A atual concepção de desenvolvimento é insustentável

“O mundo parece ter encontrado sua grande unidade, que exige de nós uma mudança de ponto de vista – não mais particular, mas holístico, universal, de totalidade. Descobrimos que nós, seres humanos, seres vivos e Terra, formamos um conjunto inseparável.” O pensamento é de Cesar Sanson, do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT. Ele é um dos monitores do Ciclo de Estudos em EAD: Sociedade Sustentável, que inicia no próximo dia 16 de agosto. O Ciclo é uma promoção do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em parceria com o CEPAT. O ciclo é coordenado pelo Prof. Gilberto Faggion.

O doutor em Sociologia questiona a posição tomada pelo Brasil em relação à conservação da Terra. “O Brasil está abrindo mão de utilizar racionalmente os recursos naturais limitados e vem optando por iniciativas preocupantes”. Em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail, ele fala sobre a relação entre desenvolvimento e sustentabilidade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como pensar soluções para a Terra e, ao mesmo tempo, questionar a ideia de desenvolvimento?

Cesar Sanson – É inevitável que ao pensar sobre as possíveis soluções para o planeta Terra não se questione a concepção de desenvolvimento em curso na humanidade. É na concepção de desenvolvimento implantado, especialmente, ao longo dos últimos dois séculos, baseado no paradigma do crescimento econômico ilimitado, na idéia de progresso infinito e na concepção de que os recursos naturais seriam inesgotáveis e de que a nossa intervenção sobre a natureza se daria de maneira neutra que se encontra a razão do impasse que vivemos, ou seja, o acelerado esgotamento do planeta. A equação crescimento ilimitado a partir de recursos limitados não fecha. Portanto, as soluções para a Terra passam pela consciência de que a atual concepção de desenvolvimento manifesta no modo de produzir e consumir é insustentável. Querer compatibilizar soluções para o planeta Terra com a ideia de desenvolvimento impulsionada pela atual dinâmica da globalização é anacrônico.

IHU On-Line – Em quais pontos o conceito de Sociedade Sustentável se choca com a Economia Moderna?

Cesar Sanson – Sociedade Sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras. Esse conceito se choca com os fundamentos da economia moderna, uma vez que parte de uma ideia de progresso infinito e linear e de que os recursos naturais também seriam infinitos. Hoje percebe-se que essa concepção é profundamente equivocada. O antropocentrismo e a racionalidade econômica advinda do liberalismo, pilar da economia moderna, está comprometendo a vida das futuras gerações, ou seja, o atual modo de produção está decidindo a sorte de quem virá depois de nós, deixando-lhes um mundo árido, poluído e feio.

IHU On-Line – A habitabilidade do ser humano na terra é um desafio para a humanidade?

Cesar Sanson – É o maior desafio contemporâneo. A habitalidade é hoje a questão fulcral da humanidade. A Terra já mostrou que tem condições de regeneração, coisa que nós humanos ainda não demonstramos. Iniciamos, portanto, o século XXI colocando as questões relacionadas ao meio ambiente no centro do debate. A ecologia, de oikos, tornou-se um tema que nos faz saltar das particularidades destacadas a uma abordagem unitária, global, planetária. É neste tema que o mundo parece ter encontrado sua grande unidade, que exige de nós uma mudança de ponto de vista – não mais particular, mas holístico, universal, de totalidade. Descobrimos que nós, seres humanos, seres vivos e Terra, formamos um conjunto inseparável. “O destino da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos”, alerta Leonardo Boff. A crise ecológica e consequentemente a habitalidade, devolve à humanidade a consciência de que os destinos humanos e de Gaia são relacionados e interdependentes, estão entrelaçados. O grande e maior desafio no limiar desse século é como salvar a humanidade e ela depende e está inexoravelmente ligada à salvação do planeta.

IHU On-Line – Como as crises ecológica, econômica, energética, alimentar e do trabalho caracterizam nossa sociedade contemporânea?

Cesar Sanson – O mundo está confrontado com uma crise estrutural e não somente conjuntural. As crises econômica, ecológica, alimentar, energética e do trabalho são manifestações de uma crise maior: de modelo de desenvolvimento civilizacional. O conjunto dessas crises exige uma interpretação sistêmica, elas não estão isoladas, são antes de tudo o resultado de determinada forma da sociedade – particularmente da sociedade capitalista – se organizar. Na essência da crise encontra-se o “modo de produzir” e o “modo de consumir” da sociedade mundial que está levando o planeta ao esgotamento. Acrescente-se ainda que o conjunto dessas crises é acompanhado por uma crise ética, ou seja, não se trata apenas de uma crise ancorada nas relações de produção, mas sobretudo uma crise do sentido humano que emerge nessa transição de século. A crise civilizacional manifestada na quíntupla crise – econômica, climática, energética, alimentar e do trabalho – exige uma abordagem a partir do paradigma da complexidade, como propõe Edgar Morin. Trata-se de perceber que “não só a parte está no todo, mas também que o todo está na parte”. Tudo está interligado, entrelaçado, e há uma interdependência entre as crises. Nossos problemas não podem mais ser concebidos como separados uns dos outros.

IHU On-Line – Qual o impacto do modelo econômico mundial sobre a Terra?

Cesar Sanson – O planeta Terra dá sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Os sistemas físicos e biológicos alteram-se rapidamente como nunca antes aconteceu na história da civilização humana. Desde o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de fevereiro de 2007, já não há mais contestação de que o responsável pela evolução acelerada da tragédia ambiental é a ação antropogênica sobre a Terra. À época, o informe dos pesquisadores e cientistas foi categórico e não deixou espaço para dúvidas ao afirmar de forma contundente – o relatório utilizou a expressão “inequívoca” – que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta. “Essa crise ambiental não veio do nada. Não foi desastre natural, foi causada por homens, diz Nicholas Stern – responsável pelo Relatório Stern – extenso estudo sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos. Nosso consumo dos recursos naturais já excede em 30% a capacidade de o planeta se regenerar. Com outras palavras, a espécie humana já necessita hoje de 1,3 planetas para satisfazer suas necessidades e desejos de consumo. A “pegada ecológica” – indicador da pressão exercida sobre o ambiente está muito forte. A média é 2,2 hectare, mas o espaço disponível para regeneração (biocapacidade) é de apenas 1,8 hectare. Avançamos o sinal. Há quem diga que o estrago já foi feito e ponto de retorno já passou. Na análise do ambientalista James Lovelock, Gaia – o organismo vivo que é a Terra – está com febre e se nada, e urgentemente, for feito esse quadro poderá evoluir para o estado de coma.

IHU On-Line – O Brasil tem consciência que está frente a uma crise epocal, manifestada, sobretudo, na crise ecológica?

Cesar Sanson – Não. O Brasil está abrindo mão de utilizar racionalmente os recursos naturais limitados e vem optando por iniciativas preocupantes. O que se percebe é que se por um lado avançou-se para o ganho de uma consciência ecológica maior em relação às gerações anteriores que se traduz na crítica a megaprojetos que agridem o meio ambiente: Itaipu, Balbina, Tucuruí, Transamazônica; por outro, e apesar da consciência dos erros cometidos, o país caminha para outros erros – a metáfora do farol de um automóvel virado para trás: ilumina o trajeto percorrido, mas não aclara o futuro. Assim como a nossa geração lamenta os erros cometidos pelas gerações anteriores, tudo indica que as gerações futuras lamentarão as decisões de hoje. Tome-se como exemplo maior a insistência na construção da hidrelétrica de Belo Monte. O ambientalista Washington Novaes alerta que o Brasil se encontra numa encruzilhada histórica que pode ser decisiva para o futuro de nação soberana e um ganho comparativo mundial. Segundo ele, “um país que tem a biodiversidade que o Brasil tem, os recursos hídricos, a insolação o ano todo, enfim, com a riqueza que o país tem, deveria ter uma estratégia que colocasse esse fator escasso no mundo numa posição privilegiada como base de políticas. Mas essa estratégia não existe”. O país foi acometido pela obsessão do crescimento. Fala-se em “crescer, crescer e crescer”. O país sonha em reeditar o projeto desenvolvimentista de Vargas e JK e transformar o país num canteiro de obras. Fala em destravar o país. A meta-síntese do projeto de país do governo é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC, que manifesta, entretanto, um silêncio absoluto sobre a questão ambiental).

A grande questão posta hoje é que tipo de crescimento econômico queremos. Por muito tempo, inclusive na esquerda, acreditou-se que o crescimento econômico seria a varinha de condão para a resolução de todos os problemas. Particularmente da pobreza. A equação é conhecida. O crescimento econômico produziria um círculo virtuoso: produção-emprego-consumo. Porém, o axioma de que apenas o crescimento econômico torna possível a justiça social não é verdadeiro. Será que o grande projeto brasileiro é transformar todos cidadãos em consumidores? É preciso complexificar o debate. O debate sugerido, a partir do princípio da ‘ecologia da ação’ recomenda que devemos construir uma sociedade que seja sustentável com a natureza, às necessidades humanas presentes e futuras, com uma ética solidária, definidas desde os setores populares, tendo como fim a construção de uma sociedade baseada em valores da solidariedade, liberdade, democracia, justiça e equidade.

Fonte – Instituto Humanitas Unisinos de 29 de julho de 2010

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Sobre o Ciclo de Estudos em EAD: Sociedade Sustentável

O Ciclo de Estudos em Educação à Distância (EAD) – Sociedade Sustentável, através de um debate transdisciplinar e sistêmico, busca relacionar as crises energética, financeira, climática e alimentar, para, a partir delas, caracterizar a crise civilizacional pela qual se passa, como parte do processo de esgotamento do capitalismo e, com isso, identificar os fatores causadores em comum, a fim de pensar em novas possibilidades para a vida em sociedade.  Assim, tem como objetivo fomentar ideias que possibilitem pensar soluções para os problemas enfrentados pelo Planeta devido às ações dos empreendimentos humanos, questionando a ideia de desenvolvimento.

Constata-se que a economia moderna fundamenta-se nos princípios do egoísmo e da escassez, os quais colocam todo o papel na ação egoísta do homem, como preconizou Bernard de Mandeville, e no instinto animal, como indicou Albert Hirschman. Este, inclusive, aponta que a economia se desatrelou da ética. Percebe-se que a racionalidade baseada na escassez precisa ser mudada, pois, somente pela lógica do lucro não se resolve problemas atuais, como os ecológicos, o que acaba por se expressar na insustentabilidade do planeta diante das ações humanas. Ou seja, a habitabilidade da Terra não é mais garantida automaticamente, mas se transformou num desafio para a humanidade. Será que ainda é possível salvar o ecossistema Terra e encontrar outros modos de ser e agir econômica e socialmente?

Surgem outras questões como: Que fundamentos antropológicos auxiliariam a repensar os fundamentos econômicos hegemônicos? Como pensar outro paradigma econômico? Como a economia irá atender às necessidades humanas, que são sempre infinitas, com elementos e ações que têm recursos limitados? Ou seja, como se pode adequar e conciliar o atendimento máximo das necessidades demandadas com os recursos que se tem?

Assim, acredita-se que o atual sistema precisa ser repensado e refundado, pois é possível descobrir outros motivos e meios dignos, interessantes e atraentes para viver do que apenas buscar o lucro. Espera-se que, no mínimo, possa-se alertar para as evidências de que algo não está de acordo na Terra e que as atividades precisam ser pensadas sob uma ótica de sustentabilidade. Pois, o abuso do Planeta atingiu uma escala que supera, em muito, as forças autorreguladoras da natureza. Assim, diante do apresentado e da necessidade de alertar para as evidências ora postas, o presente projeto assume importante relevância na conjuntura atual.

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Prioridade para o setor energético pode inviabilizar a produção de alimentos

Dentro de três anos, a frota brasileira de automóveis movidos a etanol e biodiesel chegará a 15 milhões de unidades. Essa projeção, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), aumentou a demanda por fontes renováveis e colocou a matriz energética brasileira no centro das discussões do governo, investidores e movimentos sociais. Com isso, o Plano Estratégico da Petrobras estabeleceu uma meta de produção anual de 640 milhões de litros de biodiesel e 3,9 bilhões de litros de etanol para o ano de 2013.

José Cláudio da Silva, integrante da Via Campesina, alerta para os riscos de se investir nos agrocombustíveis, sem levar em consideração um outro setor estratégico, a produção de alimentos. “A discussão dos processos de geração de energia deve estar atrelada, sobretudo, à soberania e à segurança alimentar. A produção da cana e da mamona não pode ser mais importante que a do feijão. Da mesma maneira, os projetos das grandes hidrelétricas devem pensar naquela população que está ali em volta, nos camponeses, na produção agrícola e na biodiversidade. Se não for pensado dessa maneira, continuaremos gerando mais impactos sociais”, analisa.

