Emater investe para ampliar a presença de abelhas na agricultura

Polinização aumenta qualidade, tamanho e amadurecimento de hortas, pomares e lavouras /MARCO QUINTANA/JC

Entre os muitos espaços da Emater na Expodireto um dos mais movimentados foi um pequeno reduto entre árvores bem ao fundo do parque. É lá que a entidade divulgou os benefícios da união da agricultura com a apicultura. Ou melhor, com a meliponicultura: trabalho com meliponíneos (abelhas sem ferrão). De acordo com o engenheiro Agrônomo da Emater-RS/Ascar, Antônio Altíssimo, especializado no segmento, como as abelhas sem ferrão são menores, tendem a fazer uma melhor polinização de plantas, hortaliças e frutas. Os benefícios em produtividade e qualidade se dão em todas as culturas, garante o técnico.

 

“Um bom exemplo é o trabalho que fizemos voltado ao morango. Alguns produtores estavam com problemas com frutos disformes, feios, e acreditavam que era ação de fungos. Ao inserirmos colmeias na plantação, os frutos começaram a vir perfeitos”, comemora Altíssimo, destacando a espécie Jataí entre as opções de inseto.

O benefício, diz o engenheiro agrônomo, se deve ao fato de que o morango precisa ser bem polinizado para que fique uniforme, e com mais abelhas entre as frutas, o problema foi resolvido. Em média, diz Altíssimo, se recomenda uma colmeia a cada 200 metros quadrados de cultivo. Unir abelhas e agricultura tem enormes benefícios e ganhos e baixo custo. O engenheiro da Emater avalia que o custo pode ser bastante reduzido, já que a colmeia pode ser feita artesanalmente ou comprada por, no máximo, R$ 200,00. “Por isso intensificamos esse trabalho de divulgação da meliponicultura em feiras e eventos há cerca de dois anos”, descreve Altíssimo.

A união desses insetos e a agricultura vem sendo estimulada por diferentes empresas com forma de explorar até o benefício das sementes. É o que faz a Bayer, por exemplo, no cultivo de melancias Pingo Doce, uma variedade com alto teor de açúcar e sem sementes – e que justamente por ter menos semente, depende ainda mais da polinização para ter alto rendimento.

Basicamente a polinização aumenta o número, a qualidade, o tamanho, o formato e o peso de frutos e sementes. Além disso, encurta ciclos e uniformiza o amadurecimento das hortas, pomares e lavouras, diminuindo perdas na colheita. Na lista de variedades a Emater lista ao menos 24 espécies nativas do Estado, e ainda pouco utilizadas como estratégia de produção. Entre elas, manduri, jataí, mandaçaia, mandaguari e mirim. Ao todo seriam mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil. O tema vem ganhando cada vez mais importância no setor e pesquisas no meio científico e agronômico em casos recentes de sumiço e mortandade de abelhas em diferentes anos e regiões do Estado. O fato estaria ligado ao impacto do uso de agrotóxicos em excesso nas lavouras, segundo alguns resultados de análises.

Biodefensivos ganham mercado e destaque em Não-Me-Toque

Em um setor dominado por multinacionais e grandes companhias que priorizam defensivos químicos, a fabricante de fungicidas Simbiose, de Cruz Alta, vem se destacando em um cenário de produção mais sustentável. É a partir de fungos e bactérias existentes no próprio solo que a empresa, criada há 10 anos no Paraná, vem ganhando mercado. “O mercado de defensivos sustentáveis cresce uma média de 20% ao ano no Brasil, muito por demanda dos consumidores que querem produtos melhores na mesa. Nós estamos crescendo o dobro”, comemora Deraldo Horn, gerente de marketing da empresa.

Além de pesquisas próprias, a empresa também tem buscado parcerias com entidades como Embrapa e universidades para levar ao mercado pesquisas no segmento de insumos microbiológicos que normalmente ficariam restritos aos laboratórios acadêmicos, diz Horn. O resultado é que a empresa iniciou exportações em 2016, para o Paraguai, e está investindo R$ 10 milhões, inicialmente, na ampliação da fábrica desde 2017 para triplicar a capacidade produtiva.

De acordo com a Associação Brasileira de Controle Biológico (ABCBio), o mercado de produtos biológicos para agricultura representa apenas cerca de 2% do segmento de defensivos vendidos por aqui. Mas o setor vem em alta: de 2010 a 2016 o número de registros no Ministério da Agricultura saltou de 7% para 60% em relação aos produtos químicos. E o potencial de expansão é enorme, já que o mercado de defensivos movimenta por ano US$ 6 bilhões no Brasil, sendo que o controle biológico é responsável por apenas US$ 90 milhões, segundo a ABCBio.

“O potencial é tanto que grandes multinacionais como a Bayer vêm investindo neste segmento. E a aprovação de biodefensivos está ganhando prioridade nas aprovações do Ministério da Agricultura. Enquanto químicos podem levar até 10 anos para entrar no mercado, os biológicos estão sendo passados na frente e liberados em um prazo de dois a quatro anos”, comemora Horn.

Fonte – Thiago Copetti, Jornal do Comércio de 12 de março de 2018

 

Japão investiu mais de R$ 70 milhões para evitar sumiço das abelhas

No orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas. | Andre Borges/Agência BrasíliaNo orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas. Andre Borges/Agência Brasília

Essenciais não só pela produção de mel, as abelhas são as principais polinizadoras das lavouras; basicamente, a agricultura depende delas

Um crescimento expressivo no número de apicultores tem causado um “reboliço” no Japão, com os governos – em âmbito local e federal – apoiando o aumento da produção de abelhas que, além de produzirem mel, são essenciais para o cultivo de muitas frutas e vegetais. E o número de quem lida com a atividade simplesmente por hobby também tem subido.

Apicultores mantêm colmeias para criar os polinizadores desde os ovos postos pela Rainha. Os insetos acabam sendo vendidos para produtores rurais, que os liberam nas lavouras e estufas para fazer o trabalho de polinização. No entanto, embora os apicultores também coletem mel, a produção ainda é pequena. Em 2016, foram comercializadas 2,8 mil toneladas, o que corresponde a apenas 5% do mel disponível no mercado doméstico japonês. A maior parte é importada da China e outros mercados.

