Oceanos estão se tornando uma sopa cheia de plásticos

Objetos de plástico se fragmentam em pedaços cada vez menores, detectados em 88% da superfície analisada

Oceanos estão lentamente se tornando uma espécie de sopa cheia de partículas plásticas microscópicas, passando para cadeias alimentares de todo o mundo.

Um estudo publicado na última semana por cientistas espanhóis no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences afirma que os oceanos estão lentamente a tornar-se uma espécie de sopa cheia de partículas plásticas microscópicas, passando para as cadeias alimentares de todo o mundo.

De acordo com a investigação, que avaliou 3.070 amostras, o problema já atingiu uma escala global, e os principais resíduos encontrados no oceano são polietileno e polipropileno, polímeros usados na fabricação de produtos como sacos plásticos, embalagens de alimentos e bebidas, utensílios de cozinha e brinquedos, entre outros.

“As correntes oceânicas carregam objetos plásticos que se quebram em fragmentos cada vez menores devido à radiação solar. Esses pedaços pequenos, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada”, comentou Andrés Cózar, pesquisador da Universidade de Cádiz.

“Esses microplásticos têm uma influência no comportamento e na cadeia alimentar dos organismos marinhos. Por um lado, os pequenos fragmentos muitas vezes acumulam contaminantes que, se engolidos, podem ser passados aos organismos durante a digestão; sem esquecer das obstruções gastrointestinais, que são outro dos problemas mais comuns desse tipo de resíduo”, explicou Cózar.

“Por outro lado, a abundância de fragmentos plásticos flutuantes permite que muitos organismos menores naveguem neles e colonizem lugares que não teriam acesso. Mas provavelmente, a maioria dos impactos que está a ocorrer devido à poluição plástica nos oceanos ainda não é conhecida”, concluiu o cientista.

Alguns países empenhados em acabar com a proliferação dos resíduos plásticos estão a começar pelos sacos. Nos Estados Unidos, em muitos estados eles já não são utilizados, sendo substituídos por sacos reutilizáveis, biodegradáveis e de papel.

Nações insulares, como o estado de Yap, na Micronésia, que têm grande parte da sua economia baseada no turismo do mergulho e sofrem com a poluição causada pelo plástico, foram mais longe e resolveram banir o seu uso. Os comerciantes que distribuírem os famigeradas sacos terão que pagar multas de 100 dólares por violação.

A União Europa também pretende tomar medidas duras. Novas regras preveem uma redução de 80% no uso de sacos plásticos até 2019. Na França, um projeto de lei em discussão visa acabar com eles já em 2016, sendo que o país já tem uma taxa de 6 centavos de euro para cada saco utilizado pelos consumidores.

Campanha

Três de julho é o Dia Internacional Sem Sacos Plásticos, e a campanha Bag Free World, lançada neste ano para celebrar a data, ressalta o perigo que trazem à biodiversidade e ao meio ambiente.

A campanha conta com a participação de políticos e celebridades, como Joachim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e Jeremy Irons, ator britânico.

“Há zero justificações para ainda os fabricar, em qualquer lugar”, declarou Steiner no website da Bag Free World.

Já Irons afirmou que “as pessoas ainda não estão conscientes da seriedade do problema do uso de sacos plásticos. Espero que o filme Trashed [de 2012, produzido pelo ator] permita que as pessoas tenham uma visão desse problema bastante curável, mas global. [O problema] não será resolvido sem a vontade comum e política para fazê-lo.”

No site da campanha, estão disponibilizadas diversas informações sobre a utilização dos sacos plásticas e do seu impacto nos ecossistemas. Por exemplo, embora em média eles sejam usados por apenas 25 minutos, levam entre 100 e 500 anos para se desintegrarem, dependendo do tipo de plástico.

Eles também prejudicam a biodiversidade, principalmente oceânica, já que muitos animais frequentemente ingerem pedaços de sacos plásticos deitados fora, o que os faz sufocarem e morrerem. Segundo o PNUMA, entre 50% e 80% das tartarugas marinhas encontradas mortas apresentam nos seus estômagos fragmentos de sacos plásticos.
Instituto CarbonoBrasil/Carta Maior/EcoAgência

Fonte – Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil / Eco Agência de 10 de julho de 2014

Boletim do Instituto IDEAIS de 14 de 07 de 2014

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Bioplástico pode não ser melhor para o ambiente do que os plásticos baseados em petróleo

Tradução livre e resumida. Grifo e destaque nosso.

Wooster, Ohio – pesquisadores da Ohio State University descobriram que a maioria dos bioplásticos ou plásticos “verdes” atualmente disponíveis no mercado não são biodegradáveis dentro do período de tempo usado nos processos de gestão de resíduos sólidos padrões e não cumprem as normas da indústria de compostagem.

“A maioria das pessoas não pensa sobre o ciclo de vida dos bioplásticos e entendem que, esses produtos porque são chamados de ‘verdes’, seriam automaticamente melhores para o meio ambiente “, disse Fred Michel, um engenheiro de biossistemas do Colégio da Alimentação, Agricultura e Ciências Ambientais (CFAES).

“No entanto, este estudo mostra que alguns plásticos de base biológica atualmente disponíveis no mercado biodegradam realmente muito mal. E em alguns casos, bioplástico pode ser pior para o ambiente do que os plásticos à base de combustíveis fósseis quando se leva em conta os insumos necessários para o cultivo das plantas a partir do qual estes produtos são feitos, o uso do solo e da água e os gases de efeito estufa liberados a partir desses plásticos quando eles degradam. ”

O estudo – conduzido por Michel e Eddie Gómez, PhD da Ohio State – foi publicado na edição de dezembro da revista Polímeros, Degradação e Estabilidade.