Devido ao alto teor de óleo e à capacidade de se desenvolver em regiões secas, a mamona é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel. Uma linha de financiamento criada a partir de uma parceria entre a Petrobras e o Banco do Brasil destinará recursos para a expansão dessa oleaginosa. A projeção de crescimento da área plantada, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), é de 21% para este ano. Os repasses se darão por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Mercado mundial

Os agrocombustíveis já respondem por 10% do mercado mundial de energia. Anualmente, são utilizados um volume aproximado de 60 bilhões de litros. No Brasil, cerca de 45% da energia e 18% dos combustíveis consumidos são renováveis. Os dois principais combustíveis extraídos de produtos agrícolas no Brasil são o etanol, da cana-de-açúcar, e o biodiesel, que é produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo. A soja representa 75% da produção voltada para o setor.

Sendo considerado o responsável por muitas das principais tensões no atual cenário geopolítico internacional, o petróleo é encarado como uma fonte energética que caminha para o esgotamento e que precisa ser substituída por alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente. Em visita ao Brasil em 2007, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou um acordo com o governo brasileiro que prevê a padronização da produção de etanol, buscando atender parte da demanda mundial.

José Cláudio acredita que a discussão da matriz energética é indissociável do modelo de desenvolvimento econômico. “A produção de energia a partir de hidrelétricas, por exemplo, é pensada para atender às necessidades dos grandes grupos, como é o caso do Grupo Votorantin, na região Norte”, avalia.

Reginaldo Pacheco de Castro, professor de Geografia da rede estadual de Goiás, acrescenta que o atual modelo de desenvolvimento econômico demanda uma capacidade de geração de energia incompatível com as reservas naturais. “O padrão de consumo nas cidades é insustentável. Isso exige uma superexploração, que esgota a capacidade produtiva do solo. Precisamos refletir, também, até que ponto a monocultura voltada para a produção de energia pode beneficiar os agricultores”, afirma.

Agricultura familiar

Até 2013, a Petrobras deverá investir 2,4 bilhões de dólares na produção de biodiesel e etanol. A Zona da Mata, na região Nordeste, é um dos principais focos. Apenas em 2009, os negócios envolvendo a comercialização e processamento da mamona movimentaram R$ 27 milhões. De acordo com o MDA, 41 mil famílias de assentamentos estiveram envolvidas na produção. Uma área de 155 mil hectares foi destinada para as lavouras de oleaginosas na safra 2009/2010.

Para José Cláudio, os produtores da agricultura familiar devem assumir uma outra posição e sair da condição de fornecedores. “No Nordeste, a produção de mamona é voltada para empresas como a Brasil Ecodiesel. É incompatível você pensar em produzir mamona apenas para uma grande esmagadora, uma grande processadora. Poderíamos pensar em unidades de beneficiamento menores, que possibilitassem a utilização do combustível em máquinas do meio rural, como tratores, forrageiras e em casas de produção de farinha.”

O integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Francisnaldo Alves acredita que a produção agrícola com foco na energia deve ser pautada pela sustentabilidade. Para ele, existe uma relação entre a ação predatória do latifúndio com os desastres naturais, cada vez mais freqüentes e intensos. “Antes, era Zona da Mata. Hoje, é zona canavieira. A busca insana por fontes de energia provocou grandes impactos sociais e ambientais, como o êxodo rural e a ocupação dos mananciais de importantes rios. O resultado está aí: desastres ambientais, como as enchentes que destruíram cidades inteiras no nordeste brasileiro”, elucida.

Fonte – Jorge Américo para Brasil de Fato / Portal do Meio Ambiente de 24 de julho de 2010

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Querem ouvir mais outra péssima notícia? Agora os criminosos imbecis da petromáfia também estão utilizando solo fértil e água potável para plantar comida para então transformar esta comida em plástico para fazer sacolas plásticas de uso único que serão utilizadas por meia hora. Isto é um crime ambiental gravíssimo que a petromáfia está cometendo com o aval do desgoverno deste país.

Quando será que as pessoas enxergarão que o planeta não nos pertence? Quando verão que não podemos continuar a devorar este planeta, pois quando nossa geração sumir da face da terra, ainda existirão muitas outras gerações de humanos que necessitarão dos recursos naturais que estamos destruindo e contaminando hoje.

Isso é de um egoísmo criminoso puro. As pessoas não pensam em seus filhos, netos … na sua descendência? Não raciocinam além da novela e do futebol? É muita safadeza só pensar no seu umbigo, no seu conforto, consumir desenfreadamente, mesmo sabendo que os seres de hoje estão destruindo a possibilidade de uma vida digna para os seres de amanhã.

Por que precisamos de uma população menor nos Estados Unidos e como podemos alcançá-lo

Precisamos de uma população menor, a fim de deter a destruição do nosso meio ambiente e criar uma economia que seja sustentável a longo prazo.

Estamos tentando resolver nosso constante agravamento de problemas ambientais sem se confrontar com a sua causa principal: SUPERPOPULAÇÃO.

Se forem mantidas as taxas de fertilidade e de imigração atual, a nossa população, agora mais de 260 milhões passará 400 milhões até o ano de 2050 – e parar a crescer rapidamente

Todos os esforços para salvar nosso meio ambiente acabarão por ser inúteis a menos que nós não só consigamos travar o crescimento da população como também revertê-lo, para que nossa população possa vir a ser estabilizada em um nível sustentável – muito inferior ao que é hoje.

O tamanho ideal da população dos Estados Unidos

A questão central é, sem dúvida, esta: Em que tamanho devemos procurar estabilizar a população E.U.A? A menos que nós sabemos em que direção devemos ser conduzidos, como podemos desenvolver políticas sensatas para nos levar até lá?

O tamanho de nossa população que é finalmente estabilizado é extremamente importante devido ao efeito do grande número de pessoas em tais metas nacionais de importância vital como um ambiente saudável e uma economia sustentável.

Acreditamos que estes objetivos podem ser alcançados com uma população E.U.A na faixa de 125 a 150 milhões, ou sobre a sua dimensão na década de 1940. Este tamanho ideal pode ser alcançado em cerca de três a quatro gerações se fazer duas coisas agora que estão bem ao nosso alcance.

Como atingir esta meta

1. Impor restrições sobre a imigração que iria parar a imigração ilegal e a imigração legal de no máximo 100.000 por ano, incluindo todos os parentes, refugiados e asilados. Só isso já seria suficiente para desacelerar fortemente a crescimento populacional.

2. Diminuir a nossa taxa de fecundidade (número médio de filhos por mulher) de 2,0 a apresentar para cerca de 1,5 e mantê-la nesse nível durante várias décadas. Acreditamos que incentivos financeiros não-coercitivos serão necessários para atingir esse objetivo.

Se quase todas as mulheres não tivessem mais de dois filhos, a nossa taxa de fecundidade cairia para cerca de 1,5, porque muitas mulheres continuam sem filhos por opção, ou optar por não mais de uma criança. Nós promovemos o ideal da família no máximo dois filhos como norma social, porque essa é a chave para reduzir a nossa fertilidade.

Incentivos à baixa fertilidade

NPG propõe estes incentivos para motivar os pais a ter no máximo dois filhos:

* Eliminar a presente isenção do imposto de renda (Federal) para crianças dependentes nascidos após uma data especificada.

* Dar um crédito de imposto de renda federal apenas para aqueles pais que não têm mais do que dois filhos. Aqueles com três ou mais perderia totalmente o crédito.

* Dar uma subvenção anual para os pais de baixa renda que pagam imposto de renda reduzido ou nulo, e que não têm mais dois filhos. Aqueles com três ou mais filhos perderiam o subsídio em dinheiro integralmente. Dois rumos diferentes estão diante de nós

Com a redução da imigração e da fertilidade que defendemos, a nossa nação pudesse começar agora no caminho para uma sociedade sustentável, próspera e, a população de 125 a 150 milhões.

Sem esse programa, estamos quase certos que a nossa estupidez de continuarmos seguindo este caminho nos conduzirá ao abismo. O caminho está nos levando direto para os níveis populacionais catastróficas que só podem devastar o nosso meio ambiente e produzir a pobreza universal em uma nação lotada e poluída.

Anúncio extraído da edição impressa da mais conceituada revista de divulgação cientifica, Scientific American, de 1995 (15 anos atrás).

Propaganda da ONG Norte Americana Negative Population Growth, Inc. (Fundada em 1972 para combater o problema ambiental da Superpopulação nos EUA)

OBSERVAÇÃO: Estima-se que os EUA tenham 700 mil imigrantes brasileiros (legais e ilegais). Imaginem o tamanho do problema com o contingente de imigrantes de todas as partes do mundo.

Fonte: Npg.org / Portal do Meio Ambiente de 25 de julho de 2010

Imagem – we own it

Paraná – Governo completa ciclo de reciclagem em todo Estado

O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso, e o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-Alcoólicas (ABIR), Hoche Pulcherio, assinaram nesta sexta-feira, em Curitiba, um termo de cooperação técnica que garante investimentos de R$ 700 mil em ações ambientais em todo Estado.

Com o projeto apresentado pela ABIR – Multiplicadores ambientais e inclusão social no Estado – o Governo do Estado completa o ciclo de ações ambientais voltadas para a reciclagem em todo o Estado e também prevê capacitação de catadores de materiais recicláveis, aquisição de equipamentos e eventos educativos.

Jorge Augusto ressaltou a importância do termo assinado e a parceria firmada entre o setor público e privado que visam a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental. “São várias as ações ambientais como esta que estão sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado nos últimos meses que contribuem para o cumprimento da legislação ambiental vigente no Estado”, declarou.

As ações que deverão ser realizadas em vários municípios paranaenses entre os meses de julho e dezembro de 2010 cumprem a legislação ambiental no que se refere às embalagens pós-consumo.

Também está previsto no projeto a Capacitação de catadores de materiais recicláveis, objetivando qualidade de vida, cidadania, capacidade empreendedora, utilização adequada das técnicas necessárias à atividade, visão de negócio e sustentabilidade, bem como, a fim de manter o acompanhamento técnico especializado, na forma de consultoria/assessoria a cada uma das associações/cooperativas contempladas.

Para o presidente da ABIR, o projeto apresentado pelo órgão irá contribuir bastante para o meio ambiente e também para a vida das pessoas que trabalham neste setor. “Pra nós é muito importante a parceria firmada com o Governo do Paraná porque o Estado sempre liderou as ações ambientais. Portanto, desenvolvemos um projeto que irá atender todas as exigências ambientais e contribuir para a qualidade de vida das pessoas”, apontou Hoche.

Além disso, serão realizados eventos educativos envolvendo mais de 15 mil crianças, divulgação do projeto mediante a veiculação de peças publicitárias, cartazes, folhetos de caráter educativo, informativo ou de orientação social, com o objetivo de sensibilizar a população para a separação do material reciclável para a coleta seletiva e aquisição de máquinas e equipamentos paras as associações/cooperativas.

PARCERIA – As ações de reciclagem no Estado são coordenadas pelo Programa Desperdício Zero - Leia-se o competentíssimo Laerty Dudas – da Sema e conta com a parceria do grupo G22 + 1 – formado por representantes dos municípios responsáveis por 85% dos resíduos gerados no Estado, a Tetra Pak, Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abipech), Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), Sindibebidas e a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR).

O convênio firmado com o Governo do Estado contou com a participação das seguintes empresas associadas: Chocolate Indústria de Alimentos Ltda, Sococo S/A, Primo Schincariol, Red Bull do Brasil, Alflash, Ultrapan, Brasfrigo, Sig Combibloc, Yoki Alimentos, Cia de Bebidas das Américas, Spaipa e Sucos Del Valle.

“A assinatura representa o esforço que as empresas estão desempenhando e um projeto positivo que irá contribuir para o meio ambiente”, apontou o diretor de assuntos governamentais da Coca-Cola, Victor Bicca Neto.

BALANÇO – Foram várias as reuniões que envolveram diversos setores nos últimos meses realizados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente com o objetivo de cobrar ações ambientais das empresas. O coordenador de Resíduos Sólidos e do Programa Desperdício Zero da Sema, Laerty Dudas, avaliou que foram mobilizados diversos representantes e que os resultados foram surpreendentes.

“Com toda a cobrança e mobilização conseguimos contemplar todo o Estado num plano de ação para o escoamento sustentável dos materiais recicláveis. Temos alguns desafios pela frente, mas estamos no caminho certo”, comenta Dudas.

Fonte -Agência Estadual de Notícias de 09 de julho de 2010

Parabéns ao secretário Callado e sem jamais esquecer do ex-secretário Rasca, que iniciou todo este processo, e principalmente desejamos parabenizar o Dudas pelo seu excelente trabalho, que sabemos ser extenuante, de limpar nosso estado dos resíduos.