“Ser capaz de criar abelhas no inverno é uma das forças de Okinawa. Os números de envios de colmeias e de apicultores estão crescendo bem diante dos nossos olhos”, diz Tomohiro Tokiwa, num centro especializado para embarques de colmeias. Tokiwa, de 68 anos, é o representante da cooperativa de apicultores da prefeitura de Okinawa.

No dia da entrevista, cerca de 20 membros da cooperativa e outras pessoas estavam “empacotando” em contêineres algo em torno de 280 colmeias, que continuam aproximadamente 8 mil abelhas. “Elas provavelmente serão usadas para cerejeiras na região de Tohoku e estufas e de morangos e outras culturas na região Norte de Kanto”, explica.

Agricultores compram as abelhas por meio de cooperativas agrícolas, empresas de sementes e outras entidades. O principal objetivo é usá-las para polinizar plantações de abóboras, melancias e outras culturas.

De acordo com a divisão pecuária da cidade de Okinawa, há 164 apicultores cadastrados na prefeitura e que possuem 11,5 mil colmeias, o que representa um aumento de pelo menos três vezes em relação aos números de 2009.

O crescimento veio após um clima atípico e danos com pragas, provocados pela baixa reprodução das abelhas entre 2007 e 2008. Para assegurar um suprimento estável de abelhas, o governo solicitou às prefeituras que tomassem passos para aumentar a produção e promover o debate em suas regiões.

O foco foi especialmente na região de Okinawa, onde abelhas rainhas podem “dar cria” no inverno. Muitos agricultores, inclusive, passaram a criar os insetos.

O número de apicultores vem crescendo nos últimos anos. Segundo o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, havia 9,5 mil apicultores no país em 1985. Devido, sobretudo, ao envelhecimento da população, uma lacuna acabou se formando na atividade: em 2005, restavam somente 4,8 mil trabalhadores. A recuperação ficou evidente no ano passado, que terminou com 9,3 mil apicultores.

Houve, ainda, um crescimento em relação aos “apicultores de fim de semana”. Uma revisão na Lei de Promoção da Apicultura obrigou mesmo quem cria abelhas por diversão a se registrar junto às autoridades.

Yuya Saito, de 70 anos, um escrivão da região de Ishinomaki, virou apicultor em 2012, por hobby. Apaixonado por animais, Saito notou muitas abelhas quando estava limpando sua casa e os arredores depois do grande terremoto na costa leste do Japão, em 2011. “Meu interesse no meio ambiente local aumentou desde que eu comecei com a apicultura. Coletar o mel no final do verão é uma alegria”, conta.

Contudo, um novo problema surgiu: as chamadas plantas das abelhas têm desaparecido devido ao desenvolvimento das cidades e outros fatores. Elas incluem os astrálogos chineses, laranja mandarin e outras flores nas quais os polinizadores coletam o néctar.

Em 1985, havia cerca de 370 mil hectares com esse tipo de plantas espalhados pelo país. Em 2016, entretanto, a área tinha caído em mais de dois terços, atingindo 120 mil hectares.

Com o número de apicultores subindo, as abelhas estão encontrando muito mais competição pelo néctar, de modo que a falta do alimento traz um efeito negativo para a reprodução delas.

No orçamento de 2017, o Japão destinou mais de US$ 22 milhões – ou R$ 72,6 milhões – para centros de produção, o que inclui auxílio para a proliferação das plantas das abelhas.

“Um suprimento estável de abelhas é necessário para promover a apicultura, o que ajuda a aumentar a renda local e revitalizar comunidades. Mesmo que seja necessário tempo para resolver problemas, nós continuamos com nosso apoio”, afirma um membro do Ministério da Pecuária e Abastecimento.

Fontes – The Washington Post / Gazeta do Povo de 25 de março de 2018

Placas para proibir carroças estão no limite com Sarandi

Trânsito. Este é o primeiro passo para implementação da lei sancionada em outubro do ano passado. Segundo serão blize educativas

A Semob (Secretaria de Mobilidade Urbana) instalou placas de proibição de tráfego de veículos com tração animal em quatro ruas do Jardim Bertioga, no limite de Maringá com Sarandi. Este é o primeiro passo para impedir a circulação de carroças na área urbana.

O Jardim Bertioga, que é cortado pela avenida Prefeito Sincler Sambatti (Contorno Sul), é a primeira área a receber as placas de advertência porque técnicos da Semob acredita que a maioria dos carroceiros que trabalham em Maringá é oriunda de Sarandi.

A lei, que foi aprovada pela Câmara em setembro do ano passado sob protestos de carroceiros e sancionada pelo prefeito Ulisses Maia (PDT) em outubro, prevê apreensão do animal e encaminhamento ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), multa de R$ 1 mil ao dono e pagamento de R$ 100 pelo transporte e mais R$ 50 por dia de alojamento. Após 72h, o animal recolhido será colocado para adoção. A lei estabelece ainda que a Sasc (Secretaria de Assistência Social e Cidadania) deve cadastrar carroceiros para oferecer-lhes cursos profissionalizantes ou organizar cooperativa de coletores de materiais recicláveis.

Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur, a próxima ação será a realização de abordagem educativa por agentes de trânsito aos carroceiros, ainda sem previsão para início. “Mas não temos visto mais muitas carroças circulando por Maringá”, disse.

O secretário diz que a maior dificuldade para a implementação da lei vencidas as etapas iniciais será fazer o recolhimento do animal porque é preciso de transporte adequado – um trailer -, a presença de um especialista em animais de grande porte e caminhão para levar a carroça. “Acredito que esta lei é mais uma questão de maus-tratos a animais do que uma de trânsito”, afirmou.

De acordo com o vereador Flávio Mantovani (PPS), autor do projeto de lei, as medidas são de mobilidade urbana porque uma outra lei, também de sua autoria, impõe multa de R$ 2 mil para maus-tratos decorrentes da imprudência, imperícia ou até ato involuntário contra a saúde e necessidades físicas e mentais dos animais.

