2011). Microplastics in oceans. Marine Pollution Bulletin, 62(8), 1589-1591.

Zarfl, C., & Matthies, M. (2010). Are marine plastic particles transport vectors for organic pollutants to the Arctic?Marine Pollution Bulletin, 60(10), 1810–1814.

Alexandra Leitão é Professora Auxiliar na Católica Porto Business School, onde foi Diretora das Licenciaturas em Economia e Gestão de 2011 a 2013. Doutorada em Economia, com especialização em Economia do Ambiente, pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Finanças, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Tem interesses de investigação e publicações em Economia do Ambiente e dos Recursos Naturais, com comunicações em diversas conferências internacionais. Publicou na Ecological Economics. Referee em revistas científicas internacionais.

Fonte – EcoDebate de 13 de março de 2017

Este post é dedicado àquela empresa que polui o planeta com plástico indestrutível e que prega que “o plástico é fantástico!”.

Microplástico: poluição invisível que ameaça oceanos

Partículas microscópicas liberadas por roupas sintéticas e pneus passam por sistemas de tratamento de água e vão parar no mar. Relatório revela material como perigo ambiental maior do que se pensava.

Assista aqui a matéria.

De pneus a roupas e cosméticos, o microplástico se encontra praticamente em todos os objetos do dia a dia. E seu impacto sobre as águas do planeta é catastrófico: calcula-se que, dos 9,5 milhões de toneladas de matéria plástica que flutuam nos mares, até 30% sejam compostos por partículas minúsculas. Invisíveis a olho nu, elas constituem uma fonte de poluição mais grave do que se pensava, como mostra o mais recente relatório da International Union for Conservation of Nature (IUCN).

“Nossas atividades diárias, como lavar roupas e andar de carro, contribuem significativamente para a poluição que sufoca os nossos oceanos, tendo efeitos potencialmente desastrosos para a rica diversidade que vive neles e para a saúde humana”, afirma a diretora geral da IUCN, Inger Andersen.

Assista abaixo “A história das microfibras”, mais um vídeo do projeto “A história das coisas“. No site, os outros vídeos.

Segundo o estudo da organização, cerca de dois terços do microplástico encontrado nos oceanos são originados dos pneus de automóveis e das microfibras liberadas na lavagem de roupa. Outras fontes poluidoras são a poeira urbana, marcações rodoviárias e os barcos.

Perigo invisível

As imagens de tartarugas presas em redes de pescar e pássaros com anéis de latas de cerveja em volta do pescoço há muito correm mundo. O problema do microplástico, contudo, é invisível, só tendo sido recentemente detectado como tal. Assim, ainda se sabe relativamente pouco sobre sua escala e verdadeiro impacto ambiental.

Ao contrário do lixo plástico convencional, que se degrada na água, o microplástico já é lançado no ambiente em partículas tão microscópicas que driblam os sistemas de filtragem das estações de tratamento de água. É exclusivamente nesse tipo de dejeto que o relatório da IUCN se concentra.

A atual quantidade de microplástico nas águas é de 212 gramas por ser humano, o equivalente a se cada pessoa do planeta jogasse uma sacola plástica por semana no oceano. Ingeridos por peixes e outros animais marinhos, os minigrãos podem ter sério impacto sobre seus sistemas digestivos e reprodutivos, e há sérias suspeitas de que acabem chegando aos humanos, cadeia alimentar acima.

Platik Vogel MeerPinguim estrangulado por embalagem de latas de bebida

Maus hábitos de consumo

Como lembra João de Sousa, diretor do Programa Marinho Global do IUCN, as estratégias globais de combate à poluição marítima se concentram em reduzir o tamanho dos fragmentos do lixo plástico convencional. No entanto essa concepção precisa ser revista.

“As soluções devem incluir design de produtos e de infraestrutura, assim como o comportamento do consumidor. Pode-se projetar roupas sintéticas que liberem menos fibras, por exemplo, e os consumidores também podem agir, optando por tecidos naturais, em vez de sintéticos.”

Segundo outros especialistas, contudo, essa estratégia não tem o alcance necessário, e se precisa também abordar outros hábitos de consumo. Para Alexandra Perschau, da campanha “Detox” da organização ambiental Greenpeace na Alemanha, o real problema não é o tipo de casaco que se compra, mas sim quantos.

“O sistema de moda como um todo é o problema, é excesso de consumo”, comentou à DW. “Em diversos levantamentos, seja na Ásia ou na Europa, grande parte dos consumidores admite possuir mais roupas no armário do que precisam, mas continua comprando mais e mais.”

A produção mundial de vestuário dobrou a partir do ano 2000, excedendo os 100 bilhões de peças em 2014, de acordo com uma sondagem da Greenpeace. Além disso, atualmente as peças de vestuário tende a ser de difícil reciclagem.

“Temos cada vez mais peças confeccionadas com fibras mistas de poliéster e algodão, portanto nem temos como reciclá-las devidamente. No momento a tecnologia não está tão avançada que possamos separar esses tipos de fibras”, explica Perschau.

