These photos capture the startling effect of shrinking bee populations

A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand in Hanyuan County, Sichuan province, China.

In rural China, humans pollinate flowers by hand.

A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand in Hanyuan County, Sichuan province, China.
In parts of rural China, humans are doing the work bees once did.

Striking new photos show farm workers in Hanyuan county, in China’s Sichuan province, painstakingly applying pollen to flowers by hand.

Hanyuan county is known as the “world’s pear capital.” But pesticide use has led to a drastic reduction in the area’s bee population, threatening the fruit crop. Workers now pollinate fruit trees artificially, carefully transferring pollen from male flowers to female flowers to fertilize them.

For photographer Kevin Frayer, the images of human pollinators tell a story of both loss and human creativity.

“On the one hand it’s a story about the human toll on the environment, while on the other it shows our ability to be more efficient in spite of it all,” Frayer told The Huffington Post.

Bee populations are declining worldwide, according to a February report from the United Nations. Shrinking numbers of bees could result in the loss of “hundreds of billions of dollars” worth of crops every year.

But in some parts of China, hand pollination can actually cost less than renting bees to pollinate crops. Farmers in Hanyuan began pollinating by hand because human labor was cheap, Frayer said. But rising labor costs and declining fruit yields are calling the long-term viability of hand pollination into question.

As bees rush toward extinction, Frayer’s photos might portend a not-so-distant future — one in which human ingenuity must replace what human nearsightedness has wiped out.

“It is entirely possible than in our lifetime this practice could become the norm all over the world,” Frayer said.

Chinese farmer He Guolin, 53, holds a stick with chicken feathers used to hand pollinate flowers on a pear tree.
A Chinese farmer pollinates a pear tree by hand on March 25, 2016 in Hanyuan county, Sichuan province, China.
A Chinese farmer displays the pollen used to pollinate pear trees by hand.
Chinese farmer He Meixia, 26, pollinates a pear tree.
Farmers pollinate each pear blossom individually.
A recent United Nations biodiversity report warned that populations of bees, butterflies and other pollinating species could face extinction due to habitat loss, pollution, pesticides and climate change. It noted that animal pollination is responsible for 5 to 8 percent of global agricultural production, meaning declines pose potential risks to the world’s food supply.
Heavy pesticide use on fruit trees in the area caused a severe decline in wild bee populations, and trees are now pollinated by hand in order to produce better fruit.
A worker stretches to pollinate a distant pear blossom.
Chinese farmer Luo Mingzhen, 53, takes a break from hand-pollinating pear trees.
Hanyuan county describes itself as the “world’s pear capital,” but the long-term viability of hand pollination is being challenged by rising labor costs and declining fruit yields.
A Chinese farmer climbs a pear tree as she pollinates the flowers by hand.

Fonte – Casey Williams, The Huffington Post de 08 de abril de 2016

Imagens – Kevin Frayer, Getty Images

ONU alerta sobre o desaparecimento de polinizadores e pede medidas urgentes

abelha-polinização-mel-apicultura-desaparecimento (Foto: Divulgação)

Nos últimos anos, os cientistas observaram o alarmante desaparecimento das abelhas

Cerca de 75% das plantações precisam total ou parcialmente do trabalho de insetos como abelhas e borboletas

Uma grande gama de fatores está contribuindo para o desaparecimento de animais polinizadores no mundo todo, o que ameaça a produção de alimentos para o ser humano, revelou nesta sexta-feira (26/2)  um relatório do organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregado de proteger a biodiversidade.

O documento da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES) identificou uma série de medidas que governos e o setor privado deveriam tomar de forma “urgente” para remediar o desaparecimento animais como abelhas, borboletas e alguns mais complexos como as aves.

De acordo com o vice-presidente do IPBES, Robert Watson, não existe um fator único que seja responsável pelo desaparecimento dos polinizadores.

“Há uma série de razões que explicam o declive, como a mudança do uso do solo, o uso de pesticidas e a mudança climática. Não se pode dizer que há uma ameaça maior que outra para cada animalpolinizador ou para cada lugar do mundo onde estão desaparecendo. É um conjunto de ameaças”, disse.

O relatório, intitulado “Avaliação Temática sobre Polinizadores, Polinização e Produção de Alimentos”, é o primeiro feito pelo IPBES e é fruto de dois anos de trabalho do organismo da ONU que foi fundado há quatro e é integrado por 124 países, incluindo o Brasil.

Existem milhares de espécies que são polinizadoras, animais que transportam pólen do órgão masculino de uma flor ao estigma, o órgão feminino, o que permite a fertilização. Nos últimos anos, os cientistas observaram o alarmantedesaparecimento das abelhas, das que existem mais de 20 mil espécies silvestres, e borboletas, especialmente na Europa Ocidental e na América do Norte, o que foi atribuído a pesticidas e ao crescente uso de plantas modificadas geneticamente.

O relatório confirmou que pesticidas, incluindo os neonicotinoides – quimicamente relacionados à nicotina -, representam uma ameaça mundial para os polinizadores, apesar de seus efeitos em longo prazo ainda não serem conhecidos.

O IPBES destacou a importância econômica dos organismos polinizadores ao assinalar no estudo que 75% dos cultivos para alimentos do mundo dependem, pelo menos parcialmente, da existência de polinizadores. O valor anual dos cultivos diretamente afetados por polinizadores é estimado entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões.

“Os polinizadores são grandes colaboradores da produção mundial de alimentos e segurança nutricional”, disse Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, professora de Ecologia no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e uma das diretoras do relatório de IPBES.

Segundo ela, o relatório “oferece opções sobre o que fazer de acordo com o problema específico de cada lugar do mundo em relação aos polinizadores, a polinização e a produção de alimentos”. Entre as soluções estão a criação de uma maior diversidade dos habitat dos polinizadores tanto no ambiente rural quanto no urbano, o apoio a práticas tradicionais de rotação de cultivo e manutenção de áreas não exploradas e a redução da exposição dos polinizadores apesticidas.

O professor holandês Koos Biesmeijer, um dos autores do relatório, reconheceu que existem “vazios de conhecimento” com relação com a finalidade dos pesticidas e outros fatores que impactam negativamente nos polinizadores. “Embora não saibamos tudo, em muitos casos, há claras conclusões”, afirmou.

A professora da USP, por sua vez, destacou a gravidade da situação. “Deveríamos atuar agora para deter o declive dos polinizadores”, afirmou.

