Pesticidas neonicotinoides reduzem significativamente o número de grãos de pólen que uma abelha pode coletar

abelhaFoto: University of Stirling

A pesquisa, realizada por uma equipe na Faculdade de Ciências Naturais, descobriu que doses realistas de um pesticida neonicotinoide afetam o comportamento das abelhas – em última análise, interferindo com o tipo de vibrações que produzem ao coletar o pólen.

A Dra. Penelope Whitehorn, pesquisadora da Universidade de Stirling, que liderou a pesquisa, disse: “Nosso resultado é o primeiro a demonstrar mudanças quantitativas no tipo de zumbidos produzidos por abelhas expostas a níveis realistas de neonicotinoides no campo .

“Nós também mostramos que as abelhas polinizadoras expostas ao pesticida também coletam menos grãos de pólen”.

A Dra. Whitehorn, trabalhando com o professor associado Mario Vallejo-Marin, analisou um tipo complexo de polinização, em que as abelhas usam vibrações para remover o pólen das flores. Eles estudaram colônias cativas de abelhas visitando flores polinizadas, monitorando seu comportamento e coletando zumbidos de abelhas usando microfones.

Os cientistas então analisaram o sinal acústico produzido durante a polinização para detectar mudanças no comportamento do zumbido ao longo do tempo. Eles descobriram que a exposição crônica ao pesticida, em níveis semelhantes aos encontrados em campos agrícolas, interferiu com as vibrações das abelhas ao coletar o pólen, que, por sua vez, reduziu a quantidade de pólen coletada.

A Dra. Whitehorn explicou: “Descobrimos que as abelhas de controle, que não estavam expostas ao pesticida, melhoraram sua coleção de pólen à medida que adquiriam experiência, o que interpretamos como uma habilidade para aprender a melhorar a polinização.

“No entanto, as abelhas que entraram em contato com o pesticida não coletaram mais pólen à medida que ganharam mais experiência e, no final do experimento coletado, entre 47% e 56% menos de pólen em comparação com as abelhas controle”.

Dr. Vallejo-Marin disse: “Nossos achados têm implicações para os efeitos dos pesticidas nas populações de abelhas, bem como os serviços de polinização que elas fornecem. Eles também sugerem que a exposição a pesticidas pode prejudicar a capacidade das abelhas de realizar comportamentos complexos, como a polinização.

“O próximo passo nesta pesquisa seria estabelecer o mecanismo pelo qual o pesticida está afetando as abelhas. Pensamos que os pesticidas podem estar afetando a memória e a capacidade cognitiva das abelhas, o que pode ser muito importante na condução de comportamentos complexos”.

O estudo foi publicado em Scientific Reports.

Referência

Neonicotinoid pesticide limits improvement in buzz pollination by bumblebees
P. R. Whitehorn, C. Wallace & M. Vallejo-Marin
Scientific Reports 7, Article number: 15562 (2017)
doi:10.1038/s41598-017-14660-x

Fontes – University of Stirling, tradução e edição Henrique Cortez, EcoDebate de 16 de novembro de 2017

Conheça as ‘superfrutas’ encontradas na Mata Atlântica que pesquisadores tentam salvar da extinção

Frutas brasileirasNo sentido horário, grumixama, bacupari-mirim, ubajaí, araçá-piranga e cereja-do-rio-grande, candidatas a novas “superfrutas”, segundo cientistas Foto: Sítio Frutas Raras / Severino de Alencar

Se você já bebeu um suco de ubajaí, degustou um araçá-piranga ou já provou uma cereja-do-rio-grande, parabéns. É um dos felizardos que conhece estas frutas raras da Mata Atlântica, com efeitos tão positivos para a saúde que cientistas brasileiros apostam nelas como candidatas a novas “superfrutas” da moda.

Pesquisas feitas em parceria pela Unicamp e pela USP, determinaram que cinco espécies nativas do Brasil são ricas em antioxidantes e têm alta eficiência anti-inflamatória no organismo – comparável à de estrelas do mercado de alimentos saudáveis, como o açaí e as frutas vermelhas tradicionais (morango, mirtilo, amora e framboesa).

Mas para conseguir estudar o araçá-piranga (E. leitonii), a cereja-do-rio-grande (E. involucrata), a grumixama (E. brasiliensis), o ubajaí (E. myrcianthes) e o bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), os pesquisadores precisaram da ajuda de “colecionadores de frutas” do interior de São Paulo, já que elas são tão pouco conhecidas e consumidas que, em alguns casos, estão ameaçadas de extinção.

Um deles é o “frutólogo” Helton Josué Muniz, que cultiva quase 1,4 mil espécies de frutas raras e exóticas em sua fazenda em Campina do Monte Alegre, à oeste da capital paulista.

“Queríamos trabalhar com frutas nativas e foi uma dificuldade encontrar onde elas estavam plantadas”, disse à BBC Brasil Severino Matiasde Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo.

“Hoje, o mercado para este tipo de superalimentos é o que mais cresce no mundo, principalmente o americano. E os pesquisadores de lá ficam assustados quando veem que a gente tem uma grande biodiversidade de frutas que poderíamos apresentar ao mundo e ainda não apresentamos.”

