O glifosato provoca alterações no DNA

Os Estados membros da União Europeia, reunidos na quinta-feira, 9 de novembro, no Comitê Plantas, Animais e Alimentos, não conseguiram obter maioria sobre proposta da Comissão Europeia para renovar a licença de uso do glifosato por mais cinco anos. E isso quando a licença para o herbicida, que entra na composição do famoso Roundup da Monsanto, expira no dia 15 de dezembro.

Reconhecido internacionalmente por seus trabalhos em toxicologia genética, Siegfried Knasmüller, pesquisador do Instituto de Pesquisa sobre Câncer de Viena, oferece uma visão científica sobre esta questão. Segundo ele, o parecer emitido pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pela Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA), concluindo que o glifosato não é cancerígeno e não genotóxico, não é sério. O próprio Siegried Knasmüller fez pesquisas in vitro que demonstram o efeito nocivo do glifosato.

O senhor é toxicologista em Viena. O senhor pode nos explicar que conclusões tira dos seus trabalhos sobre o glifosato?

Eu trabalho no Instituto de Pesquisa sobre Câncer de Viena e me especializei em toxicologia genética. Eu estudo a genotoxicidade, portanto, as lesões que afetam o patrimônio genético, o DNA, e que podem ser mutagênicas (causar mutações; nota do editor). Esses danos podem estar na origem do câncer. Eu mesmo consagrei vários trabalhos aos impactos do glifosato sobre o DNA. Nós fizemos estudos in vitro em células epiteliais bucais (células derivadas da boca).

O que constatamos foi muito claro. O glifosato sozinho (e o round up ainda mais) é citotóxico: ela danifica as células. E ele é genotóxico: deforma o DNA. Este experimento revelou danos cromossômicos que favorecem o desenvolvimento de cânceres. Mesmo em doses muito baixas, existe um risco provável de que a inalação, através da pulverização, cause câncer nos órgãos do sistema respiratório. Mais experimentos deveriam ser realizados em trabalhadores nos locais de produção de glifosato para chegar ao fundo da questão. Mas nenhum estudo válido foi realizado nas plantas industriais, o que ajudaria a compreender melhor o aumento dos riscos de câncer associados ao glifosato.

Como explicar que as agências europeias, a EFSA e a ECHA, concluem que o glifosato não é nem cancerígeno nem genotóxico?

A EFSA, no relatório do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BFR), considerou apenas um espectro muito estreito de estudos. Eles basearam sua decisão em testes muito específicos, definidos pela OCDE, que avaliam os efeitos mutagênicos do glifosato em células retiradas da medula espinhal de ratazanas ou ratos. Esses testes têm resultados negativos em muitos estudos, mas outros experimentos com animais indicam danos no DNA de células de outros órgãos.

Experimentos in vitro com células derivadas de fígado indicam, por exemplo, que este órgão pode ser afetado pelo glifosato, mas nenhum estudo em animais foi então realizado para esclarecer esses dados.

O glifosato vem sendo estudado há 40 anos. Muitos trabalhos acadêmicos indicam uma relação entre o glifosato e o câncer. Mas eles não foram levados em consideração. Há, por exemplo, cerca de vinte estudos realizados com pessoas expostas ao glifosato, principalmente trabalhadores agrícolas. A maioria deu resultados positivos. O DNAdessas pessoas tinha sofrido lesões. Mas a indústria não considera esses trabalhos como confiáveis sob o pretexto de que as pessoas em questão foram expostas a outros componentes. Seria necessário pelo menos fazer estudos adicionais com pessoas que estiveram mais em contato com o glifosato.

A Monsanto tentou influenciar o debate científico…

O que aconteceu nos últimos anos é muito desafiador. A Monsanto pagou bons cientistas, como Gary Williams ou David Kirkland, para escrever “revistas”, isto é, compilações de estudos sobre a periculosidade do glifosato. Essas compilações induziram os leitores ao erro, porque criticavam apenas os estudos que estimavam que o glifosato era cancerígeno.

Por sua vez, os dossiês submetidos às autoridades pelas empresas que comercializam produtos à base de glifosato continham estudos encomendados pela indústria e cujos dados eram secretos. Estes estudos não são publicados na literatura científica. Eles não são revisados pelos pares.

O senhor acredita que os membros das agências europeias ou do BFR sofreram pressão para sentar as bases para renovar a licença de uso do glifosato?

Pressões… eu não sei. Penso que todo o processo de classificação e avaliação de riscos em nível europeu está longe de ser ideal, porque depende muito dos dados fornecidos pela indústria. E, no entanto, o BFR, na origem das conclusões da EFSA, é um instituto muito respeitado. Mas eles são humanos e, como todos nós, podem cometer erros. À medida que os conhecimentos científicos se desenvolvem, ou você admite ter cometido um erro, ou você persiste até o fim. A deles, é essa última opção, por enquanto. Em 2015, o CIRC [Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, agência especializada da Organização Mundial da Saúde] considerou que o glifosato era “provavelmente cancerígeno”. Essa é, para mim, uma classificação muito melhor, baseada em estudos científicos, revisados por pares.

Fontes – Cédric Vallet, Alternatives Économiques, tradução André Langer, IHU de 12 de novembro de 2017

Desmatamento no Cerrado foi maior do que o da Amazônia em 15 anos

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O Cerrado perdeu 236 mil quilômetros quadrados de mata entre 2000 e 2015. No mesmo período, a Amazônia perdeu 208 mil km2 – bioma duas vezes maior. Esse desmatamento no Cerrado gerou a emissão de 8,16 milhões de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. O volume equivale a 3,6 anos da emissão total do Brasil registrada em 2016.

A ocupação desordenada do segundo maior bioma do Brasil tem consequências para o próprio setor do agronegócio. Entre 2014 e 2015, mais de 4 mil quilômetros quadrados das plantações realizadas ali estavam localizados em áreas que não são aptas para a produção agrícola, com padrões irregulares de chuva, por exemplo.

