As sacolas retornáveis merecem cuidados especiais


O pós-descartável - O consumidor precisa adotar uma série de procedimentos para evitar a contaminação dos alimentos

De tecido ou de plástico, as sacolas retornáveis, aos poucos, conquistam o seu espaço pelos corredores dos shopping centers ou nos carrinhos dos supermercados. Com estilo, elas servem como suporte para campanhas em defesa do meio ambiente e contribuem para a conscientização das pessoas quanto ao uso do plástico em excesso e o descarte excessivo de materiais.

Mas se uma sacola retornável vale por mil de plástico, é bom ficar de olho na sua higienização. Caso não sejam bem lavadas e conservadas funcionam como uma faca de dois gumes quando o assunto é transmissão de bactérias. Especialistas alertam para o uso correto das sacolas retornáveis, bem como sua limpeza, que deve ser feita toda vez que for usada.

“As infecções e intoxicações alimentares são produzidas por várias classes de micro-organismos, sendo as mais comuns os fungos e as bactérias”, destaca Shandra Carmen Sales Aguiar, que é coordenadora Núcleo de Educação do Consumidor e Administração Familiar do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Dentre os tipos de micro-organismos que podem produzir infecções ou intoxicações alimentares, os fungos são os que aparecem, às vezes, sobre a superfície do pão, bolo ou queijo.

Quanto às bactérias, apesar de algumas não causarem doenças, e serem usadas na indústria alimentícia na elaboração de certos alimentos, como o iogurte, leite fermentado e outros, a maioria de intoxicações alimentares são causados por elas, pelas toxinas que liberam.

Shandra Carmen Aguiar destaca algumas bactérias patogênicas, sendo as mais comuns Estafilococo, Shigella, Escherichia Coli, Salmonela e Bacillus Cereus, dentre outras. “Nem todos os alimentos são contaminados com a mesma facilidade”, diz.

Higiene

Alguns, no entanto, oferecem mais chances para a multiplicação de micro-organismos, justamente, por serem alimentos mais perigosos do ponto de vista da higiene alimentar, como carne, leite e queijos frescos.

Dessa maneira, as sacolas retornáveis apresentam risco de abrigar micro-organismos durante o transporte de alguns alimentos ou embalagens ocasionalmente contaminadas. “É natural, em certa medida, que a superfície de produtos e gêneros alimentícios contenha algumas bactérias, isso pelo manuseio da mercadoria e até pela sua própria origem”.

Porém, só existe problema se a quantidade de micro-organismos estiver acima de um certo limite, ou quando ocorre condição favorável para a multiplicação deles. Se algumas bactérias atingirem a superfície das sacolas e não houver higienização, poderá ocorrer uma multiplicação suficiente para transformar essa “carga bacteriana” com potencial para causar doenças.

“É interessante que o consumidor observe sempre quando for usar a sacola retornável se não há algum resíduo”. O ideal é lavar a sacola de imediato. “Sempre recomendamos que os alimentos devam ser higienizados antes de armazenados”, sugere.

Os micro-organismos, quando em maior quantidade, podem, também, alterar o sabor e até estragar o alimento, observa. Outro cuidado que o consumidor deve ter, é nunca deixar as sacolas dentro do carro, mas em locais arejados, para evitar a multiplicação de bactérias, orienta.

O uso inadequado das sacolas retornáveis ou de caixas de papelão, podem ocasionar problemas de saúde nos consumidores. “O importante é ter mais de uma sacola”, orienta Aline Costa, engenheira de alimentos da Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Lavagem

As bactérias que ficam no tecido ou no plástico das sacolas ocasionam desde mau cheiro a doenças gastrointestinais. Para evitar contaminação, o consumidor deve dispor de pelo menos três sacolas retornáveis.

“Os produtos de limpeza não devem ser transportados junto com os alimentos”, recomenda Aline Costa. A temperatura deve ser adequada para que não haja contaminação dos produtos perecíveis durante o transporte.

Conservação

A orientação é de que os consumidores utilizem sacolas separadas para levar carnes, vegetais e produtos de limpeza. O objetivo é evitar contaminação. O ideal, segundo os especialistas, é ter em mão três sacolas retornáveis.

As sacolas retornáveis devem ser lavadas com água e sabão, de preferência toda vez que forem utilizadas. A água sanitária também pode ser usada para a lavagem da sua “ecobag”, que pode ser limpa também com álcool gel.

Atenção Na hora de comprar a sua sacola retornável. O consumidor deve dar preferência a uma sacola que seja fácil de lavar. As de tecido muito grosso, oferecem maior risco dos micro-organismos ficarem presos entre as tramas.

Ao optar pelas caixas de papelão, é preciso ficar atento ao produto que estava armazenado antes. Não se deve colocar frutas, verdura e outros alimentos em caixas que acondicionavam produtos de limpeza, por exemplo.

Fonte – Iracema Sales, Diário do nordeste de 16 de maio de 2012

Imagem – Sacola Vicbaa

Isso é normal, higiene serve para tudo. Afinal, quando você fica sujo, você toma banho, quando você cozinha, você lava pratos, panelas e talheres, limpa a pia e o fogão, quando suas roupas e calçados ficam sujos, você lava ou limpa…

Nada de drama, use as sacolas, limpe ou lave e deixe elas prontas para usar novamente. É só o início de um novo costume, por isso todos estão tão alterados, assustados, em pânico. Mas está tudo certo, assimile este novo hábito e logo você nem lembrará que um dia existiram malditas e poluidoras sacolas de uso único.

O planeta e os nossos descendentes agradecerão esta mudança de comportamento.

Mundo vive “estresse hídrico” e nem as grandes economias escapam, alerta estudo

Relatório da consultoria Maplecroft mostra que o uso insustentável da água põe em risco negócios, agricultura e populações em países pobres, ricos e emergentes

A equação é de assustar. Embora repleto de rios, mares e oceanos, o planeta Terra tem apenas 3% de água doce disponível para o consumo de cerca de 7 bilhões de pessoas. Abundante em alguns países, escasso em outros, esse recurso natural essencial para a sobrevivência humana é usado intensamente pela agricultura, indústria e em atividades domésticas – só que de forma cada vez mais insustentável.

É o que alerta um novo relatório da consultoria britânica de risco Maplecroft, que avaliou a pressão sobre a demanda de água em mais de 160 países. O resultado preocupa. Economias em crescimento como China e Índia, e até mesmo a maior do mundo, Estados Unidos, são identificadas pela empresa de análise tendo grandes regiões geográficas e setores da economia onde a demanda de água está superando a oferta.

Segundo a Maplecroft, a situação tem o potencial de limitar o crescimento econômico, restringindo atividades empresariais e agrícolas. E à medida que aumenta a insegurança hídrica, cresce também o medo em relação à capacidade de produzir alimentos suficientes para alimentar o mundo.

China

Atenta à questão, a China está tomando medidas importantes para minimizar os riscos de escassez de água em suas províncias através de um ambicioso projeto de desvio destinado a bombear água do rio Yangtze para Pequim através de uma série de canais, que garantem o abastecimento de um quarto da água da cidade até 2014. No entanto, devido à espiral crescente de custos – até agora já foram gastos US$ 22 bilhões – e incertezas sobre os efeitos futuros da mudança climática sobre o abastecimento de água no sul do país, veem surgindo dúvidas sobre a sustentabilidade da empreitada no longo prazo.

Índia

A Índia, por sua vez, extrai mais água subterrânea do que qualquer outro país do mundo. Na média global, 56% dessa água é usada na agricultura. Acontece que na Índia essa parcela vai a 90%, devido às condições climáticas da região. Como um dos maiores produtores de arroz, trigo, batata e cana-de-açúcar em todo o mundo, o uso continuado insustentável de fornecimento de água subterrânea tem o potencial de reduzir as colheitas agrícolas, com implicações desastrosas para os preços globais dos alimentos.

“O bombeamento de águas subterrâneas é uma opção politicamente atraente para aliviar questões de curto prazo de estresse hídrico, mas tem graves consequências a longo prazo”, afirma Charlie Beldon, analista da Maplecroft. “As fontes podem secar ou água salgada pode acabar sendo ‘arrastada’ para a oferta, tornando o recurso inútil para o consumo comercial, doméstico e agrícola”.

Estados Unidos

Embora os EUA sejam classificados pela Maplecroft como “risco médio”, grandes áreas do país já estão sofrendo com o esgotamento das reservas de água do solo, incluindo estados como Arizona, Califórnia, Kansas, Nebraska, Novo México e Texas. De acordo com o estudo, o Aquífero Ogallala, que se estende pelas regiões altas de planícies dos EUA, é responsável por 30% do fornecimento de água para irrigação total no país.

No entanto, a fonte está se esgotando rápido. Ao menos 15% da produção de milho e trigo nacional, bem como 25% das culturas de algodão, dependem dele. Os efeitos sobre a produção agrícola dos Estados Unidos precoupam, já que póderiam causar uma inflação significativa nos mercados globais de commodities. “Os efeitos do estresse hídrico sobre a inflação mundial de alimentos são ilustrados pelos recentes aumentos dos preços para a soja”, diz o estudo.