Uma análise das folhas, das sementes e dos frutos destas cinco espécies – que ocorrem em toda a Mata Atlântica, mas têm sido mais encontradas no Sudeste e no Sul – mostrou que elas podem ser consideradas “alimentos funcionais”, também conhecidos como superalimentos.

Além de altos teores de substâncias antioxidantes, elas também possuem ação anti-inflamatória no organismo.

“Os alimentos funcionais são aqueles que, além da função nutritiva, podem ajudar a prevenir doenças crônicas, como problemas do coração, diabetes e câncer”, disse à BBC Brasil Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba, também autor do estudo.

Estudos sobre as espécies, financiados pela Fapesp, já foram publicados nas revistas científicas Plos One e Journal of Functional Foods.

‘Novo açaí’

O principal objetivo da pesquisa com novas frutas, segundo Rosalen, era encontrar “novos açaís” – frutas nativas e altamente nutritivas que pudessem trazer resultados científicos e econômicos para o Brasil.

“Nosso alvo eram as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias por que esta é uma grande necessidade da indústria farmacêutica. No futuro, queremos isolar e identificar as moléculas ativas que fazem parte dessas frutas, que podem se tornar medicamentos importantes”, afirma.

Substâncias antioxidantes inibem a formação de radicais livres – moléculas reativas de oxigênio que são geradas naturalmente pelo organismo ou estimuladas por fatores externos, num processo que causa envelhecimento e morte celular.

Ao longo do tempo, o bombardeio de radicais livres em algumas estruturas orgânicas pode contribuir para doenças como câncer, e artrite. O corpo humano produz antioxidantes naturais, mas não o suficiente para neutralizar completamente o processo.

A ação dos radicais livres também está relacionada com inflamações no organismo – daí a importância de substâncias que também atuem como anti-inflamatórios, explica Rosalen.

“Quando há uma inflamação, o corpo libera uma série de sinalizadores que atraem as células brancas do sangue para fazer a defesa. Mas geralmente essa migração é exacerbada e aumenta o processo inflamatório, produzindo mais destruição.”

“Descobrimos que as substâncias químicas presentes nas frutas impedem que uma quantidade exagerada de células de defesa cheguem ao local da inflamação. Por conta disso, temos um processo mais controlado. Não é que o corpo se defende menos, mas se defende na medida certa”, diz.

De acordo com os pesquisadores, a ação das frutas – se consumidas frequentemente – pode retardar os processos inflamatórios que causam doenças como diabetes, arteriosclerose e mal de Alzheimer, por exemplo.

Sítio Frutas RarasEm parceria com colecionadores de espécies exóticas, projeto quer tornar frutas estudadas mais populares Foto: Arquivo pessoal

‘Berries’ brasileiras

Segundo Alencar e Rosalen, a grumixama e a cereja-do-rio-grande, frutas pequenas e vermelhas, se destacam em relação às demais nas propriedades antioxidantes.

“Elas são como berries (como algumas frutas silvestres vermelhas são chamadas em inglês) brasileiras. São fusões da cereja com a amora. Doces, mas com um teor de ácido ideal. São minhas preferidas”, diz Severino Alencar.

A cor vermelha ou arroxeada das frutas, explica, é dada por um grupo de compostos, as antocianinas, cuja presença normalmente indica a eficiência no combate aos radicais livres.

Já o araçá-piranga – amarelado e mais ácido que os demais – tem o maior potencial anti-inflamatório, de acordo com Pedro Rosalen. “Ele reduziu a migração de células de defesa em 62%, um índice muito alto para uma fruta.”

As cinco espécies estudadas são consideradas raras atualmente, e o araçá-piranga é considerado ameaçado de extinção. Há outras 14 em estudo pela equipe coordenada pelos pesquisadores.

“Poucas das frutas que consumimos hoje são nativas do Brasil: abacaxi, maracujá, caju e goiaba. E a Mata Atlântica já está no limiar do seu equilíbrio ecológico. É urgente estudarmos as frutas deste e de outros biomas”, justifica Alencar.

Agora, a equipe de cientistas quer expandir o cultivo das cinco frutas entre pequenos agricultores e, com mais ambição, para o agronegócio. Para isso,pretendem se dedicar ao melhoramento genético das espécies.

“Compramos maçãs iguaizinhas umas às outras porque em determinado momento foi feita a domesticação da fruta. Isso é necessário para que, no futuro, elas sejam produzidas com qualidade e em quantidade.”

Procura

Para aumentar o número de produtores das novas superfrutas, os cientistas acreditam que a parceria com o Sítio Frutas Raras, do colecionador Helton Muniz, e com outro sítio no interior de São Paulo, é essencial.

“Depois que apresentamos as pesquisas, várias pessoas já nos ligaram perguntando onde podem encontrar essas frutas para consumir. Elas ainda têm um mercado muito pequeno, a ciência tem que mostrar que elas têm um diferencial”, diz Alencar.

Muniz, cujo trabalho já foi mostrado em reportagem da BBC Brasil, conta que a paixão por frutas exóticas se transformou em hobby, ganha-pão e até fisioterapia – ele nasceu com um distúrbio neuromotor que dificulta seus movimentos.

No sítio, ele cultiva 1.390 espécies, cujas mudas vende para os interessados. O objetivo, segundo ele, é espalhar pelo Brasil moderno as frutas esquecidas pela história da culinária nacional.

