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Exposição a substância presente em plásticos pode aumentar risco de nascimento prematuro

Bebês prematuros: exposição a composto químico pode ajudar a explicar motivo pelo qual mulheres dão à luz antes do tempoBebês prematuros: exposição a composto químico pode ajudar a explicar motivo pelo qual mulheres dão à luz antes do tempo (ThinkStock/VEJA/VEJA)

Uma nova pesquisa americana observou que grávidas com maior nível de ftalatos na urina tiveram maiores chances de dar à luz antes do tempo ideal

Pesquisadores americanos encontraram uma relação entre a exposição de grávidas aos ftalatos, uma substância química usada principalmente na fabricação de plásticos, tintas e cosméticos, e um maior risco de seus bebês nascerem prematuros. A conclusão faz parte de um estudo feito na Universidade de Michigan, Estados Unidos, e publicado nesta segunda-feira no periódico JAMA Pediatrics.

Os autores do estudo analisaram 130 casos de mulheres que haviam dado à luz de forma prematura e os compararam a outras 352 mulheres de um grupo de controle. Quando estavam grávidas, todas as participantes forneceram amostras de urina para que os pesquisadores analisassem os níveis de ftalatos.

De acordo com os resultados, existe uma associação entre níveis mais elevados de ftalatos na urina das gestantes e um maior risco de elas darem à luz de forma prematura. Para os autores, esses resultados são sólidos o suficiente para que médicos indiquem que grávidas evitem a exposição exagerada aos ftalatos.

Em um editorial publicado junto com a pesquisa, a médica Shanna Swan, da Faculdade de Medicina do Hospital Monte Sinai de Nova York, avaliou que este estudo “é o mais forte até agora que sugere que os ftalatos estão em tudo o que cerca as grávidas e que poderiam ser um importante fator que explica os nascimentos prematuros, cujas causas são desconhecidas hoje em dia”.

Prejuízos

Os ftalatos costumam ser utilizados para deixar o plástico mais maleável e podem ser encontrados em materiais como revestimento de pisos e paredes, equipamentos médicos e produtos de cuidado pessoal. Estudos já demonstraram que a substância pode causar a morte precoce das células germinativas dos homens, que dão origem aos espermatozoides. Outras pesquisas também associaram o composto químico a alterações hormonais, distúrbios no sistema reprodutivo masculino, obesidade, diabetes e problemas de tireoide.

O Environmental Working Group, organização americana dedicada a estudar os efeitos ambientais sobre a saúde das pessoas e animais, publicou recentemente uma lista com as 12 substâncias químicas que mais causam danos ao corpo por provocar alterações hormonais. Os ftalatos estão entre os compostos. De acordo com os especialistas do grupo, é possível evitar a exposição exagerada ao composto reduzindo contato com recipientes plásticos, brinquedos e produtos de higiene pessoal que contenham ftalatos e com objetos de plástico feitos de PVC, cujos rótulos levam o número 3 no símbolo da reciclagem.

1. Bisfenol A (BPA)

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Essa substância está presente principalmente em embalagens de plástico feito de policarbonato e no revestimento interno de latas de alumínio, como as de refrigerante, por exemplo. Uma vez no organismo, o BPA imita a ação do estrogênio, um hormônio sexual feminino, interferindo diretamente no funcionamento de algumas glândulas endócrinas, podendo também aumentar ou diminuir a ação de vários hormônios. O bisfenol A vem sendo associado a alguns tipos de câncer, como o de mama, além de problemas de reprodução, obesidade, puberdade precoce e doenças cardíacas.

Como evitar: Preferir alimentos frescos a enlatados; evitar embalagens de plástico para alimentos e bebidas que tenham o símbolo ‘PC’, que significa policarbonato, ou cujo símbolo de reciclagem leve os números 3 ou 7, que indicam a presença do BPA.

2. Dioxina

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A dioxina é formada a partir da combustão que acontece com uma série de processos industriais. No corpo humano, ela afeta a sinalização dos hormônios sexuais tanto nos homens quanto nas mulheres. Uma pesquisa recente mostrou que o contato dessa substância ainda no útero materno e durante os primeiros anos de vida de um homem pode afetar de forma permanente tanto a qualidade quanto a concentração de espermatozoides no sêmen.

Como evitar: Reduzir o consumo de alimentos que são mais propícios a serem contaminados pela dioxina nas indústrias. São eles peixes, carnes, leite, ovos e manteiga. Ou seja, comer menos produtos de origem animal.

3. Atrazina

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A atrazina é um herbicida frequentemente utilizado em culturas de milho nos países do continente americano capaz de contaminar água potável. Pesquisadores descobriram que seu efeito hormonal é tão perigoso que pode até fazer com que sapos machos passem a ovular. A substância vem sendo associada a um maior risco de tumores na mama, puberdade tardia e inflamação na próstata entre animais, mas também há evidências de que ela possa estar ligada a câncer de próstata em seres humanos.

Como evitar: Consumir mais alimentos orgânicos; comprar um filtro de água certificando-se de que ele remove a atrazina.

4. Ftalatos

<p></p>(Elisanth/ThinkStock/VEJA/VEJA)

A substância costuma ser utilizada para deixar o plástico mais maleável e pode ser encontrada em materiais como revestimento de pisos e paredes, equipamentos médicos e produtos de cuidado pessoal. Estudos já demonstraram que os ftalatos podem causar a morte precoce das células germinativas dos homens, que dão origem aos espermatozoides. Outras pesquisas também associaram o composto químico a alterações hormonais, menores quantidades e pior qualidade dos espermatozoides, distúrbios no sistema reprodutivo masculino, obesidade, diabetes e problemas de tireoide.

