Brasil perdeu 37% da água tratada para consumo em 2013

O desperdício entre o tratamento e a distribuição de toda a água consumida no país, em 2013, ficou em 37%. Os dados constam de um relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), ligado ao Ministério das Cidades. O percentual ficou estável em relação ao verificado em 2012, quando o levantamento mostrou que, de toda a água tratada no período, 36,9% não chegavam às torneiras dos consumidores.

Os números, que são os mais recentes, indicam que o desperdício permanece acima do percentual indicado pelo Snis, que é abaixo de 20%. Entre as principais causas apontadas para o desperdício estão os vazamentos em adutoras, nas redes, nos ramais, em conexões e nos reservatórios das prestadoras de serviço responsáveis pelo abastecimento.

As regiões Norte e Nordeste apresentam a maior taxa de desperdício, com 50,8% e 45%, respectivamente, seguidas do Sul (35,1%), do Centro-Oeste (33,4%) e do Sudeste (33,4%).

O relatório aponta a necessidade de melhoria na gestão e modernização dos sistemas por parte das empresas responsáveis pelo abastecimento de água para garantir a sustentabilidade do serviço. “Em tempos de escassez hídrica, a gestão de perdas de água tem papel fundamental nas ações estruturantes nos prestadores de serviços.”

Entre as unidades federativas com menor índice de perdas estão o Distrito Federal e Goiás, com 27,3% e 28,8% de desperdício, respectivamente.

Situados na faixa entre 30% e 40%, estão 12 estados: no Norte, o Tocantins; no Nordeste, a Paraíba, o Ceará e o Maranhão; no Sudeste, o Espírito Santo, Minas Gerais, o Rio de Janeiro e São Paulo; no Sul, o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e, no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul.

Na última faixa, maior que 40%, restaram 13 estados: no Norte, o Acre, o Amazonas, o Amapá, o Pará, Rondônia e Roraima; no Nordeste, Alagoas, a Bahia, Pernambuco, o Piauí, o Rio Grande do Norte e Sergipe; no Centro-Oeste, Mato Grosso. O Amapá tem o pior índice de desperdício, 76,4%, seguido por Roraima, com 59,7%.

Fonte – Luciano Nascimento, Agência Brasil de 22 de janeiro de 2014

Percebam que apesar de só ter subido 0,1% o desperdício, isso indica que as empresas simplesmente não estão fazendo nada para diminuir o desperdício. Só lucro sem responsabilidade, achando que a água não irá acabar, jamais. Pobre São Pedro, será sempre o único culpado.

Plásticos d2w no New York Times

Depois de criterioso processo de análise de certificações, laudos e análises relacionadas a Reciclabilidade, Degradabilidade, Biodegradabilidade, ausência de resíduos nocivos, rastreabilidade, facilidade na realização de testes anti fraudes e após receber a Análise do Ciclo de Vida dos plásticos biodegradáveis d2w™, o New York Times decidiu optar por embalar suas edições com plásticos d2w. Mais uma grande marca com reputação reconhecida em todo o planeta entra para o time de usuários de artigos e embalagens plásticas com ciclo de vida útil controlado d2w.

Fonte – Comunicação RES Brasil de 22 de janeiro de 2015

Symphony Environmental Ltda. detentora das tecnologias d2w®, d2p® e d2t®, é empresa certificada ISO, é uma subsidiária integral da Symphony Environmental Technologies PLC, uma empresa pública britânica criada em 1995 e dedicada a encontrar soluções técnicas para os problemas ambientais do mundo. É um membro da Associação dos Plásticos Oxibiodegradáveis, da Sociedade da Indústria Química (Reino Unido), da British Plastics Federation (BPF), da Organização Européia de Embalagem e Meio Ambiente (Europen) e do Grupo Britânico de Marcas. Symphony participa ativamente dos trabalhos da British Standards Institute (BSI), da American Society for Testing and Materials (ASTM), da organização europeia de normatização (CEN) e da International Standards Organization (ISO). A Symphony tem laboratórios e instalações de testes na Inglaterra, onde constantemente testa, desenvolve e aprimora seus produtos, em colaboração com universidades e especialistas no Reino Unido e no exterior. RES Brasil Ltda é representante exclusiva no Brasil da Symphony e suas tecnologias.

Nota da FV – Enquanto isso, na maior cidade do Brasil, um certo prefeito vermelho, amigo da máfia do plástico, proibiu expressamente a utilização do melhor plástico para a natureza na cidade em que governa. Interesses, interesses…

Secando, secando…

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, entre os dias primeiro e ontem, os níveis dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% de toda geração de energia elétrica, já haviam baixado 1,82% e os do Nordeste, 0,53%.

Ou seja, em plena estação chuvosa, os reservatórios estão secando.

E o sistema mantém-se no fio da navalha: ontem, pelo segundo dia consecutivo, houve outro grande pico de consumo que ocorreu às 14h48 e foram consumidos 83 839 Megawatts (MW).

O pico de consumo da segunda-feira do apagão aconteceu exatamente no mesmo horário e foram consumidos 84 724 MW.

Fonte – Radar on-line

E cadê o esforço da população em poupar? E cadê programas do governo incentivando economia de energia com troca de eletrodomésticos, troca de lâmpadas…

E como sempre, a culpa é de São Pedro.

A insustentável lei das sacolas plásticas de São Paulo

Não tínhamos muita expectativa de receber respostas para as perguntas que formulamos ao prefeito de São Paulo. Confirmando a máxima que “de onde não se espera bom senso é que não virá mesmo”, a recente resolução (AMLURB) que regulamenta a lei superou em muito a falta de sentido da lei original.

Procurando dar um ar de sustentabilidade fingindo ser algo verde – que não seja a cor da sacola – as regras estabelecidas obrigam o uso de materiais e produtos com consequência ainda piores para as pessoas e meio ambiente:

Agravamento da falta d´água nas nossas torneiras: A produção de resinas plásticas autodenominadas renováveis consome uma enorme quantidade de água. Segundo a novacana.com seriam consumidos 10,8 litros de água por litro de Etanol. Ou seja, aquela sacola – não biodegradável – produzida com polietileno derivado do Etanol consome muito mais água que a produção de sacolas plásticas de origem fóssil.