Já o vice-presidente do IPBES acrescentou que todas as ações, desde as que podem ser tomadas por agricultores até às que podem ser feitas pelos governos, poderiam começar o quanto antes. “Não precisamos de novas tecnologias. Todas estas são opções que podem nos ajudar a sair na frente”, alertou.

Ele deu com exemplo o efeito negativo que têm as grandes extensões de monoculturas.

“Necessitamos uma agricultura mais sustentável. Eliminemos esses enormes extensões de monoculturas e asseguremos que estão salpicadas com zonas de habitat natural que atrairão os polinizadores nos campos de cultivo”, concluiu.

Fonte – Globo Rural de 26 de fevereiro de 2016

Bloco anuncia debate potestativo para proibir uso de glifosato no espaço público

“Devemos defender as pessoas deste herbicida, defender a saúde pública e o direito a usufruírem dos seus espaços públicos”, defendeu Pedro Filipe Soares na sessão de encerramento das jornadas parlamentares, no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

Na sessão de encerramento das jornadas parlamentares, que decorreram esta segunda e terça-feira nos distritos de Portalegre, Évora e Beja, Pedro Filipe Soares anunciou a apresentação de um projeto de lei que proíbe a aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação.

O glifosato é um herbicida classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como comprovadamente cancerígeno em animais e provavelmente cancerígeno em humanos, sendo ao mesmo tempo, o herbicida mais vendido do país.

Em Portugal, o glifosato é de venda livre e fácil e utilizado sistematicamente para limpeza de campos antes das sementes, como desinfetante na água.

O Grupo Parlamentar do Bloco questionou por escrito todas as Câmaras Municipais sobre a utilização do glifosato no espaço público. Das 107 respostas obtidas, 89 indicavam o uso no espaço público e 18 que já não o usavam.

“Devemos defender as pessoas deste herbicida, defender a saúde pública e o direito a usufruírem dos seus espaços públicos”, advogou Pedro Filipe Soares.

O Bloco quer ainda que o Governo prepare, “no prazo de um ano”, um relatório de avaliação dos efeitos do glifosato na saúde humana, com o intuito de avaliar, por exemplo, a “perigosidade” do mesmo e avaliar “medidas adicionais de proteção da saúde humana” no quadro da utilização do glifosato.

Com o agendamento potestativo para 18 de maio e o projeto de lei o Bloco, através de Pedro Filipe Soares, diz querer uma “viragem na legislação no que toca à defesa da saúde pública e um avanço considerável nos direitos” dos cidadãos portugueses.

No final de abril, o Ministério da Agricultura esclareceu que o potencial carcinogénico do herbicida glifosato está associado a um coformulante (taloamina) e não ao produto, cuja utilização futura será decidida em maio.

Um trabalho da RTP dizia que “há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno”, e referia que “a sua presença foi detetada com valores elevados no norte e centro do país”.

Também em abril foram rejeitados na Assembleia da República projetos de resolução de Bloco, PAN e PEV para o Governo socialista se opor à autorização do recurso ao glifosato na União Europeia. As bancadas de PSD e CDS-PP votaram contra e o grupo parlamentar do PS absteve-se, sendo acompanhado pelo PCP quanto às iniciativas de PAN e de Bloco.

“Só podemos esperar que os seis meses seguintes sejam de mais conquistas”

“Só podemos esperar que os seis meses seguintes sejam de mais conquistas, mais alcance positivo de medidas, mais cumprimento de palavra que demos aos nossos eleitores e eleitoras e que esperam uma nova fase na vida política portuguesa”, assinalou Pedro Filipe Soares.

O líder parlamentar bloquista falava em Évora no final de dois dias de jornadas parlamentes, que se estenderam por vários concelhos do Alentejo, naquelas que foram as primeiras jornadas do Bloco nesta zona.

Esta terça-feira cumprem-se seis meses desde que o PS assinou três “posições conjuntas” separadas com o Bloco, PCP e PEV, que possibilitaram uma maioria parlamentar para formar um Governo do PS.

Fonte – Esquerda.net 10 de maio de 2016

A maior diversidade de plantas do mundo

Botânicos registram 46 mil espécies e identificam em média 250 por ano no Brasil

Depois de sete anos de trabalho, um grupo de 575 botânicos do Brasil e de outros 14 países concluiu a versão mais recente de um amplo levantamento sobre a diversidade de plantas, algas e fungos do Brasil, agora calculada em 46.097 espécies. Quase metade, 43%, é exclusiva (endêmica) do território nacional. O total coloca o Brasil como o país com a maior riqueza de plantas no mundo – a primeira versão do levantamento, publicada em 2010, listava 40.989 espécies. Esse número não vai parar de crescer tão cedo porque novas espécies são identificadas e descritas continuamente em revistas científicas. Em média, os botânicos apresentam cerca de 250 novas espécies por ano.

Os cinco artigos detalhando a segunda versão da Lista de espécies da flora do Brasil foram publicados em dezembro do ano passado na Rodriguésia, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), como forma de prestigiar a revista, que completou 80 anos em 2015. Dali também brota um alerta para as perdas contínuas de variedades únicas de plantas. Enquanto o levantamento era feito, um grupo de botânicos identificou uma espécie nova de bromélia com uma inflorescência vermelha, a Aechmea xinguana, em uma área de mata já coberta pela água do reservatório da usina de Belo Monte, em construção no norte do Pará. “Alguns exemplares dessa espécie foram resgatados e estavam na casa de vegetação do reservatório, mas as populações naturais se perderam na área alagada”, disse Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora do JBRJ e coordenadora do levantamento.

O trabalho não terminou. Neste mês de março os especialistas em cada grupo de plantas devem começar a incluir as descrições, distribuição geográfica detalhada e outras características de cada espécie no banco de dados on-line Flora do Brasil (floradobrasil.jbrj.gov.br) para servir de base para o Flora do Brasil Online, que deve estar concluído até 2020 para integrar o World Flora Online, com informações sobre todas as plantas conhecidas do mundo. Na trilha dos botânicos, os zoólogos se organizaram e apresentaram também em dezembro de 2015 a primeira versão do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), resultado do trabalho de cerca de 500 especialistas, que começaram a detalhar as informações sobre 116.092 espécies, a maioria artrópodes, com quase 94 mil espécies ou 85% do total (http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/listaBrasil/PrincipalUC/PrincipalUC.do.)

Elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente, com financiamento do governo federal, instituições privadas e fundações estaduais como a FAPESP, o Flora do Brasil indica que a Amazônia abriga a maior diversidade do grupo das plantas sem frutos e com sementes expostas, as gimnospermas, que predominaram de 300 milhões até 60 milhões de anos atrás, quando os dinossauros circulavam pela Terra. Seus representantes mais conhecidos são árvores em formato de cone típicas do clima frio do sul do país, como a araucária, com uma única espécie no Brasil, e quatro espécies de Podocarpus. Dispersas nas matas da região Norte, porém, vivem seis espécies de cipós de folhas largas do gênero Gnetum, que crescem sob o clima quente e úmido ao redor de árvores. Suas sementes vermelhas ou lilases são tão parecidas com frutos que já confundiram até os botânicos.

Os quase 50 mil exemplares de espécies nativas colocam o Brasil como o país con-tinental com maior diversidade de espécies do mundo, seguido por China, Indonésia, México e África do Sul. Em número de espécies endêmicas, perde apenas para grandes ilhas como Austrália, Madagascar e Papua Nova Guiné, cujo isolamento favorece a formação de variedades únicas, e para apenas uma área continental, o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. O total de espécies não chega aos 60 mil das estimativas mais otimistas, mas é maior que o da Colômbia, antes vista como o país da América do Sul com maior diversidade, e é mais que o dobro das 22.767 espécies descritas na monumental Flora brasiliensis, coleção de 15 volumes e 10.367 páginas escrita por 65 botânicos de vários países sob a coordenação de Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, e publicada de 1840 a 1906.

Na Flora brasiliensis, o grupo predominante, com 32.813 espécies, são as plantas com sementes protegidas por frutos carnosos ou secos, as chamadas angiospermas. Nesse grupo estão as árvores como o ipê e o jacarandá, a roseira e outras espécies ornamentais, o feijão, o amendoim, o milho e a maioria dos vegetais usados na alimentação. Somente de feijões, pertencentes aos gêneros Vigna, Canavalia e Phaseolus, a flora brasileira registra cerca de 30 espécies nativas e naturalizadas, “a maioria delas com um potencial para a alimentação humana ainda pouco investigado”, comentou Vinicius Souza, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) que participou da produção e organização das informações desse trabalho.

As angiospermas se espalharam quando o clima se tornou quente e úmido, depois da extinção dos dinossauros. As mudanças do clima eliminaram a maioria das gimnospermas, hoje raras em todo o mundo: os botânicos encontraram apenas 30 espécies, sendo 23 nativas, desse grupo no Brasil. Por sua vez, as samambaias e as licófitas – plantas sem sementes e sem flores, que se reproduzem por esporos, também com origem antiga – estão representad​as por 1.253 espécies no Brasil​; algumas ​delas ​atingem 20 metros de altura, lembrando as variedades gigantes que marcavam a paisagem terrestre há 300 milhões de anos.

Alegria e inquietação

Os botânicos agora convivem com a satisfação de ver mais uma etapa do projeto concluída e, ao mesmo tempo, uma desagradável inquietação, porque eles sabem que a distribuição geográfica das coletas de amostras de plantas, sobre as quais o trabalho foi feito, não era equilibrada: havia muito mais informações sobre as regiões Sul e Sudeste, onde se concentram as coletas, os grupos de especialistas e as instituições de pesquisa, do que nas outras partes do país. Enquanto no Rio de Janeiro havia 5,8 coletas por quilômetro quadrado (km2) e no Espírito Santo, 3,9 por km2, no Pará e no Amazonas essa relação era de 0,10 e 0,17 por km2.

Provavelmente por causa do número de coletas aquém do desejado pelos botânicos, o estado do Amazonas aparece em terceiro lugar entre os estados com maior diversidade, seguindo Minas Gerais, em primeiro, e Bahia. Os botânicos não estão satisfeitos com esse resultado. “No Amazonas poderia haver pelo menos mais 20 mil espécies ainda não amostradas”, disse Souza.

São Paulo encontra-se em quarto lugar de diversidade. Além de ser um espaço bastante percorrido por expedições botânicas, o estado apresenta uma variedade de relevos, com planícies a oeste e montanhas a leste, e de tipos de vegetação que favorecem a formação de novas espécies. “Tanto as formações vegetais de clima frio que vêm do sul quanto as de clima quente, como o Cerrado, param em São Paulo”, disse José Rubens Pirani, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP.

“Infelizmente, mantivemos a distorção do trabalho de Von Martius, que coletou principalmente na Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado e andou pouco pela Amazônia”, comentou Rafaela. “Precisamos de um plano nacional de mapeamento das espécies de plantas da Floresta Amazônica para resolver o problema da subamostragem do maior bioma brasileiro, que representa metade do território nacional.”

Elaborado com informações mantidas em herbários e em bases on-line como o Reflora, atualmente com 1.390.218 registros de plantas nativas (ver Pesquisa FAPESP nº 229), o levantamento apontou a Mata Atlântica como o bioma com maior diversidade de angiospermas, samambaias, licófitas e fungos, em razão de coletas mais numerosas e da variedade de altitudes, climas e latitudes. Em segundo lugar está a Amazônia e em terceiro, o Cerrado.

“Ainda estamos longe dos prováveis números reais”, observou Souza. “Quanto maior o número de coletas por região ou estado, maior o número de espécies.” Uma evidência de sua afirmação é que, por causa das coletas mais numerosas, a diversidade de plantas do Tocantins aumentou 70% e a do Piauí, 40%, em relação ao registrado na primeira versão da Flora, de 2010. “Não estávamos trabalhando lá e as plantas não apareciam”, comentou Pirani. Em 2013, com sua equipe, ele identificou uma espécie nova de arbusto, Simaba tocantina, em uma área de Cerrado pouco conhecida no interior e nas proximidades do parque do Jalapão, leste do Tocantins, marcada por vastos areais como os descritos no livro Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.

Na região Norte, as áreas menos estudadas são as mais propícias ao avanço das novas plantações de soja e cana-de-açúcar. “O desmatamento é muito mais rápido do que nossa capacidade de conhecer a floresta”, queixou-se a botânica paulista Daniela Zappi, pesquisadora do Kew Gardens, de Londres. “É um desespero. Parece que não vai dar tempo de chegar nessas áreas, principalmente no Arco do Desmatamento, entre o norte do Mato Grosso e o sul do Pará.”

