Attenborough: a humanidade é uma praga que está destruindo o Planeta

o crescimento da população humana no Holoceno e a 'explosão' no Antropoceno

“O crescimento exponencial infinito das atividades econômicas
é um suicídio para a humanidade”
David Suzuki

David Attenborough, renomado naturalista britânico e apresentador de TV que inovou na defesa do ambientalismo, lançou um alerta pessimista sobre a influência predadora dos seres humanos na redução da biodiversidade da Terra e na destruição dos ecossistemas: “Somos uma praga na Terra” (“We are a plague on Earth”).

Attenborough acredita que o crescimento da população humana, somado ao crescimento da produção e do consumo e do aumento da poluição e dos resíduos sólidos, reduzirá a disponibilidade de solo e água para a produção de alimentos e deve acirrar a disputa por espaço com as demais espécies vivas da Terra.

A humanidade (com seu estilo de vida e a incessante acumulação de capital e riqueza) se tornou uma força implacável de destruição que não respeita o compartilhamento do mundo com outras criaturas. Attenborough diz: “Ou limitamos nosso crescimento populacional ou o mundo natural vai fazer isso por nós, e, de certa forma, a natureza já está fazendo isso para nós agora”.

O rápido crescimento da economia e da população está tornando muito difícil para o mundo conciliar as demandas humanas com os desafios ambientais. Infelizmente, não existe uma discussão real sobre a realidade da superpopulação. Ele diz: “Nós não podemos continuar sustentando altas taxas de crescimento demográfico, porque a Terra é finita e não se pode colocar o infinito em algo que é finito.

Attenborough também adverte que simplesmente reconhecer os problemas não é suficiente, pois é necessário ação. Ele considera que é preciso universalizar os serviços de saúde reprodutiva e investir na educação sexual em todo o mundo, garantindo às mulheres mais controle político sobre seus corpos e acesso aos meios voluntários de regulação da fecundidade, especialmente nos países onde são altas as taxas de gravidez indesejada.

De fato, o futuro da população mundial está em aberto e pode haver um decrescimento demográfico no mundo se houver uma queda relativamente pequena nas taxas de fecundidade. Uma pequena redução do número médio de filhos por mulher pode representar uma diferença de bilhões de pessoas no longo prazo.

Pesquisadores do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), na Áustria, realizaram projeções de longo prazo (2000 a 2300) da população mundial para os cenários do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). As projeções por idade e sexo levaram em consideração um amplo conjunto de hipóteses de fecundidade e três cenários de mortalidade com base em expectativa de vida máxima de 90, 100 e 110 anos. Em artigo publicado na Demographic Research, em 30 de maio de 2013, os demógrafos Stuart Basten, Wolfgang Lutz e Sergei Scherbov apresentam uma síntese do relatório.

Considerando aqui o cenário de expectativa de vida de 90 anos (Eo = 90), a população mundial em 2300, dependendo da Taxa de Fecundidade Total (TFT), pode variar de praticamente zero a 71 bilhões de pessoas, como mostra o gráfico abaixo:

tamanho da população mundial: 2000 a 2300 segundo hipóteses de fecundidade

A população mundial em 2000 era de 6,05 bilhões de habitantes. Se a TFT permanecer no nível de 2,5 filhos por mulher, o número de habitantes globais chegaria a 71 bilhões de pessoas em 2300.

Se a TFT global cair para 2 filhos por mulher (aproximadamente a taxa de reposição), a população mundial chegaria a 9,0 bilhões de habitantes em 2300. Uma queda da taxa de fecundidade para 1,75 filhos por mulher faria a população mundial chegar a 2,74 bilhões de habitantes em 2300. Uma TFT de 1,5 filho por mulher resultaria em uma população mundial de 720 milhões de habitantes em 2300. Uma TFT abaixo de 1 filho por mulher levaria a uma população inferior a 30 milhões de habitantes.

Como exemplo, o Brasil tem atualmente uma TFT próxima de 1,75 filho por mulher. Diversos países (inclusive a China) possuem taxas de fecundidade ainda menores. Caso a fecundidade média do mundo fique no mesmo nível da TFT atual do Brasil, haveria um decrescimento da população mundial para menos da metade dos 7,5 bilhões de habitantes atuais. Portanto, o ambientalista David Attenborough, tem razão em dar ênfase à discussão do planejamento reprodutivo para reduzir o número de pessoas e a pegada ecológica da humanidade.

Em parte, a fecundidade mundial só não cai mais rápido devido ao alto percentual de gravidez indesejada. O Guttmacher Institute publicou, em junho de 2017, um novo estudo apontando para o não atendimento da demanda por métodos contraceptivos nas regiões em desenvolvimento. O estudo mostra que, nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não tem acesso aos métodos modernos de contracepção. Além disso, dezenas de milhões de mulheres não têm acesso a cuidados básicos durante a gravidez e o parto, necessários para protegerem sua saúde e a saúde dos recém-nascidos. O atendimento aos direitos reprodutivos pode contribuir para desacelerar o incremento demográfico (Darroch, 2017).

As preocupações de David Attenborough são pertinentes, pois o crescimento da presença humana na Terra é insustentável, conforme atestam as últimas notícias. Um terço do solo do Planeta está severamente degradado e o solo fértil está sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano, de acordo com o estudo “Perspectiva Global de la Tierra (GLO)” da ONU. A insegurança alimentar que vinha se reduzindo no mundo na última década, voltou a crescer e afetou 815 milhões de pessoas em 2016, o que representa 11% da população mundial. Múltiplas formas de má nutrição ameaçam a saúde de milhões de pessoas. O aumento foi de mais 38 milhões de pessoas em relação ao ano anterior, em grande parte, devido à proliferação de conflitos de guerra e mudanças climáticas, segundo o relatório da FAO: “Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2017”.

No dia 13/11/2017, foi publicada uma carta na revista BioScience, assinada por 15.372 cientistas de 184 países, com o título: “Advertência dos Cientistas à Humanidade: Segundo Aviso”. Trata-se de um verdadeiro alerta para a humanidade que segue um rumo de desenvolvimento insustentável. Em relação ao crescimento populacional a carta diz o seguinte:

– reduzir ainda mais as taxas de fecundidade, garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planejamento familiar voluntário, especialmente onde tais serviços ainda não estão disponíveis.

– estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável a longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital, para evitar miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade.

Portanto, os alertas estão dados. Aumentar a escala antropogênica é irracional e arriscado. Para evitar um desastre social, demográfico e ambiental é preciso evitar que cada vez mais pessoas caem no vício do consumismo e caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico. A solução passa por uma mudança de paradigma do modelo econômico e pela redução da sobrecarga do Planeta. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica per capita, também é preciso reduzir o número de pés, diminuindo a presença ecúmena e aumentando as áreas anecúmenas.