Os pesquisadores estudaram uma vasta gama de materiais para comparar sua biodegradabilidade: bioplásticos feitos a partir de culturas como milho, compósitos de fibras naturais (como a fibra de coco) e plásticos (à base de petróleo) convencionais alterado com aditivos.

Como controle, usaram plástico convencional de Polipropileno (que se sabe não são biodegradáveis) e celulose, que se biodegrada totalmente.

Estes materiais foram testados em três ambientes diferentes: compostagem (115 dias), a digestão anaeróbia (50 dias), e no solo (660 dias).

Os resultados indicam que apenas um dos bioplásticos de base biológica incluídos no estudo – um plástico PHA (polihidroxialcanoatos) feito através de fermentação de açúcar – foi biodegradado em extensões significativas em todos os três ambientes. Além disso, alguns dos plásticos convencionais tratados com aditivos comerciais não certificados mostraram quase nenhuma degradação, apesar das afirmações em contrário feitas pelos fabricantes de tais produtos.

Gómez disse que este estudo mostra que é necessária mais investigação sobre o comportamento do ciclo de vida dos plásticos “verdes” antes de divulgações possam ser feitas sobre sua biodegradabilidade e potenciais benefícios ambientais.

“Surpreendeu-me que a maioria dos materiais não pode ser certificado como compostável e que determinados aditivos não funcionam como anunciado, e ainda assim eles estão no mercado agora”, disse Gómez, que trabalhou sob a supervisão de Michel.

“O ponto principal aqui é que nós não sabemos o que está por trás desses materiais, e a pesquisa deve ser conduzida antes de sair no mercado fazendo diferentes reivindicações. Consumidores geralmente não têm acesso a informações sobre esses materiais.”

Atualmente, a única entidade que pode comprovar se um material é compostável é o Instituto de Produtos Biodegradáveis (BPI), uma organização sem fins lucrativos que estabelece padrões baseados em ciência de materiais compostáveis em biodegradação em grandes instalações de compostagem.

Plásticos tornaram-se um dos principais componentes dos resíduos sólidos urbanos e representam um problema de poluição ambiental crescente, especialmente quando grandes quantidades destes materiais acabam em aterros ou são libertados no ambiente. De acordo com dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, apenas 8% por cento dos 31 milhões de toneladas de resíduos plásticos gerados anualmente em os EUA é reciclado.

Michel e Gómez disseram que há muitos equívocos sobre a natureza de ambos os plásticos convencionais e à base de bio ou plantas que precisam ser esclarecidas, para que os consumidores e as indústrias que utilizam esses produtos possam tomar decisões mais fundamentadas.

“Há alguns plásticos à base de petróleo que são biodegradáveis, enquanto há bioplásticos que não são”, disse Michel, professor adjunto no Departamento de Alimentos, Engenharia Agrícola e Biológica. “Biodegradabilidade não é necessariamente dependente da fonte de plástico, mas sim sobre o bloco de construção utilizados para formar o plástico.”

Por exemplo, a maioria dos plásticos são feitos de polietileno ou polipropileno derivado do refino de petróleo bruto e gás natural não são biodegradáveis. Polietileno também pode ser sintetizado a partir de recursos renováveis, como o etanol de cana de açúcar, mas os plásticos feitos a partir deste bloco ainda não são biodegradáveis, mesmo que eles tenham vindo de uma planta. Salvo se aditivados com tecnologias de aditivos oxibiodegradáveis certificados. A única entidade mundial certificadora de aditivos, plásticos e tecnologias oxibiodegradáveis é a OPA (The Oxobiodegradable Plastics Association).

Por outro lado, os plásticos feitos a partir de ácido polilático (PLA) são biodegradáveis. PLA podem ser produzidos tanto por meio da fermentação de amido e culturas a partir de combustíveis fósseis.

“Quando se trata de biodegradabilidade, falar contra os plásticos convencionais e a favor dos bioplásticos baseados em plantas não faz muito sentido”, disse Michel.” Em vez disso, precisamos classificar plásticos em quatro categorias, que são descritos em nosso estudo:. Plástico convencional, de plástico de base biológica, plástico biodegradável e bioplástico biodegradável baseado em plantas”

Finalmente, Michel e Gómez disseram que vários fatores precisam ser levados em consideração antes de saber se um tipo de plástico é melhor que o outro em termos de seu impacto sobre o meio ambiente.

“Quando depositados em aterros, os plásticos convencionais e os aditivados certificados que necessitam de Oxigênio para a degradação ser iniciada não contribuem a mais para as alterações climáticas, porque o carbono contido nelas fica retido no aterro”, disse Michel. “Além disso, se estes plásticos são reciclados e menos energia é consumida para reciclá-los do que quando são produzidos pela primeira vez, contribuindo para a redução de emissões de dióxido de carbono para o ambiente.

Nesses casos, os plásticos convencionais e aditivados podem ter menos impacto sobre as emissões de gases de efeito estufa do que os plásticos compostáveis destinados a aterros, onde estes vão liberar carbono e potencialmente o metano na atmosfera.

Ainda assim, disse Michel, bioplásticos biodegradáveis podem ter um impacto positivo sobre o meio ambiente, especialmente quando se considera os problemas causados pela poluição de plástico em uma escala global.

“Plásticos convencionais inadvertidamente poluíram quase todo o habitat natural e o meio ambiente no mundo, e a poluição de plástico é uma crise assustadora para ambientes marinhos”, disse ele.
Sobre Ohio State University

A Universidade do Estado de Ohio comumente referida como Ohio State ou OSU, é uma universidade pública de investigação, em Columbus, Ohio, fundada em 1870.