Os dados, divulgados hoje pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na 23ª Conferência do Clima, em Bonn (Alemanha), em evento no Espaço Brasil, mostram como a expansão da agropecuária no bioma tem sido feita sem planejamento territorial adequado, colocando em risco a viabilidade do negócio e a conservação da natureza.

O Cerrado cobre 24% do território brasileiro e engloba oito das 12 bacias hidrográficas do país. Metade dele já foi derrubada e a área pode aumentar rapidamente: no Matopiba, área compreendida entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a agricultura tem avançado sobre áreas onde antes havia vegetação natural, quando o padrão era ocupar terras já desmatadas, onde antes havia pasto.

“Cerca de 30 milhões de hectares do Cerrado já estão desmatados, sem uso ou com modelos ineficientes de produção. Trabalhar bem essas áreas deve ser prioridade da decisão sobre a expansão da agropecuária nesse bioma”, afirma o pesquisador do IPAM, Tiago Reis, principal autor da avaliação. “Planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente do solo devem reorientar os investimentos, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil.”

Debate

Durante o evento de lançamento do estudo, Chris Meyer, gerente sênior de política florestal da organização Environmental Defense Fund, advogou sobre a importância de incluir o setor privado de commodities no debate. “É preciso que se exija o cumprimento da lei, como o Código Florestal, para trazer legalidade ao processo, e então trabalhar para aumentar as exigências de conservação.

Já o pesquisador Arnaldo Carneiro, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), chamou a atenção para outro fator que incentiva o desmatamento no Cerrado: a especulação de terras.

“No Matopiba, o que tem estimulado a abertura de novas áreas são grandes investimentos imobiliárias, por vezes com fundos de pensão americanos que funcionam como esponjas, atraindo pessoas para novas fronteiras”, disse. “Isso vai além do diálogo com todo o setor privado e os consumidores.”

Fonte – IPAM de 09 de novembro de 2017

Francisco denuncia a “negação, indiferença e resignação” dos governos diante da destruição do meio ambiente

Catholic Church (England and Wales)

“Convite urgente” do Papa Francisco “para um novo diálogo sobre o modo como estamos construindo o futuro do planeta”. O Pontífice enviou uma mensagem à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP23) que acontece em Bonn. Nela, ele recorda que “precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas, dizem respeito e têm impactos sobre todos nós”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 16-11-2017. A tradução é de André Langer.

“Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados por várias razões, que vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas (cf. Laudato Si’ n. 14)”, denuncia o Bispo de Roma. E, como ele também observa, a “negação, a indiferença, a resignação e a confiança” são “soluções inadequadas” para o problema da destruição do meio ambiente, dado que “não ajudam na investigação honesta e no diálogo sincero e produtivo sobre a construção do futuro do nosso planeta”.

“Não se pode limitar” o desafio ambiental “apenas à dimensão econômica e tecnológica: as soluções técnicas são necessárias, mas não suficientes”, continua o Pontífice, que insiste que “é essencial e necessário levar atentamente em consideração também os aspectos e os impactos éticos e sociais do novo paradigma de desenvolvimento e de progresso a curto, médio e longo prazo”.

Francisco termina sua mensagem pedindo “que se acelere a tomada de consciência e que se consolide a vontade de adotar decisões realmente eficazes para enfrentar o fenômeno das mudanças climáticas”, não deixando de insistir, por outro lado, na importância que tem no contexto do cuidado responsável da ‘Casa Comum’ que todos compartilhamos a luta contra a pobreza e a promoção de um desenvolvimento humano integral.

Patriarca de ConstantinoplaBartolomeu, por sua vez, escreveu outra mensagem à cúpula, em que alerta políticos e diplomatas que “não é aceitável retroceder, e tampouco é justificável esperar mais” em relação à crise ambiental. É imperativo, diz ele, que “ampliem e intensifiquem seus esforços para salvar o planeta”.

O hierarca lembra que “embora tantas pessoas considerem a mudança climática como uma das maiores crises que a humanidade enfrentou, há uma grande resistência para mudar” os nossos hábitos destrutivos do meio ambiente.

“Alguns continuam a ignorar os sinais dos tempos com derretimento de gelo sem precedentes, padrões climáticos extremos e um impacto devastador sobre a pobreza global”, denunciou o patriarca.

Apesar das dificuldades, Bartolomeu conclui ressaltando que “todos somos chamados a avançar em nosso compromisso tanto com a sacralidade de nossos irmãos e irmãs pobres, quanto com a singularidade do último grão de areia deste planeta que chamamos de nossa Casa”.

Finalmente, o cardeal Reinhard Marx enfatizou o apelo do Papa e de Bartolomeu, afirmando que “é hora de avançar na redução das emissões prejudiciais ao clima”. “Os países desenvolvidos devem financiar medidas que reduzam os danos e perdas causados pelas mudanças climáticas nos países pobres”, disse ele.

“Todos os políticos também devem assumir responsabilidades pela ‘Casa Comum’, como urge fazer o Papa Francisco“, disse o arcebispo de Munique, e “os interesses pessoais devem ser deixados de lado”. “Não é nada menos que o mundo que está em jogo, aqui, ameaçado pelas emissões ilimitadas de CO2”, ressaltou, antes de insistir que “não devemos mais tentar ganhar tempo, mas agir de forma corajosa”.

Fonte – IHU de 17 de novembro de 2017

‘Não me pagaram pelo meu trabalho’: a inusitada queixa trabalhista deixada em roupas da Zara na Turquia

As etiquetas escondidas nas roupas exibiam a hashtag #BravoIscileriIcinAdalet, que significa "Justiça para os trabalhadores da Bravo"Imagem mostra produto da Zara com a etiqueta “Eu fiz este item que você vai comprar, mas não fui pago por isso!” 

“Eu fiz este item que você vai comprar, mas não fui paga por isso!”