Symbolbild Verschmutzung der MeereMacrolixo visível é apenas parte da ameaça aos oceanos

Entre a moda e meio ambiente

O relatório da IUCN saúda os esforços para banir as microesferas de plástico dos produtos cosméticos, inspirados por relatórios recentes. Trata-se de uma “iniciativa bem-vinda”, porém com impacto restrito, uma vez que esse tipo de material só responde por 2% da poluição com microplástico.

Em vez disso, seria necessária uma investida mais ampla e de impacto real contra as atividades geradoras das minúsculas partículas, segundo Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup Foundation, que luta para que se pare de despejar matéria plástica no oceano.

“Somos todos responsáveis: é a ciência, a indústria, são os legisladores – e os consumidores. Todos nós precisamos fazer algo. Todos estamos usando plástico e todos o jogamos fora”, pleiteia Westerbos, sugerindo o desenvolvimento de tecidos que não desfiem e a adoção de novos filtros nas máquinas de lavar roupa – que só devem ser usadas com carga completa e de preferência com sabão líquido.

Perschau, da Greenpeace, acrescenta a importância de aumentar a vida útil das roupas. Em vez de jogar fora as que não se deseja mais, faria mais sentido trocá-las por outras ou entregá-las nas lojas de segunda mão. “Não estamos dizendo que não se deva usar roupa da moda, mas sim ser mais inteligente, vivendo de acordo com os próprios desejos sem comprometer os recursos do planeta.”

Com 7 bilhões de seres humanos e uma população crescente, será preciso mudar nossas atitudes em relação ao plástico, se quisermos salvar os oceanos, observa Westerbos.

“Não compre maçãs embaladas em plástico, não use sacolas plásticas descartáveis, nem canudinhos para descarte imediato. Há um monte de modos de evitar usar plástico, vamos começar por aí.”

Alarmantes mortes em massa de animais

Dead fish in Rodrigo de Freitas Lagoon, Rio de Janeiro (Photo: picture-alliance/dpa/Scorza)

Tragédia no Rio de Janeiro – Somente este ano já foram registrados pelo menos 35 incidentes isolados de mortandade de peixes. Mais de 33 toneladas de peixes mortos foram retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro (foto), locação dos Jogos Olímpicos de 2016. A poluição priva os animais do oxigênio de que necessitam para sobreviver.

Dead seabirds in Alaska, 2016 (Photo: picture-alliance/AP Photo/M. Thiessen)

Pássaros famintos – A costa oeste da América do Norte registrou morte sem precedentes de pássaros marinhos em 2015. Foram contadas até 10 mil aves tombadas. Depois de descartados doenças e traumas, o aquecimento global foi responsabilizado. Em fevereiro de 2016, recolheram-se por volta de 8 mil aves marinhas mortas no Alasca. Elas morreram de fome – embora seu alimento principal seja peixe.

Green sea turtle infected by deadly herpes (Photo: cc-by-Peter Bennett & Ursula Keuper-Bennett)

Herpes mortal em tartarugas – A ameaçada tartaruga-verde é uma das maiores tartarugas marinhas do mundo. Um vírus fatal do herpes – que impede a visão, a alimentação e o movimento – está afetando um crescente número desses animais. Os especialistas ainda estão investigando por que e como o vírus está se espalhando. Mais uma vez, a poluição e o aquecimento global parecem ser os principais culpados.

Saiga antelope resting on the ground (Photo: Imago/blickwinkel)

Antílopes quase extintos – No início do ano passado, cientistas estimaram que mais da metade de todos os antílopes saiga, uma espécie seriamente ameaçada, tenham morrido em menos de duas semanas. Os pesquisadores advertiram que a espécie estava sofrendo as consequências das mudanças climáticas e poderia se extinguir no prazo de um ano. Até agora, não houve relatos sobre novas mortes em massa.

Dead giant squids on Chilean coast, 2016 (Photo: Getty Images/AFP/Stringer)

Lulas em decomposição – No início de 2016, milhares de lulas gigantes foram encontradas mortas na costa do Chile – para a preocupação dos moradores e de cientistas. Embora esse fenômeno não seja novo na área, a enorme escala em que ocorreu é. Mais uma vez, o aquecimento global e o El Niño parecem ser os mais prováveis responsáveis pelas mortes.

Dead bat in India, 2015 (Photo: Berlinale)

Calor demais para morcegos – Em 2015, milhares de morcegos caíram do céu em Bhopal, na Índia. Um ano antes, por volta de 100 mil dessas criaturas foram encontrada mortas no estado de Queensland, na Austrália. As ruas, árvores e quintais estavam cobertos com morcegos mortos ou moribundos. Esses mamíferos voadores são muito sensíveis ao calor e não conseguem suportar temperaturas elevadas.

Dead sperm whales on the German Baltic Sea coast in February 2016 (Photo: picture alliance/dpa/C. Charisius)

Baleias cometem suicídio – As baleias naturalmente encalham e morrem, mas a poluição e as mudanças climáticas estão causando, provavelmente, um aumento desse fenômeno. Está acontecendo em todo o mundo: na Alemanha, nos EUA, na Nova Zelândia. No Chile, ao menos 400 baleias encalhadas foram registradas em 2015. Na foto, veem-se algumas das 29 cachalotes que foram encontradas mortas no norte europeu desde o início deste ano.

