Os quatro dossiês maiores da degradação ambiental

Ilustração: LPS

Ao iniciar esta coluna para o Jornal da Unicamp, voltada para o exame das crises socioambientais contemporâneas, convém definir seu campo de reflexão. Em sua formulação mais abrangente e essencial, as múltiplas crises socioambientais de nosso tempo podem ser agrupadas em quatro dossiês maiores: 1. Energia; 2. Deterioração antropogênica da biosfera; 3. Poluição e intoxicação química dos organismos; 4. Concentração do poder econômico e político nas mãos das corporações e regressão da democracia (pois este quarto dossiê é ao mesmo tempo a principal causa dos três precedentes e o principal obstáculo a toda ação política concertada no sentido de mitigar seus impactos).

A esses quatro dossiês pertencem, de um modo ou de outro, todas as crises de nosso tempo. Desestabilização do sistema climático, aquecimento global, declínio das florestas, dos corais, da vida marinha, dos vertebrados, dos polinizadores, eutrofização e acidificação do meio aquático, escassez de recursos hídricos, empobrecimento dos solos, elevação do nível do mar, pressões demográficas crescentes, ameaças à segurança alimentar, aumento incontrolável de resíduos, intoxicação agroindustrial dos organismos, riscos tecnológicos imponderáveis, desigualdade inaudita de ativos e da renda, crise do emprego, dos governos, dos Estados, da governança global e da diplomacia, recrudescimento das guerras, do obscurantismo ideológico e religioso, deslocamentos brutais de contingentes humanos e animais, infestações, riscos de epidemias e crises sanitárias decorrentes de todos esses fatores, e tudo isso em aceleração. Essas são, por trás do noticiário da grande imprensa, as tendências realmente definidoras do século XXI.

Ninguém com acesso à imprensa séria e à divulgação científica as ignora. E porcentagens crescentes da humanidade sofrem suas consequências na própria pele. A percepção, informada ou vivida, de que o avanço imenso do bem-estar social propiciado pela tecnologia e pela industrialização desde o século XVIII está sendo anulado pelo crescente custo ambiental desse avanço ganha terreno a passos largos. Ela se tornou nas últimas décadas o mote central de inúmeras ONGs e coletivos científicos e, ao fim e ao cabo, um dos mais inquestionáveis consensos da história do saber. Kevin Anderson, vice-diretor do Tyndall Centre for Climate Change Research e conselheiro em mudanças climáticas do governo britânico, bem o resume: “Estamos conscientemente enveredando em direção a um futuro fracassado”.[1]

A ideia de um futuro pior é inédita em nosso tempo. Nas Idades Moderna e Contemporânea – moldadas por revoluções tecnológicas e contínuo incremento do bem estar humano (excluídas as sociedades e espécies vitimadas pela expansão ocidental) –, a perspectiva de um futuro substancialmente pior é uma inédita inversão histórica de tendência. De onde a descrença ainda generalizada nessa ideia e a crescente resistência política, ideológica e psicológica à ciência e a seus alertas, mesmo de parte dos setores com maior educação formal (tradicionalmente abertos aos prognósticos científicos), fenômeno igualmente inédito na História Contemporânea.

De fato, embora os eleitorados sejam os alvos prioritários das campanhas de desinformação fomentadas pelos interesses políticos e corporativos em jogo, não se deve menosprezar sua eficácia na Universidade, pois é grande ainda a crença entre nós de que os impactos ambientais criados pela lógica da acumulação podem ser superados aplicando-se corretivos a essa lógica. Educado no paradigma antropocêntrico de que a natureza é recurso, algo disponível para o homem, o mundo universitário – cientistas sociais e cientistas da natureza – consideram-se em geral aptos a lidar com problemas ambientais como problemas derivados de más escolhas tecnológicas, de má gestão econômica ou de políticas que servem a interesses das elites. É claro que precisamos de políticas voltadas para os interesses populares, tecnologias de menor impacto ambiental e de todo o receituário dos economistas: taxa carbono, fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, precificação e internalização dos custos ambientais, princípio do poluidor-pagador, ganhos de eficiência, minimização do desperdício, descolamento, economia circular etc.

Se adotadas, repito, essas propostas seriam muito benéficas. Como o seriam, se adotados, os tratados, protocolos e acordos de governança global firmados nos últimos 45 anos, visando mitigar a degradação do sistema Terra. O problema de fundo, contudo, é que nem essas propostas, nem as resoluções diplomáticas são efetivamente adotadas, malgrado suas vantagens evidentes, inclusive, até certo ponto, para a própria lógica da acumulação capitalista. E não o são porque essas resoluções e essas políticas econômicas decerto mais racionais perderam o poder de influir de modo decisivo sobre as estratégias corporativas. Os grandes conglomerados tornaram-se mestres do jogo e os Estados, dependentes deles e identificados com a forma mentis corporativa, tornaram-se Estados-Corporações ou, como no caso dos Estados Unidos de Donald Trump, Corporações-Estados.