Se a opção for sacola de papel, o consumo de água é maior ainda.

Conta de energia mais cara para todos: Quanto mais recursos hídricos consumidos na produção maior será o déficit de água nos reservatórios das hidroelétricas, obrigando o uso da energia mais cara das termoelétricas. Se a opção for sacola de papel o consumo de energia será maior ainda.

Contribuição para o aquecimento global: Sacolas plásticas fabricadas com biopolímeros de origem renovável, por exemplo, derivados de amido, geram metano quando biodegradado nos aterros na ausência de oxigênio. Metano é gás 23 vezes mais poderoso como gás efeito estufa em relação ao Dióxido de Carbono.

Contaminação da cadeia de reciclagem dos plásticos: Plásticos derivados de amido não podem ser reciclados juntamente com os plásticos convencionais e oxibiodegradáveis. Algumas sacolas derivadas de amido misturadas com os plásticos convencionais e oxibiodegradáveis na reciclagem inutiliza todo um lote de plásticos reciclados.

E tem mais:

Depleção abiótica. Esta categoria de impacto é referente à depleção de recursos não viventes (abióticos) tais como combustíveis fósseis, minerais, metais, argila e turfa. Porque é importante? Em 2006, o WWF International registrou que o impacto da raça humana nos recursos globais triplicou desde 1961 e agora estão 25% acima da capacidade do planeta de se regenerar sozinho. Usar fontes renováveis para produção de plásticos contribui para o agravamento desta situação.

Depleção da camada de ozônio. Mudanças no ozônio atmosférico que alteram a quantidade de radiação UV nociva que penetra a superfície da terra, com efeitos potencialmente nocivos para os ecossistemas e a saúde humana. Porque é importante? Um aumento da radiação UV aumenta o risco de câncer de pele, e outros riscos à saúde humana.

Oxidação fotoquímica. A formação de uma névoa fotoquímica oxidante como resultado de reações complexas entre NOx e VOCs sob a ação da luz solar (radiação UV, a qual leva à formação de ozônio na troposfera. Este fenômeno é dependente das condições metrológicas e concentrações subjacentes de poluentes. As substâncias características da névoa fotoquímica (névoa de verão ou névoa de Los Angeles), são causas conhecidas de problemas de saúde tais como irritações do trato respiratório, e danos à vegetação .

Eutrofização. É causada pela adição de nutrientes a um sistema terrestre ou hídrico que leva a um aumento da biomassa, causando danos a outras formas de vida. O nitrogênio e o fósforo são os nutrientes mais relevantes à eutrofização. Porque é importante? A Eutrofização foi reconhecida como um problema de poluição em lagos e represas da Europa e América do Norte em meados do século 20. Pesquisas mostram que 54% dos lagos da Ásia são eutróficos; 53% na Europa; 48% na América do Norte; 41% América do Sul ; e 28% na África.

Acidificação. Ela resulta dos depósitos ácidos, os quais levam a uma diminuição do pH, uma diminuição do teor mineral do solo e um aumento das concentrações de elementos potencialmente tóxicos no solo. Os poluentes mais acidificantes são SO2, NOx, HCL e NH3. Porque é importante? Exemplos do seu impacto são a mortandade de peixes em lagos, a lixiviação de metais tóxicos do solo e rochas, danos a florestas, construções e monumentos.

Toxicidade. A toxicidade é o grau de uma substância necessário para induzir dano ou doença em um organismo exposto. Há 4 tipos diferentes de toxicidade: humana, terrestre, marinha e aquática. Porque é importante? Agrotóxicos utilizados nas plantações de cana e fontes de amido contaminam o solo, o ar e a água.

Isso tudo sem levar em conta outros aspectos não menos importantes:

1) Potencial monopólio local no fornecimento da resina biopolimérica;

2) Potencial formação de cartel com poucas empresas fabricantes de sacolas com acesso a este material;

3) Risco de produção insuficiente de biopolímeros para suprir a produção das sacolas consumidas em São Paulo;

4) Dificuldade e alto custo dos testes para certificação do uso de biopolímeros incentivam a fraude e o descumprimento da lei.

Conclusão. A lei pretendeu diminuir a poluição causada pelo descarte incorreto de sacolas plásticas e incentivar o seu reuso. A regulamentação da lei promove o uso de sacolas e resinas com maior impacto junto ao meio ambiente que vão continuar a poluir da mesma forma. Entenderam?

Fonte – Boletim do Instituto IDEAIS de 19 de janeiro de 2015

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VIAPAR Cultural – inscrições vão até o dia 27 de fevereiro

Os seis melhores projetos vão dividir os R$ 230 mil destinados ao projeto

Prosseguem abertas até o dia 27 de fevereiro as inscrições para o 2º VIAPAR Cultural, iniciativa coordenada pelo Instituto Cultural Ingá, que tem como objetivo beneficiar diferentes formas de expressões artísticas, propondo o estreitamento entre empreendedores culturais e a democratização do acesso à parte dos recursos disponíveis via destinação fiscal da empresa patrocinadora (Concessionária de Rodovias VIAPAR). Ao todo, vão ser destinados R$ 230 mil entre os seis melhores projetos.

Estão aptos a participar da seleção produtores culturais de Maringá e região com projetos aprovados pela Lei Rouanet do Ministério da Cultura ou em fase de aprovação (Art. 18 da Lei Federal Nº. 8.313/91). Para o produtor cultural, Marcos Trindade, tal concurso possibilita que artistas e produtores de Maringá e região tenham a oportunidade de mostrar o trabalho. “Não me inscrevi na primeira edição, mas agora conhecendo melhor o projeto pretendo participar da seleção. É um concurso que está valorizando os talentos locais, incentivando a cultura regional”, destacou.

No ano passado, o VIAPAR Cultural distribui outros R$ 200 mil entre nove projetos selecionados. Neste, a procura também está sendo grande, segundo o assessor de comunicação da concessionária, Marcelo Bulgarelli. “Muitos produtores culturais nos procuram solicitando o patrocínio. Entendemos que o VIAPAR Cultural é a melhor forma de escolha dos projetos”, finalizou.