“A Sasc tem um orçamento anual de R$ 42 milhões e garantir o encaminhamento de algumas pessoas não será problema” FLÁVIO MANTOVANI, VEREADOR

Para o parlamentar, a fiscalização precisa ser iniciada na região central de Maringá depois da realização das blitze educativas e a prefeitura tem todas as condições para implementar a lei porque possui profissionais e veículos para transportar animais e as carroças e também para encaminhar carroceiros a cursos profissionalizantes. “A Sasc tem um orçamento anual de R$ 42 milhões e garantir o encaminhamento de algumas pessoas não será problema para a secretaria”, afirmou.

“Mas não temos visto mais muitas carroças circulando por Maringá” GILBERTO PURPUR, SECRETÁRIO DE MOBILIDADE URBANA

Antes da aprovação da lei, uma outra limitava a circulação de carroças das 10h às 18h30, de segunda a sexta-feira, e das 7h30 às 13h aos sábados na região central da cidade. Mas nunca houve fiscalização por parte do órgão de trânsito. Um decreto proíbe a criação de cavalos, burros e mulas na área urbana.

Fonte – Eduardo Xavier, Metro Maringá de 24 de abril de 2018

Lixo na escola: qual a importância e como podemos reciclar os materiais gerados neste ambiente?

É fundamental que as escolas mostrem para os seus alunos o caminho percorrido pelo lixo e a importância da reciclagem desses resíduos. Imagem: AVAVA / iStock / Getty Images Plus

As escolas descartam uma grande quantidade de lixo, sendo que a maior parte deste montante é reciclável. Investir em ações que incentivem a reciclagem desses materiais é importante não apenas par ao meio ambiente, mas também para envolver e conscientizar os alunos e a comunidade escolar a respeito da sustentabilidade ambiental.

Vale destacar que o debate a respeito do lixo é fundamental, e deve estar presente nas salas de aula para dar exemplo aos alunos e fazer com que eles aprendam a cuidar do meio ambiente de maneira prática. O aprendizado dos alunos não se restringe à teoria, e é essencial que eles se envolvam com os assuntos discutidos na sala.

O que ensinar aos alunos sobre lixo?

Uma escola é capaz de gerar uma grande quantidade de lixo por dia: além de papéis e materiais, há a hora do recreio, em que alunos e professores descartam restos de alimentos e itens como sacos plásticos, embalagens, guardanapos e copos. O final do intervalo para o recreio, portanto, pode ser um excelente momento para mostrar aos alunos a quantidade de detritos que são descartados.

Aulas teóricas a respeito do caminho que o lixo percorre ao ser descartado também são importantes, de modo a ensinar como as ações cotidianas levam ao acúmulo de resíduos nos lixões. Também é importante destacar a importância de separar os materiais recicláveis e não recicláveis, encaminhando todos de maneira adequada.

Para as crianças pequenas, aprender a jogar seu lixo em uma lixeira já é um grande aprendizado. Porém, é preciso ir além e ensinar como podemos fazer a diferença no impacto que ele causa ao meio ambiente. Uma dessas ações é separar o lixo em lixeiras apropriadas, como as de materiais orgânicos, plásticos, papeis, vidros, eletrônicos e o restante do lixo.

Outro fundamento essencial é mostrar para os alunos como eles podem diminuir a quantidade de lixo gerada por meio de ações simples como reduzir o uso de copos plásticos ou reaproveitar garrafas PET.

A importância da reciclagem

A união das aulas teóricas com a prática da coleta de lixo seletivo permite ao aluno refletir sobre a realidade mundial a respeito da poluição. O mundo não tem recursos infinitos, embora sejam abundantes. Por isso, se não houver cuidado no manejo de fontes animais, vegetais e minerais, simplesmente se extinguirá.

O lixo é um dos principais causadores dos danos ambientais. Materiais como uma sacola plástica, quando jogados diretamente na natureza, demoram no mínimo cem anos para se degradar. Enquanto isso não acontece, pode até mesmo matar espécies e contaminar rios. Mas se esse material for coletado e reciclado, ele não irá para a natureza e voltará a ser reutilizado em sua função anterior ou de outras formas.

Crianças e adolescentes tem uma tendência natural a se engajar por causas transformadoras, desde que incentivados adequadamente. Eles, inclusive, tendem a copiar comportamentos e a repercuti-los em seus grupos sociais — o que aumenta ainda mais a responsabilidade de envolvê-los em valores importantes.

Fonte – Pensamento Verde de 02 de abril de 2018

A tóxica dieta Trump

Foto: Twitter/Donald Trump

As políticas do ultraconservador presidente dos EUA, fã ardoroso do McDonald’s e  compulsivo por Coca-Cola, podem ampliar os males  da obesidade nos EUA    

Quando falou em “fazer a América grande novamente”, Donald Trump não deixou claro que proferia mais uma piada de mau gosto. O presidente dos Estados Unidos parece disposto a distribuir uns quilos a mais para cada cidadão estadunidense. Uma série de medidas simbólicas e práticas tem como meta dar cabo de um esforço coordenado para frear ou ao menos atenuar os efeitos negativos da obesidade.

“Fazer as refeições escolares grandes novamente”, anunciou em tom sinistro o material de divulgação do Departamento de Agricultura. Foi uma paráfrase infeliz do slogan oficial da atual gestão, aplicada a um tema em que “grande” não é exatamente sinônimo de saúde. Foi assim que o secretário Sonny Purdue definiu a reversão de parte da política de merendas saudáveis da administração Barack Obama: “Se as crianças não estão comendo o alimento, e está terminando no lixo, elas não estão tendo nenhum benefício nutricional.” Fazendo eco aos “melhores” argumentos da bancada ruralista brasileira, ele disse que não tomaria nenhuma decisão “que fizesse mal a seus 14 netos”.

Entre outras coisas, foi adiado em três anos o prazo para que as escolas passassem a oferecer refeições com níveis adequados de sal. O pretexto de que é difícil obter grãos integrais em certas localidades foi suficiente para “flexibilizar” essa norma. E, por fim, os leites desnatados com chocolate, que haviam sido eliminados do cardápio em 2012, devem voltar sob o argumento de que as crianças não gostam do líquido se não tiver aquele açúcar amigo.