Referências

ALVES, JED. Dia mundial de população e as novas projeções demográficas da ONU, Ecodebate, 10/07/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/07/10/dia-mundial-de-populacao-e-as-novas-projecoes-demograficas-da-onu-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Stuart Basten, Wolfgang Lutz, Sergei Scherbov. Very long range global population scenarios to 2300 and the implications of sustained low fertility. Demographic Research, V. 28, Art 39, 2013, p. 1145-1166
http://www.demographic-research.org/volumes/vol28/39/

DARROCH, J. E. et al. Adding It Up: Investing in Contraception and Maternal and Newborn Health, New York: Guttmacher Institute, 2017.
https://www.guttmacher.org/fact-sheet/adding-it-up-contraception-mnh-2017

O’Neill, D.W., Dietz, R., Jones, N. (Editors), Enough is Enough: Ideas for a sustainable economy in a world of finite resources. The report of the Steady State Economy Conference. Center for the Advancement of the Steady State Economy and Economic Justice for All, UK, 2010.
http://steadystate.org/wp-content/uploads/EnoughIsEnough_FullReport.pdf

Kristin Houser e June Javelosa. David Attenborough: If We Don’t Limit Our Population Growth, the Natural World Will, Futurism, December 19, 2016
https://futurism.com/david-attenborough-if-we-dont-limit-our-population-growth-the-natural-world-will/

Fiona Harvey. “David Attenborough on the scourge of the oceans: I remember being told plastic doesn’t decay, it’s wonderful”, The Guardian, 25 September 2017
https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2017/sep/25/david-attenborough-on-the-scourge-of-the-oceans-i-remember-being-told-plastic-doesnt-decay-its-wonderful

Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade um Segundo Aviso
https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/201711149829620-humanidade-ameaca-terrivel/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

Fonte – EcoDebate de 08 de dezembro de 2017

O banco onde a moeda é o tempo

Relógio

Já ouviu falar no Banco de Tempo? É um banco onde não há juros nem dinheiro, circula apenas tempo: as horas que as pessoas trocam entre si

Já ouviu falar no Banco de Tempo? É um banco onde não há juros nem dinheiro, circula apenas tempo: as horas que as pessoas trocam entre si.

O UniPlanet falou com Rute Castela e Eliana Madeira do Banco de Tempo em Portugal que nos apresentaram este conceito.

UniPlanet (UP): Em que consiste o Banco de Tempo? 

O Banco de Tempo é um sistema de organização de trocas solidárias, que promove o encontro entre a oferta e a procura de serviços, disponibilizados pelos seus membros.

No Banco de Tempo troca-se tempo por tempo; todas as horas têm o mesmo valor e quem participa compromete-se a dar e a receber tempo.
A Rede Nacional do Banco de Tempo é coordenada pelo Graal, entidade que trouxe o Banco de Tempo para Portugal e que ao longo dos últimos 15 anos tem procurado nutrir esta iniciativa: promovendo a criação de novos Bancos de Tempo, apoiando aqueles que estão em funcionamento, estruturando oportunidades regulares de diálogo, encontro e formação de dinamizadores/as do Banco de Tempo, divulgando a iniciativa, concebendo instrumentos operativos e de divulgação e articulando-se com parceiros internacionais.

As agências do Banco de Tempo nascem de parcerias entre o Graal e uma ou mais entidades locais, funcionam inseridas numa comunidade, e é aí que as pessoas se inscrevem como membros e trocam tempo: oferecendo serviços que sabem e têm gosto em fazer e pedindo serviços de que necessitam.
Na prática, quando um membro do Banco de Tempo precisa de um serviço, contacta a sua agência, que, através de uma base de dados online também fornecida pelo Graal, procura um outro membro que o possa realizar. Quem o solicitou passa um cheque de tempo, onde consta a duração do serviço. O membro que prestou o serviço deposita o cheque, que é creditado na sua conta, e poderá obter outros serviços disponibilizados por qualquer outro membro.

UP: Como surgiu o Banco de Tempo em Portugal? Está presente em que cidades? 

O Banco de Tempo chegou a Portugal através do Graal – um movimento internacional de mulheres que tem como missão construir uma cultura do cuidado – que iniciou, no ano 2000, o trabalho de criação das condições para a implementação do Banco de Tempo em Portugal.

O primeiro contacto do Graal com o conceito do Banco de Tempo deu-se num encontro em Barcelona, em 1998, através da Associação Salud Y Família. Esta associação catalã, que estará representada no encontro internacional do dia 30 de novembro, tinha já começado a dinamizar Bancos de Tempo, com inspiração nas iniciativas italianas.

Contando com o apoio de Maria de Lourdes Pintasilgo, o Graal começou em 2000 a trabalhar aspetos regulamentares e a desenvolver instrumentos práticos e operativos para a sua implementação.

Há 15 anos, no início de 2002, foi criada a primeira Agência do Banco de Tempo em Portugal, na cidade de Abrantes.

Entretanto, o Banco de Tempo foi ganhando visibilidade, consolidando-se e assumindo diferentes configurações nos territórios onde ganhou vida. As agências do Banco de Tempo nascem de parcerias entre o Graal e entidades de natureza diversa: Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Associações, Fundações, Escolas, IPSS, Órgãos de Comunicação Social, etc. Há, hoje, 28 agências a funcionar em diversos pontos de Portugal continental e na Madeira.

Quem estiver interessado em saber mais sobre o Banco de Tempo, e saber se há uma agência perto, pode ver essas, e outras, informações no nosso site. Caso não haja uma agência local perto de vós também encontrarão lá informações para criarem uma agência na vossa cidade ou comunidade!

UP: Podem dar-nos exemplos de serviços que são trocados no Banco de Tempo? 

Há uma grande variedade de serviços que são trocados no Banco de Tempo: desde apanhar fruta e legumes, organizar e animar festas, andar a pé, dar lições de cozinha, pequenas reparações, arranjos de carpintaria, de eletricidade…

As ajudas que se desencadeiam entre os membros do Banco de Tempo correspondem, muitas vezes, a pequenos serviços que tipicamente se trocam dentro das redes familiares e entre amigos e que, em alguns casos, dificilmente se encontram no mercado.

Alguns membros procuram no Banco de Tempo serviços que facilitam a organização da sua vida quotidiana, encontrando aqui suporte para situações em que é difícil ir buscar uma criança à escola, ou ir às compras, às finanças, escrever uma carta ou fazer o jantar…Outros membros procuram, sobretudo, serviços ligados ao lazer e ao seu próprio desenvolvimento pessoal. Há quem procure aqui oportunidades para saber mais sobre a cidade e os seus monumentos, para aprofundar os conhecimentos de uma outra língua ou sobre temas diversos. Há quem procure quem lhe ensine a cozinhar, a bordar, a pintar, a usar o computador ou a tratar de plantas.
As trocas mais efetuadas no Banco de Tempo são as lições, nomeadamente as de informática e as de línguas, o acompanhamento (para ir ao médico, a serviços públicos, às compras, para andar a pé…) e arranjos vários como os de costura.