As cactáceas, um dos grupos em que ela é especialista, apresentam uma elevada diversidade no Brasil – em Minas vivem 103 espécies e na Bahia, 98 –, mas 32% das 260 espécies desse grupo encontram-se em grau variável de risco de extinção. As áreas que ocupam são continuamente substituídas por plantações de eucalipto, agricultura ou mineração. Os cactos são explorados como plantas ornamentais e colhidos para servir como alimento para o gado ou para pessoas, que também os usam como fonte de medicamentos, geralmente sem se preocupar em repor as populações originais. Outro problema é que muitas espécies crescem apenas em áreas específicas. É o caso do Arrojadoa marylaniae, um cacto colunar com anéis de flores vermelhas que cresce apenas sobre uma jazida de quartzo branco de valor comercial no interior da Bahia.

O trabalho de identificação e estudo da distribuição geográfica de cada espécie está atrelado a um plano de ação, de modo a estudar e favorecer a polinização e germinação de espécies em maior risco de extinção. As ações de preservação incluem a participação de pesquisadores não acadêmicos. Gerardus Oolstrom, um criador de cactos comerciais em Holambra, interior paulista, trabalhou com botânicos acadêmicos na identificação de uma espécie nova, a Rhipsalis flagelliformis, que ele viu pela primeira vez cultivada em um sítio que havia sido do paisagista Roberto Burle Marx no bairro de Guaratiba, na cidade do Rio de Janeiro. “Os colecionadores, quando integrados com os grupos de pesquisa, podem ajudar muito no trabalho de localização e preservação das espécies”, observou Daniela.

Rafaela também trabalha com o advogado Elton Leme, um botânico não profissional, na caracterização de três novas espécies do gênero Encholirium, que vivem entre rochas em morros da Bahia e de Minas Gerais. Por sua vez, pesquisadores da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte espalharam cartazes com o título “Procura-se” e fotos e informações sobre o faveiro-de-wilson, uma árvore rara, e conseguiram localizar muitos exemplares com a ajuda de moradores do interior de Minas (ver Pesquisa Fapesp no 235).

“Não precisamos plantar apenas rosas e azaleias”, propôs Pirani enquanto caminhava pelos corredores amplos e ensolarados do herbário do IB-USP no início de janeiro. “Cultivar plantas ornamentais nativas em nossas casas, nas ruas e nas margens de estradas é uma forma de preservar a diversidade.” Em seguida ele apresentou um arbusto de flores azuis, a canela-de-ema, duas bromélias, o gravatá e a macambira, e outras plantas coletadas na serra de Grão Mogol, norte de Minas Gerais, que ele procura adaptar ao clima da capital. “Aqui chove mais do que em Minas, mas, mesmo assim, algumas delas florescem todo ano.”

Artigos científicos

COSTA, D. P. e PERALTA, D. F. Bryophytes diversity in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1063-71. 2015.

MAIA, L. C. et al. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1033-45. 2015.

MENEZES, M. et al. Update of the Brazilian floristic list of Algae and Cyanobacteria. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1047-62. 2015.

PRADO, J. et al. Diversity of ferns and lycophytes in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1073-83. 2015.

THE BRAZIL FLORA GROUP. Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1085-113. 2015.

Fonte – Carlos Fioravanti, Revista Pesquisa FAPESP de março de 2016

Apicultor, o sentinela do meio ambiente

Uma das profissões mais polivalentes do mundo é a do apicultor, senão, vejamos: numa assembleia de apicultores certamente encontraremos, independentemente do sexo, professores, religiosos, militares, engenheiros, veterinários, biólogos, médicos, dentistas, filósofos, estudantes, comerciantes, industriais, artistas, economistas, cientistas, neófitos, etc. – a lista estende-se -, além dos puramente apicultores e meliponicultores. Todos certamente seduzidos pelas belezas da natureza e apaixonados pelo meio ambiente, daí a razão de serem apicultores e meliponicultores: todos arrebatados de admiração e amor pelas abelhas.

Quanto aos interesses e objetivos de cada um, podemos dizer que são tão diversos quanto surpreendentes. Para além do encantamento de criar abelhas, vivenciado por todos, há aqueles que promovem e vivem do comércio dos extraordinários produtos das abelhas (mel, cera, geleia real, própolis, veneno, rainhas, enxames), há também quem as estuda e publica conhecimentos sobre sua biologia, comportamento, etc., há ainda quem se dedica a usar as colmeias como material didático ímpar na sensibilização e aproximação do ser humano de sua própria natureza, mobilizando as pessoas para o bem comum, observando as abelhas como modelo ou exemplo de organização social bem sucedida; e entre muitos outros amantes e criadores das abelhas, há aqueles que simplesmente se dedicam ao cuidado das abelhas como um passatempo, forma de relaxamento, desestresse ou possibilidade de reconexão com a mãe natureza.

A observação e descrição do comportamento das abelhas já conferiu o maior e mais importante prêmio almejado por um cientista, o Prêmio Nobel. Referimo-nos ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia atribuído em 1973 ao cientista austríaco Karl von Frisch, por 50 anos de estudos dedicados a desvendar a linguagem das abelhas, ou seja, à dança das abelhas como forma de comunicação.

O amor ou dedicação dos homens às abelhas é milenar. Há referências na literatura e nas artes, bem como em documentação histórica, artefatos e até joias, expostos em importantes museus do mundo, que comprovam a relação harmoniosa entre homens e abelhas desde as mais antigas civilizações. Estudos de hieróglifos da civilização egípcias e também de elementos da civilização grega clássica, entre 500 e 300 AEC, comprovam o reconhecimento das abelhas como um símbolo de bem-estar, saúde e riqueza. A arquitetura europeia também é reveladora do uso de colmeias na cumeeira da porta de entrada de residências e edifícios públicos, como demonstração da admiração do homem pela sociedade das abelhas.

Exemplos mais recentes na História também podem ser flagrados; grandes líderes da humanidade também elegeram as abelhas como símbolo. Ostentavam-nas em suas bandeiras e escudos como modelo de organização social, para demonstrar publicamente a seus seguidores seus princípios e filosofias de vida. Como exemplo, podemos lembrar o líder religioso, Papa Urbano VIII, que no ano 1623, ao se tornar Papa, escolheu para seu brasão as abelhas. Pode-se ainda hoje apreciar no Vaticano, ao adentrar a nave principal da Basílica de São Pedro, as esculturas de abelhas que adornam a base das quatro colunas e as bandeirolas pendentes no altar principal, utilizado apenas para os serviços religiosos dos papas. Já no século XIX, Napoleão Bonaparte, líder político e militar francês, mandou que incluíssem abelhas em seu brasão militar, e ao se coroar imperador da França, em 1804, vestia um manto imperial bordado com abelhas, entre muitos outros exemplos da importância dada pelos homens às abelhas.