Como evitar: Diminuir o contato com recipientes plásticos, brinquedos e produtos de higiene pessoal que contenham ftalatos e com objetos de plástico feitos de PVC, cujos rótulos levam o número 3 no símbolo da reciclagem.

5. Perclorato

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A substância é usada na fabricação de combustível para foguetes, mas também pode ser aplicada em fertilizantes e herbicidas, sendo capaz de contaminar a produção de alimentos e o leite. Ao entrar em contato com o corpo humano, o perclorato compete com o iodo, nutriente necessário para que a glândula da tireoide produza hormônios. Ou seja, a exposição a grandes quantidades do composto pode alterar o equilíbrio hormonal do organismo e, consequentemente, afetar a regulação do metabolismo entre adultos e também o desenvolvimento cerebral e dos órgãos de crianças.

Como evitar: Prevenir o consumo de água que contenha perclorato é possível com o uso de filtros de osmose reversa; como é praticamente impossível evitar o contato com perclorato por meio da alimentação, o ideal é que sejam consumidas quantidades recomendadas de iodo.

6. Retardador de chama químico

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Estudos feitos com mulheres e diversos animais encontraram, no leite materno, um composto chamado éter de difenila polibromado (PBDE, sigla em inglês), que é um desregulador endócrino presente em retardadores de fogo tóxicos. A substância, que pode ser encontrada em produtos que vão desde materiais de construção a móveis e eletrônicos, é capaz de imitar hormônios da tireoide e, entre outros problemas de saúde, afetar de forma negativa a cognição.

Como evitar: É praticamente impossível evitar sozinho o contato com a substância – para isso, é preciso que leis ambientais sejam mais rígidas na hora de autorizar que certos produtos sejam vendidos. Algumas medidas, porém, podem ajudar. Usar filtros HEPA para aspiradores de pó, por exemplo, pode diminuir a poeira doméstica tóxica. Além disso, ao comprar um novo tapete, o ideal é optar por um cujo revestimento de baixo não contenha PBDE.

7. Chumbo

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O chumbo é capaz de prejudicar praticamente todos os órgãos do corpo e já foi associado a muitos problemas de saúde, como danos cerebrais e cognitivos, aborto espontâneo e parto prematuro, além de hipertensão. A substância também pode provocar problemas hormonais. Uma pesquisa descobriu que o composto atrapalha a sinalização hormonal que regula o stress do corpo, diminuindo a capacidade de o organismo lidar com problemas como hipertensão, depressão e ansiedade.

Como evitar: Manter a casa limpa e conservada; não deixar tinta descascada nas paredes por muito tempo; ter um bom filtro de água; e manter uma boa alimentação, já que estudos demonstraram que crianças que seguem uma dieta saudável absorvem menos chumbo.

8. Arsênio

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A substância tem diversas aplicações, entre elas ser conservante de madeira e couro e compor a produção de herbicidas e venenos. Consequentemente, pode contaminar alimentos e água. O arsênio, além de causa cânceres de pele, bexiga e pulmão, pode afetar o funcionamento dos hormônios, levando à perda ou ao ganho de peso, resistência à insulina ou pressão arterial alta.

Como evitar: Usar filtros de água que consigam diminuir a concentração de arsênio.

9. Mercúrio

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O mercúrio é elemento natural, porém tóxico. Ele pode entrar em contato com o ar e com o oceano principalmente com a queima de carvão. Nos alimentos, ele pode ser encontrado em frutos do mar contaminados, por exemplo. Essa substância, em contato com mulheres grávidas, pode prejudicar o cérebro do feto. Além disso, é capaz de afetar a ação de um hormônio que regula o ciclo menstrual e a ovulação, além de danificar as células produzidas pelo pâncreas, o que pode levar ao diabetes.

Como evitar: Diminuir o consumo de frutos do mar – se for para consumir o alimento, preferir salmão e truta cultivada, que são fontes de gordura saudável, mas que não têm mercúrio tóxico.

10. Compostos perfluorados (PFCs)

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Essas substâncias são amplamente usadas na fabricação de panelas antiaderentes e embalagens de alimentos. Testes feitos nos Estados Unidos já mostraram que 99% dos americanos apresentam o composto no organismo. A exposição à substância é associada a uma pior qualidade do espermatozoide, baixo peso do bebê ao nascer, doenças renais e da tireoide, além de hipertensão.

Como evitar? Não usar panelas antiaderentes; evitar tecidos impermeáveis ou resistentes a manchas.

11. Éster fosfato

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A substância é frequentemente usada na produção de agrotóxicos. Ela já foi associada a danos no desenvolvimento cerebral, no comportamento e na fertilidade. Além disso, pode afetar negativamente a forma como a testosterona se comunica com as células do corpo.

Como evitar: Comprar mais produtos orgânicos.

12. Éter de glicol

<p></p>(Thinkstock/VEJA/VEJA)

Esse produto químico é comumente usado como solvente de tintas, produtos de limpeza e cosméticos. A União Europeia já classificou a substância como um possível fator de prejuízo à fertilidade das pessoas ou ao feto, além de um fator risco para alergias e asmas em crianças.

Como evitar: Evitar produtos que tenham na fórmula ingredientes como o 2-Butoxietanol.

Fontes – AFP / Veja de 19 de novembro de 2013

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