A questão ambiental não é, talvez, insolúvel. Mas o primeiro passo para tentar resolvê-la é reconhecer sua gravidade extrema e, em consequência, atribuir-lhe prioridade absoluta em nossa agenda científica e política. O problema ambiental, em sua essência, não é de má gestão ou de mau comportamento corporativo. Seu significado e sua escala não são apreensíveis pela antinomia eficiência-deficiência ou pela oposição entre regulamentação estatal e liberalismo selvagem. O problema ambiental não é, em suma, da esfera do saber tradicional. Por sua escala global inaudita, pelo emaranhado de problemas interferentes que suscita, ele é algo radicalmente novo na história humana e infinitamente mais complexo que o campo de reflexão de qualquer disciplina acadêmica específica. Ele requer, em última instância, uma redefinição filosófica da posição do homem na biosfera e, no âmbito particular da Universidade, uma nova interação entre os saberes. Trata-se, numa palavra, de um problema que abrange as relações problemáticas e “insustentáveis” entre, de um lado, nossa espécie, nossa história e nossas estruturas ideológicas profundas, e, de outro, os parâmetros do sistema Terra que permitem e ainda fazem aprazível a vida em nosso planeta. Na medida de suas forças, esta coluna aspira ser parte desse esforço coletivo de reflexão e de ação política.

[1] Citado por Terry Macalister, “Complacency threatens climate change action”. Climate News Network, 6/IV/2017: “We are knowingly meandering into a failed future”. http://climatenewsnetwork.net/complacency-climate-change-action/.

Luiz Marques é professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari, Vida de Michelangelo (1568), 2011 e Capitalismo e Colapso ambiental, 2015, 2a edição, 2016. Coordena a coleção Palavra da Arte, dedicada às fontes da historiografia artística, e participa com outros colegas do coletivo Crisálida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate & Atualização (crisalida.eco.br).

Fonte – Jornal da UNICAMP de 15 de maio de 2017

A aposta da Alemanha em energia solar

Painéis de energia solar na Alemanha (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Os alemães estão em meio a uma transição energética para abandonar o carvão e as usinas nucleares. A estratégia colocou o país na liderança da energia solar, mas ainda há desafios a serem superados

Em um pequeno vilarejo no leste da Alemanha, o líder comunitário Karl-Heinz Handreck explica a um grupo de jornalistas internacionais que estamos com sorte. Como o vento está soprando em outra direção, não escutamos os barulhos da operação da gigantesca mina de carvão a céu aberto nas redondezas. Mas sorte é uma palavra que está longe de descrever a comunidade, formada por quase 150 pessoas, a maioria já em idade de aposentadoria. Há planos para expandir as operações de carvão por todos os lados, deixando a pequena Taubendorf cercada. “Em cinco anos, a mina estará a menos de 100 metros de nossas casas”, diz Handreck.

Estamos no leste da Alemanha, praticamente na fronteira com a Polônia. Aqui estão depositadas as maiores reservas de carvão existente no país. Essas reservas deixaram sua marca na cultura local. O time de futebol da cidade mais próxima, Cottbus, não por acaso se chama Energie FC. Quando o país estava dividido em dois, antes de 1989, era daqui que saía toda a energia que abastecia a comunista Alemanha Oriental.

Nos últimos anos, no entanto, todo esse legado energético vem sendo colocado em xeque. Pelo menos duas áreas previstas para exploração de carvão na região foram canceladas recentemente. A termelétrica de Jaenschwalde, abastecida pelas minas que cercam Taubendorf, pode não ter vida útil para além de 2025. E a pressão da sociedade alemã – e de ativistas como Handreck – para gradativamente abandonar o carvão como fonte de energia só aumenta.

Um fenômeno semelhante acontece com a fonte de energia que iluminou as casas “no outro lado do muro” quando o país estava dividido. Historicamente, o lado ocidental da Alemanha apostou no átomo como principal fonte de eletricidade. Hoje, um terço de toda a energia elétrica gerada no país vem de usinas nucleares. Mas elas também estão com os dias contados.