Fonte – Boletim do Instituto IDEAIS de 02 de junho de 2014

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Vídeo – O homem que plantava árvores

O homem que plantava árvores – A fábula de Elzéard Bouffier (1987). O romancista francês Jean Giono (1895-1970) escreveu, em 1953, “L’homme qui plantait des arbres” (O homem que plantava árvores), retratando, por meio do trabalho do personagem Elzéard Bouffier a recuperação ambiental, via florestamento, da região de Provença, que não por acaso é a terra natal do escritor. Esta animação delicada e única, vencedora do OSCAR® de filme curto de animação, é um tributo ao trabalho árduo e à paciência. Conta a história de um homem bom e simples, um pastor que, em total sintonia com a natureza, faz crescer uma floresta onde antes era uma região árida e inóspita. As sementes por ele plantadas representam a esperança de que podemos deixar pra trás um mundo mais belo e promissor do que aquele que herdamos.

Este personagem pode ser fictício, mas existem outros personagens reais que há muitos e muitos anos plantam suas sementes e mudas de árvores nativas incansavelmente, todos os domingos do ano e que ainda assim são desconhecidos da população.

Esses homens plantam florestas para todos, plantam árvores nativas para fornecer sombra, frutíferas para os visitantes dos bosques conhecerem e saborearem as frutas colhidas no pé.

Esses homens ensinam estagiários universitários a plantar e a cuidar de árvores, conhecimento que eles levam para o resto de suas vidas.

Esses homens são o Cláudio, o Ayrton e o Charles, que já há uma década – o projeto mata ciliar iniciou em 2004 – deixam o mundo mais verde com suas árvores.

Esses homens são uma inspiração por sua persistência em mudar o mundo, mesmo encontrando tanta resistência de quem não quer que o mundo melhore, de quem não faz e não quer que ninguém faça.

Parabéns a estes plantadores de florestas por uma década melhorando o mundo com sua dedicação e trabalho árduo.

 

ONU – Impacto ambiental dos plásticos é de pelo menos US$ 75 bi ao ano

Apenas os prejuízos ao ecossistema marinho seriam US$ 13 bilhões anuais, um valor que provavelmente está subestimado, aponta um novo relatório das Nações Unidas.

Quando se pensa na relação plásticos-meio ambiente, o primeiro problema que vem à mente é o descarte indevido, que resulta no entupimento de bueiros nas cidades e na poluição de rios, lagoas e oceanos. Mas os impactos do plástico na natureza começam bem antes, na extração de matérias-primas e no seu processo de produção.

É buscando destacar todos os impactos da cadeia dos plásticos que as Nações Unidas (ONU) divulgaram ontem (23) o relatório “Valuing Plastic”.

Segundo o documento, o custo financeiro dos prejuízos ambientais relacionados ao plástico ultrapassam os US$ 75 bilhões anuais, sendo que 30% desse valor vêm das emissões de gases do efeito estufa do setor e da poluição do ar causadas na fase de produção.

Mas, individualmente, é o ecossistema marinho que mais sofre com os plásticos. A poluição das águas, a morte de animais e o prejuízo para o turismo alcançam pelo menos os US$ 13 bilhões ao ano.

A estimativa é que existam bilhões de toneladas de plástico flutuando nos oceanos. Apenas a Grande Ilha de Lixo do Pacífico, nome dado a um aglomerado de plásticos comumente visto por embarcações no Pacífico Norte, possui um tamanho equivalente ao do território dos Estados Unidos.

Todo esse plástico acaba atrapalhando a navegação, sujando praias e matando animais, que ingerem o material por o confundirem com alimento. Por exemplo, em março de 2013, uma baleia cachalote de dez metros de comprimento apareceu morta na costa sul da Espanha. Ela havia engolido 59 diferentes itens de plástico, totalizando 17 quilos.

“Plásticos possuem um papel crucial na vida moderna, mas os impactos ambientais de seu uso não podem ser ignorados”, afirmou Achim Steiner, Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Entre as companhias que utilizam plástico, as que causam mais impactos ao meio ambiente seriam as alimentícias, com 23% do total. Em seguida aparecem as de refrigerantes, com 12%.

Para piorar a imagem dessas empresas, apenas metade das 100 que foram consultadas pela ONU para a produção do relatório forneceram suas informações de forma completa.

“Alguns setores, como produtos eletrônicos e alimentos, levam mais a sério a transparência de informações. Já calçados e brinquedos, que também possuem uma grande intensidade de uso de plásticos, não foram tão abertas”, disse Andrew Russell, diretor do Plastic Disclosure Project. Assim, os valores citados no relatório estão provavelmente muito abaixo do que seria a realidade.

Recomendações

Apesar de ser um alerta, o relatório tenta mostrar para as empresas que lidar com o problema dos plásticos é também uma oportunidade. Por exemplo, de acordo com a ONU, a melhor gestão do plástico, com um maior cuidado com a origem da matéria-prima, eficiência na linha da produção e mais reciclagem, pode economizar às companhias pelo menos US$ 4 bilhões ao ano.

O relatório recomenda que as empresas:

- Acompanhem com mais cuidado a produção e a destinação de seus materiais plásticos e embalagens, com a produção de inventários e documentos de acesso público;
- Se comprometam a reduzir os impactos ambientais do plástico, com a adoção de metas práticas;
- Busquem a inovação de suas cadeias produtivas, para que o plástico seja produzido com menos energia e resíduos;
- Colaborem com governos no desenvolvimento de legislações que ajudem a reduzir o descarte indevido dos plásticos;
- Forneçam informações corretas para órgãos de controle, para que sejam conhecidos os impactos reais dos plásticos ao planeta;
- Invistam em novas tecnologias, como materiais biodegradáveis.