UP: O Banco de Tempo é também um “antídoto” para a solidão. Querem explicar-nos porquê? 

Através das trocas e dos encontros, o Banco de Tempo enriquece o mundo relacional das pessoas que nele participam, joga um papel importante na recuperação, em novos moldes, da solidariedade entre vizinhos e no combate à solidão. Aquilo que é mais referido pelas pessoas que participam neste projeto são as amizades que se constroem, algumas delas bastante “improváveis” uma vez que se cruzam pessoas de idades, gostos e contextos muitos diversos. Esta colaboração entre pessoas de diferentes gerações, proveniências e condições sociais numa base de igualdade e respeito é fulcral para a valorização de todos os tipos de saberes e competências. Todos os serviços valem o tempo que demoram.

Há ainda a destacar o facto desta partilha de talentos facilitar o acesso a serviços que dificilmente poderiam ser obtidos, dado o seu valor de mercado.

O Banco de Tempo suscita questionamentos e incentiva mudanças no modo como vivemos em sociedade.

Cheque do Banco de Tempo

UP: No dia 30 de novembro vai decorrer o “Encontro Internacional dos 15 anos do Banco de Tempo em Portugal”. Podem falar-nos um pouco sobre o programa deste evento? 

Este evento, que terá lugar na Casa do Alentejo em Lisboa, entre as 10h30 e as 17h00, vai contar com um programa muito variado.

De manhã haverá oportunidade de escutar experiências e perspetivas e dialogar com pessoas ligadas ao Banco de Tempo em Portugal, Espanha, Itália e Reino Unido. Teremos presente Sarah Bird Diretora do Timebanking UK, Grazia Pratella, Presidente da “Associazione Nazionale Banche del Tempo”de Itália e Rocío Cuevas, Coordenadora da rede de Bancos de Tempo da Associación Salud y Familia de Barcelona, Eliana Madeira (Rede nacional do Banco de tempo) Lídia Martins (Graal) e contamos ainda com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.

De tarde haverá um momento dedicado às agências e será lançada a publicação “Banco de Tempo|15 anos, 15 histórias”, apresentada por Inês D’Orey, Helena Valentim e Fernando Ilídio. Alguns dos membros fotografados serão entrevistados pela jornalista Fernanda Freitas. O programa em detalhe pode ser consultado aqui.

Poderão participar neste encontro todas as pessoas que nele tenham interesse. A participação no Encontro é gratuita, mas implica inscrição. Qualquer esclarecimento adicional poderá ser obtido através do e-mail graallisboa@gmail.com ou do telefone 21 3546831. 

Objetivos

UP: Onde podemos encontrar mais informação sobre o Banco do Tempo em Portugal?

Para estas e outras informações, para além do nosso site podem contactar-nos através do telefone 213546831 e/ou do endereço eletrónico: graallisboa@gmail.com.

Fonte – The UniPlanet de 27 de novembro de 2017

Conheça 29 paisagens surreais que parecem de outro mundo

E é por isso que precisamos proteger este planeta. Lembrem-se, se destruirmos este, como já estamos fazendo, não teremos outro lugar para habitar. Pelo menos até hoje.

Não é preciso embarcar em um foguete para conhecer paisagens surreais. O nosso próprio planeta é recheado de formações inacreditáveis e surpreendentes.

Por exemplo:

1 – Las Salinas de Torrevieja – Perto da cidade de Torrevieja, na Espanha, encontram-se dois lagos salgados e rosados, chamados Las Salinas de Torrevieja. A causa provável desta cor são algas que liberam um pigmento vermelho sob certas condições.

2 – Cratera de Darvaz – Esta cratera, apelidada de “porta para o inferno”, fica no Turcomenistão. Suas chamas queimam incessantemente desde 1971, quando foi acidentalmente explorado por geólogos.

3 – Termas de Hierapolis e Pamukkale – Na província de Denizli, no oeste da Turquia, termas naturais se estendem pelas cidades de Hierapolis e Pamukkale, datando do século II aC. Formadas por calcite na água, as fontes parecem nuvens brancas deslumbrantes.

4 – Waiotapu Thermal Wonderland – O Waiotapu Thermal Wonderland, na Nova Zelândia, é um local esculpido por milhares de anos de atividade vulcânica. Considerada a atração geotérmica mais colorida e diversificada do país, possui piscinas de lama borbulhantes, terraços minerais e gêiseres.

5 – Lago Natron – O Lago Natron, da Tanzânia, é conhecido por sua tonalidade vermelha profunda. Sua cor rica vem de algas e organismos que amam sal, e atrai milhões de visitantes flamingos de junho a novembro.

6 – Encontro de Ródano e Arve – Em Genebra, os viajantes podem testemunhar a vista majestosa de dois rios colidindo um com o outro. A fonte do rio Ródano é a geleira do Ródano, enquanto o rio Arve é alimentado por geleiras do vale de Chamonix. Quando se encontram, os rios criam uma visão impressionante.

7 – Depressão de Danakil – A Depressão de Danakil, no nordeste da Etiópia, é um dos lugares mais interessantes do planeta, com temperaturas atingindo até 62 graus Celsius. Com dois vulcões ativos, um lago de lava borbulhante, gêiseres, lagoas ácidas e vários depósitos minerais, o local parece algo de outro planeta.

8 – Terraços de arroz de Yunnan – Os terraços de arroz da província chinesa de Yunnan são esculpidos em belas encostas. Diferentes tipos de vegetação emprestam a paisagem seus tons alternados.

9 – Antelope Canyon – O Antelope Canyon, localizado no estado americano do Arizona, é o cânion mais fotografado dos EUA. Os viajantes gostam de registrar a obra-prima de cores enquanto admiram sua textura lisa e ondulada.

10 – Parque Nacional de Göreme – O Parque Nacional de Göreme e os Sítios Ruprestres da Capadócia são paisagens vulcânicas criadas inteiramente por erosão. Isso inclui pináculos apelidados de “chaminés de fadas”, que podem ser vistas em toda esta região da Turquia. Enquanto isso, o Vale da Capadócia é o lar de cavernas de mil anos que ainda podem ser visitadas hoje.

11 – Lago Crescente – O “Lago Crescente” (“Yueyaquan”, em chinês) é uma fonte de água doce na forma de meia lua que fica no deserto de Gobi. Acredita-se que o oásis exista há cerca de 2.000 anos (embora seus níveis de água tenham diminuído), e suas atrações incluem atividades como deslizar nas dunas e andar de camelo.

12 – Lençóis Maranhenses – À primeira vista, as dunas de Lençóis Maranhenses, no nordeste do Brasil, parecem bastante regulares, mas os vales na verdade podem ficar cheios de água, pois as terras baixas geralmente inundam durante a estação úmida. Até peixes vivem nessas piscinas naturais.

13 – Grand Prismatic Spring – Grand Prismatic Spring é uma fonte termal natural americana, localizada no Parque Nacional Yellowstone, em Wyoming. A maior dos EUA, fascina por suas cores deslumbrantes que mudam de tons alaranjados e vermelhos no verão para tons verdes no inverno.