Passado um quarto de século desde que o Muro de Berlim caiu e a Alemanha se unificou, o país olha para trás e decide abandonar as suas duas principais fontes de energia. Mas como manter uma das economias mais fortes do planeta – o quarto maior PIB do mundo – funcionando dia e noite sem as usinas nucleares e a carvão? O país aposta numa grande revolução. Ou, como eles dizem em alemão, numa Wende.

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

A mina de carvão de Jaenschwalde, na região de Brandenburgo, leste da Alemanha. No fundo, a usina termelétrica de mesmo nome. A operação de mineração ameaça um vilarejo próximo (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local devem dar lugar a uma operação de mineração (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Karl-Heinz Handreck, líder do vilarejo de Taubendorf, aponta para o local onde a mina de carvão deve se expandir. O verde dos campos do local deverá dar lugar ao cinza das escavações (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

A transição

A palavra alemã Wende significa transição. Politicamente, é usada como uma mudança sistemática, radical, benigna e não violenta. A palavra foi popular nos anos 1990, usada para se referir à maior transição pacífica que o país já viveu – a queda do muro. Nos últimos anos, ela passou a ser usada ao lado de outra palavra: Energie. Com a política batizada de Energiewende, a Alemanha promete fazer uma transição profunda em suas fontes de energia, abandonando fontes fósseis e colocando todas as forças nas energias renováveis.

O principal alvo da Energiewende é a energia nuclear. Há um sentimento antinuclear muito forte na sociedade alemã, espalhado pela sociedade civil e encampado por partidos políticos. O acidente no reator nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, foi o estopim da nova política. Em menos de seis meses, o governo da chanceler alemã Angela Merkel conseguiu colocar em lei a Energiewende com uma estratégia extensa e compreensiva para encerrar a operação das nucleares, substituindo-as por energia renovável.

A Energiewende prevê desligar reatores nucleares que, juntos, geram 22 mil megawatts de energia. Para fazer uma comparação, é como se o Brasil tivesse um plano para desligar suas duas maiores hidrelétricas, Itaipu e Tucuruí. O plano começa fechando as usinas mais antigas e com vida útil menor. Há previsão de compensação para empresas. Em alguns casos, as empresas simplesmente fecharam, em outros, buscaram se reinventar no mercado investindo em fontes diferentes de energia. Também há empresas que buscaram reparação na Justiça.

Apesar de amplo apoio interno, o abandono da nuclear foi vista com ceticismo pela comunidade internacional. Afinal, ela não emite gases de efeito estufa e é vista como uma forma economicamente viável de produzir eletricidade. Esses argumentos não sensibilizaram o governo alemão. “Nós não acreditamos que a energia nuclear é uma boa alternativa”, diz Thomas Meister, chefe da divisão de Clima do Ministério de Relações Exteriores do governo da Alemanha. “Essa crença foi reforçada por Fukushima, mas há outros bons motivos. Os custos são altos, e não há uma solução para o problema do depósito de lixo radiativo.” O governo alemão segue à risca seu cronograma para acabar com a nuclear no país. Após Fukushima, sete usinas foram desligadas. Uma oitava foi desligada em 2015, e restam outras oito usinas que estarão desativadas até dezembro de 2022.

A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em  dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)A usina nuclear de Philippsburg, na Alemanha. O reator Philippsburg 1 foi desativado em agosto de 2011. O país pretende desligar o reator 2 em dezembro de 2019, como parte da política Energiewende (Foto: Thomas Niedermueller/Getty Images)

Solar decola num país de pouco sol

Desativar usinas, seja da fonte que for, impõe um risco para qualquer país: como evitar um apagão? Por isso a Energiewende prevê também investimentos em energias renováveis como solar e eólica. A meta é atingir 80% de renováveis – o que significa se livrar não só das nucleares, como também do carvão e petróleo. Atualmente, a Alemanha já está perto dos 30% de renováveis. Como ela chegou a esse patamar?

Para começar, o país precisou adotar uma tarifa subsidiada para energia limpa – uma estratégia para fazer com que as renováveis pudessem competir com tecnologias já estabelecidas. Essa tarifa é paga não pelo contribuinte, mas pelo consumidor, com uma sobretaxa determinada na conta de luz. Outra medida adotada foi a desregulamentação do setor, permindo que qualquer empresa que queira comercializar energia possa ter acesso à rede para vender eletricidade. Isso abriu as portas do mercado para pequenas e médias empresas, além de cooperativas de famílias e agricultores. Por fim, a Energiewende determinou que a preferência para entrar na rede é das energias renováveis. Isso significa que o governo só começa a consumir energia gerada nas usinas fósseis após ter consumido, primeiro, a produzida pelo sol e vento.

