Embalagens de takeaway de esferovite proibidas em ilha do Havai

embalagem de esferovite polui jardimFoto: C. K. Koay

O Condado de Maui, no Havai, proibiu a venda e utilização de embalagens e copos de esferovite para o café e comida takeaway em todo o condado.

O Conselho do Condado de Maui, no Havai, aprovou uma proposta de lei que proíbe a venda e a utilização de embalagens e copos de esferovite para bebidas e comida takeaway.

A proibição entrará em vigor no dia 31 de dezembro de 2018 e está, atualmente, à espera da assinatura do presidente Alan Arakawa, que se encontra no Japão. As multas por incumprimento podem chegar aos 900€ por dia.

Robert Carrol, um dos membros do Conselho que votou a favor da medida, declarou que os impactos ambientais da espuma de poliestireno, ou esferovite, “são inegáveis”.

As caixas térmicas, placas e flocos de esferovite, usados para proteger e acondicionar produtos embalados, assim como o plástico e o poliestireno sólido não estão incluídos na proibição. Os artigos do talho e da peixaria também poderão continuar a ser vendidos em embalagens de esferovite.

Fonte – The UniPlanet de 01 de junho de 2017

Fotos chocantes mostram o que o nosso lixo plástico faz aos animais

Se soubesse que os sacos e garrafas de plástico que usa poderão acabar nos estômagos de uma ave marinha ou de uma baleia, ainda os usava?

Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar aos nossos oceanos. A cada minuto é despejado no mar o equivalente a um camião de lixo cheio de plástico. Até 2030, passarão a ser dois camiões por minuto e, em 2050, quatro.

Quando os animais marinhos encontram os detritos de plástico a flutuar no mar ou depositados no fundo do mar, sejam eles tampas de garrafas, cotonetes, sacos, palhas ou redes de pesca, podem comê-los por os confundirem com comida. De facto, as aves marinhas não só os ingerem como também alimentam as suas crias com eles.

O resultado? O plástico que vão ingerindo ao longo do tempo vai-se acumulando no seu aparelho digestivo, o que dá aos animais uma falsa sensação de saciedade e pode levar a que morram de fome. Há muitos mais problemas ligados à ingestão de plástico: lesões nos órgãos internos, obstrução intestinal e acumulação de químicos dos plásticos nos seus tecidos, entre outros.

Mas o plástico não precisa de ser ingerido para ser uma ameaça. Os animais ficam presos nas redes de nylon abandonadas no mar e nas nossas embalagens de plástico, o que os fere, impede de nadar normalmente, leva à exaustão e pode resultar na sua morte.

Não se sabe ao certo quantos animais são vítimas da poluição de plástico nos oceanos anualmente. Um estudo de 2015 descobriu 44 mil casos de animais presos ou que tinham ingerido detritos plásticos desde 1960, o que, segundo os autores do estudo, é um número que “subestima” o problema.

Tartaruga presa nos anéis de plástico usados para juntar as latas de bebidas. Foto: Departamento de Conservação de Missouri

Uma cria de albatroz alimentada pelos seus progenitores com plástico. Já foram encontradas crias com mais de 275 peças de plástico no estômago, o que, numa pessoa, seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico. Foto: Chris Jordan

Ave que se estrangulou com a fita de um balão. Foto: Pamela Denmon / USFWS

Leão marinho com plástico à volta do seu pescoço.

Tubarão com plástico na boca. Foto: Aaron ODea / Marine Photobank

Ave imobilizada por um detrito de plástico. Foto: David Cayless / Marine Photobank

Tartaruga presa em redes de pesca fantasma. Foto: Jordi Pujol

Tartaruga que ingeriu um balão. Foto: Blair Witherington / NOAA

Foca presa em redes fantasma. Foto: NOAA

Sacos de plástico retirados dos intestinos de uma baleia que deu à costa na Noruega. Christoph Noever / Universidade de Bergen

Cria de albatroz morta com o estômago cheio de lixo plástico. Foto: NOAA

Sabe o que pode fazer para ajudar?

Reduza a quantidade de plástico que consome. Compre produtos com embalagens de cartão ou vidro ou que têm embalagens maiores, em vez dos que trazem muitos pacotes individuais.