“O curso de ação fundamental é prevenir que os resíduos plásticos cheguem ao meio ambiente, o que pode ser conseguido se seguirmos o mantra: Reduzir, reutilizar e reciclar”, concluiu Steiner.

Fonte – Instituto Carbono Brasil / Boletim do Instituto IDEAIS de 07 de julho de 2014

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O nebuloso cenário dos agrotóxicos no Brasil

“Ainda há muita informação a ser gerada para que consigamos ter uma posição mais assertiva sobre a condição do meio ambiente em relação à contaminação por agrotóxicos no Brasil”, adverte o engenheiro agrônomo Robson Barizon.

Apesar de o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2008, é preciso “gerar muito mais informação para entender como está o cenário de uso de agrotóxicos no país”, diz Robson Barizon, um dos autores do estudo “Panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil: cenário 1992/2011”, realizado pela Embrapa neste ano. Segundo ele, ainda são produzidas poucas pesquisas em relação às implicações do uso de fertilizantes na agricultura.

“A restrição orçamentária talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda não temos programas de monitoramento, como seria o ideal. Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as moléculas mais utilizadas na região, e a partir das conclusões dos monitoramentos regionais/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos”, pontua, em entrevista por telefone à IHU On-Line.

Entre as preocupações envolvendo o uso de agrotóxicos no país, Barizon chama a atenção para a contaminação da água, “já que a falta de saneamento de esgoto é um problema sério no Brasil. Esse esgoto tem níveis altos de nitrato, além de outros problemas microbiológicos, e níveis altos de nitrogênio. Em pontos próximos às áreas urbanas, é possível observar níveis maiores de nitrogênio, mas em bacias hidrográficas, onde a influência maior é só da área agrícola, os níveis de nitrogênio ainda são considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contaminação, ainda não constatamos um problema que leve a ações maiores”. Entre as culturas que contaminam a água, está a produção de arroz irrigado. “Pelo fato de o arroz irrigado ser produzido com lâmina d’água, a qual retorna aos corpos d’água, existe, sim, um risco maior de contaminação nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que nós levantamos. Então, nesse sentido, há, sim, uma preocupação com a cultura do arroz e deve ser dada mais atenção ao manejo desse produto”, adverte.

Robson Barizon é graduado em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é pesquisador da Embrapa Meio Ambiente de São Paulo.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – Quais são as principais conclusões do estudo sobre contaminação por agrotóxicos no Brasil, intitulado “Panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil: cenário 1992/2011”? É possível dar um parecer sobre o uso de agrotóxico nas regiões analisadas? Os níveis de uso de agrotóxicos são aceitáveis ou ultrapassam o limite permitido?

Robson Barizon – A principal conclusão a que chegamos com esse trabalho foi a de que ainda há muita informação a ser gerada para que consigamos ter uma posição mais assertiva sobre a condição do meio ambiente em relação à contaminação por agrotóxicos no Brasil.

Pelos trabalhos que conseguimos levantar [1], os níveis de resíduos ainda são considerados aceitáveis e estão de acordo com os padrões internacionais estabelecidos. De todo modo, não foi possível uma conclusão assertiva sobre o panorama do uso de agrotóxicos no país, considerando a quantidade restrita de trabalhos encontrados sobre o tema.

IHU On-Line – Quais são os avanços em relação à análise da toxicologia dos agrotóxicos?

Robson Barizon – A ciência e os métodos estão avançando, inclusive a sensibilidade analítica dos equipamentos está evoluindo com o tempo. Então, moléculas que antes não eram detectadas passam a ser detectadas com métodos mais modernos e com equipamentos mais sensíveis.

IHU On-Line – Um dos objetivos do estudo foi identificar e avaliar o cenário de uso e presença de agrotóxicos e fertilizantes nitrogenados no Brasil. Quais são as principais constatações acerca desse ponto? Quais as ocorrências de agrotóxicos e de nitrato nas cinco regiões brasileiras analisadas e em quais culturas esse fertilizante é utilizado?

Robson Barizon – Hoje a produção agrícola brasileira é quase que completamente pautada pelo uso desse insumo. Nesse trabalho não foi abordada a intensidade de uso de cada uma das culturas produzidas no Brasil, mas de forma geral podemos dizer que os grãos utilizam agrotóxicos em uma intensidade menor, e culturas com valor agregado maior, como hortaliças e espécies frutíferas, usam agrotóxicos com uma intensidade maior.

Com relação ao nitrato, os níveis encontrados em áreas agrícolas foram baixos e não eram preocupantes. Talvez a preocupação maior seja realmente com a fonte urbana de contaminação, que é o esgoto não tratado. Então, no que se refere ao nitrato, há tensão com a fonte urbana de contaminação, já que a falta de saneamento de esgoto é um problema sério no Brasil.

IHU On-Line – Então o problema não está na quantidade de nitrato utilizado nas culturas agrícolas, mas na falta de tratamento da água?

Robson Barizon – Sim, porque como os esgotos no Brasil têm um percentual de tratamento muito baixo, uma parte do esgoto gerado é lançada diretamente nos rios. Esse esgoto tem níveis altos de nitrato, além de outros problemas microbiológicos, e níveis altos de nitrogênio. Em pontos próximos às áreas urbanas, é possível observar níveis maiores de nitrogênio, mas em bacias hidrográficas, onde a influência maior é da área agrícola, os níveis de nitrogênio ainda são considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contaminação, ainda não constatamos um problema que leve a ações maiores.