14 – Grand Prismatic Spring – Whitehaven Beach, na Ilha de Whitsunday, na Austrália, é uma enseada na qual a maré desloca a areia branca e a água turquesa ao mesmo tempo, criando uma combinação de tirar o fôlego.

15 – Salar de Uyuni – Durante a estação das chuvas, o Salar de Uyuni, na Bolívia, fica coberto por uma fina camada de água, criando reflexões surreais do céu.

16 – Zao Onsen – Visite a estação termal e de esqui de Zao Onsen, localizada nas montanhas de Yamagata, no Japão, e você verá “árvores de gelo” – árvores que acumulam grandes quantidades de neve e assumem formas fascinantes.

17 – Salinas Grandes – Salinas Grandes é um enorme deserto de sal na Argentina. O campo se estende por 3.700 quilômetros quadrados e inclui piscinas de água salgada.

18 – Ta Prohm – O templo de Ta Prohm, localizado em Angkor, no Camboja, é uma visão incrivelmente fascinante, já que grandes raízes de árvores dominam o solo e a estrutura, crescendo lateralmente ao longo de suas paredes.

19 – Namib Sand Sea – O Namib Sand Sea, localizado na Namíbia, é um deserto costeiro. Os campos de dunas geralmente são cobertos por nevoeiro, criando um ambiente único para uma variedade de vida selvagem.

20 – Kelimutu – O vulcão Kelimutu na ilha de Flores, na Indonésia, é o lar de três lagos coloridos que variam de turquesa a um verde vivo. Os lagos são incrivelmente densos, aumentando a aparência impressionante de suas cores, provavelmente causadas pela dissolução de minerais.

21 – The Wave – A Onda (“The Wave”) é uma formação rochosa de arenito localizada no Paria Canyon-Vermillon Cliffs Wilderness, perto da fronteira dos estados americanos de Arizona e Utah. É conhecida por suas formações coloridas e únicas e pela difícil caminhada necessária para alcançá-las. Além disso, o local só pode ser visitado com uma autorização.

22 – Caño Cristales – O rio Caño Cristales, da Colômbia, é coberto por plantas aquáticas que assumem tons de vermelho, azul, amarelo, laranja e verde sob diferentes condições climáticas. Durante grande parte do ano parece um rio qualquer, mas de junho a dezembro, vira um arco-íris líquido de tirar o fôlego.

23 – Parque Nacional Bryce Canyon – Localizado em Utah, o Parque Nacional Bryce Canyon é o lar mais abundante de estruturas geológicas de cores vivas formadas por erosão, curiosamente chamadas de hoodoos.

24 – White Sands National Monument – O White Sands National Monument, no Novo México (EUA), é o lar da maior duna de gesso do mundo. Com cerca de 442 quilômetros quadrados de dunas brancas, a área parece estar coberta de neve.

25 – Olho do Saara – A Estrutura Richat, também conhecida como o Olho do Saara, fica no meio do deserto do Saara. Com um diâmetro que abrange quase 48 quilômetros, pensa-se que é resultado de erosão.

26 – Parque Nacional dos Lagos Plitvice – O Parque Nacional dos Lagos Plitvice, na Croácia, é um dos mais antigos do sudeste da Europa e o maior da Croácia, com 16 lagos interligados entre a Montanha Mala Kapela e a Montanha Plješivica. Os lagos estão rodeados por exuberantes florestas e cachoeiras, cujas águas criam barragens naturais.

27 – Fly Geyser – O Fly Geyser, do estado americano de Nevada, foi criado através de perfuração de poços acidentais em 1916. Na década de 1960, a água começou a escapar do buraco, criando o gêiser conhecido por suas deslumbrantes cores.

28 – Cavernas de Kamchatka – As cavernas de gelo de Kamchatka, na Rússia, possuem formações deslumbrantes e tons púrpuras, azuis, verdes e amarelos, que surgem quando a luz solar atravessa seu gelo glacial.

29 – Dead Vlei – O Dead Vlei (“pântano morto”), da Namíbia, fica rodeado por algumas das dunas de areia mais altas do mundo e pontilhado por árvores mortas com mais de 900 anos.

Fontes –  ScienceAlert / Natasha Romanzoti, Hipescience de 05 de dezembro de 2017

Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

Este Atlas é resultado de um trabalho intenso que vem sendo desenvolvido nos últimos três anos.

Toda a parte técnica de cartografia e de design foi realizada solidariamente.
A ideia é que as informações aqui contidas possam circular e possam ser um importante instrumento de conscientização e, também, de suporte para políticas públicas que envolvam a proteção da população exposta aos agrotóxicos.

Por tudo isto, estamos disponibilizando uma versão on-line gratuitamente.

Mas, se o leitor(a) puder e desejar contribuir comprando o livro impresso ou doando uma quantia que considerar adequada ao e-book, estaria também colaborando com esta jornada.

Larissa Mies Bombardi
Laboratório de Geografia Agrária
FFLCH – USP, São Paulo, 2017.

Blitz pioneira no Paraná será realizada na noite de sábado em Maringá

A iniciativa vai mobilizar 30 pessoas do Corpo de Bombeiros, Samu e da concessionária de rodovias VIAPAR

Na noite de sábado (9) uma “blitz” diferente será realizada em Maringá. Aproximadamente 30 colaboradores do Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Maringá, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da concessionária de rodovias Viapar vão visitar bares da cidade para divulgar a campanha educativa “É melhor ser o motorista da vez ou a vítima?”. Cada pessoa abordada vai receber orientações sobre os problemas ocasionados pelo álcool, além de informações sobre a conta de um acidente. Isso mesmo: a conta.

Será uma iniciativa pioneira no Paraná, segundo o coordenador geral de Urgência e Emergência de Maringá e coordenador médico do Resgate da VIAPAR, Maurício Lemos. “Nosso principal objetivo será alertar as pessoas sobre os problemas ocasionados pela bebida e a direção. Além da tristeza gerada para as famílias, vamos divulgar os custos de um acidente, que por sinal não são baratos”, comentou, revelando os números. “Quase R$ 80 mil por vítima grave. Você sabe quanto custa uma diária de UTI? R$ 3 mil”.

Lemos planeja levar a campanha para todas as regiões da cidade. “Vamos visitar pelo menos um bar em cada bairro de Maringá, uma iniciativa que deve se estender até o mês de fevereiro”, frisou, lembrando que, neste sábado, todos os envolvidos vão se reunir no quartel do Corpo de Bombeiros [às 22 horas] e, de lá sair em carreata. “A conscientização é uma das melhores ferramentas para que acidentes sejam evitados”.