Fonte – Louise Osborne, DW de 27 de fevereiro de 2017

Fotos – Irene Banos Ruiz

Declarada guerra ao plástico nos oceanos

A maior limpeza de praias do mundo em Versova, na cidade indiana de Mumbai. Foto: Pnuma

A Organização das Nações Unidas (ONU) declara guerra aos plásticos que inundam os oceanos: mais de oito milhões de toneladas acabam em suas águas a cada ano, como se fosse despejado um caminhão desse material por minuto, o que causa estragos na vida marinha, na pesca e no turismo, e tem custo de aproximadamente US$ 8 bilhões.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sede em Nairóbi, capital do Quênia, lançou ontem uma campanha mundial para eliminar, até 2022, as principais fontes de contaminação marinha, como os microplásticos existentes em produtos cosméticos, e o desperdício de artigos descartados usados apenas uma vez.

Apresentada na Cúpula Mundial dos Oceanos, organizada pela revista The Economist, na cidade de Bali, na Indonésia, a campanha #MaresLimpos pede urgência aos governos no sentido de criarem políticas para reduzir o uso de plásticos, especialmente dirigidas à indústria, a fim de minimizar os envoltórios desse material e redesenhar suas embalagens, e aos consumidores para mudar seus hábitos de descarte, antes que haja um dano irreversível.

“Já é hora de encararmos o problema do plástico que arruína nossos oceanos”, ressaltou Erik Solheim, diretor executivo do Pnuma. “A poluição por plásticos navega pelas praias indonésias depositando-se no solo oceânico do Polo Norte, e regressa por meio da cadeia alimentar para se instalar em nossa mesa. Esperamos muito tempo e o problema piorou. Precisa acabar”, enfatizou.

No contexto da campanha serão anunciadas novas medidas ambiciosas dos países, mas também das empresas, para a eliminação dos microplásticos dos produtos de higiene pessoal, proibição ou taxação dos sacos plásticos com apenas um uso e redução drástica de outros artigos plásticos descartáveis. A iniciativa mundial procura sensibilizar os governos, a indústria e os consumidores para que reduzam urgentemente a produção e o abuso de plásticos, que contaminam os oceanos, atentam contra a vida marinha e ameaçam a saúde humana.

O Pnuma procura transformar todas as esferas: hábitos, práticas, padrões e políticas em todo o mundo, com o objetivo de reduzir radicalmente o lixo marinho, bem como suas consequências negativas. Dez países já se uniram à campanha: Bélgica, Costa Rica, França, Granada, Indonésia, Noruega, Panamá, Santa Lúcia, Serra Leoa e Uruguai. A Indonésia se comprometeu a diminuir seu lixo marinho em 70% até 2025, o Uruguai anunciou que este ano taxará os sacos plásticos descartáveis, e a Costa Rica tomará medidas para reduzi-los rapidamente por meio de uma melhor gestão dos resíduos e da educação.

“Proteger os mares e a vida marinha do plástico é uma questão urgente para a Noruega”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente desse país, Vidar Helgesen. “O lixo marinho aumenta rapidamente os riscos para a vida marinha, a segurança dos mariscos e peixes, e afeta de forma negativa a vida das populações costeiras de todo o mundo. Os oceanos já não podem esperar”, destacou.

Por sua vez, a ministra de Habitação, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente do Uruguai, Eneida de León declarou: “Nosso objetivo é desestimular o uso de sacos plásticos mediante regulamentações, oferecer alternativas aos trabalhadores do setor do lixo e desenvolver planos de educação sobre o impacto do uso dos sacos plásticos em nosso ambiente”.

Nos banheiros de todo o mundo há pastas de dentes e esfoliantes faciais envasados com microplásicos, que ameaçam a vida marinha. Foto: Pnuma

No ritmo em que descartamos garrafas, sacos e copos plásticos, as estimativas revelam que até 2050 os oceanos terão mais plástico do que peixes e que aproximadamente 99% das aves marinhas terão consumido plástico. São esperados mais anúncios no contexto dessa campanha na Conferência sobre os Oceanos, que acontecerá na sede da ONU, em Nova York, entre os dias 5 e 9 de junho, bem como na Assembleia Geral da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi no mês de dezembro.

Além dos oito milhões de toneladas de plástico lançados nos oceanos todos os anos, estes também sofrem sobrepesca, acidificação e elevação da temperatura da água devido à mudança climática. A ONU organizou uma reunião nos dias 15 e 16 deste mês em Nova York para preparar a Conferência de junho, no sentido de “contribuir para salvaguardar os oceanos e recuperar os problemas causados pelas atividades humanas”.

A ministra do Clima da Suécia, Isabela Lövin, afirmou em um vídeo postado no Twitter que a Conferência seria uma “oportunidade única na vida” para salvar os oceanos que sofrem um enorme estresse. Ela argumentou que “não precisamos negociar nada novo, só temos que agir para implantar o que já acordamos”, basicamente resumindo o sentimento da maioria da comunidade científica, ambientalistas e organizações da sociedade civil.