“As pessoas até podem ter no quintal, mas não sabem que são frutas comestíveis. Na vida cotidiana, a pessoa pisa em cima da fruta e acha que é veneno. A fruta para elas fica na prateleira do supermercado”, disse à BBC Brasil.

Desde os primeiros resultados de Alencar e Rosalen, o “frutólogo” diz que vem aumentando a procura por informações sobre as espécies por e-mail e pelas redes sociais – Muniz responde pessoalmente a todas as mensagens na página do sítio no Facebook.

Ele diz usá-las frequentemente em sucos, geleias, bolos e até bebidas fermentadas caseiras. Mas tem dificuldade de apostar naquela que pode cair no gosto da população como o novo açaí.

“É uma cilada me perguntar qual a minha preferida, porque gosto de todas. Acho que a grumixama é minha favorita. Mas eu também aprecio muito o araçá-piranga, que as pessoas desprezam, porque tem sabor forte. Mas dá para fazer um sorvete delicioso.”

O que os cientistas da USP e da Unicamp acabam de descobrir, no entanto, Muniz afirma que já sabia.

“Pelo tipo de fruta já dá para saber se ela é boa ou não. A pesquisa preenche as formalidades do ser humano. É para comprovar isto ou aquilo. Mas pela própria cor da fruta já dá para saber se ela tem antioxidante, se é boa para a saúde. A gente vai aprendendo com o tempo.”

Fonte – Camilla Costa, BBC Brasil de 08 de novembro de 2017

FAO: produção agrícola responde por pelo menos 20% das emissões de gases do efeito estufa

Uso indiscriminado de antibióticos na pecuária pode favorecer desenvolvimento de resistência de bactérias e micróbios a medicamentos. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura / Ryan ThompsonPecuária é segmento da produção de alimentos que mais emite gases do efeito estufa. Foto: Departamento dos Estados Unidos para Agricultura / Ryan Thompson

Em pronunciamento na 23ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP23, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, alertou que as transformações do clima poderão arrastar milhões de pessoas para um ciclo vicioso de pobreza e má nutrição. Dirigente cobrou adoção de padrões mais sustentáveis na produção agrícola.

Em pronunciamento na 23ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP23, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, alertou que as transformações do clima poderão arrastar milhões de pessoas para um ciclo vicioso de miséria e má nutrição. Até 2050, quedas na produção agrícola associadas às mudanças climáticas poderão elevar em 20% o risco de fome no mundo.

“Não estamos fazendo o suficiente para enfrentar essa grave ameaça”, criticou o dirigente da agência da ONU, lembrando que os países insulares e as nações menos desenvolvidas são “especialmente vulneráveis” às mudanças climáticas.

A produção agrícola ocupa um lugar paradoxal na dinâmica climática – é afetada por suas oscilações, mas é também uma das maiores responsáveis pelas mudanças climáticas. “Pelo menos um quinto das emissões totais de gases do efeito estufa pode ser atribuído ao setor agrícola”, afirmou Graziano.

Apesar dos desafios, Graziano afirmou que ainda há tempo para agir. Segundo ele, a comunidade internacional tem capacidade para erradicar a fome em todas as suas formas até 2030, tal como previsto pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS).

O segmento da produção de alimentos que mais emite gases do efeito estufa é a pecuária. Todavia, “é possível uma pecuária de baixo carbono”, enfatizou o chefe da FAO. A agência estima que técnicas de criação de gado aprimoradas, de fácil implementação, podem reduzir de 20 a 30% as emissões.

“Não basta transformar apenas a forma como produzimos alimentos. A mitigação e a adaptação às mudanças climáticas devem ser integradas em todo o sistema alimentar, desde a produção até o transporte, desde o processamento até o consumo dos alimentos, tanto nas zonas rurais, como nas zonas urbanas”, enfatizou o dirigente.

“Reduzir o desmatamento, recuperar terras e florestas degradadas, acabar com as perdas e o desperdício de alimentos, melhorar o ‘sequestro de carbono’ pelo solo, (promover) a pecuária com baixas emissões, essas são apenas algumas das soluções conhecidas para abordar, ao mesmo tempo, a fome, a pobreza e a sustentabilidade.”

Por ocasião da COP23, a FAO lançou uma nova publicação – Acompanhando a adaptação nos setores agrícolas – que oferece um marco e uma metodologia para apoiar países na implementação de medidas de adaptação às mudanças climáticas. Acesse o documento clicando aqui (em inglês).

Fonte – ONU News de 15 de novembro de 2017

Mais de 15 mil cientistas fazem alerta sobre o meio ambiente

Desmatamento na Amazônia

Desmatamento é uma das ameaças citadas na carta

Em carta, pesquisadores afirmam que, nos últimos 25 anos, todas as ameaças para o planeta cresceram de forma extrema e destacam que, em breve, será tarde demais para reverter essa tendência.

Mais de 15 mil cientistas de 184 países publicaram nesta segunda-feira (13/11) um alerta sobre as ameaças ao meio ambiente. A declaração é o segundo aviso dos pesquisadores. O primeiro foi publicado em 1992 e assinado por 1,7 mil especialistas, incluindo a maioria dos laureados com prêmios Nobel então ainda vivos.