Clientes da Zara em Istambul, capital da Turquia, se depararam com etiquetas contendo este texto atípico em peças de roupas, escondidas nas dobras de calças jeans ou no bolso de jaquetas.

Longe de serem mensagens enviadas por alguém preso ou em apuros, esta foi a forma surpreendente que funcionários da companhia local Bravo Tekstil, que produzia roupas para a Zara e outras grandes marcas internacionais como Next e Mango, encontraram para fazer um protesto sobre sua situação.

A confecção faliu em julho de 2016, e seus trabalhadores disseram que ficaram vários meses sem receber. Agora, eles pedem à Zara para compensar suas perdas pagando três meses de salários e indenização.

“Chegamos para trabalhar uma manhã e a empresa já era. As persianas estavam fechadas. Nosso chefe havia desaparecido”, disse Filiz Tutya, um dos trabalhadores da Bravo Tekstil.

“Não tivemos outra escolha que não fosse começar essa campanha. Pusemos as etiquetas em peças de roupas em cada loja da Zara, em cada shopping de Istambul. Não queremos prejudicar a Zara. Não é disso que se trata. Mas queremos o que nos é devido.”

Avenida Istiklal, em Beyoglu, Istanbul: As mensagens dos trabalhadores foram encontradas em várias lojas da Zara na cidadeAvenida Istiklal, em Beyoglu, Istanbul: As mensagens dos trabalhadores foram encontradas em várias lojas da Zara na cidade. ALAMY

Outro funcionário da empresa falida, Betul Sahin, disse que a situação financeira de vários dos ex-empregados da Bravo Tektsil é precária: “alguns tiveram de adiar planos de casamento, outros não podem mandar suas crianças para a escola”.

“Talvez esse dinheiro não seja grande coisa para todo mundo. Mas para nós cada centavo conta. Nós trabalhamos muito por isso. Perguntamos à Zara: Por que você não nos paga? Por que não nos dá nossos direitos básicos?”

Desde que a companha começou, milhares de pessoas postaram mensagens de apoio nas redes sociais usando a hashtag sugerida nas etiquetas: #BravoIscileriIcinAdalet, que significa “Justiça para os trabalhadores da Bravo”.

Uma petição online já foi assinada por mais de 270 mil pessoas.

Os trabalhadores prometem continuar campanha para sensibilizar a varejista, caso não sejam compensados por perdasOs trabalhadores prometem continuar campanha para sensibilizar a varejista, caso não sejam compensados por perdas. GETTY IMAGES

A Inditex, empresa controladora da Zara, disse que pagou à Bravo Tekstil tudo o que devia mas que o dinheiro não chegou ao bolso dos trabalhadores.

A Zara disse ter estabelecido, em conjunto com a Mango e a Next, um fundo especial de 210 mil euros (o equivalente a R$ 810,39 mil) para ajudar os trabalhadores mais vulneráveis.

“Há um sofrimento injusto aqui e nós sentimos muito que esses trabalhadores tenham que suportar isso”, disse Murat Akkun, gerente de sustentabilidade da Inditex na Turquia.

“Mas não somos nós e sim a empresa local e seu chefe que têm causado esse sofrimento. Ele fugiu da justiça. Os tribunais da Turquia precisam encontrar esse homem e fazê-lo pagar tudo o que é devido”.

Em um comunicado, a Zara também disse que “agiu imediatamente para tentar ajudar aos trabalhadores nesta situação injusta e que a Inditex permanece comprometida em se unir aos esforços para encontrar uma solução para eles”.

O DISK Tekstil, sindicato representativo dos trabalhadores, contudo, ressaltou que se a Inditex não compensar as perdas salariais, a campanha vai continuar.

“A Zara anunciou para o mundo inteiro que é responsável por cada trabalhador produzindo suas mercadorias. O fundo que a empresa propôs só cobre um quarto das perdas dos trabalhadores”, disse Asalettin Arslanoglu, do DISK Tekstil.

“Há pacientes de câncer em meio a esses trabalhadores, há aqueles que sofreram derrames. Se as marcas não compensarem todos eles – são 153 no total – vamos continuar a promover essa conscientização por meio da campanha”.

Consumidores em loja da Zara: A empresa já esteve sob fogo cruzado antes sob acusações de escravidão e trabalho infantilConsumidores em loja da Zara: A empresa já esteve sob fogo cruzado antes sob acusações de escravidão e trabalho infantil. GETTY IMAGES

Com sede na Espanha, a Inditex é uma das maiores varejistas de moda do mundo, com uma rede de 7.405 lojas e 162.450 pessoas empregadas.

Sua maior marca, a Zara, já esteve sob fogo cruzado anteriormente ao ser acusada de permitir o uso de trabalho escravo e trabalho infantil na confecção de suas roupas, assim como de explorar refugiados sírios.

O grupo Inditex prometeu investigar esses incidentes e fortalecer o monitoramento nas unidades de produção de seus fornecedores.

Fonte – Selin Girit, BBC Brasil de 15 de novembro de 2017

‘Pacote do veneno’ em doses homeopáticas: Anvisa libera agrotóxico perigoso

agroveneno.jpgPesquisas confirmam que o benzoato de emamectina, liberado pela Anvisa, é altamente tóxico à função cerebral

Em 2010, a própria agência rejeitou sua liberação por considerar “seus efeitos neurotóxicos e a existência de outros produtos já registrados e com menor toxicidade utilizados para o mesmo fim”

liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do agrotóxico benzoato de emamectina, nesta quarta-feira (8), é mais uma das “doses homeopáticas” com que o governo de Michel Temer (PMDB) vem introduzindo o chamado “Pacote do Veneno“. A opinião é da dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da coordenação da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida Nívia Regina Silva.