Segundo os estudos de um grupo da Universidade de Harvard, as mudanças na alimentação escolar eram uma das medidas mais efetivas no combate à obesidade no país, somada à eventual criação de um imposto sobre o consumo de ultraprocessados e à redução de subsídios a certos produtos comestíveis. Só as mudanças na alimentação escolar poderiam prevenir quase dois milhões de novos casos de obesidade infantil até 2025.

Mas qual a importância da obesidade diante de um cenário de tensão global, escalada da xenofobia e revogação de direitos? A obesidade afeta 36,5% da população, segundo os dados mais recentes do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC), principal formulador de estudos na área de saúde. Entre crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, 31,2% estão obesos ou acima do peso. Os custos diretos com a obesidade no país chegaram a ser estimados em US$ 210 bilhões por ano – uma estimativa mais conservadora fala em US$ 150 bilhões, o equivalente a quase 10% do PIB brasileiro.

Sabe-se que o excesso de peso é uma das portas de entrada para as doenças crônicas não transmissíveis, que se transformaram nas grandes responsáveis por mortes em todo o mundo. O diabetes dobrou nos Estados Unidos em menos de 20 anos, chegando a quase 10% da população. O CDC estima que, se nada for feito, 33% dos norte-americanos adultos terão a doença em 2050.

Foto: Vamos falar de comida?

Trump: gosto particular do presidente pode influenciar políticas públicas e piorar o que já é ruim nos EUA; o excesso de junk food

Pois o CDC foi o palco de uma das muitas polêmicas da gestão Trump. Em julho do ano passado, o jornal The New York Times revelou que a diretora nomeada para o órgão, Brenda Fitzgerald, considerava a Coca-Cola uma aliada na luta contra a obesidade. Quando encarregada de comandar ações na área de saúde no estado da Geórgia, sede da multinacional, ela não teve dúvidas em aceitar US$ 1 milhão para um programa de atividade física nas escolas.

É de longa data a relação entre a indústria de refrigerantes e o sedentarismo, usado para desviar o foco do papel central que o açúcar exerce no crescimento da obesidade. Isso inclui usar a atividade física para criar uma imagem positiva para as empresas.

A revelação não foi suficiente para que Brenda deixasse o cargo. Em dezembro, o Washington Post trouxe à tona a proibição imposta por ela ao uso de certas palavras dentro do órgão de pesquisas: vulnerável, diversidade, transgênero, feto, baseado em evidências, baseado em ciência, direitos.

Brenda só caiu em janeiro, quando se revelou que, logo após assumir, ela comprou dezenas de milhares de dólares em ações de corporações de tabaco, justamente um dos maiores problemas de saúde do país, além de papéis de dois grandes laboratórios farmacêuticos.

Vai um escândalo, vem outro. Em fevereiro, foi revelado que uma lobista do agronegócio havia sido contratada para assessorar a equipe que formula a próxima edição do guia alimentar dos EUA, com lançamento em 2020. Kaille Tkacz trabalhava numa entidade de lobby de algumas das maiores corporações do agronegócio, antes de ser integrada ao Departamento de Agricultura, em agosto de 2017.

Bolsa Família, a repetição

Com a ideia de acenar à classe média sempre irritada com os “privilégios” do andar de baixo, Trump, de cara, atacou o Programa Assistencial de Nutrição Complementar (Snap, em inglês), semelhante ao Bolsa Família, que concede um benefício mensal de US$ 100 a 700. Atualmente, 42 milhões de pessoas (13% da população) estão cadastradas, mas o presidente quer garantir um corte gradual nos gastos até uma soma de US$ 193 bilhões em dez anos – atualmente, custa em torno de US$ 80 bi ao ano. Em geral, os programas sociais correspondiam a dois terços das reduções orçamentárias previstas no início do mandato.

Em dezembro, o secretário de Agricultura, Purdue, afirmou que o Snap não pode se transformar num “estilo de vida permanente”. De novo, soa familiar. Ele disse que foram criadas “flexibilidades” para garantir a “autossuficiência” dos cidadãos. Assim como no Brasil, “fraudes” em âmbito municipal serviram de pretexto para encolher o orçamento. Dias antes, o próprio Trump havia dito que as pessoas ficavam com raiva de ver que o vizinho não quer trabalhar “de jeito nenhum”.

A decisão de forçar os estados a limitar o benefício a indivíduos sem filhos é outra polêmica. Nos cálculos do Center on Budget and Policy Priorities, a exigência de restringi-lo a áreas com mais de 10% de desemprego excluiria de automático um milhão de cidadãos. Outros dois milhões deixariam de receber com base em restrições a idosos e pessoas com deficiência.

No começo de 2018, o governo voltou à carga contra o Snap, passando a prever um corte de 30% no orçamento até 2029. Outra medida é a conversão de parte do benefício em uma cesta de alimentos nada saudáveis: manteiga de amendoim, doces, cereais açucarados, feijão e frutas enlatados.

Também no início do ano, a Food And Drug Administration, equivalente à Anvisa, decidiu postergar para janeiro de 2020 a entrada em vigor da nova rotulagem nutricional, inicialmente prevista para julho deste ano. O objetivo é tornar os rótulos mais claros quanto a calorias e tamanho das porções, além de obrigar à separação entre açúcares naturais (como os existentes nas frutas) e açúcares adicionados.

Outra “flexibilidade”, essa patrocinada pelos republicanos no Congresso, tenta mudar uma proposta feita por Obama na virada da década e que deveria entrar em vigor em maio, após sucessivos adiamentos. Cadeias de restaurantes e máquinas de venda de comida teriam de passar a apresentar informação nutricional no local de compra. As empresas se apegam a um projeto de lei em tramitação, dizendo que esse daria maior liberdade para que cada estabelecimento possa definir a melhor maneira de apresentar os dados. O texto já passou pela Câmara e agora aguarda votação no Senado.

O pior é que os Estados Unidos, sede maior de transnacionais de alimentos, costumam ter o incômodo objetivo de influenciar o comportamento da humanidade. E, além de estimular o consumismo como pilar das economias de outros países, não são afeitos a aceitar não como resposta.