Serviço

O edital completo pode ser conferido no site www.institutoculturalinga.com.br. Mais informações pelos telefones: (44) 3025-9595 ou (44) 3025-9625.

Critérios de seleção

– Projeto proposto / Ineditismo: Concepção da ideia/proposta, inovação, bem como o diferencial que incrementará a programação cultural da região sugerida.

– Edições anteriores / Presença de público: Resultados auferidos, quantidade de pessoas participantes e credibilidade gerada pelo evento/espetáculo cultural.

– Circulação, distribuição e difusão da Cultura / Período de abrangência: Locais de realização, integração cultural junto a comunidades por meio de envolvimento socioeconômico e quantidade de encenações/apresentações.

– Ampliação do acesso da população aos conteúdos e serviços culturais gerados: Previsão de público, democratização e acesso aos eventos/ações propostas, além dos temas a serem abordados no projeto e sua área de impacto na sociedade.

– Relatório de Atividades do proponente.

– Currículo.

Valores destinação

– 1º lugar (R$ 70 mil); 2º lugar (R$ 50 mil); 3º lugar (R$ 40 mil); 4º lugar (R$ 30 mil); 5º lugar (R$ 25 mil); 6º lugar (R$ 15 mil)

Fonte – Assessoria de comunicação da VIAPAR de 05 de janeiro de 2015

O prefeito de São Paulo, as sacolas e a definição de bioplástico

Prefeito, partindo do pressuposto de que você não entende nada de plástico e somente recebeu maus conselhos, vamos esclarecer o que são bioplásticos para te dar a oportunidade de acabar com esta estúpida resolução 55/2015 da amlurb.

Entendeu?

Cuidado prefeito, porque esse plástico que lhe disseram que é totalmente ecológico, na verdade usa comida, que é criada a partir de recursos naturais cada vez mais escassos, que são terra fértil e água potável. No caso da água potável, você deve estar vivendo um inferno por causa do desabastecimento da cidade a qual você governa, em que o nível do principal reservatório chegou a menos de 3% no fim do ano passado.

Prefeito, você sabia que este único plástico que você permite usar para fazer as dispensáveis e inúteis sacolas, o plástico de etanol, é fabricado a partir de alimento que deveria abastecer o prato de humanos? Sim prefeito, o seu querido plástico de etanol pode ser fabricado a partir de cana de açúcar, milho, mandioca, arroz, trigo, aveia, evada, sorgo, beterraba…

Você quer ser lembrado por roubar comida do prato da humanidade, água potável e solo fértil?

Pense, prefeito, porque esta resolução que destruiu uma lei ambiental maravilhosa é uma grande besteira.

Perguntas para o prefeito de São Paulo

Queremos fazer algumas perguntas simples para o prefeito de São Paulo sobre a Lei das Sacolas Plásticas do Município de São Paulo. Tão simples que até ele terá condições de responder, se tiver interesse.

Perguntas elaboradas a partir da Resolução n° 55 / AMLURB / 2015.

1) Economia circular significa lucro que circula na direção de um único fabricante deste tipo de resina plástica?

2) As pessoas foram consultadas se gostam de levar suas compras pessoas e privadas em sacolas “ verdes “ transparentes para que todos vejam o que elas compraram?

3) Qual a vantagem ambiental de misturar polímeros plásticos de origem vegetal com polímeros plásticos não renováveis na produção de uma sacola não degradável que não será reciclada e vai continuar poluindo o planeta?

4) Quem vai provar, quem vai fazer os testes, que tipo de aparelho faz o teste, quanto custa o testes, para comprovar que o consumidor recebeu realmente uma sacola plástica fabricada com um mínimo de 51% de plástico de origem renovável? Em caso de fraude, quem será punido? O comércio, o fabricante ou quem forneceu a matéria prima?

5) O que é uma tecnologia sustentável? Quem fabrica no Brasil estas tecnologias sustentáveis? É só a Braskem do Grupo Odebrecht?

6) É sabido que plásticos contendo amido não são recicláveis. Estes plásticos com mínimo 51% de amido são permitidos mesmo que contaminem toda a cadeia da reciclagem dos plásticos?

7) O que é um resíduo não diferenciado? Papel higiênico usado é? Se é, as pessoas vão embalar este resíduo em sacos plásticos translúcidos de cor cinza?

8) Por que fica proibida a utilização de plásticos oxibiodegradáveis se eles cumprem normas de degradação, biodegradação, sem resíduos nocivos, e ainda são recicláveis junto com os plásticos convencionais sem prejuízo de suas características? E mesmo com certificação da ABNT acreditada pelo INMETRO, eles continuam proibidos? Será que é por que os oxibiodegradáveis concorrem com o único fornecedor que está sendo favorecido por esta lei?

9) Por que as sacolas serão maiores, mais espessas? Para irem parar no meio ambiente do mesmo jeito, para continuarem não ser recicladas? E para que o único fabricante brasileiro deste tipo de resina de fonte renovável venda mais resina para fabricar sacolas maiores e mais espessas?

Prefeito, você destruiu uma lei ambiental e a transformou numa lei que irá poluir ainda mais o ambiente e ainda irá desperdiçar recursos naturais sagrados, que são água potável e solo fértil, que irá roubar comida do prato dos humanos para fazer uma sacola totalmente dispensável, que deveria ser substituída por uma sacola que durasse vários anos, mas esta sacola que você permitiu só é usada por no máximo meia hora.

Se a intenção foi melhorar a reciclagem, saiba que sacos de lixo devem ser fabricados com plástico reciclado e com tempo de vida útil programado para não usar resina nobre, de primeiro uso.

O mínimo que lhe pedimos é que responda a estas perguntas e se possível, pense um pouco e pare com esta loucura que só irá fazer mal à humanidade.

Comece esta semana fazendo o que é certo, prefeito. Pense e faça o certo, acabe com esta resolução ridícula.

Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz James Lovelock

Separe uns 10 minutos e leia este texto.

James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século

Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. “Gostaria de ser mais esperançoso”, ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo animado. “Será uma época sombria”, reconhece. “Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante.”

Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius – quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. “Nosso futuro”, Lovelock escreveu, “é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane”. E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. “Verde”, ele me diz, só meio de piada, “é a cor do mofo e da corrupção.”

Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia – a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está “vivo”. Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”. Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. “Jim é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado”, diz Branson. E completa: “Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção.”

Lovelock sabe que prever o fim da civilização não é uma ciência exata. “Posso estar errado a respeito de tudo isso”, ele admite. “O problema é que todos os cientistas bem intencionados que argumentam que não estamos sujeitos a nenhum perigo iminente baseiam suas previsões em modelos de computador. Eu me baseio no que realmente está acontecendo.”

Quando você se aproxima da casa de Lovelock em Devon, uma área rural no sudoeste da Inglaterra, a placa no portão de metal diz, claramente: “Estação Experimental de Coombe Mill. Local de um novo hábitat. Por favor, não entre nem incomode”.

Depois de percorrer algumas centenas de metros em uma alameda estreita, ao lado de um moinho antigo, fica uma casinha branca com telhado de ardósia onde Lovelock mora com a segunda mulher, Sandy, uma norte-americana, e seu filho mais novo, John, de 51 anos e que tem incapacidade leve. É um cenário digno de conto de fadas, cercado de 14 hectares de bosques, sem hortas nem jardins com planejamento paisagístico. Parcialmente escondida no bosque fica uma estátua em tamanho natural de Gaia, a deusa grega da Terra, em homenagem à qual James Lovelock batizou sua teoria inovadora.

A maior parte dos cientistas trabalha às margens do conhecimento humano, adicionando, aos poucos, nova informações para a nossa compreensão do mundo. Lovelock é um dos poucos cujas idéias fomentaram, além da revolução científica, também a espiritual. “Os futuros historiadores da ciência considerarão Lovelock como o homem que inspirou uma mudança digna de Copérnico na maneira como nos enxergamos no mundo”, prevê Tim Lenton, pesquisador de clima na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno do Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears.

Na década de 1970, Lovelock virou essa idéia de cabeça para baixo com uma simples pergunta: Por que a Terra é diferente de Marte e de Vênus, onde a atmosfera é tóxica para a vida? Em um arroubo de inspiração, ele compreendeu que nossa atmosfera não foi criada por eventos geológicos aleatórios, mas sim devido à efusão de tudo que já respirou, cresceu e apodreceu. Nosso ar “não é meramente um produto biológico”, James Lovelock escreveu. “É mais provável que seja uma construção biológica: uma extensão de um sistema vivo feito para manter um ambiente específico.” De acordo com a teoria de Gaia, a vida é participante ativa que ajuda a criar exatamente as condições que a sustentam. É uma bela idéia: a vida que sustenta a vida. Também estava bem em sintonia com o tom pós-hippie dos anos 70. Lovelock foi rapidamente adotado como guru espiritual, o homem que matou Deus e colocou o planeta no centro da experiência religiosa da Nova Era. O maior erro de sua carreira, aliás, não foi afirmar que o céu estava caindo, mas deixar de perceber que estava. Em 1973, depois de ser o primeiro a descobrir que os clorofluocarbonetos (CFCs), um produto químico industrial, tinham poluído a atmosfera, Lovelock declarou que a acumulação de CFCs “não apresentava perigo concebível”. De fato, os CFCs não eram tóxicos para a respiração, mas estavam abrindo um buraco na camada de ozônio. Lovelock rapidamente revisou sua opinião, chamando aquilo de “uma das minhas maiores bolas fora”, mas o erro pode ter lhe custado um prêmio Nobel.

No início, ele também não considerou o aquecimento global como uma ameaça urgente ao planeta. “Gaia é uma vagabunda durona”, ele explica com freqüência, tomando emprestada uma frase cunhada por um colega. Mas, há alguns anos, preocupado com o derretimento acelerado do gelo no Ártico e com outras mudanças relacionadas ao clima, ele se convenceu de que o sistema de piloto automático de Gaia está seriamente desregulado, tirado dos trilhos pela poluição e pelo desmatamento. Lovelock acredita que o planeta vai recuperar seu equilíbrio sozinho, mesmo que demore milhões de anos. Mas o que realmente está em risco é a civilização. “É bem possível considerar seriamente as mudanças climáticas como uma resposta do sistema que tem como objetivo se livrar de uma espécie irritante: nós, os seres humanos”, Lovelock me diz no pequeno escritório que montou em sua casa. “Ou pelo menos fazer com que diminua de tamanho.”

Se você digitar “gaia” e “religion” no Google, vai obter 2,36 milhões de páginas – praticantes de wicca, viajantes espirituais, massagistas e curandeiros sexuais, todos inspirados pela visão de Lovelock a respeito do planeta. Mas se você perguntar a ele sobre cultos pagãos, ele responde com uma careta: não tem interesse na espiritualidade desmiolada nem na religião organizada, principalmente quando coloca a existência humana acima de tudo o mais. Em Oxford, certa vez ele se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e “deixasse que Deus tomasse conta da Terra”. Como Lovelock explicou a ela, “se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar”.
Gaia oferece uma visão cheia de esperança a respeito de como o mundo funciona. Afinal de contas, se a Terra é mais do que uma simples pedra que gira ao redor do sol, se é um superorganismo que pode evoluir, isso significa que existe certa quantidade de perdão embutida em nosso mundo – e essa é uma conclusão que vai irritar profundamente estudiosos de biologia e neodarwinistas de absolutamente todas as origens.

Para Lovelock, essa é uma idéia reconfortante. Considere a pequena propriedade que ele tem em Devon. Quando ele comprou o terreno, há 30 anos, era rodeada por campos aparados por mil anos de ovelhas pastando. E ele se empenhou em devolver a seus 14 hectares um caráter mais próximo do natural. Depois de consultar um engenheiro florestal, plantou 20 mil árvores – amieiros, carvalhos, pinheiros. Infelizmente, plantou muitas delas próximas demais, e em fileiras. Agora, as árvores estão com cerca de 12 metros de altura, mas em vez de ter ar “natural”, partes do terreno dele parecem simplesmente um projeto de reflorestamento mal executado. “Meti os pés pelas mãos”, Lovelock diz com um sorriso enquanto caminhamos no bosque. “Mas, com o passar dos anos, Gaia vai dar um jeito.”