“Houve grande pressão sobre a Anvisa para liberar esse agrotóxico, que a própria agência havia recusado registro em 2010, por considerá-lo tóxico em relação a outros disponíveis”, diz. “E agora, em 20 dias, com apenas oito contribuições em consulta pública pouco divulgada, liberam o produto?”, questiona.

O chamado “Pacote do Veneno” contém diversos projetos apensados, alguns já aprovados no Senado. Entre os principais, o PL 6.299/2002, apresentado pelo atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT) quando era senador. O projeto altera regras para a pesquisa, experimentação, produção, embalagem e rotulagem,  transporte,  armazenamento, comercialização, propaganda, utilização, importação, exportação, destino final dos resíduos e embalagens, registro, classificação, controle, inspeção e  fiscalização.

Se for aprovado, a embalagem dos agroquímicos deixará de ter, por exemplo, a presença da caveira – símbolo de veneno conhecido universalmente.

Outro é o Projeto de Lei (PL) 3.200/2015, do deputado federal Luis Antonio Franciscatto Covatti (PP-RS), que praticamente revoga a atual lei de agrotóxicos ao vetar o termo “agrotóxico”, substituindo por “fitossanitário”, além de criar a Comissão Técnica Nacional de Fitossanitários (CTNFito) no âmbito do Mapa. Na prática, deixa a Anvisa e o Ibama de fora do processo de avaliação de novos registros de venenos agrícolas.

Na avaliação de Nivia, o pacote, de interesse dos ruralistas, só não foi votado ainda porque há no Congresso outras pautas consideradas mais urgentes. “Então eles vão fazendo mudanças aos poucos”.

Como lembra a dirigente do MST, a rejeição do pedido pela agência, há sete anos, foi justificada pelos efeitos nocivos da substância já conhecidos e também pelas evidências ainda pouco estudadas.

Em 2013, porém, o produto obteve aprovação temporária para ser usado emergencialmente para conter uma praga, a lagarta Helicoverpa armígera, que infestou as lavouras na Bahia, ocasião em que o fabricante Syngenta protocolou novo pedido de registro.

De acordo com a Anvisa, o agrotóxico está na lista de produtos prioritários para análise criada por meio do Ato nº 01, de janeiro de 2016, assinada pelo Ministério da Agricultura. E que “novas evidências sobre a neurotoxicidade, que afastaram os riscos antes identificados pela Anvisa em 2010, quando o produto foi indeferido” sustentam a liberação.

A reportagem solicitou à agência os estudos que embasaram a liberação. No entanto, ainda não estão disponíveis, segundo a assessoria de imprensa do órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

A liberação deverá ser questionada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos.

Repúdio

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida divulgou nota em que lamenta a liberação do produto. Confira:

Anvisa apunhala sociedade e aprova agrotóxico perigoso na surdina

Sem alarde, o diário oficial publicou nesta segunda-feira (6/11) a aprovação de um agrotóxico extremamente tóxico para a saúde humana: o Benzoato de Emamectina. São vários os motivos da nossa indignação com esta decisão:

Em 2010, a Anvisa já havia negado o registro desta substância por suspeita de malformações e elevada neurotoxicidade, ou seja, causa danos elevados ao sistema nervoso. Será que nosso corpo evoluiu, e ficamos resistentes a este veneno?

Ao contrário de outras consultas públicas, desta vez não houve divulgação por parte da Anvisa ao atores interessados. Prova disso é o número de contribuições recebidas: 8. Para termos uma ideia, na consulta referente ao Carbofurano, foram 13.114 contribuições. Qual a explicação para tal discrepância, senão a falta de publicidade dada pela agência? Enquanto a consulta do Carbofurano durou 60 dias, a do Benzoato de Emamectina durou apenas 30 dias. Qual motivo da distinção?

A decisão pela aprovação do Benzoato foi dada em tempo recorde. No caso do Carbofurano, a consulta pública findou-se no dia 25 de fevereiro de 2016, e a decisão da Anvisa foi proferida há poucas semanas, no dia 18 de outubro de 2017 – 20 meses depois. Agora, no caso do Benzoato, transcorreram-se apenas 21 dias entre 15 de outubro, quando a consulta pública terminou, e o dia 6 de novembro. Para banir o Paraquate, foram necessários 10 anos, e faltam ainda 3 anos para o seu banimento completo. Porque tamanha demora para proibir, e tamanha celeridade para aprovar?

O Benzoato de Emamectina foi centro de outra disputa em 2013. Após um surto da lagarta Helicoverpa, causado pelo uso do milho transgênico que exterminou seu predador natural, o Ministério da Agricultura importou o agrotóxico de forma emergencial, e na época sem autorização da Anvisa.

Mesmo que a substância seja aprovada para uso em outros países, somos (ou deveríamos ser) um pais soberano, livre e independente dos interesses das grandes corporações. A autorização em outros países não significa que o produto seja seguro aqui, onde grandes volumes são utilizados, onde o uso de EPI ė impensável dadas as condições climáticas, onde o congresso nacional defende os interesses dos setores ruralistas, onde os órgãos de fiscalização dos estados estão sucateados, onde o SUS esta sendo desmontado e subfinanciado e tem dificuldades em atender à demanda de doenças causadas pelos agrotóxicos. Pelos mesmos motivos, o banimento em outros países deveria ser motivo de banimento imediato no Brasil.

É inadmissível expor a sociedade a estes riscos, sem nenhuma possibilidade de participação ou interferência dos maiores afetados: nós. Pelo contrário, a Anvisa que vem promovendo “DRs” com a indústria, se mostra incapaz de dialogar com o povo.