Exemplo tóxico

Donald Trump diz que odeia “perder tempo”. Refeição longa, para ele, é sinônimo de “atraso”. Por isso, invariavelmente, almoça um Big Mac, acompanhado de uma das 12 latas de Coca-Cola que ingere diariamente. É apaixonado confesso por McDonalds e Wendy’s (cadeia norte-americana de fast food especializada em “hambúrgueres quadrados”). O bacon vem antes, já no café da manhã, e o Doritos é consumido rotineiramente. O presidente garante, no entanto, que tudo que toma de refrigerante é “em versão diet”. Grande coisa; como veremos a seguir.

Homem que se orgulha por “não medir palavras”, o republicano consome calorias ao mesmo ritmo em que metralha o besteirol. O livro Let Trump Be Trump: The Inside Story of His Rise to the Presidency, (‘Deixe Trump ser Trump, a história da ascensão à  Presidência’, ainda sem publicação em português), escrito por Corey Lewandowski e David Bossie, revela a obsessão do líder ultraconservador pelos ícones transnacionais de comida porcaria.

O que vier, ele manda para dentro: Trump vive à base de lanches. Foto 2: Take Out

Os autores acompanharam a última campanha presidencial, em 2016. Eles registraram que um jantar típico de Trump é servido com duas unidades de Big Mac, dois sanduíches de peixe e um smoothie (“suco” com a consistência de um milk-shake) de chocolate. A refeição é igual a 2.672 calorias, quando o valor médio diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 2.000 a 2.500 calorias.

Obcecado também pelo Twitter, o homem de 71 anos acorda às 5h e verifica a conta da rede social sem sair da cama. Toma café da manhã vez ou outra. Se o faz, escolhe ovos e bacon. Quando não, só come pela primeira vez no almoço.

Autora do livro The Low-Fad Diet (um trocadilho com low-fat, uma dieta baixa em gorduras), a nutricionista inglesa Jo Travers, que faz parte da Associação Dietética Britânica, avaliou a alimentação de Trump para o jornal The Guardian. Ela concluiu que a dieta pode ter “impacto na capacidade do presidente norte-americano de raciocinar e tomar decisões”. Em resumo, Jo diz que o presidente não consome nenhuma fonte de ômega 3, “gordura boa” presente nas oleaginosas, em peixes e em sementes, fundamental ao funcionamento das células cerebrais. “O corpo substitui isso por outros tipos de gorduras, tornando mais difícil o trabalho dos neurotransmissores. Isso está muito ligado a distúrbios de humor”, explica.

A julgar só pelo consumo de Coca Diet por Trump, Jo Travers não está sozinha. A ingestão de bebidas com adoçantes artificiais aumenta o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e demência, de acordo com estudo publicado pela Universidade de Medicina de Boston (EUA) e revisado pela Associação do Coração do país em abril do ano passado.

Os pesquisadores avaliaram 2.888 pessoas acima de 45 anos (média de idade de 62) para o risco de um derrame e 1.484 pessoas acima de 60 (média de idade de 69) no caso de demência. Outros textos científicos reforçam que os refrigerantes com açúcar ou adoçados artificialmente aumentam a possibilidade de ataque cardíaco ou AVC.

Fonte – João Peres e Moriti Neto, O Joio e o Trigo de 15 de março de 2018

17 curiosidades sobre a água que você talvez não saiba

A água é essencial para que haja vida. Ela está presente em cada célula do corpo humano e é necessária para a produção de alimentos e qualquer tipo de bem de consumo. Nesta quinta-feira (22) é comemorado o Dia Mundial da Água, para celebrar esta data, o CicloVivo separou uma lista com 17 curiosidades sobre este recurso que podem mudar a forma como você enxerga este recurso:

1. O corpo humano de um adulto possui até 65% de água em sua composição. Em um recém-nascido o número é ainda maior: 78%.

2. O planeta Terra também é conhecido como o Planeta Água. A justificativa para o nome deve-se ao fato de que 70,9% de sua superfície é coberta por água.

3. Apenas 3% da água do mundo é doce. Deste total, 70% está na forma de gelo ou no solo.

4. 12% da água doce do mundo está no Brasil. O país é privilegiado por seus aquíferos, que armazenam a água no solo.

5. O Aquífero Guarani é o maior do mundo. Ele se estende por uma área média de 1,2 milhão de km2 e reserva, aproximadamente, 45 mil quilômetros cúbicos de água.

6. Existe mais água na atmosfera do que em todos os rios do mundo juntos.

7. De acordo com a ONU, existem 783 milhões de pessoas no mundo que vivem sem água potável. Em 2025 esse número pode chegar a 1,8 bilhão.

8. Na América Latina são 36 milhões de pessoas sem acesso à água de boa qualidade.

9. Enquanto nos EUA as pessoas gastam, em média, 370 litros de água por dia, os africanos usam de sete a dezenove litros.

10. Por não terem acesso à estrutura de saneamento básico, mulheres e crianças na África Subsaariana perdem até seis horas do dia caminhando longas distâncias para encher baldes de água. Em apenas um dia, a soma dessas viagens cobriria a distância de ida e volta à Lua.

11. Em média, 2/3 da água do mundo é usada para a produção de alimentos, em especial à agricultura e pecuária.

12. Nos EUA, 26% da água usada nas residências é gasta apenas em descargas.

13. Uma torneira que goteja a cada segundo pode vazar três mil litros em um ano.

14. Em São Paulo, os vazamentos nas redes de distribuição geram desperdício de 980 bilhões de litros de água por ano, em média, 30% da água tratada no município. Em Nova York são perdidos 13 trilhões.

15. Para fazer uma calça jeans são necessários, aproximadamente, dez mil litros de água.

16. Para produzir um quilo de manteiga são necessários 18 mil litros de água e para um quilo de carne gasta-se 15.400 litros.

17. Um banho de 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Uma mangueira aberta pelo mesmo tempo pode desperdiçar até 280 litros.

Diante destes fatos, é impossível não valorizar a água que chega até a sua casa. Faça sua parte, economize cada gota!

Fonte – Mayra Rosa, CicloVivo de 22 de março de 2018

Impacto dos seres humanos nas florestas continua evidente passados 500 anos

Foto: Brazilian things

Investigadores quiseram saber quão duradouro tinha sido o impacto da desflorestação de áreas da Amazónia há mais de 500 anos

Há mais de 500 anos, os seres humanos desflorestaram áreas da Amazónia para criar espaço para a agricultura e permitir às aldeias prosperar. Investigadores da Universidade de New Hampshire quiseram saber com maior precisão onde teriam sido estes locais desflorestados e quão duradouro teria sido o seu impacto na floresta tropical.