Faça compras a granel ou avulso e leve os seus próprios sacos de tecido. Pode pesar os legumes ou frutas em sacos de rede.

Diga não aos plásticos descartáveis, como as palhas (canudos), os talheres e os pratos de plástico. Troque-os por artigos reutilizáveis.

Preste atenção à forma como descarta o plástico que não consegue eliminar do seu dia-a-dia. Não deite cotonetes na sanita e recicle o plástico no contentor amarelo.

Lembre-se: reduza e recuse primeiro. A reciclagem deve ser encarada como uma última opção.

“[Quando se recicla] não se está a fazer algo de positivo pelo ambiente. Só se está a fazer algo que é menos mau”, disse Adam Minter, escritor e ativista. “Se queremos mesmo lidar com o problema dos resíduos que estamos a enfrentar, precisamos de pensar melhor sobre a natureza do próprio consumo.”

Fonte – The UniPlanet de 12 de junho de 2017

ONU: o plástico está cobrindo e destruindo nosso planeta

Plástico é uma invenção maravilhosa porque dura bastante – e uma invenção terrível pelo mesmo motivo. Mais de 300 milhões de toneladas serão produzidas este ano. A maioria nunca é reciclada e permanece em nossa terra e nos nossos mares para sempre. Os detalhes nesse documentário.

No início de junho de 2017, a ONU realizou a Conferência sobre os Oceanos com o objetivo de apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; saiba como foi e acompanhe o tema em http://nacoesunidas.org/tema/ods14, #SaveOurOcean e #MaresLimpos.

Fonte – ONU 15 de junho de 2017

Projeto adia em 20 anos meta de ônibus limpos em São Paulo

ctv-fcn-onbiusDiesel afeta o efeito estufa e traz danos à saúde Foto: Gabriela Biló/Estadão

Cronograma de troca de combustível em 100% da frota, definido em 2009, deveria ser cumprido no que vem

Um projeto de lei colocado para votação nesta quarta-feira, 17, na Câmara Municipal adia em 20 anos a renovação da frota de transporte público de São Paulo para que os ônibus circulem com combustíveis limpos, como biodiesel e energia elétrica. A proposta do vereador Milton Leite (DEM), presidente da Casa, altera um artigo da Lei Municipal de  Mudanças Climáticas cuja meta era, até o ano que vem, ter todos os ônibus da cidade movidos a combustíveis renováveis, ou seja, não fósseis.

A lei, de 2009, que estabelecia a redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa da capital e não vem sendo cumprida, tinha como um dos principais pilares a renovação da frota, que não ocorreu ao longo das duas administrações municipais passadas (Kassab e Haddad) no ritmo que deveria. A meta não seria cumprida no ano que vem de todo modo, e as Secretarias do Verde e Meio Ambiente e de Transportes já vinham estudando um novo cronograma.

Mas no começo do mês, em meio às discussões sobre a nova licitação dos transportes em São Paulo, Leite apresentou o projeto de lei com prazos ainda maiores. Pelo texto, somente a partir de 2020 a frota deve começar a ser renovada com veículos com tecnologia capaz de usar biodiesel B100, ou seja, sem mistura, 100% a biodiesel. Pelo cronograma, em 2037 a frota terá pelo menos 7.125 ônibus B100, além de 1.500 veículos elétricos.

O PL não estabelece quanto isso representaria da frota total, mas, mantidos os números atuais de cerca de 14.700 ônibus, o transporte limpo representaria apenas cerca de 58%, mesmo 19 anos depois de a lei mandar que 100% da frota seja limpa. O texto não deixa muito claro, mas deixa a entender que o resto da frota continuaria funcionando com combustíveis fósseis, como diesel, com um acréscimo de apenas 20% de biodiesel.

Doenças

Além de ser um forte emissor de gás carbônico, o principal gás de efeito estufa, que provoca o aquecimento global, o diesel também é fonte de material particulado, que causa danos à saúde. Estudo feito pelo Greenpeace com o Instituto Saúde e Sustentabilidade calculou que poderiam ocorrem cerca de 178 mil mortes na capital até 2050 com a manutenção do diesel.