Na carta, intitulada “Alerta dos cientistas do mundo para a Humanidade: segundo aviso”, os pesquisadores destacam que, nos últimos 25 anos, todas as ameaças para o meio ambiente cresceram de forma extrema. O texto cita, particularmente, o aumento de 35% da população mundial desde 1992 e destaca a redução de 29% do número de mamíferos, répteis, anfíbios, aves e peixes.

“Um segundo aviso está sendo feito à Humanidade”, diz o texto. “Em breve será tarde demais para reverter esta tendência perigosa.”

Além do aumento populacional, o texto cita ainda como ameaças o aquecimento global, as constantes emissões de CO2 geradas pelo uso de combustíveis fósseis, as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos.

“Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século”, afirma o alerta, que aponta essa tendência como resultado das atividades humanas.

O alerta vale também para a perda de quase 120,4 milhões de hectares de floresta, convertidos na maior parte em terrenos agrícolas, e para um aumento acentuado das emissões de dióxido de carbono e da temperatura média do planeta.

Thomas Newsom, professor universitário australiano e um dos autores da declaração, diz que os signatários do aviso avaliaram a evolução da situação nas últimas duas décadas e as respostas humanas, com base nos dados oficiais existentes.

Os cientistas salientam, no entanto, que ainda é possível reverter essas tendências para que os ecossistemas recuperem a sustentabilidade. A carta destaca 13 medidas a serem seguidas para promover uma mudança. Uma delas é a ampliação de programas de planejamento familiar com acesso a métodos contraceptivos.

Outras medidas incluem o incentivo de uma dieta mais baseada em plantas e considerando as energias renováveis, além da eliminação de subsídios para combustíveis fósseis. A carta propõe ainda a correção da desigualdade de renda e dos preços, que deveriam levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao meio ambiente.

Os cientistas recomendam também a criação de reservas naturais terrestres e marinhas, leis mais fortes contra a caça furtiva e mais restrições ao comércio de produtos da vida selvagem.

Fontes – CN/afp/lusa/Deutsche Welle de 13 de novembro de 2017

Advogada critica suposta ameaça e Correios diz que procedimento está fora do padrão

“Essas pessoas que cuidam, são cuidadores, não é a mesma coisa que tutor. Eles só estão fazendo pelo animal aquilo que o Poder Público muitas vezes não faz” diz especialista

De quem é a responsabilidade pelos cães comunitários? Os Correios podem responsabilizar pessoas que oferecem alimento e abrigo aos animais que vivem nesta condição? O i44 News ouviu autoridades no assunto após uma polêmica recente envolvendo animais que vivem no calçadão de Campo Mourão, centro da cidade, e uma empresária que diz ter se sentido ameaçada pela forma como a estatal comunicou uma possível interrupção do serviço ao seu estabelecimento e vizinhos.

O fato aconteceu há cerca de 10 dias e continua gerando manifestações nas redes e tendo desdobramentos positivos. No centro da discussão, além do comportamento de um dos animais que vivia no local, o método que a empresa utilizou para tentar encontrar um responsável e comunicar sobre a possibilidade de interromper temporariamente o serviço na localidade. A empresária Sandra Curriel, que mantinha um abrigo e colocava ração e água para os cães em frente sua loja, conta que recebeu uma ligação telefônica afirmando que a atitude dela seria o motivo da presença dos animais no calçadão e que a continuidade dessa iniciativa levaria a empresa a parar de entregar as correspondências.

Especialista

Para a especialista no assunto e coordenadora da Comissão de Defesa dos Animais da OAB de Londrina, Fernanda Carolina Vaz, a forma utilizada pela estatal não foi adequada. “O Correios não pode parar de entregar carta porque tem cão comunitário. Isso pode ser entendido como uma ameaça sim. A entrega de cartas é um serviço público e o que a mulher está fazendo está dentro da lei, não é ilegal”, comentou.

A advogada acrescentou que os cuidadores não podem ser confundidos com tutores, aqueles que têm a posse. “Quem tem a tutela nesses casos dos cães comunitários é o Poder Público. Essas pessoas que cuidam, são cuidadores, não é a mesma coisa que tutor. Eles só estão fazendo pelo animal aquilo que o Poder Público muitas vezes não faz. Por isso que, quando for o caso, é o Estado que deve ser responsabilizado”, disse.

Fernanda também destacou que a legislação dispondo sobre o cão comunitário foi criada justamente para mobilizar a sociedade na busca de soluções e acabar com o abandono. “Animal abandonado é responsabilidade de toda a sociedade e a pessoa que oferece abrigo ou alimento a eles, ainda que não seja seu tutor, presta um serviço social relevante e não pode ser penalizada por fazer algo previsto em lei”, opinou.

Canil Municipal

A Prefeitura informou que o órgão municipal responsável pela política pública que acompanha e faz orientações à população sobre os cães comunitários é o Canil Municipal e não confirmou a existência de registros dos Correios junto ao departamento. Esclareceu que neste ano recebeu três reclamações referentes aos cães que vivem no calçadão, todas feitas por munícipes através da Ouvidoria e solucionadas.