Leitores, esse bravo homem – bravo nos dois sentidos – trabalha incansavelmente de sol a sol para acabar com os resíduos em nosso estado e tem conseguido atingir os objetivos do programa desperdício zero, o melhor programa de gerenciamento de resíduos do país, sempre batalhando para cada que setor produtivo assumir sua responsabilidade no gerenciamento pós consumo das embalagens que geram. Vocês não tem idéia das batalhas que o Dudas trava diariamente há anos para conseguir estes resultados.

Londrina, PR – Com exigências, Ibama autoriza abate de pombos

Órgão quer que prefeitura de Londrina envie estimativa da população atual de pombos na cidade, já que último levantamento é de 2004.

O Ibama concedeu autorização oficial para o município abater pombos na área central de Londrina. O documento foi apresentado pelo secretário municipal do Ambiente, José Faraco, durante entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (22).

A autorização é assinada pelo superintendente substituto do Ibama, Douglas Roberto de Moraes.

No entanto, o órgão faz uma série de exigências para o início do abate. Entre elas estão um cronograma de execução, estimativa da população atual de pombos na cidade, apresentação da equipe responsável pelo levantamento e estudos sobre o tipo de ambiente utilizado como dormitório pelas aves.

De acordo com o secretário, a empresa responsável pelo abate das aves será a Inset Control, do Rio de Janeiro. A terceirizada fará levamento sobre o número aproximado de animais para saber quantos serão sacrificados.

O último dado oficial em posse da Sema é datado de 2004 e realizado pela Universidade Estadual de Londrina. Este levantamento apontou 48 mil pombos na cidade.

Ainda segundo Faraco, haverá dispensa de licitação porque a empresa é a única do país a oferecer este tipo de serviço. O valor estimado pelo serviço é de R$ 20 mil.

Enquanto o abate estiver ocorrendo, o Ibama exige relatórios trimestrais com quantidade de aves abatidas. Ao final da validade da licença emitida, o órgão pede um relatório conclusivo com número de animais abatidos, densidade populacional, taxa de emigração/imigração e relatório fotográfico das atividades.

O secretário não soube informar uma data para o início do abate.

Fonte – Bondenews de 22 de julho de 2010

Imagem -  DoYouMindTheGap

Toda e qualquer superpopulação deve ser controlada – inclusive a humana através de vasectomia, implante anticoncepcional subdérmico e outros métodos anticoncepcionais, para pessoas com dois filhos - e temos um problema seríssimo na região, inclusive em Maringá, sede da FUNVERDE, com estas pombas, que estão em todos os lugares e são vetores de transmissão de quase 50 tipos de doenças.

Em Maringá, em 2005, quando a FUNVERDE fazia parte do conselho de defesa do meio ambiente, defendeu o controle da superpopulação das pombas – tendo sido duramente criticada por todas as outras ONGs – e foi a primeira vez que o IBAMA concedeu permissão para controlar estas pombas, mas a prefeitura simplesmente não agiu, perdeu a oportunidade de controlar a população destes bichos e continuamos com o mesmo problema. O terceiro setor fez sua parte e o primeiro, para variar …

O que Maringá não fez o secretário de londrina quando assumiu o cargo em junho de 2010 prometeu e um mês depois já está cumprindo a promessa. Pois é, prioridades diferentes, pessoas diferentes. Parabéns ao secretário Faraco.

Matéria na Record sobre o Projeto Canto das Ervas

Veja abaixo a primeira matéria sobre o Projeto Canto das Ervas, feito pela Record, projeto que desenvolvemos desde abril de 2009 em vários locais públicos de Maringá.

Saiba mais sobre o projeto em http://www.funverde.org.br/blog/canto-das-ervas.

Jornal Nacional fala sobre lei das sacolas do estado do Rio de Janeiro

Sensacional o comentário da Renata Vasconcellos aos 2 minutos e 40  segundos do vídeo, que simplesmente acabou com os 18,6 milhões que a plastimorte e seus maléficos patrões petromáfia investiram para iludir a sociedade, com o discursinho jaguara de que o plástico é fantático.

Paraná – Aprovado projeto que proíbe circo de usar animais

Depois de quase três anos de polêmica, foi aprovado por unanimidade em segunda votação ontem, na Assembleia Legislativa do Paraná, o projeto de lei que proíbe a utilização de animais em espetáculos circenses que passarem pelo Estado.

Na primeira votação, apenas três deputados votaram contra o projeto. Depois de muita conversa com entidades de proteção aos animais, eles mudaram de ideia. “A beleza do circo é a arte e o trabalho do ser humano, não a escravidão e o sofrimento dos animais”, lembra Soraya Simon, presidente voluntária da Sociedade Protetora dos Animais.

O projeto, de iniciativa do deputado estadual Luiz Nishimori (PSDB), segue a linha de projetos já aprovados em Curitiba e em estados como Rio de Janeiro, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

“Tentamos de todas as formas mostrar como este projeto é importante. Foram várias reuniões com organizações de defesa dos direitos dos animais e com os próprios deputados, para que levassem adiante essa proposta”, disse Rosane, que é membro da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembleia.

“Esta lei, quando aprovada, vai acabar com os maus-tratos aos animais de circo, que muitas vezes são mantidos em condições precárias de higiene e alimentação, sem contar com os cruéis métodos de adestramento. Além disso, os espetáculos não vão perder em nada sem os animais, vão sim valorizar ainda mais os artistas, os verdadeiros símbolos desta arte”, complementou.

“Segundo o Ibama, os animais passam dias em jaulas de 3 metros, os macacos têm os dentes arrancados, tigres e leões têm as garras arrancadas. O elefante, por exemplo, que teria que caminhar mais de 40km por dia, passa a vida inteira parado no cativeiro, acorrentado. É isso que não pode acontecer”, ressalta o deputado.

O projeto seguirá para sanção do governo estadual. Se aprovado, caso seja constatada a participação de animais selvagens ou domésticos em apresentações circenses, o espetáculo pode ser interditado, o circo perde a lincença de funcionamento e pode receber multa. O projeto recebeu duas emendas e não proíbe animais em rodeios ou exposições em feiras agropecuárias.

Novo circo

A Associação Londrinense de Circo já trabalha com a linguagem do novo circo, que não utiliza animais em suas apresentações, mas o presidente da associação, Paulo Líbano, não concorda com o projeto de lei aprovado.

“Já houve agressão há algum tempo, mas agora não tem mais disso, mesmo porque não é agredindo que se convence um animal a fazer o que você quer. O certo seria ter uma fiscalização para punir quem realmente machuca os animais, porque eu conheço muitos circos que não tratam os animais assim e serão prejudicados com a lei”, garante.

Soraya discorda. “O animal selvagem só é dominado pelo medo, por isso o treinamento dele envolve tortura. Eles nasceram para viver em liberdade na natureza, e não para servir o homem”, ressalta.

Parabéns ao renomado médico pediatra de Maringá que deu a idéia ao deputado Nishimori para a criação desta lei. Tudo começou quando este pediatra convidou sua filha para ir ao circo e ela se recusou, porque discordava da presença de animais em circo. Poderia ter parado por aí, mas este médico ao invés de ficar somente indignado com a presença dos animais no circo foi além, pois a indignação gerou a ação que mudou os circos em todo o estado do Paraná.

Se humanos querem se divertir, que façam o espetáculo e não explorem mais os animais para sua diversão.

Fonte – Paraná Online de 23 de junho de 2010

Foto – Mute* Reportage

PROJETO DE LEI Nº 737/2007

DECRETA:

Art. 1º Fica proibida, em todo o território parana­ense, a apresentação, a manutenção e a utilização, sob qualquer pretexto ou justificativa, de animais selváticos e/ou domésticos, sejam nativos ou exóticos, em espetácu­los circenses ou quaisquer outros que explorem esses tipos de animais.

Art. 2º Fica excluída da proibição de que trata o artigo 1º desta lei, a presença de animais domésticos de estimação, desde que permaneçam em companhia de seu donos e não sejam utilizados como exibição pública.

Art. 3º A referência do artigo anterior, não exime das responsabilidades legais ou penais, os seus donos em eventuais danos morais ou físicos.

Art. 4º Isenta-se da proibição prevista no artigo 1º os eventos de natureza científica, educacional ou proteci­onal, sem fins lucrativos.

Art. 5º A desobediência ao contido nesta lei, impli­cará nas seguintes sanções:

I – Interdição imediata do espetáculo:

II – Cancelamento da licença de funcionamento da empresa promotora de espetáculo;

III – Pagamento de multa a ser estipulada pelo órgão expedidor do alvará de funcionamento.

Art. 6º O contido nesta lei, não impede as sanções previstas em programas de proteção aos animais em sua área de abrangência, nos municípios que os tenham regu­lamentados.

Art. 7º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões, em 17.10.07.

(a) LUIZ NISHIMORI

JUSTIFICATIVA:

Para justificar o presente projeto de lei, fomos bus­car primeiramente o seu amparo legal, tendo em vista a necessidade de se buscar uma regulamentação que pro­teja os animais e que não fira qualquer princípio legal.

A Constituição Federal afirma em seu artigo 24, inciso VI:

Compete à união, aos estados e ao distrito federal legislar sobre: VI – florestas, caça, pesca, fauna, conser­vação da natureza, defesa do solo e dos recursos natu­rais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;

A mesma Carta Magna, no capítulo VI, artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII, diz:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente eco­logicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futura gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou subme­tam os animais à crueldade.

Ainda, existe o amparo da Constituição Estadual que em seu capítulo V – do meio ambiente – artigo 207, parágrafo 1º, inciso XIV, onde diz:

Art. 207. Todos têm direito ao meio ambiente eco­logicamente equilibrado, bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao estado, aos municípios e à coletividade o dever de defendê-lo e pre­servá-lo para as gerações presente e futuras, garantindo-se a proteção dos ecossistemas e uso racional dos recur­sos ambientais.

§ 1º Cabe ao Poder Público, na forma da lei, para assegurar a efetividade deste direito:

XIV – Proteger a fauna, em especial as espécies raras e ameaçadas de extinção, vedadas as práticas que coloquem em risco a sua função ecológica ou submetam os animais à crueldade.

Assim, chamadas para testemunhar, ambas as Constituições Federal e Estadual, e, estando comprovado o fato de que os animais de circo são, frequentemente, mutilados, expostos a técnicas cruéis de adestramento e apresentados em público em situações que ferem a digni­dade de sua espécie, principalmente, diante das crianças que são a nossa geração futura, dificultando a sua relação com o meio ambiente;

Considerando, que a manutenção desses animais por ser bastante onerosa, normalmente não é suficiente em quantidade e qualidade para o sustento dos animais, e;

Considerando, ainda, a questão ética da exposição desses animais ao ridículo, muitas vezes, o que pode pro­vocar a irritação desses animais, fazendo rebelar-se e colocar em risco a presença do público que assiste ao espetáculo (sic). Esse risco pode ser sanitário ou de segu­rança física. Risco sanitários porque a ausência total ou parcial de um controle adequado do estado de saúde dos animais, pode ser levar a transmissão de doenças – inclu­sive zoonoses – nos municípios por onde o espetáculo passe. O risco sanitário porque a ausência total ou parcial de um controle adequado do estado de saúde dos animais, pode levar a transmissão de doenças – inclusives zoono­ses – nos municípios por onde o espetáculo passe.

O risco de segurança física, pode advir de aciden­tes fatais já ocorridos em nosso país, envolvendo esses animais, devido a precariedade da segurança oferecida durante a apresentação dos espetáculos. Esse risco de aci­dentes pode ser compactuado pelas prefeituras que forne­cem o alvará de funcionamento.

Além disso, existe o fator de qualidade e tamanho das jaulas ou outro espaço físico disponibilizados para os animais, contrariando totalmente a sua natureza. Sem contar a falta de cuidados veterinários que faltam aos ani­mais expostos.

Assim sendo, busco o apoio dos demais pares desta Casa, para a aprovação da presente lei, que outra coisa não pretende senão proibir a utilização dos animais acima citados em espetáculos circenses ou de qualquer outra natureza, que não sejam os de conservação da fauna em território do estado do Paraná.

REDAÇÃO FINAL

PROJETO DE LEI Nº 737/2007

DECRETA:

Art. 1º Fica proibida, em todo o território parana­enses, a apresentação, a manutenção e a utilização, sob qualquer pretexto ou justificativa, de animais selváticos e/ou domésticos, sejam nativos ou exóticos, em espetácu­los circenses.

Art. 2º Fica excluída da proibição de que trata o artigo 1º desta lei, a presença de animais domésticos de estimação, desde que permaneçam em companhia de seus donos.

Parágrafo Único. Os circos só poderá de desfazer dos animais quando os mesmos forem recebidos por zoo­lógicos ou similares.