Na opinião da ONG, seria mais aceitável adiar o prazo somente até 2020. “Todos os novos ônibus que entrarem na frota com a nova licitação já deveriam chegar movidos 100% com fontes renováveis”, defende Davi de Souza Martins, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Para David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), que vem analisando as emissões de gases da capital, o projeto repete imperfeições das definições da política municipal, ao não vir acompanhado de metas de redução de emissões. “Ele apenas prescreve tecnologias, sem mostrar quais resultados se quer alcançar”, afirma. “Também não traz os processos que garantam a efetivação, nem explicita a estratégia de viabilização econômica disso.”

Ele destaca ainda que, além da tecnologia dos veículos e do combustível utilizado, há outras formas de reduzir as emissões de gases dos ônibus, com a melhoria da própria operação deles. “Ônibus parado no trânsito emite mais do que um que esteja fluindo. Investimentos em faixas e corredores de ônibus serão medidas de impacto de redução.” Estudo divulgado pelo Iema no ano passado mostrou que as faixas na capital levaram a um aumento de 11% na velocidade e uma redução de 5% nas emissões.

O secretário do Verde, Gilberto Natalini, disse que foi surpreendido pelo PL. “Essa extensão até 2037 é extremamente longa para a cidade, tanto do ponto de vista dos gases de efeito estufa quanto dos poluentes à saúde”, lamentou. Ele disse que vem debatendo com a Secretaria de Transportes uma proposta de estender o prazo de renovação da frota em 10 anos, com uma meta de redução das emissões de gases de efeito estufa em  10% ao ano.

O secretário Sergio Avelleda, do Transporte, não foi localizado para comentar. O vereador Milton Leite, que até esta quarta era o prefeito interino, também não atendeu a reportagem. O texto acabou saindo de votação por pedido de vistas do vereador Reis (PT).

Fonte – Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo de 18 de maio de 2017

Cientistas veem entrada de plástico na cadeia alimentar terrestre

Garrafas PETPlástico: a pesquisadora indicou que as minhocas, ao digerirem o plástico, ajudam também a fracioná-lo e essa substância depois passa às galinhas que se alimentam delas (foto/Getty Images)

Apesar de há anos existirem estudos sobre a entrada do plástico na cadeia alimentar marinha, este seria o 1º a documentar o fenômeno no entorno terrestre

Uma equipe de cientistas mexicanos e holandeses documentou pela primeira vez a entrada de microplásticos na cadeia alimentar terrestre, graças a um estudo de campo desenvolvido na reserva da biosfera de Los Petenes (México).

Apesar de há anos existirem estudos sobre a entrada do plástico na cadeia alimentar marinha, este seria o primeiro a documentar o fenômeno no entorno terrestre, segundo explicou nesta terça-feira à Agência Efe a cientista mexicana Esperanza Huerta.

Huerta, do centro de pesquisa El Colégio da Fronteira Sul, em Campeche, apresentou hoje em Viena na reunião da União Europeia de Geociências o resultado do estudo desenvolvido junto à Universidade de Wageningen, de Holanda.

A pesquisadora expôs que devido à falta de recolhimento e gestão dos plásticos, os habitantes da zona de Los Petenes os queimam e enterram no chão de suas hortas, o que aumenta o risco de microfragmentação.

Para avaliar a situação, os pesquisadores analisaram em setembro o solo, as minhocas, bem como as fezes e as moelas de galinhas domésticas de dez hortas nessa reserva mexicana.

Assim, foi possível documentar a presença de plásticos de diminuto tamanho na terra, dentro das minhocas e nas fezes e moelas das galinhas analisadas, o que pode supor um risco para a saúde humana.

“Este é o primeiro trabalho feito em sistemas terrestres que mostra como o plástico entra na cadeia alimentar”, explicou Huerta.

“Não sei por que não foi feito antes, acredito que talvez não houve consciência para fazê-lo”, acrescentou a pesquisadora, que considerou que as pessoas não sabiam de seu potencial perigo.

Huerta indicou que as minhocas, ao digerirem o plástico, ajudam também a fracioná-lo e essa substância depois passa às galinhas que se alimentam delas.

As galinhas se contaminam diretamente porque beliscam plásticos que estão aderidos restos de comida, segundo expôs.

Huerta assegurou que, dado que Los Petenes é uma reserva da biosfera e seus habitantes recebem educação ambiental, é possível que em outros entornos a situação seja inclusive pior.