IHU On-Line – Quais são as principais observações a serem feitas em relação ao uso de agrotóxicos na cultura de arroz, por exemplo, no RS? Há risco de contaminação dos corpos d’água que recebem a água da lavoura?

Robson Barizon – Pelo fato de o arroz irrigado ser produzido com lâmina d’água, a qual retorna aos corpos d’água, existe, sim, um risco maior de contaminação nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que nós levantamos. Então, nesse sentido, há, sim, uma preocupação com a cultura do arroz e deve ser dada mais atenção ao manejo desse produto.

IHU On-Line – É alto o índice de uso de agrotóxicos na produção de arroz?

Robson Barizon – É alto, sim, o índice de uso de agrotóxico nessa cultura. Mas nós só incluímos na pesquisa os trabalhos que encontramos, os quais já mostram que existe um potencial de contaminação. Existem algumas iniciativas do Estado do Rio Grande do Sul para acompanhar a situação, porque realmente é necessário, uma vez que existe um uso intensivo de agrotóxicos na produção de arroz e a água utilizada para a irrigação retorna aos rios, aos corpos d’água.

IHU On-Line – O estudo aponta que na região Nordeste o uso de agrotóxicos é intenso por conta da produção de frutas para exportação. Quais são as frutas cultivadas a base de agrotóxicos? Nesse caso há um controle do uso de agrotóxico por conta da fiscalização do mercado externo?

Robson Barizon – A produção de frutas lá é praticamente feita de forma irrigada e basicamente é feita no Vale do Rio São Francisco. As principais culturas ali cultivadas são mamão, uva de mesa e melão. Só que nesse caso os níveis de agrotóxico são bastante controlados porque os países importadores têm normas rígidas de controle. Então, pelo menos nessas áreas existe um cuidado com o uso de agrotóxicos para que não ultrapassem os limites aceitáveis no fruto, porque os países que importam, geralmente países da Europa e do Hemisfério Norte, também fazem o controle.

IHU On-Line – Alguns aquíferos já apresentam indícios de contaminação por conta do uso de agrotóxicos? A pesquisa menciona uma preocupação com os aquíferos de Serra Grande e Poti-Piauí, no Piauí?

Robson Barizon – Nesse caso nós levantamos a informação e o cuidado preventivo que deve existir com esses aquíferos. Muitos aquíferos estão protegidos por uma camada de rocha impermeável, que funciona como uma barreira, mas os de Serra Grande e Poti-Piauí são aquíferos livres, ou seja, eles chegam até a superfície do solo, então o potencial de contaminação deles é alto. Porém, isso não quer dizer que eles já estejam contaminados. Nas áreas desses aquíferos existe o uso de agrotóxicos, mas apenas o uso não indica que haja contaminação, porque se podem selecionar moléculas — essa é uma das formas de se evitar a contaminação — que tenham menor solubilidade em água.

Existe uma variedade muito grande de moléculas, de propriedades físico-químicas de moléculas. Se, nessas situações, forem selecionadas moléculas que não sejam muito solúveis em água, que não vão ser transportadas junto com a água, que vão ficar retidas na superfície do solo, onde se precisa fazer o controle do fungo, da planta daninha, do inseto, então o risco de contaminação é bastante reduzido. Portanto, trata-se mais de um alerta para que sejam tomadas medidas de prevenção em relação aos aquíferos. No Brasil ainda não há indicativo de que qualquer aquífero esteja contaminado.

IHU On-Line – Na região Centro-Oeste, chama a atenção na pesquisa a redução entre 40 e 50% dos teores de matéria orgânica dos solos cultivados em relação aos solos virgens. Quais as implicações do uso de agrotóxico para o solo?

Robson Barizon – Principalmente onde a vegetação natural era mata, com grande porte de biomassa, quando foi feita a retirada dessa mata e foi introduzida a atividade agrícola, os níveis de material orgânico diminuíram. Isso aconteceu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, quando se reduziu a Mata Atlântica para a expansão da agricultura, ou seja, os níveis de carbono foram reduzidos. Como um dos mecanismos de retenção dos agrotóxicos do solo é a retenção pela matéria orgânica, se o nível de matéria orgânica é reduzido, a retenção é menor.

O plantio direto, que foi adotado a partir da década de 1990 e se expandiu no Brasil, vai no caminho contrário; ele aumenta novamente os níveis de carbono. Então, medidas como essa, utilizadas na agricultura onde houve decréscimo dos níveis de matéria orgânica de carbono, possibilitam que se atinjam novamente os níveis iniciais de matéria orgânica ou, pelo menos, que se elevem esses níveis.

IHU On-Line – Como tem se dado o processo de recolhimento das embalagens de agrotóxicos? Qual a situação do Brasil em relação à logística reversa?

Robson Barizon – Esse é um motivo de orgulho para o Brasil, porque o país é referência mundial em logística reversa. Foi criado o Instituto para o Desenvolvimento Social e Ecológico – Idese, o órgão responsável pela organização e execução dessa atividade. O Brasil recolhe acima de 80, 90% das embalagens e é o líder mundial nesse quesito, ou seja, é o país que consegue recolher o maior índice de embalagens de agrotóxicos que, se ficarem na propriedade, no campo, têm um potencial alto de contaminação tanto para o trabalhador quanto para o meio ambiente.

IHU On-Line – Na pesquisa vocês mencionam que apesar de o uso de agrotóxico ter crescido consideravelmente no país, ainda há pouca pesquisa sobre o assunto. Quais as razões? E que tipo de estudo e monitoramento deveria ser feito para se ter um panorama do uso de agrotóxicos no país?