Preocupação

E o consumo de álcool no Brasil é crescente e realmente preocupa. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em dez anos, aumentou 43,5%, superando a média internacional [6,4 litros]. Com o total de 8,9 litros por habitante, o país aparece na 49º colocação [entre 193 países avaliados] – em 2006 cada brasileiro, a partir de 15 anos, bebia 6,2 litros de álcool, por ano. Na pesquisa, a Lituânia aparece em primeiro [18,2 litros], seguido por Bielorrússia [16,4 litros], Moldávia [15,9] e Rússia [13,9].

Números

No mundo, 3,3 milhões de pessoas morrem todos os anos por consequências da bebida, ou seja, 5,9% de todas as mortes. No grupo de pessoas entre 20 e 39 anos este número é ainda maior: 25% das mortes estão relacionadas diretamente com o consumo de álcool, conforme a OMS.

Fonte – Assessoria de comunicação da VIAPAR de 08 de dezembro de 2017

Europa compra do Brasil comida produzida com agrotóxicos que ela proíbe

Atlas lançado na Geografia-USP mostra que país exporta alimentos com pesticidas banidos pela UE; 27 países importam café regado com 30 venenos que eles vetam

O Brasil exportou para 16 países da Europa mais de 13 milhões de toneladas de soja em 2016. Em grão, triturada, óleo ou farelo. Essa soja foi produzida com nada menos que 150 agrotóxicos diferentes. Detalhe: 35 deles são proibidos na União Europeia. Holanda, Alemanha, Espanha e França foram os principais importadores.

Os dados constam de pesquisa que está sendo lançada nesta segunda-feira (27/11) pelo Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP). A professora Larissa Mies Bombardi vem trabalhando os dados há anos, no Brasil e no Reino Unido. E os apresenta em forma de mapas.

Fonte: Larissa Mies Bombardi/FFLCH-USP

A “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia” aponta uma contradição estrutural: regras rígidas para a produção local, na Europa, mas olhos fechados para os métodos utilizados pelos países exportadores. O lançamento tem debate, hoje, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP).

No caso do algodão o número de agrotóxicos proibidos pela União Europeia e autorizados no Brasil chega a 47. Isso não impede países como Itália, Portugal, Alemanha e França de importarem o produto. O volume de algodão bruto exportado – em boa parte do Mato Grosso e do oeste baiano – é de 11.344 toneladas.

A exportação brasileira de milho em grãos para a Europa ultrapassou 1 milhão de toneladas em 2016. Eles foram produzidos com 120 agrotóxicos – 32 deles proibidos na União Europeia. Saíram de várias Unidades da Federação, com destaque para o Mato Grosso. Quem mais importou foi a Holanda. Depois, Espanha, Portugal e Itália.

A produção de celulose utiliza três agrotóxicos proibidos na Europa. Mas o volume exportado pelo Brasil é alto: 4,7 milhões de toneladas em 2016. O número de países europeus importadores, também: 16. Com Holanda, Itália, França e Bélgica à frente. E Espanha, Reino Unido e Alemanha com volumes significativos.

Do etanol às bananas

O etanol produzido com a cana de açúcar brasileira é importado pelo Reino Unido, pela Holanda e pela Bélgica. A cana é produzida com nada menos que 25 agrotóxicos proibidos pela União Europeia. Sete deles têm classificação toxicológica máxima, a de nível I. Em 2016, esses países importaram do Brasil 71.856 toneladas de etanol.

É o mesmo número de agrotóxicos – 25 – utilizados no Brasil para a produção de arroz. Aos países anteriores se somam, como importadores, a Itália, a Espanha, a Alemanha, Portugal e Lituânia. O produto sai, principalmente, do Rio Grande do Sul.

O trigo produzido no Brasil é banhado de 16 agrotóxicos proibidos na Europa. Entre eles o paraquate, de classificação toxicológica de nível 1. Mesmo assim ele é importado por Portugal – país que também importa cacau regado no Pará e na Bahia com paraquate. (O produto teve banimento gradual previsto em setembro, mas pode ser liberado novamente nesta terça-feira, em Brasília.)

No caso do abacaxi são dez agrotóxicos proibidos na Europa e utilizados nas plantações brasileiras. Eles são exportados para Bélgica, Itália, Espanha, Chipre, Portugal, Alemanha e França. Nove países europeus (Reino Unido, Polônia e Espanha à frente) importam banana plantada com sete pesticidas proibidos na Europa. O numero de agrotóxicos proibidos aumenta na produção brasileira de maçã: são 28 venenos de uso proibidos no Velho Continente.

E tem mais: 14 países europeus importam amendoim banhados também com 12 venenos que eles proíbem. Uvas? Em formato de sucos, uvas frescas ou vinho? Outros 13 venenos proibidos, importados por 16 membros da União Europeia. Laranja, limão e suco de laranja? Dezessete países europeus não se incomodam de importar os produtos banhados com 33 agrotóxicos vetados no continente.

Depois da comida e da sobremesa, uma baforada. São 173 mil toneladas de fumo em folhas originários do Brasil. Consumidos por 19 países europeus. Número de agrotóxicos proibidos por lá? Onze. Se o destinatário final não fuma ele poderá ter tomado um cafezinho. São 980 mi toneladas somente de café cru, que sai de estados como Minas e Espírito Santo para as mesas europeias.  Com 30 agrotóxicos vetados. Países europeus que consomem? Vinte e sete. Isto entre 28 membros da União Europeia. Somente Luxemburgo ficou de fora.

Se foi adicionado açúcar a esse cafezinho, temos mais 25 agrotóxicos de uso proibido na Europa. Os mesmos do etanol – já que o veneno é despejado nas plantações de cana de açúcar. Esse número vale também para a cachaça. Croácia, Romênia, Estônia e Holanda são os principais importadores. Mas neste caso, em 2016, foram 23 países europeus que importaram açúcar brasileiro com agrotóxicos autorizados por aqui – mas proibidos acolá.

Quintal dos agrotóxicos

Tudo isso acontece porque a legislação brasileira é mais flexível e porque se trata de um país de dimensões continentais ainda voltado para a produção agropecuária. A área cultivada com soja no Brasil ultrapassa 33 milhões de hectares. O atlas lançado pela professora Larissa Bombardi mostra que isso representa 10,9 vezes o tamanho da Bélgica, ou 3,6 vezes o tamanho de Portugal. A cana de açúcar ocupa 11,5 milhões de hectares, especialmente em São Paulo. O eucalipto, 7,4 milhões de hectares.

Fonte – Alceu Luís Castilho, De olho nos ruralistas de 27 de novembro de 2017

Foto principal – Eduardo Tavares

Londres vai espalhar bebedouros para reduzir uso de água engarrafada

Londres vai espalhar bebedouros para reduzir uso de água engarrafadaFoto: iStock by Getty Images

O mundo agora compra um milhão de garrafas de plástico por minuto

Na Europa é bastante comum esbarrar com fontes de água pela rua. E essa a aposta do do prefeito de Londres (Inglaterra), Sadiq Khan, que planeja instalar vários pontos de bebedouros em toda a capital, além de estações para encher a garrafinha.