O grande problema para a pesquisadora é o costume de queimar os plásticos, o que agrava a contaminação.

“Pensam que ao queimá-lo resolveram o problema. Mas a situação é que então é acessível aos invertebrados do chão e se for acessível para eles, é também para o resto da cadeia alimentar. Para as galinhas, por exemplo. E as pessoas comem galinhas”, resumiu.

Huerta indicou que nas moelas de galinha analisadas encontraram concentrações de microplásticos e que esse órgão é utilizado em diferentes pratos mexicanos.

A pesquisadora apontou que as pessoas com as quais falou confessaram não limpar as moelas por dentro, que somente as lavavam por fora e depois as coziam, uma prática que tem efeito preocupante.

Sobre o possível efeito do consumo de plástico que entrou na cadeia alimentar na saúde humana, a pesquisadora indicou que são necessários mais estudos a respeito, mas o considerou um “grande risco”.

Huerta, que é especialista no estudo de minhocas, expôs que, dependendo da concentração e do tempo de exposição ao plástico, a mortalidade desses invertebrados aumenta de forma clara e sua fertilidade se reduz.

A pesquisadora concluiu sublinhando que, embora o acesso ao plástico melhorou a vida das pessoas, sua escassa degradação é um grande problema e deveria haver algum tipo de regulamento internacional para evitar doenças.

Fontes EFE / Exame de 25 de abril de 2017

Fumaça Preta – Porque não é muito inteligente queimar pneus ou ônibus

queima de pneusFoto: EBC

O dia 28 de abril de 2017, foi o dia da fumaça preta. No Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, São Luiz e várias outras cidades brasileiras, manifestantes e black blocs do evento chamado “Greve Geral” queimaram dezenas de pneus e vários ônibus inteiros e colocaram ruas e bairros em nuvens de fumaça preta. Isto foi um ato não somente contra a saúde das populações dos lugares afetados, mas também contra os próprios manifestantes. O resultado desta orgia de chamas pode ser fatal para as pessoas que involuntariamente inalaram este ar pesado da fumaça preta.

Pneus não são fabricados apenas com borracha natural dos seringueiros do Acre. Eles são um produto industrial bastante complexo e contém um verdadeiro cocktail de químicos: vários tipos de borracha natural e borracha sintética à base de petróleo, o elemento químico negro de fumo, poliéster e nylon, fios de aço, óxido de zinco e ácido esteárico, enxofre e vários antidegradantes, aceleradores e retardadores. Concretamente um pneu comum contem 27% borracha sintética, 14% borracha natural, 28 % negro de fumo, 17 % de derivados de petróleo e produtos químicos, 10 % aço e 4 % têxtil, que também são produtos químicos.

Por isto, quando se queima um pneu vários gases tóxicos são liberados e tantos outros nascem das chamas, como por exemplo: monóxido de carbono, ácido benzeno, óxido de enxofre, oxidos de metais pesados, furanos e várias dioxinas.

Especialmente as dioxinas e furanos são substâncias perigosíssimas, porque elas são teratógenas (causam má formação fetal), mutagênicas (causam mutações genéticas) e carcinogênicas (causam vários tipos de câncer no corpo). Sem dúvida, as dioxinas estão no top da lista das químicas mais tóxicas da humanidade e podem criar deformações embrionárias horríveis. A dioxina TCDD, por exemplo, é conhecida como a grande vilã dentro do famoso agrotóxico chamado Agente Laranja (Agent Orange), usado pelos Estados Unidos na guerra do Vietnã, que criou sofrimento inexplicável aos milhões de vietnamitas afetados.

“Para que tenhamos uma ideia: a queima de pneus a céu aberto é 13 mil vezes mais mutagênica que a queima de carvão”, escreveu o Deputado Marcos Mullerem, em 2016, na justificativa do seu projeto de lei Nº 2176/2016 para proibir a queima de pneus. E a diretora do Departamento de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Maria Faria Veloso, disse: “Se queimado, o produto (pneu) libera componentes químicos pesados e poluentes classificados pelas organizações internacionais como os mais tóxicos já produzidos pelo homem. Esses elementos não são degradados nem pela atmosfera, nem pelo corpo humano, que desenvolve doenças como o câncer e a infertilidade.”