Não existe ser vivo com atuação mais importante na preservação da biodiversidade. Inúmeras espécies vegetais e, consequentemente, de animais, dependem do serviço de polinização realizado pelas abelhas. Essa sua função, garantidora da reprodução vegetal, torna as abelhas as principais responsáveis pela existência de plantas com flores e frutos (Angiospermas) em áreas verdes, matas e florestas de nosso planeta. Sua presença é, portanto, decisiva para que essas áreas continuem proporcionando alimento e boa parte do oxigênio que respiramos.

Assim, para além do saboroso mel, que nos adoça a vida, e demais produtos apícolas, como a cera, a geleia real, a própolis, etc., – todos extremamente importantes para o homem -, cumpre explicitarmos que 70% das culturas agrícolas dependem do serviço de polinização, e as abelhas são os principais representantes, entre os insetos que realizam essa tarefa na natureza. Lamentavelmente, porém, a despeito de todas as benesses graciosamente oferecidas ao homem, as industriosas abelhas estão desaparecendo da face da terra.

As causas do desaparecimento de abelhas e de outros polinizadores no planeta são várias. Há que se considerar diversos fatores e até mesmo a possibilidade de uma ação conjunta, cabendo citar o desmatamento, o uso inadequado do solo com monoculturas, as variações climáticas e o uso de pesticidas entre os principais fatores responsáveis pelo declínio de polinizadores. No que concerne especificamente às abelhas no Brasil, seu desaparecimento pode ser atribuído, sobretudo, ao largo e alarmante uso de agrotóxicos. O Brasil, além de ostentar a má reputação como campeão mundial no uso de agrotóxicos nas lavouras, o faz com o uso indiscriminado de pesticidas sistêmicos, altamente tóxicos às abelhas. Os neonicotinoides estão entre os principais causadores da morte massiva de abelhas.

As notícias de redução das populações de insetos polinizadores e suas possíveis consequências têm sido amplamente divulgadas na mídia nacional e internacional. Sabe-se hoje que o declínio dos polinizadores coloca em risco a produção mundial de alimentos, ou seja, a segurança alimentar dos seres humanos. A gravidade do tema, recentemente discutido e rediscutido na Europa e nos Estados Unidos, motivou, em 2015, o Presidente Barak Obama a determinar uma força-tarefa especial de seu governo em prol da preservação das abelhas. E dada a relevância da questão, a ONU incluiu o tema do declínio dos polinizadores em reunião na Malásia, em fevereiro último, o que resultou em importantes recomendações a todos os países-membros sobre os cuidados especiais em defesa e proteção dos polinizadores.

Não obstante a essas recentes iniciativas, a falta de polinizadores já é uma realidade de nossos dias, fato que pode ser comprovado por reportagem de Casey Williams, divulgada em 21/5/2016, no Huffington Post da Austrália, sobre uma comunidade na China, em Hanyuan, Província de Sichuan, cuja população rural, após ter sua população de abelhas dizimada pelo efeito letal do uso indiscriminado de pesticidas ao longo de muitos anos, já vem realizando a polinização de árvores frutíferas com as próprias mãos. A cena de agricultores chineses, pendurados em árvores, realizando o papel das abelhas na polinização de flores de peras, preocupa-nos sobremaneira: Seriam os seres humanos capazes mesmo de polinizar todas as flores de todas as árvores e de todos os campos agrícolas, valendo-se tão somente do esforço individual e pinceis?

 

A existência de “homens-abelha” na China é um sinal sensível dos tempos, e a notícia que vem da China deve servir de alerta para todo o mundo, pois espelha a realidade futura a ser enfrentada por todos os países com vocação agrícola. E não há tempo para desalento, é preciso reagir prontamente ao aviso.

Aos cerca de 300 mil apicultores e meliponicultores no Brasil, que fazem de nosso país uma das grandes potências apícolas mundiais, caberá a missão de se unirem pelas abelhas! No papel de amantes, cuidadores e defensores das abelhas, cumpre-lhes não apenas a tarefa de proteger as abelhas, mas também a de compartilhar a consciência que já têm sobre a importância destes insetos para o homem e o meio ambiente. Reavivam-se nesse momento as palavras do Sr. Gilles Ratia, ex-Presidente da Apimondia: são eles, os apicultores, verdadeiramente, os nossos grandes SENTINELAS DO MEIO AMBIENTE. Aos apicultores, nossos sinceros cumprimentos pelo Dia do Apicultor.

Prof. Dr. Lionel Segui Gonçalves é prof. titular aposentado pela USP/RP, geneticista e pesquisador sobre abelhas, professor visitante da UFERSA -Mossoró/RN, e fundador da ONG “Bee or not to be” que lidera a campanha “Sem Abelha, Sem Alimento”.

Profa. Dra. Katia Peres Gramacho é doutora em Ciências pela USP/RP com Pós-Doutorado na University of Minnesota (USA). É professora titular e colaboradora do programa de Pós Graduação em Saúde e Ambiente-UNIT, e professora em apicultura na UFERSA – Mossoró/RN. Membro da Comissão Técnica Científica da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA).

Texto em homenagem ao dia 22 de maio, dia nacional do apicultor.

Fonte – Lionel Segui Gonçalves e Kátia Gramacho, Sem Abelha sem Alimento de maio de 2016

Direita e PCP chumbam proibição do glifosato em meio urbano

Na discussão sobre a proposta do Bloco relativa à proibição de aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação, o deputado Jorge Costa afirmou que, nos últimos anos, este produto tornou-se numa forma de “pagar em contaminação aquilo que se poupa em postos de trabalho e investimento sustentável”. O projeto foi chumbado pela direita e pelo PCP.

“Ficámos surpreendidos com a votação desta tarde”, afirmou o deputado bloquista Jorge Costa aos jornalistas no final do debate, lembrando que “a direita teve uma posição mais avançada no Parlamento Europeu”, onde o PSD e o CDS aprovaram uma resolução que incluía a proibição do uso do glifosato em espaços urbanos.

Mas a principal surpresa deve-se à mudança de posição do PCP, que recentemente se tinha abstido numa resolução apresentada pelo Bloco e agora votou ao lado do PSD e CDS para chumbar a proibição do uso do glifosato em áreas urbanas. Para Jorge Costa, a nova posição do PCP “vai contra a prática de algumas Câmaras Municipais dirigidas pelo PCP, que já estão a retirar o glifosato do espaço urbano, e deixa nas mãos das instituições europeias uma decisão que podia ter sido tomada aqui no parlamento para proteger as pessoas”. O PS, o PEV e o PAN votaram a favor da proposta bloquista.