“O prefeito quer ver uma redução na quantidade de garrafas e copos de plástico e pediu aos oficiais da Câmara Municipal que examinem a viabilidade de um esquema piloto de abastecimento de água”, disse um porta-voz da gestão. A medida ainda incentivará os comércios a disponibilizarem água da torneira para as pessoas.

Segundo o The Guardian, as fontes de água potável gratuitas serão fornecidas em locais públicos, como parques e onde há mais circulação de pedestres.

O mesmo jornal, em matéria lançada neste ano, afirmou que o mundo agora compra um milhão de garrafas de plástico por minuto. O dado é baseado em uma pesquisa de mercado da Euromonitor, que o Guardian teve acesso com exclusividade. Segundo o estudo, a China é responsável pela maior parte do aumento da produção de água engarrafada. No ano passado, consumiu 73,8 bilhões de garrafas, mais de 5 bilhões em relação a 2015.

Fonte – CicloVivo de 6 de dezembro de 2017

Alguns tópicos da estratégia de desinformação negacionista

MPWA11

“Há, ainda, aqueles que afirmam suas convicções e conclusões, sem qualquer estudo, pesquisa ou artigo publicado que as amparem. Neste caso, suas convicções são mais relacionadas a fé do que a ciência. A desinformação negacionista consegue ampla divulgação na web por força e empenho de seus militantes. Um estudo interessante [Internet Blogs, Polar Bears, and Climate-Change Denial by Proxy] coloca isto em discussão, demonstrando o empenho e a eficácia da desinformação”.

negacionismo militante abusa da anticiência em uma bem-sucedida campanha de desinformação, ignorando qualquer estudo ou pesquisa contrária, com o objetivo de negar as mudanças climáticas e o aquecimento global antropogênico

Em geral, insistem em desrespeitar e desqualificar autores e comentaristas. Frequentemente ocultos pelo anonimato, abusam da lógica perversa de que é mais fácil desqualificar o outro do que qualificar a si mesmo.

Além disto, insistem na desinformação e na confusão de conceitos.

A desinformação deliberada apenas contribui para alimentar a confusão de conceitos e temas relacionados ao aquecimento global / mudanças climáticas. E desinformação, em qualquer tema, é algo inaceitável.

Senão vejamos alguns pontos da estratégia da desinformação negacionista:

* Criticam e desqualificam a opinião de autores alegando falta de base científica, mas fundamentam suas posições com opiniões que também não apresentam fundamentos/fontes científicas, com destaque para Patrick Moore, que foi dirigente do Greenpeace de 1981 a 1986, mas desde 1991 dedica-se a consultoria corporativa. Clicando aqui é possível conhecer uma interessante lista de alguns de seus clientes.

* Questionam a credibilidade de instituições e organizações internacionalmente reconhecidas e valorizadas, a partir de críticas de blogues anônimos, como o Real Science, supostamente de Steven Goddard. Digo supostamente porque a identificação apenas acontece no endereço web do blogue, que nada informa sobre o autor. Então, quem é Steven Goddard e qual a sua credibilidade? Uma rápida pesquisa no Google indica que é um pseudônimo, ou seja, Real Science é um blogue anônimo. Existem poucas citações deste ‘autor’, além de seus próprios textos e uma das poucas indicações sobre o suposto Steven Goddard está no site Desmogblog . Amplamente denunciado, este blogue foi desativado em maio de 2016.

* No mesmo modelo de dupla lógica, acusam pesquisadores de serem ‘propagandistas com caneta de aluguel’, mas recorrem à opinião de negacionistas profissionais, financiados pela indústria da energia fóssil.

* No mesmo sentido, destacam supostos bilionários interesses econômicos nas energias verdes, como se os interesses econômicos nas energias sujas não fossem de vários trilhões… Na mesma vertente, ressaltam os danos da energia solar e eólica, omitindo os imensos danos sociais, ambientais e de saúde das energias fósseis.

* Questionam recentes pesquisas e estudos, usando referências com mais de uma década. Qualquer estudo de 1980, 1990 ou 2000 usou a melhor metodologia disponível, com os melhores recursos técnicos e tecnológicos da época e de acordo com o conhecimento científico acumulado até aquele momento. Mas a metodologia, os protolocos, os recursos e o conhecimento avançam e por isto o processo de conhecimento também avança. Fixar-se em dados/resultados/análises ultrapassados, como se eles fossem inquestionáveis, na prática, nega que o conhecimento científico está em permanente construção.

* Põe em dúvida estudos publicados em revistas científicas e submetidos a revisão por pares, mas uma das fontes mais citadas pelos negacionistas, Popular Technology.net, não identifica adequadamente seu ‘editor’ e colaboradores, o que impede a definição das responsabilidades legais e acadêmicas. No outro sentido, o blogue Skeptical Science, que questiona o negacionismo, é editado por John Cook, que honestamente é identificado e que explica não ser um cientista climático. Ou ainda, o blogue RealClimate, editado por cientistas climáticos, cita correta e adequadamente a lista de colaboradores. O anonimato é majoritariamente negacionista.

* Afirmam que os estudos e pesquisas que indicam o aquecimento global / mudanças climáticas, são apenas hipóteses, como de fato são. Mas omite que os eventuais e raros estudos / pesquisas negacionistas também são hipóteses. Duplo novamente, tratam corretamente os estudos e pesquisas que indicam o aquecimento global / mudanças climáticas como hipóteses, mas empoderam os estudos, pesquisas ou opiniões negacionistas como se fossem teorias comprovadas.

* ‘Pinçam’ informações de relatórios do IPCC fora de seus contextos, o que impede a correta compreensão. Além disto, ao citar o IPCC não dizem o que ele realmente é e o que faz.

IPCC não ‘‘produz’’ ciência. Seus mais de 2000 pesquisadores, em vários grupos de trabalho e análise, consolidam e sistematizam dados de pesquisas / estudos. Cada relatório do IPCC é resultado da sistematização de centenas de estudos e pesquisas. Assim, cada relatório também revisa o relatório anterior e seus fundamentos, confirmando ou rejeitando conclusões. É natural portanto, que existam diferentes conclusões em seus relatórios, porque, cada um deles espelha sistematização das pesquisas do momento em que foi elaborado. E isto não é um defeito, ao contrário, é um mérito exatamente porque é assim que o conhecimento científico avança.

O processo permanente de revisão do conhecimento é uma das bases fundamentais da ciência e, daí, cabe perguntar se os trabalhos/estudos/pesquisas negacionistas também são revisados e atualizados.

* Usam e abusam da falácia do espantalho, que, aliás, é uma estratégia comum quando não há argumentos a apresentar.

* E, sempre rápidos em acusar os outros de estarem a serviços de interesses econômicos, nunca dizem a que interesses econômicos servem.

* Há, ainda, aqueles que afirmam suas convicções e conclusões, sem qualquer estudo, pesquisa ou artigo publicado que as amparem. Neste caso, suas convicções são mais relacionadas a fé do que a ciência.