Ainda de acordo com o município, os cães comunitários são permitidos por uma lei estadual, os abrigos são autorizados, são realizadas castrações, conscientização sobre guarda responsável e que a solução definitiva para eventuais problemas só “será possível a partir do momento em que cada cidadão adotar e manejar de forma adequada e responsável os cães e gatos sobre sua responsabilidade, visto que muitos animais que hoje estão na rua, já possuíram guardião”.

Fora do padrão

De acordo com a assessoria de imprensa dos Correios, o procedimento padrão da empresa para informar sobre a suspensão temporária das entregas é o envio de comunicado via carta aos clientes do trecho do logradouro em questão. Sobre a medida adotada em Campo Mourão, em que o comunicado ocorreu fora desse padrão, por telefone e, segundo a lojista, responsabilizando a pessoa que oferece abrigo e alimento, mas não possui a posse dos animais, a empresa admitiu que o procedimento pode ocorrer, mas não é o habitual e acrescentou que “no caso específico, não foi direcionado a apenas um cliente, mas a outros da região”, que o gestor local relatou o problema a uma ONG e ao presidente da Câmara de Vereadores.

O i44 News localizou e ouviu responsáveis por oito de 10 empresas instaladas na mesma quadra onde ocorreu o problema. Além da loja de Sandra, apenas uma livraria de artigos religiosos confirmou ter recebido ligação dos Correios sobre o assunto e, segundo o proprietário, ficou sabendo desse contato pela filha. Os demais informaram que não receberam nenhum contato da estatal e ficaram sabendo do assunto por terceiros, devido a repercussão do caso na internet. Alguns comerciantes confirmaram terem constatado recentemente a presença de um cão com comportamento agressivo no local, mas que nunca houve registro de ataque.

Sobre a possibilidade de rever as políticas adotadas ou orientar funcionários visando evitar novos casos como este envolvendo cães comunitários, que não possuem responsável único, e que a empresária mourãoense se sentiu ameaçada pela forma não habitual da empresa fazer o comunicado, os Correios não respondeu o questionamento.

Adoção

vídeo postado na internet relatando o ocorrido já alcançou mais de 138 mil visualizações, mais de dois mil compartilhamentos e mais de 600 comentários manifestando apoio à lojista. Apesar da polêmica, Sandra comemora o fato de que dois cães que viviam no calçadão foram adotados nos últimos dias, entre eles o que teria comportamento agressivo. “Eu não quero prejudicar ninguém, só quero ter o direito de cuidar deles. Eles não têm culpa de nada, só querem um pouco de carinho e amor e isso, enquanto eu estiver aqui, nunca vai faltar”, desabafou.

Legislação

Conforme o artigo oitavo da Lei n. 17422/2012, que dispõe sobre o controle ético da população de cães e gatos no Estado do Paraná, é considerado animal comunitário “aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, ainda que não possua responsável único e definido”. O mesmo artigo também define o cuidador como sendo “membro da comunidade em que vive o animal comunitário e que estabelece laços de cuidados com o mesmo”.

Fonte – Gelinton Batista, i44 News de 08 de novembro de 2017

Projeto sobre corte de árvores é aprovado em 3º turno

A Câmara de Maringá aprovou ontem, em terceiro turno, projeto de lei que autoriza a contratação de empresa para fazer corte, poda ou remoção de árvores. O Comdema (Conselho Municipal do Meio Ambiente) pediu o arquivamento da proposta por entender que é ilegal.

O projeto segue agora para o executivo. O Comdema também solicitou ao prefeito Ulisses Maia (PDT) que vete a matéria. No entendimento do conselho, o legislativo ignorou a lei complementar 1.093/2017, que entrou em vigor enquanto a proposta tramitava no legislativo. Ele diz que todo projeto de lei sobre matéria ambiental deve passar pelo Comdema.

A Funverde avalia que o projeto é inconstitucional, já que árvore é patrimônio público, que a prefeitura não terá condições de fiscalizar as ações das empresas, o que poderá resultar em comércio ilegal de madeira, que haverá sobrecarregamento de técnicos que emitem laudos e que o mau manejo poderá afetar serviços essenciais, a exemplo de água e energia elétrica.

A proposta assinada pelos vereadores Do Carmo (PR), Altamir Santos (PSD), Odair Fogueteiro (PHS), Sidnei Telles (PSD), Alex Chaves (PHS) e o presidente da Casa, Mário Hossokawa (PP), estabelece que a contratação da empresa para a execução dos serviços vai depender de autorização da prefeitura e todo o resíduo vegetal será destinado ao município.

Segundo a prefeitura, há cerca de 12 mil pedidos de remoção de árvores à espera de analise. Neste ano, engenheiros da Semusp emitiram laudos para a extração de 4.500 árvores e 3 mil foram retiradas.

Do Carmo defendeu que o projeto abre possibilidades para quem tem laudo técnico de remoção de árvore: contratar empresa especializada ou aguardar a execução do serviço pela Semusp (Secretaria de Serviços Públicos).

Fonte – Metro de 22 de novembro de 2017

Absurdo, e lá vem a máfia da árvore…

Fim do Glifosato na Europa pode ser um marco histórico na luta contra os agrotóxicos

É importante lembrar que está em curso o processo de compra da Monsanto, dos EUA, pela Bayer, da Alemanha. - Créditos: Guilherme Santos/Sul21É importante lembrar que está em curso o processo de compra da Monsanto, dos EUA, pela Bayer, da Alemanha. / Guilherme Santos/Sul21

“Resta saber por quanto tempo continuaremos engolindo o que não presta na Europa”

Está prevista para esta quinta-feira, dia 9 de novembro, a decisão final da Comissão Europeia sobre a renovação ou não da licença para o Glifosato.