Robson Barizon – Esse é um processo lento e gradual. A legislação que trata da regulamentação do uso de agrotóxicos no Brasil tem avançado, inclusive nos últimos 20 anos. Mas o acompanhamento acerca do uso de agrotóxicos exige investimento, porque são análises caras. Então, a restrição orçamentária talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda não temos programas de monitoramento, como seria o ideal.

Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as moléculas mais utilizadas na região, e a partir das conclusões dos monitoramentos regionais/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos.

IHU On-Line – Qual é a alternativa aos agrotóxicos? É possível pensar no desenvolvimento agrícola sem o uso desses produtos?

Robson Barizon – Uma agricultura sem o uso de agrotóxicos não é possível; seria uma perspectiva utópica. Mas podemos avançar muito mais para reduzir o uso desses produtos. Nesse sentido, deve-se trabalhar em duas frentes: constatado o fato de que é preciso fazer uso dessa substância, então temos de controlá-la e monitorá-la; além disso, podemos fazer o uso racional dessas substâncias, utilizando-as somente quando for necessário.

Temos muito a avançar, por exemplo, no controle biológico, no uso de agentes biológicos para controlar outras pragas, quer dizer, se usa um inseto para controlar outro inseto, se usa um microrganismo para controlar outro inseto. Esse tipo de prática deveria ser mais estudado e desenvolvido no Brasil. Em relação à tecnologia de aplicação, é importante usar equipamentos com a regulagem correta para aquela condição de uso, para que se evitem perdas para a atmosfera, para que se evite a contaminação de áreas que não aquelas onde a lavoura está instalada. Então, há uma série de práticas que podem reduzir a quantidade de agrotóxico utilizada.

Hoje, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, tomando o posto que antes era ocupado pelos Estados Unidos, e a tendência é de alta. Então, todas essas medidas poderiam reverter essa tendência de aumento de consumo e trazer a agricultura brasileira para níveis mais sustentáveis.

Nota – O estudo “Panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil: cenário 1992/2011” foi realizado com base na análise de pesquisas acadêmicas sobre o uso de agrotóxicos no período de 1992 a 2011.

Fonte - IHU On-Line de 07 de julho de 2014

A odisseia de uma garrafa

Sabe aquele ato despreocupado de comprar uma garrafa de plástico de água para tomar em qualquer lugar?

Veja o que ocorre na maioria das vezes.

O filme, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é dirigido por Nik Kleverov.

Saiba mais sobre as ações ambientais e de desenvolvimento sustentável em http://www.unep.org/portuguese/wed/ e http://www.pnuma.org.br/

Revista Página 22 de julho de 2014

Projeto ambiental ajuda empresa a reduzir em 36% a emissão de CO2

A concessionária também promove o plantio de árvores na sede da empresa

Carbono zero

Projeto ambiental ajuda empresa a reduzir em 36% a emissão de CO2

Para neutralizar a poluição a concessionária VIAPAR realiza o plantio de árvores

Nos últimos anos, para as empresas responsáveis, preservar o meio ambiente passou a ser tão importante quanto desempenhar as atividades diárias. Em alguns casos, os cuidados com a natureza passaram a fazer parte da rotina das corporações. Este é o caso VIAPAR, que administra estradas no Paraná. Em 2007, a concessionária de rodovias deu início ao “Carbono Zero”, um projeto de caráter ambiental que mapeia todo o dióxido de carbono (CO2) emitido. Uma vez identificado, esse CO2 passou a ser neutralizado com o plantio de árvores. Além disso, várias outras iniciativas foram implantadas para diminuir os níveis de poluição, que foi reduzida em 36% conforme o mais recente levantamento.

A VIAPAR também adotou diversas outras medidas, dentre elas, a troca dos monitores dos computadores (por equipamentos que consomem menos energia elétrica), utilização de álcool combustível pela frota, além das campanhas internas no sentido de reduzir o consumo de papel sulfite (reciclado) e energia elétrica. No levantamento constam os gastos de combustível da frota de caminhões e veículos leves, energia elétrica das 14 unidades operacionais, utilização de papel e as viagens aéreas dos colaboradores. “Para neutralizar as 1.306 toneladas de CO2 emitidas em 2013, neste ano, a concessionária já programou o plantio de 2.183 árvores”, numerou o coordenador do departamento ambiental da VIAPAR, Guilherme Giandon.

E essas não vão ser as únicas árvores plantadas neste ano. O contorno de Mandaguari já ganhou 3.751 mudas de árvores nativas, assim como a duplicação da BR-376, entre Jandaia de Sul à Apucarana, onde foram plantadas mais 3.090. E as ações ambientais não param por ai. A VIAPAR investiu mais de R$ 100 mil na recuperação de erosões com paliçadas ao longo das faixas de domínio das rodovias administradas – 95 pontos passíveis de erosão e sete pontos em Áreas de Preservação Permanente (APP) estão sendo monitorados. Igualmente a empresa realiza o monitoramento dos viadutos e pontes, sem contar a remoção rotineira de galhos e entulhos das fundações das pontes após as enchentes.

Em paralelo a tudo isso, anualmente, a empresa apoia a “Semana do Meio Ambiente”. “A VIAPAR, no seu lote de concessão, assegura que tem como compromisso constante a busca de melhoria contínua e a realização de suas atividades com foco nos objetivos de prevenir os impactos da poluição, conservar os recursos naturais, desenvolver a consciência ambiental dos seus colaboradores, fornecedores e comunidade e atuar em conformidade com as leis e normas ambientais aplicáveis. Tudo isso acreditando que preservar é sempre o melhor caminho”, finalizou Giandon.

Contagem – Lembrando que metodologia do cálculo de CO2 segue as definições e requisitos propostos pelo Greenhouse Gás Protocol (GHG Protocol), fundação idealizadora da metodologia de neutralização.