Art. 3º A referência do artigo anterior, não exime das responsabilidades legais ou penais, os seus donos em eventuais danos morais ou físicos.

Art. 4º A desobediência ao contido nesta lei, impli­cará nas seguintes sanções:

I – interdição imediata do espetáculo;

II – cancelamento da licença de funcionamento da empresa promotora de espetáculo;

III – pagamento de multa a ser estipulada pelo órgão expedidor do alvará de funcionamento.

Art. 5º Independentemente das sanções previstas na presente lei, poderá sofrer outras sanções federais ou municipais, bem como o devido processo criminal perti­nente.

Art. 6º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Plástico chega à Antártida remota

Estudo mostra que lixo produtizo pelo homem atinge locais não habitados e impacta a vida marinha

O lixo produzido pelos homens tem chegado a áreas remotas do oceano na região antártica e o plástico é o material que mais preocupa. É o que mostra um estudo feito por pesquisadores da British Antarctic Survey e do Greenpeace a partir dos dados obtidos a bordo de dois navios – o RRS James Clarck Ross e o MV Speranza. As embarcações percorreram as partes leste e oeste da região antártica.

Leandra Gonçalves, ligada ao Greenpeace e uma das autoras do estudo, diz que foram encontrados “restos de materiais de pesca, muitas caixas plásticas e micropartículas plásticas”. As sacolas, diferentemente do que ocorre em outras regiões, não foram vistas em grande quantidade. Os resultados foram aceitos para publicação na revista Marine Environmental Research em maio e serão divulgados na edição de agosto.

O texto diz que, de 69 itens vistos pelo MV Speranza, 43% eram materiais plásticos. No caso dos 59 itens observados pelo navio RRS James Clarck Ross, 41% também eram plásticos. Com isso, a vida selvagem – peixes, golfinhos, focas, leões e elefantes marinhos – fica mais vulnerável. Eles sofrem ao engolir plásticos e podem morrer sufocados ou enforcados pelo material.

Fonte – Afra Balazina, Jornal O Estado de São Paulo de 15 de julho de 2010

E a máfia do plástico ainda continua com a afirmação estapafúrdia de que OS PLÁSTICOS SÃO FANTÁSTICOS! Para eles o lucro é somente o que importa e quanto à poluição que causam … Ah, isso não é problema deles, nunca!

Importâncias

Não importa se você tem 10 ou 60 anos.

Não importa seu sexo.

Não importa se você é negro, branco, asiático ou tem outra cor qualquer.

Não importa o que você pensa.

Não importa se tem filhos.

Não importa seu país e nem suas fronteiras.

Não importa se você gosta de mar.

Não importa quem você ama e nem quem você deixou de amar.

Não importa se você gosta de cachorro, gato ou se tem um lagarto na sua casa.

Não importa pra onde você vai viajar.

Não importa se você gosta ou não de árvores.

Não importa se você está com fome, com sede ou apenas com vontade.

Não importa se você vai de carro, bicicleta ou de ônibus.

Na verdade, nem importa se você vai.

Não importa se você tem experiência, se é bonito ou se tem talento.

Não importa se você é um gênio.

Não importa se você é burro e ignorante.

Se a gente não cuidar da Terra, nada mais importa!

 

Fonte – Site Energia Eficiente

Imagem -  woodleywonderworks

Asfalto com borracha de pneu dura 30% mais que asfalto comum

Asfalto-borracha

O Brasil possui um sistema de transporte apoiado essencialmente em rodovias, mas suas estradas têm pavimentos antigos, dimensionados com misturas convencionais, em constante processo de deterioração.

Agora, um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina comprovou o potencial de uma tecnologia direcionada a colaborar com a solução desse problema.

O trabalho avaliou o chamado “asfalto-borracha”, uma mistura de betume com granulado de borracha de pneus.

“O desenvolvimento de pesquisas de novas misturas e de métodos eficientes de dimensionamento torna-se absolutamente necessário diante da realidade do Brasil. As composições estudadas neste trabalho são uma alternativa para a melhoria dos nossos pavimentos em termos de durabilidade, segurança e economia, em relação às opções convencionais”, explica a autora do trabalho, professora Liseane Padilha Thives.

Problema dos pneus usados

As misturas com betume modificado com borracha de pneus usados têm sido empregadas com o objetivo de melhorar a capacidade estrutural de pavimentos novos ou que precisam ser recuperados. São, também, uma alternativa para o problema do depósito inadequado dos pneus usados.

Embora o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) exija que as empresas fabricantes e as importadoras coletem e deem uma destinação final ambientalmente correta aos pneus usados, eles muitas vezes são depositados em locais inapropriados e se transformam e locais de proliferação de roedores e de insetos transmissores de doenças.

Borracha de pneu no asfalto

A investigação da professora Liseane procurou avaliar as propriedades e o desempenho mecânico de misturas com asfalto-borracha, otimizando a composição com a melhor capacidade estrutural e desempenho mecânico.

Comparados à composição convencional, os resultados mostraram que a incorporação da borracha no asfalto produz melhorias como aumento na resistência à fadiga e à deformação da mistura asfáltica. Melhora também a capacidade de retardar a propagação de trincas nos revestimentos asfálticos.

A utilização da mistura do betume com a borracha, e posteriormente com agregados, não é uma tecnologia nova. Nos Estados Unidos é utilizada há pelo menos 40 anos. No Brasil, a partir da década de 90, foram iniciados estudos sobre o assunto, mas o material ainda precisava de avaliações do comportamento mecânico para prever seu uso como camada de revestimento.

A composição é produzida com pneu usado triturado por meio de dois processos (ambiente e criogênico), formando a borracha granulada que, adicionada ao asfalto, dá origem ao asfalto-borracha. Para a professora, é uma tecnologia avançada, embora tenha 40 anos.

Encontros do Asfalto

Segundo Liseane, sua pesquisa possibilitou uma análise de custo/benefício e mostrou que a redução de espessura das camadas betuminosas de desgaste e a mistura asfalto-borracha conduziram a uma economia de até 32% em relação ao material convencional.

Seu trabalho recebeu, no mês de maio, o prêmio de melhor tese no biênio 2008/2010 na área de pavimentação rodoviária do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). A premiação é concedida a cada dois anos nos Encontros de Asfalto, organizados pelo Instituto para a melhor tese desenvolvida no âmbito das universidades brasileiras.

O trabalho de Liseane foi desenvolvido por meio de um convênio entre da Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade do Minho, de Portugal. Teve orientação do professor Glicério Trichês, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC, e dos professores Paulo António Alves Pereira e Jorge C. Pais, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade portuguesa.

Fonte – Natália Izidoro, Site Inovação Tecnológica de 15 junho de 2010

Foto – ms4jah 

Política Nacional de Resíduos Sólidos

Política Nacional de Resíduos Sólidos é o marco de uma batalha que começa daqui para a frente e reforça o movimento ambientalista. Frase é do presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, que observa ser difícil acreditar que o Brasil não tivesse uma lei de resíduos sólidos.

Após mais de 20 anos no Congresso, foi aprovado na semana passada o Projeto de Lei 203-B/1991, que regulamenta a reciclagem e disciplina o manejo dos resíduos por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ainda aguardando a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto foi apresentado em 1989 e analisado somente em 1991, voltando a pauta em 2001 pelo então deputado Emerson Kapaz.

“É difícil de acreditar que um país grande e urbanizado como o Brasil não tivesse até agora uma lei de resíduos sólidos”, afirma José Goldemberg, presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). Como a discussão a respeito do tema se delongava no Congresso, a ausência de uma lei que regulasse o setor permitiu até então uma variedade de situações que não eram benéficas para ninguém, principalmente para a saúde pública. A edição de algumas resoluções pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) veio suprir a lacuna legal, cuidando das questões urgentes com a fixação de critérios técnicos para o assunto, entre elas a Política Nacional de Educação Ambiental (lei 9.795/99) e posteriores Estatuto da Cidade (10.257/01) e Política Nacional de Saneamento Básico (lei 11.445/07).

“A lei é o marco de uma batalha que começa daqui para a frente e reforça o movimento ambientalista”, assinala Goldemberg. Segundo ele, a lei é complicada por envolver diversos setores da sociedade, incluindo os catadores de lixo, porém um grande progresso, pois dá instrumentos ao Ministério Público para fiscalizar e punir, criando novos instrumentos de pressão às práticas inadequadas. Se for sancionada pelo presidente Lula (há uma tendência para tal), os governos municipais, estaduais e federal, juntamente com os setores industrial e de comércio e serviços terão quatro anos para se adaptarem. O lixo remanescente da reciclagem irá para os aterros sanitários, que vão substituir os lixões. Porém, essa não será uma tarefa fácil. “Em São Paulo, a Cetesb levou dez anos para acabar com os lixões. Esses problemas terão de ser resolvidos em paralelo”, pondera Goldemberg. De acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), que embasaram o projeto, 59% do lixo produzido no Brasil tem como destino os lixões contra 13% encaminhados para aterros sanitários (destinação correta). Ainda segundo os mesmos levantamentos, dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008.

Em relação ao conteúdo material, a proposta reforça os princípios já fixados em outras leis ligadas ao tema, acrescentando ferramentas que poderão auxiliar no planejamento integrado e compartilhado do gerenciamento de resíduos. Neste sentido, destacam-se a obrigatoriedade de elaboração dos Planos de Gerenciamento de Resíduos por parte do Poder Público e pelos Geradores. O texto indica também quais são os critérios para a elaboração dos mencionados planos, bem como a indicação daqueles que são obrigados a apresentá-los (em evidente inspiração no Estatuto da Cidade). Os municípios com menos de 30 mil habitantes de população urbana, por exemplo, poderão apresentar um Plano Simplificado de Gerenciamento de Resíduos.

É importante lembrar que, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE, apurado em 2000, apenas 63 municípios brasileiros possuem população urbana superior a 30 mil habitantes. Isso significa que, de acordo com o projeto, apenas 8,65% dos municípios seriam obrigados a elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos mais detalhado. Todos os demais municípios (91,34%) estariam incumbidos apenas da elaboração do plano simplificado.

Fonte – FECOMÉRCIO, MixLegal nº 04 de 19 de julho de 2010

FGV-EAESP encerra no próximo dia 23 inscrições para o 5º prêmio de responsabilidade social e sustentabilidade no varejo

O Centro de Excelência em Varejo (GVcev) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) encerra as inscrições na próxima sexta-feira, 23 de julho de 2010, para o 5º Prêmio de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo. Realizado a cada dois anos, o prêmio tem como objetivo reconhecer e incentivar projetos desenvolvidos sobre o tema por empresas e entidades varejistas de todo o Brasil.

As inscrições ainda podem ser feitas pelo site www.varejosustentavel.com.br ou pelo Correio. Podem participar empresas e entidades varejistas de todo território nacional, de qualquer porte ou segmento do varejo, que estejam desenvolvendo projetos de responsabilidade social e sustentabilidade iniciados até 31 de março de 2010.

Os interessados podem inscrever seus projetos em seis categorias: Microempresa (até 20 funcionários), Pequena Empresa (de 21 a 100 funcionários), Média Empresa (de 101 a 500 funcionários), Grande Empresa (acima de 501 funcionários), Shopping Center e Entidade Varejista. Vale ressaltar que não há limite de inscrições por categoria. As empresas ou entidades varejistas podem inscrever quantos projetos desejarem.

Julgamento

Um comitê técnico, formado por instituições de reconhecida atuação nas áreas de responsabilidade social e sustentabilidade, ficará responsável pela escolha de três finalistas, um em cada categoria, e uma comissão de premiação, com personalidades da área, avaliará os projetos e escolherá um vencedor para cada categoria.

A FUNVERDE tem o prazer de participar do comitê técnico de julgamento.

Premiação

Os finalistas receberão certificados e terão seus projetos publicados no Banco de Práticas de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo. Os vencedores ainda receberão troféu de mérito, cortesias para participação nos Seminários do GVcev – Centro de Excelência em Varejo e seus projetos serão apresentados no evento de premiação.

A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 28 de outubro de 2010, durante o 8º Seminário de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, no Auditório da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo/SP.

O Prêmio

Em sua 5ª edição, o Prêmio quer reforçar a importância do varejo como um agente de transformação da realidade social, ambiental e econômica do País, tendo em vista sua intensa relação com a comunidade, o meio ambiente e as pessoas.

Nas quatro edições anteriores, o Prêmio recebeu 463 projetos inscritos por empresas e entidades varejistas de todas as regiões, dos mais diversos portes e segmentos do varejo brasileiro. Os projetos inscritos nas edições anteriores podem ser consultados no Banco de Práticas de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, no Portal Varejo Sustentável – www.varejosustentavel.com.br.