O Glifosato é o ingrediente ativo do agrotóxico RoundUp, produzido principalmente pela Monsanto. O Glifosato é o agrotóxico mais utilizado no mundo, e no Brasil representa cerca 50% das vendas de venenos, de acordo com o Ibama.

Na Europa, ao contrário do Brasil, o registro de agrotóxicos tem validade definida. A validade de registro do Glifosato terminou em 2015, e desde então uma guerra vem sendo travada no contexto da sua renovação. Após sucessivas extensões, o atual prazo de validade do Glifosato é dia 15 de dezembro.

No mesmo ano de 2015, o IARC – Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada a Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU – classificou o Glifosato como “provavelmente cancerígeno” após extensa revisão de publicações sobre o assunto.

As agências reguladoras da Alemanha e da União Europeia (EFSA) chegaram à conclusão inversa, ou seja, de que o Glifosato não causaria câncer. Umas das diferenças entre os estudos é que o IARC considerou mais pesquisas independentes. Grande parte das pesquisas avaliadas pela EFSA são financiadas pela indústria de agrotóxicos.

No dia 24 de outubro, o Parlamento Europeu, eleito pelos países membros, aprovou uma resolução não vinculativa, defendendo a proibição do Glifosato até 2022, com restrições de uso desde já ambientes urbanos. No mesmo dia, o Greenpeace entregou um abaixo-assinado com 1,3 milhões de assinaturas pelo banimento imediato da substância.

A proposta inicial da Comissão Europeia, formada por representantes dos 28 Estados-membro, previa a renovação da substância por 10 anos. No entanto, devido à resistência de vários países, sobretudo a França, já se fala em renovar por 5 anos ou menos. A Alemanha, por outro lado, vem defendendo o prazo maior.

A decisão deveria ter sido tomada no dia 25 de outubro, porém não se conseguiu formar uma maioria e a votação foi adiada para o dia 9 de novembro.

É importante lembrar que está em curso o processo de compra da Monsanto, dos EUA, pela Bayer, da Alemanha. E que a Alemanha é hoje o país economicamente mais forte da UE, e cujas decisões têm o maior peso.

A Monsanto, ciente de que a vida do glifosato está chegando ao fim, passou a investir em sementes transgênicas resistentes ao Dicamba. Interessante notar que, ao contrário do discurso que sustenta a inovação no setor agroquímico com foco em substâncias menos perigosas, o Dicamba é uma molécula antiga, registrada em 1967.

E nos Estados Unidos, o Dicamba já enfrenta forte resistência, e até suspensão de uso em alguns estados. Fazendeiros alegam que o produto é altamente volátil, e está atingindo propriedades vizinhas. Quem não usa a nova semente da Monsanto resistente ao Dicamba, perde a produção.

Na imprensa, uma guerra também vem sendo travada. A superpoderosa agência Reuters, a mesma que publicou o “Podemos tirar, se achar melhor”, vem produzindo uma série de ataques ao IARC, buscando desqualificar o relatório que classificou o Glifosato como provavelmente cancerígeno. Em resposta, o IARC afirmou que suas monografias “são resultado de deliberações científicas dos grupos de trabalho de cientistas independentes, livres de conflitos de interesse.”

Historicamente, desde a década de 1970, a indústria de agrotóxicos do Brasil se movimenta a partir daquilo que já não presta na Europa e EUA. Por se tratar de um setor fortemente regulado, as empresas buscam o máximo de lucro enquanto a substância é permitida nos países centrais. Depois, o objetivo passa a ser maximar o lucro na periferia, onde a regulação é mais fraca e mais barata de ser comprada.

O Paraquat, da Syngenta, teve há poucas semanas seu banimento decretado pela Anvisa, mas com prazo de 3 anos para entrar em vigor. O tempo foi concedido para que haja tempo da indústria reagir. A pergunta principal dos ruralistas agora é: o preço para fazer a Anvisa voltar atrás vale a pena, em comparação com os lucros gerados pelo Paraquat?

Dia 9 de novembro pode ser um dia histórico na luta contra os agrotóxicos no mundo. Resta saber, por quanto tempo mais nós no Brasil seremos obrigados a engolir o que já não presta na Europa.

Fonte – Alan Tygel, edição Luiz Felipe Albuquerque, Brasil de Fato de 08 de novembro de 2017

Poluição causa 12,6 milhões de mortes por ano, alerta agência ambiental da ONU

Poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano. Foto: PEXELSPoluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano. Foto: PEXELS

É o que revela um novo relatório da agência ambiental das Nações Unidas, a ONU Meio Ambiente. Publicado nesta quinta-feira (16), o documento aponta que ninguém está imune à degradação ambiental. Em 80% das cidades, a qualidade do ar não atinge parâmetros de saúde adequados. Oitenta porcento do esgoto produzido no mundo é despejado na natureza sem tratamento.