Onde a corda arrebenta

Há um dito popular que diz que “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco…”. Essa frase reflete bem a situação atual de “estresse hídrico” do mundo. A falta de acesso à água potável vem pesando sobre os países mais pobres ou marcados por histórico de conflitos militares, instabilidades políticas e sociais. Segundo o levantamento da Maplecroft, os países do Oriente Médio e África são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade.

Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Kwait e Arábia Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações. Primeiro colocado na lista de 10 países em “risco extremo”, Bahrein, no Golfo Pérsico, usa águas subterrâneas para a prática da horticultura, porém, em quantidade insuficiente para atender toda a população. A deterioração dos lençóis subterrâneos de água já é uma das principais preocupações nacionais.

Fonte – Portal Exame de 15 de maio de 2012

Imagem - EdwardBroadbent

10 países no mundo sob risco extremo de falta d´água

Levantamento da consultoria britânica Maplecroft lista as regiões mais vulneráveis à escassez de água. Mais da metade fica no Oriente Médio, região onde cada gota pode emergir como um nova fonte de conflito

Bahrein

O país mais pobre do Oriente Médio é também o que mais sofre com a escassez de água, segundo o ranking da Maplecroft. Mais da metade do território do Bahrein é desértico ou semidesértico. Em meio a crescente demanda pelo recurso, associada ao aumento populacional, os especialistas temem o surgimento de conflitos hídricos na região, que vive basicamente da exportação de petróleo. No interior, um pouco mais úmido, produz-se sorgo (um cereal) para consumo interno e algodão para exportação, mas com dificuldade.

Qatar

No Qatar, a escassez de água é apontada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como o principal problema. A ausência de rios perenes faz com que a agricultura seja quase inteiramente dependente de irrigação com água bombeada. Estima-se que os aquíferos de Qatar se esgotarão entre 20 e 30 anos, se mantidas as taxas atuais de retirada das águas subterrâneas. Além disso, o aumento do desenvolvimento urbano e rural tem levado à poluição das fontes.

Kuwait

O pequeno país do Oriente Médio e rei do petróleo corre “risco extremo” de desabastecimento de água, segundo o relatório da Maplecroft. Rodeado pelo deserto, o Kuwait é considerado o país mais seco do mundo e o único onde não existe água doce. Não há, ao longo de seus 18 mil km² de território, nenhuma reserva, rios ou lagos, nem mesmo aquíferos subterrâneos de água doce.

Aproximadamente 75% de toda a água potável consumida no país precisa ser dessalinizada ou importada. Essa é uma questão estratégica devido às altas temperatura da região, à falta de chuva e à deteriorização do solo para cultivo. A escassez de água doce é, inclusive, o principal entrave para o desenvolvimento da agricultura no país.

Líbia

Como um país desértico, a Líbia sofre para encontrar água fresca. Seus recursos hídricos, além de limitados, são mal distribuídos pelo território. Para se ter uma ideia, a água de superfície responde por menos de 3% do consumo total do país. Já os aquíferos subterrâneos dão conta dos 97% do abastecimento para agricultura, indústria e uso doméstico. Desde 1960, contundo, os níveis de água veem variando ano a ano devido à irrigação intensiva. A queda anual nos níveis de água varia entre 0,5 m e 5 metros, o que muitas vezes leva ao ressecamento de aquíferos superficiais ou permite a invasão de água salina.

Djibouti

O quinto país à beira da seca, segundo o ranking da Maplecroft, é vizinho da Etiópia e da Somália. Com clima quente e seco durante todo o ano, Dijibouti não possui rios perenes e registra apenas 150 mm de chuva por ano – volume que uma única tempestade forte despeja sobre São Paulo em apenas 24hs. Pior, em Dijibouti, essa água evapora antes mesmo de chegar aos lençóis freáticos, cujo acesso por comunidades locais, bem como para a produção agrícola e precuária em pequena escala, não é nada fácil.

Emirados Árabes

A escassez de água é uma das questões que mais têm determinado as opções tecnológicas dos Emirados Árabes, confederação no Golfo Pérsico formada por Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. O clima do país é árido, com temperaturas muito elevadas no verão.

Para driblar este cenário nada favorável, os Emirados têm investido em unidades de dessalinização da água do mar. Só Dubai deverá investir cerca de 20 milhões de dólares neste sistema nos próximos sete anos. Até 2025, estima-se que será necessário investir 200 milhões de dólares em programas de infraestrutura e de tratamento de esgoto.

Iêmem

O Iêmem é a sétima nação do mundo em risco extremo de secar. Mantidos os ritmos atuais de extração, os poços que abastecem a capital Sanaa podem praticamente desparecer nos próximos dez anos. Conflitos civis são a principal efeito de uma oferta de água que não acompanha o crescimento populacional, um dos mais elevados do mundo, com taxa de crescimento 3,46 por cento em 2008.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita é outro país que vive a crise da água de forma dramática. Pela falta de corpos hídricos na superfície, o abastecimento de água potável para o consumo e para outras atividades agrícolas e industriais é quase que totalmente garantido por fontes subterrâneas. Hoje, 90% da água de poços profundos é utilizada para fins agrícolas. O problema é que esse recurso, já precariamente baixo, tem sido contaminado há décadas por conflitos no Golfo Pérsico e pela infiltração de poluentes da própria atividade agrícola. Em função disso, o país começou a procurar novas fontes de água, movimento que pode resultar em pontos de tensão política e conflitos com seus vizinhos.

Omã

A incerteza paira sobre os recursos hídricos deste pequeno país árabe. Secas constantes e um número limitado de chuvas ajudam a aumentar as pressões sobre o fornecimento de água para uso agrícola e também doméstico. O solo de Omã está cada vez mais salinizado pela exploração desenfreada e mal coordenada das reservas subterrâneas de água doce, o que muitas vezes permite a invasão de água salgada no lençol freático das planícies costeiras.

Egito

Verões rigorosos, demanda crescente e aumento constante das tarifas tornam a situação do abastecimento de água no Egito bastante complicada. Faltam sistemas de saneamento em larga escala e menos de 15% da população conta com esgoto tratado. Durante o verão de 2008, muitos pessoas chegaram a beber água diretamente do próprio Nilo, o que causou uma série de infecções.

Em muitos casos, nas áreas rurais onde não há canalização, os dejetos ficam a céu aberto, contaminando o solo e consequentemente os escassos lençóis freáticos. O acesso ao Rio Nilo, sem o qual o Egito seria um mero deserto, também está cada vez mais disputado por outros países, como Uganda, Etiópia, Ruanda e Tanzânia. A totalidade da população egípcia, estimada em 80 milhões de habitantes, retira do Nilo 90% de seus recursos hídricos.

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Fonte – Portal Exame de 15 de maio de 2012

Imagem -  uempe

Mas não pense que é só no oriente médio que falta água. Este ano no nordeste do país quase toda a safra foi perdida por falta de água, o Reino Unido enfrenta uma seca sem precedentes e não se passa uma semana sem que se ouça sobre seca em algum local do planeta, pois o aquecimento global está mudando o regime de chuvas e assim, a falta de água só tende a piorar;

Vai continuar deixando a torneira aberta enquanto escova os dentes, varrendo a calçada com mangueira, ignorando todos os vazamentos da torneira de casa? Acorde, mais de um bilhão de pessoas já passam sede e a situação só tende a piorar, principalmente pelo descaso com a água, pois as pessoas acham que ela sempre existirá, não importa o desperdício. E assim caminha a humanidade para o desastre, para a extinção, lentamente, com os olhos vendados pela estupidez, consumismo e egoísmo.

Plantando no vizinho – 10 países que estão comprando terras estrangeiras aos montes

Mais de 83,2 milhões de hectares de terra em países em desenvolvimento foram vendidos em grandes transações internacionais desde 2000, segundo estimativa de um relatório do projeto Land Matrix, que reúne esforços de uma série de organizações internacionais focadas na questão agrária. Pelo menos metade destas transações foi reportada por fontes consideradas confiáveis pelo projeto.

Segundo o levantamento, a África é o principal alvo das aquisições, puxadas pelo aumento nos preços das commodities agrícolas e pela escassez de recursos naturais em alguns dos países compradores. Terrenos na Ásia e América Latina também estão na rota das compras. Os fins vão desde agricultura e mineração até cultivo de madeira e turismo.

Um dado preocupante levantado pelo estudo é o de que a maioria das aquisições se concentra em países pobres, pouco integrados à economia global e onde há graves problemas de fome entre a população local.

Entre os países mais procurados pelos investidores para a compra de terras estão Indonésia, Filipinas, Malásia, Congo, Etiópia, Sudão e o Brasil, que teve mais de 3,8 milhões de hectares vendidos para estrangeiros nos últimos 12 anos.

Saiba quais são os países que arremataram as maiores porções de terras estrangeiras desde 2000.

Índia

Os investidores indianos foram os que mais mostraram apetite no período analisado, comprando principalmente terras no sudeste asiático.