“Um dos grandes mistérios nesta região é o facto de ninguém saber quantas pessoas viviam na Amazónia antes do contacto com os europeus”, disse Michael Palace, professor associado da Universidade de New Hampshire.

“Quando os europeus chegaram, as populações indígenas foram devastadas devido às doenças, à escravatura e ao deslocamento, por isso costuma ser difícil determinar a duração do impacto. É importante compreender a resiliência ou fragilidade destas florestas em relação a perturbações antropogénicas, de forma a possibilitar um planeamento apropriado do uso dos recursos naturais.”

Um dos pouco indicadores destas povoações humanas é a “terra preta” – um tipo de solo escuro de origem antrópica, enriquecido por materiais deixados para trás por estas sociedades, como restos de cerâmica, carvão e outros artefactos.

“Utilizando imagens de satélite da NASA e modelação geoespacial, os investigadores descobriram que a biomassa (essencialmente, o peso da matéria viva), a altura das árvores e o coberto florestal eram inferiores nos locais da terra preta amazónica (TPA), quando comparados com os locais adjacentes. Para além disso, os locais de TPA também eram mais suscetíveis à seca.”

Os povos indígenas terão usado fogo para limpar o terreno, por isso os locais de terra preta podem ter sido pré-selecionados graças à sua propensão à ocorrência de secas ou à intensidade das estações secas.

Os investigadores também notaram diferenças nas propriedades espetrais entre os sítios de terra preta e os restantes, provavelmente causadas pela estrutura da floresta e espécies arbóreas, o que indica que as florestas remanescentes continuam a evidenciar os impactos dos padrões de antigos assentamentos humanos.

Mapa desenvolvido utilizando imagens de satélite e modelação espacial, que mostra o passado impacto humano na floresta amazónica. Imagem: Michael Palace / UNH

Fonte – The UniPlanet de 11 de abril de 2018

Entenda o que são espécies pioneiras e sua importância na recuperação de áreas degradadas

Espécies pioneiras são espécies vegetais que podem se desenvolver em locais inóspitos. Imagem: Taglass / iStock / Getty Images Plus

A degradação de áreas naturais é um problema que pode ocorrer por diversas razões, sejam elas naturais ou causadas pela ação humana nestas áreas. Como consequência, o local fica comprometido no que diz respeito à presença de espécies naturais e nutrientes disponíveis no solo.

É possível recuperar essas áreas de maneira natural, por meio da ação de espécies pioneiras, que podem fazer com que a vida volte a nascer naturalmente nestas regiões e recuperá-las mesmo após sua degradação.

O que são espécies pioneiras?

As chamadas espécies pioneiras são alguns tipos de espécies vegetais que podem se desenvolver em locais inóspitos, em que as condições são pouco favoráveis. Elas são capazes de manter-se perfeitamente desenvolvidas em locais com poucos nutrientes ou água.

Entre os locais nos quais podem se desenvolver espécies pioneiras, são as regiões quentes e secas — como locais com características desérticas e áridas — ou até mesmo proximidades de vulcões, locais rochosos e com poucas chances de se desenvolver a vida vegetal. As montanhas frias e rochosas também são locais em que espécies pioneiras podem se desenvolver, não sendo afetadas pelo calor ou frio extremo.

Para que haja o desenvolvimento destas espécies, suas sementes podem ser levadas pelo vento, por animais ou até mesmo pela intervenção humana, fazendo com que se adaptem a determinado local e passe a se desenvolver mesmo nas condições menos favoráveis. Estas espécies vegetais são chamadas de pioneiras justamente por serem as primeiras a surgir em determinada região degradada, onde antes não haviam outras espécies vegetais.

Entre as espécies vegetais mais conhecidas como pioneiras, estão as algas verdes, ammophilazostera e cyanobacteria, que tem em comum a fotossíntese como principal atividade de desenvolvimento e a capacidade de desenvolvimento nas regiões menos favoráveis a outras espécies de plantas e vegetais.

Espécies pioneiras e a recuperação de áreas degradadas

As espécies pioneiras são fundamentais na recuperação de áreas degradadas, pois são capazes de modificar as características do ambiente onde se instalaram, fazendo com que, de forma gradual, este local passe a ter mais nutrientes e possa se recuperar até que seja favorável para outras espécies vegetais.

Isso acontece porque as espécies pioneiras captam os nutrientes mais difíceis de serem absorvidos, o que outras espécies não conseguiriam fazer. Assim, quando estas plantas perdem folhas ou morrem, esses nutrientes fixados em seus tecidos liberam uma quantidade ainda maior de nutrientes no solo, tornando-o melhor do que era inicialmente.

Assim, o solo vai ficando cada vez mais rico em nutrientes e consegue armazenar mais água. As espécies pioneiras vão abrindo espaço para que a região se torne apta a receber novas espécies de vegetais, conhecidas como espécies secundárias, secundárias tardias e clímax, que vão se instalando nesta área conforme a qualidade da região vai se recuperando.

Fonte – Pensamento Verde de 06 de abril de 2018

Oceanos, serviços e importância, hora de conhecê-los

imagem dos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância. (Foto: wikipedia)

Oceanos, serviços e importância, o mais importante ecossistema da Terra, hora de conhecê-los

A cada vez que você respira, deveria agradecer aos Oceanos.  O processo acontece através da fotossíntese produzida pelo estoque de fitoplâncton, algas minúsculas que raramente enxergamos. Sua massa  é muito menor do que a das plantas continentais. Ainda assim,  todos os anos as algas levam para o fundo dos oceanos 50 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (em parte produzidos por nossos carros…), gás causador do efeito estufa. O dióxido de carbono é  transformado em matéria orgânica. Oceanos, serviços e importância, hora de conhecê-los melhor.

Geração de vida no planeta Terra

Ela surgiu primeiramente no mar. Aos poucos as criaturas marinhas foram se modificando, se adaptando à vida nos continentes. Mas foi o ‘imenso e possível oceano’ que, pela primeira vez, gerou vida no planeta.