Exigimos que a Anvisa apresente os estudos que embasaram esta súbita mudança de opinião, e que cancele o registro do Benzoato de Emamectina até que a sociedade seja ouvida e consultada se deseja correr este risco. Terminamos com um trecho do Parecer Pelo Indeferimento do Benzoato de Emamectina, publicado pela própria Anvisa em 2010 (e que subitamente sumiu do site da Anvisa):

Os efeitos neurotóxicos são tão marcantes e severos que as respostas de curto e longo prazo se confundem, isto é, efeitos tipicamente agudos são observados nos ensaios de longo prazo, e vice-versa. O produto revelou neurotoxicidade para todas as espécies e em doses tão baixas quanto, por exemplo, 0,1 mg/kg em camundongos e 0,5mg/kg em cães, mesmo em estudos onde este efeito não estava sendo investigado.

Incertezas no que diz respeito aos possíveis efeitos teratogênicos, e certezas dos efeitos deletérios demonstrados nos estudos com animais corroboram de forma decisiva para que não se exponha a população a este produto, seja nas lavouras, ou pelo consumo de alimentos.

Fonte – Cida de Oliveira, RBA de 11 de novembro de 2017

Santos multará quem não separar o lixo

Para prédios e estabelecimentos comerciais, as multas variam de R$ 10 mil a R$ 50 mil (Alberto Marques/AT)

Santos começará a multar quem não separar corretamente o lixo dia 22, com o início da fiscalização do Recicla Santos, lei municipal que criou o Programa Socioambiental de Coleta Seletiva Solidária. Não só residências, mas também prédios comerciais já se mobilizaram para evitar prejuízos. As multas podem chegar a R$ 10 mil para os grandes geradores domésticos e a R$ 50 mil para estabelecimentos comerciais.

A regra é simples: basta separar o lixo orgânico (úmido) do reciclável (seco ou limpo) para evitar multa. A coleta no Município continuará igual, sendo diária para lixo comum e semanal para o limpo. Só perderam o direito de utilizar o serviço de coleta gratuita os grandes geradores comerciais, que terão de arcar com os custos sozinhos de retirada do lixo orgânico.

A dificuldade maior, hoje, é para condomínios cumprirem a lei, já que todos podem ter que dividir uma multa, caso apenas um condômino a desobedeça. Por isso, síndicos fortalecem a comunicação em prol da conscientização.

A única preocupação extra é que endereços residenciais que ultrapassam a emissão de 120 quilos ou 200 litros de lixo produzido ao dia devem apresentar, caso solicitado pela Prefeitura, documento sobre qual foi a destinação dos reciclados – naturalmente esses locais não conseguem juntar recicláveis por uma semana e, consequentemente, contratam empresas para dar a destinação correta.

Nivio Christiano Jensen Junior, de 54 anos, síndico do Condomínio Douradinho, no Gonzaga, está tranquilo. Emseu prédio, de dois blocos e 20 apartamentos, os moradores já têm o hábito de separar o lixo há pelo menos quatro anos.

“A gente tem lixeiras próprias para lixo limpo e só alguns condôminos ainda têm dificuldade em separar. Mas para evitar problemas, fazemos uma triagem antes de os sacos irem para a rua. Uma funcionária passa o lixo reciclável para sacos maiores e, quando vê algo que cheira mal, pois ficou com resto de comida, já descarta”, explica o síndico, lembrando que lá são cerca de um ou dois contentores de lixo ao dia. De lixo limpo, são cerca de três na semana.

O sistema é bem diferente no condomínio onde Leonardo Mendes Leal, de 34 anos, é síndico. Ele mora no Acquaplay, no Marapé, onde há oito torres e 1.435 apartamentos. Apesar da dificuldade maior no gerenciamento, tudo tem dado certo, conforme garante. Já para prevenir problemas, há três meses uma empresa retira o lixo reciclável do local, diariamente, e emite certificação, como exige a lei. “O morador tem a responsabilidade de descer o lixo e separar. A empresa passa e recolhe os recicláveis. A gente preferiu tomar conta em vez de esperar o caminhão da prefeitura, pela quantidade”, diz Leal, ao complementar sobre as multas: “Provavelmente pelo receio de pesar no bolso, aumentou muito a separação. Não sabemos o quanto, porque antes não era medido. Mas se tínhamos 14 contentores de lixo úmido por dia, agora são de nove a 11 e a quantidade de lixo limpo aumentou”.

Marcos Liborio, secretário de Meio Ambiente de Santos, explica que o foco da lei é justamente reduzir a quantidade de resíduos descartados, o que já tem funcionado. “Santos está reciclando 60% mais do que em julho, data do início da lei”. Nesse mês, a Cidade coletou 422 toneladas de recicláveis. O aumento de 60% representaria cerca de 675.2 toneladas, ou seja, 253,2 toneladas a mais.

Inicialmente, a fiscalização priorizará locais onde a adesão não foi intensa e houve denúncias, além dos grandes geradores de lixo, tanto comerciais quanto residenciais.

Para denunciar, basta fazer contato com a Ouvidoria Municipal pelo é 0800- 112056, de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Fonte – A Tribuna de 13 de novembro de 2017

Clima levará 50 anos para normalizar

Anomalias anuais de temperatura em relação a 1981-2010 (Imagem: OMM) Anomalias anuais de temperatura em relação a 1981-2010 (Imagem: OMM)

Mas isso só se o Acordo de Paris for efetivamente implementado; para Peteri Taalas, da Organização Meteorológicas Mundial, “estamos no rumo de 3 a 5 graus de aquecimento”

Se a humanidade tiver sucesso em implementar o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris e estabilizar o aquecimento global em 1,5oC, o mundo seguirá batendo recordes climáticos negativos até por volta de 2060. A avaliação sombria foi feita pelo finlandês Petteri Taalas, chefe da Organização Meteorológica Mudial (OMM), nesta segunda-feira (6) – que emendou, no entanto, que “até agora não estamos nos movendo nessa direção”.

Taalas apresentou à imprensa, na abertura da COP23, em Bonn, as conclusões preliminares do Estado do Clima Global, um relatório produzido anualmente pela OMM que registra as principais alterações do clima da Terra. Em 2017, o relatório contou com participação de outras nove agências da ONU, como o FMI, que estimou também as perdas de PIB causadas pelo aquecimento global no mundo.

