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Após cobrança, uso das sacolinhas cai 70% em São Paulo

Consumidores aprenderam a carregar as compras de novas maneiras, com produtos retornáveis

A aposentada Diná Ramos, de 70 anos, demorou para se acostumar a fazer compras no supermercado sem as sacolinhas plásticas. Mas o hábito antigo mudou. Há pouco mais de um ano, em abril de 2015, foi aprovado projeto de lei que autoriza a cobrança desses objetivos.  A gratuidade poderá voltar (leia mais abaixo), mas a aposentada contou que hoje em dia só usa a reciclável e se acostumou em levar as compras assim.

“Reclamei no início, mas agora acostumei. Não saio mais de casa sem minhas sacolas retornáveis. Tenho três delas”.

A história de Diná ilustra uma mudança constatada no comportamento do consumidor paulistano ao longo dos últimos meses. A nova legislação paulistana permitiu uma redução média de 70% na distribuição de sacolas plásticas nos supermercados da capital, segundo dados da Apas (Associação Paulista de Supermercados).

Na mesma proporção, aumentou também a coleta seletiva e a destinação correta dos dejetos, segundo a Prefeitura.

A distribuição e a venda de sacolas plásticas gera conflitos e polêmica desde 2011, quando foi aprovada lei que proíbe a disponibilização dos sacos descartáveis nos estabelecimentos comerciais de São Paulo.

Por um bom tempo, consumidores alegaram que tinham direito à sacolinha de graça porque já estava embutida no valor da compra. Mas aos poucos, a consciência ambiental predominou e causou a mudança de hábito. Foi o que aconteceu também com o administrador Matheus Marques de Almeida, de 37 anos.

“Tenho dois filhos e quero deixar um mundo melhor e mais limpo para eles. E os educo para terem essa consciência. Nós é que temos de nos adaptar à natureza, não o contrário. Evitar sacolas plásticas é um grande avanço para proteger o meio ambiente. Somente assim teremos um planeta ecologicamente correto”, argumentou.

Segundo a Apas,  antes da nova lei entrar em vigor, o consumo médio de sacolas plásticas era de 708 unidades anuais por habitante, resultando em 8,5 bilhões de sacolas por ano ou 23 milhões de sacolas por dia. Essa média caiu para 212. 

Por que dá certo?

Plásticos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor.  Por serem leves, voam e acabam poluindo florestas, rios, lagos e oceanos. Nos oceanos, as sacolas plásticas se tornam parte da cadeia alimentar de animais que consumimos. Nas cidades, as sacolas descartadas de maneira incorreta entopem bueiros, provocando enchentes.

Eis que, quando a coisa começava a funcionar, os maus hábitos começavam a mudar…

Câmara Municipal decide que distribuição volte a ser grátis

As sacolas plásticas poderão ser distribuídas gratuitamente nos supermercados. Isso porque,  nesta semana, um  projeto de lei que determina a obrigatoriedade  do comércio distribuir esses objetos para guardar as compras foi aprovada em segunda votação na Câmara Municipal. O texto segue para análise do prefeito Fernando Haddad (PT).

“Sou contra a cobrança das sacolas. O preço está embutido no produto. Espero que vote a ser gratuito”, disse o veterinário Nilmar de Souza, 67 anos.

O retorno das sacolinhas gratuitas é um retrocesso, segundo Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. “Defendemos o consumidor,  mas esse também precisa entender que é preciso haver harmonização entre os seus direitos e o meio ambiente”, disse.

Oliveira disse que o que deveria estar em discussão é a introdução de novos modelos e até mesmo soluções para preços.

As sacolinhas plásticas, padronizadas nas cores verde e cinza, são vendidas por valores entre R$ 0,08 a R$ 0,10 a unidade. “O que devia ser discutido são formas de incentivar a reciclagem”, concluiu Oliveira. A  Prefeitura disse que não comentaria o projeto.

Fonte – Tatiana Cavalcanti, Rede Bom Dia de 25 de junho de 2016

Vete, Haddad!

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