O país arrematou mais de 5,4 milhões de hectares de terras (um hectare equivale, a aproximadamente, um campo de futebol), por meio de investidores dos ramos da indústria, madeira, agricultura e mineração.

China

A China comprou mais de 5,3 milhões de hectares de terras no exterior por meio de seus investidores.

O alvo foram principalmente terras na África Central e no sudeste asiático. Empresas dos setores de madeira e agricultura lideraram as transações.

Estados Unidos

Os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar no ranking, tendo comprado mais de 4,1 milhões de hectares em terra estrangeira.

O alvo principal dos investidores foi o continente africano, mas as empresas americanas também compraram terras no sudeste asiático e na América Latina.

Malásia

A Malásia adquiriu mais de 3,3 milhões de hectares em terras por meio de transações internacionais.

Em um único negócio, a multinacional Sime Darby Berhad comprou mais de 250 mil hectares de terra na Indonésia.

Reino Unido

Por meio de transações internacionais, o Reino Unido arrematou mais de 3 milhões de hectares de terras.

Em um dos maiores negócios registrados, a NRG Chemicals comprou 700 mil hectares de terra nas Filipinas.

Coreia do Sul

A Coréia do Sul adquiriu 2,6 milhões de hectares em terras fora de seu território, com destaque para aquisições na África e Sudeste Asiático.

A Kapa Ltda., por exemplo, adquiriu mais de 40 mil hectares de terra no Camboja.

Itália

A Itália comprou mais de 2,6 milhões de hectares em terras por meio de transações internacionais.

Em uma única transação, um investidor desconhecido arrematou, em 2009, 2 milhões de hectares em terras para agricultura na Indonésia.

Israel

Os investidores israelenses compraram mais de 2,3 milhões de hectares em terras fora de seu território.

Um único investidor comprou 2 milhões de hectares na República Democrática do Congo para agricultura.

Emirados Árabes Unidos

Mais de 2,2 milhões de hectares de terra foram comprados por investidores dos Emirados Árabes Unidos.

A Al Ain National Wildlife comprou 1,6 milhão de hectares de terra para desenvolver atividades ligadas ao turismo no Sudão.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita adquiriu mais de 2,2 milhões de hectares em terra estrangeira.

Entre as grandes aquisições, está a compra de 273 mil hectares nas Filipinas pela Eastern Renewable Fuels Corp. para agricultura.

Saiba sobre o  projeto Land Matrix clicando aqui

Fonte e imagem – Portal Exame de 16 de maio de 2012

Isso está tão errado, mas tão errado que não tem nem como explicar. Já passou da hora dos deputados federais e os deputados estaduais fecharem as portas para esse tipo de negócio, que só é bom para o país que compra a terra, nunca para o país explorado. Quer comprar madeira, minério, comida, compre de quem cultivou, mas não é possível que nossas terras continuem sendo vendidas para países que exploram a terra até o limite, destroem a produtividade, contaminam com agrotóxicos, plantam transgênicos e depois abandonam esta terra para comprar em qualquer outro país e repetir o crime.

O solo é sagrado e deve pertencer somente ao país, somente aos cidadãos do país, que tem raízes, história, comprometimento com esta terra que será legada aos seus descendentes, aos seres do amanhã.

Consumo mundial de recursos naturais deve triplicar até 2050

Estudo da ONU adverte sobre impacto ao meio ambiente e pede que países reduzam uso de recursos como minério e combustíveis fósseis

O consumo mundial de recursos naturais, como minérios e combustíveis fósseis, pode triplicar até 2050 e causar um catastrófico impacto sobre o meio ambiente, alerta um relatório divulgado nesta quinta-feira (12) pela ONU, que pede aos países que ajam com rapidez para evitá-lo.

O documento, apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em Nova York, analisa o consumo atual dos recursos do planeta e estuda as medidas realizadas pelo mundo para reduzir a relação entre esse consumo e o crescimento econômico.

A humanidade poderia consumir até 2050 “cerca de 140 mil toneladas de minérios, combustíveis fósseis e biomassa por ano, um número que triplica o atual, a não ser que a taxa de crescimento econômico se dissocie da do consumo de recursos naturais”, indica o relatório.

“A humanidade pode e deve fazer mais com menos”, ressalta o estudo do Pnuma, que explica que atualmente os habitantes dos países desenvolvidos consomem, em média, 16 toneladas per capita por ano desses recursos essenciais, enquanto um cidadão da Índia consome quatro toneladas por ano.

Diante desses números, “tanto com o crescimento da população mundial como da prosperidade, especialmente nos países em vias de desenvolvimento, a perspectiva de níveis muito maiores aos atuais supera em muito o que é sustentável”, assinalam os autores do texto.

“Chegou o momento de reconhecer os limites dos recursos naturais disponíveis para apoiar o desenvolvimento humano e o crescimento econômico”, sustenta o texto, que acrescenta que “o mundo já está ficando sem recursos acessíveis e de alta qualidade de materiais tão essenciais como petróleo, cobre e ouro”.

A solução está na chamada “dissociação do uso dos recursos naturais e o impacto ambiental do crescimento econômico”, ressaltou nesta quinta-feira o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, ao apresentar o relatório na sede das Nações Unidas.

“Essa dissociação faz sentido em todos os âmbitos: econômico, social e ambiental”, acrescentou Steiner, para quem esse processo é “parte da transição rumo a uma economia verde, baixa em emissões de carbono e eficiente respeito aos recursos”.

Ele explicou que se trata de buscar uma economia que “gere empregos decentes e erradique a pobreza de um modo que mantenha a pegada do homem dentro das capacidades planetárias”, para o que são necessárias “mudanças significativas nas políticas públicas, o comportamento empresarial e os padrões de consumo”.

“Será necessário mais inovação, inclusive uma inovação radical”, indicam os autores do relatório, que encoraja os países em vias de desenvolvimento a “mudar sua ideia do que significa o desenvolvimento em um mundo de poucos recursos” e destaca certos avanços obtidos em países como Alemanha, Japão e China, além da África do Sul.

Para conseguir o impulso da economia verde, os responsáveis do texto advertem que é “urgente reconsiderar os vínculos entre o uso de recursos e da prosperidade econômica, baseada em um investimento em massa em inovação tecnológica, financeira e social”.

“Deve-se pelo menos congelar o consumo per capita nos países ricos e ajudar as nações em vias de desenvolvimento a seguirem um caminho mais sustentável”, destaca o documento. “Nos lugares mais densamente povoados, diminui o consumo per capita de recursos em contraposição a áreas pouco povoadas”, acrescenta.

Fonte – Último Segundo de 12 de maio de 2012

São Paulo vai calcular sua pegada ecológica

São Paulo vai calcular impactos do consumo sobre meio ambiente

Estado e município vão medir pegada ecológica, quantidade de recursos ambientais necessários para manter o padrão de consumo

Um novo estudo vai mostrar aos paulistas vão saber quantos hectares de água e terra são necessários para produzir e sustentar o que é consumido no Estado. Foi assinado hoje (20) um acordo entre o Estado, o município de São Paulo e a organização não governamental World Wildlife Fund (WWF) para a medição da pegada ecológica, um indicador ambiental que pode ajudar a basear medidas públicas. A previsão é que o resultado da pegada ecológica da capital e do Estado sejam apresentados na Rio+20, em junho.

De acordo com o WWF, a estimativa é uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” em média, para sustentar suas formas de alimentação, moradia, locomoção, lazer e consumo. De acordo com a Global Footprint Network, organização detentora da tecnologia e metodologia do índice, a ideia é descobrir se a quantidade de recursos disponíveis, a biocapacidade, é suficiente para suprir os padrões de consumo atuais.

“A pegada permite um diálogo com os poderes públicos. O índice brasileiro está acima da média mundial, assim como a de Campo Grande (MS), e eu suspeito que a nossa também esteja”, disse o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

A cidade de Campo Grande fez o cálculo da pegada ecológica em 2010. O resultado foi um número muito elevado. A cidade atingiu 3,14 hectares globais de pegada ecológica, muito mais que o Estado do Mato Grosso do Sul (2,82) e do Brasil (2,91). De acordo com o WWF, o ideal seria que a pegada global fosse de 1,8 hectares. “A mensagem é que estamos no cheque especial, estamos consumindo mais do que a natureza pode nos dar”, disse Michael Becker, coordenador do programa Cerrado-Pantanal do WWF Brasil. A primeira cidade brasileira a fazer o cálculo foi Curitiba (PR), que em 2006 atingiu 3,42 hectares globais.

Eduardo Jorge defende mudanças na maneira de viver como o aumento do vegetarianismo e a implementação dos pedágios ecológicos. “Vamos ter que mudar a maneira como vivemos e não é pouca coisa não. Mas é sempre bom ter a chance de participar de uma revolução. Vamos ver”, disse.

Do resultado do estudo para a tomada de ações será uma longa jornada. Não há metas para que ações sejam postas em práticas, o estudo pretende servir apenas como um “Esse número não é nenhum ponto de chegada, é um ponto de saída. É uma faísca para novas medidas para que a gente possa garantir os recursos naturais”, disse o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas.