O rosário de desgraças climáticas deste ano, desfiado pelo chefe da OMM na conferência de Fiji-Bonn, é conhecido de qualquer pessoa que não tenha acabado de chegar de Marte. Mas mesmo assim impressiona quando mostrado em conjunto: 2017 será o segundo ou terceiro ano mais quente de todos os tempos desde o início das medições, em 1880, e o mais quente da história sem El Niño, superando de longe 2014; entre janeiro e setembro, a temperatura ficou 1,1oC acima da média de 1880 a 1900; as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera em 2016 foram as maiores em 3 milhões de anos, ultrapassando 403 partes por milhão, mesmo num ano em que as emissões de carbono por uso de energia não cresceram; recordes também foram batidos nas concentrações de metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), respectivamente o segundo e o terceiro gases de efeito estufa mais importantes.

A alta temperatura causou ondas de calor e incêndios florestais no sudoeste da Europa, na Califórnia e no Canadá; na Patagônia argentina, os termômetros bateram 43,5oC abaixo da latitude 45 Sul; secas agravaram guerras no Iêmen, no Sudão do Sul e na Somália.

E tudo isso para não falar na temporada de furacões de 2017, a mais cara de toda a história, com duas supertempestades (Harvey e Irma) tocando terra nos EUA, três furacões de categorias 4 e 5 se sucedendo em duas semanas e o furacão de categoria 5 mais duradouro da história, o Irma.

“A Organização Mundial da Saúde começa a ver um aumento no número de pessoas expostas a ondas de calor. São 175 milhões por ano”, disse Taalas. E as estimativas do FMI dão conta de que os países mais pobres da América Latina, da África, do Sudeste Asiático e da Oceania estão vendo um encolhimento de suas economias da ordem de 2% a 4% devido a mudanças decorrentes da elevação de 1oC na temperatura global.

Imagine agora que as discussões em Bonn visam tentar limitar o aquecimento a quase o dobro disso. Segundo o chefe da OMM, mesmo que esse esforço seja bem-sucedido e a humanidade consiga nos próximos 20 anos atingir a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, limitar o aquecimento a 1,5oC, o número de eventos extremos continuará crescendo por décadas.

“A coisa negativa sobre o sistema climático é que nós emitimos tanto que vai levar 50 anos para [o planeta] se recuperar, o que significa mais tendências negativas e mais recordes desconfortáveis”, disse Taalas. “Se nós conseguirmos implementar o Acordo de Paris, poderíamos ver uma redução disso a partir dos anos 2060. Caso contrário, claro, isso continuará por milhares de anos, dada a persistência do CO2 na atmosfera.”

O problema, afirmou, é que não há nada hoje que nos autorize a antever o melhor cenário. “Até aqui não temos caminhado nessa direção; caminhamos para 3oC a 5oC de aquecimento neste século.”

Fonte – Claudio Angelo, Observatório do Clima de 06 de novembro de 2017

Emissões em 2017 batem recorde e soterram esperança de “pico”

fung.leo

Aumento previsto para este ano é de 2%, após três anos sem crescimento; estímulo econômico e incremento do setor de petróleo na China, além de mau desempenho da Europa, estão entre causas, sugerem dados revelados em Bonn

Foi bom enquanto durou. Mas a esperança de que o mundo tivesse atingido o platô de emissões de dióxido de carbono acaba de ser assassinada. Seu algoz foi o GCP (Global Carbon Project), um grupo internacional de cientistas que monitora todos os anos quanto carbono a humanidade despeja no ar.

Nos últimos três anos – 2014, 2015 e 2016 – o GCP tem feito a publicação de seus dados nas conferências do clima, sempre com uma boa notícia: as emissões globais do setor de energia haviam aparentemente interrompido sua trajetória incansável de crescimento, mesmo com crescimento da economia. Embora os cientistas do GCP sempre tenham tido cuidado em afirmar que não dava para dizer que isso era uma tendência, muitos formuladores de políticas públicas viam nos dados uma evidência de que a humanidade poderia ter atingido o pico de emissões – seguido de um inevitável declínio.

Só que não. Os dados preliminares de 2017, apresentados nesta segunda-feira (13) na COP23, em Bonn, apontam para um crescimento de 2% nas emissões globais de CO2 até o fim do ano. Elas devem bater um novo recorde, atingindo 41 bilhões de toneladas.

O GCP não põe nessa conta outros gases de efeito estufa, como o metano. Somados, eles aumentariam as emissões globais por todos os setores significativamente. No ano passado, por exemplo, dados da ONU mostram que as emissões totais atingiram 51,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.

“Isso mostra que não dá para sermos complacentes e acharmos que as emissões ficarão estáveis”, disse Glen Peters, pesquisador do CICERO, na Noruega, e um dos líderes científicos do GCP. Ele admitiu, no entanto, que os dados de 2014, 2015 e 2016 foram uma ilusão útil. “Isso trouxe um otimismo e uma esperança muito necessários à discussão climática, de acreditar que poderíamos cumprir a meta de [estabilizar o aquecimento global em menos de] 2oC”, afirmou. Esse objetivo foi consagrado no Acordo de Paris, cujo manual de instruções está sendo negociado em Bonn até o final desta semana.

A lógica dos esperançosos se baseava num suposto “desacoplamento” entre crescimento econômico e emissões. Ganhos de eficiência energética, substituição do carvão mineral e avanço das energias renováveis, em especial nos quatro maiores emissores do mundo – China, EUA, União Europeia e Índia – haviam produzido o aparente milagre de manter as emissões estáveis mesmo com um crescimento médio de 3% do PIB mundial ao longo desse período.

E isso de fato aconteceu. Nos EUA, o carvão mineral deu lugar ao gás natural; na China, várias centenas de usinas a carvão vêm sendo desativadas ou tendo sua construção cancelada, devido ao barateamento dos fósseis; e na Europa, uma combinação entre eficiência e renováveis tem reduzido emissões.