Lövin se referia à esperada “chamada à ação”, que surgirá da Conferência no que diz respeito à sobrepesca, à contaminação marinha e às circunstâncias especiais dos pequenos Estados insulares. No tocante ao objetivo de conseguir oceanos sustentáveis e preservar a vida debaixo da água, a ministra disse em entrevista à IPS que “o mundo avança em uma direção totalmente equivocada”.

“Se observarmos as tendências, vemos cada vez mais sobrepesca, cada vez mais contaminação, lixo plástico que chega aos oceanos, e também vemos o estresse que sofrem os oceanos por causa da mudança climática, da acidificação e do aquecimento da água e pela elevação do nível do mar. Tudo isso exerce uma tremenda pressão sobre nossos oceanos”, enfatizou a ministra.

Na reunião de Nova York, a ONU pediu compromissos voluntários para implantar o 14º dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e, no dia 15 deste mês, lançou um registro de compromisso online, que já tem três compromissados: o governo da Suécia, o Pnuma e a organização não governamental Peaceboat. O site estará pronto ao final da Conferência, que começará em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a qual também será celebrado o Dia Mundial dos Oceanos, três dias mais tarde.

Os compromissos voluntários “destacam a necessidade de ação e soluções urgentes”, pontuou o secretário-geral adjunto para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Wu Hongbo, que será o secretário-geral da Conferência.

Fonte – Baher Kamal, Envolverde/IPS de 24 de fevereiro de 2017

China. “Arpocalipse” obriga milhares a fugir das cidades mais poluídas

STRINGER/ REUTERS

Desde sexta-feira que os céus da China foram invadidos por uma grande quantidade de partículas nocivas que põe em risco a saúde de quase 500 milhões de pessoas

Refugiados do smog” (espécie de nevoeiro denso causado pela poluição) foi o termo utilizado pelo jornal britânico “The Guardian” para denominar os milhares de pessoas que estão a fugir das áreas mais poluídas no norte da China. Esta quarta-feira é o sexto dia em que o país está em alerta vermelho.

Shijiazhuang, na província de Hebei, é a cidade chinesa mais poluída, com uma concentração de partículas PM2.5 – as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões –, 29 vezes acima do nível máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, segundo a Lusa. Ao fim de seis dias sob alerta máximo, o departamento de Educação da cidade decidiu fechar as escolas, o que provocou descontentamento popular devido à resposta tardia.

Estima-se que o espesso manto de poluição que cobre grande parte do norte da China esteja a afetar 460 milhões de pessoas, o que equivale à população total somada dos Estados Unidos, Canadá e México. Milhares estão a tentar deixar o país ou a deslocar-se para regiões menos poluídas. A Ctrip, principal agência de viagens chinesa, espera que ocorram cerca de 150 mil viagens para o estrangeiro este mês, motivadas pela poluição. Os destinos mais procurados são a Austrália, a Indonésia, o Japão e as Maldivas.

Jiang Aoshuang, o marido e o filho de dez anos representam uma das muitas famílias que fogem da poluição. Para evitarem complicações nos pulmões, partiram com destino a um resort em Chongli. Mas não foram os únicos. Em declarações ao “Global Times”, citada pelo “The Guardian”, Jiang referiu que o resort “parecia um campo de refugiados”, pois estava cheio de pessoas que procuraram escapar das cidades mais afetadas.

Também Yang Xinglin escolheu Chongli para fugir da vaga de poluição. Para tal, teve de pedir dispensa do seu trabalho. “Pergunta-me porque é que eu saí de Pequim? Porque quero viver”, disse a mulher de 27 anos em declarações ao “The Guardian”.

No entanto, escapar das zonas perigosas não tem sido fácil. De acordo com o “China Daily”, citado pelo jornal britânico, a espécie de nevoeiro denso causado pela poluição paralisou aeroportos por todo o norte do país. O aeroporto Nanuan de Pequim cancelou todos os voos na terça-feira, enquanto o aeroporto internacional de Pequim cancelou pelo menos 273 voos.

Lauri Myllyvirta, um ativista da Greenpeace em Pequim, tem relatado na sua conta de Twitter como tem sido viver debaixo de um nível tão alto de poluição. Conta que para proteger os seus pulmões tem evitado sair de casa e usa dois purificadores de ar e uma máscara “que o faz parecer como o Darth Vader”. Numa foto que publicou na rede social com a sua máscara, o ativista referiu que “durante a noite colocou os dois purificadores de ar no quarto e que de manhã a cozinha e a sala de estar estavam com níveis perigosos” de partículas nocivas.

Uma queda no uso de carvão e, consequentemente, na poluição do ar é provável que ocorra nos próximos três a cinco anos, pois cada vez mais medidas estão a ser tomadas para reestruturar a economia e preservar o ambiente. Mas, por agora, a única opção para a população é o exílio temporário ou permanente das áreas mais perigosas. De acordo com Myllyvirta, várias empresas também se queixam que é “difícil recrutar talento”, pois as pessoas recusam-se a vir “para um lugar com o ar terrivelmente poluído”.