Fonte – Maria Fernanda Ziegler, iG de 20 de abril de 2012

População e consumismo ameaçam recursos do planeta

Planeta leva um ano e meio para regenerar recursos consumidos anualmente.

Relatório da Ong ambientalista WWF mostra que houve declínio de 30% da vida selvagem mundial desde 1970.

População e consumismo ameaçam recursos do planeta, alerta WWF.

Relatório da ong ambientalista aponta Qatar como país onde há mais impacto do consumo sobre o meio ambiente.

A crescente população mundial e o consumismo ameaçam a saúde do planeta, alerta a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

A demanda por recursos naturais se tornou insustentável e exerce uma pressão “tremenda” sobre a biodiversidade do planeta, destaca a organização em um estudo publicado nesta terça-feira.

Em sua mais recente pesquisa sobre a saúde da Terra, o WWF citou o Qatar como o país com a maior pegada ecológica, seguido dos vizinhos Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos. O Brasil aparece na 56ª posição com uma pegada ecológica de 2,9 hectares globais por habitante, índice próximo à média global que é de 2,7 hectares globais por habitantes.

Para se ter uma ideia, a pegada ecológica do Qatar é próxima de 12 hectares globais por habitante. A pegada ecológica é um instrumento de medição do uso de recursos naturais. Quanto menor é a pegada ecológica de uma nação, melhor é o uso que ela faz de seus recursos naturais.

Dinamarca e Estados Unidos completam o ranking dos 5 primeiros, segundo cálculo com base na comparação de fontes renováveis consumidas contra a capacidade de regeneração do planeta.

O relatório Planeta Vivo (‘Living Planet Report’) revelou que países de alta renda têm uma pegada ecológica em média cinco vezes maior do que a de países de baixa renda.

Segundo a pesquisa, a pegada ecológica dobrou de tamanho em todo o planeta desde 1966. O relatório destaca que com o atual ritmo de consumo, “leva 1,5 ano para a Terra regenerar os recursos renováveis consumidos pelos seres humanos e absorver os resíduos de CO2 que eles produzem a cada ano”. O Relatório Planeta Vivo foi produzido pelo WWF em parceria com o ZSL e a Global Footprint Network.

“Estamos vivendo como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição”, disse Jim Leape, diretor-geral do WWF Internacional.

“Estamos usando 50% mais recursos do que a Terra pode produzir de forma sustentável e a menos que mudemos o curso, este número crescerá rápido. Em 2030, mesmo dois planetas não serão suficientes”, acrescentou.

Biodiversidade

A pesquisa, compilada a cada dois anos, reportou uma redução média de 30% na biodiversidade desde 1970, chegando a 60% nas regiões tropicais, duramente afetadas.

O declínio foi mais rápido em países de baixa renda, “demonstrando como os países mais pobres e vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos“, destacou o WWF.

Em todo o mundo, cerca de 13 milhões de hectares de florestas foram perdidas todo ano entre 2000 e 2010.

“Uma demanda sempre ascendente por recursos de parte de uma população crescente põe uma enorme pressão sobre a biodiversidade do nosso planeta e ameaça nossa segurança, saúde e bem estar futuros”, informou o organismo.

O relatório é publicado às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a quarta maior cúpula sobre o tema realizada desde 1972, e que será celebrada em junho no Rio de Janeiro.

O presidente eleito da França, François Hollande, confirmou que estará entre os 100 líderes mundiais presentes à cúpula, com vistas a determinar o caminho rumo a uma economia que possa equilibrar crescimento econômico, erradicação da pobreza e proteção ao meio ambiente.

O WWF quer ver sistemas de produção mais eficientes que possam reduzir a demanda humana por terra, água e energia e uma mudança na política governamental que medisse o sucesso de um país para além do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o enfoque imediato precisa estar na redução drástica da pegada ecológica dos países de alta renda, particularmente sua pegada de carbono, destacou o WWF.

“A Rio+20 pode e deve ser o momento de os governos estabelecerem um novo curso rumo à sustentabilidade”, disse Leape.

Necessidade de dois planetas em 2030

Caso o mundo não resolva o problema, até 2030 seriam necessários dois planetas Terra para sustentar a atividade humana, disse o WWF ao lançar seu relatório bienal sobre a biodiversidade e o meio ambiente, chamado “Relatório Planeta Vivo 2012″.

Mas, segundo a entidade, os governos mundiais não estão no caminho para definirem um acordo para a preservação dos recursos naturais durante a cúpula do desenvolvimento sustentável do mês que vem no Brasil, conferência conhecida como Rio+20.

“Não acho que alguém conteste que não estamos nem perto de onde deveríamos a um mês da conferência em termos do progresso das negociações e de outros preparativos”, disse em Genebra o diretor-geral da WWF Internacional, Jim Leape.

“Acho que todos nós estamos preocupados de que os países negociando no sistema da ONU um resultado para o Rio ainda não demonstraram disposição de realmente intervir para enfrentar esses desafios. Essas negociações ainda estão claramente emaranhadas.”

“Este relatório é como um check-up planetário e os resultados indicam que temos um planeta muito doente”, alertou Jonathan Baillie, diretor do programa de conservação da Sociedade Zoológica de Londres, que co-produziu o relatório, em conjunto com a organização Global Footprint Network, que elabora a pegada ecológica.

Fonte – Último segundo de 15 de maio de 2012

Na Andaluzia, uma usina solar funciona até de noite

Tecnologia da usina Gemasolar permite acumular energia da luz do sol mesmo à noite ou em dias chuvosos

Na usina Gemasolar, ninguém se preocupa quando o céu está nublado: graças a uma tecnologia única no mundo, a energia acumulada quando o sol brilha permite produzir eletricidade mesmo à noite ou em dias chuvosos.

A central, que entrou em operação em maio passado, não passa despercebida na planície andaluza, no sul da Espanha.

Já na autoestrada, entre Sevilha e Córdoba, percebe-se sua torre iluminada, na qual estão colocados 2.650 painéis solares de 120 metros quadrados cada, dispostos em um imenso círculo de 195 hectares.

“É a primeira usina solar do mundo que trabalha 24 horas por dia, sendo assim funciona tanto de dia quanto de noite!”, explica Santiago Arias, diretor técnico da Torresol Energy, que administra a instalação.

Seu mecanismo é “muito fácil de ser explicado”, garante: os painéis, ao refletir a luz do sol sobre a torre, transmitem a ela “uma concentração de energia equivalente a 1.000 vezes a que recebemos em terra”.

A energia é armazenada em um enorme recipiente de sais dissolvidos, a uma temperatura superior a 500 graus. Os sais vão servir, em seguida, para produzir vapor e este aciona uma turbina, gerando assim a eletricidade, como numa usina termelétrica solar clássica.

É esta capacidade de estocar energia que torna a Gemasolar tão diferente, permitindo que “à noite continuemos a produzir eletricidade com a energia acumulada durante o dia”, precisa Santiago Arias.

Assim, “utilizo esta energia da forma que interessa a mim, não a ditada pelo sol”.

O balanço é muito positivo: a usina “produz 60% a mais de energia, em relação a uma outra que não possui este sistema de armazenamento”, podendo funcionar 6.400 horas por ano, contra as 1.000 e 2.000 horas produzidas por uma central comum.

“A quantidade de energia que produzimos por ano é equivalente ao consumo médio de 30.000 lares na Espanha, portanto, de cerca de 90.000 pessoas”, explica Santiago Arias, proporcionando uma economia anual de 30.000 toneladas de CO2.

Encorajadas por um generoso sistema de ajuda pública, a geração de energia renovável vem sendo estimulada na Espanha, número dois no mundo em termos de aproveitamento da luz solar e primeiro na geração de energia eólica da Europa, à frente da Alemanha.

Em 2011, o país cobriu um terço de sua demanda de eletricidade com as energias renováveis, principalmente a eólica (16%), enquanto que a solar, embora não tão importante (4%), dobrou em um ano, segundo a administradora da rede de transmissão elétrica REE.

Para o projeto Gemasolar, foi preciso, também, a contribuição de investidores estrangeiros: a Torresol Energy é formada pelo grupo espanhol de engenharia Sener (60% do conjunto) e a empresa de energias renováveis Masdar, financiada pelo governo de Abu Dhabi.

Mas “uma usina deste tipo custa caro, não pela matéria-prima utilizada, que é gratuita, mas pelos enormes investimentos exigidos”, reconhece Santiago Arias. A conta ultrapassa os 200 milhões de euros.

Mas, “no dia em que o empreendimento começar a trazer lucros aos bancos (em 18 anos, calcula), a usina se transformará em máquina de fabricar notas de 1.000 Euros!”, brinca, lembrando que o preço do barril de petróleo, que era de 28 dólares em 2003, beira, agora, os US$ 130.

Em termos imediatos, a crise econômica projeta, no entanto, uma sombra nos projetos deste tipo: a Espanha, à beira da recessão e comprometida com um programa de austeridade, acaba de suspender os subsídios concedidos a novas centrais de produção de energia renovável.

