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O ciclo da água na Terra está mudando
Por FUNVERDE – 3 de outubro de 2025 – A nova visão sobre a água: conclusões da Comissão Global de Economia da Água.
A Comissão Global de Economia da Água (GCEW) publicou recentemente o relatório “The Economics of Water – Valuing the Hydrological Cycle as a Global Common Good” (A Economia da Água – Valorizando o Ciclo Hidrológico como um Bem Comum Global).
O documento traz uma mensagem clara e urgente: a água precisa ser tratada como um bem comum da humanidade, essencial para a vida, para a economia e para o equilíbrio do planeta.
Leia o relatório completo no site oficial da Comissão
Água como bem comum global
A Comissão defende que o ciclo hidrológico — que envolve a água dos rios, lagos, aquíferos, solos e florestas — deve ser reconhecido como patrimônio coletivo da humanidade, e não como um recurso explorável de forma isolada.
Isso significa que o uso da água em qualquer parte do mundo impacta todo o sistema terrestre.
Por isso, sua governança deve considerar a interdependência entre ecossistemas, comunidades e países.
A proposta vai além da economia tradicional: a água deve ser gerida de modo a equilibrar eficiência, justiça social e sustentabilidade ambiental.
Cinco missões para transformar o futuro da água
Para enfrentar a crise hídrica global, a Comissão propõe cinco missões prioritárias, que precisam ser adotadas por governos, empresas e sociedade civil:
Transformar os sistemas alimentares – Melhorar a produtividade da agricultura com menor consumo de água, reduzindo o desperdício e garantindo segurança alimentar.
Proteger e restaurar ecossistemas naturais – Florestas, rios e solos saudáveis mantêm o ciclo da água. Investir em conservação é essencial para o equilíbrio climático.
Implantar a economia circular da água – O “esgoto” deve ser visto como recurso: reutilizar, tratar e reaproveitar a água são práticas que aumentam a eficiência e reduzem perdas.
Criar tecnologias e energia com menor uso de água – A transição energética e o avanço da inteligência artificial precisam considerar o impacto hídrico de seus processos.
Garantir água potável e saneamento para todos até 2030 – Nenhuma criança deve morrer por falta de água limpa. A meta é global, mas começa com ações locais.
Como tornar essa mudança possível
O relatório destaca quatro fatores decisivos para transformar essas metas em realidade:
- Governança colaborativa: unir governos, empresas, universidades e sociedade civil em torno de políticas integradas de gestão da água.
- Financiamento sustentável: direcionar investimentos públicos e privados para projetos de longo prazo, e não apenas ações pontuais.
- Dados abertos e confiáveis: monitorar a disponibilidade e o uso da água é fundamental para decisões eficazes.
- Cooperação internacional: o ciclo da água não conhece fronteiras — sua proteção exige solidariedade global.
Números que preocupam
Cada pessoa necessita, direta e indiretamente, de cerca de 4.000 litros de água por dia para alimentação, higiene, energia e outros usos.
Se nada for feito, a crise hídrica pode reduzir em até 8% o PIB mundial até 2050, afetando especialmente os países em desenvolvimento.
Subsídios e políticas mal planejadas em setores agrícola e industrial continuam incentivando o desperdício de água.
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