Fonte - Cleber França, Flamma Comunicação Empresarial / Assessoria de Comunicação da VIAPAR de 30 de junho de 2014

As farmácias na Bélgica preferem plásticos biodegradáveis d2w

Na Bélgica, as redes de farmácias preferem sacolas plásticas oxibiodegradáveis e recicláveis d2w por ser esta tecnologia certificada pela OPA e cumprir os requisitos das normas BS 8472 e ASTM 6954-04. Foto acima.

A Bélgica é um país situado na Europa ocidental cuja capital e cidade mais povoada é Bruxelas. É membro fundador da União Europeia e hospeda sua sede, bem como as de outras grandes organizações internacionais, incluindo a OTAN.

Foi o primeiro país continental europeu a entrar na Revolução Industrial, no início do século XIX. São três as línguas oficiais. No Norte, fala-se o flamengo; no Sul, o francês. Há também uma pequena região no Leste do país onde a língua predominante é o alemão.

Os principais produtos belgas exportados são automóveis , produtos alimentícios, ferro e aço , diamantes lapidados, têxteis, plásticos, produtos de petróleo e de metais não-ferrosos. É também o país da cerveja com mais de 450 marcas disponíveis. As mais conhecidas são Duvel, Jupiler, Leffe, Alken Maes, Hoegaarden e Stella Artois.

Fonte – News RES Brasil de 01 de julho de 2014

O Consumismo e o grande erro da expressão: ‘Jogar o Lixo Fora’

Dentre os vários conceitos errôneos que a modernidade, o consumismo e o capitalismo têm propositadamente produzido para enganar as pessoas através do “marketing” e da propaganda enganosa, tem um que está me preocupando muito e tem causado grande transtorno na minha mente. Aliás, não só a mim, como também a todos os ambientalistas e as pessoas sérias, que ainda pensam e que estão preocupadas com as questões ambientais planetárias. O conceito em questão é o que está contido na expressão: “jogar o lixo fora”. Essa expressão, embora corriqueira, é bastante problemática e deveria dar margem a uma grande discussão. Acredito mesmo que, por fim, essa expressão deveria ser banida do vocabulário em todas as línguas e eu vou aqui fazer um pequeno preâmbulo para tentar esclarecer porque eu e algumas pessoas pensam dessa maneira.

Primeiramente, eu vou tentar explicar a ideia que se tem sobre aquilo que se convencionou chamar de lixo ou resíduo sólido (resíduo inútil ou inaproveitável).

Segundo o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, na sua primeira Edição (1975), lixo é: “aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua, e se joga fora (grifo nosso); entulho; tudo o que não presta e se joga fora (grifo nosso); sujidade, sujeira, imundície; coisa ou coisas inúteis, velhas e sem valor. Em edição mais recente, o autor também diz que lixo são: “resíduos que resultam de atividades domésticas, industriais e comerciais”.

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) considera que lixo ou resíduo (grifo nosso): “São os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semissólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este possa fluir livremente)” (ABNT, 1987).

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1997), resíduos sólidos ou simplesmente lixo: “é todo e qualquer material sólido proveniente das atividades diárias do homem em sociedade, cujo produtor ou proprietário não o considere com valor suficiente para conservá-lo”.

Bem, acho que já basta e vou parar nessas três definições, porque elas já são mais que suficientes para que possamos refletir sobre o que seja lixo. Entretanto, se o houver necessidade, existem várias outras disponíveis na INTERNET para quem quiser se informar mais sobre o assunto.

Para começar minha explicação, devo dizer que embora sejamos obviamente seres naturais, a natureza ao contrário do homem, não conhece, não produz e nem admite a existência daquilo que chamamos lixo. Pois então, nesse sentido, quando produzimos lixo, somos seres diferentes dos demais seres naturais. Na natureza, TUDO (ABSOLUTAMENTE TUDO) é útil e aproveitável. Na natureza, qualquer sobra é momentânea, de alguma maneira e em tempo consideravelmente rápido, tudo é transformado “biofisicoquimicamente” e reaproveitado. Desta forma, nunca chega a ser uma “coisa inútil” como diz a definição do Aurélio a respeito do lixo. Assim, há de concluir que efetivamente o lixo é um atributo exclusivo, definido e criado pelo Homo sapiens à revelia da natureza e dos mecanismos naturais.

Por outro lado, é preciso esclarecer que foi o homem que produziu e desenvolveu algumas coisas que “a natureza não conhece e não entende físico-quimicamente” e assim, ela não pode transformar essas coisas, ou se até pode, ela necessita de muito trabalho (energia) e condições temporais próprias para conseguir tal feito, o que dificulta e muitas vezes impede a transformação. Pois então, somente essas coisas que o homem produziu e que “a natureza não conhece e não entende” é que podem ser realmente chamadas de lixo.

Hoje, inventamos muitas dessas coisas: lixo eletrônico, lixo nuclear, lixo tóxico e tantas outras coisas que a natureza não conhece direito, que ela tem dificuldade de degradar para reaproveitar e talvez seja por isso mesmo que, além da superutilização de seus limitados recursos pelo homem, ela esteja ultimamente reclamando bastante e causando sérios transtornos através de eventos catastróficos cada vez mais significativos. Em suma, lixo é apenas uma invenção do homem para nominar aquilo que ele criou e não lhe interessa ou não lhe convém mais como material. O problema é que o homem transfere a sua responsabilidade e deposita esse material que ele não quer e que “a natureza não conhece e não entende” na própria natureza.