Essas regras tiveram o efeito colateral de aumentar a conta de luz em cerca de € 2 por quilowatt/hora. Mas esse aumento não parece ter provocado grandes impactos no orçamento familiar da população – a Alemanha tem a menor taxa de inadimplência no pagamento de eletricidade da União Europeia. Além disso, essa sobretaxa tem data de validade. A legislação determina que ela seja progressivamente reduzida de acordo com o preço das energias renováveis – e os preços estão em queda. Nos últimos dez anos, o preço da energia solar caiu 74%.

Hoje, a Alemanha é o país que mais gera energia solar per capita e o segundo maior produtor de solar do mundo em números absolutos, atrás apenas da China. Em dias úteis, a solar chega a atender a um terço da demanda de energia do país. Os resultados impressionam, ainda mais se considerarmos que a Alemanha é um país de baixa incidência solar. Regiões brasileiras que menos recebem sol, por exemplo, têm mais luz solar do que a média alemã.

Menos verde do que gostaria

O governo alemão se vangloria de ser verde. A chanceler alemã, Angela Merkel, já foi ministra do Meio Ambiente e se apresenta como líder de um país pró-natureza. Seu governo apresentou metas mais ambiciosas que seus vizinhos europeus no Acordo de Paris – o tratado assinado na capital francesa e ratificado por mais de 140 países com metas para reduzir poluição emitida por fábricas, veículos e desmatamento e, desta forma, limitar o aumento da temperatura do planeta. Merkel se comprometeu a reduzir 40% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, e chegar a uma redução de 95% em 2050.

Os números de 2016, no entanto, ligaram o sinal de alerta nas credenciais verdes do governo alemão. Em um ano, as emissões do país aumentaram em 0,9%. É pouco, mas qualquer pequena variação pode comprometer uma meta apertada como a alemã, já que há pouco espaço de manobra até 2020. O aumento das emissões no ano passado foi creditado a um inverno mais rigoroso, que fez com que os alemães utilizassem mais gás natural, e a um aumento no uso de combustível no setor de transporte. Mas o debate público a respeito das metas acabou expondo uma contradição da Energiewende: a benevolência com o carvão. Enquanto os planos da transição energética contam com um cronograma rígido de desligamento de usinas nucleares, não há o mesmo empenho em fechar as usinas a carvão.

“As emissões alemãs não estão caindo por causa do carvão. Podemos atuar com eficiência energética, reduzir emissões na agricultura, mas não há jeito. Se não pararmos de queimar carvão, não cumpriremos a meta”, diz Lutz Weischer, ativista da ONG Germanwatch. Segundo ele, o país precisa encontrar uma forma politicamente aceitável e economicamente viável para o desligamento progressivo das usinas a carvão, como faz com a energia nuclear. Mas abandonar o carvão é mais complicado do que parece. O crescimento gigantesco das renováveis está suprindo, por enquanto, a energia que as usinas nucleares deixaram de gerar. Mas não chegou ainda a substituir as energias fósseis. O carvão ainda representa 40% da matriz energética alemã, com forte participação nos sistemas de aquecimento das casas. Além disso, há a questão social – é difícil realocar no mercado de trabalho pessoas que passaram a vida toda trabalhando nas minas e indústrias de carvão.

O dilema interno do carvão embute o risco de sujar a construção da diplomacia climática de Angela Merkel. A Alemanha vem se esforçando a assumir um papel diplomático mais forte no mundo em relação às negociações de mudanças climáticas. O governo de Merkel tentou de várias formas manter os Estados Unidos no Acordo de Paris, por exemplo, e quando não conseguiu se colocou como uma das principais vozes em defesa do tratado internacional sobre mudanças climáticas, ao lado de França, China e Canadá. Se não conseguir liderar pelo exemplo, a Alemanha pode ter problemas para preencher o buraco deixado pelo presidente americano Donald Trump.

Um acerto de contas com a história

No sul de Berlim, um grande cilindro cercado por uma estrutura de metal chama a atenção na paisagem. Trata-se de um gasômetro há muito desativado. Estamos num campus chamado Euref, um lugar que mistura uma universidade, empresas já estabelecidades e startups. “Aqui costumava ser uma importante unidade de armazenamento de gás para iluminação. Era uma construção do século XIX, que foi abandonada na década de 1990”, diz Mauricio Rojas, engenheiro da Schneider Electric. Hoje, o local é um grande laboratório de tecnologias de mobilidade urbana e energia.

Em um passeio pelo campus, Rojas mostra algumas das invenções e inovações do local. No topo dos prédios, é possível ver aerogeradores que usam o vento para produzir energia. No estacionamento, os carros elétricos são reabastecidos com energia gerada por painéis fotovoltaicos instalados nos telhados. Um protótipo de um carro autônomo, que se move sem a necessidade de um motorista, circula pelo campus, exibindo um design construído, em parte, usando impressoras 3D.

Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)Carros elétricos são recarregados no campus Euref, em Berlim, Alermanha. Ao fundo, a antiga estrutura de um gasômetro, hoje desativada (Foto: Bruno Calixto/ÉPOCA)

O próprio trabalho de Rojas tem o potencial de ser tão disruptivo quanto essas tecnologias. Ele pesquisa a criação e viabilidade de smart grids, as redes de energia inteligentes. Atualmente, um dos grandes problemas das energias renováveis é que elas não podem ser ligadas a qualquer hora do dia. Elas dependem de vento ou luz solar para poder funcionar. Enquanto isso, carvão e gás podem queimar faça chuva ou faça sol. As redes inteligentes, em tese, podem resolver isso. Um computador (ou vários) com um potente algoritmo, ligado em rede com as usinas e alimentado por dados com a previsão do tempo, pode definir, com velocidade e qualidade muito maior do que um operador humano, quando ligar ou desligar usinas e para onde transmitir eletricidade, dependendo da oferta e demanda de cada região. Aliada ao desenvolvimento de baterias elétricas mais potentes, essa tecnologia pode maximizar de tal forma a distribuição de eletricidade que não haveria mais necessidade de usar fósseis como energia de backup.

Se esse tipo de tecnologia vingar, a Alemanha pode dar o passo que falta para abandonar de vez o carvão e abraçar 100% de energias renováveis. É curioso que ela esteja sendo desenvolvida justamente num lugar que foi o símbolo da energia do passado. É como se o país procurasse, com a sua transição energética, acertar as conta deixadas pelas fontes mais poluentes para poder criar um sistema que ilumine casas e indústrias sem sujar o planeta. “Estamos usando a herança energética do país para desenvolver as tecnologias do futuro”, diz Rojas.

Fonte – Bruno Calixto (O repórter viajou a Berlim em maio de 2017 a convite da Embaixada da Alemanha), Blog do Planeta de 13 de junho de 2017

Renováveis batem novo recorde, mesmo com queda em investimento

Otávio Almeida/Greenpeace Brasil

Capacidade instalada cresceu 9% em 2016 e foi maior do que a soma de todas as fontes fósseis e já dispensa a necessidade de “energia firme” na matriz elétrica

O principal relatório anual sobre o estado das energias renováveis no mundo foi publicado nesta quinta-feira (7), e tem números para justificar todos os estados de ânimo da humanidade em relação à crise do clima.

Quem quer ver o copo meio cheio gostará de saber que, em 2016, o mundo adicionou 161 gigawatts – o equivalente a mais de dez usinas de Itaipu – de energia renovável à matriz, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

O preço da geração renovável em alguns países caiu para menos de 5 centavos de dólar o quilowatt/hora; mesmo em nações pobres, essas fontes hoje frequentemente são as opções mais baratas. Aliás, os investimentos em renováveis, de US$ 250 bilhões, representaram mais do que o dobro dos investimentos em todos os fósseis somados (US$ 114 bilhões). O crescimento mais espetacular foi o da energia fotovoltaica: a cada hora de 2016 foram instalados 31 mil painéis solares no mundo.

Quem prefere ver o copo meio vazio argumentará que os investimentos em renováveis caíram 23% no ano passado, o maior tombo em uma década. E dirá também que, mesmo com um crescimento espetacular neste século, duas vezes maior que o da demanda, as novas renováveis, como a solar e a eólica, ainda são anãs: respondem por menos de 2% do consumo total de energia no mundo, contra 78,4% dos combustíveis fósseis. Pior: com US$ 4 gastos em subsídios a combustíveis fósseis para cada dólar de subsídio a renováveis, a transição não está acontecendo em velocidade suficiente para cumprir o objetivo do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global abaixo de 2oC.

As informações vêm do Ren21, relatório produzido anualmente pela organização homônima que monitora as tendências das energias renováveis, o marca-passo da descarbonização da economia global.

Mesmo diante do desafio de alcançar e ultrapassar os fósseis na matriz global, as energias renováveis em 2016 desmontaram mais uma vez a linha de raciocínio, se é que se pode chamar assim, usada por Donald Trump para abandonar o Acordo de Paris, na semana passada.