Serviços: fornecimento de oxigênio para que respiremos

Ao produzir a fotossíntese, as algas retiram da atmosfera o dióxido de carbono e o depositam no fundo do mar, evitando que se acumulem na atmosfera acirrando o aquecimento global. Relatório, com o sugestivo nome, “O planeta está em uma encruzilhada”, apresentado durante o Congresso Mundial da Conservação- 2016, Havaí, diz que… “desde 1970 os oceanos absorveram 93% do calor causado pelos gases do efeito estufa”.

O mesmo relatório informa que… “…não fosse por este serviço,a Terra teria aquecido em mais 36ºC…”

Sylvia Earle, em seu A Terra é Azul, explica: ” A maior parte da ação se inicia com a luz solar. Ela é convertida em açucares simples e oxigênio nas células de trilhões de organismos microscópicos mundiais de clorofila, dióxido de carbono e água. Dessa forma, uma quantidade expressiva de dióxido de carbono fica retida nos oceanos. Enquanto isso, grandes proporções de oxigênio são devolvidos à atmosfera.”…E prossegue: “Um tipo de cianobactéria conhecido como Prochlorococcus é tão abundante (cerca de 100 octilhões vivas neste momento) que, sozinho, é responsável por cerca de 20% do oxigênio atmosférico. Outros fotossintetizantes marinhos contribuem com mais de 50% do nosso oxigênio. Teríamos dificuldade para respirar se dependêssemos apenas de árvores, grama e outras plantas de terra firme.”

Oceanos regulam o clima na Terra

Os oceanos regulam o clima na Terra através da interação entre as correntes marinhas e a atmosfera. O site nationalgeographic.org diz que “fluxos de massa de água, ou correntes, são essenciais para entender como a energia de calor se move entre os corpos de água da Terra, massas terrestres e atmosfera. O oceano cobre 71 por cento do planeta e contém 97 por cento de sua água, tornando o oceano um fator chave no armazenamento e transferência de energia térmica em todo o mundo. O movimento desse calor através das correntes oceânicas locais e globais afeta a regulação das condições climáticas locais e extremos de temperatura.”

As correntes marinhas têm papel fundamental

As correntes oceânicas estão localizadas na superfície. E também em águas profundas abaixo de 300 metros. Elas podem mover a água horizontalmente e verticalmente e ocorrem em escalas locais e globais. O oceano tem um sistema interligado de corrente ou circulação, alimentado pelo vento, marés,  rotação da Terra (efeito Coriolis), pelo Sol (energia solar) e as diferenças de densidade da água. A topografia e a forma das bacias oceânicas e das massas de terra próximas também influenciam as correntes.

O livro Amazônia Azul resume: “O oceano é uma enorme máquina térmica. O Sol aquece nas zonas tropicais e o calor armazenado na água é restituído à atmosfera nas latitudes mais elevadas (polos) estabelecido um equilíbrio térmico.”

Onde fica a água no planeta Terra?

Você já reparou que a NASA, ao estudar um planeta para o qual pretende enviar alguma nave, a primeira coisa que faz é identificar se o astro tem água? Por que? Porque sem água não há vida. O único planeta até agora descoberto, que tem água em abundância em estado líquido, é a Terra. Talvez isso explique por que a vida só foi descoberta neste mesmo planeta.

‘Oceanos retém 97% da água da Terra, sem o ‘Azul não teria o Verde’

Mais uma vez recorremos à Sylvia Earle: ” Os oceanos retém 97% da água da Terra e abriga 97% de sua biosfera. O mar controla a química do planeta, lançando na atmosfera a mesma água que voltará para a terra e para o mar através da chuva, da neve, e do granizo, reabastecendo continuamente rios, lagos e aquíferos subterrâneos.” Ela conclui: “sem o azul não haveria o verde.”

A ‘economia’ dos oceanos: US$ 3 trilhões até 2030

O consultor chefe do Reino Unido, Mark Walport, aponta  oportunidades na exploração da  “economia do oceano”, mercado que deve dobrar de tamanho, para US$ 3 trilhões (R$ 9,9 trilhões), até 2030. O relatório mostra a necessidade do mundo  ter o mesmo ânimo que demonstrou na exploração de Marte ou da Lua, só que, neste caso, para explorar os oceanos.

Oceanos do mundo e valor estimado US$ 24 trilhões!

O site do telegraph.co.uk/ diz que “os oceanos do mundo têm um valor monetário estimado de US $ 24 trilhões, de acordo com um novo relatório. Se os oceanos fossem uma nação, eles constituiriam a sétima maior economia do mundo, ficando atrás apenas da Grã-Bretanha, mas à frente de países como Brasil, Rússia e Índia, disse a WWF.

Empregos gerados diretamente pelos oceanos

No Índice de Saúde do Oceano, os Empregos Marinhos abrangem meios de subsistência dependentes da costa. Embora o objetivo  inclua nove setores marinhos diferentes, o componente de empregos marítimos examina apenas 5 deles: 1) Turismo 2) Energia das Ondas e das Marés 3) Maricultura 4) Observação de Mamíferos Marinhos e 5) Pesca.

O turismo é o número 1

O turismo marítimo e costeiro compõe o maior segmento da indústria mundial de turismo e viagens,  é responsável por mais de 200 milhões de empregos em todo o mundo

O turismo cresceu de 6% a 8% ao ano desde 1985, e mais rápido nos países menos desenvolvidos (PMDs).  É a principal fonte de ganhos em moeda estrangeira em 46 dos 49 países menos desenvolvidos. (Mel e Krantz, 2007; CREST, 2009).

ilustração com empregos gerados pelos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância

O oceanwealth.org/ diz que os recifes de corais são o exemplo do turismo baseado na natureza. Mais de 350 milhões de pessoas viajam anualmente para as costas dos recifes de corais do mundo.

Turismo de observação

O interesse pela megafauna marinha, como tubarões, baleias, golfinhos e tartarugas, cresceu. Enquanto alguns destes animais ainda são caçados, o seu valor para os pescadores é ofuscado pelo seu valor potencial na indústria do turismo quando estão vivos. Estima-se que cerca de 600.000 pessoas gastem mais de US$ 300 milhões anualmente para ver tubarões, garantindo cerca de 10.000 empregos em todo o mundo.  Em Palau, por exemplo, uma população estimada de 100 tubarões está apoiando US $ 18 milhões em tubarões por ano.