Outro conceito que eu gostaria de discutir um pouco e a noção que está contida na expressão “jogar fora”, isto é, “jogar não dentro”, ou seja, lançar alguma coisa em lugar externo. Pois então, essa é mais uma ilogicidade, porque, do ponto de vista planetário, não há nenhuma possibilidade de “jogar fora”, haja vista que da mesma maneira que qualquer coisa que utilizamos é um recurso natural, isto é, um material vindo da natureza, do Planeta Terra. Aliás, embora seja óbvio, mas parece que a gente esquece, e então cabe ressaltar, que a Terra é o único lugar que temos e de onde tiramos todas as coisas que utilizamos. Assim também, todo o resíduo que nós produzimos e chamamos de lixo é depositado aqui, no mesmo Planeta Terra. Quer dizer, “jogar fora” é algo que não existe, porque os resíduos são depositados aqui mesmo, pois tudo acontece DENTRO do Planeta Terra.

A diferença básica entre a ação planetária e a ação humana e que a Terra sabe tratar o seu resíduo rapidamente e assim o resíduo não se acumula, não se espalha, não atrapalha e nem degrada o local (Meio Ambiente), onde é lançado. Já o Homo sapiens, infelizmente, só aprendeu a gerar (produzir) resíduo e historicamente nunca achou importante tratar esse tipo de material, até recentemente. Sempre consideramos o lixo como sendo algo muito ruim, mas tão ruim mesmo, que nunca mereceu qualquer preocupação ao longo de nossa história. Pois então, talvez o lixo é realmente algo muito ruim, mas é algo que nós inventamos, criamos e desenvolvemos, por isso cumpre a nós, os seres humanos, a obrigação de cuidar dele, para que não cause nenhum mal a ninguém e nem prejudique o Planeta Terra.

Atualmente, alguns seres humanos já estão pensando de maneira diferente em relação ao lixo e estão tentando imitar a natureza, trabalhando para minimizar os efeitos desenvolvidos ao longo da história com a produção de coisas que “a natureza não conhece e não entende”. Além disso, também existem seres humanos entendendo de maneira mais clara que a expressão “jogar o lixo fora” é falaciosa, pois na verdade, indica apenas uma troca de lugar, mas deixa o lixo aqui mesmo, haja vista que tudo ocorre dentro do planeta. A expressão “jogar o lixo fora” só nos fez estocar cada vez mais materiais que “a natureza não conhece e não entende” dentro do planeta, muitas vezes ocupando espaços nobres ou estragando (poluindo e envenenando) totalmente imensas áreas planetárias. Bem, de minha parte, eu vou torcer e continuar lutando para que essa maneira de pensar ganhe progressivamente mais força e que mais humanos se preocupem com a retirada inconsequente de recursos naturais e com a produção absurda de lixo no planeta.

A única espécie que retira da natureza aquilo que não precisa é a espécie humana e o pior é que depois ainda deixa o resíduo daquilo que não aproveitou. Para minimizar alguns desses problemas tem sido extremamente comum ouvirmos falar em Reciclar, Reaproveitar, Recuperar e Reutilizar. Entretanto é preciso ter em mente que reciclar é benéfico, reaproveitar é o ótimo, recuperar e sensacional, reutilizar é importantíssimo, entretanto, não consumir é que é fundamental. É preciso que o Homo sapiens tenha mais parcimônia e coerência na utilização dos recursos naturais para não exaurir esses recursos que estão cada vez mais escassos, para não degradar o planeta e principalmente para não produzir resíduos que não possam ser tratados.

A mesma modernidade massificante e o mesmo capitalismo selvagem que nos trouxeram o consumismo exacerbado em que a humanidade tem vivido, mormente nos últimos anos, talvez também possam trazer o remédio que trará a cura que estamos precisando para consumir menos, aproveitar mais os recursos naturais e consequentemente produzir menos lixo no planeta. O trabalho é relativamente simples, basta apenas investir com afinco num modo de fazer a humanidade entender que só teremos algumas coisas enquanto a Terra permitir que tenhamos e nós precisamos trabalhar para fazer com que a Terra continue permitindo. Para que a Terra continue fornecendo esses recursos que precisamos, é fundamental começar a propaganda e o “marketing” para que passemos a consumir progressivamente menos. Acredito que perdas econômicas certamente sejam muito mais interessantes do que a possível extinção da espécie em consequência da carência de recursos naturais e do excesso de lixo.

No passado, nós seres humanos, por conta da nossa busca incessante pela felicidade, fizemos muitas coisas erradas. Entretanto, nós estávamos bem-intencionados e não sabíamos que aquelas coisas eram erradas. Infelizmente nós ainda não tínhamos praticamente conhecimento de Ecologia. Hoje, porém, nós não podemos e nem devemos continuar cometendo os mesmos erros do passado, até porque, hoje nós sabemos efetivamente quais são esses erros e continuar a errar conscientemente é idiotice pessoal e loucura coletiva.

A Terra é um planeta único do qual já estamos retirando anualmente cerca de 30% a mais do que seria possível repor em igual período de tempo, isso sem contar o lixo que produzimos e que volto a dizer “a natureza não conhece e não entende”. Isto é, nós já ultrapassamos o limite do possível e começamos a andar contra a realidade física. A persistir assim nessa incongruência a humanidade não terá como se manter. Acredito que esteja na hora de pararmos, refletirmos e refazermos o nosso conceito de felicidade e a nossa noção de qualidade de vida. Podemos começar entendendo que tudo vem da natureza, que apenas nós produzimos lixo e que na verdade nada se joga fora.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (58) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Ambientalista e Escritor;Vice-Presidente da Academia Caçapavense de Letras (ACL); foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava.

Fonte – Luiz Eduardo Corrêa Lima, Portal da Educação / EcoDebate de 11 de julho de 2014

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