O Prêmio é uma iniciativa do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, desenvolvido pelo Centro de Excelência em Varejo (GVcev) da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), coordenado pelos professores Jacques Gelman e Roberta Cardoso e patrocinado pela Philip Morris Brasil e Whirlpool Latin America.

Confira o regulamento no site www.varejosustentavel.com.br ou entre em contato pelos telefones 11 3799-3276 ou 3799-3654 para saber mais sobre o Prêmio.

O exemplo de Xanxerê

Para quem pensa que, quando se mexe no bolso das pessoas, a conscientização fica mais fácil, Xanxerê é um exemplo concreto.

Diferente do que se pode imaginar, a idéia de não distribuir mais as sacolas de plástico tradicionais veio das próprias redes de supermercado da cidade de pouco mais de 40 mil habitantes, no interior de Santa Catarina.

Preocupados com o uso abusivo das sacolas e ligados nas tendências mundiais, os supermercadistas decidiram vender em vez de distribuir as sacolas em suas lojas. O foco, no entanto, era a importância da reutilização – fosse de uma sacola de pano ou de plástico ou uma caixa de papelão.

Na Secretaria Municipal do Meio Ambiente e em outras entidades locais, encontraram o apoio que precisavam para efetivar a idéia da conscientização. O projeto, que durou seis meses, teve imprensa, escolas e associações de moradores como grandes alvos.

- Sem uma rede de apoiadores não é possível mudar nada – garante Edson Marció, supermercadista e um dos coordenadores do projeto.

Para banir as embalagens plásticas, sacolas retornáveis foram disponibilizadas a preço de custo, e cerca de 3 mil unidades foram doadas para famílias carantes da cidade. Hoje, a unidade de sacola plástica tradicional é vendida por R$ 0,10, e a de papel, por R$ 0,25, em 90% dos supermercados locais. Os que não fazem parte do projeto são, em sua maioria, pequenos armazéns.

Um ano depois do início da campanha, os números podem surpreender até mesmo os céticos. Mais de 84% da população diz ter se adaptado à nova realidade, e um número ainda maior, 86% garante aprovar o uso das sacolas retornáveis.

Dessa forma, mais 11 cidades no oeste de Santa Catarina replicaram o projeto e outras quatro estão em fase de implantação. Todas com o apoio de Xanxerê, que deixou de consumir cerca de 40 toneladas de sacolas em um ano de projeto.

Zero Hora de 05 de julho de 2010

Xanxerê é um exemplo que deve ser seguido por todas as 5.500 cidades do País, pois o consumo mensal da cidade era de um milhão de sacolas e depois de banirem as sacolas plásticas de uso único, diminuíram a geração de 10% de todo o lixo da cidada, que é o que representa o uso de sacolas plásticas de uso único.

Jundiaí, SP – Consumidores se preparam para deixar de lado as sacolas plásticas

Dia 30 de agosto é a data marcada para que as grandes redes de supermercados e lojas deixem, de uma vez por todas, de entregar as sacolas plásticas para que o consumidor carregue suas compras. Esta é uma iniciativa, em Jundiaí, da APAS (Associação Paulista de Supermercados), desenvolvida em parceria com o Russi Supermercados, com objetivo de preservar o Meio Ambiente.

Nesta manhã (13 de julho), um grupo composto por cerca de 100 supermercados esteve reunido na Câmara dos Dirigentes Lojistas para definir as peças publicitárias que serão utilizadas nesta campanha de conscientização voltada à população.

Segundo Edvaldo Bronzeri, vice-presidente da APAS e presidente da rede parceira de supermercados, todo material será padronizado e utilizado por toda rede supermercadista.

“As sacolinhas convencionais demoram 400 anos para se decompor. No passado não a utilizávamos e tínhamos outros meios de carregar nossas compras… no futuro não deixará de ser diferente. Substituiremos as sacolas plásticas por sacolas elaboradas com material compostável (amido de milho), que demoram 180 dias para se decompor e ainda vira adubo” explicou ele.

Ahãm, usar terra fértil e água potável para plantar comida que deve alimentar os humanos para transformar em sacolas que serão utilizadas por meia hora. Muito esperto, muito inteligente … Edvaldo, quando alguém faminto te pedir um prato de comida, ofereça a esta pessoa um sacola feita de comida.

O Sincomerciários de Jundiaí e Região, por meio do presidente Claudio Oliveira da Silva, tem apoiado a iniciativa e divulgado em sua mídia própria a campanha.

“Temos de estar unidos em prol do Meio Ambiente. É aqui que viverão nossos descendentes e não podemos mais ‘sufocar’ o planeta. Temos de dar as mãos e fazer aquilo que está em nosso alcance objetivando o desenvolvimento sustentável do Planeta. A iniciativa da APAS é excelente e apoiamos”, frisou Claudio.

A previsão é de que até 30 de agosto os estoques de sacolas dos supermercados que aderiram a iniciativa já tenha acabado. O projeto conta com apoio do Procon Jundiaí e da Prefeitura do Município, que tem legislação própria prevendo a não utilização deste material e só não a colocou em prática ainda devido esta iniciativa saudável.

As sacolas biodegradáveis serão vendidas nos supermercados por R$ 0,19 cada – preço de custo. As redes arcarão com os impostos. O cliente também poderá optar por levar sacolas de pano ou ainda, segundo orientações do Procon, solicitar (se houver disponível) caixas de papelão no próprio mercado para carregar suas compras.

Para Valdeir Aleixo Soares, copeira, não havia iniciativa melhor. Ela, que foi às compras no final de semana, já levou suas próprias sacolas de material biodegradável.

“Levei cinco sacolas. Aderi à campanha e acho que todos os consumidores têm de tirar o chapéu para a iniciativa. Não precisamos de sacolas plásticas. Pense pelo seguinte lado: elas são pequenas, não cabe quase nada, são frágeis e a gente, no nosso egoísmo, utilizávamos somente para depois reutilizarmos em nossos cestos de lixo. Agora carregamos tudo em menos sacolas e em casa fazemos um lixão apenas com sacos próprios de lixo. Como gosto de costurar, também vou providenciar mais sacolas para minhas compras e de minha família. Parabéns à APAS. O Meio Ambiente agradece”, disse Valdeir.

Fonte – Letícia Giassetti, Jornal de Itupeva, 14 de julho de 2010

Quando lemos o título da matéria, pensamos que era mais uma cidade a banir as sacolas de uso único, mas não, era a maldita idéia de usar solo fértil e água limpa, recursos naturais cada vez mais escassos, para fazer sacola de comida. Haja saco!

Vamos parar com as idéias esdrúxulas e bizzaras para resolver o problema da plastificação planetária? Não temos que reinventar a roda, apenas dar um passo atrás, quando usávamos embalagens retornáveis para carregar o que comprávamos. Vamos parar de inventar sacolas de comida, sacolas de papel e apenas dar um basta na sacolamania, banindo as malditas sacolas de uso único.

Qual será o deputado ou senador que terá consciência  para propor a seguinte lei federal: A partir de 31 de dezembro de 2010, fica proibida a fabricação, comercialização e distribuição de sacolas de uso único, não importando o material de que sejam feitas. Qualquer cidadão sendo visto portando uma simples sacola, será multado e em caso de reincidência, preso. Em caso de fiscalização, a fábrica ou varejo em que for encontrada qualquer sacola será multada e em caso de reincidência, fechada, encerrada a atividade na fábrica ou varejo. Simples assim! Eficaz assim!

Quando é que as pessoas irão perceber que a única alternativa é banir a sacola de uso único? Quando é que as pessoas irão agir e usar somente sacolas retornáveis? Até entendemos que com o preço das sacolas de comida a 19 centavos, as pessoas irão, por economia, levar suas próprias sacolas, mas o mais racional a se fazer é uma lei para banir sacolas de uso único do varejo, seja de que material for. Temos que cortar o mal pela raiz e nos esquecer que um dia fomos consumistas a tal ponto que levávamos nossas compras em sacolas de uso único, totalmente desnecessárias. Esta é uma página da história que temos que virar, se quisermos sobreviver.

RJ – Uso de sacolas plásticas no comércio do Rio fica restrito a partir de sexta-feira

O uso de sacolas plásticas para embalar mercadorias fica restrito no Rio de Janeiro a partir de sexta-feira (16), com a entrada em vigor da Lei nº 5.502 de 2009. Os parlamentares da Assembleia Legislativa do estado tinham aprovado o adiamento para janeiro de 2011, mas o Diário Oficial do estado publicou nesta terça-feira (13) o veto do governador Sérgio Cabral.

Parabéns governador, por enfrentar a máfia do plástico e ao Minc por propor a lei.

Também na sexta-feira, fiscais da Secretaria do Ambiente vão a supermercados e lojas para garantir a aplicação da lei. O órgão informou, no entanto, que inicialmente eles vão realizar ações educativas e não está prevista a aplicação de multa, que pode chegar a R$ 20 mil.

De acordo com o presidente da Associação de Supermercados do Rio de Janeiro, Aylton Fornari, o comércio vem se adaptando há algum tempo às novas regras.

“Estamos preparados para cumprir essa lei, os mercados vão dar desconto de 3 centavos em cada cinco itens para quem não quiser levar a sacola. E vão disponibilizar outros tipos de sacolas reforçadas, como de lona e ráfia, que possam ser reutilizadas. Isso já vem acontecendo há algum tempo, mas sexta começa a fiscalização da mudança do sistema”, destacou Fornari.

O comércio popular também terá de observar a lei. O presidente da Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega (Saara), Ênio Bittencourt, diz que será difícil mudar em tão puco tempo e reclama da falta de alternativas.

“A gente vai fazer o que for possível, porque o comércio popular utiliza muito esse material. Vai ficar meio apertado o prazo, vamos tentar diminuir, porque não nos apresentaram nenhuma alternativa”, disse Bittencourt, que representa comerciantes do maior centro de comércio popular da cidade.

Ênio, como assim, “pouco tempo”, “prazo apertado”? A lei concedeu um ano para adaptação do varejo! Quanto tempo mais você quer? Quem se recusa a mudar em um ano não irá mudar jamais. E quanto à falta de alternativa, venda sacolas retornáveis, como seus pais e avós usaram a vida inteira. Faça-nos o favor, pare de reclamar e adapte-se. A humanidade e o planeta agradecem.

Rosângela de Souza, que trabalha numa papelaria na Praça Mauá, no centro do Rio, reclamou da falta de informação, apesar de ser a favor da preservação do meio ambiente.

“Tem mais é que mudar mesmo, o que pudermos fazer para melhorar o meio ambiente será ótimo, o planeta agradece. Mas faltou informação, porque no nosso caso acabamos de comprar um estoque para seis meses de sacola plástica. Não sabemos o que vai ser feito ainda”, disse a vendedora.

Envie as sacolas para a reciclagem, Rosângela. Não faltou informação coisíssima nenhuma, o varejo sabia muito bem do prazo, mas fez que não viu, porque não interessava ver.

Em quase um ano da campanha Saco É um Saco, do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Secretaria do Ambiente do estado, foram recolhidos mais de 600 milhões de sacolas plásticas no Rio de Janeiro. A assessoria da Secretaria do Ambiente informou que a campanha vai ser intensificada com o objetivo de esclarecer a população sobre os prejuízos que o plástico causa ao meio ambiente, já que a decomposição do material leva até 500 anos.

Lembrem-se de que hoje mais de 20 bilhões de sacolas são usadas e jogadas no Brasil por ano desde a década de 80 do século passado, moramos num país em que a reciclagem não chega a 1% e que das 5.500 cidades, pouco mais de 10% conta com aterro sanitário, as outras todas tem apenas lixões a céu aberto e menos de 10% das cidades tem coleta seletiva organizada pelas prefeituras.

O que estamos esperando para banir as sacolas? Estamos esperando caminhar sobre sacolas, plastificar o planeta inteiro antes de mudarmos nossos péssimos hábitos de consumo? Mude o mundo, use sacola retornável.

Espírito Santo – Lei sobre sacolas será julgada em definitivo pelo Plenário do STF, sem apreciação liminar

Será julgada em definitivo pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), sem prévia análise de pedido de liminar, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4431, ajuizada pela Associação Brasileira da Indústria de Material Plástico (Abiplast) contra lei capixaba que torna obrigatório o uso deembalagens oxibiodegradáveis (OBPs) para acondicionamento de produtospelo comércio local.

A decisão foi tomada pelo relator da ADI, ministro Eros Grau, que, por entender que a matéria se reveste “de indiscutível relevância”, decidiu aplicar o preceito do artigo 12 da Lei 9.868/199 (que trata do julgamento de ADIs), para evitar tomar uma decisão liminar, na fase inicial de tramitação da ação. Ele prefere que o Plenário da Suprema Corte já julgue a matéria em caráter definitivo.