“Temos três projetos parados” devido a esta suspensão, comenta Santiago Arias, admitindo, também em um contexto de desaceleração mundial, não ter conseguido ainda vender para outros países a tecnologia Gemasolar, apesar do grande interesse despertado fora da Espanha.

Fonte – Portal IG de 20 de março de 2012

Imagem – AFP

Futuro do planeta depende de planejamento familiar e agricultura

O primeiro bilhão chegou apenas em 1804, o segundo em 1927, e os seis bilhões chegaram menos de 100 anos depois, em 1999. Este ano, a população mundial chegará a sete bilhões de pessoas, e a ONU prevê que, até 2050, seremos nove bilhões no planeta, e chegará a seu auge em 2075, com 9,5 bilhões de pessoas. Como prover qualidade de vida para tanta gente?

Esta é a pergunta levantada em um painel científico que acontece esta tarde na reunião anual da Sociedade Americana para o o Avanço da Ciência (na sigla em inglês, AAAS).

A solução está, em parte, no controle de natalidade

John Casterline, professor de sociologia da Universidade do Estado de Ohio, afirmou à imprensa que existe uma forte demanda não atendida por métodos concepcionais em países em desenvolvimento, em especial na África Subsaariana e sul da Ásia. “Uma em quatro mulheres africanas em um relacionamento estável dizem não querer ter mais filhos, mas não usam contraceptivos”, afirmou. Na Ásia e na América Latina, esse percentual é de 17 a 18%.

Incentivar o planejamento familiar é mais importante do que esperar que as tendências de famílias pequenas migrem de países desenvolvidos para o Terceiro Mundo. “O fornecimento de métodos contraceptivos respondeu por 44% do declínio da fertilidade em países de baixa renda. O desejo por poucos filhos foi responsável por apenas 13% desta diminuição”, disse Casterline. “O controle de natalidade é um dos grande sucessos de saúde pública deste século, e as pessoas não se dão conta disso”.

Segundo o sociólogo, a população prevista para os países em desenvolvimento em 2050 é de 6,25 bilhões de pessoas, mesmo com a alta mortalidade causada pela epidemia de AIDS na África. Mas políticas públicas de planejamento familiar poderiam segurar este crescimento, evitando até 250 milhões de nascimentos.

Escassez de alimentos

Durante o painel também foi discutida uma iminente crise global de alimentos. O problema, segundo os especialistas, está mais na qualidade do que na quantidade. Metade dos cereais cultivados no mundo são destinados à alimentação animal e biocombustíveis, e a prática agrícola está cada vez mais insustentável.

O desafio é duplo, segundo Jonathan Foley, professor da Universidade de Minnesota: “Não se trata apenas de alimentar 9 bilhões de bocas, e sim como fazer isso de maneira a continuarmos tendo um planeta viável”.

Jason Clay, vice-presidente do WWF (World Wildlife Fund), acredita que a solução passe por engenharia genética, para melhoramentos genéticos das culturas (que não são a mesma coisa que criar alimentos transgênicos, ressaltou), reduzir o desperdício e melhorar as prática agrícolas. “Os melhores fazendeiros produzem 100 vezes mais que os fazendeiros ruins. Temos que focar neles”.

Até onze bilhões de pessoas

John Bongaarts, presidente da ONG Population Council, acredita que as estimativas populacionais dependem de vários fatores, com resultados imprevisíveis. “A trajetória é ainda incerta e depende que algumas tendências continuem como estão”, explicou Bongaarts, se referindo à baixa taxa de fertilidade verificada na Europa, por exemplo, e a expectativa de vida continuar igual.

Mas se o número de filhos por família em países com baixas taxas de fertilidade aumentar, e a longevidade exceder os 100 anos de vida antes do fim do século, a população pode facilmente chegar a 11 bilhões de pessoas. Mas o inverso também é verdadeiro: se a expectativa de vida se mantiver e as taxas de natalidade nos países em desenvolvimento diminuírem, pode ser possível segurar a explosão populacional. “O futuro não está escrito em pedra. Cabe aos governos agir para reverter esta tendência”, diz Bongaarts.

Fonte – Natasha Madov, Portal IG de 20 de fevereiro de 2011

Energia solar cresceu 75% em 2010 na Alemanha

Crescimento foi impulsionado pelo governo, que compra energia solar por um preço muito superior ao do mercado

A capacidade de produção elétrica fotovoltaica na Alemanha aumentou 75% em um ano e alcançou os 17.300 megavatts em 2010, anunciou a autoridade alemã para a regulação das redes (Bundesnetzagentur).

Apesar de contar apenas com 1.300 a 1.900 horas de sol por ano, a energia solar viveu um verdadeiro boom na Alemanha, graças ao sistema de preços garantido pelo Estado.

O Estado alemão garante a todo produtor de eletricidade solar, seja particular ou um agricultor que tenha instalado um campo de paneis solares, vender a energia que produz a um preço muito superior ao do mercado.

Esta diferença vai para as faturas pagas pelo consumidor, o que provoca muitas queixas.

Portal IG de 21 de março de 2011

A notícia pode ser velha, mas ideia é maravilhosa. E quanto aos consumidores que reclamam, toda mudança gera insatisfação, mas se não existir a cobrança, o empurrão, não existirá a mudança na matriz energética, cada vez mais necessária.

Promoções tornam energia solar uma alternativa para lares americanos

Jay Nuzzi, um policial de Nova Jersey, havia desistido de instalar painéis solares em sua casa por causa do custo: quase US$ 70.000 dólares (cerca de 136 mil reais). Então, em uma ida para a loja de departamentos Home Depot, ele se deparou com um oferta de painéis solares a um preço qu não ele não teria como recusar: grátis.

Nuzzi teve que assinar um contrato de 20 anos prometendo comprar a eletricidade gerada pelos painéis solares dos quais ele não será dono. Mas o preço ficará muito abaixo do que ele costumava pagar para a fornecedora de energia de sua cidade.

“O proprietário não tem nenhum gasto, por isso é uma oferta impossível de se recusar” disse Nuzzi enquanto uma equipe montava 41 painéis no telhado de sua casa. “Eu não precisei pensar muito a respeito”.
Acordos semelhantes estão sendo feitos entre milhares de outros proprietários de imóveis e empresas em todo o país.

Os instaladores, que geralmente trabalham em grandes lojas de departamentos como a Home Depot ou a Lowe, estão aproveitando os incentivos fiscais, as possibilidades de financiamento e uma superabundância de painéis baratos feitos na China que pela primeira vez ajudam a tornar a energia solar acessível para o mercado de massa.

O número de instalações residenciais e comerciais duplicou nos últimos dois anos, chegando a 213.957, de acordo com a Greentech Media, uma empresa de pesquisa do setor.

As principais empresas no negócio de instalação, como a Sunrun, a SolarCity e a Sungevity, estão prosperando mesmo enquanto um outro setor da indústria – o dos fabricantes de painéis solares – tenha sido superado pela concorrência feroz dos fabricantes chineses.

Grandes corporações como Google, U.S. Bancorp, Morgan Stanley e Bank of America Merrill Lynch veem o potencial de lucros estáveis em projetos solares e têm ajudado a fornecer o capital necessário para ajudar a cobrir os custos iniciais, que normalmente chegam a cerca de US$ 30.000 (cerca de 58 mil reais) ou mais para uma única família.

Os investidores afirmam acreditar que os retornos, geralmente entre 7% e 13%, são relativamente seguros porque as empresas provedoras de energia solar geralmente registrar apenas proprietários e empresas com crédito sólido. Além disso, os instaladores dizem que as pessoas tendem a pagar suas contas de energia elétrica mesmo quando enfrentam problemas financeiros.

Alguns analistas alertam que apesar de toda a atividade, o setor ainda enfrenta obstáculos, como os altos custos para atrair novos clientes e obter financiamento.

“Ainda não ficou claro para mim se alguém já descobriu a forma de dimensionar este negócio de uma maneira concreta”, disse Dickon Pinner, co-autor de um relatório recente da McKinsey a respeito da indústria.

Fonte – Diane Cardwell, Portal IG de 13 de maio de 2012

Imagem - Marc Steiner, The New York Times

Empresas de Maringá deverão apresentar plano de gerenciamento de resíduos

Até 30 de junho empresas de Maringá deverão apresentar, junto à Prefeitura, um plano de gerenciamento de resíduos sólidos. Conforme a Lei Federal 12305/2010 e Decreto Municipal assinado em 2011, todas as empresas, independente do segmento, que produzem algum tipo de resíduo sólido serão responsáveis pela destinação correta. A exigência fará parte do próprio alvará municipal.

A Kochepki Advocacia e Consultoria Ambiental orienta as empresas para que realizem os projetos com responsáveis técnicos e avaliem bem o profissional que estarão contratando. “Além da obrigatoriedade de apresentação do PGIR Online na Prefeitura, para fins de alvará, o projeto é importante para a gestão ambiental da empresa, reduzindo custos, melhorando a organização, aumentando a lucratividade. Quando se tem um projeto bem elaborado, os efeitos são rápidos”, revela a advogada e auditora ambiental Letícia Kochepki (OAB/PR 34258), sócia-proprietária do escritório.