Uma substância altamente perigosa da fumaça dos pneus também é o benzeno. “Há relação causal comprovada entre exposição ao benzeno e ocorrência de todos os tipos de Leucemia”, disse Danilo Costa, médico da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo na sua publicação “A luta contra a intoxicação pelo Benzeno no Brasil”.

Em conjunto, qualquer pessoa que esteja inalando a fumaça tóxica dos pneus queimados pode ter alergia respiratória, como rinite, tosses e espirros. Mais vulneráveis são ainda crianças, idosos, grávidas e asmáticos. “As pessoas nem imaginam o quanto é tóxico à saúde. Quem tem tendência à insuficiência respiratória fica mais suscetível a ter infecções, a exemplo de gripes, viroses e até a pneumonia”, alerta a pneumologista Fátima Alécio.

Mas dentro deste cocktail de tóxicos da fumaça preta da queima de pneus ou de transportes coletivos cheio de produtos plásticos, tem uma substância ainda mais perigosa e mortal. Um veneno extraordinário chamado cianureto de hidrogênio ou ácido cianídrico ou ácido prússico. Este gás cianídrico é um verdadeiro assassino e já causou o morte de milhares de vítimas envolvidas em incêndios com produtos plásticos. Este tóxico também é a base de um gás conhecido como Zyklon B (Ciclone B) produzido pela empresa alemã “Degussa AG” e usado nas “câmaras de gás” dos campos de extermínio do regime do Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial.

Por isto: Queimar pneus ou ônibus para bloquear ruas ou para mostrar presença não é uma boa ideia, é uma violência contra o meu ambiente, contra o povo brasileiro – e para o próprio manifestante é uma forma de suicídio mais ou menos lento e doloroso.

Norbert Suchanek, Rio de Janeiro, Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, é colaborador internacional do EcoDebate.

Fonte – EcoDebate de 03 de maio de 2017

O Ártico está virando um “aterro marinho” de lixo plástico

Não se engane: esta colagem "artística" é feita de detritos plástico encontrados no Oceano Ártico.Não se engane: esta colagem “artística” é feita de detritos plásticos encontrados no Oceano Ártico. (Andrés Cózar/Reprodução)

Estudo demonstra a escala global que a poluição por detritos plásticos alcançou

Nem os lugares mais remotos do Planeta estão a salvo da poluição. Um novo estudo surpreendente encontrou altas concentrações de lixo plástico nos mares do Ártico.

Segundo uma nova pesquisa, publicada na revista Science Advance, a região está virando uma espécie de “aterro marinho” para centenas de toneladas de detritos envelhecidos, que incluem linhas de pesca, filmes plásticos e fragmentos.

Os detritos viajam longas distâncias — possivelmente, desde as costas do noroeste da Europa, do Reino Unido e da costa leste dos Estados Unidos — e se acumulam nos mares da Groenlândia e de Barents, considerados pelos cientistas “becos sem saída” para o lixo.

Toda essa poluição chega lá através da chamada “circulação termohalina no Atlântico Norte”, uma corrente que transporta partículas plásticas para área.

A carga total de plástico flutuante na águas livres de gelo do Oceano Ártico foi estimada em torno de 1200 toneladas, sendo 400 toneladas compostas de cerca de 300 bilhões de itens de plástico, segundo uma estimativa de médio alcance feita pelo estudo.

Mapa mostra a distribuição de lixo plástico nos mares do ÁrticoMapa mostra a distribuição de lixo plástico nos mares do Ártico. As áreas com maior concentração aparecem em vermelho escuro. (ANDRES COZAR/Reprodução)

As descobertas “enfatizam a importância de gerenciar corretamente o lixo plástico na sua fonte, porque uma vez que ele entra no oceano, seu destino pode ser imprevisível”, destacam os cientistas.

Por ora, os detritos no Ártico representam menos de três por cento do total global, mas essa taxa pode aumentar nos próximos anos, expondo a região a novas ameaças.

Segundo o estudo, a singularidade do ecossistema do Ártico levanta preocupações a respeito das implicações ecológicas potenciais da exposição a detritos plásticos.

“O crescente nível de atividade humana em um Ártico cada vez mais quente e isento de gelo, com áreas abertas mais amplas disponíveis para a propagação de microplásticos, sugere que altas cargas de poluição plástica marinha podem se tornar prevalentes no Ártico no futuro”, alerta a pesquisa.