Até pouco tempo atrás, Lovelock achava que o aquecimento global seria como sua floresta meia-boca – algo que o planeta seria capaz de corrigir. Então, em 2004, Richard Betts, amigo de Lovelock e pesquisador no Centro Hadley para as Mudanças Climáticas – o principal instituto climático da Inglaterra -, convidou-o para dar uma passada lá e bater um papo com os cientistas. Lovelock fez reunião atrás de reunião, ouvindo os dados mais recentes a respeito do gelo derretido nos pólos, das florestas tropicais cada vez menores, do ciclo de carbono nos oceanos. “Foi apavorante”, conta.

“Mostraram para nós cinco cenas separadas de respostas positivas em climas regionais – polar, glacial, floresta boreal, floresta tropical e oceanos -, mas parecia que ninguém estava trabalhando nas conseqüências relativas ao planeta como um todo.” Segundo ele, o tom usado pelos cientistas para falar das mudanças que testemunharam foi igualmente de arrepiar: “Parecia que estavam discutindo algum planeta distante ou um universo-modelo, em vez do lugar em que todos nós, a humanidade, vivemos”.

Quando Lovelock estava voltando para casa em seu carro naquela noite, a compreensão lhe veio. A capacidade de adaptação do sistema se perdera. O perdão fora exaurido. “O sistema todo”, concluiu, “está em modo de falha.” Algumas semanas depois, ele começou a trabalhar em seu livro mais pessimista, A Vingança de Gaia, publicado no Brasil em 2006. Na sua visão, as falhas nos modelos climáticos computadorizados são dolorosamente aparentes. Tome como exemplo a incerteza relativa à projeção do nível do mar: o IPCC, o painel da ONU sobre mudanças climáticas, estima que o aquecimento global vá fazer com que a temperatura média da Terra aumente até 6,4 graus Celsius até 2100. Isso fará com que geleiras em terra firme derretam e que o mar se expanda, dando lugar à elevação máxima do nível de mar de apenas pouco menos de 60 centímetros. A Groenlândia, de acordo com os modelos do IPCC, demorará mil anos para derreter.

Mas evidências do mundo real sugerem que as estimativas do IPCC são conservadoras demais. Para começo de conversa, os cientistas sabem, devido aos registros geológicos, que há 3 milhões de anos, quando as temperaturas subiram cinco graus acima dos níveis atuais, os mares subiram não 60 centímetros, mas 24 metros. Além do mais, medidas feitas por satélite recentemente indicam que o Ártico está derretendo com tanta rapidez que a região pode ficar totalmente sem gelo até 2030. “Quem elabora os modelos não tem a menor noção sobre derretimento de placas de gelo”, desdenha o estudioso, sem sorrir.

Mas não é apenas o gelo que invalida os modelos climáticos. Sabe-se que é difícil prever corretamente a física das nuvens, e fatores da biosfera, como o desmatamento e o derretimento da Tundra, raramente são levados em conta. “Os modelos de computador não são bolas de cristal”, argumenta Ken Caldeira, que elabora modelos climáticos na Universidade de Stanford, cuja carreira foi profundamente influenciada pelas idéias de Lovelock. “Ao observar o passado, fazemos estimativas bem informadas em relação ao futuro. Os modelos de computador são apenas uma maneira de codificar esse conhecimento acumulado em apostas automatizadas e bem informadas.”

Aqui, em sua essência supersimplificada, está o cenário pessimista de Lovelock: o aumento da temperatura significa que mais gelo derreterá nos pólos, e isso significa mais água e terra. Isso, por sua vez, faz aumentar o calor (o gelo reflete o sol, a terra e a água o absorvem), fazendo com que mais gelo derreta. O nível do mar sobe. Mais calor faz com que a intensidade das chuvas aumente em alguns lugares e com que as secas se intensifiquem em outros. As florestas tropicais amazônicas e as grandes florestas boreais do norte – o cinturão de pinheiros e píceas que cobre o Alasca, o Canadá e a Sibéria – passarão por um estirão de crescimento, depois murcharão até desaparecer. O solo permanentemente congelado das latitudes do norte derrete, liberando metano, um gás que contribui para o efeito estufa e que é 20 vezes mais potente do que o CO2… e assim por diante. Em um mundo de Gaia funcional, essas respostas positivas seriam moduladas por respostas negativas, sendo que a maior de todas é a capacidade da Terra de irradiar calor para o espaço. Mas, a certa altura, o sistema de regulagem pára de funcionar e o clima dá um salto – como já aconteceu muitas vezes no passado – para uma nova situação, mais quente. Não é o fim do mundo, mas certamente é o fim do mundo como o conhecemos.

O cenário pessimista de Lovelock é desprezado por pesquisadores de clima de renome, sendo que a maior parte deles rejeita a idéia de que haja um único ponto de desequilíbrio para o planeta inteiro. “Ecossistemas individuais podem falhar ou as placas de gelo podem entrar em colapso”, esclarece Caldeira, “mas o sistema mais amplo parece ser surpreendentemente adaptável.” No entanto, vamos partir do princípio, por enquanto, de que Lovelock esteja certo e que de fato estejamos navegando por cima das cataratas do Niagara. Simplesmente vamos acenar antes de cair? Na visão de Lovelock, reduções modestas de emissões de gases que contribuem para o efeito estufa não vão nos ajudar – já é tarde demais para deter o aquecimento global trocando jipões a diesel por carrinhos híbridos. E a idéia de capturar a poluição de dióxido de carbono criada pelas usinas a carvão e bombear para o subsolo? “Não há como enterrar quantidade suficiente para fazer diferença.” Biocombustíveis? “Uma idéia monumentalmente idiota.” Renováveis? “Bacana, mas não vão nem fazer cócegas.” Para Lovelock, a idéia toda do desenvolvimento sustentável é equivocada: “Deveríamos estar pensando em retirada sustentável”.

A retirada, na visão dele, significa que está na hora de começar a discutir a mudança do lugar onde vivemos e de onde tiramos nossos alimentos; a fazer planos para a migração de milhões de pessoas de regiões de baixa altitude, como Bangladesh, para a Europa; a admitir que Nova Orleans já era e mudar as pessoas para cidades mais bem posicionadas para o futuro. E o mais importante de tudo é que absolutamente todo mundo “deve fazer o máximo que pode para sustentar a civilização, de modo que ela não degenere para a Idade das Trevas, com senhores guerreiros mandando em tudo, o que é um perigo real. Assim, podemos vir a perder tudo”.