Ocorre que, diante da necessidade de cumprir os requisitos legais – muitas vezes já com uma notificação em mãos –, muitos empresários optam apenas pelo menor preço, sem primar pela qualidade do serviço. Os empresários precisam ter em mente, porém, que esse tipo de projeto faz parte da administração da própria empresa. Não basta contratar um PGIR online sem que a empresa saiba o que o profissional está colocando no sistema da Prefeitura, é preciso dados reais, acompanhamento periódico.

“Orientamos os empresários a solicitarem um projeto completo, impresso em no mínimo duas vias, pois este mesmo projeto será utilizado em vários órgãos e para várias finalidades posteriormente. A partir do projeto impresso, que será implantado na empresa (gestão ambiental e de administração), é que surgirá o PGIR Online. O mero preenchimento de dados no sistema é um risco enorme, que pode gerar responsabilidade ambiental cível e criminal tanto para o responsável técnico quanto para o empreendedor”, revela a advogada.

O plano irá administrar todas as etapas, que inclui armazenamento, transporte, transbordo, tratamento ou destinação final do lixo. Segundo o geógrafo José Roberto Francisco Behrend, da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Maringá, as empresas serão obrigadas a se responsabilizar pelos resíduos que produzem.

A LPNMA – Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, datada de 1981, já dispunha que a responsabilidade pelos resíduos pertencia ao gerador. “Os Municípios não têm obrigação legal de coletar resíduos de comércios ou indústrias. Por ora as Prefeituras ainda vêm coletando, até mesmo porque cobram para isto. Mas a tendência é que este cenário mude e que a cobrança pela coleta de resíduos seja dissociada do IPTU”, destaca a Dra. Letícia Kochepki. “A educação ambiental acaba saindo do próprio bolso do empresário, por assim dizer. Quando ele precisa destinar por si só os resíduos, começa a fazer a gestão correta dos mesmos e se surpreende com os resultados. Temos casos de tanto sucesso que o empreendedor já está buscando certificação ambiental e abrindo as portas para o mercado externo”, conclui.

Com a mudança de paradigma, a tendência é que se aumente consideravelmente a reciclagem no município de Maringá, gerando, ao final, emprego e renda, além de se poupar recursos naturais.

Kochepki Advocacia e Consultoria
Direito Ambiental e Urbanístico
Maringá/PR – (44) 3031-8867 – (44) 9964-7510

Quantidade de plástico nos mares pode ser 2,5 vezes maior

Vento empurra pequenos pedaços de plástico para baixo da superfície d’água

Muitas pesquisas anteriores analisavam apenas a superfície das águas. “A quantidade de lixo plástico pode ter sido significativamente subestimada”, dizem os autores do estudo.

A quantidade de lixo plástico nos oceanos pode ser maior do que se imaginava. Pesquisadores descobriram que pedaços minúsculos do material são empurrados para até cinco metros de profundidade. Muitos estudos calculam a quantidade desse lixo analisando apenas a superfície da água. A pesquisa realizada por duas universidades americanas (Delaware e Washington) foi publicada no periódico Geophysical Research Letters.

Enquanto trabalhava em um barco de pesquisas no Oceano Pacífico, o oceanógrafo Giora Proskurowski percebeu algo estranho. A superfície da água estava tomada por pedacinhos de plástico parecidos com confete. Foi então que uma rajada de vento passou e as partículas desapareceram.

Depois de colher amostras de água a cinco metros de profundidade, Proskurowski, pesquisador da Universidade de Washington, descobriu que o vento estava empurrando o plástico para baixo da superfície da água. “Isso quer dizer que décadas de pesquisa verificando a quantidade de lixo plástico no oceano podem, em alguns casos, ter subestimado significativamente a quantidade do material nas águas marítimas”, disse.

Proskurowski reuniu dados em uma expedição ao Atlântico Norte em 2010. A equipe de pesquisadores coletou amostras na superfície da água e em três níveis de profundidade diferentes até 30 metros. “Quase todas as amostras tinham plástico, independente da profundidade”, disse.

O estudo conduzido por Proskurowski e Tobias Kukulka, da Universidade do Delaware, afirma que os dados coletados na superfície da água subestima a quantidade de plástico em até 2,5 vezes. Se o vento for muito forte, esse fator pode chegar até 27 vezes. “Isso mostra que os dados atuais podem estar errados”, disse Giora.

A pesquisa sugere um novo modelo para que ambientalistas e cientistas calculem com mais precisão a quantidade de lixo plástico nas águas marítimas.

Saiba mais – Plástico nos oceanos

O lixo plástico nos oceanos é uma preocupação por causa do impacto ambiental. Por exemplo, quando um peixe ingere o plástico, ele pode fazer mal ao fígado do animal. As partículas também servem de abrigo para bactérias e algas. Elas são transportadas junto com as partículas para outras regiões do oceano onde podem ser invasivas e causar problemas ao ambiente local.

Fonte – Revista Veja de 27 de abril de 2012

Sopa de plástico do Pacífico aumentou 100 vezes em 40 anos

Segundo estudo, acúmulo de plástico pode provocar desequilíbrio marinho

O enorme redemoinho de lixo plástico flutuante do norte do Pacífico aumentou 100 vezes nos últimos 40 anos, revelou um artigo publicado na revista Biology Letters nesta quarta-feira.

Cientistas alertam que a ‘sopa de microplástico’, cujas partículas medem menos de cinco milímetros, ameaçam alterar o ecossistema marinho porque favorecerem a reprodução de um tipo de inseto que serve de alimento para peixes, tartarugas e aves.

No período entre 1972 e 1987, nenhum microplástico foi encontrado em amostras coletadas para testes, destacou o artigo. Em pesquisa recente, estudiosos mostraram que a quantidade de plástico existente nos oceanos é muito maior do que se pensava anteriormente.

Atualmente, os cientistas estimam que a massa de lixo localizada na região do Giro Subtropical do Norte do Pacífico, conhecida como Grande Mancha de Lixo do Pacífico, ocupa uma área equivalente a duas vezes o território de Goiás, cerca de 695.660 km2.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 13.000 partículas de lixo plástico são encontradas em cada quilômetro quadrado do mar, mas o problema é maior no Norte do Pacífico.

 O acúmulo de plástico no centro dessa região é favorecido pelo movimento das correntes marítimas e dos ventos. De acordo com Paulo Sumida, oceanógrafo da USP, “o que acontece na região é semelhante ao que acontece quando você mexe o café de uma xícara e a espuma se concentra em seu centro. Como o plástico é leve, o movimento do giro oceânico faz com que ele se acumule no centro do redemoinho.”

Desequilíbrio marinho

Uma das preocupações dos autores do estudo é a relação entre o aumento de plástico no oceano Pacífico e o crescimento da população do Halobates sericeus, um inseto oceânico conhecido como ‘sea skater’ ou inseto Jesus, por sua habilidade de caminhar sob a água.

O estudo indicou que o acúmulo de plástico no Pacífico Norte tornou-se um novo hábitat para esses insetos, que dependem de superfícies fixas para colocar ovos. Antes, a reprodução desses animais era limitada, pois dependia de materiais como pedaços de madeira boiando, conchas e pedra pome para porem ovos.

Esses insetos se alimentam de zooplâncton e servem de alimento para peixes, pássaros e tartarugas marinhas. Os cientistas acreditam que o aumento da população desses insetos pode causar um desequilíbrio nessa cadeia alimentar.

Saiba mais

Giro oceânico - São grandes sistemas de correntes marítimas rotativas e estão relacionadas ao movimento de rotação da Terra e dos ventos. Como são uma espécie de ‘redemoinho’, esses giros favorecem a concentração de material, como o plástico, em seu centro. São cinco os giros oceânicos: Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul e Índico.

Plástico nos oceanos - O lixo plástico nos oceanos é uma preocupação por causa do impacto ambiental. Por exemplo, a ingestão de plástico por um peixe pode causar danos no fígado do animal. As partículas também servem de abrigo para bactérias e algas. Elas são transportadas junto com as partículas para outras regiões do oceano onde podem ser invasivas e causar problemas ao ambiente local.

Zooplâncton - O zooplâncton é composto por organismos que não realizam fotossíntese (animais microscópicos, em sua maioria) e vivem na água (marinha ou doce), com locomoção limitada — apesar de que vários organismos, como microcrustáceos, podem se movimentar extensivamente.

Fonte – Revista Veja de 10 de maio de 2011

42% dos resíduos sólidos coletados no país vão para locais inadequados, indica estudo

A quantidade de resíduos sólidos gerados no Brasil em 2011 totalizou 61,9 milhões de toneladas, 1,8% a mais do que no ano anterior, de acordo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2011, lançado na terça-feira (8), pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), durante a 11ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo. Do total coletado, 42% do lixo acabam em local inadequado.