A desinformação negacionista consegue ampla divulgação na web por força e empenho de seus militantes. Um estudo interessante [Internet Blogs, Polar Bears, and Climate-Change Denial by Proxy] coloca isto em discussão, demonstrando o empenho e a eficácia da desinformação.

Muitos cientistas, sites de notícias e blogues científicos se esforçam em divulgar informações confiáveis sobre as mudanças climáticas. Um ótimo exemplo a ser citado é o Prof. Alexandre Costa, Dr. em Ciências Atmosféricas, Professor Titular da Universidade Estadual do Ceará, em seu blogue O que você faria se soubesse o que eu sei?, bem como seus ótimos vídeos que se contrapõe à desinformação negacionista.

Mas, um fator indicado na pesquisa, é que o negacionista é militante. Um post negacionista anônimo, em um blogue obscuro, recebe milhares de compartilhamentos e retuítes.

No nosso caso, por exemplo, uma matéria sobre pesquisa climática talvez receba um retuíte ou um compartilhamento. Então, um grande diferencial está no comprometimento do(a) leitor(as), que no caso dos negacionistas é muito efetivo, resultando em ampla divulgação na web, do mesmo modo que acontece com as ‘fake news’.

Como demonstração adicional, vejam, abaixo, uma amostra das matérias exclusivas que publicamos, nos últimos meses, tratando de mudanças climáticas / aquecimento global, nas quais citamos e destacamos as pesquisas publicadas que deram origem às matérias.

Matérias publicadas 

Os oceanos estão se aquecendo rapidamente, diz estudo

Plantas e animais na Inglaterra provavelmente serão significativamente afetados pela mudança climática

Novo estudo indica que o aquecimento do planeta provavelmente será maior do que 2°C até o final do século

Desastres relacionados ao clima podem afetar cerca de dois terços dos europeus até o final deste século

Aquecimento causado por humanos provavelmente causou a recente tendência de temperaturas recordes

Mudanças Climáticas: Estudo estima a tendência de inundações mais intensas nas cidades e secas nas áreas rurais

Regiões áridas podem enfrentar aquecimento de 4°C sob o objetivo do Acordo de Paris

Aumento da temperatura associada às mudanças climáticas acelera a evaporação do Mar Cáspio

Feedback do albedo é um dos principais impulsionadores no recuo do gelo marinho do Ártico

Mudanças Climáticas: Declínio das regiões frias, chamadas zonas periglaciais, agora é inevitável, dizem pesquisadores

Monitoramento do calor oceânico registra o aquecimento global

O Mar Vermelho está se aquecendo mais rápido do que a média global

Emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentaram novamente após um hiato de três anos

Leia mais

Henrique Cortez é jornalista e ambientalista, editor da revista Cidadania & Meio Ambiente e do portal EcoDebate.

Fontes – EcoDebate / IHU de 02 de dezembro de 2017

Pesquisas recentes comprovam o poder das PANC na prevenção de doenças

No início de 2016 publiquei aqui um post sobre as PANC, Plantas Alimentícias Não-Convencionais. Para se ter uma ideia, aqui no Brasil existem cerca de 10 mil espécies de plantas alimentícias e só utilizamos cerca de 300. Isso diminui a regionalidade alimentar e é mais uma prova do aumento da globalização dos nossos hábitos alimentares. As PANC normalmente são vistas como mato, ervas daninhas ou  invasoras das plantações, isso porque elas nascem e crescem sozinhas, sem precisar de nenhum tipo de manejo. O que a maioria das pessoas não sabe é que elas possuem mais nutrientes, fibras, proteínas e compostos bioativos do que as convencionais, principalmente as que são cultivadas em larga escala, com agrotóxicos e solo pobre. Na culinária, as PANC são saborosas e versáteis. E o aumento do seu consumo pode ajudar a combater a fome, a melhorar a renda de pequenos agricultores locais e a preservar o meio ambiente, pois não o agride na sua produção.

De acordo com a nutricionista Valéria Paschoal, autora do livro, Nutrição Funcional & Sustentabilidade, “Para asseguramos que as gerações futuras tenham acesso ao alimento íntegro tanto em quantidade como em qualidade, os profissionais que trabalham com a prescrição e orientação nutricional têm que ter a noção de que a compra que eu faço hoje, no supermercado, de produtos alimentícios, terá um impacto futuro na saúde do meio ambiente e na qualidade dos alimentos produzidos. Temos que trabalhar com alimentos que sejam da nossa biodiversidade, produzidos no Brasil, um país continental, que tem em abundância frutas, verduras e alimentos que não são classicamente consumidos, como as PANC.”. Vou citar aqui os benefícios e as características de algumas delas.

Camu-camu

Foto: Pura Vida

Encontrada nas regiões Norte e Nordeste, essa PANC é rica em potássio, sódio, cálcio, zinco, magnésio, cobre, flavonóides e antocianinas, que ajudam a reduzir possíveis inflamações. Pesquisas comprovam que o seu consumo frequente aumenta a nossa capacidade antioxidante, protegendo as nossas células. Um estudo realizado com fumantes concluiu que o consumo diário do suco de camu camu ajuda a reduzir o estresse oxidativo aumentado pelas toxinas do cigarro. Este potencial antioxidante também foi testado em ratos e foi comprovado o seu poder de aumentar os espermatozóides nos animais, o que pode colaborar com a fertilidade. Ela também tem um papel importante na redução do triglicérides e do colesterol total e ainda colabora com a saúde do nosso fígado. Se não bastasse, possui altas doses de vitamina C, que fortalece o nosso sistema imunológico. Pode ser consumida na sua forma original ou em sucos, compotas ou geleias.

Beldroega

LuisLiberal

Encontrada na região Sudeste, essa hortaliça folhosa tem ramos longos que vão de 20 a 40 cm. De acordo com pesquisas recentes, suas folhas têm uma qualidade nutricional melhor do que a de outros vegetais cultivados. Possui também maior teor de betacaroteno, vitamina C e ácido alfa-linoleico. É muito rica em ômega 3 e em ômega 6, que são antioxidantes, que colaboram com a saúde do fígado e com a eliminação de toxinas. Tem ainda bastante magnésio, que pode prevenir a formação de cálculos renais. Na medicina chinesa a beldroega é usada em forma de chá para combater febres, vermes ou atuar como antisséptico.

Ora-pro-nobis

Em Minas Gerais a planta é consumida normalmente, mas em outros estados do Sudeste, é considerada como não-convencional. Estudos científicos comprovaram o seu poder no aumento na imunidade e na prevenção de alguns tipos de câncer, por conta do alto teor de vitamina A. Ela ainda colabora com o controle da pressão arterial e tem um teor proteico pelo menos duas vezes maior do que o do feijão. É composta também de zinco, que atua como antioxidante, de cálcio e magnésio, que melhoram a saúde óssea e de ácido fólico, que contribui com a diminuição do risco de doenças cardiovasculares.