Alguns dados de turismo marinho

ilustração de atividades turística e empregos gerados dos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância: algumas atividades turística e empregos gerados

A dependência humana do mangue; da industria da pesca; a produtividade dos corais; e das gramas marinhas

Ilustração da dependência humana de ecossistema marinhos dos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância: produtividade de alguns habitats

A estocagem de dióxido de carbono por ecossistema marinho, mais um serviço prestado

ilustração da estocagem de dióxido de carbono por ecossistema dos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância: a estocagem de dióxido de carbono

Mais um serviço: a defesa da costa por ecossistema marinho

ilustração a defesa da costa por ecossistema marinho dos Oceanos, serviços e importânciaOceanos, serviços e importância

Oceanos: nova fronteira da economia mundial

De acordo com a OCDE “para muitos o oceanos é a nova fronteira da economia. Ela abrange os setores de transportes marítimos, energia eólica, pesca, biotecnologia marinha, recursos naturais e sistêmicos. Cálculos preliminares com base na Base de dados sobre aEnocomia dos Oceanos, da OCDE, estimam a produção em 2010 em US$ 1,5 trilhões, ou seja, aproximadamente 2,5% do valor  bruto mundial. O petróleo e o gás offshore representam um terço do valor total dos setores de atividades relacionados ao oceano, seguidos do turismo marítimo e costeiro, equipamento marítimo e portos. O emprego direto acrescentou cerca de 31 milhões de postos de trabalho em 2010. Os maiores empregadores foram a pesca industrial com mais de um terço do total.

Dados da FAO: a subsistência humana e os oceanos

A FAO estima que a pesca e a aquicultura asseguram a subsistência de 10 a 12% da população mundial, com mais de 90% das pessoas empregadas pela pesca de captura trabalhando em operações de pequena escala nos países em desenvolvimento. Em 2014, a pesca produziu cerca de 167 milhões de toneladas de peixe e gerou mais de US $ 148 bilhões em exportações, garantindo acesso à nutrição para bilhões de pessoas e representando 17% do total de proteína animal global – ainda mais em países pobres.

Extração mineral nos Oceanos

Embora seja uma atividade híper impactante, destruindo o subsolo marinho, ela vem crescendo. A tendência no futuro breve é que aumente exponencialmente. Basta lembrar que, em  2010, havia mais de 620 plataformas móveis de perfuração  de petróleo offshore no mundo (fonte: wikipedia.org). Mas ainda há gás. Só na “Zona Clarion-Clipperton, acredita-se haver mais de 27 bilhões de toneladas de nódulos, contendo sete bilhões de toneladas de manganês, 340 milhões de toneladas de níquel, 290 milhões de toneladas de cobre e 78 milhões de toneladas de cobalto.” Muitos destes minerais já vêm sendo explorados embora a tecnologia seja rude, e potencialmente perigosa.

A indústria e os sulfetos maciços

Mas agora a indústria está focando na extração de sulfetos maciços (SMS) do fundo do mar contidos no que são chamados ‘black smokers’, um tipo de fonte hidrotermal. São estruturas  semelhantes a chaminés que emitem uma nuvem de material preto e partículas com altos níveis de sulfetos, como cobre, zinco, chumbo, prata e ouro ( mining-technology.com). Felizmente ainda não há tecnologia para explorar as chaminés profundas, situadas em média a 4 mil metros de profundidade. Mas que virão, é questão de tempo. Chegará o dia que serão explorados como os diamantes, cascalho e areia são extraídos das águas costeiras durante décadas (worldoceanreview.com).

Outro serviço: produção de energia

Há várias formas para se produzir energia no mar. Entre elas as usinas de marés, os campos eólicos no mar e, infelizmente, na zona costeira. E ainda há usinas aproveitando as  correntes marinhas. Geradas a partir de uma combinação de temperatura, vento, salinidade, batimetria e rotação da Terra. O Sol age como a principal força motriz, causando ventos e diferenças de temperatura. Podem ser locais adequados para a implantação de dispositivos de extração de energia, como turbinas. e outras. A última coqueluche é a energia provida pelas ondas.

Oceanos, serviços e importância: veja como funciona a geração de energia pelas ondas

Pesca

Ela é citada em vários tópicos da matéria. Não avançamos mais porque está claro que, apesar dos empregos gerados, e da proteína que alimenta milhões de pessoas, a pesca do modo que é praticada hoje é  a maior ameaça à vida nos oceanos. Mas não deixa de ser mais um importante serviço prestado desde tempos imemoriais. Hoje, até mesmo o alto- mar não é poupado. De atividade sustentável no passado, passou a ser totalmente insustentável a ponto dos subsídios mundiais à atividade atingirem  a estratosférica soma de US$ 35 bilhões de dólares.

A cura de doenças

Este é um campo de estudos  ainda recente. Mesmo assim muitas espécies são estudadas para a cura de doenças. Ela pode vir de um simples tubarão (osteoporose), ou de outros organismos, como escamas de peixes. Muitas doenças como a AIDS, leucemia, e herpes já usam organismos marinhos sintetizados em suas fórmulas. A Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não tem mais efeitos. A substituição pode vir do mar.

Fontes

https://read.oecd-ilibrary.org/economics/the-ocean-economy-in-2030/summary/portuguese_12a6c953-pt#page1

http://www.worldbank.org/en/topic/environment/brief/oceans; https://www.telegraph.co.uk/news/earth/environment/11558558/Oceans-are-worlds-seventh-largest-economy-worth-trillions.html

https://oceanwealth.org/ecosystem-services/recreation-tourism/

https://en.wikipedia.org/wiki/Offshore_drilling

http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas—Rede-Ametista/Canal-Escola/Recursos-Minerais-do-Fundo-do-Mar-2560.html

https://www.mining-technology.com/features/feature118480/

ps://worldoceanreview.com/wp-content/downloads/wor3/WOR3_chapter_2.pdf

Sea Shepherd, conheça a história desta ONG

Fonte – João Lara Mesquita, Mar sem Fim de 10 de abril de 2018