Na ADI, a Abiplast alega a violação de diversos dispositivos da Constituição Federal (CF) pela lei impugnada (Lei n º 8.7456/2007). Entre eles está o artigo 24, inciso VI e parágrafo 4º, segundo os quais a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.

Pois é né, a lei estava valendo desde 12 de dezembro de 2007, portanto mais de um ano funcionando perfeitamente, quando a máfia do plástico decidiu que ela não valeria mais e que eles iriam acabar com a lei, pois ela estava servindo de exemplo para outros estados se livrarem do plástico que dura 500 anos e acabando com o lucro da petromáfia. Como o poder econômico das máfias é muito grande, a humanidade e o planeta acabam perdendo, sempre.

LEI Nº 8 745/2007

Obriga os estabelecimentos comerciais do Estado do Espírito Santo a utilizarem para o acondicionamento de produtos embalagens plásticas oxi-biodegradáveis – OBPs.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

Faço saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Ficam obrigados os estabelecimentos comerciais do Estado do Espírito Santo a utilizar para o acondicionamento de produtos e mercadorias em geral embalagens plásticas oxi-biodegradáveis – OBPs quando estas embalagens possuírem características de transitoriedade.

Parágrafo único. Entende-se por embalagem plástica oxi-biodegradável aquela que apresente degradação inicial por oxidação acelerada por luz e calor e posterior capacidade de ser biodegradada por microorganismos e que os resíduos finais não sejam eco-tóxicos.

Art. 2º As embalagens devem atender aos seguintes requisitos:

I – degradar ou desintegrar por oxidação em fragmentos em um período de tempo especificado;

II – biodegradar – tendo como resultado CO2, água e biomassa;

III – os produtos resultantes da biodegradação não devem ser eco-tóxicos ou danosos ao meio ambiente;

IV – plástico, quando compostado, não deve impactar negativamente a qualidade do composto, bem como do meio ambiente.

Art. 3º Os estabelecimentos comerciais terão prazo de 1 (um) ano a contar da data de publicação desta Lei para substituir as sacolas comuns pelas biodegradáveis.

Art. 4º VETADO.

Art. 5º Esta Lei restringe-se às embalagens fornecidas pelos estabelecimentos comerciais, excetuando-se, portanto, as embalagens originais das mercadorias.

Art. 6º O descumprimento das disposições contidas nesta Lei, acarretará ao infrator o pagamento de multa no valor de 3.000 (três mil) Valores de Referência do Tesouro Estadual – VRTEs.

Parágrafo único. Na reincidência, a multa será aplicada em dobro.

Art. 7º VETADO

Art. 8º As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotação orçamentária própria, suplementada se necessário.

Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio da Fonte Grande, em Vitória, 10 de dezembro de 2007.

PAULO CESAR HARTUNG GOMES
Governador do Estado

(D.O. de 12/12/2007)

 

Medicamentos do Programa Dose Certa são entregues em sacolas ecológicas

Remédios são oferecidos à população de SP por 21 unidades na capital e região metropolitana

Os medicamentos oferecidos à população pelas 21 unidades do Programa Dose Certa na capital paulista e região metropolitana agora são entregues em sacolas ecológicas. O novo tipo de material utiliza plástico reciclado, com tempo de decomposição 133 vezes menor que as sacolas comuns.

O material usado é o d2w, substância que, adicionada ao plástico, reduz sua decomposição na natureza de 200 anos para 18 meses.

A ideia de desenvolver essa nova sacola surgiu de uma demanda da Ouvidoria da Fundação para o Remédio Popular (Furp), órgão da Secretaria da Saúde de São Paulo responsável pelas Farmácias Dose Certa. A Furp registrou alguns questionamentos sobre a utilização das sacolas plásticas convencionais que agridem o meio ambiente.

Assim, foram feitas pesquisas e estudos e após várias opções, como papel, papel reciclado, tecido e estopa, entre outros. A utilização do d2w foi avaliada como a mais viável e eficaz.

“Essa é uma iniciativa que vem ao encontro da preocupação mundial em torno do meio ambiente. Com as novas sacolas ecológicas, o Sistema Único de Saúde (SUS) de São Paulo garante medicamentos de graça à população com a necessária dose de preservação ambiental”, afirma o superintendente da Furp, Rubens Scaff.

Características e vantagens das novas sacolas do programa:

- São confeccionadas com plástico reciclado;

- São biodegradáveis;

- Quando descartadas, causarão menor impacto ao meio ambiente, por causa da decomposição acelerada;

- Têm frases educativas e prazo de validade no verso;

É importante que as sacolas sejam mantidas em local seco, sem luz solar direta e a temperatura inferior a 29ºC.

Farmácias Dose Certa

Criadas para ampliar o acesso da população do município de São Paulo aos medicamentos do Programa Dose Certa, as Farmácias Dose Certa têm 20 unidades na capital, localizadas em pontos estratégicos e de fácil acesso (estações do Metrô, da CPTM, de ônibus, hospitais e ambulatórios).

São distribuídos gratuitamente cerca de 67 tipos de produtos. As unidades pertencem à Secretaria de Estado da Saúde e são operacionalizadas pela Furp. Ainda há uma farmácia localizada no município de Cotia, que beneficia mais de 40 mil moradores da região e usuários do SUS.

Cada unidade conta com um farmacêutico e uma equipe de atendentes treinados para orientar os usuários sobre o uso correto de medicamentos. As Farmácias Dose Certa oferecem medicamentos gratuitamente à população, mediante apresentação da receita médica emitida pelo SUS.

Fonte – Estadão de 16 de julho de 2010

O valor da diversidade

Quanto vale uma borboleta? Colar etiquetas de preço em espécies individuais parece absurdo, mas é precisamente isso que alguns economistas tentam fazer. Uma nova perspectiva para impedir a destruição

A biodiversidade, vasta rede de todas as formas de vida, é infinitamente valiosa. Um tesouro precioso demais para que, simplesmente, possamos atribuir-lhe valor em dinheiro. Essa opinião é tão aceita quanto respeitável. A única fatalidade é que ela também constitui um convite para considerarmos a natureza viva como um presente gratuito e ainda assim arruiná-la, sempre que houver uma perspectiva de lucro a curto prazo. Para impedir essa destruição, os ecologistas estão se unindo aos economistas. Eles tentam calcular em euros, até os centavos, o valor agregado à produtividade de abelhas e castores, manguezais e recifes de corais. O princípio de uma nova revolução no pensamento econômico

Doutor Antitumor

A vinca rosea (Catharanthus roseus), de Madagáscar, contém substâncias de efeito altamente benéfico nas terapias para o tratamento da leucemia. Nos anos 60, o conglomerado farmacêutico Eli Lilly descobriu a planta medicinal na farmacopeia da floresta tropical, e isolou o ingrediente ativo para o remédio anticancerígeno Vincristin. Mas Madagáscar, o país originário do recurso genético do ingrediente, não se beneficiou de nada disso. Para evitar esse tipo de “biopirataria” e garantir uma participação financeira justa aos países originários, foi criada a Convenção da Biodiversidade, assinada por quase todas as nações do mundo, exceto os Estados Unidos. Dez dos medicamentos mais bem-sucedidos mundialmente originam-se de fontes naturais. De acordo com cálculos da ONU, só com os medicamentos fabricados com a vinca rósea de Madagáscar, a Eli Lilly gera um movimento anual de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 243,58 milhões)

Ganhos vistosos

Turistas mergulhadores apreciam recifes de corais saudáveis, que abrigam muitos habitantes multicoloridos, como o peixe-anjo-real (Pygoplites diacanthus). Menos óbvio é que a proteção dos corais também beneficia os pescadores. Mas os cálculos de custo-benefício provam que todos desfrutam do trato consciencioso do mundo submarino. Nas Filipinas, mais de um milhão de pescadores costeiros e suas famílias dependem do que é extraído do mar. E nos lugares aonde a população participa do “gerenciamento de recifes”, as recompensas são visíveis. Os lucros obtidos com a pesca racional e o turismo de mergulho suplantam os ganhos registrados com a pesca com dinamite por hectare em 2.400 euros (aproximadamente R$ 5.855,79)

Operário florestal

O trabalho ocorre em perfeita harmonia. Para estocar provisões para o inverno, os gaios-comuns (Garrulus glandarius) catam as melhores glandes (popularmente chamadas de ‘bolotas’) dos carvalhos no outono. Por voo, as aves carregam de 6 a 8 frutos no bico e no papo e os enterram em “depósitos” de terra fofa. Esse transporte se repete a cada 10min. Desse modo, cada ave esconde até 7.000 glandes, pelo menos o dobro da quantidade que de fato comerá durante o inverno. Com frequência, os frutos não consumidos brotam, um serviço bem aproveitado por diversas reservas florestais na Alemanha, que passaram a dispensar o trabalho humano e deixam a renovação de suas florestas propositalmente a cargo dos gaios. Economia por árvore: 1 euro (cerca de R$ 2,43)

Animais selvagens

Para adquirir um exemplar de aligátor americano (Alligator mississippiensis) em uma fazenda de reprodução, um zoológico europeu gasta 2.500 euros. Mas de que nos serviria a proteção de seus parentes que vivem em liberdade e para os quais não existe um mercado de oferta e procura? Pesquisadores da Flórida analisaram os índices de perdas de animais na reserva do Parque Estadual Jonathan Dickinson, e constataram que, em 4 anos, 256 anfíbios e répteis morreram atropelados em acidentes de trânsito, inclusive 4 aligátores, que sucumbiram ao lado de tartarugas, cobras e sapos. Medidas adequadas de proteção, como barreiras, túneis ou o controle rigoroso de velocidade, poderiam ter evitado grande parte dessas colisões fatais. Para viabilizar medidas protetoras, dizem os cientistas, bastaria uma soma por animal, muito abaixo da paga pelos zoológicos por um aligátor: US$ 500,00 (aproximadamente R$ 900,00)

Indispensável

Como animal doméstico, que excursiona pelos campos, florestas e lavouras, a abelha-europeia (Apis mellifera) é insubstituível. Os estoques mundiais dos apicultores são calculados em 3 bilhões de exemplares. Mas para a economia humana, as operárias aladas não são relevantes apenas como fornecedoras de mel. Muito mais importante é sua diligência na polinização das plantas e flores, tanto na natureza selvagem, como na agricultura.
Frutas, verduras e leguminosas precisam dos insetos para formar sementes. Para muitas espécies, as abelhas-europeias são polinizadoras vitais. Uma equipe de pesquisa da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, calculou que as frutas polinizadas por abelhas geram, anualmente, um movimento de US$ 14,6 bilhões cerca de R$ 26,30 bilhões)

Depósitos favoráveis

Comercialmente, pântanos e charcos têm uma fama ruim. Tratores e dragas afundam e, na melhor hipótese, só a extração de turfa é rentável. Portanto, durante muito tempo, o lema era: drenar! No entanto na era da sensibilidade climática, o aprendizado é constante. Apenas 3% da massa terrestre do planeta é constituída por terras úmidas, entretanto, elas retêm 30% do carbono armazenado no solo. Por isso, a recuperação de antigos pântanos e charcos drenados é vantajosa para o equilíbrio do dióxido de carbono.

Por essa razão, em breve o amieiro (Alnus glutinosa), uma espécie típica de pântanos baixos, deverá tornar-se novamente frequente. Em comparação com a construção de depósitos tecnológicos de CO2, a restauração dos pântanos economiza, por tonelada de CO2, até 749 euros (por volta de R$ 1.818,38)

As senhoras da terra

Para os egípcios, as minhocas (Lumbricidae) eram sagradas. Aristóteles as chamou de “tripas da terra”. Darwin cantou sua importância. Com razão. Essas incansáveis criaturas perfuram o loess (limo calcário) e a argila, arejam e afofam o solo, aumentando sua capacidade de absorção de água e disponibilizando minerais e nutrientes para as plantas. O mundo dispõe de um bilhão de hectares de terras úteis para a agricultura. Embora a densidade populacional de minhocas varie conforme o tipo de solo, essas ativistas do subsolo produzem, em média, uma tonelada de terra fértil por hectare/ano. Pesquisadores neozelandeses calcularam o benefício resultante só dessa formação de humo, hectare por hectare: 2,50 euros (aproximadamente R$ 6,08)

Coleta lucrativa

Muitas espécies de fungos comestíveis crescem exclusivamente na natureza silvestre e resistem obstinadamente a qualquer tentativa de criação planificada. As dádivas da natureza não só complementam o cardápio de conhecedores que gostam de passear em florestas, mas também constituem um importante fator econômico. No famoso Mushroom trail (Trilha dos cogumelos), no noroeste da América do Norte, milhares de coletores vasculham as imensas áreas florestais que se estendem do estado de Montana até o Alasca, em busca de cogumelos morel (Morchella), para revendê-los. O comércio leste-oeste europeu ainda é enriquecido por boletos-baios (Xerocomus badius) e cogumelos porcini (Boletus), mas principalmente por cantarelos (Cantharellus cibarius). O valor de mercado anual mundial só para esta última espécie é calculado em 1,3 bilhões de euros (cerca de R$ 3,16 bilhões)

Guardiões dos peixes

Eles crescem há 60 milhões de anos como florestas em águas salgadas cálidas. Ainda existem 170.000 km2 de terras costeiras cobertos por manguezais (aqui, um broto de Rhizophora mangle): 25% dos litorais tropicais. Sua densa e emaranhada base de raízes é estação de crescimento para peixes, caranguejos, e moluscos.