Na sua intervenção no debate, o parlamentar bloquista começou por referir que o glifosato é o herbicida mais utilizado da história, sendo um produto não-específico de largo espetro criado em 1974 pela multinacional Monsanto, com o nome comercial Roundup.

Segundo o deputado do Bloco, este produto acabou por se transformar num “sucesso comercial”, em especial a partir do momento em que a Monsanto introduziu “espécies geneticamente modificadas para serem resistentes a este herbicida”.

Jorge Costa afirmou que a utilização do glifosato se generalizou quer em termos agrícolas, nas autarquias e até na limpeza de estátuas e de outros elementos de património cultural e arquitetónico.

Perante esta situação, afirmou que aquele produto acabou por se tornar “omnipresente e, por essa razão, os seus vestígios estão em todo o lado, seja na cerveja, tampões e pensos higiénicos de algodão”.

Um relatório conveniente

“Quanto aos efeitos do glifosato na saúde humana, em vez de um enredo de polémicas entre relatórios contraditórios, a nossa responsabilidade é responder pelo princípio da precaução”, afirmou, tendo chamado a atenção para a necessidade de “evitar o recurso neste debate aos artifícios de última hora que só comprovam a extensão de influência destas multinacionais”.

O deputado do Bloco estava a referir-se concretamente às notícias vindas a lume nos últimos dias que referem que o glifosato “não representa perigo para a saúde humana”.

“Não é preciso ser especialista para desconfiar de um estudo sobre glisofato que é apresentado dois dias antes da Cimeira Europeia que decide a continuidade ou não das licenças deste herbicida na União Europeia”, afirmou, tendo ainda acrescentado que “o Guardian inglês noticia hoje que o principal responsável pelo relatório é nada menos que um dirigente da fundação privada que recebe um milhão de euros da Monsanto e da indústria agro-química.”

“Assim, o grande estudo de referência continua a ser o que sempre foi, o da Organização Mundial de Saúde que liga o glifosato ao linfoma Não-Hodgkin”, avançou, tendo referido também que “este é um dos cancros que mais se regista em Portugal com 1700 novos casos por ano”.

Durante a sua intervenção, o dirigente bloquista sublinhou que muitos dos que se opõem à retirada do glifosato, mesmo quando não procuram “negar os seus efeitos nocivos no meio ambiente e na saúde das pessoas e animais”, argumentam que “não existem alternativas ao uso de herbicidas e desta substância ativa em particular”.

“Não se trata de uma argumentação inesperada. Basta que relembremos a persistente defesa do inseticida DDT há poucas décadas”, rematou.

O parlamentar bloquista fez ainda questão de lembrar que a Ordem dos Médicos considera que este herbicida deveria ser “suspenso em todo o mundo”, e fez ainda questão de sublinhar que a Plataforma Transgénicos Fora (PTF) – que reúne várias ONG de ambiente – remeteu para um laboratório especializado nos Estados Unidos as amostras de urina de um conjunto de famílias portuguesas que apresentaram resultados até 260 vezes acima dos valores considerados aceitáveis.

Fonte – Esquerda.net de 18 de maio de 2016

Futuro do herbicida glifosato em suspenso na União Europeia

Sem acordo, comité de peritos da Comissão Europeia não chegou a votar o prolongamento da autorização de venda do herbicida. Se nada for decidido até 30 de Junho, será proibida a venda de glifosato na União Europeia.

O futuro da comercialização do controverso herbicida glifosato continua em suspenso. O Comité Permanente de Plantas, Animais, Alimentos de Consumo Humano e Animal da Comissão Europeia, com representantes dos 28 Estados-membros, esteve reunido na quarta e na quinta-feira em Bruxelas para, entre outros assuntos, votar o prolongamento da venda do glifosato no espaço comunitário. A 30 de Junho, a autorização de venda deste herbicida expira. Em Março, o comité já tinha debatido o assunto sem ter chegado a uma conclusão. Nesta quinta-feira, sem os votos a favor de França e Alemanha, seria impossível obter-se uma maioria qualificada. E o assunto voltou a ser adiado.

“Já que não seria alcançada uma maioria qualificada, a votação não aconteceu”, segundo declarações oficiais de um porta-voz da Comissão Europeia no final da reunião. “A Comissão vai reflectir sobre os resultados destas discussões. Se nenhuma decisão for tomada até 30 de Junho, o glifosato não será mais autorizado na União Europeia e os Estados-membros terão de retirar a autorização [comercial] de todos os produtos à base de glifosato.”

O glifosato é um herbicida que mata uma grande variedade de espécies vegetais e é usado para queimar as ervas daninhas. É aplicado a nível urbano e na agricultura. Apesar de existir desde a década de 1970, o aparecimento de culturas geneticamente modificadas para serem resistentes ao glifosato fez disparar o uso do herbicida nas últimas décadas. Foi a gigante Monsanto que desenvolveu o químico. Mas na Europa há à venda mais de 300 herbicidas à base de glifosato de 40 empresas diferentes.

O actual impasse é um resultado directo da controvérsia existente sobre esta substância química. Em 2015, um relatório da Agência Internacional para a Investigação do Cancro, que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), concluiu que há “provas limitadas” de que o glifosato é carcinogénico. Mas um novo relatório de um comité conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da OMS concluiu, na última segunda-feira, que “é pouco provável que o glifosato tenha um risco carcinogénico”.

A polémica levou a Comissão Europeia a decidir, em Março, que o prolongamento da autorização de venda do glifosato fosse de nove anos e não de 15 anos, como estava previsto inicialmente. Em Abril, uma votação no Parlamento Europeu recomendou que a renovação fosse de apenas sete anos. Segundo o jornal The Wall Street Journal, se nada ficar decidido até Julho, as lojas têm seis meses para vender os stocks dos produtos.

Portugal foi um dos países que se abstiveram sobre o assunto no comité, como tinha dito na quarta-feira no Parlamento o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos. “Portugal absteve-se em função dos dados técnicos e científicos recolhidos, nos quais não encontrou argumentos sólidos para votar a favor ou contra”, especificou ao PÚBLICO o gabinete de comunicação do Ministério da Agricultura. Portugal esteve representado no comité por um técnico da Direcção-Geral de Agricultura e Veterinária.