Segundo o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho, o crescimento de resíduos sólidos no período de 2010 para 2011 foi duas vezes maior do que o crescimento da população, que cresceu 0,9% no período. “Se continuarmos nessa curva ascendente de crescimento ano após ano e não conseguirmos, de alguma forma, adotar ações adequadas para conter essa geração, certamente, em médio prazo, nossos sistemas de gestão de resíduos entrarão em colapso”.

O estudo mostra ainda que, em 2011, foram coletados 55,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que resulta em uma cobertura de 90%. “Cerca de 10% de tudo o que é gerado acabam em terrenos baldios, córregos, lagos e praças. Nós vemos que esse problema é recorrente em praticamente todas as cidades do país”, disse Silva Filho. Da quantidade coletada, o Sudeste responde por 53% e o Nordeste por 22%. “Nessas duas regiões estão concentrados 75% de todo o lixo do território nacional”.

Segundo o Panorama, 42% dos resíduos sólidos foram destinados em locais inadequados como lixões e aterros controlados. Filho ressaltou que a Abrelpe considera a segunda opção inadequada porque, do ponto de vista ambiental, têm o mesmo impacto negativo que os lixões. “O aterro controlado não protege o meio ambiente como um aterro sanitário”.

De acordo com a publicação, a quantidade de lixo levado para aterros sanitários pode ter sido maior em porcentagem, mas ao analisar a quantidade nota-se que em 2011 a situação piorou. “Em 2010 o volume de destinação inadequada foi 22,9 milhões de toneladas contra 23,2 milhões de toneladas em 2011”, disse.

O Panorama indica ainda que dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% do total, afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, o que significa um aumento de 1% em comparação ao ano anterior. Com relação à coleta de lixo hospitalar, os municípios coletaram e destinaram 237,6 mil toneladas de resíduos de saúde, das quais 40% têm destino inadequado. “Dessa porcentagem temos 12% indo para lixão, sendo depositados sobre o solo sem tratamento prévio, não só contaminando o meio ambiente mas trazendo um risco muito grave para as pessoas que tiram seu sustento desses lixões”.

Para Silva Filho, o cenário revelado pelo Panorama precisa ser modificado até agosto de 2014, quando acaba o prazo para o cumprimento das metas da Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Na avaliação do diretor executivo, as empresas do setor estão preparadas para enfrentar o desafio, pois têm tecnologia, conhecimento técnico e mão de obra. “Precisamos de vontade política e do recurso necessário para tanto. Sem isso não teremos a possibilidade de atender o que determina a lei nacional”, disse.

Fonte – Flávia Albuquerque, Agência Brasil de 08 de maio de 2012

“dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% do total, afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva”. Aí está uma coisa que sinceramente duvidamos. Uma coisa é o prefeito dizer que tem iniciativa de coleta seletiva para enganar a todos e fingir estar se adequando à nova política de resíduos sólidos, afinal, fica feio dizer que não está fazendo nada para resolver o problema do lixo. Outra coisa é este mesmo prefeito provar através de documentos, projetos, que a coleta realmente existe e que funciona e que passa de 1% do total do lixo coletado.

É só ver o caso de Maringá, uma cidade que o prefeito diz ser moderna, ecológica, que diz que existe coleta seletiva, que o lixo é destinado corretamente… e no entanto, não dá suporte às cooperativas, só tem dois caminhões para 5 cooperativas coletarem todo o lixo reciclável da cidade, mais de 150 ton/dia de um total de 350 ton/dia de lixo gerado e que a coleta não passa de 3% desde que ele assumiu a prefeitura, um prefeito que afirma ser o guru do ambientalismo, o dalai lama de gaia.

Se estes prefeitos pudessem, fariam como nosso iluminado imperador, tentariam instalar uma usina para queimar todo o lixo e varrer a sujeira em forma de cinzas do incinerador para baixo do tapete, que é a prova da sua incompetência em gerir o lixo. Afinal, é muito mais fácil esconder a incompetência em forma de cinzas, para ninguém poder provar que as cinzas são na verdade o lixo reciclável e compostável, recursos naturais preciosos do planeta que estão sendo queimados e enterrados. Um crime contra a humanidade. 

EcoScout – acampamento escoteiro com sustentabilidade em 1, 2 e 3 de junho de 2012

A FUNVERDE apoia esta iniciativa. Participe.

 

Vídeos da audiência pública Incineração dos Resíduos Sólidos Urbanos gerados no Paraná em 26 de abril de 2012

A FUNVERDE registrou mais uma audiência pública sobre a intenção do prefeito de Maringá de instalar um incinerador de lixo na cidade.

Desta vez, a organização da audiência foi da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Paraná. Como o prefeito de Maringá foi o primeiro a propor esta idéia escabrosa, os deputados da bancada ambientalista realizaram esta audiência para se posicionar quanto ao assunto no Paraná inteiro.

Sabemos que mais 12 cidades do estado estão pretendendo instalar incineradores de lixo para não ter que fazer o dever de casa como consta na política nacional de resíduos sólidos, no seu artigo 9º, que diz “Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”.

Em Maringá, este prefeito assumiu em 2005, quando a reciclagem era de apenas 3% das 300 ton/dia de lixo gerado. Hoje, faltando apenas mais alguns meses para acabar o segundo mandato, a administração municipal não conseguiu avançar em absolutamente nada a reciclagem de resíduos sólidos urbanos, ao contrário do início desta administração, hoje temos apenas dois caminhões para coletar material reciclável, a reciclagem não passou dos 3% das mais 350 ton/dia de lixo gerado pelos maringaenses, o que é uma vergonha para uma cidade que faz propaganda de cidade ambientalmente correta para o Brasil e o mundo.

Então, no final do mandato, nosso prefeito continua insistindo em planos mirabolantes, caríssimos, que lhe projetem uma imagem de gestor inovador, mas o dever de casa que deveria ter sido feito há muitos anos atrás ele simplesmente resolveu ignorar, que seria basicamente a separação de lixo na fonte em 3 categorias – ou 3 sacos de lixo – reciclável, compostável e rejeito. Por isso continuamos com o mesmo problema de sempre, o lixo.

Para um político que se autointitula ecologista, ele simplesmente cospe no  tripé da sustentabilidade que diz que o desenvolvimento deve levar em conta três aspectos, o econômico, o humano e o ambiental. O desenvolvimento econômico é gerar negócio com o material reciclável, o desenvolvimento humano é educar a população para não gerar, reduzir, reutilizar e separar para reciclagem, compostagem e rejeito e ainda incentivar a reciclagem para gerar renda para os mais de 1.500 catadores da cidade e finalmente, o aspecto ambiental em que ao reciclar e compostar, estará poupando os recursos naturais do planeta para as próximas gerações.

O artigo 6º da PNRS – política nacional de resíduos sólidos – fala do princípio da prevenção e do princípio da precaução. O princípio da prevenção visa a prevenir danos quando as conseqüências da realização de determinado ato são conhecidas. O nexo causal já foi comprovado, ou decorre de lógica. Já o princípio da precaução é utilizado quando não se conhece, ao certo, quais as conseqüências do ato determinado. Ou seja, ele é imperativo quando a falta de certeza científica absoluta persiste. Esta falta de certeza não pode ser escusa para a não adoção de medidas eficazes a fim de impedir a degradação. “Em caso de certeza do dano ambiental, este deve ser prevenido, como preconiza o princípio da prevenção. Em caso de dúvida ou incerteza, também se deve agir prevenindo. Essa é a grande inovação do princípio da precaução. A dúvida científica, expressa com argumentos razoáveis, não dispensa a prevenção” (MACHADO, Paulo Afonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2001. p.55). Deste modo, conclui-se que o princípio da prevenção tem lugar para evitar danos que são, ou poderiam ser sabidos; enquanto o da precaução opera quando não há certeza científica quanto ao dano, mas faz permanecer o dever de evitá-lo.

Aplicando-se os dois princípios à intenção de se instalar o incinerador, concluímos que os dois estão presentes, o da prevenção e o da precaução, muitos países estão criando lei para impedir a instalação dos incineradores, pois já foram comprovados os danos à saúde e ao ambiente que eles causam – princípio da prevenção – e muitos cientistas ainda não sabem ao certo quais outros problemas ambientais e de saúde que só saberemos com o passar do tempo, pois estes problemas são cumulativos – princípio da precaução -, nos sinalizando que não devemos, em hipótese nenhuma, permitir a instalação dos incineradores em qualquer lugar do planeta, iniciando a resistência em nossa cidade, Maringá. Por isso estamos documentando reuniões, disponibilizando documentos, laudos, estudos, filmando os eventos, para que sirvam de case – ou causo, se preferir – para ser usado em qualquer lugar do país em que um político incompetente queira instalar um incinerador por pura preguiça cumprir seu dever mais básico, que é resolver o problema do lixo com educação ambiental para incentivar a reciclagem e a  compostagem.

Assista a mais esta audiência pública que a FUNVERDE registrou quem não pode estar presente no evento, como forma de difundir o conhecimento e os problemas do incinerador. Aprenda, pois conhecimento é poder, poder de mudar o mundo.