Até os amigos de Lovelock se retraem quando ele fala assim. “Acho que ele está deixando nossa cota de desespero no negativo”, diz Chris Rapley, chefe do Museu de Ciência de Londres, que se empenhou com afinco para despertar a consciência mundial sobre o aquecimento global. Outros têm a preocupação justificada de que as opiniões de Lovelock sirvam para dispersar o momento de concentração de vontade política para impor restrições pesadas às emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. Broecker, o paleoclimatologista de Columbia, classifica a crença de Lovelock de que reduzir a poluição é inútil como “uma bobagem perigosa”.

“Eu gostaria de poder dizer que turbinas de vento e painéis solares vão nos salvar”, Lovelock responde. “Mas não posso. Não existe nenhum tipo de solução possível. Hoje, há quase 7 bilhões de pessoas no planeta, isso sem falar nos animais. Se pegarmos apenas o CO2 de tudo que respira, já é 25% do total – quatro vezes mais CO2 do que todas as companhias aéreas do mundo. Então, se você quer diminuir suas emissões, é só parar de respirar. É apavorante. Simplesmente ultrapassamos todos os limites razoáveis em números. E, do ponto de vista puramente biológico, qualquer espécie que faz isso tem que entrar em colapso.”

Mas isso não é sugerir, no entanto, que Lovelock acredita que deveríamos ficar tocando harpa enquanto assistimos o mundo queimar. É bem o contrário. “Precisamos tomar ações ousadas”, ele insiste. “Temos uma quantidade enorme de coisas a fazer.” De acordo com a visão dele, temos duas escolhas: podemos retornar a um estilo de vida mais primitivo e viver em equilíbrio com o planeta como caçadores-coletores ou podemos nos isolar em uma civilização muito sofisticada, de altíssima tecnologia. “Não há dúvida sobre que caminho eu preferiria”, diz certa manhã, em sua casa, com um sorriso aberto no rosto enquanto digita em seu computador. “Realmente, é uma questão de como organizamos a sociedade – onde vamos conseguir nossa comida, nossa água. Como vamos gerar energia.”

Em relação à água, a resposta é bem direta: usinas de dessalinização, que são capazes de transformar água do mar em água potável. O suprimento de alimentos é mais difícil: o calor e a seca vão acabar com a maior parte das regiões de plantações de alimentos hoje existentes. Também vão empurrar as pessoas para o norte, onde vão se aglomerar em cidades. Nessas áreas, não haverá lugar para quintais ajardinados. Como resultado, Lovelock acredita, precisaremos sintetizar comida – teremos que criar alimentos em barris com culturas de tecidos de carnes e vegetais. Isso parece muito exagerado e profundamente desagradável, mas, do ponto de vista tecnológico, não será difícil de realizar.

O fornecimento contínuo de eletricidade também será vital, segundo ele. Cinco dias depois de visitar o centro Hadley, Lovelock escreveu um artigo opinativo polêmico, intitulado: “Energia nuclear é a única solução verde”. Lovelock argumentava que “devemos usar o pequeno resultado dos renováveis com sensatez”, mas que “não temos tempo para fazer experimentos com essas fontes de energia visionárias; a civilização está em perigo iminente e precisa usar a energia nuclear – a fonte de energia mais segura disponível – agora ou sofrer a dor que em breve será infligida a nosso planeta tão ressentido”.

Ambientalistas urraram em protesto, mas qualquer pessoa que conhecia o passado de Lovelock não se surpreendeu com sua defesa à energia nuclear. Aos 14 anos, ao ler que a energia do sol vem de uma reação nuclear, ele passou a acreditar que a energia nuclear é uma das forças fundamentais no universo. Por que não aproveitá-la? No que diz respeito aos perigos – lixo radioativo, vulnerabilidade ao terrorismo, desastres como o de Chernobyl – Lovelock diz que este é dos males o menos pior: “Mesmo que eles tenham razão a respeito dos perigos, e não têm, continua não sendo nada na comparação com as mudanças climáticas”.

Texto pré desastre na central nuclear de  de Fukushima em 11 de março de 2011 mas que está poluindo os mares e o ar até hoje. Nisso discordamos totalmente. Não há necessidade de energia nuclear. Outras fontes renováveis já poderiam estar dominando a geração de energia, se não houvesse interferência de quem ganha com energia suja.

Como último recurso, para manter o planeta pelo menos marginalmente habitável, Lovelock acredita que os seres humanos podem ser forçados a manipular o clima terrestre com a construção de protetores solares no espaço ou instalando equipamentos para enviar enormes quantidades de CO2 para fora da atmosfera. Mas ele considera a geoengenharia em larga escala como um ato de arrogância – “Imagino que seria mais fácil um bode se transformar em um bom jardineiro do que os seres humanos passarem a ser guardiões da Terra”. Na verdade, foi Lovelock que inspirou seu amigo Richard Branson a oferecer um prêmio de US$ 25 milhões para o “Virgin Earth Challenge” (Desafio Virgin da Terra), que será concedido à primeira pessoa que conseguir criar um método comercialmente viável de remover os gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Lovelock é juiz do concurso, por isso não pode participar dele, mas ficou intrigado com o desafio. Sua mais recente idéia: suspender centenas de milhares de canos verticais de 18 metros de comprimento nos oceanos tropicais, colocar uma válvula na base de cada cano e permitir que a água das profundezas, rica em nutrientes, seja bombeada para a superfície pela ação das ondas. Os nutrientes das águas das profundezas aumentariam a proliferação das algas, que consumiriam o dióxido de carbono e ajudariam a resfriar o planeta. “É uma maneira de contrabalançar o sistema de energia natural da Terra usando ele próprio”, Lovelock especula. “Acho que Gaia aprovaria.”