“O Governo dispõe de uma margem para legislar em termos nacionais, que é considerada suficiente para dar uma resposta satisfatória à questão, enquanto não houver uma resposta europeia”, lê-se ainda na resposta por escrito do gabinete de comunicação. “Portugal já proibiu o uso da taloamina, um co-formulante utilizado em diversos herbicidas à base de glifosato, e está a ser desencadeado o processo legislativo com vista à proibição de utilização de fitofármacos em espaços públicos, com algumas excepções.”

Na quarta-feira, o projecto de lei do Bloco de Esquerda (BE) para proibir a aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação foi chumbado com os votos contra da direita e do Partido Comunista Português. Um dos argumentos contra a substância usados pelo BE e pelos Verdes foi o princípio da precaução, que defende o não uso de uma substância até se provar que não faz mal. Do outro lado das barricadas, Pekka Pesonen, o secretário-geral de um grupo de sindicatos europeus de agricultores (Copa-Cogega), considera que a proibição do uso deste herbicida resultará numa “verdadeira desvantagem competitiva” para a Europa.

Muito conveniente a OMS e a FAO mudarem de opinião sobre o glifosato na semana da votação. O dinheiro fala, e fala alto!

Leiam : OMS e FAO voltam atrás e dizem que glifosato não provoca câncer.

Fonte – Nicolau Ferreira, Público de 19 de maio de 2016

“Não estamos ficando doentes. Estamos sendo envenenados”

Nas últimas semanas, duas grandes organizações médicas emitiram avisos separados sobre substâncias químicas tóxicas nos produtos que nos rodeiam. As substâncias não estão regulamentadas, dizem eles, e estão ligadas ao câncer de mama e próstata, deformidades genitais, obesidade, diabetes e infertilidade.

“A ampla exposição a produtos químicos tóxicos ambientais ameaçam a reprodução humana saudável”, diz a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, advertiu em um comunicado no mês passado. Os avisos são um lembrete de que a indústria química herdou o manto da indústria do tabaco, minimizando a ciência e a resistência à regulação de maneira que causam danos devastadores para os cidadãos inocentes.

Na década de 1950, os pesquisadores achavam que os cigarros causavam câncer, mas o sistema político demorava a dar uma resposta. Agora, o mesmo está acontecendo com produtos químicos tóxicos. O foco da federação ginecológica é sobre os produtos químicos que imitam os hormônios sexuais e muitas vezes confundem o corpo. Desreguladores endócrinos são encontrados em pesticidas, plásticos, cosméticos, xampus e recibos dos registo de dinheiro, alimentos e inúmeros outros produtos.

“A EXPOSIÇÃO A PRODUTOS QUÍMICOS TÓXICOS DURANTE A GRAVIDEZ E LACTAÇÃO É ONIPRESENTE”, disse a organização, acrescentando que as mulheres
grávidas quase em todos nos Estados Unidos tem pelo menos 43 contaminantes químicos diferentes em seu corpo. Um relatório do Instituto Nacional do Câncer constata que “UMA QUANTIDADE PREOCUPANTE DE BEBÊS NASCEM PRÉ-POLUÍDOS”.

Este aviso foi escrito por especialistas do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a Organização Mundial de Saúde, o Royal College de Obstetras e Ginecologistas da Grã-Bretanha e outros grupos similares. Estes profissionais médicos estão na linha de frente. Eles são aqueles que tratam as mulheres com cancro da mama. Ambas são condições associadas à exposição precoce aos desreguladores endócrinos. Casos crescentes de hipospadia, um defeito de nascença em que as crianças nascem com uma abertura uretral no lado do pênis.

A outra grande organização emitiu recentemente um aviso, a Endocrine Society, a associação internacional de médicos e cientistas que trabalham com o sistema hormonal. “Novas evidências ligam distúrbios endócrinos a exposição de químicos, e estão entre as maiores ameaças à saúde pública enfrentados pela sociedade – DIABETES E OBESIDADE”, disse ele a Endocrine Society ao anunciar um relatório de 150 páginas.

Ele acrescentou que há “evidência crescente” que os produtos tóxicos geram a infertilidade, câncer de próstata, testicular, da mama, uterino, do ovário e problemas neurológicos. Às vezes, esses problemas surgem aparentemente em adultos por causa de exposições décadas anteriores em fases fetais.

“A AMEAÇA É PARTICULARMENTE GRANDE QUANDO EXPOSTOS NASCITUROS”, disse o Endocrine Society. Tracey J. Woodruff, da Universidade da Califórnia, San Francisco diz: “Um mito sobre produtos químicos é que o governo dos EUA garante que eles são seguros antes de entrar no mercado.” Na verdade, a maioria são considerados seguros, a menos que se prove o contrário.
Dos 80.000 ou mais produtos químicos em produção hoje no comércio mundial, apenas uma pequena parte foi analisado de forma rigorosa para a segurança. Mesmo quando uma substância foi removida por razões de saúde, o produto de substituição pode ser tão ruim quanto antes. “É frustrante ver a mesma história uma e outra vez”, disse o professor Woodruff. “Os estudos em animais, in vitro e estudos em humanos testes iniciais mostram que os produtos químicos causam efeitos adversos A indústria química diz.” Esses estudos não são bons, e pedem para ser exibido com a evidência humana. A evidência humana leva anos e exige que as pessoas fiquem doentes. “Nós não devemos ter que usar o público como cobaias”.

Europa está se movendo para testar produtos químicos antes de entrar no mercado, mas nos Estados Unidos é muito lento por causa do poder do lobby químico. A legislação de segurança química depende do Senado que exigiria a EPA para iniciar uma avaliação da segurança de produtos químicos apenas 25 nos primeiros cinco anos – e legislação da Câmara não é muito melhor. “Há quase infinita o paralelismo com a indústria do cigarro”, diz Andrea Gore, professor de farmacologia na Universidade do Texas em Austin e editor da revista Endocrinology.
Por agora, os especialistas dizem que a melhor abordagem é que as pessoas tentam se proteger. Especialmente as mulheres que estão grávidas ou podem se tornar grávidas e para as crianças jovens, tentem comer alimentos orgânicos, reduzir o uso de plásticos, recibos de caixa registadora toque tão pouco quanto possível, tentar evitar retardadores de chama sofás e ver as guias para consumidor http://www.ewg.org.