Além de adicionar mais megawatts à economia mundial que todos os fósseis somados, o setor de renováveis também gera empregos. Hoje no mundo há 9,8 milhões de pessoas empregadas no setor, 777 mil nos EUA – onde somente a geração de energia solar e eólica tiveram um aumento de 16% na geração de empregos. A China é de longe o maior empregador, com 3,9 milhões de trabalhadores na indústria das renováveis, seguida pelo Brasil, com 1 milhão de empregos – mantidos em grande parte pelo segmento de biocombustíveis.

Dentre todos os renováveis, quem mais emprega é a energia solar, que também lidera a expansão mundial dentre todas as renováveis. No ano passado, 75 gigawatts foram instalados, o equivalente à potência somada das usinas hidrelétricas do Madeira e do Teles Pires. A China respondeu por quase metade da capacidade instalada, 34 gigawatts, seguida por EUA (sim, Donald!) e Japão. O Brasil nem sequer aparece na lista dos países com adições dessa fonte.

Outra conclusão do relatório, que deveria ser lida pelos planejadores energéticos brasileiros, é que a expansão vertiginosa das renováveis está tornando obsoleta a proclamada necessidade de “energia firme” ou “energia de base” na matriz elétrica para compensar a intermitência das renováveis.

Esse argumento tem sido usado pela eletrocracia nacional para justificar a necessidade de grandes hidrelétricas na Amazônia. A ex-presidente Dilma Rousseff, por exemplo, gostava de dizer que “não dá para estocar vento” – ou seja, sem hidrelétricas, o país teria de construir térmicas fósseis para garantir a energia durante os períodos em que hão houvesse sol nem vento.

O Ren21 afirma que isso é um “mito”.

Em 2016, a Dinamarca chegou a fornecer eletricidade apenas com renováveis num pico de demanda 140% maior que a geração; a Alemanha teve um pico de 86% atendido apenas por fontes como vento e sol. Isso acontece por causa de sistemas interligados com outros países e por causa de redes grandes, nas quais a geração de uma fonte sempre compensa a intermitência de outra. Mesmo sem capacidade adicional de estocar energia, países como Portugal, Irlanda e Chipre estão conseguindo ter 20% a 30% de sua eletricidade fornecida por renováveis (excluindo grandes hidrelétricas).

Fonte – Observatório do Clima de 07 de junho de 2017

Embalagens de takeaway de esferovite proibidas em ilha do Havai

embalagem de esferovite polui jardimFoto: C. K. Koay

O Condado de Maui, no Havai, proibiu a venda e utilização de embalagens e copos de esferovite para o café e comida takeaway em todo o condado.

O Conselho do Condado de Maui, no Havai, aprovou uma proposta de lei que proíbe a venda e a utilização de embalagens e copos de esferovite para bebidas e comida takeaway.

A proibição entrará em vigor no dia 31 de dezembro de 2018 e está, atualmente, à espera da assinatura do presidente Alan Arakawa, que se encontra no Japão. As multas por incumprimento podem chegar aos 900€ por dia.

Robert Carrol, um dos membros do Conselho que votou a favor da medida, declarou que os impactos ambientais da espuma de poliestireno, ou esferovite, “são inegáveis”.

As caixas térmicas, placas e flocos de esferovite, usados para proteger e acondicionar produtos embalados, assim como o plástico e o poliestireno sólido não estão incluídos na proibição. Os artigos do talho e da peixaria também poderão continuar a ser vendidos em embalagens de esferovite.

Fonte – The UniPlanet de 01 de junho de 2017

Brasil aumenta desmatamento e perde apoio da Noruega

Shutterstock - Novas iniciativas de proteção ambiental na Amazônia devem, agora, ser engavetadas até que os recursos voltemNovas iniciativas de proteção ambiental na Amazônia devem, agora, ser engavetadas até que os recursos voltem. Shutterstock

Parcela de recursos que será enviada ao BNDES não será suficiente para novos projetos na Amazônia

Diante de um corte inédito de apoio financeiro da Noruega ao Brasil por causa do desmatamento florestal, a parcela de recursos que será enviada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2017 por Oslo não será suficiente sequer para atender a todos os novos projetos em consideração pelo governo para o Fundo da Amazônia.

O Estado apurou que, no total, o Brasil receberá no máximo US$ 35 milhões em 2017, um valor muito menor do que a média de US$ 110 milhões enviados anualmente. Os dados são do Ministério do Meio Ambiente da Noruega. O corte, que chega a R$ 250 milhões, terá um impacto real nos programas ambientais e de preservação.

O Fundo, que é administrado pelo BNDES, tem até agora em 2017 apenas três projetos aprovados. Mas outros 19 estavam sob análise ou em consultas. No total, para que fossem aprovados, o fundo precisaria desembolsar US$ 175 milhões, cinco vezes o valor que a Noruega repassará ao Brasil.