Fonte – Vanessa Barbosa, Exame de 22 de abril de 2017

Um oceano de plástico

O problema está a atingir proporções gigantescas: todos os anos, vão parar aos oceanos entre cinco e 13 milhões de toneladas de plásticos, concluiu um estudo recente na revista Science com dados sobre 192 países costeiros.

Fonte – Célia Rodrigues e Teresa Firmino, Público.pt de 18 de fevereiro de 2017

 

 

 

Andamos a temperar a comida com sal que tem microplásticos

Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são actualmente comercializadas. Nelson Garrido

Estudo analisou 17 amostras de sal de mesa vendido em oito países (incluindo Portugal) e confirmou contaminação com microplásticos. Uma das três amostras portuguesas testadas atingiu o máximo observado com dez microplásticos por quilo de sal.

Sim, é verdade, andamos a temperar a nossa comida com microplásticos. Mas, calma, não é (ainda) caso para alarme. Uma equipa de cientistas procurou minúsculas partículas de plástico em 17 marcas de sal vendidas em oito países, incluindo Portugal. A maioria estava contaminada mas com doses baixas, que dificilmente têm qualquer efeito imediato na saúde dos consumidores. O problema é que estas “microbombas” estarão em muitos outros produtos que vêm do mar (e não só).

“Os plásticos são o lobo mau do século XXI”, avisa Ali Karami, investigador na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Putra, na Malásia, e principal autor do artigo publicado na revista Scientific Reports, do mesmo grupo da revista Nature. O processo é simples. Todos os anos despejamos entre cinco e 13 milhões de toneladas de plásticos para os oceanos. A luz solar e a água desfazem este lixo até às mais minúsculas partículas. Quando têm menos de cinco milímetros são chamados “microplásticos”. Fazem, por isso, parte da dieta de muitas espécies marinhas, desde o zooplâncton (que serve de alimento a outros animais) até às baleias. A este ingrediente que envenena o mar, o homem conseguiu juntar ainda outros como as microesferas plásticas, que estão em muitos produtos de higiene e cosmética (pasta de dentes, champô, gel de banho ou detergentes) e que, depois do esgoto, também acabam nos oceanos. Mas, tal como na história do feitiço que se volta contra o feiticeiro, há uma parte do plástico que despejamos no mar que estará a voltar para nós, em pedacinhos minúsculos, em tudo o que retiramos de lá. Incluindo, como prova este estudo, o sal.

E, aparentemente, o plástico que regressa será ainda pior do que o que deitamos ao lixo. “Os plásticos funcionam como esponjas e, por isso, conseguem absorver um elevado volume de contaminantes da água onde estão. Como normalmente ficam na água durante bastante tempo, existe a oportunidade para absorverem uma quantidade significativa de poluentes”, explica Ali Karami.

O cientista fala em “microbombas”. “Os microplásticos podem libertar poluentes no nosso organismo que, a longo prazo, podem provocar problemas de saúde. Por isso, dizemos que são microbombas”, explica o investigador, em resposta ao PÚBLICO, sublinhando que o perigo não será muito elevado tendo em conta o reduzido tamanho destas partículas. Assim, conclui, “apenas o consumo contínuo e a longo prazo de produtos com microplásticos será motivo para preocupação”. Infelizmente, presume-se, que seja precisamente isso que esteja a acontecer. “Estamos a consumir microplásticos em vários produtos, incluindo marisco, mel e até cerveja. Assim, o sal não é o único culpado”, avisa Ali Karami.

O que o estudo liderado por investigadores na Malásia, com a colaboração de cientistas em França e no Reino Unido, fez foi, precisamente, confirmar que o sal é um das boleias que o plástico apanha para fazer a viagem de regresso até nós. Como? Procuraram microplásticos em 17 marcas de sal à venda na Austrália, França, Irão, Japão, Malásia, Nova Zelândia e África do Sul. “Os microplásticos só estavam ausentes numa das marcas, enquanto as outras continham entre um a dez microplásticos por quilo de sal”, referem no artigo. Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são actualmente comercializadas.