Fonte – Expresso de 21 de dezembro de 2016

Mediterrâneo acumula cerca de 1,4 mil toneladas de plásticos

97% dos resíduos marítimos achados por pesquisadores no Mediterrâneo foram plásticos97% dos resíduos marítimos achados por pesquisadores no Mediterrâneo foram plásticos. Foto: iStock

A superfície do Mar Mediterrâneo, sobretudo em zonas litorâneas, abriga cerca de 1.455 toneladas de resíduos plásticos que são uma grave ameaça para as espécies marinhas, a saúde e a economia.

Esta é a principal conclusão de um estudo publicado na revista “Environmental Research”, no qual seus autores advertem que “em menos de 100 anos estes resíduos plásticos passaram a fazer parte do ecossistema marinho”.

Os resultados, obtidos por uma equipe de cientistas liderada pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) espanhol no marco do projeto de pesquisa NIXE III, revelam a presença de resíduos plásticos em todas as amostras marinhas tomadas.

“97% dos resíduos marítimos achados nestas amostras foram plásticos”.

Durante várias viagens realizadas em 2011 e 2013, os pesquisadores repetiram pelo Mediterrâneo os percursos históricos que Luis Salvador da Áustria realizou há 100 anos, a fim de comparar resultados.

A primeira das expedições foi realizada desde as ilhas Baleares até os mar Adriático, enquanto a segunda foi desde as Baleares ao mar Jônico.

Foram analisadas 70 amostras da superfície marinha e os dados mostram, que de média, continham cerca de 147,5 mil partículas de plástico por quilômetro quadrado.

Estes resultados em todo Mediterrâneo daria um número de cerca de de 1.455 toneladas de plástico.

“Estas partículas supõem uma grave ameaça para o ecossistema marinho e poderiam ter grandes consequências na saúde humana e nas atividades econômicas”, explica Luis F. Ruiz-Orelhudo, pesquisador do CSIC.

O tamanho dos plásticos localizados é variado embora em todas as amostras foram encontrados microplásticos -de menos de 5 milímetros-, e as partículas mais abundantes são aquelas que medem ao redor de 1 milímetro.

Os plásticos sofrem um processo de fragmentação quando se encontram em mares e quanto menor é seu tamanho aumentam os organismos para os quais está disponível a partícula e, portanto, sua repercussão na cadeia alimentar”, afirma Ruiz-Orelhudo.

É imprescindível -aponta o pesquisador- fazer um acompanhamento da poluição por plásticos dos mares, conhecer as possíveis zonas de acumulação, apesar de variabilidade das correntes no Mediterrâneo, e apresentar nova informação aos modelos de distribuição.

Fontes – EFE / Portal Terra de 28 de setembro de 2016

Esfoliantes estão criando uma verdadeira catástrofe ambiental

Mulher passando creme no rosto em frente a um espelhoBeleza: o problema é que esses plastiquinhos – feitos geralmente de polietileno – são praticamente impossíveis de tirar do ambiente (shironosov/Thinkstock)

São trilhões de pedaços de plástico contidos em cosméticos que estão invadindo o sistema de tratamento de água e contaminando oceanos

Talvez você nunca tenha pensado nisso ao passar esfoliante no banho para deixar a sua pele lisiiinha, lisinha: mas as pequenas partículas durinhas dentro do produto são micropedaços de plástico – que estão causando um verdadeiro desastre ambiental.

Os microbeads são minúsculos fragmentos de plástico, de até 5 milímetros de tamanho, que são colocados em alguns cosméticos (principalmente esfoliantes de corpo e algumas pastas de dente) para causar uma sensação extra de limpeza e tirar impurezas da pele.

O problema é que esses plastiquinhos – feitos geralmente de polietileno – são praticamente impossíveis de tirar do ambiente. Eles se infiltram nos processos de tratamento de água, entram no sistema hídrico e chegam aos trilhões aos oceanos.

Cientistas calculam que, a cada uso de esfoliante, entre 4.600 e 94 mil microbeads  (sim, você leu certo: quase 100 mil por lavada) podem ser liberados no esgoto.

Todos os dias, 508 trilhões de pedacinhos de plástico são liberados pelas casas americanas. O problema é que as partículas passam incólumes pelo sistema de tratamento de água, não conseguem ser filtrados e acabam voltando para a água da torneira.

E esse ainda é o menor dos transtornos. Quando os plastiquinhos entram nos recursos hídricos, o desastre é ainda pior. Eles vão parar nos rios e oceanos – onde são confundidos com elementos naturais e acabam engolidos por peixes, moluscos e aves.

Um estudo mostrou que 36% dos peixes do Canal da Mancha (entre a Inglaterra e a França) estão contaminados pelas partículas.

Esses peixes e moluscos, por sua vez, vão parar nos nossos pratos. Cientistas acreditam que o estrago causado por eles é praticamente incalculável, já que eles seguem se fragmentando – e ficando cada vez menores –  na natureza, o que torna impossível mensurar o tamanho da contaminação.

Os microbeads foram desenvolvidos por um engenheiro norueguês para ajudar em tratamentos médicos. Como eles conseguem entrar em praticamente todos os lugares, basta carregá-los magneticamente, por exemplo, para que eles separem substâncias ou agrupem células e bactérias.