Para calcular o repasse de apenas US$ 35 milhões, a Noruega considerou a taxa de desmatamento. Quanto maior ela for, menor o dinheiro liberado. Por um acordo de 2008, a Noruega destinou já US$ 1,1 bilhão ao Brasil, para um fundo do BNDES. Mas outros US$ 500 milhões ainda seriam enviados até 2020.

O banco diz que metade do dinheiro que tem do Fundo da Amazônia já está comprometido e o restante ainda poderia ser usado. Mas fontes dentro do Ministério do Meio Ambiente admitem que tal lógica vale apenas para aqueles programas já aprovados, uma vez que muitos deles ainda precisam receber parcelas que são liberadas anualmente.

O risco seria para as novas iniciativas que, agora, podem ser engavetadas até que os recursos voltem. Os problemas, porém, podem ser ainda mais profundos nos próximos anos, se o desmatamento continuar. O governo norueguês indicou que o pagamento pode simplesmente desaparecer em 2018 ou 2019 – se o País não atingir as metas de redução de desmatamento.

Fonte – Jamil Chade, Folha de Londrina de 26 de junho de 2017

Aumento de geração de energia por consumidor pode mudar perfil de distribuidoras

joncallas

O cenário da distribuição de energia no Brasil vem sofrendo uma revolução silenciosa. Uma das faces que provocam essas mudanças é a produção energética pelo próprio consumidor. Desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) modernizou a Resolução 482/2012 – que regulamenta o setor – e flexibilizou algumas normas, o número desse tipo de ligação às redes de distribuição cresceu consideravelmente: em dezembro de 2015 eram 1.731 conexões. O número passou para quase 10,5 mil em maio de 2017.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, esse crescimento logo vai se destacar na matriz elétrica, e, por essa razão, é necessário um debate desde agora, para que haja tempo de desenvolver um planejamento para as mudanças que estão por vir. Ele acredita, por exemplo, que o monopólio de comercialização de energia pelas empresas de distribuição deixará de existir. “A evolução tecnológica vai levar para que a gente tenha uma separação. A parte de comercialização fica com uma determinada empresa, ou várias empresas, e a parte de fio, para você não ter dois postes concorrendo, vai continuar com um monopólio”, explica.

Para o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energias, Carlos Alexandre Pires, é necessário associar o estímulo para geração distribuída a mecanismos legais que garantam a manutenção do sistema de distribuição, inclusive para que a complementação da energia gerada pelo consumidor chegue até ele. “Isso está acontecendo em todos os lugares do mundo, onde a energia eólica e a solar estão ganhando importância, porque ao extremo você não teria distribuidora de energia.”

Mário Menel explica que em países como Portugal esse modelo que separa distribuição e comercialização de eletricidade já é uma realidade. “Mesmo que você não queira colocar energia no seu telhado, você escolhe o seu fornecedor de energia. E esse fornecedor, que é uma empresa com expertise em colocar, olha para o seu caso e diz: eu vou botar o painel em cima do teu telhado e você vai comprar energia de mim, mas essa energia é minha”, projeta. Para ele, o caminho é inevitável. “São arranjos comerciais que vão surgindo em função do avanço tecnológico, que não tem como você ser contra”, afirma.

No Brasil, grandes consumidores como redes de hotelaria e indústrias já escolhem seus fornecedores de eletricidade. O presidente da Abiap explica que em cerca de cinco anos esse modelo chegará ao consumidor residencial. Para que a transição entre os modelos ocorra de forma tranquila, ele explica, que é necessário haver planejamento desde agora. “Não podemos esquecer que quem lastreou a expansão do sistema como nós conhecemos hoje, em contratos de longo prazo, foram as distribuidoras, o mercado cativo. Agora vão deixar de lastrear, então, o sistema financeiro vai ter que entrar no setor elétrico e oferecer produtos que nos deem capacidade para financiar essa expansão.”

Atualmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o único que financia o setor elétrico brasileiro, com linhas de crédito de até 80% para energia fotovoltaica (solar), por exemplo. Devido a projetos de eficiência energética no Ministério de Minas e Energia e na Aneel, desde o ano passado, a geração de energia a partir de fontes não renováveis não está mais entre as opções de financiamento para o setor. No entanto, para Mário é necessário ir além e atrair outros bancos, criando um funding, ou seja, uma captação de recursos para investimento, que poderá ser saudável para o setor. “Naturalmente, isso vai implicar em custos reais. Pode ter um aumento no começo? Pode. Mas a competição acaba diminuindo os custos.”