O Lobby químico lançou o equivalente a U$D 121.000 para cada membro do Congresso no ano passado, por isso esperam que as empresas químicas ganhem muito dinheiro, enquanto que mais meninos nascem com hipospádia e mais mulheres morrem desnecessariamente de câncer de mama.

http://endocrinenews.endocrine.org/edcs-linked-to-rising-diabetes-obesity-risk/

http://press.endocrine.org/doi/10.1210/er.2015-1093

http://deainfo.nci.nih.gov/advisory/pcp/annualReports/pcp08-09rpt/PCP_Report_08-09_508.pdf

http://www.figo.org/sites/default/files/uploads/News/Final%20PDF_8462.pdf

FONTE – Eduardo N Ribeiro, Vivagreen de 23 de abril de 2016

Paraná pode ser o primeiro estado brasileiro a proibir extração de gás de xisto por FRACKING

Uma nova ofensiva começa a ser articulada na Assembleia Legislativa do Paraná para aprovar projeto de Lei que proíbe a exploração de gás de xisto pelo método não convencional chamado fraturamento hidráulico, ou FRACKING, altamente poluente e grande consumidor de água. No últimos três anos já foram realizados seminários e audiências públicas sobre os riscos e impactos para o ambiente, economia e para a vida das pessoas.

Várias proposições tramitam no Legislativo, entre elas uma de autoria do deputado estadual Rasca Rodrigues (PV) que proíbe a tecnologia e que é a mais importante a ser aprovada para declarar o Paraná território livre do Fracking.“Vamos fortalecer a Frente Parlamentar contra o Fracking na Assembleia Legislativa e impedir que essa técnica tão nociva ao meio ambiente e às pessoas aconteça em nosso Paraná”. A afirmação é do deputado estadual Claudio Palozi (PSC) que passa a integrar a campanha Não Fracking Brasil. 122 cidades do Paraná já tiveram o subsolo leiloado pela Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) na 12ª Rodada realizada em 2013, atingindo amplamente o Noroeste, Oeste, Sudoeste e a região Central.Agora, há o temor de que outros 172 municípios possam ser incluídos na próxima rodada de licitações, ainda sem data definida pela ANP. Em dezembro do ano passado, empresas contratadas pela agência realizaram testes sísmicos na região Norte do Paraná para prospectar reservas de gás. Coincidência ou não, vários terremotos foram registrados nas cidades próximas à Londrina, assustando moradores e provocando rachaduras nas construções.

O parlamentar se mostrou preocupado com os severos impactos para as reservas de água e o solo, o que poderá ser muito prejudicial para as pessoas que vivem nas áreas onde haverá a gás de xisto por fraturamento hidráulico. “Precisamos proteger as pessoas, a produção de alimentos e a vida”, disse Palozi, que em dezembro participou em Umuarama de audiência pública realizada na Câmara de Vereadores quando centenas de moradores da cidade e região disseram NÃO AO FRACKING.

Em reunião com o diretor regional da Cáritas Diocesana de Umuarama, Reginaldo Urbano Argentino, e o secretário Marcel Ribeiro, o deputado Cláudio Palozi reforçou o apoio à campanha e assumiu o compromisso de participar da mobilização regional, apoio na Assembleia Legislativa e pressionar seus pares para proibir o uso dessa tecnologia no Estado.

“Palozi aceitou, irá ajudar na organização de audiências públicas e se mostrou disposto a estar ao lado da população na luta contra o gás da morte”, destacou Reginaldo Urbano Argentino, representante da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – na região Noroeste. Junto com a 350.org Brasil, a Cáritas Paraná é parceira na campanha Não Fracking Brasil formada por centenas de entidades climáticas, ambientais e sociais, sindicatos rurais e de trabalhadores, academia, parlamentares e voluntários.

Amerios

“Vamos resistir e ganhar essa luta com o apoio da população, parlamentares e gestores para aprovar uma legislação em cada cidade e estados atingidos e um regramento nacional que irá banir o FRACKING no país”, garante o fundador da COESUS e coordenador de campanhas climáticas da 350.org. Juliano informa que a discussão de um PL para proibir o Fracking no Brasil também está sendo encaminhada no Congresso Nacional.

A cidade de Umuarama foi declarada território livre do FRACKING. Após uma intensa mobilização da sociedade e autoridades locais organizada pelo movimento LIBERTE‐SE DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, que teve como foco o Fracking, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade em 14 de maio projeto de Lei proibindo extração de gás de xisto por fraturamento hidráulico na cidade. Antes, uma marcha com centenas de moradores percorreu as principais ruas da cidade e terminou na Câmara para acompanhar a votação.

Embalada pela decisão unânime de Umuarama, a direção da Associação dos Municípios de Entre‐Rios (Amerios) já recebeu kits com informações sobre o FRACKING e um modelo de projeto de Lei para sugerir que todas as prefeituras promovam o debate, encaminhem proposições às Câmara municipais e proíbam o FRACKING em sua jurisdição.

A campanha Não Fracking Brasil também conta com o apoio da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que deverá encaminhar sugestão para todos os 372 municípios que podem ser atingidos pelo FRACKING no Brasil.

A diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, participou da Marcha dos Prefeitos realizada pela CNM realizada este mês em Brasília como convidada e fez palestra sobre os riscos e perigos do Fracking. Centenas de prefeitos também receberam o kit com informações sobre a campanha e foram orientados como proceder para impedir a exploração do gás de xisto pelo método não convencional FRACKING.

Fonte – Gazeta Toledo de 25 de maio de 2016

Glifosato na urina? 48 eurodeputados fizeram o teste. Juncker não quis…

Na semana em que os países europeus decidem sobre a autorização do glifosato presente nos herbicidas, um grupo de eurodeputados decidiu mostrar como esta substância tóxica já está presente com níveis preocupantes no corpo humano.

Numa ação política em vésperas da decisão sobre a reautorização do uso do glifosato na Europa, um grupo de eurodeputados belgas convidou colegas de vários partidos e nacionalidades para testar os níveis de glifosato presentes na sua urina.

Segundo o diario francês Le Monde, o resultado das 48 análises revelou uma taxa média dezassete vezes acima do permitido para a água potável, com alguns dos eurodeputados a acusarem 35 vezes esse nível.

A experiência também foi proposta ao presidente da Comissão Europeia Jean Claude Juncker, mas o convite ficou sem resposta.

Na próxima quarta e quinta-feira reunirá um comité com representantes dos países da UE para decidir sobre o futuro do uso do glifosato presente em herbicidas como o Roundup, da multinacional Monsanto. Em cima da mesa está a proposta de uma reautorização por nove anos, sem restrições ao uso do glifosato.

Fonte – Esquerda.net de 14 de maio de 2016

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