Além disso, o cinturão de manguezais constitui barreiras naturais contra grandes cheias súbitas, proteção contra erosão e ainda proporciona lenha e madeira de construção para os habitantes próximos. Entretanto, mais de 30% de toda a vegetação original de mangues já foi destruído por atividades de construção, fazendas de criação de camarão e outros tipos de aquicultura, o que constitui um grande fiasco ecológico e financeiro. Na Tailândia, por exemplo, o rendimento do uso tradicional dos manguezais, em comparação com as criações de camarão, gera, por hectare 1.400 euros (aproximadamente R$ 3.406, 41)

Filigranas saneadoras

 

O caniço-de-água (Phragmites australis) costuma brotar em margens aquáticas silvestres. Ele constitui um local de nidificação e espaço vital para libélulas e aves, que se escondem entre suas canas densas e finas. E funciona como uma instalação de saneamento. O caniçal absorve nitrogênio e, assim, combate a adubação excessiva das águas. Suas raízes filtram automaticamente a água corrente suja. Além disso, os caniços ocos transportam oxigênio para a água, um pré-requisito decisivo para a decomposição de substâncias tóxicas por micro-organismos. Ecologistas calcularam, para a região intermediária do Rio Elba, na Alemanha, a economia gerada por caniçais saneadores naturais em comparação com instalações de saneamento técnicas por ano: 7,7 milhões de euros (por volta de R$ 18,73 milhões)

Só uma borboletinha?

A borboleta da espécie Glaucopsyche teleius está ameaçada. Para sobreviver, ela necessita de campinas abertas que não sejam aparadas em julho, quando ela deposita seus ovos. Mas é justamente nessa época que o feno apresenta uma boa qualidade e, por isso, a espécie está desaparecendo notavelmente das pradarias.

Será que os cidadãos estariam dispostos a fazer contribuições em um fundo, para indenizar os agricultores por períodos de corte desfavoráveis e, desse modo, ajudar a aumentar novamente a população de Glaucopsyche teleius?

Pesquisadores investigaram a “disposição fictícia de pagamento” em uma localidade no sul da Alemanha: 71% dos entrevistados estariam dispostos a assumir o encargo financeiro – com um valor médio anual de 10 euros (cerca de R$ 24,33)

Secreções valiosas

Cuidado! As viúvas-negras (aqui, Latrodectus hesperus) produzem o veneno latrotoxina, que ataca o sistema nervoso central e confunde a transmissão de sinais entre nervos e músculos. As consequências típicas de sua picada incluem fortes dores nos nódulos linfáticos e câibras. Para as vítimas isso é perigoso; para os pesquisadores, altamente interessante, pois a latrotoxina os ajuda a compreender melhor os mecanismos da reação no sistema nervoso. Os gerenciadores da Spider Pharm, no Arizona, Estados Unidos, lucram com isso: eles capturam diversas espécies de aranhas venenosas na natureza, criam- -nas e colhem regularmente seu veneno. A empresa oferece 78 produtos e 100mL de veneno congelado de viúva-negra custam US$ 999,00 (aproximadamente R$ 1.799,19)

Arquiteto paisagista

O castor-europeu (Castor fiber) estava extinto em grande parte da Europa. Os esforços de proteção não apenas ajudaram a espécie a retornar a territórios, como os rios Elba e Danúbio, mas também a se multiplicar às margens de muitos rios menores. Por meio da migração e da reintrodução na natureza de animais criados em cativeiro, a população já voltou a se equilibrar em muitas regiões. Isso teve consequências positivas: como mestres construtores, os castores derrubam arbustos e árvores às margens dos rios, para represar e desviar as águas para suas pequenas fortificações. Onde antes a água fluía por rios retilíneos, agora ressurgem paisagens de várzeas, com poças e regatos entrelaçados, o que é excelente para a biodiversidade e a riqueza aquática. Um estudo analisou quanto vale, por ano, a atividade construtora dos castores na região do Spessart, uma baixa cordilheira de montanhas no Noroeste da Baviera e Sul do Estado de Hessen, na Alemanha: 10.500 euros (cerca de R$ 25.548, 08)

É razoável querer contabilizar o valor de um pássaro

Trata-se de uma guinada radical, que um grupo de políticos e economistas promove cada vez mais decididamente em nossos dias. Durante muito tempo, para eles valia apenas a regra de que só é possível quantificar, e calcular, o que empresas e economias nacionais produzem, vendem e lucram nos mercados. O canto de um pássaro, a visão refrescante de um prado, o aroma do mar não faziam parte de seus mundos.

Na melhor das hipóteses, a natureza desempenhava um “papel” na condição de matéria-prima em processos de manufatura mecânica ou industrial, como no caso da madeira proveniente de reflorestamentos. Em geral, só se considerava o valor econômico de espécies isoladas, exploráveis; jamais se avaliava os ecossistemas que as sustentavam. E, de uma perspectiva puramente econômica, a fauna e a flora materialmente inaproveitáveis, a riqueza em particularidades e formas admiráveis da natureza, eram consideradas, no máximo, como um bem de significado sentimental. Nada mais.

Uma nova equação matemática: natureza = economia

Somente quando esse tesouro começou a escassear e desaparecer, um ou outro especialista passou a enxergar a questão sob um novo ângulo. Despertados, subitamente, pela rápida perda de muitas espécies da fauna e da flora, um número crescente de especialistas vem se perguntando se o mundo também não estaria sendo privado de sólidos valores monetários. Assim, hoje, dezenas de equipes dos chamados “economistas ecológicos” se esforçam para conferir valores à biodiversidade, e isso tanto em euros como em dólares, com meticulosa precisão.

A princípio, isso tira o sentido de um esforço global pela avaliação do que representa a perda de biodiversidade. Os US$ 50 bilhões, aproximadamente R$ 89,4 bilhões, de prejuízos pesqueiros anuais, citados no estudo do TEEB, por exemplo, são meramente um valor acadêmico, próprio para alarmar o público como um todo. Mas esse montante não aparece em nenhum balanço comercial mundial, em nenhum balanço empresarial de fim de ano, e muito menos em uma conta bancária.

Pois trata-se apenas de um valor, não de um preço. Assim, uma das principais preocupações dos ecoeconomistas é como estipular preço para bens naturais. Como fazer com que seus valores econômicos abstratos sejam incluídos como grandeza matemática concreta nos cálculos de lucros e perdas das empresas, e nos livros de contabilidade doméstica?

O problema é que a maioria dos serviços prestados pela natureza são bens públicos, que todos utilizam, mas que não pertencem a ninguém. Portanto, ninguém os comercializa e não se forma um preço. Isso frequentemente resulta na utilização inconsequente dos recursos, um fato antigo, que o biólogo Garrett Hardin sumarizou, em 1968, na fórmula Tragedy of the commons (A Tragédia dos Bens Comuns).

E essa tragédia pode ser ainda mais agravada, pois, ocasionalmente, os danos ecológicos são computados como lucros. De acordo com a matemática tradicional, até catástrofes podem embelezar os balanços econômicos nacionais, em vez de arruiná-los. O escritor americano Bill McKibben debocha dessa lógica fatal, dizendo: “O cidadão economicamente mais produtivo é um canceroso que, a caminho do escritório de seu advogado de divórcio bate o carro com perda total do veículo”. Pois a somatória dos honorários do advogado e dos custos de hospital e oficina mecânica, portanto tudo o que precisa ser investido para consertar os danos, constitui uma soma positiva no balanço do rendimento.

Exemplo perfeito disso é a catástrofe do Exxon Valdez, em 1989. Os danos que o episódio produziu, uma colossal perda de rendimentos da esfera viva, precisaram ser removidos, gerando muitos bilhões de dólares para o Produto Interno Bruto do Alasca. Quando os estoques de bacalhau da Terra Nova, no Canadá, entraram em colapso há 15 anos, por causa da inegável pesca predatória, o efeito nos livros de contabilidade foram positivos, através do vencimento dos custos sociais da ordem de 2 bilhões de euros (cerca de R$ 4,84 bilhões). E a Alemanha contabiliza os gastos com a eliminação de nitratos e pesticidas, que intoxicam o solo, os custos dos reparos de danos causados por enchentes, erosão de solo e poluição da água, anualmente da ordem de 5,1 bilhões de euros, aproximadamente R$ 12,35 bilhões, como crescimento do Produto Interno Bruto do país.

A natureza se valoriza, como uma fábrica que se renova constantemente

O fato de ninguém contrapor perdas aos aumentos calculados desse modo resulta exclusivamente da realidade de que a natureza não tem preço. Para conseguirem sair dos apertos e ainda assim estipular preços, os pesquisadores apelam para diversos truques.

Robert Costanza, por exemplo, apoiou seu megacálculo de US$ 33 trilhões, entre outros, em uma “disposição fictícia de pagamento” por parte dos consumidores. Em diversas enquetes, as pessoas indicaram que soma de dinheiro elas estariam dispostas a pagar pela conservação de uma espécie ou de um espaço vital em suas proximidades. Ou simplesmente, quanto pagariam para garantir a continuidade existencial de uma criatura na Terra mesmo que jamais avistassem a espécie citada – por exemplo, o orangotango, em liberdade.

Similarmente, pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre quanto dinheiro cada família gastaria para destruir duas barragens no Estado de Washington, e devolver ao salmão selvagem suas águas tradicionais e legítimas de procriação, resultaram em uma soma total de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 1,78 bilhão, muito mais que o custo do desmantelamento das represas.

Embora o método seja criticável, ele se encaixa perfeitamente na lógica econômica. Os economistas consideram toda decisão de compra como a manifestação de uma estimativa de valor. O preço indica o quando uma dada coisa vale (monetariamente) para o comprador. Entretanto, sabe-se que o método de grandes enquetes resulta, sistematicamente, em uma disposição de pagamento muito exagerada. Em último caso, ao ponto de não restar muito da cifra obtida no final das contas.

Por essa razão, muitos ecoeconomistas se contentam com investigações mais limitadas, nas quais eles conseguem estipular preços mais exatos; por exemplo, ao calcularem os ciclos hídricos ou de nutrientes.

Esse método também deixa muitas perguntas sem respostas, mas eles tentam se livrar das preferências individuais. Os pesquisadores se concentram em quão econômica é a produtividade da natureza. Em muitos casos, ela é muito superior à do ser humano, como diversos estudos já comprovaram.

- A produtividade econômica anual de manguezais intactos na Tailândia, por exemplo, equivale a 2.100 euros,/ha cerca de R$ 5.087,75. Incluídos nesse cálculo está o fato de que manguezais são território de procriação de peixes, elementos naturais de proteção contra enchentes e facilitadores de lucros para a pescaria local. Mas quando essas áreas são derrubadas e transformadas em fazendas de criação de camarões, o lucro despenca para apenas 30%, incluindo as arrecadações feitas pela aquicultura.

- Terrenos úmidos saudáveis no Canadá geram 200 euros/ha/ano – cerca de R$ 484,54 – ao garantirem o saneamento de águas poluídas e a reciclagem de nutrientes. Mas quando essas áreas são drenadas para uma utilização intensiva para a agricultura, sua contribuição econômica também é reduzida a apenas 30%, apesar dos lucros agrícolas.

- Um hectare de floresta tropical no Camboja tem um valor econômico de 1.300 euros, cerca de R$ 3.149,56. Esse valor é calculado, entre outros, por sua contribuição para a proteção climática, seu papel como fonte de água, alimentos e lenha para habitantes locais, e seu caráter de reservatório de plantas medicinais ainda desconhecidas. A renda obtida com o extrativismo de madeira não chega a um décimo desse montante. Portanto, o desmatamento de florestas virgens reduz de forma irrisória o seu verdadeiro valor.

O significado financeiro de uma única espécie viva em liberdade na natureza é ilustrado pelo caso de uma doença virótica que, nos anos 70, por meio de ondas sucessivas, destruiu em até 25% as safras de arroz na Ásia. Já naquela época, os lavradores só plantavam um punhado de variedades altamente produtivas – todas extremamente suscetíveis à doença. Na busca por uma cepa mais resistente, os rizicultores finalmente descobriram uma linhagem imune, que cruzaram com as grandes variedades comerciais.