A análise foi particularmente cuidadosa se tivermos em conta que os cientistas só procuraram microplásticos até um milímetro de tamanho (a regra mais comum e geral é considerar as partículas com menos de cinco milímetros). Além de microplásticos, foram encontradas outras coisas no sal. Assim, das 72 partículas extraídas de todas as amostras, 41,6% eram polímeros plásticos, 23,6% eram pigmentos (associados muitas vezes a aditivos colocados nos plásticos), 5,5% eram carbono livre e 29,1% ficaram por identificar.

Adriano Moreira

Num dos gráficos do artigo, encontra-se informação mais detalhada sobre as análises às diferentes amostras. Uma das três marcas portuguesas analisadas destaca-se pelos piores motivos, alcançando o máximo registado de dez partículas de microplásticos (nylon, polipropileno, polietileno, entre outros) por quilo de sal. As outras duas marcas não continham qualquer partícula de polímeros plásticos mas, em compensação, tinham partículas de diversos pigmentos.

Em resposta ao PÚBLICO, Ali Karami refere ainda que a possibilidade de contaminação das amostras pelas embalagens (algumas delas eram de plástico) foi tida em conta e descartada. “Assegurámos que a fonte dos microplásticos na amostra do sal não era a embalagem”, confirma. No artigo, os cientistas acrescentam que o facto de alguns dos fragmentos encontrados estarem já bastante degradados indica que já se encontravam há muito tempo no ambiente.

“Estão em todo o lado”

“É preocupante saber que o sal, um ingrediente que se usa com muita frequência na alimentação, pode estar contaminado com microplásticos. Mas se estou surpreendida com isso? Não, não estou nada surpreendida com isso. Tenho a certeza que encontraremos o mesmo tipo de compostos e partículas noutros produtos alimentares que nunca foram analisados”, reage Paula Sobral, professora na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que coordenou o projecto Poizon, dedicado à investigação sobre microplásticos nos oceanos. “Este estudo confirma que os microplásticos estão em todo o lado. São coisas que não vemos mas existem”, diz, juntando ainda a esta fotografia “todas as fibras sintéticas que se desprendem todos os dias para o meio aquático e não só”. “Basta olhar para um raio de sol a entrar por uma janela para ver uma data de partículas suspensa, muitas são microfibras sintéticas”, acrescenta.

A investigadora nota, no entanto, que sobre a investigação científica nesta área está ainda numa fase inicial e com muitas incertezas e que falta, por exemplo, fazer uma cuidadosa análise de risco sobre os microplásticos. “Não temos nenhuma bitola. Não sabemos até que ponto é que há um risco ou não”, afirma ao PÚBLICO, defendendo que o que podemos dizer, para já, é que “existe um perigo potencial”.

Por outro lado, acrescenta, há muito plástico no mar mas também em terra. “O plástico afirmou-se com algo de imprescindível e essencial no nosso quotidiano e, para nós, ainda representa mais uma conveniência do que um perigo”, diz, esclarecendo que não existe qualquer legislação específica sobre os microplásticos.

Os autores do estudo defendem que as quantidades de microplásticos encontradas no sal (de Portugal e dos outros países) não são suficientes para ter qualquer tipo de impacto na saúde. Até porque, adiantam, o consumo máximo de partículas antropogénicas (que resultam da actividade do homem) para um indivíduo estará em 37 partículas por ano. Porém, a verdade é que ainda não se sabe muito sobre os microplásticos. Nem sobre as possíveis fontes, as quantidades que “entram” em alguns produtos ou o mal que nos podem fazer à saúde.

PÚBLICO -Rui Gaudêncio

“Os estudos em microplásticos estão numa fase muito inicial”, concorda Ali Karami, que acrescenta: “Ainda não sabemos quantos outros produtos estão contaminados com microplásticos, mas acreditamos que a maioria dos produtos que vêm do mar provavelmente tem. Por isso, os microplásticos no sal serão apenas uma minúscula parte da orquestra.” Antes deste estudo apenas tinha sido publicado (em 2015) um outro trabalho por investigadores na China, mas que apenas dizia respeito às análises de sal da China, comprovando a sua contaminação com microplásticos. Agora, foi analisado sal de várias partes do mundo que confirma um efeito a nível global.