No entanto, “esse equilíbrio é muito frágil”, disse Corinne LeQueré, diretora do Tyndall Centre, da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e uma das investigadoras principais do GCP. Em 2017, uma retomada do consumo de carvão na China e um aumento no uso de petróleo, na esteira de um pacote de estímulo econômico baixado pelo governo no fim de 2016, além de um ano seco que reduziu a geração das hidrelétricas, causaram um aumento de 3,6% nas emissões chinesas.

Mesmo com uma desaceleração nas emissões indianas, que cresceram apenas 3% (metade dos últimos anos) em 2017 e o leve declínio visto na Europa (0,2%) e nos EUA (0,4%), a China mais uma vez puxou as emissões globais para cima.

“A tendência nos próximos anos é crítica para o nível de aquecimento que veremos nas próximas décadas e os riscos a ele associados”, afirmou LeQueré.

E deu um recado para países como o Brasil, que estão mergulhando de cabeça na economia do petróleo: “Precisamos de reduções em toda a economia, não apenas no carvão, mas também no óleo e gás.”

Os dados são um balde de cerveja fria para a COP de Fiji-Bonn, que começou sob ameaça de ressurgimento da rusga política entre países ricos e pobres que contaminou as negociações climáticas por 20 anos antes do Acordo de Paris. E sinalizam que a meta do acordo do clima, mais uma vez, está balançando.

“Quando você olha para as promessas nacionais, elas implicam emissões mais ou menos estagnadas pelos próximos anos. Não estamos nem de perto no rumo de 2oC”, disse Glen Peters. “Até mesmo para assegurar emissões estagnadas precisamos reforçar as políticas públicas, e não há muita coisa acontecendo em termos de políticas públicas”, continuou. “Nos últimos anos tivemos sorte de ter o crescimento econômico compensado pelo aumento da eficiência energética e das renováveis. Mas, no rumo de 4% ao ano de crescimento, para não ter aumento correspondente de emissões, teremos de ter políticas públicas fortes”.

Fonte – Observatório do Clima de 13 de novembro de 2017

Documento de 15000 cientistas: o planeta em crise, a mudança é agora ou nunca mais

Documento di 15000 scienziati: il Pianeta in crisi, si cambi ora o mai più

Para uma civilização cujo desenvolvimento é medido em milênios, 25 anos não é nada. Certamente não deveria ser suficiente para devorar um planeta inteiro. Mas é para isso que estamos nos encaminhando, e em um aviso para a humanidade, os cientistas explicam que, no espaço de uma ou duas gerações tomamos o caminho da autodestruição.

Era 1992, quando a Union of Concerned Scientists (UCS, uma organização internacional de cientistas envolvidos em campanhas pela sustentabilidade, sediada nos EUA) publicou o primeiro “Aviso dos cientistas do mundo para a humanidade”. Assinado por mais de 1.400 especialistas, o documento mostrava indicadores alarmantes, do desmatamento às reservas hídricas, até o crescimento da população: as atividades humanas estavam destruindo os ecossistemas, conduzindo a própria humanidade a uma crise global, sem precedentes.

Depois de um quarto de século, e não por acaso publicado exatamente durante as negociações da 23ª Conferência das Partes, em Bonn da Convenção das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, os cientistas da UCS emitiram um segundo aviso.

Usando dados de organizações governamentais e não-governamentais, os especialistas avisam: estamos a ponto de provocar um “dano irreversível” ao planeta Terra, estamos a um passo de atingir os limites de tolerância da biosfera. Eles reiteram a mensagem escrita muito claramente 25 anos atrás: “É preciso uma mudança drástica na gestão dos recursos terrestres” para evitar o colapso do sistema Terra, o ser humano incluído.

Os signatários do documento, liderados por William Ripple, professor de ciências florestais na Universidade Estadual de Oregon, desta vez são 15 000 (dos quais 280 operam em instituições italianas), provenientes de 184 países e incluem a maioria dos ganhadores do prêmio Nobel ainda vivos. Nunca tantos especialistas se reuniram em um único documento científico.

Seria fácil rotular o apelo como um alarmismo com viés catastrófico-ficcional. O trabalho dos cientistas é estudar as mudanças a longo prazo nos ecossistemas, explica Ripple. “E aqueles que assinaram não estão levantando um falso alarme: estão apenas avisando sobre os sinais claros de que estamos seguindo ladeira abaixo, rumo a um percurso insustentável”. Os progressos realizados para uma coexistência entre a espécie humana e todas as outras formas de vida, e para garantir um futuro para nós mesmos, são poucos, mas importantes. Quem escreve isso é Ripple e seus colegas na revista Bioscience, onde publicaram o relatório.

Foram registrados progressos na redução de compostos químicos responsáveis pelo buraco de ozônio, no aumento da produção de energia a partir de fontes renováveis, mas também no declínio da fertilidade (ligado a programas de educação e de sensibilização) em algumas regiões, e, por fim, no declínio da taxa de desmatamento, que passou de 0,18% por ano em 1992 para 0,08% ao ano atualmente. Essas são as melhorias, de outra forma, todo o resto continua muito preocupante.

É grave a situação dos recursos hídricos per capita, que diminuíram em 26% desde 1992 (vocês não sentiram o problema? Muito possivelmente sim, no mais é uma média e significa que em algum lugar alguém provavelmente ficou sem água). Continuam a diminuir os estoques de pescado, embora o boom da aquicultura tenha dado algum fôlego para os oceanos. Aumentam, e dramaticamente, as “zonas mortas” marinhas: milhares de quilômetros de costa tornaram-se estéreis pelo afluxo de poluentes originados pelo setor agropecuário (por exemplo, os fertilizantes para a agricultura).