A variedade de arroz selvagem que ajudou a combater o vírus procedia de um único vale, na Índia, que, pouco depois, durante a construção de uma usina hidrelétrica, foi inundado.

A mudança revelou-se irreversível. Cientistas do Centro de Pesquisa Woods Hole, dos Estados Unidos, temem algo semelhante para a Floresta Amazônica, caso ela seja obrigada a sobreviver sem água durante mais de dois anos sucessivos, em consequência do acentuado desmatamento.

Experimentos de campo mostraram que, nesse caso, a floresta tropical se transformaria em deserto, porque, em um processo reverso de característica letal, ela mesma impediria a ação benéfica da água.

A massa foliar da floresta tropical contribui para a evaporação e intensifica as precipitações regionais, na floresta evaporam entre 15% e 20% mais chuvas que em áreas utilizadas para lavouras. A regra contrária é simples: sem árvores, há menos evaporação, menos chuvas e mais desertificação.

Ainda assim, apesar de todos os grandes obstáculos entre economistas clássicos e os representantes da nova Ecoeconomia, tais reconhecimentos fazem com que a “contabilidade verde” chegue paulatinamente às correntes de pensamento predominantes, por exemplo: o ecologista Paul Ehrlich, de Stanford, acredita que a avaliação errônea do capital natural feita até agora, e suas consequências catastróficas, irão dominar a Economia do século XXI.

Um grupo de pesquisa ligado ao zoólogo britânico Andrew Balmford presume que a proporção entre os custos de proteção natural e o aproveitamento seja de 1 para 100. Em outras palavras: para cada euro que investirmos hoje em um novo parque nacional, ou na reidratação de charcos, a natureza “renderá” 100 euros. Descartar rendimentos como esses, seria absurdo.

Balmford calcula que, em termos mundiais, uma área de 15% de natureza virgem funcional seja o mínimo que devemos ter para produzir os desempenhos do ecossistema global imprescindíveis ao futuro bem-estar humano. Embora atualmente 8% da superfície terrestre já estejam oficialmente sob proteção, faltam recursos financeiros para realmente manter esse status de forma consequente e racional.

Na opinião de Balmford, é necessário investir 25 bilhões de euros por ano para mudar essa situação. E, para arrecadar essa soma, já seria suficiente desviar menos de 0,05% das subvenções que ainda aquecem o consumo da fauna e da flora do planeta.

Entre elas, podem ser elencadas as estradas financiadas com dinheiro do contribuinte, gasolina aérea barateada ou prêmios para biocombustíveis, cuja produção hoje está vinculada à rápida devoração das florestas tropicais.

Comparativamente, em sua reunião de cúpula, em abril de 2009, os países do G-20 decidiram, diante do pano de fundo da crise financeira internacional, estimular a conjuntura mundial com US$ 1,1 trilhão de dólares! Com os meios da economia tradicional.

A cidade de Nova York constitui um exemplo convincente das rendas enormes que investimentos comparativamente muito menores e mais modestos podem trazer à conservação da natureza. Já na década de 1990, a metrópole se viu diante da urgente tarefa de melhorar a qualidade da água potável de seus habitantes. Uma nova estação de saneamento e preparo teria custado entre US$ 6,00 e US$ 8,00 bilhões.

Mas em vez disso, os responsáveis optaram pela “alternativa verde”. O governo municipal comprou grandes áreas de terras nos Montes Catskill, de onde provém a maior parte da água da cidade, e recompensou financeiramente alguns proprietários de terras para que adotassem um manejo ecológico. Os custos dessa alternativa: apenas US$ 1,5 bilhão.

O exemplo de Nova York constitui um primeiro “desvio” do gênero. Mas até onde os bens naturais aparecem como um fator positivo nos balanços, eles, normalmente, são depreciados, pois estão sujeitos aos mesmos processos válidos para outros investimentos de capitais. Valores e rendimentos futuros são descontados, ou taxados a menor.

Quando se trata, por exemplo, de uma área atualmente úmida, que ainda será produtiva para o saneamento de água potável e como área de criação de peixes, em 2020, os economistas calculam os rendimentos futuros, ao subtraírem para cada ano, até 2020, um percentual orientado na atual taxa de juros.

“Esse cálculo pode ser razoável quando se trata de máquinas e edifícios, cujos valores podem diminuir conforme a inflação, o desgaste ou uma modificação na tendência de demanda, e que, em algum momento, tornam-se imprestáveis”, diz o ecologista James Aronson, da organização nacional de pesquisa científica francesa CNRS. A natureza, porém, é uma “instalação” que faz sua própria manutenção e se mantém, sozinha e gratuitamente, na mais “moderna tecnologia de ponta”.

Se a “liquidação” não for interrompida, “então precisaremos de uma nova taxa de juros negativa para o valor dos ecossistemas”, explica Aronson, afinal, em vista da destruição ambiental, seus rendimentos futuros terão muito mais valor que hoje.

Outros ecoeconomistas advertem para que não se pretenda quantificar o valor da biodiversidade com excessiva exatidão matemática. Em razão dos obstáculos no caminho de uma quantificação aceita de modo geral, eles advogam um atalho pragmático, seguindo o lema: preços aproximados são melhores do que preço nenhum.

James Boyd e Spencer Banzhaf, do thinktank americano Resources for the Future (RFF), organização de pesquisa independente, sem fins lucrativos, com sede em Washington, D.C., apontam para o fato de que grandezas econômicas clássicas também não são definidas com a mais absoluta precisão. Em vez disso, se baseiam em um consenso que, na verdade, muitas vezes está tão distante da realidade que somos levados a considerá-lo como um valor objetivo.

Esses valores, dizem Boyd e Banzhaf, também deveriam ser determinados para os rendimentos de ecossistemas, e incluídos em importantes indicadores econômicos, como o Produto Social Bruto. Aos poucos e cautelosamente, essa aproximação de valores começa a tomar forma, por exemplo, quando se trata de compensar as emissões de CO2.

Entretanto, de início, o comércio de certificados de CO2, longamente discutido no âmbito do Protocolo de Kyoto, fracassou. Os países da UE, principalmente a Alemanha, concederam ou presentearam com licenças demais em vez de leiloá-las e, com isso, os maiores poluidores foram recompensados.

Em seu nível mais baixo, em dezembro de 2007, uma tonelada de CO2 chegou a ser vendida na Bolsa de Valores de Leipzig, na Alemanha, a insignificantes dois centavos de euro: um desastre. Mas para o novo período comercial, a partir de 2008, a UE reduziu a oferta de certificados.

Outra variante para recompensar a proteção da natureza são os chamados “créditos de biodiversidade”, testados atualmente nos Estados Unidos, na Austrália e na Malásia. O princípio é simples: associações ecológicas ou pessoas físicas se encarregam de cuidar de áreas valiosas. Assim, se um espaço vital para plantas e/ou animais protegidos é ameaçado em algum lugar, por exemplo, por meio de novas construções, os construtores são obrigados a comprar “créditos de biodiversidade”, ou seja, investir em áreas de compensação.

Desse modo, o foco fica concentrado na conservação e financiamento de áreas protegidas interligadas. Desde 2007, o modelo vem sendo testado, pela primeira vez, na Reserva Florestal Malua, uma área de 240.000ha de matas tropicais, em Bornéu.

Privatizem a natureza!” é a mais nova exigência de muitos comerciantes que não querem ser excluídos do boom ecoeconômico. Mas os fundadores da Economia Verde são mais cautelosos. O americano Herman Daly, ex-diretor do Banco Mundial e ganhador do Prêmio Nobel Alternativo, não é contra os direitos de posse da biodiversidade.

No entanto, ele não quer entregar a Natureza a “donos particulares”, mas depositá-la nas mãos de instituições, que fixam contratualmente cotas de utilização para essa herança da humanidade.

Já o empreendedor e autor americano Peter Barnes imagina confiar os bens comuns verdes aos cuidados de trustes próprios, como fundações são entregues a procuradores organizados. E essa redistribuição de responsabilidades ainda é insuficiente para Barnes. Para ele, até coisas impalpáveis, como um ambiente político e estável, devem fazer parte dos bens comuns, com valor financeiro determinado.

“Os bens comuns são comparáveis à matéria escura do universo econômico, eles estão em toda parte, mas não conseguimos enxergá-los”, afirma Barnes.

Diante desse pano de fundo, Barnes também considera excessivamente baixo e modesto o número encontrado por Robert Costanza, US$ 33 trilhões, como valor equivalente para todas as prestações de serviço da biosfera. O economista sugere instituir um “bônus de irreversibilidade de valor indeterminado”. Uma soma desconhecida X, que incrementaria o valor de cada ser vivo, mesmo quando se tivesse somado todos os serviços de acordo com o atual grau de conhecimento.

Com isso, mesmo de um ponto de vista puramente econômico, teria sido encontrado um motivo para reconhecer os valores estéticos e emocionais da Natureza. Ou então, entender matematicamente que um pequeno passarinho com seu canto matutino em um galho balouçante é algo de valor incalculável.

Política mundial

O ano internacional da biodiversidade

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade. O tema vida despertar mais a consciência pública mundial, por meio de eventos internacionais, nacionais e também locais. A GEO participou do esforço na maioria dos 19 países em que a revista é publicada, com dias de atividades no mês de maio. A biodiversidade abarca a imensa variedade de espécies e espaços vitais, bem como as variantes genéticas no âmbito de espécies isoladas da fauna e da flora. A proteção internacional dessa riqueza natural do planeta foi catapultada ao topo da agenda política mundial em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – ECO-92, no Rio de Janeiro.

Com a assinatura da Convenção da Biodiversidade (CBD), no Rio, nasceu um importante processo multinacional. Na mesma época foi aprovada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (precursora do Protocolo de Kyoto). A CBD também regulamenta o justo equilíbrio da vantagem na exploração de recursos genéticos, válida em quase todos os países, apenas Andorra, o Vaticano e os Estados Unidos não assinaram o documento até hoje. A 9ª Conferência dos Estados Signatários da CBD ocorreu em maio de 2008, em Bonn, na Alemanha. Desde então, o país detém presidência da CBD até a próxima conferência, marcada para outubro de 2010, no Japão. O Ministério do Meio Ambiente alemão apoia os dias de ação ambiental promovidos por GEO.

Tanto no âmbito da CBD, como na cúpula mundial, em Johannesburgo, África do Sul, em 2002, foi decidido reduzir decisivamente a persistente perda de espécies da diversidade biológica até o ano 2010, e elaborar meios adicionais para isso (Meta 2010). Apesar do reconhecimento oficial do problema, a destruição da biodiversidade ainda avança a um ritmo estonteante em todo o mundo. Na 10ª Conferência dos Estados Signatários da CBD, no Japão, deverá ser determinado um novo âmbito político para a proteção global da biodiversidade.

Fotos – INGO ARNDT, 41, trabalha regularmente para GEO. A obra do premiado fotógrafo reflete a biodiversidade de antropoides a borboletas.

Texto – O Dr. ANDREAS WEBER, 42, biólogo, filósofo e publicitário, se especializou no significado da natureza para o ser humano.

Fonte – Revista Geo

Enquete sobre a lei do Rio de Janeiro – VOTE SIM!

Descobrimos uma enquete no jornal O Dia On Line de hoje (14/07) perguntando ao leitor se a Lei 5.502/09, restritiva ao uso de sacolas plásticas de supermercados, deve começar a valer amanhã, dia em que entrará em vigor.

Vamos votar “SIM” nesta  lei que irá acabar com a poluição gerada pelas sacolas plásticas de uso único de plástico convencional, as verdadeiras vilãs da natureza. Essas sacolas ficam poluindo o planeta por pelo menos 500 anos.

Cada pessoa pode votar somente uma vez.

Agradecemos a participação e o envolvimento dos habitantes do planeta terra e principalmente dos cidadãos do estado do Rio de Janeiro.

Se deixarmos essa chance passar, a máfia do plástico continuará fabricando estas sacolas plásticas de uso único, estas pragas que representam 10% de todo o lixo gerado diariamente nas cidades e que provocam enchentes e destroem a vida no planeta. Essas malditas sacolas plásticas de uso único não são recicladas e ficam por pelo menos cinco séculos destruindo a vida no planeta.

Não podemos permitir isso.

Não podemos perder essa luta.

O Minc fez a parte dele ao apresentar o projeto de lei. Agora depende de nós apoiarmos o bom político que pensa na humanidade e no planeta.

O futuro de toda a humanidade depende da ação de cada um dos humanos. Vote agora.

http://odia.terra.com.br/portal/conexaoleitor/

A lei que incentiva a redução de sacolas plásticas nos supermercados deve começar a valer amanhã?

( X ) SIM

(     ) Não

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