Mas a descoberta acabou sendo usada em grande escala pela indústria de cosméticos para motivos, digamos, menos nobres: como esfoliar a pele.

Ainda não existe nenhuma tecnologia capaz de eliminar os microplásticos do ambiente. Mas diversos países – como Holanda, Suécia e Canadá – já baniram o acréscimo do ingrediente nos produtos.

Reino Unido e EUA devem fazer o mesmo até o final de 2017. Ainda assim, o estrago já está feito.

Fontes – Karin Hueck, Superinteressante / Exame de 11 de novembro de 2016

Mar Mediterrâneo abriga 1,4 toneladas de resíduos plásticos

São jogados por ano milhões de toneladas de resíduos plásticos no mar.

Pesquisadores alertam que em menos de 100 anos os resíduos passarão a fazer parte do ecossistema marinho

Um problema que só vem crescendo no mundo todo e a alta quantidade de lixo jogado no mar. Milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos mares e oceanos todos os anos.

De acordo com um estudo publicado pela revista “Environmental Research”, a superfície do Mar Mediterrâneo, acima de tudo as zonas litorâneas, contém cerca de 1.455 toneladas de resíduos plásticos, afetando não só a vida marinha, mas também a saúde e a economia. Os autores da revista ainda advertem que em menos 100 anos esses resíduos passarão a fazer parte do ecossistema marinho.

Os resultados conseguidos pela equipe de cientistas liderada pelo Conselho Superior de Pesquisas Cientificas (CSIC) no marco do projeto de pesquisa NIXE III, informam que 97% dos lixos retirados do mar eram plásticos.

Para obter esses resultados os pesquisadores realizaram algumas viagens em 2011 e 2013 pelo Mediterrâneo, repetindo o percurso feito por Luis Salvador da Áustria há 100 anos, com o objetivo de comparar resultados. O primeiro percurso realizado aconteceu desde as ilhas Baleares até o mar Adriático, enquanto a segundo foi desde as Baleares ao mar Jônico.

Os cientistas analisaram 70 amostras da superfície marinha, chegando a um resultado alarmante de cerca de 147,5 mil partículas de plástico por quilômetro quadrado. Isso daria um número equivalente a quase 1.455 toneladas de plástico em toda a extensão do Mediterrâneo, ressaltou Luis F. Ruiz-Orelhudo, pesquisador do CSIC ao portal Terra.

Apesar de o tamanho dos resíduos plásticos localizados serem variados, nas amostras analisadas foram encontrados microplásticos de menos de 5 milímetros. Já as partículas maiores mediam por volta de 1 milímetro.

Ruiz-Orelhudo explicou: “Os plásticos sofrem um processo de fragmentação quando se encontram em mares e, quanto menor é seu tamanho, aumentam os organismos para os quais está disponível a partícula e, portanto, sua repercussão na cadeia alimentar”. Para ele é imprescindível acompanhar a poluição por plásticos dos mares, saber onde estão localizadas as zonas de acumulação, mesmo com as correntes no Mediterrâneo, e indicar novas informações aos modelos de distribuição.

Fonte – Pensamento Verde de 06 de outubro de 2016

Conheça as principais causas da poluição nos rios do Brasil

efleuntes industriais

Veja quais são as principais causas da poluição dos rios no Brasil

Os rios são muito importantes para a vida, tanto em meios urbanos quanto em meios rurais, pois são responsáveis por gerar água pro consumo humano. Essa função, porém, está sendo ameaçada por conta do alto nível de poluição dos rios brasileiros (veja mais aqui).

Considerando a definição usada internacionalmente de que qualquer objeto ou substância que interfira no equilíbrio de um ecossistema é um poluente, o alto nível de poluição dos rios brasileiros tem diversas causas. As principais delas são:

Esgotos domésticos

Segundo o Instituto Trata Brasil, apenas 37,9% de todo o esgoto produzido no país é tratado e a parcela não tratada que vai para os rios é altamente prejudicial. Com o esgoto sendo despejado nos rios, ocorre um aumento da matéria orgânica na água, o que pode resultar no aumento de certos micro-organismos e na dificuldade de outros se reproduzirem. Esse processo é conhecido como eutrofização.

Efluentes industriais

São os resíduos líquidos produzidos por atividades industriais que são lançados nos rios. As características desses resíduos variam dependendo da atividade industrial em questão, mas podem provocar efeitos tóxicos nos seres vivos do local e também prejudicar a vida dos seres humanos que moram na região, causando doenças e até morte.

Metais pesados

Substâncias como o mercúrio, o cádmio e o chumbo são classificados como metais pesados e são altamente tóxicos, podendo se acumular em organismos e causar sérios problemas e doenças, como o câncer. Geralmente essas substâncias são liberadas por empresas que não realizam o processo adequado com seus rejeitos, despejando esse tipo de metal diretamente nos rios.

Poluentes orgânicos persistentes (POPs)

Os POPs são compostos que não se degradam facilmente e persistem no ambiente, sendo espalhados pela natureza por correntes aéreas ou pela água, e o pior de tudo: sem perder sua capacidade contaminante. Leia mais sobre esses poluentes e suas consequências aqui.