Oslo é o tipo perfeito de cidade para Lovelock. Fica em latitudes do norte, que ficarão mais temperadas na medida em que o clima for esquentando; tem água aos montes; graças a suas reservas de petróleo e gás, é rica; e lá já há muito pensamento criativo relativo à energia, incluindo, para a satisfação de Lovelock, discussões renovadas a respeito da energia nuclear. “A questão principal a ser discutida aqui é como manejar as hordas de pessoas que chegarão à cidade”, Lovelock avisa. “Nas próximas décadas, metade da população do sul da Europa vai tentar se mudar para cá.”

Nós nos dirigimos para perto da água, passando pelo castelo de Akershus, uma fortaleza imponente do século 13 que funcionou como quartel-general nazista durante a ocupação da cidade na Segunda Guerra Mundial. Para Lovelock, os paralelos entre o que o mundo enfrentou naquela época e o que enfrenta hoje são bem claros. “Em certos aspectos, é como se estivéssemos de novo em 1939″, ele afirma. “A ameaça é óbvia, mas não conseguimos nos dar conta do que está em jogo. Ainda estamos falando de conciliação.”

Naquele tempo, como hoje, o que mais choca Lovelock é a ausência de liderança política. Apesar de respeitar as iniciativas de Al Gore para conscientizar as pessoas, não acredita que nenhum político tenha chegado perto de nos preparar para o que vem por aí. “Em muito pouco tempo, estaremos vivendo em um mundo desesperador, comenta Lovelock. Ele acredita que está mais do que na hora para uma versão “aquecimento global” do famoso discurso que Winston Churchill fez para preparar a Grã-Bretanha para a Segunda Guerra Mundial: “Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor”. “As pessoas estão prontas para isso”, Lovelock dispara quando passamos sob a sombra do castelo. “A população entende o que está acontecendo muito melhor do que a maior parte dos políticos.”

Independentemente do que o futuro trouxer, é provável que Lovelock não esteja por aí para ver. “O meu objetivo é viver uma vida retangular: longa, forte e firme, com uma queda rápida no final”, sentencia. Lovelock não apresenta sinais de estar se aproximando de seu ponto de queda. Apesar de já ter passado por 40 operações, incluindo ponte de safena, continua viajando de um lado para o outro no interior inglês em seu Honda branco, como um piloto de Fórmula 1. Ele e Sandy recentemente passaram um mês de férias na Austrália, onde visitaram a Grande Barreira de Corais. O cientista está prestes a começar a escrever mais um livro sobre Gaia. Richard Branson o convidou para o primeiro vôo do ônibus espacial Virgin Galactic, que acontecerá no fim do ano que vem – “Quero oferecer a ele a visão de Gaia do espaço”, diz Branson. Lovelock está ansioso para fazer o passeio, e planeja fazer um teste em uma centrífuga até o fim deste ano para ver se seu corpo suporta as forças gravitacionais de um vôo espacial. Ele evita falar de seu legado, mas brinca com os filhos dizendo que quer ver gravado na lápide de seu túmulo: “Ele nunca teve a intenção de ser conciliador”.

Em relação aos horrores que nos aguardam, Lovelock pode muito bem estar errado. Não por ter interpretado a ciência erroneamente (apesar de isso certamente ser possível), mas por ter interpretado os seres humanos erroneamente. Poucos cientistas sérios duvidam que estejamos prestes a viver uma catástrofe climática. Mas, apesar de toda a sensibilidade de Lovelock para a dinâmica sutil e para os ciclos de resposta no sistema climático, ele se mostra curiosamente alheio à dinâmica sutil e aos ciclos de resposta no sistema humano. Ele acredita que, apesar dos nossos iPhones e dos nossos ônibus espaciais, continuamos sendo animais tribais, amplamente incapazes de agir pelo bem maior ou de tomar decisões de longo prazo que garantam nosso bem-estar. “Nosso progresso moral”, diz Lovelock, “não acompanhou nosso progresso tecnológico.”

Mas talvez seja exatamente esse o motivo do apocalipse que está por vir. Uma das questões que fascina Lovelock é a seguinte: A vida vem evoluindo na Terra há mais de 3 bilhões de anos – e por que motivo? “Gostemos ou não, somos o cérebro e o sistema nervoso de Gaia”, ele explica. “Agora, assumimos responsabilidade pelo bem-estar do planeta. Como vamos lidar com isso?”

Enquanto abrimos caminho no meio dos turistas que se dirigem para o castelo, é fácil olhar para eles e ficar triste. Mais difícil é olhar para eles e ter esperança. Mas quando digo isso a Lovelock, ele argumenta que a raça humana passou por muitos gargalos antes – e que talvez sejamos melhores por causa disso. Então ele me conta a história de um acidente de avião, anos atrás, no aeroporto de Manchester. “Um tanque de combustível pegou fogo durante a decolagem”, recorda. “Havia tempo de sobra para todo mundo sair, mas alguns passageiros simplesmente ficaram paralisados, sentados nas poltronas, como tinham lhes dito para fazer, e as pessoas que escaparam tiveram que passar por cima deles para sair. Era perfeitamente óbvio o que era necessário fazer para sair, mas eles não se mexiam. Morreram carbonizados ou asfixiados pela fumaça. E muita gente, fico triste em dizer, é assim. E é isso que vai acontecer desta vez, só que em escala muito maior.”

Lovelock olha para mim com olhos azuis muito firmes. “Algumas pessoas vão ficar sentadas na poltrona sem fazer nada, paralisadas de pânico. Outras vão se mexer. Vão ver o que está prestes a acontecer, e vão tomar uma atitude, e vão sobreviver. São elas que vão levar a civilização em frente.”

O 0,1% da civilização está tentando fazer a mudança. O resto está com a bunda pregada no sofá teclando nas mídias sociais, fazendo politicagem em seu benefício, assistindo as novelas, jogando ou torcendo para seu time de futebol, enchendo a cara ou simplesmente consumindo o mundo para ter algum sentido na vida. O ter para parecer para não ter que ser.

Você conhece a metáfora do sapo cozido na água morna? Um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz. Por outro lado, outro sapo que seja jogado nesse recipiente com a água já fervendo salta imediatamente para fora. Meio chamuscado, porem vivo. Estamos sendo cozidos em água morna, distraídos pela mídia, pelo consumismo e infelizmente estaremos extintos em breve.