 

Abertura da audiência com a composição da mesa e as considerações iniciais dos convidados e palestrantes.

 

Silvio Barros II, prefeito de Maringá e defensor ferrenho da instalação do incinerador, mesmo contra o desejo do habitantes de Maringá.

 

Deputado Doutor Batista.

 

Comentários do deputado Cheida.

 

Jorge Villalobos, da UEM.

 

Comentários do deputado Cheida.

 

Álvaro Cabrini – Engenheiro Agrônomo e Assessor Parlamentar do CREA-PR.

 

Eduardo Felga Gobbi, representante da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná.

 

Considerações finais e despedida da deputada Luciana Rafagnin.

 

Doutor José Lafaiete Barbosa Tourinho, Promotor de Meio Ambiente de Maringá.

 

Questionamentos e considerações da plenária e respostas dos palestrantes.

 

Considerações finais dos palestrantes e convidados.

Maringá, PR – Audiência pública dos deputados da Assembléia Legislativa do Paraná discute incineração do lixo

Com o objetivo de discutir se a incineração é uma solução adequada para o tratamento dos resíduos sólidos, a Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Paraná promoveu uma audiência pública nesta quinta-feira, 26 de abril de 2012. O evento aconteceu no Centro Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) de Maringá, cidade que tem projeto para a instalação de um incinerador de lixo. A discussão vai nortear a elaboração de um projeto de lei estadual sobre o assunto.

A audiência foi conduzida pelo deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), presidente da Comissão, e também contou com a participação dos deputados Luciana Rafagnim (PT), Ênio Verri (PT) e Dr. Batista (PMN). “Queremos levar o debate para todo o estado antes de apresentar qualquer projeto na Assembleia Legislativa. O que não pode acontecer é começarmos uma tecnologia nova no Paraná sem um marco legal. É preciso uma discussão técnica e também instrumentos legais que coloquem limites à questão da incineração do lixo”, explicou Cheida.

O prefeito de Maringá, Sílvio Barros (PP), apresentou o projeto que pretende implantar na cidade, que se espelha no modelo de tecnologia usada em países da Europa. Ele defendeu a incineração como a melhor solução para o destino do lixo. “É uma alternativa inovadora”.

Já o professor Jorge Villalobos, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), mostrou estudos realizados sobre os danos que a queima do lixo causa ao meio ambiente. Seu posicionamento foi alinhado ao do promotor público de meio ambiente de Maringá, José Lafaiete Barbosa Tourinho: “Nenhum processo de combustão é completo. Geram-se cinzas e gases que contém substâncias tóxicas, inclusive cancerígenas. Por isso, a recomendação do Ministério Público Estadual, Federal e do Trabalho é promulgar uma legislação emblemática dizendo não à incineração do lixo”.

Segundo Lafaiete, a proposta de queimar o lixo contraria a Política Nacional de Resíduos Sólidos. “A legislação federal só permite a incineração como última alternativa, com controle rigoroso e reservado a rejeitos. Aqui em Maringá ainda não temos aterro sanitário, nem separação do lixo. Então, não está correto partirmos para uma solução radical dessas”.

Eduardo Gobi, representante da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, defendeu a sensibilização da sociedade e a educação ambiental como as ferramentas mais certeiras para o problema do lixo. “É uma tarefa de todos nós e um grande desafio para o paraná, especialmente para os municípios menores. Por isso, acreditamos no compromisso compartilhado como a melhor saída”.

O engenheiro do Crea, Álvaro Cabrini, também se pronunciou: “O Crea não poderia deixar de se posicionar a respeito desse assunto, já que o lixo está ligado diretamente à engenharia”. Ele defendeu uma ampla discussão técnica sobre o tema. “Não queremos uma posição política antes de uma discussão técnica, com profissionais que dominam o assunto e possam fornecer subsídios para um marco regulatório. Além disso, nos preocupamos em seguir a legislação vigente no país”.

Os deputados Luciana Rafagnin e Ênio Verri reafirmaram a posição contrária do PT em relação à incineração. “Se não fosse perigoso, não estaríamos preocupados com o debate. Mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, não existe nada que nos assegure que a queima não seja prejudicial. Queremos trabalhar no sentido de não prejudicar ainda mais o nosso meio ambiente e a vida humana, principalmente”, disse a deputada Luciana. “A solução é ultrapassada na própria Europa porque concentra renda e polui. Por isso, defendemos outras alternativas como a reutilização e reciclagem, que geram emprego e não poluem”, complementou o deputado Ênio.

O evento ainda contou com a presença de vereadores e representantes do Ministério Público do Trabalho, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), Fórum Lixo e Cidadania, Funverde, Sindicato dos Engenheiros de Maringá, DCE da UEM, Centro Social Marista, Observatório das Metrópoles, Observatório Ambiental, entre outros.

Rio+20

A audiência pública sobre incineração de lixo abriu a programação que o mandato do deputado Cheida organizou para discutir propostas que serão levadas à Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece em junho no Rio de Janeiro. Ao todo estão previstas seis audiência públicas, além de uma série de reuniões em colégios da rede pública de ensino. Cheida é o representante da Assembleia Legislativa na Rio+20.

Fonte – Gabriela Siqueira, Assessoria de Imprensa do Deputado Luiz Eduardo Cheida

Novas fotos das atividades da FUNVERDE já estão no flickr

Você já pode acompanhar os projetos e atividades da FUNVERDE na segunda quinzena de abril no flickr.

Finalmente conseguimos postar todas as fotos no flickr, até mesmo a atividade de plantio de mata ciliar hoje de manhã.

Então, leitores, estagiários, voluntários e membros da FUNVERDE, divirtam-se com 68 páginas de atividades da FUNVERDE só na segunda quinzena de abril.

http://www.flickr.com/funverde/

Planeta não é sustentável sem controle do consumo e população


Planeta não é sustentável sem controle do consumo e população, diz relatório

O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável.

A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).

Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planejamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida.

O relatório da Royal Society será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cúpula que acontecerá na capital fluminense em junho próximo.

“Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza”, disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório.

“Para onde vamos depende da vontade humana – não é algo predestinado, não é um ato de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está em nossas mãos”.

John Sulston ganhou renome internacional ao liderar a equipe britânica que participou do Human Genome Project, projeto responsável pelo mapeamento do genoma humano.

Em 2002, ele foi ganhador, junto com outro cientista, de um prêmio Nobel de Medicina, e hoje é diretor do Institute for Science Ethics and Innovation, na Manchester University, em Manchester.

Discussão retomada

Embora o tamanho da população humana da Terra fosse no passado um importante ponto de discussão em debates sobre o meio ambiente, o assunto saiu da pauta de discussões recentemente.

Em parte, isso aconteceu porque alguns cientistas chegaram à conclusão de que a Terra seria capaz de suportar mais pessoas do que o imaginado. Além disso, países em desenvolvimento passaram a considerar a questão como uma cortina de fumaça criada por nações ocidentais para mascarar o problema do excesso de consumo.

Entretanto, o tema voltou à pauta de discussões após novos estudos terem mostrado que mulheres em países mais pobres, de maneira geral, desejam ter acesso ao planejamento familiar, o que traria benefícios à suas comunidades.

Segundo a projeção “média” da ONU, a população do planeta, atualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.

“Dos três bilhões extra de pessoas que esperamos ter, a maioria virá dos países menos desenvolvidos”, disse Eliya Zulu, diretora execuriva do African Institute for Development Policy, em Nairóbi, no Quênia. “Só na África, a população deve aumentar em 2 bilhões”.

“Temos de investir em planejamento familiar nesses países – (desta forma,) damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação”.

O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planejamento familiar – o que, o estudo calcula, custaria US$ 6 bilhões por ano.

Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo – alerta o documento – a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.

Ultrapassando Fronteiras

O relatório é da opinião de que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias “seguras” em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, sob risco de sérios impactos futuros.

Segundo a Royal Society, além do planejamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar da pobreza extrema 1,3 bilhão de pessoas.

E se isso significa um aumento no consumo de alimentos, água e outros recursos, é isso mesmo o que deve ser feito, dizem os autores do relatório.

Nesse meio tempo, os mais ricos precisam diminuir a quantidade de recursos materiais que consomem, embora isso talvez não afete o padrão de vida.

Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas recomendam para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade de seus cidadãos.

“Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento”, disse Sulston. “A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior”.

“Não podemos conceber um mundo que continue sendo tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual”.

Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.

PIB

A Royal Society diz que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia.

Em seu lugar, países precisam adotar um medidor que avalie o “capital natural”, ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.

“Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito”, diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex.

“O meio ambiente é de certa forma a economia… e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas de pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore”, completa.

O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de “metas de desenvolvimento sustentável”, para substituir as atuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.

Não está claro se as novas metas vão pedir o compromisso de que os países ricos diminuam seus níveis de consumo.

Governos podem ainda concordar durante o encontro no Rio a usar outros indicadores econômicos além do PIB.

Fonte – Richard Black, BBC News de 26 de abril de 2012

Imagem – Pintura de Fernando Botero

 

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