Lixo

O lixo mal destinado traz consequências graves em qualquer lugar, mas nos rios especialmente, pois são levados pela corrente até o mar, somando com os navios e veleiros que despejam seus resíduos diretamente nas águas. É nesse tipo de situação que animais confundem os rejeitos com alimentos e acabam morrendo sufocados ou engasgados.

Fonte – eCycle

Poluição da água e seus perigos para a saúde e o meio ambiente

Esgoto

Há vários tipos e categorias de poluição da água. Saiba como evitá-los

A água é essencial para a nossa vida. Ela representa cerca de 70% da massa do corpo humano e seu consumo é fundamental para a sobrevivência humana. Podemos sobreviver se ficarmos períodos de até 50 dias sem nos alimentarmos, porém, não é possível ficar mais de quatro dias sem o consumo de água. Ela também é importante para a produção de alimentos, de energia e de bens industriais de diversos tipos. Resumindo, é o recurso mais importante para nossa sociedade e para a vida na Terra.

Grande parte da água presente em nosso planeta, no entanto, não pode ser usada para boa parte das tarefas citadas. Mesmo cobrindo mais de 3/4 do planeta, cerca de 97,3% do líquido vital está presente nos oceanos (água salgada), sendo imprópria para uso. A água doce representa 2,7% do total, mas 2,4% dela está situada em locais de difícil acesso, em regiões subterrâneas e nas geleiras, sobrando 0,3% para utilização. No Brasil, temos 13% da água doce disponível no mundo, com a grande maioria (73%) localizada na bacia amazônica.

A poluição da água é a contaminação dos corpos d’água por elementos físicos, químicos e biológicos que podem ser nocivos ou prejudiciais aos organismos, plantas e à atividade humana. Deu para perceber que se trata de uma questão bem séria.

Um fator preocupante desse tipo de poluição é que os lençóis freáticos, os lagos, os rios, os mares e os oceanos são o destino final de todo poluente solúvel em água que tenha sido lançado no ar ou no solo. Desta forma, além dos poluentes já lançados nos corpos d’água receptores, as águas ainda recebem os poluentes vindos da atmosfera e litosfera (solo).

Categorias

As fontes de poluição da água são separadas em duas categorias, dependendo da origem do poluente.

Fontes pontuais

São fontes individuais facilmente identificadas, como um encanamento ou uma vala. Exemplos dessa categoria incluem os lançamentos de poluentes de uma fábrica diretamente na água.

Fontes não pontuais

Também chamadas de fontes difusas, são relacionadas à contaminação que não é originada de uma fonte individual e discreta. Como elas não são provenientes de um ponto de lançamento ou de geração específico, o controle e a identificação são difíceis. Alguns exemplos de fontes difusas são a infiltração de agrotóxicos no solo, o descarte incorreto de substâncias prejudiciais ao meio ambiente, o lixo e o lançamento de esgoto diretamente nos córregos.

Tipos

Já os tipos de poluição se dividem de quatro modos:

Poluição sedimentar

É o acúmulo de partículas em suspensão. Quando são vindas do solo pelo processo de erosão, desmatamento e extração de minérios, elas podem interferir no processo de fotossíntese, bloqueando os raios solares, e interferir na capacidade dos animais de encontrar alimento. Esses sedimentos também podem ser provenientes de produtos químicos insolúveis que adsorvem e concentram os poluentes biológicos, os poluentes químicos e também atrapalham o processo de fotossíntese. Os sedimentos constituem a maior massa de poluentes nos corpos d’água.

Poluição biológica

Ocorre com a introdução de detritos orgânicos lançados geralmente por esgotos domésticos e industriais, que podem ser direcionados diretamente à água ou podem se infiltrar nos solos, atingindo lençóis freáticos. São compostos de carboidratos, gorduras, proteínas, fosfatos e bactérias. Alguns exemplos são restos de alimentos, fezes humanas, detergentes, etc.

Na decomposição desses detritos, o oxigênio é consumido, causando um desequilíbrio em seu nível na água, o que proporciona a morte de peixes e outros organismos aquáticos. A alta concentração de nutrientes gerados pela degradação dos compostos orgânicos cria a eutrofização (proliferação de algas na superfície, que impedem a passagem da luz).

Esses detritos também estão cheios de micro-organismos patogênicos, como as bactérias, vírus, vermes e protozoários, principalmente a partir dos resíduos humanos. Como consequências estão as diversas doenças que podem ser transmitidas aos humanos e aos animais, tais como leptospirose, amebíase, febre tifoide, diarreia, cólera e hepatites. Cerca de 250 milhões de casos de doenças ocasionadas pela contaminação da água ocorrem todo ano no mundo inteiro e elas são responsáveis por aproximadamente dez milhões de mortes anuais, sendo que 50% das vítimas são crianças. Para evitar esse problema, é recomendado ferver a água ou usar produtos químicos, tais como o hipoclorito de sódio e a cal viva, a fim de eliminar os micro-organismos da água para consumo.

Poluição térmica

A poluição térmica é pouco conhecida por não ser facilmente observável (ela não é visível ou audível), mas seu impacto é considerável. Ela ocorre quando a temperatura de um meio de suporte de algum ecossistema (como um rio, por exemplo) é aumentada ou diminuída, causando um impacto direto na população desse ecossistema, como a diminuição dos níveis de oxigênio na água e perda da biodiversidade (saiba mais sobre poluição térmica clicando aqui).