Taioba

Muito consumida no Rio de Janeiro, mas desconhecida em outros estados do País, esta PANC é rica em fibras, cálcio, magnésio e boro, fundamentais para a saúde óssea, o boro ajuda a reter o cálcio dentro dos ossos e a prevenir a formação de cálculos renais. Tem também cobre e manganês, que ativam nosso sistema imunológico e melhoram a pigmentação do cabelo, por exemplo, evitando o aparecimento de cabelos brancos, causados pelo estresse oxidativo. Ainda é composta por ferro e vitamina C, que devem ser consumidos juntos por quem tem acesso ao ferro por fontes vegetais, que precisa da vitamina C para ser absorvido. Estudos comprovam que a taioba aumenta o bolo fecal, que ajuda a reduzir a gordura do fígado e colabora muito com o funcionamento do intestino, ajudando a prevenir o câncer de colo retal.

Moringa

bermudezkhodzoc

Presente na região Sul essa PANC pode ser consumida em várias partes, sua flor, seu fruto jovem, sua folha e sua raíz, que parece a raíz forte utilizada na culinária japonesa. Foram feitas pesquisas recentes que comprovaram a sua eficácia na eliminação de metais tóxicos, como alumínio, chumbo e flúor, e como consequência, na prevenção do câncer. A planta também é rica em vitamina A, ferro, proteína, vitamina E  e fitoquímicos, que ajudam a reduzir a gordura no fígado.

Caruru ou Bredo

Esta PANC pode ser encontrada em todas as regiões do Brasil, mas é mais popular na Bahia. Nasce no meio das plantações de verduras e tem um papel importante no controle da pressão arterial. Também é rica em zinco, cálcio, magnésio, fibras, compostos fenoicos, que são antiinflamatórios, antioxidantes e podem ajudar na prevenção de casos de Alzhemeir e de Parkinson.

Os especialistas recomendam que as PANC não devem ser consumidas cruas por conta de seus fatores antinutricionais, substâncias que atrapalham a absorção de vitaminas e minerais pelo organismo. Também precisam ser bem higienizadas. Outra dica é optar por aquelas vindas de solos sadios, ou seja, que fiquem distantes de fontes de poluição.

O principal desafio agora é disseminar estas informações para que as pessoas possam identificar as PANC mais próximas e acessíveis e para que saibam diferenciá-las das plantas não comestíveis. “Nosso desejo é que em breve as PANC, não sejam mais alimentos não convencionais, porque a partir do momento que eu passe a consumi-las elas passam a fazer parte do nosso cotidiano alimentar. Chega de consumirmos apenas alimentos convencionais como cenoura, alface, tomate. As PANC são amigas do meio ambiente, são selvagens, resistentes e não precisam de muita água”, complementa Valéria Paschoal. A nutricionista sugere que as PANC sejam utilizadas para compor as hortas das escolas, pois durante as férias a maioria das plantações morre e precisam ser refeitas a cada início de ano letivo, mas as não-convencionais não precisam de muitos cuidados e estarão sempre à disposição dos alunos, assim que as aulas retornarem. Também é uma forma de apresentá-las à população por meio dos estudantes.

Fonte – Juliana Carreiro, O Estado de S. Paulo de 04 de dezembro de 2017

Estudo confirma que pesticidas neonicotinóides são tóxicos para os pássaros

Tico-ticoFoto da capa: Kelly Colgan Azar

Dois dos inseticidas mais usados no mundo têm um efeito tóxico direto nas aves canoras que se alimentam de sementes, diz um novo estudo

Um novo estudo revelou que dois dos inseticidas mais usados no mundo – imidacloprida (neonicotinóide) e clorpirifos (organofosforado) – têm um efeito tóxico direto nas aves canoras que se alimentam de sementes.

“Os estudos sobre os riscos dos neonicotinóides têm incidido nas abelhas, cujas populações têm sofrido declínios. Contudo, não são só as abelhas que estão a ser afetadas por estes inseticidas”, disse Christy Morrissey, professora de biologia da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.

“O que nos surpreendeu foi a rapidez dos efeitos, particularmente da imidacloprida”, contou a professora. “Os pássaros evidenciaram uma perda significativa de massa corporal e sinais de envenenamento agudo (letargia e perda de apetite). Os testes de migração mostraram que as aves não conseguiram orientar-se.”

“Foram observados efeitos com a ingestão do equivalente a apenas três ou quatro sementes de colza tratadas com imidacloprida ou oito grânulos de clorpirifos, por dia, durante três dias”, explicou Margaret Eng, investigadora que liderou o estudo.

Tico-tico-coroado | Foto: Logan Ward

Os neonicotinóides tornaram-se a classe mais popular de inseticidas entre os agricultores.

“Hoje em dia, os agricultores têm acesso a sementes que, em muitos casos, já estão revestidas com neonicotinóides”, contou Christy Morrissey.

“Os pássaros que fazem paragens durante a migração podem estar a comer estas sementes, mas também podem ingerir grânulos de clorpirifos, confundindo-os com areia, algo que comem habitualmente para ajudar a digerir as sementes.”

Juntamente com Margaret Eng, a professora expôs um grupo de tico-ticos-coroados, capturados durante a migração da primavera, a doses realistas de imidacloprida e clorpirifos, durante três dias.

Os resultados mostraram que os neonicotinóides alteraram a orientação migratória das aves e que os animais perderam até 25% das suas reservas de gordura e massa corporal.

“Estes químicos estão a ter um forte impacto nas aves canoras. Estamos a observar perdas de peso significativas e uma alteração considerável na orientação migratória das aves”, explicou Margaret Eng.

“Muitas aves migratórias de pequeno porte utilizam os terrenos agrícolas como zonas de paragem para reabastecer em voos longos. Estes inseticidas neurotóxicos são amplamente usados na América do Norte, mas os seus efeitos na capacidade migratória das aves ainda não tinham sido testados”, disse Bridget Stutchbury, investigadora da Universidade de York, que também colaborou no estudo. “Embora se pensasse que os neonicotinóides tinham uma menor toxicidade para os vertebrados, de facto mostraram-se mais nocivos para estas aves canoras do que os químicos organofosforados, que são mais antigos.”

Margaret Eng disse-se “encorajada” pelo facto de a maioria das aves ter sobrevivido após a cessação da dosagem. “Mas os efeitos que vimos foram suficientemente graves para que as aves provavelmente sofressem atrasos ou mudanças nas suas rotas de voo, que poderiam reduzir as suas hipóteses de sobrevivência ou causar a perda de uma oportunidade de reprodução.”

Para Morrissey, o estudo “poderá ter implicações importantes para as decisões sobre a regulamentação destes pesticidas. A imidacloprida e o clorpirifos são extremamente controversos relativamente à sua segurança para o ambiente ou para os seres humanos e está a ser considerada uma proibição da imidacloprida no Canadá, esperando-se que o governo federal tome uma decisão sobre este inseticida e o seu uso no Canadá em dezembro.”

The UniPlanet de 13 de novembro de 2017