Fonte – Enviado por MO Carlos, por Jeff Goodell, tradução Ana Ban, Rolling Stones de novembro de 2007

Lei e decreto das sacolas em São Paulo

Como uma lei que protegia o planeta pode ter se transformado em um decreto poluidor? A quem interessa o decreto do haddad? Quem está lucrando? Porque quem está perdendo nós sabemos, o planeta, a população, a fauna e a flora…

Leiam a lei e o decreto e chorem, porque não dá para rir da palhaçada em que o prefeito transformou a lei.

Em uma cidade que recicla menos de 1% do lixo que produz, o prefeito vem com um conto de fadas para acobertar sabemos lá o que.

E os vereadores vão deixar assim?

Leiam a lei.

E agora o decreto que destruiu a lei.

Simplesmente não faz sentido. Não faz sentido usar uma sacola que irá demorar os mesmos 500 anos poluindo o planeta, não faz sentido roubar terra fértil, água potável, comida do prato dos humanos para fazer sacolas.

Isso é um crime contra os humanos de agora e os humanos que ainda nem nasceram.

Parabéns máfia do plástico, parabéns prefeito vermelho, a sociedade de vocês está dando muito certo.

Pedimos desculpas a todos os humanos por nossa incompetência em combater a máfia do plástico. Estamos nessa batalha desde 2004 mas, infelizmente, somos uns poucos humanos conscientes e conhecedores da realidade do planeta, somos uns poucos soldados da mãe terra para combater uma legião de poluidores, que estão destruindo qualquer possibilidade da humanidade sobreviver neste planeta.

Perguntas para o Prefeito Fernando Haddad sobre lei das sacolas plásticas no município de São Paulo

Ilmo. Sr. Fernando Haddad, prefeito do município de São Paulo.

Resumimos em 27 perguntas as questões mais comuns em relação à lei das sacolas plásticas que temos recebido.

1) O que é uma nova sacola plástica feita de cana de açúcar?

2) O que é uma nova sacola plástica feita de material renovável?

3) O decreto diz estar proibida a distribuição de sacolas plásticas. Uma sacola plástica feita com resina de origem renovável não é uma sacola plástica? Onde está a diferença entre estes tipos de sacolas plásticas no quesito impacto no descarte inadequado e poluição ambiental?

4) Qual tipo de resina está se referindo como sendo de origem renovável?

5) Quais e quantas empresas produzem este tipo de resina no Brasil?

6) Qual a produção total anual desta resina?

7) Quantos fabricantes brasileiros de sacolas plásticas tem acesso a esta resina para produzir a nova sacola?

8) A produção anual desta resina de origem renovável é suficiente para produzir todas as sacolas que os supermercados paulistanos distribuem?

9) Esta resina é 100% de origem renovável?

10) A nova sacola será produzida com 100% desta resina?

11) Como distinguir uma sacola plástica fabricada com resina de origem não renovável daquela fabricada com resina de origem renovável?

12) Onde ficam os laboratórios, quais os testes e quanto custa para saber se a sacola que o consumidor recebe foi realmente produzida com 100% de resina plástica de origem renovável?

13) Quem será punido caso o consumidor seja enganado pelo fabricante ou supermercado e receba uma sacola plástica fabricada com resina de origem não renovável?

14) A sacola feita com material renovável é reciclável juntamente com os plásticos de origem fóssil?

15) A nova sacola plástica feita de matéria prima renovável é biodegradável?

16) Caso positivo, qual norma de biodegradabilidade ela cumpre?

17) Quanta água fresca, terras férteis, agrotóxicos, energia, combustíveis, foram consumidos para produção das plantas que serviram para a produção da resina de origem renovável utilizada na produção da nova sacola?

18) Caso a nova sacola de origem renovável não seja biodegradável, qual a diferença e vantagem no combate à poluição em relação a uma sacola plástica de origem não renovável?

19) Quanto custa a resina de origem renovável em comparação a resina de origem não renovável?

20) Quem vai pagar a diferença caso a nova sacola custe mais caro que as atuais?

21) Caso a nova sacola de origem renovável não seja degradável, em que lugar no mundo existe lei que obrigue o uso de sacolas plásticas não degradáveis de origem renovável como forma de combater os danos causados pelas sacolas ao meio ambiente?

22) Existe alguma norma brasileira que defina a cor verde numa sacola como sendo esta a cor relacionada ao descarte e acondicionamento dos diversos tipos diferentes de resíduos descartáveis recicláveis?

23) A lei fala em comércio em geral. Por que o decreto e declarações sobre a nova sacola referem-se somente aos supermercados?

24) Existem dados realistas que provem que países resolveram os problemas de poluição por sacolas plásticas adotando sacolas maiores, que suportam 10 quilos, e feitas de material renovável? Por favor, cite os locais e a redução conseguida.

25) Por que sacolas plásticas atuais prejudicam mais o manejo dos aterros sanitários do que as novas sacolas, ou que todos os outros tipos de embalagens plásticas ou os sacos plásticos para lixo?

26) A nova sacola não cria bolsões de ar nos aterros? Sacos plásticos para lixo não criam bolsões de ar? Por que a nova sacola não cria bolsões de ar nos aterros?

27) As penalidades para o comerciante e para o cidadão já estão definidas. Mas não encontramos as penalidades que a prefeitura poderia sofrer caso o consumidor receba uma falsa sacola plástica de origem renovável, ou caso a prefeitura não realize a coleta seletiva em todo o município, envie todo o material para reciclagem a partir do dia 5 de Fevereiro. Quais são as penalidades para a prefeitura e autoridades caso não cumpram sua parte?

Estas perguntas foram baseadas em declarações contidas em site oficial da
PMSP http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/5202#ad-image-0

e no decreto publicado no Diário Oficial
http://diariooficial.imprensaoficial.com.br/nav_cidade/index.asp?c=1&e=20150107&p=1&clipID=1JHAB03OBPU67eAKLIUU2BUL893.

A sociedade vai agradecer se o prefeito responder a todas estas questões. O Instituto IDEAIS vai publicar as respostas caso as receba.

Fonte – Boletim do Instituto IDEAIS de 12 de janeiro de 2015

Instituto Ideais
www.i-ideais.org.br
info@i-ideais.org.br
+ 55 (19) 3327 3524

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