Poluição química

É a contaminação ambiental gerada por produtos químicos que acabam tendo como destino os corpos hídricos. Ela pode ser intencional ou acidental. A primeira forma é a mais comum, pois muitas indústrias despejam produtos químicos em rios, lagos ou na rede de esgoto, sem o tratamento adequado. É comum também a ocorrência de poluição na zona rural através da contaminação por uso de agrotóxicos. Os efeitos desse tipo de poluição são cumulativos e podem levar anos para serem sentidos. Ela causa grandes danos para a vida marinha nos rios e lagos, além de prejudicar animais que interagem com o ecossistema, como aves que se alimentam dos peixes.

Os seres humanos também são prejudicados quando ocorre o contato com a água contaminada por produtos químicos, podendo causar o desenvolvimento de doenças e problemas graves de saúde.

Alguns dos poluentes mais comuns das águas são:

Um dos maiores problemas com a poluição química é sua dificuldade de descontaminação, pois esse processo tem um alto custo e, na maioria das vezes, é demorado. Alguns terrenos contaminados por produtos químicos ficam décadas sem que possam ser utilizados (devido à contaminação e à toxicidade do poluente). Nos cursos de água, o poluente é levado por todo curso, contaminando as margens. Os químicos também podem acabar sendo depositados no fundo dos rios, dificultando muito sua remoção.

Efeitos em humanos

A poluição da água é um dos maiores perigos à saúde, afinal, não podemos sobreviver sem beber água e, se ela estiver poluída, pode causar sérios problemas à saúde ao ser ingerida. Os vários tipos de poluentes afetam a saúde humana de diferentes formas. Alguns micro-organismos, como bactérias, que podem se desenvolver naturalmente na água ou serem introduzidas com os tipos de poluição citados, podem causar sérias doenças aos seres humanos. Febre tifoide, cólera, hepatites, disenteria e pólio são alguns exemplos de doenças causadas por patógenos na água. Essas doenças são principalmente perigosas para crianças e são responsáveis por quase 60% da mortalidade infantil no mundo, principalmente em países em desenvolvimento e que não possuem uma rede adequada de tratamento de água e esgoto.

Poluentes químicos não causam doenças de forma direta, porém, eles proporcionam grandes danos à saúde a longo prazo, mesmo em níveis baixos de concentração. Esses poluentes acabam sendo consumidos acidentalmente por peixes e são acumulados em seus tecidos. Quando esses peixes são consumidos, os poluentes acabam entrando no nosso corpo – no futuro, doenças podem surgir a partir dessa alta concentração.

Efeitos no meio ambiente

Constantemente aparecem notícias sobre vazamentos de óleo ou cenas de água poluída perto de fábricas e de áreas urbanas. Devem existir outros exemplos visíveis de poluição da água perto da sua casa. Alguns tipos são facilmente identificados, enquanto outros podem não ser notados até que causem grandes danos. Mesmo que a água de um rio ou lago pareça limpa, ela pode conter um número grande de poluentes.

Os efeitos dos diferentes tipos de poluição da água são complexos e, em muitos casos, ainda não compreendidos totalmente. Diferentes organismos podem responder diferentemente para o mesmo tipo de poluição, alguns têm sua taxa de reprodução e crescimento aumentada enquanto outros têm seu tempo de vida reduzido, levando à sua morte. Outros fatores como temperatura, ocorrência de chuvas e a velocidade do fluxo da água têm influência direta com os efeitos da poluição. Uma coisa é certa, todos os tipos de poluição têm efeitos negativos para o meio ambiente em diversas formas.

Controle e tratamento

Muitos governos possuem leis estritas que ajudam a minimizar a poluição da água. Essas leis normalmente são voltadas para indústrias, hospitais e áreas de comércio que controlam como despejar, tratar e monitorar os efluentes desses locais.

O tratamento desses efluentes também é fundamental e deve ser projetado para diminuir a poluição nos corpos d’água.

Para o abastecimento humano, a água deve ser tratada a fim de eliminar os patógenos presentes nela e os poluentes nocivos à nossa saúde.

O que você pode fazer?

Além das medidas de controle e tratamento realizadas pelos governos, existem algumas simples ações que você pode fazer para ajudar. Confira algumas dicas abaixo:

  • Descarte seu lixo de maneira correta (veja aqui como reciclar);
  • Diminua seu lixo;
  • Faça compostagem com seus resíduos orgânicos;
  • Tenha preferência por alimentos orgânicos;
  • Caso tenha horta ou plantação, tente não utilizar fertilizantes industriais e diminua o uso de pesticidas. Caso deseje fazer uma horta em casa, clique aqui;
  • Não jogue remédios, cigarros, camisinhas, fraldas, absorventes ou qualquer outro lixo que contenha substâncias nocivas na privada;
  • Não jogue tintas, solventes, óleos e outros produtos que contenham químicos diretamente no ralo;
  • Use a água corretamente, evite desperdícios.

Fonte – eCycle