A poluição da natureza é responsável anualmente por quase um quarto – ou 12,6 milhões – de todas as mortes de seres humanos. É o que revela um novo relatório da agência ambiental das Nações Unidas, a ONU Meio Ambiente. Publicado nesta quinta-feira (16), o documento é a publicação mais ampla já produzida pelo organismo sobre o tema. Relatório traça panorama do problema e elenca 50 políticas para combater a degradação dos ecossistemas.

“Nenhum de nós agora está a salvo. Logo, todos nós temos de agir”, alertou o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, por ocasião do lançamento da pesquisa. A análise conclui categoricamente que ninguém no planeta está imune à poluição provocada pelo homem.

Atualmente, a poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano e, em 80% dos centros urbanos, a qualidade do ar não atinge os parâmetros de saúde estipulados pela ONU. Mesmo que um indivíduo não viva em uma dessas cidades, são grandes as chances de que ele faça parte do grupo de 3,5 bilhões de pessoas que dependem de mares poluídos para se alimentar ou da parcela da população mundial que não tem acesso a banheiros adequados – 2 bilhões de pessoas.

Os 50 maiores lixões do planeta trazem riscos à vida para outros 64 milhões de indivíduos. Por ano, 600 mil crianças sofrem danos cerebrais devido à presença de chumbo em tintas.

O relatório chama atenção para os riscos enfrentados pelos mais vulneráveis. Meninos e meninas podem ter seu desenvolvimento físico e mental atrofiado por conta da exposição à poluição durante os primeiros mil dias de vida. Já os segmentos mais pobres dependem de ecossistemas saudáveis, cujo equilíbrio é afetado pela poluição, ou de empregos nas ocupações mais insalubres do mundo.

O impacto ambiental da poluição também é devastador. Hoje, os oceanos possuem 500 “zonas mortas”, cuja concentração de oxigênio é tão pequena que torna inviável a presença de vida marinha. Mais de 80% do esgoto mundial é despejado no meio ambiente sem tratamento, poluindo os solos usados na agropecuária e os lagos e rios que são fonte de água para 300 milhões de pessoas. Depósitos de substâncias químicas ameaçam poluir ainda mais a natureza e colocar a vida de mais pessoas em risco.

Soluções: consumo e produção sustentáveis

Embora algumas formas de poluição tenham diminuído em anos recentes, a ONU Meio Ambiente alerta que as conquistas são frágeis, sobretudo porque o consumo e a produção não sustentáveis podem levar a retrocessos. Para enfrentar esse cenário, a agência das Nações Unidas definiu 50 políticas para mitigar a destruição da natureza. Medidas giram em torno de cinco eixos principais:

  • Liderança política e parcerias em todos os níveis, mobilizando os setores industrial e financeiro;
  • Ações contra os piores poluentes e uma aplicação mais eficaz das leis ambientais;
  • Abordagens renovadas para gerenciar as economias, através da eficiência no uso de recursos, mudanças nos estilos de vida e uma gestão de resíduos aprimorada;
  • Investimentos novos, massivos e redirecionados para tecnologia limpa e de baixo carbono, para soluções baseadas nos ecossistemas, bem como para pesquisa, monitoramento e infraestrutura para controlar a poluição;
  • E conscientização para informar e inspirar as pessoas em todo o mundo.

“O desenvolvimento sustentável é agora a única forma de desenvolvimento que faz algum sentido”, defendeu Solheim. De acordo com a ONU Meio Ambiente, se a comunidade internacional ignorar o problema da poluição, os países não conseguirão cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, os ODS.

Ligia Noronha, uma das coordenadoras do relatório, enfatizou que a produção e o consumo sustentáveis são cruciais para reduzir a poluição. “A única resposta à pergunta de como podemos todos sobreviver neste único planeta com nossa saúde e dignidade intactas é mudar radicalmente o modo como produzimos, consumimos e vivemos nossas vidas”, afirmou.

Outra recomendação da ONU Meio Ambiente é o fortalecimento da governança ambiental, com a consolidação de marcos internacionais e acordos multilaterais que englobem tanto compromissos formais, quanto engajamentos voluntários de cada ator envolvido.

A degradação do meio ambiente estará na pauta das atividades da terceira Assembleia Ambiental das Nações Unidas, que acontece do dia 4 a 6 de dezembro em Nairóbi, no Quênia. O encontro, promovido pela ONU Meio Ambiente, é a instância decisória mais elevada para deliberações sobre questões ambientais. O evento reunirá lideranças de países, do setor privado, da sociedade civil e da academia.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.

Fonte – ONU News de 16 de novembro de 2017

Porque a FUNVERDE é contra a lei de corte de árvores por terceiros

Fonte da imagem – desconhecida

Cremos que o projeto de lei nº 14089/2017 é arriscado, pois a prefeitura não vai conseguir fiscalizar adequadamente na cidade inteira se as árvores que serão retiradas possuem realmente autorização. Por exemplo, alguém pode ter autorização pra uma árvore e aproveitar para retirar outras duas ou três.

Aumentará muito a pressão no trabalho dos técnicos que autorizam o corte, pois eles passarão a ser o gargalo do sistema. Isso vai aumentar as chances de haver corrupção.