Portanto, o investigador revela que encontraram microplásticos no sal, ao mesmo tempo diz-nos que isso (por si só) não nos fará mal mas logo a seguir acrescenta que o mais provável é que os microplásticos estejam em muitos outros produtos. O que, no final das contas e ao fim de algum tempo, nos poderá fazer mal. Perante isto, o que fazer?

É preciso saber mais sobre este problema para conseguir uma imagem mais completa, acredita Ali Karami. “Estamos a fazer vários estudos, cujos resultados ainda não foram publicados, e encontrámos microplásticos noutros produtos que vêm do mar. Infelizmente, a maioria dos produtos que testámos também está contaminada”, adianta ao PÚBLICO, concluindo que “o nosso planeta está a ser silenciosamente conquistado por estas microbombas”. Mais: “Se os microplásticos estão nestes produtos, isso significa que é impossível removê-los porque são tão minúsculos e tão numerosos.” Então, mais uma vez, o que fazer? “As autoridades de saúde devem começar a monitorizar regularmente a presença destas microbombas. E, além disso, devem ser estabelecidas novas regras para garantir a segurança dos consumidores, assegurando que os produtos não contêm microplásticos.” Isso quer dizer que, nesse futuro com regras, a amostra portuguesa que continha dez partículas de microplásticos por quilo de sal deveria ser retirada do mercado? “Possivelmente, sim”, responde o investigador.

A maioria das pessoas não sabe que pode estar a ingerir plástico na comida, admite Ali Karami que também acredita que os próprios produtores de sal, neste caso, desconhecem esta realidade. E, insiste o cientista, é preciso frisar que o sal não será seguramente a única fonte de microplásticos na nossa dieta.

A verdade é que a culpa não é do sal, nem de qualquer outra boleia que o plástico poderá estar a aproveitar para entrar nos nossos organismos e, potencialmente, prejudicar a nossa saúde. A culpa é mesmo toda nossa. Afinal, quem é que levou o plástico para os nossos oceanos?

O Ártico está virando um “aterro marinho” de lixo plástico

(zanskar/iStock)

Estudo demonstra a escala global que a poluição por detritos plásticos alcançou

Nem os lugares mais remotos do planeta estão a salvo da poluição. Um novo estudo surpreendente encontrou altas concentrações de lixo plástico nos mares do Ártico.

Segundo esta nova pesquisa, publicada na revista Science Advance, a região está virando uma espécie de “aterro marinho” para centenas de toneladas de detritos envelhecidos, que incluem linhas de pesca, filmes plásticos e fragmentos.

Os detritos viajam longas distâncias – possivelmente, desde as costas do noroeste da Europa, do Reino Unido e da costa leste dos Estados Unidos – e se acumulam nos mares da Groenlândia e de Barents, considerados pelos cientistas “becos sem saída” para o lixo.

Toda essa poluição chega lá por meio da chamada “circulação termohalina no Atlântico Norte”, uma corrente que transporta partículas plásticas para área.

A carga total de plástico flutuante na águas livres de gelo do Oceano Ártico foi estimada em torno de 1.200 toneladas, sendo 400 toneladas compostas de cerca de 300 bilhões de itens de plástico, segundo uma estimativa de médio alcance feita pelo estudo.

Mapa mostra a distribuição de lixo plástico nos mares do Ártico. As áreas com maior concentração aparecem em vermelho escuro. (ANDRES COZAR/Reprodução) (ANDRES COZAR/Reprodução)

As descobertas “enfatizam a importância de gerenciar corretamente o lixo plástico na sua fonte, porque uma vez que ele entra no oceano, seu destino pode ser imprevisível”, destacam os cientistas.

Por ora, os detritos no Ártico representam menos de três por cento do total global, mas essa taxa pode aumentar nos próximos anos, expondo a região a novas ameaças.

Segundo o estudo, a singularidade do ecossistema do Ártico levanta preocupações a respeito das implicações ecológicas potenciais da exposição a detritos plásticos.

“O crescente nível de atividade humana em um Ártico cada vez mais quente e isento de gelo, com áreas abertas mais amplas disponíveis para a propagação de microplásticos, sugere que altas cargas de poluição plástica marinha podem se tornar prevalentes no Ártico no futuro”, alerta a pesquisa.

Fonte – SuperInteressante de 24 de abril de 2017