Fabíola Sinimbu – A repórter viajou a convite da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), edição Talita Cavalcante,  Agência Brasil de 05 de junho de 2016

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Faça produtos de limpeza naturais e eficientes usando ingredientes caseiros

Os limpadores industrializados não-biodegradáveis geram resíduos prejudiciais ao meio ambiente e podem causar danos à saúde. Os efeitos nocivos são potencializados quando os produtos têm como base o cloro, que tende a ocasionar irritações nas vias respiratórias e na pele. Menos agressivos, os produtos de limpeza feitos com ingredientes caseiros como vinagre, limão, bicarbonato de sódio e sabão em barra são alternativas sustentáveis, eficientes e mais baratas. O UOL Casa e Decoração consultou especialistas e ensina como preparar essas soluções naturais.

Desengordurante – Ingredientes: 300 ml de vinagre branco / suco de um limão / uma colher de chá de detergente caseiro (veja receita na foto 4!) / dez gotas de óleo essencial de limão. Como fazer? Misture bem todos os elementos e utilize um borrifador para aplicação do produto. | Como age? O vinagre e o limão são capazes de remover gorduras por causa de seus componentes principais, o ácido acético e o ácido cítrico, respectivamente. A alta concentração de tais substâncias na solução potencializa a ação desengordurante. O óleo essencial funciona como aromatizante. Onde usar? Na limpeza de superfícies engorduradas

Limpa-vidros caseiro – Ingredientes: um litro de água / três colheres de sopa de vinagre branco. Como fazer? Basta misturar as substâncias e utilizar um borrifador para aplicar a solução sobre a superfície a ser limpa. | Como age? O principal componente do vinagre é o ácido acético, que tem boa capacidade para a remoção de gorduras sem deixar resíduos, além de possuir ação desinfetante. Onde usar? Na higienização de janelas e espelhos

Detergente caseiro – Ingredientes: dois litros de água / 250 gramas de sabão em barra neutro (ralado) / duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio / duas colheres de sopa de suco de limão. Como fazer? Aqueça a água, adicione o sabão e mexa até dissolver. Depois de fria, acrescente à solução o bicarbonato e o suco de limão. | Como age? A mistura do ácido cítrico do limão ao bicarbonato forma citrato de sódio que, em contato com a água, eleva o pH e potencializa a ação desengordurante do sabão. Onde usar? Na lavagem das louças e na limpeza de superfícies (azulejos e pisos da cozinha e do banheiro, por exemplo)

Desinfetante caseiro – Ingredientes: dois litros de água / 250 ml de álcool etílico hidratado 70 °INPM / 125 gramas de sabão de coco (ralado) / 20 folhas verdes de eucalipto. Como fazer? Deixe as folhas de eucalipto de molho no álcool por três ou quatro dias. Espere o tempo indicado e reserve a solução. Em uma panela, aqueça a água e acrescente o sabão, mexendo até dissolver. À mistura já fria, adicione o álcool do molho (sem as folhas) e incorpore bem. | Como age? O sabão faz a limpeza propriamente dita, enquanto o álcool e o eucalipto têm ação desinfetante. Onde usar? Na higienização do banheiro

Limpador multiuso 1 – Ingredientes: 180 ml de água / 90 ml de vinagre branco / 90 ml de detergente caseiro (veja a receita na foto 4!) / dez gotas de um óleo essencial de sua preferência (lavanda ou eucalipto, por exemplo). Como fazer? misture bem todas as substâncias e utilize um borrifador para aplicação da solução sobre a superfície a ser limpa. | Como age? O detergente faz o papel do sabão, enquanto o vinagre tem ação desengordurante e o óleo essencial funciona como aromatizante. Onde usar? Na limpeza geral de pisos e azulejos

Limpador multiuso 2 – Ingredientes: um litro de água / quatro colheres de sopa de bicarbonato de sódio / uma colher de sopa de vinagre branco ou de limão. Como fazer? Misture bem todas as substâncias e utilize um borrifador para aplicação da solução. | Como age? O vinagre ou limão reage com o bicarbonato e forma, além de água e gás carbônico, acetato de sódio (no caso do vinagre) ou citrato de sódio (no caso do limão). A combinação do acetato ou citrato com a água promove a elevação do pH da solução, fazendo com que gorduras e outras sujeiras resistentes sejam eliminadas. Onde usar? Na limpeza geral de pisos, azulejos e outras superfícies engorduradas (fogão, pia ou box do banheiro, por exemplo)

Fontes – César Pegoraro, biólogo e Regina Célia Galvão Frem, professora do Instituto de Química da Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), campus Araraquara, Karine Serezuella, UOL