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ONU Critica Interferência ‘perversa’ Da Indústria Do Cigarro Em Políticas De Saúde

ONU critica interferência ‘perversa’ da indústria do cigarro em políticas de saúde

Convenção da OMS denuncia investida perversa da indústria do cigarro par fragilizar políticas de controle do tabaco. Foto: PEXELS

A indústria do cigarro tem interferido de forma “cada vez mais perversa” nos esforços de governos para combater a venda e o consumo de tabaco. A avaliação é de um novo relatório da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre Controle de Tabaco. Organismo alerta que, por ano, mais de 7 milhões de pessoas morrem por causa do uso da substância.

A indústria do cigarro tem interferido de forma “cada vez mais perversa” nos esforços de governos para combater a venda e o consumo de tabaco. A avaliação é de um novo relatório da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre Controle de Tabaco. Organismo alerta que, por ano, mais de 7 milhões de pessoas morrem por causa do uso da substância.

A brasileira Vera Luiza da Costa e Silva, que chefia o Secretariado da Convenção, afirma que empresas “agora estão usando as ferramentas e a linguagem dos ativistas de controle do tabaco para alavancar suas agendas perigosas”.

“São os mesmos interesses de negócios do tabaco, com as mesmas intenções, ou seja, o lucro, mas eles estão usando um disfarce novo e enganoso, então precisamos estar duas vezes mais vigilantes”, disse.

Em setembro do ano passado, a Convenção-Quadro denunciou a criação da Fundação para um Mundo Livre do Fumo, financiada única e exclusivamente por uma das maiores companhias do setor tabagista. A instituição recebeu recursos de quase 1 bilhão de dólares para realizar e financiar estudos sobre agricultura, trabalho e produtos de nicotina.

“Esse é um exemplo perfeito de uma filantropia aparentemente inofensiva, que reivindica completa independência, (mas) promovendo pesquisa financiada pela indústria do tabaco e tentando influenciar o debate público e o conhecimento comum sobre os efeitos do tabaco na saúde e no meio ambiente”, acrescentou a especialista da OMS.

A Convenção também ressalta que o setor privado tem criado novos produtos, vendidos como ‘livre de fumaça’ ou ‘heat-no-burn’ — cigarros que queimam o tabaco a uma temperatura menor que cigarros convencionais. Segundo o organismo da OMS, essa variedade gera confusão entre os consumidores.

“Com sua mão direita, elas (as empresas) vêm com esses produtos novos, e ainda prejudiciais, e com sua mão esquerda, elas encontram meios de apoiar estudos que os apresentam como seguros para a saúde das pessoas, mesmo que não haja, de fato, evidência científica para embasar tais alegações”, avalia da Costa e Silva.

De acordo com a pesquisa da Convenção-Quadro, táticas similares são empregadas em outras frentes, como o debate sobre a degradação ambiental associada ao cigarro ou sobre o uso de trabalho infantil na indústria. O resultado é a fragilização dos diálogos e da implementação de medidas de controle do fumo.

“Conforme os gigantes do tabaco vão ficando mais criativos, não podemos esquecer: a indústria do tabaco é o problema aqui, então como poderia ser parte da solução? Eles têm uma agenda própria”, disse a pesquisadora.

O artigo 5.3 da Convenção-Quadro exige que todas as partes do acordo garantam que suas políticas públicas de saúde sejam protegidas “de interesses comerciais e outros interesses inerentes à indústria do tabaco”.

Na Polônia, o Ministério da Saúde alertou todas as escolas médicas do país e solicitou que nenhuma instituição peça ou aceite financiamento da Fundação para um Mundo Livre do Fumo. O comunicado da pasta informava que não seriam reconhecidas quaisquer pesquisas realizadas em cooperação ou com o patrocínio da fundação.

No Vietnã, uma medida semelhante foi adotada pelo Ministério da Saúde nacional, que comunicou todos os ministros de governo sobre a situação. Nos Estados Unidos, 17 das maiores escolas de saúde pública anunciaram que não aceitarão recursos da fundação nem buscarão parcerias com a entidade.

“Há decisões encorajadoras sendo tomadas em todo o mundo, mas lamentavelmente isso está caminhando a um ritmo alarmantemente devagar e não podemos nos dar o luxo de permanecer (apenas) com nossas pequenas vitórias”, enfatizou da Costa e Silva.

“A indústria está sempre nos alcançando e encontrando novos meios de combater nossos esforços.”

Fonte – ONU Brasil de 08 de outubro de 2018

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