A prefeitura não vai conseguir fiscalizar adequadamente a execução do serviço das empresas, o que poderá aumentar muito as chances de ocorrerem acidentes, uma vez que as podas e remoções de árvores são atividades que exigem muito conhecimento técnico e prático dos técnicos. Além disso, há muito risco de danos ao patrimônio público e de terceiros e até risco de vida. Hoje, quem paga pelos danos causados pelas árvores, inclusive durante podas, é a prefeitura. E se a empresa causar danos durante o manejo das árvores, quem será responsabilizado? Quem pagará pelos danos causados?

As árvores que estão em calçadas, praças e parques são patrimônio público. Mesmo que o projeto de lei preveja que a prefeitura indicará a destinação de cada árvore cortada, a prefeitura não conseguirá fiscalizar isso adequadamente. Assim, aumentam muito as chances de haver apropriação do patrimônio público, gerando um comércio negro da madeira da arborização urbana. O que ocorre em outras cidades que possuem propostas semelhantes.

Cremos ser mais viável destinar mais recursos para equipar a SEMUSP e contratar técnicos do que entregar a arborização urbana na mão de uma máfia e ter que investir em uma fiscalização que será ineficaz.

PL 14089/2017

1093/2017

Projeto sobre árvores é ilegal, diz Comdema

Maringá. Proposta que tramita na Câmara libera contratação de empresa para cortar árvore. Conselho pede para prefeito vetar

Um projeto que será votado hoje em terceiro turno pela Câmara de Maringá, que permite quem possui laudo para cortar árvore contratar uma empresa, acendeu o sinal de alerta do Comdema (Conselho Municipal do Meio Ambiente) e outros órgãos ambientais, que alegam inconstitucionalidade da matéria e até criação de brechas para o comércio ilegal de madeira.

O Comdema notificou o prefeito Ulisses Maia (PDT) e solicitou que a proposta não seja sancionada. “Pela legislação, o conselho é soberano e as questões sobre o meio ambiente devem chegar ao nosso conhecimento. Nenhum vereador fez isto e o prefeito não nos deu resposta até o momento”, disse a presidente do órgão, Lilianny Ripke Gaspar.

Pela lei complementar 1.093/2017, que entrou em vigor enquanto a proposta tramitava no legislativo, todo projeto de lei sobre matéria ambiental deve passar pelo Comdema.

Segundo Lilianny, além dos autores da proposta ignorarem o conselho, o sistema de extração não pode ser alterado por um projeto de lei porque o município tem que concluir até março de 2018 o Plano de Arborização Urbana.

“Nenhum vereador fez isso e o prefeito não nos deu resposta até o momento.” Lilianny Gaspar, presidente do COMDEMA

A presidente da Funverde e membro do Comdema, Ana Domingues, avalia que o projeto é inconstitucional, já que árvore é patrimônio público; que a prefeitura não vai ter condições de fiscalizar as ações, o que poderá resultar em comércio ilegal de madeira; vai sobrecarregar técnicos que emitem laudos; e que há risco do mau manejo afetar serviços essenciais, a exemplo de água e energia elétrica.

“Cremos ser mais viável destinar recursos para equipar a Semusp [Secretaria Municipal de Serviços Públicos], e contratar técnicos, do que entregar a arborização urbana nas mãos de uma máfia e ter que investir em uma fiscalização que será ineficaz”, afirmou Ana.

Pela proposta assinada pelos vereadores Do Carmo (PR), Altamir Santos (PSD), Odair Fogueteiro (PHS), Sidnei Telles (PSD), Alex Chaves (PHS) e o presidente da Casa, Mário Hossokawa (PP), a contratação da empresa para a execução dos serviços vai depender de autorização da prefeitura e todo o resíduo vegetal será destinado ao município.

Segundo a prefeitura, há cerca de 12 mil pedidos de remoção de árvores para serem analisados. Neste ano, engenheiros da Semusp emitiram laudos para a extração de 4.500 árvores e 3 mil foram retiradas. Prefeitura A diretoria de imprensa da prefeitura informou que o prefeito vai se manifestar sobre o projeto somente quando a proposta for aprovada pelo legislativo e seguir para o executivo.

É mais uma possibilidade, afirma Do Carmo

O vereador Do Carmo (PHS) afirmou que o projeto de lei abre mais uma possibilidade para quem tem laudo técnico de remoção de árvore executar o serviço e que a prática vai trazer benefícios e não prejuízos ao meio ambiente.

“Quem tiver o laudo em mãos vai poder esperar pela prefeitura ou ter a opção de contratar uma empresa. Que fique bem claro à comunidade que estamos abrindo mais uma possibilidade para execução do serviço”, disse o parlamentar.

De acordo com o vereador, no ano passado, a administração municipal pagou quase R$ 600 mil em indenizações a pessoas que tiveram prejuízos com quedas de árvores comprovadamente condenadas .

Sobre o Comdema, o parlamentar afirmou que nenhum dos vereadores que assinam o projeto foi procurado pelo órgão. “Ninguém do Comdema nos apresentou uma lei dizendo que a discussão teria que passar pelo conselho.”

O parlamentar disse ainda que a fiscalização será feita pela Semusp e que as empresas cadastradas pela prefeitura terão responsabilidades na execução do serviço e entrega da madeira na Pedreira Municipal, local onde hoje este tipo de material é armazenado pela prefeitura.

Fonte – Eduardo Xavier, Metro Maringá de 21 de novembro de 2017