Estamos derrubando menos árvores, certamente, mas ainda assim perdemos 122 milhões de hectares de florestas em 25 anos, dizendo um não a um dos melhores seguros contra o aquecimento global. Disso decorre o problema da atmosfera, aquecida por emissões de gases de efeito estufa que aumentaram implacavelmente em 62% em vinte anos. Tudo isso causou um aumento na temperatura média global na Terra de 167%, e repercute sobre nossos coinquilinos do reino animal: desde 1992, perdemos 29% das espécies, entre mamíferos, anfíbios, répteis, peixes e aves.

Os cientistas insistem que é crucial, para superar essa longa descida rumo ao colapso, a redução da taxa de crescimento da população humana, que aumentou em 2 bilhões em 25 anos, equivalente a um aumento de 35% desde o primeiro aviso da UCS.

E a Itália, em tudo isso? Qual é a sua contribuição? De acordo com Alberto Basset, professor de ecologia da Universidade de Salento, e signatário do aviso, “o fato de que em alguns países, como a Itália, muitos dos indicadores estejam na contratendência não é motivo de tranquilidade e nem mesmo de satisfação. De fato, nossa ‘pegada ecológica‘ geral vai além do território italiano e contribui para as tendências globais destacadas no relatório”. “Na Itália, as mudanças na superfície florestal e na população estão na contratendência em relação aos dados globais. A preservação das espécies animais e vegetais é muito avançada, a perda de habitat reduzida e em alguns casos verificou-se uma recuperação de habitats prioritários, como, por exemplo, é o nosso rico patrimônio lagunar. No entanto, existem outros pontos fracos, como a invasão de espécies exóticas, o abandono das terras agrícolas, a exploração excessiva das águas subterrâneas, e o nível de poluição geral, todos elementos de desequilíbrio significativos para o nosso país”, explica o ecologista.

Basset afirma que “a principal prioridade é a difusão da cultura ecológica no nosso país que leve os cidadãos a estarem cientes da interdependência da nossa saúde e do nosso bem-estar com aqueles das outras espécies com as quais compartilhamos o território. O conhecimento científico e as políticas de prevenção mais avançadas são certamente importantes, mas o elemento decisivo é o nosso comportamento e nossa percepção do valor dos ecossistemas”.

Uma visão, esta, compartilhada pelos autores do relatório, segundo os quais a intervenção política é fundamental, mas, dizem, “chegou o momento de re-examinar e mudar os comportamentos individuais, incluindo nossa reprodução (limitar-se a dois filhos por família), e a diminuição drástica do consumo per capita de combustíveis fósseis e de carne“.

É o segundo aviso, e desta vez pede a nossa participação, das nossas comunidades, das nossas famílias. Haverá tempo para uma terceira advertência?

Fontes – Jacopo Pasotti, La Repubblica / tradução Luisa Rabolini, IHU de 14 de novembro de 2017

Estudantes da Unipar faturam 1º Desafio Pontes de Macarrão

A competição realizada pela concessionária VIAPAR reuniu acadêmicos de engenharia das regiões Norte e Noroeste do Paraná

A equipe “Trovão Dourado”, composta pelos acadêmicos de engenharia civil e mecânica da Universidade Paranaense (Unipar), de Umuarama sagrou-se campeã do 1º Desafio Ponte de Macarrão: Desafio do Rio Ivaí, promovido pela concessionária de rodovias VIAPAR. A competição ocorreu na manhã deste sábado (11), na sede da empresa em Maringá e contou com 15 grupos inscritos. Além de troféu, os estudantes faturaram o prêmio de R$ 1.500,00, além da bonificação de R$ 500,00 pela conquista do recorde de Maringá [desde 2016]. A maquete da ponte construída por eles suportou o peso de 186,67 kg.

E essa não é a primeira vez que eles faturam uma competição do gênero. É o terceiro 1º lugar em menos de dois anos. “É muita dedicação, estudo para entender como funcionam as matérias e, com isso, fazer os cálculos com precisão. Porém, o primordial e a cooperação entre os integrantes da nossa equipe, pois sempre tomam as decisões em comum acordo. Estamos muito contentes com mais este resultado”, comentou o estudante, Danilo Ratti da Silva. “Eventos como este são muito importantes, pois incentivam e auxiliam na formação de bons profissionais. Esse bom resultado é sinal que estamos no caminho certo”. A equipe foi ainda formada por  Matheus Henrique Rossato Casola e Marcelo Ximenes Pereira,

Em 2º lugar ficou o grupo “Marilene”, da Uningá – Centro Universitário, de Maringá. A estrutura de macarrão construída pelos estudantes de engenharia mecânica, Pietra Evellyn Militão, Rafael de Oliveira Bisol e Gabriel Sempre Bom, suportou o peso de 146.91 kg – eles faturaram medalhas e prêmio de R$ 1.000,00. Já o terceiro lugar foi para a “Cup Noodles” da Faculdade de Engenharias e Arquitetura (Feitep), também de Maringá, composta pelos acadêmicos de engenharia civil, Felipe Aquaroni Sanches, Lucas Cividini dos Santos, Leonardo Vitor e Allisson José Bernardes Vettor – a ponte de macarrão deles suportou 117,02 kg – levaram para casa o cheque de R$ 700,00 e medalhas.

Antes de levadas à máquina para o teste de tração, todas as maquetes de macarrão foram avaliadas conforme o regulamento. Todas as decisões tomadas em comum acordo dos jurados, sendo um professor de cada instituição participante, além de um engenheiro da VIAPAR. “As equipes se dedicaram bastante na construção das pontes, projetos satisfatórios com cargas variáveis. É um evento valido para a formação de bons profissionais, uma maneira prática de trabalhar a matéria cálculo”, avaliou o professor da Feitep, Marcos Fernando Vinícius de Souza Schimitt. “Com certeza lá na frente os participantes não vão cometer os mesmos erros feitos nesta competição”.

Fonte – Assessoria de comunicação da VIAPAR de 11 de novembro de 2017